BaristaMercado

Intertorra 2026 discutirá tendências em Poços de Caldas (MG)

Encontro chega à Região Vulcânica em agosto para reunir profissionais da cadeia cafeeira em torno de inovação, tecnologia e tendências 

Sessões de torra, degustações de cafés de diferentes origens, demonstrações de equipamentos e debates sobre tecnologia e qualidade compõem a programação do Intertorra 2026, que será realizado de 28 a 30 de agosto no campus do Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas), em Poços de Caldas (MG). Voltado aos profissionais da cadeia cafeeira, o encontro reunirá produtores, traders, mestres de torra, proprietários de cafeterias, baristas e especialistas.

Situado na região produtora dos cafés da Região Vulcânica, o evento terá palestras técnicas sobre temas como análise microscópica, torra para cápsulas de cafés especiais, controle de qualidade e inovação, além de showcases de produtos e equipamentos. Os ingressos custam R$ 1,8 mil por pessoa e incluem alimentação durante os três dias e certificado de participação.

O encontro ocorre em um momento de crescimento do mercado de cafés especiais, em que torrefações buscam aumentar a eficiência dos processos e agregar valor ao produto. Segundo Matheus Tinoco, mestre de torra e idealizador do Intertorra, a programação abordará temas como regularização de torrefações, novos protocolos de degustação e padrões de degustação de cafés. “Teremos também bate-papos com especialistas estrangeiros para entender como está o mercado lá fora”, detalha Tinoco. 

Realizado desde 2018, o Intertorra já passou pelas cidades de Machado (MG), Pedregulho (SP), Piumhi (MG), Batatais (SP) e Belo Horizonte (MG). A edição de 2026 tem co-realização da Espresso&CO e apoio da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica e da Prefeitura de Poços de Caldas.

Serviço
Intertorra 2026
Quando: 28 a 30 de agosto, das 8h às 21h
Onde: Campus do IF Sul de Minas, Poços de Caldas (rua Dirce Pereira Rosa, 300 – Jardim Esperança – Poços de Caldas/MG)
Mais informações: https://evento.intertorra.com.br/2026 

Barista

Emerson Nascimento vence a 10ª Copa Barista e representará o Brasil em Portugal

Barista do Coffee Five, do Rio de Janeiro, conquistou o título durante o São Paulo Coffee Festival e garantiu vaga no Fiamma World Barista Open 2026, em Aveiro

Pódio da 10ª Copa Barista – FOTO: FAR Creative Company/SPCF

Por Gabriela Kaneto

A 10ª edição da Copa Barista definiu seus vencedores durante o São Paulo Coffee Festival, realizado de 26 a 28 de junho, na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Emerson Nascimento, do Coffee Five (Rio de Janeiro/RJ), conquistou o título. Alexandre Bueno, da Royalty (Curitiba/PR), ficou em segundo lugar, seguido por Ewerton França, da Rudimentar Coffee (Taquaritinga do Norte/PE).

Com a vitória, Nascimento garantiu uma viagem com despesas pagas pela Fiamma para representar o Brasil no Fiamma World Barista Open 2026, que será realizado de 10 a 12 de setembro, em Aveiro, Portugal. 

Em entrevista à Espresso, o barista comemorou a conquista da décima edição da competição. “Dessa vez consegui ganhar o título de uma edição muito especial. Estou super feliz”, afirmou. Nascimento participou da disputa pela quarta vez e já conquistou títulos nacionais nas modalidades Barista, Latte Art e Coffee in Good Spirits.

Emerson Nascimento, vencedor da 10ª Copa Barista – FOTO: FAR Creative Company/SPCF

A competição reuniu 20 baristas de diferentes regiões do país em disputas eliminatórias. Em cada duelo, os competidores tiveram 12 minutos para preparar dois cafés filtrados, dois espressos e dois cappuccinos com bebida vegetal Naveia. As bebidas foram avaliadas por juízes técnicos e sensoriais, com base em critérios como aroma, sabor, acidez, corpo, aftertaste, técnica de extração, limpeza da estação, uso dos equipamentos e equilíbrio entre as bebidas.

Além de premiação em dinheiro para os três primeiros colocados e vales-compra da Café Store, o campeão ganhou uma viagem com despesas pagas pela Fiamma para representar o Brasil no Fiamma World Barista Open 2026, que será realizado de 10 a 12 de setembro, em Aveiro, Portugal.

Além da viagem internacional para o campeão, os três primeiros colocados receberam premiação em dinheiro e vales-compra da Café Store. A 10ª Copa Barista teve patrocínio de Fiamma, Juan Valdez, Naveia, Café Store e Oster.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO FAR Creative Company/SPCF

Barista

Gaggia Brasil abre inscrições para campeonato de baristas amadores

Disputa será realizada em setembro, em Campinas (SP), e premiará os três primeiros colocados com máquinas de espresso

A Gaggia Brasil abriu as inscrições para a primeira edição do Campeonato Home Barista Gaggia, voltado exclusivamente a consumidores que preparam espresso em casa. A competição será realizada nos dias 19 e 20 de setembro, na Galeria de Arte Arqtus, em Campinas (SP), e reunirá 16 participantes.

Diferentemente dos campeonatos destinados a profissionais, a disputa é aberta apenas a maiores de 18 anos residentes no Brasil que não tenham exercido atividade remunerada relacionada ao preparo de café nos últimos 12 meses. 

A competição será disputada em formato eliminatório, com duelos entre dois competidores por rodada até a definição do campeão. Em cada apresentação, os participantes terão 12 minutos para preparar dois espressos, com volume entre 25 e 35 ml, e duas bebidas com leite, elaboradas exclusivamente com café e leite.

A avaliação levará em conta atributos sensoriais — como equilíbrio, corpo, crema, sabor, temperatura e apresentação — e critérios técnicos, entre eles qualidade da extração, organização da estação de trabalho, limpeza e controle de desperdício. Todos os competidores utilizarão a mesma estrutura de equipamentos, composta pela máquina Gaggia Classic UP, moinho oficial e café fornecido pela organização.

Os três primeiros colocados receberão equipamentos da marca. O campeão ganhará uma Gaggia UP, lançamento de 2026, o segundo colocado, uma Gaggia Classic E24 110V e o terceiro levará uma Gaggia New Espresso 110V.

As inscrições estão abertas até 5 de julho, por meio de formulário disponível no site da Gaggia Brasil. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição, com confirmação mediante o pagamento da taxa de R$ 150.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Barista

China, Malásia e Bélgica conquistam títulos mundiais em Bruxelas

Brasileiros ficam abaixo da 15ª posição nos mundiais de torra, filtrados e drinques alcoólicos com café 

Pódio do Campeonato Mundial de Coffee in Good Spirits

A edição 2026 do World of Coffee Brussels definiu os campeões de três das principais competições da indústria de cafés especiais. 

A malaia Nas Jaafar venceu o World Brewers Cup, dedicado aos métodos filtrados. No World Coffee Roasting Championship, o belga Benjamin Brassart conquistou o título mundial de torra. Já o World Coffee in Good Spirits Championship, que une café e coquetelaria, foi vencido pelo chinês Andy Philein.

O Brasil também esteve representado, mas ficou abaixo da décima quinta posição em todas as três competições. A barista Ju Morgado (Sabino Torrefação, São Paulo) terminou o mundial de Brewers em 28º lugar; Fabio Milan, torrefador autônomo, pegou a 25º posição entre os competidores do mundial de torra; e Leo Oliva, da Royalty (Curitiba, Paraná), terminou o World Coffee in Good Spirits Championship em 16º lugar.

TEXTO Redação

Barista

Definido o chaveamento da 10ª Copa Barista no São Paulo Coffee Festival

A 10ª edição da Copa Barista está prestes a começar. Entre os dias 26 e 28 de junho, 20 baristas de diferentes regiões do Brasil se enfrentam na competição, que mais uma vez integra a programação do São Paulo Coffee Festival, na Bienal do Ibirapuera.

Como acontece tradicionalmente, alguns competidores entram na disputa como “cabeças de chave” e garantem vaga direta nas oitavas de final. O chaveamento foi definido por sorteio. Confira abaixo os dias e horários de cada confronto.

Nesta edição, cada participante terá 12 minutos para preparar e apresentar aos juízes, nesta ordem, duas unidades de café filtrado no método escolhido pelo competidor, duas unidades de espresso e duas unidades de cappuccino, feito com leite vegetal Naveia. Além do sensorial, os baristas são avaliados tecnicamente durante o preparo. O regulamento completo da competição pode ser consultado aqui.

O campeão da 10ª Copa Barista será conhecido na tarde do domingo (28), último dia de São Paulo Coffee Festival. Além do título, o vencedor receberá R$ 6.500 em dinheiro, um cupom de vale-compras de R$ 550 para utilizar no site da Café Store e representará o Brasil na competição Fiamma World Barista Open 2026, que será realizada de 10 a 12 de setembro na fábrica da Fiamma, em Aveiro, Portugal. As despesas da viagem serão totalmente custeadas pela Fiamma.

TEXTO Redação

Barista

“Esse título representa a conclusão de um objetivo”, diz Fábio Milan, novo campeão brasileiro de Torra

“Quando cheguei ao Campeonato Brasileiro, eu tinha um objetivo muito claro: conquistar o título”. E com esse pensamento, Fábio Milan, da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), foi o vencedor do Campeonato Brasileiro de Torra 2026, competição que aconteceu de 6 a 8 de maio no Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), em Varginha (MG).

O pódio foi composto por Tiago de Mello, da cafeteria e torrefação Pato Rei, de São Paulo (SP), em segundo lugar, e por Reginaldo Gonçalves Gomes, da Lenêz Cafés de Especialidade, de Uberaba (MG), que terminou a disputa em terceiro. 

Agora, a preparação é para o mundial da categoria. A competição será realizada nos dias 25 a 27 de junho, na World of Coffee em Bruxelas, na Bélgica. 

Confira a entrevista exclusiva de Milan para a Espresso:

E: Como tem sido sua trajetória profissional relacionada ao café até o momento? Conte um pouco das suas experiências, conquistas e desafios ao longo do caminho.

FM: Minha trajetória profissional começou no final de 2022, quando me formei como técnico em agropecuária pelo IFSULDEMINAS. No início de 2023, fui contratado pelo campo experimental da Epamig, em Machado, para atuar como mestre de torras. O meu principal desafio naquele momento era colocar a torrefação em pleno funcionamento. Durante esse processo, enfrentei diversas dificuldades, desde problemas com equipamentos até limitações de recursos para desenvolver o trabalho da melhor forma possível. Durante esses dois anos de atuação, conseguimos alcançar um crescimento significativo tanto na produção quanto nas vendas de cafés da torrefação, consolidando um trabalho focado em qualidade e melhoria contínua.

Em 2025, decidi voltar a estudar, iniciando o bacharelado em Agronomia, enquanto seguia atuando profissionalmente e aprofundando meus conhecimentos, especialmente no desenvolvimento de atividades nas áreas de torra, análise sensorial e controle de qualidade de cafés especiais. Paralelamente, comecei a direcionar meus estudos para os campeonatos de torra, me dedicando intensamente ao aperfeiçoamento técnico, à análise sensorial e ao entendimento cada vez mais profundo do café. Esse processo culminou em uma grande conquista em 2026, quando tive a honra de me consagrar campeão brasileiro, um marco muito importante na minha trajetória e que reforça meu compromisso com a excelência e a evolução dentro do universo dos cafés especiais.

E: Como foi ganhar o título de campeão brasileiro de Torra e o que isso significa pra você?

FM: Ganhar o título de campeão brasileiro de Torra foi uma experiência indescritível e uma alegria muito grande, não só para mim, mas também para a minha família, meus amigos e todas as pessoas que acompanham o meu trabalho. Foi um momento de muita emoção e, principalmente, de realização pessoal e profissional.

Esse título representa a conclusão de um objetivo muito importante na minha trajetória. Desde que comecei a trabalhar, sempre enfrentei uma rotina intensa e desafiadora, mas nunca deixei de me dedicar e buscar entregar o melhor trabalho possível. Ao longo da caminhada, fui aprendendo, evoluindo e me aperfeiçoando tecnicamente todos os dias.

Quando cheguei ao Campeonato Brasileiro, eu tinha um objetivo muito claro: conquistar o título. E conseguir alcançar isso foi a confirmação de que todo o esforço, dedicação e estudo valeram a pena. Foi uma forma de mostrar para mim mesmo que tenho capacidade, conhecimento técnico e que estou no caminho certo dentro do universo dos cafés especiais.

E: De que maneira ganhar este campeonato impacta na sua vida profissional?  

FM: O campeonato traz mais visibilidade, abre novas oportunidades, aproxima novas pessoas, parceiros e profissionais do setor, além de proporcionar ainda mais aprendizado e experiência.

Como sou jovem e ainda estou no início da minha trajetória profissional, ter esse reconhecimento tão cedo é algo extremamente importante e motivador. Acredito que essa vitória representa não apenas uma conquista individual, mas também o início de uma caminhada ainda maior dentro da cafeicultura e do mercado de cafés especiais, onde pretendo continuar evoluindo, aprendendo e construindo uma carreira sólida e bem-sucedida.

E: Como você pretende se preparar para o Campeonato Mundial de ​T​orra e quais são as suas expectativas em relação a essa disputa?

FM: Minha preparação começa pela busca e adaptação ao mesmo modelo de torrador que será utilizado na competição. Aqui no Brasil, já estou em contato com uma empresa parceira para realizar treinamentos específicos, o que será fundamental para ganhar ainda mais familiaridade e segurança no equipamento.

Pretendo chegar alguns dias antes à Bélgica para me ambientar melhor ao país, à cultura local, ao idioma e, principalmente, ao torrador que será utilizado no campeonato. Acredito que essa adaptação prévia será muito importante para chegar mais preparado e confiante no momento da competição.

Minhas expectativas para o Mundial são bastante semelhantes às que tive durante o Campeonato Brasileiro. Quero aproveitar ao máximo essa experiência, conhecer novas pessoas, trocar aprendizados e me dedicar intensamente para alcançar um bom resultado. Tenho consciência de que o nível da disputa mundial é extremamente alto e ainda mais competitivo, mas quero colocar em prática todo o meu planejamento, os estudos realizados e as técnicas que venho desenvolvendo ao longo da minha trajetória.

E: E quais os planos para o futuro? Pretende competir novamente?

FM: Neste momento, meu foco está totalmente voltado para o Campeonato Mundial. Ainda não defini se pretendo participar de outras competições no futuro, porque agora quero direcionar toda a minha energia e preparação para representar da melhor forma possível a cultura cafeeira brasileira, o nosso país e, principalmente, todos os produtores que trabalham diariamente e confiam no nosso trabalho.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Barista

Rituais 3corações capacita jovens indígenas no preparo de cafés

1ª edição da Copa Tribos reuniu 25 jovens ligados ao Projeto Tribos em uma competição de cafés filtrados

Por Gabriela Kaneto

Os jovens indígenas Gleyson Suruí e Natielly Aruá desembarcaram na cidade de São Paulo para uma semana de conhecimentos teóricos e práticos sobre barismo com a equipe técnica da Rituais 3corações. 

A iniciativa faz parte da premiação da 1ª Copa Tribos, competição realizada no final de 2025, em Cacoal (RO). Na ocasião, 25 jovens indígenas ligados ao Projeto Tribos, da 3corações, foram instruídos por profissionais da marca e testaram suas habilidades no preparo de cafés filtrados. 

Nesta 1ª edição, Gleyson e Natielly ficaram em primeiro e segundo lugares, respectivamente. Além de prêmio em dinheiro, os jovens ganharam uma viagem para São Paulo, com o objetivo de darem continuidade aos seus aprendizados na profissão e conhecerem a gastronomia e o turismo da capital paulista. A Espresso foi convidada para acompanhar a primeira manhã dos jovens na sede da 3corações.

“Também sou cafeicultor, mas não tinha base para dar notas e aromas para o meu café. Por isso me interessei em fazer o curso de barismo. Agora estou aprendendo muito com os melhores baristas da Rituais 3corações”, comemora Gleyson. “Quero agradecer à Rituais 3corações por estar proporcionando este momento incrível. Estar passando essa semana aqui em São Paulo está sendo uma grande experiência. Pra mim é muito gratificante”, agradece Natielly.

Gleyson Suruí e Natielly Aruá em cerimônia de premiação da 1ª Copa Tribos

Para a Rituais 3corações, a iniciativa visa gerar valor agregado às comunidades indígenas produtoras de café, aproximando os jovens do cultivo de seus familiares e apresentando todo o universo do grão até a xícara. “Trazemos a juventude e a nova geração para perto do café, mostrando outras possibilidades além da produção”, comenta Carol Barreto, responsável pelos treinamentos e operações da marca. “Nessa 1ª Copa Tribos, ficamos muito orgulhosos de ver a qualidade dos cafés servidos e o profissionalismo no preparo”, destaca.

“Queremos mostrar para esses jovens que o café é um universo, é uma gama de profissões que podem ser seguidas além do cultivo”, destaca Poliana Perrut, engenheira agrônoma, especialista em cafeicultura e parceira do Projeto Tribus desde 2019. Ela pontua que a ideia foi passada para as lideranças, que abraçaram a iniciativa e a enxergaram como uma maneira de manter esses jovens dentro do território ao mesmo tempo que ligados às novidades globais. 

“Isso é importante demais para a cadeia do café como um todo e, principalmente, para os territórios indígenas. Precisamos oferecer possibilidades para que os filhos dos cafeicultores indígenas tenham melhores oportunidades, não deixando a cultura, mas sim fazendo a comunicação dela para o mundo. E eles encontraram isso através do café”, alegra-se.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Divulgação

Barista

Juliana Morgado defende o Brasil no mundial de filtrado: “Vão ver como é o nosso café e a força das mulheres”

Única mulher entre os seis finalistas da competição nacional, a barista de Brasília se prepara para o mundial da categoria na Bélgica

“Acordo todo dia de manhã e vou olhar minha prateleira pra ver se é verdade”, conta Juliana Morgado à Espresso sobre sua vitória no Campeonato Brasileiro de Brewers no último dia 26.

Única mulher entre os seis finalistas, a barista de Brasília segue em ritmo de treinamento para representar o Brasil no mundial, que acontece de 25 a 27 de junho em Bruxelas, na Bélgica. 

Em entrevista exclusiva, Juliana relembra sua trajetória no café, reflete sobre os desafios da profissão e comenta os planos para o futuro e as expectativas para o mundial. “Quero mostrar que o café brasileiro é mais do que castanha, caramelo, chocolate e torra escura para espresso”. 

Espresso: Conte um pouco sobre sua trajetória no café – experiências, conquistas e desafios.

Juliana: Faz oito anos que estou no café, comecei como barista. Antes, trabalhei sete anos como assessora de imprensa. Saí de um trabalho que estava me fazendo mal, e, como tinha um curso de barista, comecei a trabalhar com isso e me apaixonei. Igual à Alice, caí no buraco do coelho, no mundo do café especial, e a curiosidade foi me levando. Como sempre fui estudiosa, acho natural querer ampliar conhecimento. Acho que foi isso o que fez minha carreira deslanchar e é o que eu digo a todos os baristas com quem convivo: se você estuda, se dedica com compromisso e consistência, consegue melhorar a vida de ser barista. Meu grande desafio é o de todo mundo – ser barista e ter perspectiva de crescimento, não apenas ficar na cafeteria fazendo café. 

Trabalhei em cafeterias em Brasília. O café que usei no campeonato foi selecionado e torrado pelo Rodrigo, da Studio Grão, onde trabalhei quatro anos. Íamos atrás de lotes incríveis de produtores muito pequenos, ou, às vezes, um pouco maiores, mas com alguma saca maravilhosa difícil de vender  – ninguém quer pagar frete de uma saca só. Mas a gente ia lá, para mostrar que o Brasil tem jóias a serem lapidadas.

E: O que significa ganhar o título de Campeã Brasileira de Brewers?

J: Foi incrível. Acordo toda manhã e vou olhar minha prateleira pra ver se é verdade. Bato no troféu e sigo o dia. Eu sabia que eu iria bem porque estava me esforçando muito e tinha um café realmente muito bom. Já fui com o pensamento de que iria ganhar, porque é competição e você tem que dar o seu melhor. Quando anunciaram meu nome, caí de joelhos, porque é a chancela de todo o meu esforço, de oito anos de barismo, de anos ensinando. Sou instrutora, consultora, ajudo a abrir cafeterias. Trabalho como barista parceira da 3corações visitando lugares com cafés de todos os tipos. Amo não só cafés especiais, por isso fiquei em êxtase. Acredito que consegui representá-lo e, principalmente, as mulheres do café, uma área muito dominada por homens e onde precisamos ganhar espaço. E o mundial é o nosso espaço, o do Brasil, para dizermos que temos cafés incríveis também.

E: De que maneira ganhar este campeonato impacta sua vida profissional?  

J: Agora ela virou de cabeça pra baixo. Com essa visibilidade, consigo colocar meus projetos pra frente. Sempre quis fazer cursos filantrópicos para mulheres e trans em situação de risco. Tem muita gente querendo me ajudar. Mas, antes, quero levar o café brasileiro pra fora e mostrar que somos mais do que castanha, caramelo, chocolate e torra escura para espresso. Porque nas cafeterias lá fora, o Brasil está sempre nessa média. Temos cafés incríveis, florais, frutados, delicados, feitos com esforço e por mãos que querem oferecer uma xícara incrível, uma experiência. É isso quero mostrar. 

E: Como você pretende se preparar para o Mundial e quais são as expectativas em relação a essa disputa?

J: Estou em fase de treinamento, fechando meu discurso em inglês, decidindo se o café vai ser o mesmo ou não. Estamos buscando patrocínio, porque só tenho a minha ida garantida, mas preciso dos meus coachs, de equipamentos e utensílios para treinar e me apresentar. Só o filtro de papel que uso custa R$ 10. Nos denominamos uma seleção brasileira de barismo, pois não vou representar uma marca, mas o Brasil. Então, aceitamos ajuda de que quem tiver interesse em ajudar a marca Brasil. Minha expectativa é de que vamos ganhar, e vocês vão ver como é o café do Brasil e a força das mulheres.

E: Quais os planos para o futuro? Pretende competir novamente?

J: Claro. Esse ano vou ao Campeonato Brasileiro de Barista e, ano que vem, ao de brewers de novo. E de barista de novo. E mundial de novo – se der. Gosto disso.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Barista

Campeonatos de café movimentam a semana no Brasil e na Tailândia

Disputas de torra, em Varginha (MG), e de degustação, em Bangcoc, reúnem profissionais; mineiro Jacques Carneiro representa o país no mundial de cupping

*Post atualizado em 7 de maio, às 17h30.

A cena do café especial entra em ebulição nesta semana com dois campeonatos de peso — um no Brasil, outro no circuito internacional. De um lado, o Campeonato Brasileiro de Torra, que começa nesta quarta-feira (6) e segue até sexta (8), em Varginha (MG). De outro, o World Cup Tasters Championship, que reúne degustadores de 44 países entre quinta (7) e sábado (9), em Bangcoc, na Tailândia.

O Brasil será representado pelo mineiro Jacques Carneiro na disputa internacional, realizada durante o World of Coffee Bangkok 2026. Cofundador e diretor de Inovação e Qualidade da Unique Cafés Especiais, atua há mais de 20 anos no setor. Participa do mundial pela segunda vez — em 2007, foi 3º colocado em competição internacional de degustação.

Sobre a preparação para o mundial, Carneiro conta à Espresso que treinou diariamente no laboratório da Unique, testando tipos de triangulações e variando granulometrias. “A estratégia é sempre acertar mais em menos tempo, mas vou observar na primeiro rodada como está o nível de acerto e tempo dos competidores antes de mim, e se os acertos forem muito altos, vou precisar acelerar mesmo correndo o risco do erro, mas como estratégia pra tentar passar pra próxima. Agora, se o nível de acerto for médio, vou na paciência e esqueço o tempo para tentar o máximo de acerto para passar para próxima”, comenta.

Jacques Carneiro no Campeonato Brasileiro de Cup Tasters 2026

O mundial de cup tasters premia o degustador que demonstra maior precisão, velocidade e consistência na identificação de diferenças sensoriais em cafés especiais. Na prova, os competidores enfrentam séries de triangulações — três xícaras servidas, sendo duas com cafés idênticos e uma diferente. Cada rodada reúne oito triangulações, e o objetivo é apontar corretamente a xícara distinta no menor tempo possível, usando olfato, paladar e memória sensorial.

A edição deste ano reflete uma mudança mais ampla no circuito internacional do café. Ao levar o campeonato para a Ásia, a Specialty Coffee Association reforça a descentralização do setor e acompanha o crescimento da região como polo consumidor e produtor. Além da disputa em si, o Cup Tasters tem sido, na opinião de especialistas, cada vez mais usado como referência de calibração sensorial na indústria, influenciando desde o treinamento de equipes até processos de compra e controle de qualidade de cafés.

No Brasil, o Campeonato Brasileiro de Torra abre a programação nesta quarta (6), no Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), em Varginha. O vencedor será conhecido na sexta (8) e garantirá vaga no World Coffee Roasting Championship, que acontece entre 25 e 27 de junho, em Bruxelas, na Bélgica.

Ao todo, 14 competidores de 13 cidades participam da disputa nacional. O campeonato avalia o desempenho com base no perfil sensorial do café apresentado, premiando quem melhor reproduz, na xícara, o plano de torra previamente submetido ao júri. O café oficial é da cooperativa Minasul, e os torradores utilizados são da marca Kaleido.

Competidores do Campeonato Brasileiro de Torra

Breno Azevedo de Oliveira – Rio de Janeiro (RJ)
Fabio Milan Pereira – Machado (MG)
Flavio Camargos Lopes da Silva – Salvador (BA)
Franciele Cristina da Silva Moreira – Varginha (MG)
Gabriel Carvalhaes Heinerici – Rio de Janeiro (RJ)
Ivan Carlos de Santana – Cabo Verde (MG)
João Santarosa Esmanhoto – Florianópolis (SC)
Johann Schelck Emmerich – Belo Horizonte (MG)
Nicholas Eloy Delfino Lara – Curitiba (PR)
Pedro Henrique Figueiredo dos Anjos – Brasília (DF)
Reginaldo Gonçalves Gomes – Uberaba (MG)
Rhuan Simil Fernandes – Patrocínio (MG)
Robson Rodrigues Ribeiro – Carmo de Minas (MG)
Tiago de Mello – São Paulo (SP)

World Cup Tasters Championship
Onde: Bangkok International Trade & Exhibition Centre
Quando: 7/5 (11h–17h, primeira rodada); 8/5 (10h30–15h, quartas de final e semifinais); 9/5 (12h30–14h, final)

Campeonato Brasileiro de Torra
Onde: Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG) – Varginha (MG)
Quando: 6/5 (10h–15h10); 7/5 (8h–15h15); 8/5 (9h–16h30)

TEXTO Redação

Barista

Campeonato Torrefação do Ano 2026 recebe inscrições até 7/5

O campeão assegura vaga na final da edição nacional, que acontece em novembro na SIC, em Belo Horizonte (MG)

Vencedores do campeonato na Semana Internacional do Café (SIC) em 2025

Estão abertas as inscrições para a competição Torrefação do Ano 2026, organizada pela Attila Torradores. A primeira etapa acontece de 26 a 29 de maio no Fispal Food Service, em São Paulo (SP). 

O vencedor garante vaga na final do campeonato, que acontece durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte, entre 11 e 13 de novembro. As inscrições custam R$ 350 e podem ser feitas no site da empresa.

O concurso está na 6ª edição e busca aprimorar a qualidade das torrefações com provas que envolvem criatividade e consistência, além de participação do público. Os cafés do campeonato são das Fazendas Diamante – que ficam nos municípios mineiros de Martins Soares, Manhumirim e Caparaó e cada torrefação escolhe 2 kg de um deles para trabalhar. 

Depois de um dia de treino, os competidores entregam uma amostra de 150 g, que será avaliada por juízes sensoriais. As três melhores serão, então, provadas pelo público, que elegerá a ordem dessas torrefações no pódio.  

O quê: Torrefação do Ano 2026 – edição Fispal
Quando: 26 a 29 de maio
Onde: Durante a Fispal 2026, no Distrito Anhembi (av. Olavo Fontoura, 1.209, São Paulo – SP)
Inscrições: R$ 350, até 7 de maio, no site da Attila Torradores