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Yara, JDE Peet’s e ofi se unem para colher a primeira safra de café conilon de baixa pegada de carbono

Empresas se aliaram num projeto para alavancar a redução das emissões de carbono e a produtividade em lavouras de conilon do Espírito Santo e Bahia

Por Lívia Andrade, de Eunápolis (BA)

Yara, JDE Peet’s e ofi – três gigantes nas áreas de nutrição, torrefação e originação de café, respectivamente – se uniram, há um ano, num projeto que visa tornar a produção de café conilon mais resiliente climaticamente.

“Precisamos de um produtor resiliente, com uma atividade economicamente rentável”, diz Bruno Ribeiro, gerente de fornecimento responsável da JDE Peet’s. “Só assim ele vai se manter na atividade, produzindo café de maneira responsável para comprarmos e torrarmos para nossas marcas locais e de fora do Brasil”, complementa.

O projeto, focado em cafés da variedade conilon, contempla 20 fazendas do sul da Bahia e do Espírito Santo. Juntas, as três empresas selecionaram propriedades para implantar um talhão de café com o manejo nutricional de fertilizantes, do portfólio Yara Climate Choice,  cujo processo de fabricação tem uma pegada de carbono até 90% menor do que a dos fertilizantes convencionais. “Queremos promover uma cafeicultura mais sustentável, de baixo carbono, mas isso tem que ser rentável para o produtor, senão o projeto não para em pé”, diz Francielle Bertotto, gerente de sustentabilidade e cadeia do alimento da Yara Brasil.

A parceria funciona da seguinte forma: a Yara fornece a tecnologia nutricional de baixo carbono e acompanhamento técnico e coleta de dados em campo; a ofi entra com também com assistência técnica e se compromete a adquirir este café de baixo carbono e a JDE Peet’s, por sua vez, compra este café originado na ofi. 

Além disso, ofi e JDE Peet’s dão subsídio para os cafeicultores comprarem os adubos do portfólio Yara Climate Choice, que têm preço médio superior ao dos convencionais. Mas o produtor não tem obrigação de vender este café para a ofi – é uma opção, caso seja interessante para ele. 

O grande objetivo do projeto, cuja primeira colheita começou no fim de junho, é servir de vitrine para o agricultor entender que o manejo com produtos diferenciados pode gerar um ganho de até 7,6 sacas a mais por hectare, além de reduzir a pegada de carbono do café em cerca de 40%. 

Isso porque fertilizantes nitrogenados são os maiores vilões das emissões de gases do efeito estufa numa propriedade cafeeira – representam cerca de 2/3 das emissões. Mas eles não são os únicos, pois entram na conta os combustíveis dos maquinários, como tratores, colhedoras, transporte dentro da propriedade, entre outros.

O projeto prevê também transferência de conhecimento por meio da assistência técnica rural. Não por acaso, as equipes de campo da Yara e da ofi têm treinado os produtores em fertirrigação. “As áreas de conilon são muito dependentes de água para produzir. Se o cafeicultor não tiver eficiência na irrigação, a atividade está realmente ameaçada”, explica Francielle.

Bruno Ribeiro, Gerente de Sustentabilidade da JDE Peet’s; Rafael Sol e Daiane Sol, produtores; Eduardo Sampaio, Supervisor de Sustentabilidade da ofi; e Francielle Bertotto, Gerente de Cadeia de Alimentos e Sustentabilidade da Yara Brasil

Rafael Sol e a esposa, Daiane, são beneficiários do projeto. Proprietários da fazenda Vitória, com 40 hectares de conilon em Eunápolis (BA), eles já tinham parceria de longa data com a ofi, que os auxiliou na implementação da certificação Rainforest. “Foi uma mudança drástica”, comentou Sol.

Depois desta, as mudanças seguintes foram mais fáceis. “Hoje, tenho produção de micro-organismos on farm e há três anos só uso inseticida biológico”, diz o produtor e engenheiro agrônomo. “A questão da sustentabilidade está vindo junto com nossas mudanças, mas faço as contas para ver se a tecnologia é mais eficiente e menos onerosa”, explica.

Do projeto da Yara, ofi e JDE Peet’s, Sol ainda não colheu café. “Mas meu gerente, que roda toda a fazenda, disse que os cafezais da área do projeto [9,5 hectares] estão nitidamente melhores, com os grãos mais bonitos, mais bem formados”, conta ele. “Entrei no projeto por causa da pegada de carbono. É uma tendência mundial. Vejo a possibilidade de conquistar novos clientes por causa desse diferencial”, acrescenta.

Para a Yara, ofi e JDE Peet’s, o projeto envolve promover a adaptação dos produtores de conilon às mudanças climáticas e, dessa forma, ajudá-los a se manter na atividade. “As três empresas têm este objetivo em comum: apoiar o produtor, promover uma cafeicultura descarbonizada e mais sustentável, trazendo soluções eficientes”, diz Eduardo Sampaio, supervisor de sustentabilidade da ofi.

O projeto também contribui com uma meta maior: atingir a neutralidade de carbono (Net Zero) até 2050 para as três empresas envolvidas. Este compromisso implica tanto na redução das emissões diretas quanto nas emissões indiretas de energia e nas emissões na cadeia de valor (a fase agrícola). 

TEXTO Livia Andrade

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Estudo abre caminho para novos cafés adaptados ao clima

Pesquisa publicada na Scientific Reports confirma origem híbrida do grupo conhecido como libex e identifica características que podem contribuir para o desenvolvimento de materiais mais adaptados às mudanças climáticas

Imagem gerada por IA

Por Cristiana Couto

A busca por novas espécies de café não para. Recentemente, pesquisadores confirmaram a origem híbrida de um grupo de plantas cultivadas conhecido como libex (Coffea × libex, no jargão botânico). O libex reúne plantas oriundas do cruzamento entre Coffea dewevrei (conhecida como excelsa) e Coffea liberica – duas das 133 espécies que, atualmente, compõem o gênero Coffea.

Além de confirmar a origem híbrida desse grupo de plantas – mais de 113 materiais genéticos coletados no Sudeste Asiático, na América, na África e na Ásia – o estudo, publicado em maio no periódico Scientific Reports, buscou compreender como a combinação entre C. liberica e C. dewevrei influencia características agronômicas da planta — como o tamanho das sementes e a espessura do pergaminho — e avaliar seu potencial para programas de melhoramento genético.

Liderado pelo botânico Aaron Davis, do Royal Botanic Gardens, em Kew, no Reino Unido – reconhecido pela descoberta de várias espécies de café no mundo –, em colaboração com o SICC Labs (South India Coffee Company) e outros cientistas internacionais, o estudo também concluiu que esses híbridos reúnem características que os tornam promissores para programas de melhoramento e podem ser multiplicados por propagação vegetativa, como a clonagem, técnica já amplamente empregada nos cafés canéfora brasileiros.

Em um cenário de aquecimento global, pesquisas que se debruçam sobre espécies silvestres de café, como Coffea stenophylla, C. racemosa, C. liberica e C. eugenioides, são estratégicas para a sobrevivência da cafeicultura. “O desenvolvimento e o estabelecimento de uma gama mais ampla de espécies e de híbridos de café provavelmente vão se tornar um requisito fundamental para alcançar a sustentabilidade da cafeicultura em uma era de mudanças climáticas aceleradas”, escrevem os autores.

Embora arábica e canéfora respondam por 99,9% da produção mundial de café, em origens onde seu cultivo tende a perder viabilidade com o avanço das mudanças climáticas — como ocorre em algumas regiões da África, por exemplo —, a possibilidade de cultivar novas espécies ou híbridos torna-se uma alternativa atraente, quando não fundamental.

Isso porque desenvolver uma nova variedade de arábica ou de canéfora pode levar mais de uma década, enquanto multiplicar uma espécie ou um híbrido já existente demanda muito menos tempo. No caso dos libex, particularmente, ainda são necessários dados consistentes sobre seu parentesco, experimentos controlados para verificar como suas características são herdadas ao longo das gerações e análises genômicas adicionais (conjunto de técnicas usadas para estudar diretamente o DNA de um organismo em larga escala).

Como foi a pesquisa

Os pesquisadores compararam 7.618 pequenas variações no DNA, chamadas marcadores genéticos, distribuídas pelo genoma de 113 plantas. Esses marcadores funcionam como pontos de referência que permitem reconstruir a história genética de cada indivíduo e identificar quanto de seu DNA foi herdado de C. liberica e quanto de C. dewevrei. Os materiais analisados vieram do Sudeste Asiático, da América Central, da África e da Índia. 

As análises revelaram ainda que não existe um único tipo de híbrido. Alguns têm contribuição genética praticamente equilibrada entre as duas espécies parentais, enquanto outros carregam uma proporção maior de genes de C. liberica ou de C. dewevrei. Segundo os autores, isso indica que o libex surgiu em diferentes cruzamentos ao longo do tempo, e não em um único evento de hibridação. 

Essa combinação de diferentes proporções de DNA também se reflete nas características das plantas. De modo geral, os novos libex reúnem atributos agronômicos das duas espécies parentais, cruzam-se com facilidade e geram descendentes férteis — condições que os tornam elegíveis para programas de melhoramento genético. 

Os indivíduos com maior contribuição genética de C. dewevrei, por exemplo, têm mais flores e frutos por ramo do que C. liberica, característica que pode resultar em maior produção por planta e, potencialmente, em maior renda para os produtores. Também têm polpa e pergaminho mais finos, que podem tornar o processamento pós-colheita mais eficiente ao reduzir o tempo de secagem dos grãos. As primeiras avaliações também sugerem potencial para a produção de cafés de boa qualidade sensorial. 

Os autores também apontam que a herança genética de C. dewevrei pode contribuir para aumentar a resistência de alguns híbridos à ferrugem (Hemileia vastatrix), já que essa espécie apresenta resistência natural à doença. Essa possibilidade, porém, ainda depende de validação experimental. 

O estudo, portanto, amplia o conjunto de recursos genéticos disponíveis para a cafeicultura. Porém, é um trabalho inicial, e são necessários novos experimentos em campo para confirmar o desempenho agronômico, a estabilidade genética e a qualidade sensorial desses híbridos em diferentes condições de cultivo. 

Em um cenário de mudanças climáticas, em que cresce a busca por plantas mais adaptadas ao calor, à seca e a doenças, híbridos como o do grupo libex integram materiais com potencial para diversificar o futuro da produção mundial de café.

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TEXTO Cristiana Couto

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Porque um El Niño intenso deixa café e cacau em situação vulnerável

Trabalhador ensaca amêndoas de cacau em Fengolo, na Costa do Marfim (Reuters)

Por Reuters, de Londres/Nova York 

Especialistas em previsão meteorológica de todo o mundo afirmam que cresce a probabilidade de desenvolvimento de um El Niño de grande intensidade no segundo semestre, o que pode elevar temperaturas, alterar padrões de chuva e trazer riscos para lavouras de café e cacau em diversas regiões do planeta.

O que é o El Niño e por que commodities agrícolas cultivadas em regiões tropicais, conhecidas como “soft commodities”, estão particularmente expostas?

El Niño

O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Em geral, ele provoca aumento das temperaturas globais, secas em regiões como sul e sudeste da Ásia, Austrália e sul da África, além de chuvas intensas no sul da América do Sul e em algumas regiões dos Estados Unidos.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) declarou na semana passada a chegada do El Niño. O órgão também informou que há possibilidade de intensificação do fenômeno, com 63% de chance de ocorrência de um “super El Niño” até 2027.

A seca, o calor excessivo ou as chuvas intensas associadas ao El Niño são um duro golpe para os agricultores, que já enfrentam neste ano o aumento dos custos de fertilizantes e de diesel em decorrência da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Historicamente, os preços das commodities agrícolas registram altas sustentadas durante episódios de El Niño.

Café

O El Niño é especialmente problemático para a variedade robusta no Vietnã e na Indonésia a partir do segundo semestre, pois causa temperaturas mais elevadas e redução das chuvas nos dois países, responsáveis por cerca de 50% da produção global da variedade. As condições climáticas adversas ocorrem durante a fase de desenvolvimento do café, e os impactos surgem durante a colheita, no quarto trimestre. “A seca no Vietnã e na Indonésia pode reduzir significativamente os rendimentos do café robusta”, afirmaram analistas do Citi.

No caso do arábica, os efeitos do El Niño são mais complexos. Carlos Santana, diretor comercial da EISA, subsidiária da trading ECOM, disse que o fenômeno pode, no início, beneficiar a safra que está sendo colhida no Brasil, já que temperaturas mais elevadas reduzem o risco de geadas durante o inverno no Hemisfério Sul.

No entanto, no quarto trimestre, o El Niño costuma afetar as regiões produtoras de café brasileiras com temperaturas elevadas e estiagem, justamente quando se desenvolve a safra seguinte. Isso pode prejudicar a produção de 2027.

Cacau

Segundo a gestora de investimentos WisdomTree, todos os episódios fortes de El Niño nos últimos 55 anos reduziram a produção mundial de cacau.

No último evento, entre meados de 2023 e de 2024 e considerado de intensidade moderada a forte, a África Ocidental — principal região produtora — sofreu com chuvas muito acima da média no início, o que deixou os cacaueiros mais vulneráveis a doenças fúngicas.

Em 2024, porém, o padrão climático mudou. A região passou a enfrentar calor intenso e ventos Harmattan (seco e poeirento que sopra do Saara sobre a África Ocidental até o Golfo da Guiné) excepcionalmente secos e fortes, levando árvores já debilitadas pela doença a perderem flores.

“Todo mundo pensa que o El Niño está associado apenas à seca na África Ocidental. Isso não é necessariamente verdade. Devido às mudanças climáticas, o resultado pode ser, inicialmente, um excesso de chuva. Neste momento, essa é a minha maior preocupação”, afirmou Jim Roemer, da consultoria Best Weather.

Cerca de metade do cacau consumido no mundo é produzida na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores globais. O Equador, que ocupa a terceira posição no ranking mundial, também costuma registrar chuvas acima da média durante os eventos de El Niño. 

Em 2024, os preços do cacau quase triplicaram após o fracasso da safra na África Ocidental. No fim daquele ano, atingiram recordes acima de US$ 12 mil por tonelada, tornando a matéria-prima do chocolate mais cara do que muitos metais industriais.

TEXTO Por Reuters, de Londres/Nova York  • FOTO Reuters

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Circuito das Águas Paulista conquista Indicação de Procedência para cafés

por Cristiana Couto

A região do Circuito das Águas Paulista, na Serra da Mantiqueira, tornou-se em 26 de maio a mais nova indicação geográfica paulista, na modalidade Indicação de Procedência (IP). 

A nova IP inclui nove municípios – Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro – distribuídos nos 177 mil hectares da região, que será gerida pela Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap). 

De clima ameno (entre 13ºC e 26ºC), com altitudes que alcançam 1,4 mil metros de altitude, a IP permite a produção de cafés arábica, processados pelos métodos natural, CD, desmucilado ou por fermentação espontânea. Entre as variedades produzidas estão  catucaí amarelo e vermelho, obatã, mundo novo, bourbon amarelo, icatu amarelo e Iapar. 

O turismo da região, relacionado ao roteiro das águas, fortalece a identidade local e pode ser um atrativo, também, para o café, que conta com fazendas históricas que recebem visitas.

História da nova IP paulista de café

A cafeicultura chegou à região por volta de 1835, oriunda de Campinas. Em 1840, já há registros de cultivo do café em Socorro. A partir de meados do século, a produção aumentou, refletindo no crescimento econômico local. 

Amparo, que atualmente cultiva cerca de 1,6 mil hectares de arábica e é o maior município produtor da IP, já era um dos principais produtores de café na década de 1870, apoiado pela expansão dos trilhos da Companhia Mogiana e pela chegada de imigrantes, especialmente italianos. 

Na mesma época, Serra Negra produziu café em larga escala. Tanto que, em 1913, o município foi elencado no livro Impressões do Brazil no Século Vinte – fonte importante para a compreensão das economia e infraestrutura brasileiras na Primeira República (1889-1930), bem como das elites regionais – como responsável, ao lado de Amparo, por 10% da produção brasileira de café. 

Mesmo depois da crise de 1929, o café permaneceu como tradição familiar e contribuiu para a economia local. Desde a década de 1970, a mecanização da produção desestimulou a competitividade dos produtores de commodities da região, de topografia montanhosa. Mais tarde, porém, alguns produtores decidiram produzir grãos de qualidade. 

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

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Evento traz especialistas em agricultura regenerativa a Piracicaba (SP)

No dia 23 de junho, o Brasil vai receber a primeira edição brasileira do Fórum de Agricultura Regenerativa, um dos mais relevantes encontros internacionais dedicados à transformação dos sistemas alimentares e produtivos.

Promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal, o evento, que acontece em Piracicaba (SP), das 8h às 20h, consolida o país como centro estratégico para discussões sobre o futuro sustentável da agricultura.

Com o tema “Acelerando a Transição”, o fórum reunirá produtores rurais, cientistas, investidores, lideranças empresariais, organizações comunitárias e formuladores de políticas públicas em torno de soluções práticas para a regeneração dos solos, preservação da biodiversidade, segurança hídrica, produtividade sustentável e resiliência climática.

A iniciativa coloca o Brasil no centro de uma agenda internacional que busca transformar o agro em uma ferramenta de restauração ambiental e desenvolvimento econômico sustentável.

TEXTO Redação

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Conexão Cafeína Cocatrel destaca protagonismo feminino na cafeicultura durante a Expocafé

Programação especial reuniu especialistas, produtoras e lideranças do setor para debater inovação, sustentabilidade, gestão e o protagonismo feminino na cafeicultura durante o segundo dia da Expocafé

Painel “Mulheres no café brasileiro: de origem ao mercado global” , com Sílvia Pizzol e Raquel Miranda – Foto: Kahwah Autovisual/Expocafé

Por Gabriela Kaneto, de Três Pontas (MG)

O segundo dia da 29ª edição da Expocafé, realizado nesta terça (27), no Aeroporto de Três Pontas (MG), foi marcado por uma programação especial dedicada ao Ano Internacional da Mulher Agricultora, com o Grupo Cafeína Cocatrel – que promove, desde 2019, a valorização das mulheres na cadeia cafeeira por meio de capacitação técnica e gerencial. 

Chamada de Conexão Cafeína Cocatrel, a iniciativa reuniu produtoras, especialistas e profissionais do setor cafeeiro para debater temas ligados à liderança feminina, inovação, gestão e os desafios da mulher no agronegócio.

“Mulheres no café brasileiro: de origem ao mercado global” foi o primeiro painel do dia e contou com Sílvia Pizzol, diretora de sustentabilidade do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), e Raquel Miranda, consultora sênior do Conselho Nacional do Café (CNC) e da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). “A oportunidade do Cecafé neste painel foi trazer temas relevantes para o comércio exportador e para a agenda do dia a dia dessas mulheres, que muitas estão envolvidas na gestão das propriedades e precisam estar atentas às principais regras que partem dos nossos mercados consumidores, tanto relacionadas à compliance, socioambiental, rastreabilidade, quanto questões de segurança do alimento e gestão de riscos climáticos”, destacou Sílvia à Espresso. “Isso se conecta muito com o trabalho do Grupo Cafeína Cocatrel, como rede de apoio para fortalecer esse protagonismo feminino”. 

“Cafeicultura em cenários heterogêneos: o triângulo entre fitossanidade, segurança alimentar e sustentabilidade”, com Vanessa Figueiredo – Foto: Kahwah Audiovisual/Expocafé

Vanessa Figueiredo, pesquisadora da Epamig, ministrou o segundo conteúdo, que teve como tema “Cafeicultura em cenários heterogêneos: o triângulo entre fitossanidade, segurança alimentar e sustentabilidade”. O estudo, conduzido ao lado da Dra Sara Chaulfon, da Universidade Federal de Lavras (Ufla), destacou as tecnologias desenvolvidas pela Epamig e dados em relação a doenças do cafeeiro. “Tivemos a oportunidade de transmitir temas atualizados e tecnologias desenvolvidas pela nossa empresa, que tem como objetivo alavancar cada vez mais a produtividade do cafeicultor, no sentido de aumentar sua produção e de maior qualidade”, explicou Vanessa.

O último painel da programação do Conexão Cafeína foi o “Raízes que transformam: café, ciência e propósito na jornada das cafeicultoras”, com Sônia Salgado, pesquisadora da Epamig, e Silvana Novaes, engenheira agrônoma e gerente da gerência da mulher e do jovem de inovação do Sistema Faemg/Senar. “É muito importante ter momentos como esse para que as mulheres da cafeicultura se encontrem e percebam não só a importância desse coletivo, mas também a importância pessoal delas dentro da própria família, para que elas impactem a sucessão rural. Foi um momento muito rico”, comentou Silvana.

“Raízes que transformam: café, ciência e propósito na jornada das cafeicultoras”, com Sônia Salgado e Silvana Novaes – Foto: Kahwah Audiovisual/Expocafé

A ação reforçou a importância da valorização das mulheres no campo e evidenciou o papel cada vez mais estratégico das produtoras na construção de uma cafeicultura mais inovadora, sustentável e diversa.

A Expocafé segue até esta quinta-feira (28), com programação técnica, exposição de máquinas, tecnologias e soluções para o agronegócio cafeeiro.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Kahwah Audiovisual/Expocafé

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Estimativas apontam safra recorde de café no Brasil em 2026/27

Conab projeta 66,7 milhões de sacas, enquanto consultorias trabalham com volumes acima de 70 milhões; produção maior pode ajudar a recompor estoques e impulsionar exportações

A produção brasileira de café está estimada em 66,7 milhões de sacas na safra 2026/27, segundo o 2º levantamento da safra de café, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na quinta-feira (21). 

Se confirmada, a colheita será recorde na série histórica da estatal, representando uma alta de volume de 18% em relação a 2025, superando em 5,74% a colheita registrada em 2020, quando foram colhidas 63,08 milhões de sacas.

Porém, consultorias privadas têm apontado uma produção brasileira de mais de 70 milhões de sacas em 2026/27, segundo a Reuters, com impulso da colheita de grãos arábica, que responde pela maior parte do total colhido no Brasil e está no ano de alta de produtividade do ciclo bienal. 

A corretora StoneX projeta 75,3 milhões de sacas para a safra do país, citando clima favorável e investimentos nas lavouras após um período de preços recordes. Já a corretora Rabobank estima a safra de café em 73,3 milhões de sacas – aumento de 9,5 milhões ante o ciclo passado, com um salto de 27,5% para o arábica (48,7 milhões de sacas) ante o ciclo anterior, e de 24,6 milhões de sacas para canéforas, com 1 milhão de sacas abaixo do histórico volume do ciclo passado.

Diante dessas expectativas, o Brasil terá exportações recordes de café (julho/junho), próximas a 50 milhões de sacas, projeta Carlos Santana, diretor comercial da exportadora Eisa, uma das maiores do mundo, uma vez que a safra brasileira ajudará a recompor os estoques, que estão baixos no mundo.

Santana avaliou que o fenômeno climático El Niño em formação deverá ser benéfico para a safra brasileira do ano que vem (2027/28), já que o clima mais quente esperado reduz o risco de geadas no próximo inverno. Por outro lado, o fenômeno pode trazer problemas, se as chuvas forem insuficientes entre setembro ou outubro de 2026 para garantir as floradas da próxima safra.

Fontes: Reuters e Conab

TEXTO Fontes: Reuters e Conab

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Expocafé 2026 reúne produtores e especialistas em Três Pontas (MG)

29ª edição acontece entre 26 e 28 de maio, no Aeroporto de Três Pontas, e promove encontros técnicos e comerciais para discutir os desafios e as inovações da cafeicultura

A cidade mineira de Três Pontas recebe, entre 26 e 28 de maio, a 29ª edição da Expocafé, uma das principais feiras do setor cafeeiro no Brasil. Com entrada gratuita, o evento promove encontros técnicos e comerciais, e reúne pesquisadores, consultores e produtores para discutir os desafios e as inovações da cafeicultura.

Entre os destaques do primeiro dia estão as palestras “Diretrizes e orientações para a safra 2026”, às 9h30, com Jacques Fagundes Miari (Cocatrel) e “Fundamentos, panoramas e gestão de risco no café”, às 10h50, com Bruno Popovic (Marex). Já no Simpósio de Mecanização da Lavoura serão debatidos assuntos sobre energia, mecanização eletrificada, trator elétrico e utilização de drone, como no painel “Pulverização com drone na cafeicultura: eficiência, economia e prática”, às 14h, com Adão Felipe dos Santos (Universidade Federal de Lavras – UFLA).

Na quarta (27), Sara Chalfoun, da UFLA, faz uma exposição do tema sobre “Cafeicultura em cenários heterogêneos: o triângulo entre fitossanidade, segurança alimentar e sustentabilidade”, às 10h. Às 14h30, Leandro Paiva (IFSULDEMINAS) discorre sobre inteligência artificial na palestra “Seleção de Café com IA”, seguido por Ricardo Góes (Biomix) e Camila Moreira (Embrapii-Esalq), que ministram o tema “Nutrir, proteger e regenerar: o novo padrão de controle da broca do café” (15h15).

No último dia (28), é a vez do painel “Mapeamento do potencial de qualidade: descobrindo os melhores cafés da propriedade”, às 10h, com Denis Henrique Silva Nadaleti (UFLA). Às 15h20, Matheus Trolesi (Cocatrel) conduz o papo sobre “Os impactos da Reforma Tributária para o produtor rural”. 

A 29ª edição da Expocafé é realizada pela Cocatrel. A organização é da Cocatrel, Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Prefeitura de Três Pontas. A organização e promoção é da Espresso&CO.

Expocafé 2026
Onde: Aeroporto de Três Pontas, Três Pontas (MG)
Quando: 26 a 28 de maio
Informações e pré-credenciamento: expocafeoficial.com.br 

TEXTO Redação

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Exposição itinerante quer mostrar “compromisso e amor” de cafeicultores brasileiros por trás das fotografias

“BRASIS Cafés de Origem” percorre sete cidades produtoras do Sudeste com fotografias das Igs de café do país; degustação e bate-papo com produtores abrem a ação

“BRASIS Cafés de Origem” chega nesta quinta-feira (23) a Carmo do Paranaíba, no Cerrado Mineiro, uma das sete cidades do Sudeste do país a receber a exposição itinerante de fotografias de indicações geográficas de café brasileiras. 

Com o propósito de celebrar o trabalho dos cafeicultores e o valor dos grãos nestas áreas de origem, a mostra, criada em parceria com a Pink Produções, combina imagens do fotógrafo Marcelo Coelho e textos técnicos de Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação de Cafeicultores do Cerrado Mineiro. “A ideia dos textos que acompanham as fotos é explicar os valores e diferenciais de cada região, para promover as nossas Igs de café”, diz Tarabal. 

A exposição reúne cerca de 30 imagens produzidas para o livro A Revolução do Café Brasileiro – Regiões com Indicação Geográfica, e já passou pelas cidades de Franca (SP) e Guaxupé (MG). O próximo destino é Viçosa, nas Matas de Minas, onde permanecerá de 6 a 18 de maio, seguida pelos municípios capixabas Guaçuí, Venda Nova do Imigrante e Linhares.

Em cada cidade, a abertura da mostra inclui degustação de cafés e painel com produtores locais. “Os produtores dão depoimentos de como estão se envolvendo nesse trabalho coletivo de promoção das regiões de origem”, explica Tarabal.

Bem mais do que palavras

Em 2024, ao registrar imagens das então 14 indicações geográficas para o livro A Revolução do Café Brasileiro, lançado na SIC (Semana Internacional do Café) daquele ano, Marcelo Coelho percebeu que o café brasileiro é “uma soma de territórios profundamente distintos” e um vetor “real” de desenvolvimento.

“A cafeicultura leva prosperidade para regiões distantes dos grandes centros, e se conecta com temas contemporâneos importantes, como sustentabilidade ambiental e diversidade humana, refletindo um Brasil plural”, analisa.

A expectativa do fotógrafo é que os visitantes vislumbrem, por trás das paisagens que produziu, histórias de cafeicultores que carregam “gerações de conhecimento e de dedicação”. “Existe ali um nível de compromisso e amor pelo que fazem que é difícil traduzir em palavras”, resume. “Se o visitante sair da exposição enxergando o café como uma expressão cultural, humana e territorial — e entendendo o nível de excelência que o Brasil já alcançou, inclusive com reconhecimento internacional —, então acredito que o trabalho cumpriu seu papel”, acredita ele.

BRASIS Cafés de Origem
Quando: de 23 de abril a 2 de maio (de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h)
Onde: Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Lazer e Esporte
Quanto: entrada grátis

TEXTO Redação • FOTO Marcelo Coelho

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Empresas de café lançam programa para rastrear desmatamento

Sistema usa satélite e IA para mapear lavouras e evitar desmatamento, em resposta às exigências da União Europeia que podem restringir exportações de café

Empresas e comerciantes de café estão lançando um novo sistema para rastrear o desmatamento relacionado ao cultivo de café em todo o mundo. A informação é da JDE Peet’s, uma das companhias participantes, em um comunicado feito nesta quarta-feira (22), segundo a Reuters.

O programa Coffee Canopy Partnership usará imagens de satélite fornecidas pela Airbus, combinadas a modelos de inteligência artificial, para mapear fazendas de café e identificar áreas de perda florestal nas proximidades delas.

De acordo com comunicado publicado hoje no site da Tchibo, uma das empresas participantes do programa, a ação, que inclui também verificação in loco, vai gerar dois conjuntos de dados: um mapa de referência para 2020/2021, que distingue os sistemas agroflorestais de café da floresta natural, e um mapa atualizado para 2024/2025 para destacar as mudanças ocorridas desde 2020. Os dois conjuntos de dados serão integrados a uma plataforma aberta de geodados.

Segundo a JDE Peet’s, o objetivo é identificar corretamente a paisagem e trabalhar com governos e comunidades locais para restaurar as florestas e evitar futuros desmatamentos.

Além da Tchibo e da JDE Peet’s, participam do programa operadores de commodities Louis Dreyfus Company, Sucden, Neumann Kaffee Gruppe, Touton e Sucafina.

O sistema terá como alvo inicial a África Oriental – abrangendo a Etiópia, Tanzânia, Quênia, Uganda, Burundi e Ruanda, com o objetivo, segundo as empresas, de alcançar a cobertura mundial de todas as regiões produtoras de café em 2027.

De acordo com a Regulamentação sobre Desmatamento da UE – que deve entrar em vigor em 30 de dezembro para grandes corporações e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas –, o café cultivado em terras classificadas como floresta após dezembro de 2020 não poderá entrar nos mercados da UE.

“Isso ameaça excluir milhões de pequenos agricultores dos principais mercados, apesar de suas práticas agrícolas sustentáveis, simplesmente porque os mapas existentes classificam incorretamente suas terras de produção de café agroflorestal ou cultivadas à sombra como floresta”, disse o comunicado da JDE Peet’s.

A empresa acrescentou que a iniciativa vai cobrir “a falta histórica de dados de mapeamento precisos, que frequentemente resultou em fazendas de café sendo identificadas erroneamente como floresta natural”.

Segundo as empresas, o sistema estará aberto à consulta de agricultores, governos e do setor cafeeiro.

TEXTO Fonte: Reuters