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Café de 90,95 pontos vence a Prova de Cafés Certificados Imaflora

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A AC Café S/A, empresa exportadora de café, localizada na região do Cerrado Mineiro, apareceu duas vezes entre os vencedores da VIII Prova de Cafés Certificados Imaflora – Rainforest Alliance Certified. O café campeão foi produzido na Fazenda Santa Rosália e, com processado por via úmida (CD), atingiu 90,95 pontos. O grão enviado foi da variedade bourbon amarelo.

Já o lote da Fazenda Santa Lucia, também da AC, foi de café natural e atingiu 90,15 pontos ficou em terceiro lugar. “Tivemos chuva nos meses de maio e junho, mas conseguimos ainda assim uma qualidade excelente nesta safra”, conta Fellipe Pacheco, que representou a AC Café durante a premiação.

Em segundo lugar, o café natural da Fazenda União, do produtor Jose Carlos Grossi, atingiu os 90,45 pontos. O anúncio das 20 melhores amostras foi feito na última quinta feira (27/10), durante o evento de premiação dos melhores cafés Rainforest Alliance Certified do Brasil 2016, na cidade de Patrocínio (MG).

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A Prova, promovida pelo Imaflora – Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola, busca mostrar que além da produção sustentável, os produtores certificados têm excelência em qualidade. Foram inscritas 86 amostras, sendo 40 processadas por via úmida (CD) e 46 processadas por via seca (Natural). Todo o processo de classificação foi realizado na Universidade Federal de Lavras (Ufla), coordenada pelo prof. Dr. Flávio Borém.

Veja como foi o anúncio do resultado do concurso:

“A Prova é exclusiva para os empreendimentos que possuem o selo Rainforest Alliance Certified. Nessa edição, decidimos celebrar os resultados junto aos produtores da região do Cerrado, onde existe a maior quantidade de produtoras e produtores certificados” reforça Eduardo Trevisan Gonçalves, secretário executivo adjunto do Imaflora. Para ele, a qualidade e sustentabilidade são fundamentais para a competitividade na cadeia do café.

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Durante a tarde, antes da revelação dos vencedores, houve uma prova às cegas com os 20 melhores cafés. A organização convidou provadores para avaliar os cafés e deixou à disposição amostras para serem levadas e torradas por cada um. “A ideia é que cada um possa torrar e preparar o café a sua maneira e, se se interessar, entrar em contato conosco para saber de quem era o café para comprá-lo”, pontuou Borém.

Veja, no quadro abaixo, a classificação final da VIII Prova de Cafés certificados Imaflora – Rainforest Alliance Certified:

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TEXTO Thais Fernandes, de Patrocínio • FOTO Divulgação

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Prêmio Ernesto Illy anuncia finalistas: mineiros lideram

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Estão definidos os 40 cafeicultores finalistas do 26º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso. Os melhores grãos de café foram selecionados entre um total de 632 amostras, analisadas pela Comissão Julgadora, composta por diretores e classificadores da Experimental Agrícola do Brasil, braço da illycaffè no país.

A lista aponta que Minas Gerais segue sendo o estado com tradicional predominância no concurso. Teve representantes das regiões cafeeiras do Cerrado Mineiro, Matas de Minas, Chapada de Minas e Sul de Minas, além de um produtor de São Paulo. Os dois Estados têm concentrado os últimos campeões nacionais da premiação.

Especialistas da matriz da torrefadora, na Itália, estão no Brasil para integrar a equipe que selecionará os melhores cafés – entre eles, Anna Illy, diretora da empresa. Além dos campeões da categoria nacional, serão definidos também os vencedores das categorias regionais: Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Chapada de Minas, Matas de Minas, Espírito Santo, Norte/Nordeste, Rio de Janeiro, São Paulo, Sul e Centro-Oeste.

Os três primeiros colocados nacionalmente receberão R$ 10 mil e uma viagem ao exterior para participar do 2º Prêmio Internacional Ernesto Illy, que reconhecerá os melhores cafés dos países fornecedores da empresa. Aos finalistas regionais, além de um montante em dinheiro, serão entregues diplomas. A cerimônia de premiação será realizada no dia 16 de março de 2017, em São Paulo.

Veja, abaixo, a lista dos 40 finalistas (em ordem alfabética):

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Piatã domina categoria Pulped Naturals e Sul de Minas vence Naturals no Cup of Excellence

O Cup of Excellence – Brazil 2016 revelou seis cafés presidenciais – com notas acima de 90 pontos – entre seus campeões. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) realizou, no último sábado (29), em Santo Antônio da Platina, no Paraná, a cerimônia de premiação do concurso. No total, foram 43 “Cup of Excellence Winners”, sendo 19 na categoria Naturals, que premia cafés naturais (secos com casca), e 24 na Pulped Naturals, para cafés cereja descascados/despolpados.

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Categoria Naturals

Na categoria Naturals, foram 19 vencedores, com quatro lotes se destacando e sendo eleitos cafés presidenciais por obterem nota superior a 90 pontos. O café campeão, que chegou a 90,50 pontos, é do produtor Homero Aguiar Paiva, da Fazenda Guariroba, de Santo Antônio do Amparo, Sul de Minas. Em segundo lugar, ficou Cleverson Daniel da Silva, do Sítio Vargem Alegre, de Cristina, em Mantiqueira de Minas, com um café que atingiu 90,34 pontos.

O terceiro café, de Cristiana Maria Carneiro Bustamante Figueira, do Sítio Paraíso, em Conceição das Pedras, Mantiqueira, ficou com 90,26 pontos. E, o quarto café presidencial da categoria foi de Cristina Dias Sampaio Gerolimich, da Fazenda Caracol, em Araponga, Matas de Minas, teve 90,03 pontos.

Entre os campeões estiveram, ainda, grãos da Chapada Diamantina (BA), da Denominação de Origem do Cerrado Mineiro e da Indicação de Procedência da Alta Mogiana (SP).

Confira quem são os vencedores e suas respectivas notas, abaixo:

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Foram eleitos, ainda, 12 “National Winners”, que foram os cafés que tiveram nota entre 84,0 e 85,99 pontos na avaliação do júri internacional do Cup of Excellence – Brazil 2016. Essas amostras são oriundas da Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas Gerais, da Indicação de Procedência da Alta Mogiana (SP), da Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, do Sul de Minas Gerais, das Matas de Minas e da Chapada Diamantina (BA). Os vencedores estão disponíveis no site da BSCA: http://cup.bsca.com.br/file/download/id/2879.

Categoria Pulped Naturals

Já na categoria Pulped Naturals, foram 24 cafés foram eleitos campeões, e foi um município específico que se destacou. Piatã (BA), localizado na região da Chapada Diamantina, dominou a categoria e teve dois lotes obtendo mais de 90 pontos e sendo classificados como cafés presidenciais. O município puxou a Chapada Diamantina, na Bahia, para região que liderou a final e emplacou 19 dos 24 campeões da categoria.

O campeão foi o produtor José Joaquim Oliveira, da Fazenda Santa Bárbara, de Piatã, com um café que atingiu a 91,66 pontos. Em 2º lugar, ficou Anastácio José de Novais, do Sítio Terra Santa, Piatã, com o lote pontuado em 90,21.

As regiões das Montanhas do Espírito Santo, das Matas de Minas e da Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas Gerais também tiveram seus cafés entre os vencedores da Pulped Naturals.

Veja, abaixo, os campeões:

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Outros 10 cafés tiveram notas entre 84,0 e 85,99 pontos na avaliação do júri internacional do CoE – Brazil 2016 e foram eleitos “National Winners”. Esses lotes são originários da Chapada Diamantina (BA), das Matas de Minas Gerais, das Montanhas do Espírito Santo e da Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas Gerais. Os nomes podem ser conhecidos no site da BSCA: http://cup.bsca.com.br/file/download/id/2876.

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Região da Alta Mogiana premia seus melhores cafés da safra

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Em 2013, a região da Alta Mogiana, que possui 23 munícipios produtores de café, conquistou a Indicação de Procedência (IP), um selo que identifica e protege os cafés por suas características, apontando a origem geográfica e as condições de produção, além da história e da cultura.

Neste ano a grande novidade da região, a primeira Indicação Geográfica agrícola do estado de São Paulo, foi unir dois concursos locais, o da Associação dos Produtores de Cafés Especiais da Alta Mogiana (AMSC) com o da Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas (Cocapec), resultando no 14º Concurso de Qualidade do Café da Região da Alta Mogiana.

O Concurso apresentou três categorias: natural, cereja descascado e microlote e recebeu 235 amostras, dentre elas 201 na categoria natural, 23 na categoria de microlote e 11 na de cereja descascado. Os cafés foram avaliados nos meses de setembro e outubro pela equipe presidida por Elder Moscardini, Irmãos Moscardini Specialty Coffee, e pela provadora e head-judge Georgia Franco de Souza, do Lucca Cafés Especiais, de Curitiba (PR).

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A grande final foi realizada na sexta-feira, dia 14 de outubro, e premiou apenas os cafés aprovados na pré-seleção e que alcançaram acima de 85 pontos, de acordo com a tabela de classificação internacional da Associação Americana de Cafés Especiais (SCAA).

Conheça os premiados:

Campeões da Categoria Natural:
1º Lugar – Lauro Pimenta de Oliveira – Fazenda Mira Flor – Restinga – SP
2º Lugar – Barbara Malta – Sitio Capoeira – Jeriquara – SP
3º Lugar – Fernanda Maciel – Sitio da Mangueira – Pedregulho – SP
4º Lugar – Maria Leonor Guimarães Correa – Fazenda Boa Vista – Cassia – MG
5º Lugar – Elvis Vilhena – Fazenda Eldorado – Ibiraci – MG

Campeões da categoria Microlote:
1º Lugar – José Agostinho Taveira – Fazenda Taveira – Ibiraci-MG
2º Lugar – Guilherme Nassif Ferreira – Fazenda Pouso Alto – Cristais Paulista – SP
3º Lugar – Laura Ferreira – Fazenda MF – Pedregulho – SP

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À esquerda o campeão da categoria Natural, Lauro Pimenta de Oliveira, e à direita, o campeão da categoria Microlote, José Agostinho Taveira.

 

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À esquerda a vice campeã da categoria Natural, Barbara Malta, e à direita, o vice campeão da categoria Microlote, Guilherme Nassif Ferreira.

Mais informações: http://www.amsc.com.br/

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Pesquisa Cafeeira, corremos riscos?

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O instituto de maior referência na área do café e com o maior Banco de Germoplasma do País vive grandes dificuldades e a pesquisa do setor pode ficar prejudicada

O futuro da pesquisa no Instituto Agronômico de Campinas (IAC) parece ainda ser nebuloso. O IAC não tem concursos públicos há doze anos. Falta manejo adequado do cafezal e do maior Banco de Germoplasma do Brasil, falta pesquisador, falta pessoal de apoio à pesquisa. Em meio a tantas ‘faltas’, como enxergar as saídas possíveis?

“Os concursos têm ocorrido em intervalos muito longos, o mais recente foi em 2003 e o anterior a esse havia sido em 1992. Portanto, a cada dez anos ou mais. Falta pesquisador na área de melhoramento genético e fitotecnia do cafeeiro”, afirma o pesquisador da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, vinculado ao Instituto Agronômico (IAC), e diretor do Centro de Café Alcides Carvalho do IAC, Gerson Giomo. Hoje, o Centro conta com uma equipe de onze pesquisadores, incluindo o diretor.

Em segundo plano, mas não menos importante, está a redução da equipe de apoio à pesquisa, pessoas para a manutenção dos cafezais e para o trabalho em laboratórios. “Nos últimos anos, quatro funcionários de campo se aposentaram e nenhum foi reposto. Não há autorização governamental para a realização de novos concursos”, relata Gerson.

A contratação da equipe de apoio se tornou uma dificuldade mais evidente há, pelo menos, oito anos. O repasse de verbas para a pesquisa é feito através do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé), em parceria com o Ministério da Agricultura e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). “O problema, contudo, se agravou a partir de 2009, quando houve mudanças no convênio do Funcafé em função da legislação federal. Desde então, a programação de pesquisa foi impactada, com prejuízos na condução de experimentos em campo”, explica o diretor do Centro de Café.

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As mudanças que visavam evitar mau uso dos recursos públicos acabaram impedindo a agilidade do repasse dos recursos pelo convênio, aprovados nos projetos. O ponto tira a autonomia de instituições como o IAC, que passa a ter seus recursos, mesmo extraorçamentários, submetidos à análise jurídica da Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. O último convênio do Funcafé a ser firmado com o IAC refere-se a 2013. Três anos mais tarde, porém, ele ainda não foi concluído.

O maior banco de germoplasma do Brasil
A morosidade no processo deve impactar negativamente o Banco de Germoplasma, o maior do Brasil e um dos maiores do mundo. “Há dois anos, os experimentos não são colhidos em sua totalidade, por falta de mão de obra. Na manutenção de cafezais, inclui-se área de preservação de espécies, banco de germoplasma e coleções de plantas, que também não têm recebido manejo adequado.”

O banco é constituído por cerca de 5 mil acessos que envolvem espécies, variedades, mutantes, plantas segregantes, entre outras, totalizando cerca de 30 mil indivíduos. “Tudo isso é necessário para manter a variabilidade genética de interesse ao melhoramento genético do cafeeiro; a grande dificuldade da espécie é que a planta precisa ser mantida viva no campo, com renovação e reposição periódicas, o que gera alto custo de manutenção. Há grande diversidade de espaçamento e tipos de planta que ocupam cerca de 20 hectares. Não fosse essa riqueza do germoplasma constituído e conservado pelo IAC desde 1932, provavelmente o Brasil não teria atualmente tantas cultivares de café arábica registradas para plantio”, enfatiza Gerson.

De acordo com o diretor, cerca de 90% do café comercial brasileiro é obtido a partir de cultivares geradas pelo IAC. “Dada a importância do germoplasma, estão sendo estudadas possibilidades de renovação, adequação, modernização e ampliação para a formatação de projetos que contemplem a preservação do patrimônio genético cafeeiro do IAC. A maior parte do banco de germoplasma foi obtida pelo empenho, pela coordenação e pela supervisão do doutor Alcides Carvalho”, lembra o pesquisador.

Ainda neste ano, o Projeto de Lei nº 328, de 2016, assinado pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), propôs a alienação e a venda de 79 imóveis. Pesquisadores do estado vêm se mobilizando em manifestações que encaram a proposta como comprometedora para a produção científica em São Paulo. “Estamos contatando parlamentares para discutir o projeto, como respeita a Constituição, ouvindo a comunidade científica, e estamos contatando a comunidade para nos apoiar na defesa do interesse maior, que é a geração do conhecimento”, afirmou o presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Estado de São Paulo (APQC), Joaquim Adelino Azevedo Filho.

Entre as áreas de pesquisa incluídas no PL está o Centro de Engenharia e Automação do IAC, localizado em Jundiaí, porém, a diretoria-geral do Instituto comunicou que as pesquisas em desenvolvimento no local não serão interrompidas e, sim, transferidas para Campinas.

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Por quais saídas seguir
Para superar as atuais dificuldades que o Instituto enfrenta, Gerson defende a quebra de barreiras burocráticas nas contratações, além da flexibilização para as necessidades mais imediatas. “A legislação poderia considerar a realidade da pesquisa cafeeira como atividade de longo prazo e, assim, permitir que recursos pudessem ser utilizados para a realização de serviços prioritários à manutenção da lavoura cafeeira, como era feito até 2009. Há recursos disponíveis de convênios para essa finalidade, mas não podemos contratá-los devido às restrições jurídicas.”

Em última instância há, ainda, uma possibilidade mais delicada: a abertura a uma parceria público-privada. “Não é uma solução plena, mas uma alternativa que pode ser utilizada”, pondera Gerson. “A instituição já realiza esse tipo de parceria em outras áreas e para o café precisa ser intensificada para não ficarmos na dependência de recursos de convênios. Outros setores da pesquisa do IAC, como cana e citricultura, têm bons exemplos de como essas parcerias são viáveis. É provável que algumas atividades já nem existissem mais se não houvesse parceria público-privada.”

Para que uma hipotética parceria se cumprisse seria necessário, ainda, a revisão mais profunda das normas institucionais que hoje vigoram. “O setor café do IAC ainda está moldado em formas de projetos totalmente dependentes de financiamento público, que existia na época do IBC, em que as parcerias eram feitas sem nenhum tipo de aporte financeiro das partes à execução da pesquisa. É necessário inovar e quebrar paradigmas para trilhar novos caminhos e estabelecer parcerias profícuas para todos os envolvidos, com programação técnica e orçamentária coerente com a realidade atual.”

Qualquer que seja a alternativa, o pesquisador destaca que ela precisa incluir o desafio de investir em longo prazo. Ainda assim, é o acesso a recursos que permitem o atendimento imediato das necessidades que pode ser capaz de conferir agilidade ao estudo e, em um futuro não tão distante, a própria viabilidade da pesquisa.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Thais Fernandes • FOTO Paula Rúpolo

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Piatã, na Bahia, é grande destaque nos finalistas do Cup of Excellence 2016

Fazenda São Judas Tadeu . divulgação

O concurso Cup of Excellence é realizado desde 1999 no Brasil, quando o País, de forma pioneira, criou o certame. A metodologia do concurso foi introduzida no Brasil pelo norte-americano George Howell, então consultor do projeto, ao lado da especialista Susie Spindler e com a colaboração dos membros da BSCA Marcelo Vieira e Silvio Leite, que desenvolveram o conceito do prêmio.

Desde então muitos foram os premiados no concurso: 14 vezes a região do Sul de Minas/Mantiqueira de Minas, 2 vezes as Matas de Minas, 2 vezes a Mogiana e 3 vezes a Chapada Diamantina.

Todo o ano o resultado dos finalistas é aguardado com muita ansiedade. A primeira fase é julgada por provadores nacionais pré-selecionados. O concurso é desenvolvido pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Atualmente o Cup of Excellence possui duas categorias: naturals e pulped naturals, para cafés naturais e cerejas descascados. Os 80 melhores cafés de 2016 foram anunciados nesta sexta-feira (14/10) e o grande destaque está na cidade de Piatã, na Bahia, que emplacou 27 cafés dos 80 selecionados. Somente na categoria cereja descascado foram 25 cafés, dos 40 classificados.

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Já na categoria natural a disputa está mais diversificada, com 30% dos cafés vindo da Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas. Na sequência, vieram o Sul de Minas, com 20%; a Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, com 17,5%; as Matas de Minas, com 12,5%; a Indicação de Procedência da Alta Mogiana com 10%; a Chapada Diamantina, com 7,5%; e as Montanhas do Espírito Santo com 2,5%.

Na categoria cereja descascado 62,5% são da Chapada Diamantina, seguida pelas Matas de Minas, com 20%; Montanhas do Espírito Santo, com 10%; Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas com 5%; e Sul de Minas, com 2,5%.

Dentre os classificados há produtores já premiados como Afonso Lacerda (atual campeão do Coffee of the Year 2016), Fabio Protazio de Abreu (terceiro lugar no Coffee of the Year 2016), Antonio Rigno de Oliveira e Cândido Rosa (campeões do Cup of Excellence em 2015 e 2014), Simone Dias Sampaio Silva (campeã no prêmio illy em 2014) e Juliana Armelin (campeã no prêmio illy em 2015).

Essas 80 amostras passarão pelo júri internacional de 23 a 29 de outubro. O concurso avaliará os cafés e os que voltarem a obter nota igual ou superior a 86 serão eleitos “Cup of Excellence Winners” das categorias “Pulped Naturals” e “Naturals” do certame, ganhando o direito de serem comercializados em disputado leilão via internet. O preço mínimo de abertura será de US$ 5,50 por libra peso, ou US$ 727,50 por saca de 60 kg.

 

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Cup of Excellence 2016

Mais informações: www.bsca.com.br

TEXTO Mariana Proença • FOTO Fazenda São Judas Tadeu e Ouro Verde, Piatã (BA)/Divulgação

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Josiane Cotrim

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“Há mulheres na cafeicultura brasileira e elas trabalham muito”

Josiane Cotrim Macieira cresceu em uma fazenda de café na mineira Manhumirim e, há seis anos, dedica-se à causa da International Women’s Coffee Alliance (IWCA), a Aliança Internacional das Mulheres do Café, em português. Jornalista, mãe de duas meninas, Malu e Bebel, ela trabalhou por muitos anos na área de Comunicação até juntar-se a um grupo de mulheres do setor agroindustrial do café para criar o capítulo da IWCA Brasil, em 2011. Aos 56 anos, Josiane é casada com um embaixador brasileiro e já morou em seis países: Iraque, França, Irlanda, Suíça, Nicarágua e, agora, Noruega. “Eu brinco com meu marido que vou com ele para qualquer país, produtor ou consumidor de café.”

Apesar de voar muito por este mundo, Josiane é daquelas mulheres que estão enraizadas em seus valores e sabem muito bem conectar as pessoas para a construção daquilo em que acreditam. Nesta entrevista para a Espresso, ela fala a que se dedica em todos esses anos: “O empoderamento feminino contribui para a melhoria de vida da família e da comunidade. Vamos continuar perseguindo o nosso sonho de um mundo de oportunidades iguais para homens e mulheres para que as famílias que vivem do café tenham vida sustentável. Afinal, onde tem café, tem sapato no pé!” Leia os melhores momentos desta entrevista.

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Em 2012, durante a feira Espaço Café Brasil; as mulheres da IWCA fizeram história durante o encontro

Qual é a sua lembrança de infância com café em Manhumirim? São muitas lembranças. Cresci numa fazenda onde a principal atividade era o café. Uma imagem muito viva na minha memória são as apanhadeiras de café na estrada, voltando do trabalho na época da colheita com feixes de lenha na cabeça. Ficava imaginando que elas chegariam em casa, ainda teriam de acender o fogo, cozinhar e começar tudo de novo no dia seguinte. Acho que essa imagem me motiva e inspira neste trabalho com as mulheres, porque sei que é um trabalho duro a produção de café.

Desde que geração sua família é de cafeicultores? Sou descendente, por um lado, dos imigrantes que chegaram ao Brasil no início do século XIX, gente muito simples, do meio rural da Suíça e da Alemanha, agricultores que aqui passaram a se dedicar ao cultivo de café. No início se instalaram em Nova Friburgo e as gerações seguintes adentraram o interior em busca de mais oportunidades. Minha mãe nasceu em Luisburgo, uma região montanhosa, terra de excelentes cafés.

Quando e como você começou a participar do movimento de mulheres? Sempre gostei de trabalhar em grupo. Em 1994, fui morar na França e participei de um grupo de mulheres que era mais voltado para a cultura e a literatura. Foi um aprendizado muito grande conviver com mulheres do mundo todo, de cultura e língua diferentes. Foi ali que perdi o preconceito que tinha com associações e grupos de mulheres.

Quando foi seu primeiro contato com a IWCA internacional? Foi em 2009, em Manágua. Eu tinha acabado de chegar à Nicarágua acompanhando meu marido no seu primeiro posto como embaixador. Meu primo, agrônomo e produtor em Manhumirim, o Sérgio Cotrim D’Alessandro, me falou de um simpósio, o Ramacafé. Fui até lá participar e fui muito bem recebida.
Era a primeira vez que morava em outro país produtor depois do Brasil e estava muito curiosa para conhecer o modo de produção dos cafés de lá, tão diferente daquilo a que eu estava acostumada. Gabriela Hueck, que organizava o evento com o marido, estava com um broche com a logo da IWCA, aquela figura feminina com o grão de café acima da cabeça. Achei muito bonito e significativo. Fiquei interessada, pois já vinha tentando fazer alguma coisa pelas mulheres da minha região. Quando minha mãe ficou viúva, eu me lembro de como foi difícil para ela manter a propriedade. Ela e sua melhor amiga, também viúva, eram sozinhas tentando levar o negócio em frente, sem muito apoio. Os cursos oferecidos eram de culinária, o que ela tinha feito por quarenta anos. Ela precisava aprender gestão, poda, prova. Para ter uma ideia, nas áreas rurais quando uma propriedade está muito descuidada, costuma-se dizer que “parece lavoura de viúva”. Nada respeitoso para com as mulheres.

Como surgiu a ideia de ter uma aliança de mulheres do café no Brasil? A IWCA nasceu na Nicarágua e foi muita sorte poder conhecer de perto como tudo começou; como um encontro de mulheres da indústria com produtoras, em 2003, deu origem a uma organização que hoje conecta mulheres de vinte países com o objetivo de criar oportunidades de aprendizado, contatos e negócios para que elas prosperem com suas famílias.

No início de 2010, fui com minhas amigas nicaraguenses à Guatemala para a Conferência Internacional do Café, evento que a Organização Internacional do Café (OIC) realiza a cada cinco anos. A IWCA teve um painel moderado por Sunalini Menon, pessoa que conhece café como poucas, além de um ser humano incrível. Nessa conferência, conheci várias líderes, inclusive a Mery Santos, hoje presidente da IWCA, que me disse que havia tempos elas tentavam incluir o Brasil. Margaret Swallow, que também conheci na ocasião, me disse que era impossível falar em café e mulheres sem ter o Brasil.

O Sérgio Parreiras me ajudou a identificar lideranças com a sua rede de contatos do setor e me pôs em contato com líderes de diferentes regiões, como a Brígida Salgado, de Piatã, a atual presidente da IWCA Brasil, a Maria Helena e as filhas Ilana e Amanda, do Café Helena, de Dourados, e Débora Fortini, da Academia do Café. O Aymbiré Ferreira e a Maria Amélia Ferrão me instruíram com as estatísticas e a realidade da nossa cafeicultura. Eu conhecia a realidade da minha região, mas não tinha noção do resto do País. Então aceitei o desafio de criar a IWCA no Brasil.

E como foram os primeiros encontros? Meses depois da conferência da Guatemala, visitei minha família em Manhumirim. Meu primo Sérgio me convidou para o lançamento de um projeto, o Foco Competitivo, embrião do Matas de Minas. Ali conheci a Priscilla Lins, do Sebrae MG, que entendeu logo o que eu dizia. Guiado pelo profissionalismo dela e da equipe do agronegócio do Sebrae, esse projeto foi tomando forma para ser um sucesso no 6º Espaço Café Brasil, em outubro de 2011. Antes, em abril, o Brasil foi o país homenageado no evento da SCAA em Houston. Fui convidada para o café da manhã anual da IWCA e lá conheci a Jackeline Uliana do Espírito Santo, além de produtoras da Bahia. E não foi difícil concluir que precisávamos envolver o Brasil inteiro e não apenas o Estado de Minas. O desafio ficou ainda maior.

Por indicação do Marcos Reis, na época no Sebrae, entrei em contato com a Café Editora. Fui a São Paulo e lembro-me perfeitamente desse encontro no Suplicy Cafés, na Alameda Lorena. Caio Fontes, Mariana Proença
e eu tomamos um espresso preparado pela Daniela Capuano. A sinergia foi rápida e mal acabamos o espresso, já estava tudo “alinhado”. E o seminário foi um sucesso. Foram dois dias intensos de muito aprendizado e trabalho conjunto. Linda Smithers (ex-presidente da SCAA), que, junto com Mery Santos, coordenou o seminário, disse à época que em dois dias fizemos o que muitas tinham levado dois anos.

A prova de cafés, o cupping, foi uma experiência única. Mulheres que trabalhavam com café a vida toda e nunca tinham provado. É incrível como o aprendizado contribui para a autoestima; saímos do encontro com muita energia. Mais de sessenta mulheres de diferentes regiões se conhecendo, trocando ideias, muito emocionante. Um ano depois, em 2012, no 7º Espaço Café Brasil, assinamos o Memorando de Entendimento com a vice-presidente da IWCA, Johanna Bot, que viajou especialmente de Houston para isso. Estava criada a IWCA Brasil.

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Em 2012, durante a feira Espaço Café Brasil; as mulheres da IWCA fizeram história durante o encontro

Como avalia a atuação das mulheres depois da IWCA Brasil? Acredito que a visibilidade lhes deu espaço para demonstrar a força que possuem. O fato de pertencerem a uma entidade de cunho internacional, que respeita e reconhece a todas como parte importantíssima da indústria do café, contribui muito para que as mulheres sejam mais pró-ativas, com autoestima e confiança nelas mesmas. Elas sabem que não estão sozinhas. As mulheres estão indo atrás dos recursos que existem e que podem ser acessados, formaram a demanda necessária para que os treinamentos certos cheguem às pessoas certas. Isso porque atuamos em rede e as experiências positivas vão sendo divulgadas e influenciando outras regiões.

A comunicação e a troca de informações vão inspirando a todas. Hoje todas estão conectadas pelas redes sociais não só com o Brasil, mas também com o mundo. E não apenas virtualmente. Participam dos eventos de café de outras regiões e recebem visitas de membros da IWCA internacional.

E, claro, a Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte, é o principal ponto de encontro. É a nossa SCAA, onde realizamos o café da manhã, como no evento norte-americano, o que permite maior integração, e faz com que todas possam apresentar o trabalho que desenvolvem na sua região.

O que considera essencial para o empoderamento feminino no café? É a geração de negócios, sem dúvida. Sempre achei que produzir café era difícil. Na verdade o mais difícil é comercializar. Estamos chegando lá. Já temos casos de empoderamento feminino graças a treinamentos com impactos consideráveis nas comunidades dessas mulheres.

É preciso acessar o mercado, vender bem o produto para aumentar a renda, para que as condições de vida melhorem e que se possa investir mais no negócio. Isso é um processo. Primeiro vem o conhecimento, o aprendizado, a informação, os treinamentos, os contatos, a mudança de comportamento.

Qual sonho já realizou e qual ainda gostaria de ver realizado? Quando começamos o trabalho de mobilização das mulheres no Brasil, meu sonho era mostrar ao mundo que, sim, há mulheres na cafeicultura brasileira e elas trabalham muito na colheita, na pós-colheita, no barismo, nas cooperativas. Enfim, tornar nossas mulheres visíveis, pois a ideia é que no Brasil a cafeicultura é toda mecanizada e que as mulheres trabalham pouco na lavoura e na colheita. Hoje não há dúvidas de que não é bem assim. Demonstramos isso e posso dizer que realizei meu sonho.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui)

TEXTO Mariana Proença • FOTO Semana Internacional do Café/Divulgação

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Conectados na Origem

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O Brasil recebe o Barista & Farmer 2016, o único reality show de café no mundo, que integra baristas e produtores em dias de vivência constante na fazenda e de muito aprendizado

Em 2015, em Seattle, durante a feira norte-americana de cafés especiais, a SCAA, encontrei o barista Francesco Sanapo, que falou bem alto, com seu estilo italiano: “Brasil! Preciso falar com você!”. Naquele momento, ele havia resolvido que realizaria o Barista & Farmer no maior país produtor de café do mundo. Em parceria com a O’Coffee, por meio do CEO Edgard Bressani, o evento tomou forma e reuniu no último mês de maio um reality show que leva baristas internacionais de diferentes países para conhecer uma região produtora de café e realizar diversos aprendizados na área técnica de prova, torra e preparo.

A ideia surgiu quando Francesco visitou pela primeira vez a fazenda San Pedro, em Porto Rico, da produtora Rebecca Atienza. “Lembro exatamente o momento em que eu vi pela primeira vez um fruto de café no pé. Foi uma enorme emoção e, naquele instante, pensei como seria importante outros baristas pelo mundo vivenciarem a mesma experiência.”

A primeira edição do programa aconteceu em 2013, na própria fazenda, com doze baristas da Itália, terra de origem de Francesco, proprietário da Ditta Artigianale. Depois, em 2015, em Honduras, a ideia tomou fôlego de projeto, com maior estrutura e com a decisão de que o evento seria anual e realizado mundialmente, em diferentes lugares.

Brasil, 2016
Neste ano a fazenda parceira foi a Nossa Senhora Aparecida, do grupo O’Coffee, em Pedregulho, na Alta Mogiana (SP). Durante onze dias, baristas de dez origens estiveram em uma produção de café, muitos deles pela primeira vez. O objetivo principal do Barista & Farmer é propagar conhecimento para os profissionais, que o levarão para seus países de origem juntamente com a experiência que vivenciaram no evento. Neste ano, participaram por seleção e votação popular, depois de 200 inscritos por vídeo, os baristas Agnieszka Rojewska (Polônia), Nikolaos Kanakaris (Grécia), Daniel Rivera (Porto Rico), Raphael Ferraz de Souza (Brasil), Miguel Vera (Venezuela), Olga Kaplina (Rússia), Amy-Nare Manukyan (Armênia), Evani Jesslyn (Indonésia), Guido Garavello (Itália) e Rosey Hill (Austrália).

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Todos os participantes e a equipe de apoio encerram o dia na fazenda da O’Coffee.

A dinâmica do evento é um misto de provas de colheita, plantação, brincadeiras, testes técnicos em laboratório, além de pontuações extras por atitudes positivas durante a convivência em grupo. A Espresso acompanhou alguns dias de provas na fazenda, todas avaliadas pelos juízes Andrej Godina (professor certificado da SCAE), Sonja Bjork Grant (juíza principal do Campeonato Mundial de Barista), e Tabatha Creazo (Gerente de Qualidade e Treinamento do Octavio Café).

De acordo com Sonja, “o Barista & Farmer ajuda muito os baristas, pois, ao chegarem em casa, eles estarão de volta ao trabalho e contarão aos clientes o que eles aprenderam ou viram pela primeira vez, como uma plantação de café, a colheita. Esse é o exemplo perfeito de como espalhar a cultura do café de qualidade”.

Equipes Papaya Power e Free Mandela
O projeto tem como um dos objetivos criar uma atmosfera saudável de competição entre os baristas. Para isso, eles são divididos em duas equipes, que pontuam de acordo com as provas. Nesta edição, as turmas escolheram os nomes de Papaya Power e Free Mandela. Diariamente, eles tinham que acordar às 5 da manhã para colher café e, só depois, no período da tarde, tinham aula técnica e teórica sobre a bebida.

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Miguel Vera, da Venezuela,recolhe o café para pesagem.

A estrutura da O’Coffee permitiu que eles pudessem testar o benefício do café natural, cereja descascado e até lavado. Segundo o participante brasileiro Raphael, “é uma oportunidade de eles conhecerem toda a produção do café brasileiro. Eles não conheciam muito o processo natural e isso eles viram aqui como funciona”.

Além de conhecerem a produção, os baristas inteiraram-se das atitudes sustentáveis da propriedade, como as certificações e o respeito e valorização do trabalhador da fazenda. Segundo Edgard Bressani, da O’Coffee, “temos muitos projetos para os nossos colaboradores. Eu trabalho para manter todos comigo, para tornar a vida deles melhor, porque eles ajudam no crescimento da empresa e, portanto, nós buscamos pagar-lhes mais do que os outros produtores da região. Estamos crescendo muito e vamos continuar a fazê-lo porque temos sempre uma demanda maior para o nosso produto, mas vamos passo a passo, tentando fazer a diferença”.

Para Francesco, o objetivo de realizar o encontro no Brasil foi também para mostrar que, “além de a O’Coffee ser uma grande indústria de café, ela é bem organizada, com muita tecnologia e conhecimento, principalmente no setor dos cafés especiais”.

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À esquerda, os três juízes Andrej, Sonja e Tabatha incentivam os participantes na corrida com as sacas. À direita, o italiano Francesco Sanapo, idealizador do projeto.

Outras paradas
Além de estarem na O’Coffee, os participantes foram à cidade de Lambari (MG) para conhecer o projeto de pequenos produtores realizado pela Lavazza e Giuseppe e Pericle Lavazza Onlus Foundation, intitulado ¡Tierra!, que, desde 2002, em conjunto com a Rainforest Alliance, investe na melhoria das condições sociais e ambientais para a produção de café dessa comunidade. Eles, então, novamente colheram café e participaram de cuppings e de outras provas.

Depois de Lambari, foi a vez de visitar Santos, onde os participantes puderam conhecer o porto de saída dos cafés e também a área histórica, como o atual Museu de Santos e os arredores da antiga Bolsa do Café. Pedro Mendes, guia-educador do museu, explicou para os baristas a importância do café para a nossa história: “O café permitiu o desenvolvimento do País em todos os níveis. Há, portanto, uma ligação profunda entre a Europa e o Brasil e nós simplesmente não podemos falar sobre a nossa história sem falar de café. Para nós, ele é insubstituível”.

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Paisagem de Lambari, no Sul de Minas

Em São Paulo, já perto do fim da competição, os baristas tiveram uma prova no Mercado Municipal, onde, com R$ 50, cada grupo recebeu a missão de comprar ingredientes para elaborar um drinque com café. Além de ser um desafio encontrar os sabores dentro dos milhares de opções do Mercadão, havia a barreira do idioma, que proporcionou momentos engraçados. O melhor drinque será incluído no cardápio da cafeteria Octavio Café.

O grande campeão
No último dia, anunciou-se o grande vitorioso da competição. O projeto é filmado o tempo todo, fotografado, e registra as reações dos baristas. Os juízes avaliam o conjunto da obra e pontuam os profissionais ao longo dos onze dias. Ao final, todos, na verdade, viram uma grande família e ao que menos se dá valor é ao fato de ser o vencedor propriamente. O anúncio foi cheio de suspense e muita emoção, com todos dando o depoimento sobre como tinha sido importante participar do projeto, que, segundo Rebecca, uma das criadoras, “é uma oportunidade única na vida de aprender e vivenciar tantos bons momentos”.

Três baristas foram finalistas: a russa Olga Kaplina, o brasileiro Raphael de Souza e o grego Nikolaos Kanakaris. O grande campeão, anunciado durante a premiação, no Octavio Café, foi o grego Niko: “Eu descobri o café por acaso —, quando eu estudava e houve uma greve de seis meses e então me vi trabalhando atrás do balcão. E eu nunca mais parei desde então. Não há palavras para descrever essa experiência, mas devo confessar que vencer não é realmente tão importante assim. O importante são as relações que construímos com as pessoas que conhecemos graças a este projeto, e que estarão sempre no meu coração”.

O projeto, realizado em colaboração com a Rimini Fiera — SIGEP (Salone Internazionale Gelateria Pasticceria e Panificazione Artigianale), será transformado em vídeo, que vai ser apresentado durante o Campeonato Mundial de Barista, em Dublin, na Irlanda, de 22 a 25 de junho, e também circulará pelo mundo em festivais de café. Vida longa à conexão entre produtores e baristas.

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O grego Nikolaos Kanakaris é anunciado o grande campeão da edição brasileira do Barista & Farmer durante evento na cafeteria Octavio Café.

Ficha técnica

FAZENDA O’Coffee: fazendas Nossa Senhora Aparecida, São José, Santa Adélia, Santa Rita, Santa Maria e Fazendinha
LOCALIZAÇÃO Pedregulho e região REGIÃO Alta Mogiana (SP)
ALTITUDE MÉDIA até 1.100 metros
PRODUÇÃO ANUAL 35 mil sacas (média atual)
ÁREA TOTAL 3,5 mil hectares
ÁREA PLANTADA 1000 hectares
NÚMERO DE CAFEEIROS 4 milhões de pés
COLHEITA manual e mecanizada
PERÍODO DE COLHEITA de maio a agosto
PROCESSAMENTO via seca e úmida (naturais, descascados, desmucilados, despolpados)
SECAGEM terreiros suspensos, estufas e secadores mecânicos
VARIEDADES bourbon amarelo, icatu amarelo, mundo novo, catucaí vermelho, catuaí amarelo, obatã e acaiá
CERTIFICAÇÕES Rainforest Alliance, Utz Certified e AMSC
PROJETOS mais de dez projetos sociais na fazenda e comunidade e Projeto Buriti de Reflorestamento: 800 mil árvores de espécies nativas

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Dino Buffagni

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Qual a real situação da safra 2016 na colheita do café?

Os frutos podem atingir tamanhos de peneiras altas. A safra 2016 passou por diversas provações. Para os produtores de arábica, um adiantamento da colheita seguido por chuva fora de hora em diversas regiões. Já para quem cultiva o conilon, sequência de clima seco e dificuldade para manter suas lavouras no Espírito Santo e na Bahia. Para balizar estes dados, o CaféPoint, site parceiro da Espresso, realiza o terceiro ano de uma importante pesquisa para ampliar a voz dos produtores. O objetivo é saber qual foi a realidade da safra 2016. Convidamos os produtores a participar da Pesquisa CaféPoint Colheita Cafeeira Safra 2016 (clique no nome da pesquisa) que apresentará seus resultados durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte e, logo em seguida, os divulgará no site CaféPoint. fotocafepoint

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Grãos de altitude

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A cidade de Divinolândia, no interior de São Paulo, abriga pequenos produtores que construíram sua história, encravada nas montanhas de café.

Em uma altitude média de 1.300 metros, as estradas da zona rural do município de Divinolândia cortam inúmeras montanhas. Em São Paulo, mas próximo ao Sul de Minas Gerais, a cidade abriga propriedades que têm área entre 5 e 10 hectares, muitas dessas voltadas para a cultura do café.

A agricultura familiar é marcante e não se andam muitos quilômetros sem encontrar a casa seguinte, pintando com diferentes cores o mar de verde – parte cafezal, parte mata – da região. Foi com a imigração de europeus, na maioria italianos, entre o fim do século XIX e o início do século XX, que a cafeicultura no lugar começou a tomar corpo. Hoje, a cidade produz até 120 mil sacas por ano.

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Adalto Batista de Oliveira trabalha diariamente na lavoura do Sítio Recanto do Sonho, onde conquistou a primeira terra que pôde chamar de sua.

O clima das montanhas, mais ameno durante a noite, era ideal para o novo lar dos forasteiros e, somado ao relevo, também agradou aos cafezais, contribuindo para a maturação mais lenta dos frutos. A característica estende a colheita até agosto e, com o grande número de pequenos produtores, o processamento de café natural se tornou mais comum. Mas o ponto de virada desta história ainda estava por vir. Para que esses produtores se destacassem em um país com tradição cafeeira, no entanto, o conhecimento foi decisivo.

Descobertas coletivas Com forte parceria com o Sindicato Rural de Divinolândia, surgiu, em 2005, a Associação dos Cafeicultores de Montanha de Divinolândia (Aprod). Unidos, os produtores enfrentaram as barreiras do mercado.

Com 52 associados, a Aprod completa dez anos de descobertas coletivas. “Hoje, a qualidade não está mais escondida. Com conhecimento, conseguimos preços mais altos para os melhores cafés”, revela Sergio Luis Riccetto, atual presidente da Associação. Entre as estratégias traçadas pela direção estão a certificação do café dos associados, como Fairtrade (selo de comércio justo que busca a sustentabilidade econômica e social para o desenvolvimento das cadeias produtivas), a organização de um concurso próprio e, por fim, a realização de um projeto de adequação ambiental.

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Francisco Sérgio Lange, secretário da Aprod e presidente do Sindicato Rural de Divinolândia, e Sergio Luis Riccetto, atual presidente da Associação.

A certificação já é uma realidade. O Concurso de Qualidade de Cafés de Divinolândia completa sua 10ª edição e o próximo passo é a busca por mais projetos voltados para o meio ambiente. O atendimento especializado ao produtor também está sendo posto em prática. Um técnico agrícola deve acompanhar o dia a dia dos cafeicultores, auxiliar na formação de uma rotina mais focada em qualidade e coletar dados da propriedade.

As metas se tornaram maiores e os produtores querem ter seu trabalho reconhecido. “A ideia é buscar a denominação de origem para o café de Divinolândia e que a venda seja feita de forma organizada, por meio da Aprod”, conta Francisco Sérgio Lange, um dos principais entusiastas da busca por uma identidade própria da região, que hoje se situa na Mogiana. Tido por muitos como louco no momento em que expôs suas primeiras ideias, Sérgio Lange colhe hoje os frutos da busca por uma produção mais rentável para o município.

Cafeicultor visionário Autodidata na cultura cafeeira, Francisco Sérgio Lange, ex-engenheiro eletricista, não resistiu aos encantos da produção e se tornou referência na cidade. “Conseguir pôr preço no nosso produto em uma pequena associação não é fácil. Não é para amanhã”, conta sobre a trajetória na qual ele encontrou a palavra-chave que rege hoje boa parte de seus discursos: qualidade. “Ele falava em café especial em Divinolândia e os outros achavam que ele era louco. Mas, na verdade, o Sérgio é um visionário”, conta Rute Aparecida Pereira Lange, esposa do produtor, que esteve em cada visita aos compradores para anunciar o nome e o potencial da cidade como produtora de café especial.

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Marluce Migoti, Carmen Costa, Rute Lange e Maryeli Zani. Entre o trabalho nos cafezais e conquistas como a do armazém, o Grupo das Mulheres ganha espaço e representatividade.

Inquieto, Sérgio Lange continua pesquisando e trazendo propostas. “Nossa meta é utilizar os cafés 84 pontos para o Fairtrade e aqueles acima disso, considerados especiais, para este mercado mais específico”, planeja, frisando que “todo mundo está produzindo lavado, mas o mercado de especiais está crescendo para o natural. Queremos visar esse diferencial”.

Todos os processos convergem para o objetivo de ver o café de Divinolândia em outro patamar nas gôndolas mundo afora. “Estamos fazendo o levantamento histórico da região. Precisamos demarcar o território e levantar as características, como a agricultura familiar e cafés certificados”.

Estrutura para qualificar Em 2015, a mais recente aquisição da Aprod somou-se ao mantra da busca por qualidade. Inaugurado em setembro deste ano, o armazém da Associação traz em sua estrutura maquinário para fazer a classificação dos grãos por tamanho e cor de maneira tecnificada. Mas, para buscar um diferencial, a estrutura traz ainda salas para conectar processos e negociações. “Queríamos ter um armazém com outro conceito. Assim, o cliente vai negociar diretamente com o produtor”, explica Sérgio Lange.

O foco é o mercado externo e os produtores apostam em frutos com concentração de açúcar e boa acidez. O prédio abrigará também um laboratório de torra, em fase de construção, que receberá compradores. “É um sonho que nós desenhamos, construímos e agora vimos nascer. Com ele, a gente vai ter mais chance de ter cafés de qualidade”, ressalta Carmen Silva de Ávila da Costa, que compõe o Conselho Fiscal da Associação.

Ocupação feminina A maioria das mulheres é ligada diretamente à produção. Colhem, desbrotam, fazem o manejo e secam. Independentemente do setor, existem as que se dedicam à direção e à administração das propriedades, mas o que as une, de fato, é a busca por integração dentro da cultura a que pertencem. Carmen foi uma das primeiras a frequentar a Associação. “Eu vinha sozinha às reuniões dos homens, porque queria aprender sobre o trabalho.”

As produtoras tiveram um primeiro contato com a Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA) ainda na primeira reunião do grupo, durante o Espaço Café Brasil, e se inspiraram. “Conhecemos a Josiane Cotrim, da IWCA, e ela nos visitou e entusiasmou a mulherada!”, lembra Carmen. Assim, em 2011 o Grupo das Mulheres da Aprod foi fundado oficialmente. Hoje, as reuniões gerais têm a participação de um número maior de mulheres para discutir os assuntos de interesse de todos. “Até então, a mulher era só mão de obra. Aqui, ela adquire capacitação e descobre que tem voz e poder”, analisa a produtora Marluce Zanetti Migoti, que há três anos descobriu o universo da cafeicultura e decidiu se dedicar à atividade por completo.

Por serem parte de várias gerações de cafeicultores, as mulheres já conheciam a paixão pela cultura e ocupam, agora, seu lugar de forma mais socialmente ativa. “Todos diziam que amavam o cafezal, mas ninguém sabia como cuidar”, afirma Carmen. Entre as formas de incluir a voz feminina na Associação, contam elas, o Concurso de Qualidade de Cafés de Divinolândia passou a receber o nome das produtoras nas inscrições e, dentro da Diretoria, o Conselho Fiscal é composto dessas mulheres. “Acredito que uma delas pode chegar, sim, à presidência da Aprod. Qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa com conhecimento. Por que não?”, declara Marluce.

 Alfredo Mengali cultiva a história da cafeicultura local, perpetuando o que começou ainda com seus avós imigrantes. Ao lado, Regiana, José Clovis e o filho Douglas Henrique em dia de trabalho no Sítio Gruta São Francisco

Regiana, José Clovis e o filho Douglas Henrique em dia de trabalho no Sítio Gruta São Francisco. Alfredo Mengali cultiva a história da cafeicultura local, perpetuando o que começou ainda com seus avós imigrantes.

Doce por natureza Tudo está em família na propriedade vencedora do X Concurso de Qualidade de Cafés de Divinolândia – Safra 2015. “Não coloco mais nada de açúcar no café”, anuncia Regiana de Souza Borges, enquanto serve as xícaras. A produtora, ao lado do marido, José Clovis Borges, e do filho Douglas Henrique Borges, é dona dos cafés naturais que venceram a premiação local e o 13º Concurso Estadual de Café de São Paulo, em 2014. No primeiro, o café recebeu características sensoriais de chocolate, floral e mel.

Para chegar a esse resultado, a colheita do Sítio Gruta São Francisco, realizada entre o final de julho e setembro, deixa a família ocupada. “Na época da ‘panha’ a gente se dedica só ao café”, diz. Regiana também toma a frente no terreiro de cimento, além de assumir a varrição e fazer desbrota quando preciso. “Sempre fiz tudo, mas com conhecimento foi depois de entrar na Associação”, conta.

Integrante do Grupo das Mulheres, ela explica que, além do curso de prova, busca novas informações sobre os processos de produção. “Temos aprendido muito. Tirar a umidade do café era uma coisa para a qual não dávamos atenção. Hoje, sabemos como preparar amostras para os compradores.”

Foi ainda nas palestras do Grupo que ela aprendeu a observar cada detalhe da lavoura, com 7 mil pés distribuídos em 3 e 4 hectares. “Aprendi que existe diferença entre os talhões e que não se deve misturar os cafés.” A propriedade tem dois terreiros e o rendimento anual é de uma média de 300 sacas, que a família busca aproveitar ao máximo. “Antes, nós vendíamos pelo preço que o comprador queria. Hoje, nós sabemos o valor na hora de vender. Nós é que dizemos quanto tem que ser pago”, afirma.

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Maria da Graça e Luiz Bertolini sempre viveram no campo e hoje buscam o auxílio de maquinário para tornar o trabalho mais rápido.

Vale dos italianos Cecília e Alfredo Mengali, 71 e 77 anos, respectivamente, estão completando bodas de ouro. As décadas vividas juntos foram de superação desde o início. “Quando nos casamos não tinha energia elétrica e banho era só de caneca. Eu sofri bastante”, revela Cecília, que era moça da cidade, mas hoje não troca o Sítio Laranjal por nada.

O capricho e a força de vontade da produtora roubam a cena quando a casa cheia de detalhes se aproxima. Cecília sobe e desce a propriedade ligada à dos três filhos e ainda tem fôlego para ir até a lavoura apreciar os 80 mil pés de café divididos entre a família, que resultam em uma média de mil sacas/ano.

Essa história começou ainda com os avós italianos de Alfredo, que vieram para o Brasil para a colheita. “Tudo o que meu pai conseguiu na vida foi com o café.” Com esse exemplo em casa, Alfredo começou a trabalhar aos 13 anos. “Quando comecei o café era o ouro do Brasil”, conta ele, que ainda trabalha no secador junto aos filhos, que permaneceram no bairro, carinhosamente chamado de Vale dos Italianos.

No total, o casal teve cinco filhos homens que criou com o rendimento que a cafeicultura lhe deu. “Você tem que saber escolher também”, afirma Cecília, que, ao lado de Alfredo, selecionou o produto para enviar ao concurso deste ano. “Você faz a catação e pensa que já está bom, então deixa descansar e, quando volta, encontra mais cafés que podem ser retirados para que fique realmente com qualidade”, analisa.

Já Maria da Graça e Luiz Bertolini moram em outro bairro, mas dividem com os Mengali a descendência italiana. O casal aposta na tecnologia para levar à frente os cuidados com a lavoura que hoje é tocada pelos filhos Marcos e Daniel. “Eu continuo nos trabalhos de secagem, mas, desde que utilizo a moto para rodar o café, consegui economizar um bom tempo”, conta Maria. Já Luiz é conhecido por outra característica marcante nas pequenas localidades: a fé. O produtor faz muitas orações na igreja próxima e na produção cafeeira não é diferente: “A boa safra que tivemos no ano passado foi uma bênção”, conta.

 Maria de Lourdes sempre incentivou a Associação e, assim que teve a oportunidade, passou a participar ativamente dos trabalhos ao lado do marido, Adalto

Maria de Lourdes sempre incentivou a Associação e, assim que teve a oportunidade, passou a participar ativamente dos trabalhos ao lado do marido, Adalto.

Terra própria No meio do Bairro Mombuca, Maria de Lourdes Cunha de Oliveira e Adalto Batista de Oliveira viveram a conquista de seu primeiro sítio. O casal tem cinco filhos. Dois moram no Sítio Recanto do Sonho e auxiliam a família no dia a dia da produção.

A família decidiu guardar seus investimentos para adquirir uma terra para chamar de sua. “Quando nos mudamos, o Adalto disse que ia deixar o café de lado e comprar umas vaquinhas. Não passou nem um mês e começamos a cultivar um talhão de novo. Nunca vi amar tanto o café”, conta Lourdes.

A produtora lembra que no início da Aprod já acreditava no potencial da iniciativa. “Na primeira reunião eu não entrei, porque só havia homens. Mas o Adalto queria desistir e eu briguei com ele para comparecer”, conta ela, que participa ativamente do Grupo de Mulheres.

As mudanças refletiram na produção e em 2015 o café do Sítio Recanto do Sonho alcançou 84,13 pontos no concurso local. O terreiro fica aos cuidados de Lourdes, que observa a boa carga de flores na lavoura e acredita: “Quanto mais você aprende, melhor o café é”.

Ficha técnica

Fazendas visitadas Sítio Gruta São Francisco, Sítio Laranjal, Sítio São Luiz, Sítio Recanto do Sonho Localização Divinolândia (SP) Região Mogiana Altitude média 1.300 metros Colheita manual Processamento natural Secagem terreiro de cimento e secador mecânico

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Thais Fernandes • FOTO Lucas Albin / Agência Ophelia