Personagens do Café

Quantas histórias podem ser contadas em 18 anos? Em comemoração ao aniversário da Espresso, a matéria de capa da edição #72 destaca alguns personagens que, assim como nós, tiveram suas trajetórias de vida marcadas pelo café. Mas os relatos vão muito além das páginas impressas. Por isso, dedicamos este espaço para contar outros depoimentos de pessoas que vivem pelo e para o café. Produtores, torrefadores, pesquisadores, consumidores… Se você também tem uma história marcada por este fruto que nos conecta, conte pra gente!

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Daniel Coli: “Nos envolvemos cada vez mais com a cadeia de uma forma geral, do pé à xícara”

Me envolvi com este universo apaixonante quando comecei a trabalhar com aquele que hoje é meu sócio na Oficina do Espresso, o Nirjano. Abandonei o Direito para mexer com máquinas de café. No início éramos apenas uma empresa prestadora de serviços de manutenção. Posteriormente iniciamos a venda de equipamentos e não demorou muito para comercializarmos os primeiros pacotes de café.

Com o passar dos anos nos envolvemos cada vez mais com a cadeia de uma forma geral, do pé à xícara. Nos aprofundamos incessantemente na questão técnica que envolve as máquinas e nos especializamos na bebida. Me tornei colunista do jornal Estado de Minas, na coluna sobre cafés especiais. Viramos a empresa oficial dos Campeonatos Brasileiros de Barismo.

Hoje habitamos um Hub de experiências com café em Belo Horizonte chamado Achega, onde temos uma microtorrefação de grãos especialíssimos; uma instrutora SCA ministrando cursos e realizando a curadoria de experiências e eventos, a Helga Andrade; uma loja de máquinas e acessórios em geral para o universo do café; cafeteria para solenidades e acontecimentos; além de, claro, um laboratório referência em manutenções.

Atualmente sou instrutor titular do Sindicafé SP para o módulo avançado de barismo sobre as máquinas e tenho experimentado, incansavelmente, uma honrosa participação neste mercado que, para mim, é o melhor que tem para se trabalhar. Cultivo intensa paixão pelas pessoas e histórias do café, e fiquei lisonjeado em contar essa trajetória para este veículo de comunicação cafeeira que é a Revista Espresso. Faço parte, orgulhosamente, da comunidade do café e aproveito para agradecer à Espresso pelo trabalho primoroso que vem realizando há 18 anos (!!) em prol do nosso seguimento.

Daniel Coli, manutenção de máquinas na Oficina do Espresso e microtorrefação no Achega Café – Belo Horizonte (MG) @danielcoli82

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Thiago dos Santos: “Me diziam que era fantástico trabalhar com café”

Sempre fui enlouquecendo por bebidas de todos os tipos. Com 16 anos comecei a trabalhar em buffet fazendo sucos e batidas. Com 17 fiz um curso de bartender e me mudei para São Paulo, pois queria ter mais oportunidades. Aos 19, em uma casa noturna que trabalhava, vários baristas frequentavam e sempre me diziam que era fantástico trabalhar com café.

Eu não tomava café na época e um dos amigos me convenceu a ir fazer um teste em uma cafeteira. Foi maravilhoso! Construí amizades maravilhosas e um desejo de conhecer este universo fantástico do café. Participei de cursos, de campeonatos como o de Barista, Coffee in Good Spirits e Copa Barista.

Fiz parte de três edições desta Revista que tanto amo. Trabalhei para algumas torrefações, fiz muitas consultorias, fui co-fundador do maior evento de Mixologista no Brasil, o Mentes Brilhantes.

Hoje em dia desenvolvo um trabalho para a Kerry do Brasil, no desenvolvimento para clientes na área de bebidas. Tentei fazer uma versão bem resumida de uma caminhada de 20 anos de história, vitórias, derrotas e muitos cafés. Esta Revista faz parte de minha história e da história moderna no café do Brasil.

Thiago dos Santos, desenvolvimento de novos produtos com café – Vinhedo (SP) @thiago_nego12

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Tatiana Nakamura: “Poder realizar experiências sensoriais com o café é incrivelmente delicioso”

Vim da Hotelaria e sempre trabalhei em cozinhas de hotel. Entrei no mundo do café sem querer, após uma oportunidade de emprego para trabalhar como assistente de cozinha na Boutique Bar da Nespresso, que ficava nos Jardins.

Comecei na cozinha fazendo as preparações para acompanhar os cafés e acabei conhecendo um pouquinho a cada dia dessa bebida incrível. Depois de dois anos, me tornei coordenadora da cafeteria. Pude participar da construção do Nespresso Expertise Center, onde pudemos contar toda história do café, preparar cursos e experiências para os consumidores.

Todo dia aprendendo e nas horas vagas visitando cafeterias. Depois de alguns anos, tive a oportunidade de cuidar da área de Patrocínios e Eventos, onde estou atualmente, dentro do Marketing da Nespresso.

Poder realizar experiências sensoriais com o café é incrivelmente delicioso. Conhecer as pessoas de toda a cadeia, produtores, agrônomos, traders, degustadores, baristas é tão rico. Hoje sou apaixonada pela bebida, pelos processos, pelas pessoas desse mundo.

Ao café, só tenho a agradecer por fazer parte da minha vida há 12 anos e me proporcionar momentos extraordinários.

Tatiana de Cassia Nakamura, marketing na Nespresso – São Paulo (SP) @tatinakamura16

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Jonas Ferraresso: “Todo o conhecimento que adquiri da porteira para fora me ajuda a preparar os cafeicultores”

Descendente de imigrantes italianos, sou a 4ª geração nos campos de café. Os primeiros Ferraressos iniciaram suas vidas nas lavouras de café do Circuito das Águas Paulista. Dos pioneiros de minha família até este que vos fala, todas as gerações se ligaram aos campos de café, de lavradores, pequenos proprietários e agrônomos. Filho de pequeno produtor de café, quando criança sempre andava nas lavouras pensando “como essa frutinha vira café?”.

Em 2007 iniciei meus estudos na UNESP Botucatu para me tornar um engenheiro agrônomo e passar a entender mais dessa cultura tão fascinante. Meus estudos sempre foram focados em café e a sustentabilidade da cultura, pensando sempre em soluções para o campo e os produtores. Em 2011 tive a oportunidade de morar e fazer um intercâmbio cultural nos Estados Unidos, local onde conheci toda a cultura que existia além dos campos. Em Nova York conheci cafeterias, torrefações, pessoas de todos os cantos do mundo que me deram uma nova visão sobre o que deveria trazer para dentro das propriedades e para os produtores.

Em 2012 realizei meu estágio em um armazém de café. Neste local aprendi sobre mercado de commodities, exportação, benefício, preparo de café, qualidade, cupping, certificação e muito mais! Em 2013 fiz meu primeiro curso oficial de classificação de café e, em 2014, comecei a trabalhar oficialmente com café, apesar de já ajudar na propriedade de meu pai desde sempre. Durante este período, estudei sobre manejo, controle de contas, torra de cafés especiais, pós-colheita, barista skills e muitos outros detalhes desta cadeia infinita!

Em 2019, vendo a falta de informações que estrangeiros tinham sobre a realidade nos campos brasileiros, a importância de nossa pesquisa e iniciativas pioneiras do café em nosso país, comecei a trabalhar como articulistas para diversas revistas e sites internacionais de café por todo o mundo, entre elas a 25 SCA Magazine, Daily Coffee News, Roast Magazine, Barista Magazine e muitas outras. Trabalho que gosto de produzir e faço até hoje.

Com os anos me tornei consultor em café atuando nos campos, dando suporte a produtores sobre manejo, adubação, certificação, cafés orgânicos, especiais, verticalização de produção, torra, etc… Trabalho aproximando torrefações, cafeterias, clientes e amantes do café a estes produtores, fortalecendo vínculos sem intermediários. Faço gestão de campo em um experimento do IAC em Serra Negra, onde estudamos 23 variedades de Coffea visando produtividade, qualidade e adaptação para novas condições climáticas.

Todo o conhecimento que adquiri da porteira para fora me ajuda a preparar melhor os cafeicultores para seus verdadeiros clientes, os consumidores de café.

Jonas Leme Ferraresso, consultoria em café – Serra Negra (SP) @jonascoffeeagronomist

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Johnny Ferreira: “Senti sabores que jamais imaginei sentir em um café”

Comecei no café no ano de 2003, nos meus 17 anos de idade, na Exportadora de Café Guaxupé, onde tenho admiração enorme por todos e agradecimento pela oportunidade dada. Não tinha ideia de como era o mundo do café e foi uma descoberta incrível, tudo era novidade e tudo me motivava a aprender mais.

Comecei como faxineiro no armazém, ajudando na limpeza e organização após descargas e embarques. Nessa mesma empresa, onde passei por alguns setores, aprendi a classificar e a provar. Passados alguns anos, saí dessa empresa e minha jornada de conhecimento aumentou ainda mais. Trabalhei em uma Corretora de Café e em uma Cooperativa. Aprendi muito na parte de rebenefício, ainda mais na parte comercial, classificação e degustação, onde também entrou em minha vida o café especial (grata surpresa).

Em 2015 me tornei Q-Grader e senti sabores que jamais imaginei sentir em um café. Sim, é possível, algo realmente incrível. Hoje estou no Garça Armazéns e a cada dia eu aprendo mais. O café sempre nos proporciona inúmeras surpresas e aquele que estiver mais bem preparado com certeza irá se sair melhor.

Conhecimento nunca é demais. Em vários eventos que já participei como árbitro, pude aprender e trocar experiências com cada profissional da área que lá estava, de várias regiões produtoras. Gosto de desafios, isso desperta o melhor de mim e da minha paixão pelo café. Quando se faz algo com imenso prazer, os resultados são sempre positivos. Café nunca será só café, ele também é amor, amizade, carinho, trabalho e por aí vai.

Johnny Henrique Ferreira, Q-Grader e supervisor de qualidade no Garça Armazéns – Garça (SP) @johnnyhfcoffee

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Juliana Ganan: “A cadeia do café especial é uma oportunidade para trazer práticas justas aos envolvidos”

Meu pai era produtor de café commodity, que sempre foi o ganha-pão da nossa família. Depois que ele faleceu, arrendamos a fazenda e eventualmente cada filho seguiu seu rumo. Entrei em contato com o mundo dos cafés especiais quando morava fora, nos Estados Unidos, e desde então não parei de estudar, provar e voluntariar em assuntos relacionados à área.

Trabalhei como barista em uma torrefação de Amsterdã, na Holanda, e fiz curso de torra em Berlim, na Alemanha. Depois voltei para o Brasil, em 2016, para fundar a Tocaya Torradores de Café, onde torramos cafés especiais (em sua maioria da Mantiqueira, onde estamos localizados), mas também de outras regiões, como Caparaó e Montanhas Capixabas.

Acreditamos que informação é poder e toda compra é um ato político, por isso, procuramos sempre trazer a história por trás dos cafés que comercializamos até o consumidor, para que ele também se sinta parte do processo como um todo.

Acredito que o café é uma das ferramentas que temos para trazermos luz aos sistemas que gerem a cadeia produtiva de alimentos do nosso país. E, mais especificamente, a cadeia do café especial – quando gerida por pessoas que realmente querem fazer a diferença e têm senso de empatia e escuta voltados para os outros elos da mesma cadeia – é a oportunidade que temos para trazer à tona práticas comerciais, ambientais e laborais mais equitativas e justas para os atores envolvidos. Além de ser muito gostoso, claro.

Juliana Ganan, torrefadora na Tocaya Torradores de Café – Itajubá (MG) @atocaya

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Robson Góis: “O café agradável, diferente do que já havia consumido, despertou o meu desejo pelos especiais”

Minha história no mundo dos cafés especiais começou quando eu estava prestes a fazer uma cirurgia. Saí da minha cidade com um problema nos rins, voltei com uma cafeteria! Aqui no interior de Pernambuco, precisamente na cidade de Custódia, não tinha um ambiente charmoso, agradável. Não tinha cafés especiais.

Então, no dia que estava prestes a fazer a cirurgia, entrei em uma cafeteria, em um hospital de Recife, que me inspirou muito. Vi o ambiente, o café agradável diferente de tudo que já havia consumido. Despertei o desejo por cafés especiais!

Fiz o curso de barista, meti a cara e investi tudo que eu tinha. Hoje a cafeteria é um sucesso! Servimos desde filtrados, espressos, cappuccinos e até iced coffee. Contamos com o chá de cascará da chafeina e com os grãos da torrefação do Café do Brejo, de Recife, aqui em Pernambuco. Comecei aos 17 anos, hoje estou com 21, e estou em busca de novidades nesse mundo incrível do café especial.

Robson Góis Leite da Silva, empreendedor na Cafeteria Espresso Plus – Custódia (PE) @cafeteriaespressoplus

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Sheila Cardoso Rosa: “Na época da colheita, a família se reunia para acompanhar”

Meu pai, Oly Rosa de Oliveira, em 1996 começou a produzir café depois de tentar maracujá e morango. Ao longo dos anos, foi se dedicando e se apaixonando por essa produção. Na época da colheita, a família se reunia para acompanhar. Primeiro os filhos e por último os netos.

Ano passado, por causa da pandemia, ele e minha mãe ficaram isolados na chácara. Diante da saudade e do medo em perdê-los, liguei e disse que queria fazer um café especial. Pedi que me separasse uma saca de 60 kg. Selecionei, peneirei e pedi para um Q-Grader avaliar. Ao descobrir que se tratava de um café especial, disse para meu pai que iria lançar esse café torrado e moído com o nome de café O.R.O, paixão pelo sabor.

Com as iniciais do nome do meu pai, eu homenageio toda dedicação dele ao longo dos 25 anos de produção completados esse ano. Em seu aniversário de 77 anos, com todos os seus irmãos on-line, fizemos o lançamento oficial. Nunca vi meu pai tão satisfeito e realizado. Fruto colhido maduro e doce após tantos anos de dedicação à lavoura. Esse ano ele está ainda mais animado, cheio de planos para o pós-colheita!

Continuamos afastados pela pandemia, mas todas as manhãs, ao tomar meu café O.R.O, sinto a presença calorosa dele em minha vida. Obrigada, Revista Espresso, por me permitir contar essa história. Fiquei emocionada aqui. Grande abraço. Parabéns pelos 18 anos!

Sheila Cardoso Rosa, produtora de café – Araxá (MG) 

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Luiza Estima: “Se alguém ainda não associou café à meditação, por certo já o ligou a uma oração”

Fui morar em São Paulo no final dos anos 1980. Vinda da terra do chimarrão e do chá, quente ou geladinho, o café não me apetecia. Nem poderia, as ofertas eram: o solúvel com leite em casa (que para mim estava na categoria leite e não café) ou a água preta cheirando a carvão no balcão do jornal onde eu trabalhava como revisora. Se não me engano, era de graça – o que tornava ainda mais complicado refugar a xicrinha trazida pelos colegas que serviam o tal piche cheios de sono e emoção.

Foi em São Paulo que essa história finalmente se escreveu. Hoje, revisitando os momentos passados, vejo que eu buscava algumas (muitas) coisas para mim e uma delas se corporificou no café. Eu procurava meu gosto como alguém que busca conhecimento, razão e sentido para o ser humano que é – ou que quer se tornar. Aos poucos, a bebida foi fazendo sentido e meu paladar em (eterno) desenvolvimento foi-se preparando.

Um dia aconteceu. Em uma reunião de mulheres, brigadeiros e divagações sobre a harmonia do docinho com a bebida, fui servida com uma caneca simples e branca de onde saíam fumacinhas suaves e perfumadas. Olhei para o seu interior, quando pousou à minha frente, como quem encontra o anel mais querido perdido há anos. Ali dentro ondulava macia uma aguinha límpida e morena que me sorria do mesmo jeito que eu a mirava, encantada, seu reflexo, como o meu, nas águas dos meus olhos. 

Se alguém ainda não associou café à meditação, por certo já o ligou a uma oração. Essa sensação que nos conecta a algo divino, que nos conecta de volta a terra, à sua exuberância e simplicidade, a toda a natureza que nos compõe. Louvei o silêncio daquele instante para que só eu pudesse ouvir a canção que saía de mim nas notas magníficas do sabor que, eu descobri, já me habitava. Faltava esquentar a água. 

Luiza Estima, assessoria de imprensa – Porto Alegre (RS) @luestima

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Renata Silva: “O café me fez olhar mais atentamente para a questão das mulheres no campo”

Sou filha de produtores rurais de Minas Gerais que, em 1985, foram desbravar Rondônia em busca de melhores condições de vida para a família. O mundo Agro sempre fez parte da minha vida. Desde criança gostava de beber café. Minha mãe conta que tinha que esconder a garrafa de café para que eu não bebesse muito. Ela também sempre falava de como minha avó fazia o café da família no sul de Minas Gerais.

Eu saí de Rondônia no ano 2001 para poder estudar. Me formei em comunicação social – jornalismo na Universidade Federal de Viçosa (UFV). Já trabalhei como repórter, apresentadora e editora na TV, assessora de comunicação, gestora de marketing e fui diretora de uma agência de comunicação, permeando sempre trabalhos voltados ao campo. Retornei à Rondônia em 2009 e, ao ingressar na Embrapa, em 2011, abracei o mundo Agro de vez! Nestes dez anos de atuação na empresa tenho buscado ser porta voz das riquezas e oportunidades do Agro no estado, levando para o Brasil e o mundo os potenciais que Rondônia tem no campo e as tecnologias que estão disponíveis aos produtores. 

E nessa caminhada no Agro, meu trabalho com a cafeicultura de Rondônia é o que tem obtido mais expressividade. Como comunicadora, tenho procurado dar voz aos protagonistas deste movimento lindo que a cafeicultura tem realizado no estado. Fiz parte da criação da identidade e notoriedade dos Robustas Amazônicos, denominação dos cafés produzidos em Rondônia. E, desde 2014, faço parte do grupo que realiza ações de promoção e valorização dos Robustas Amazônicos, com a execução de ações e eventos de grande porte, estaduais e nacionais. Também sou editora da revista Cafés de Rondônia, produzida pela Embrapa, que é considerada o portfólio da cafeicultura na Amazônia. 

Em 2014 eu fui apresentada à Aliança Internacional das Mulheres do Café – IWCA Brasil, mas foi em 2017 que os laços foram feitos. Escrevi o capítulo de Rondônia no livro das Mulheres dos Cafés no Brasil e já iniciamos no estado o Movimento Mulheres do Café de Rondônia, em que realizamos ações de capacitação, sensibilização, reconhecimento e visibilidade, dando voz a estas mulheres. Os resultados estão sendo colhidos, são as mulheres estão sendo campeãs em qualidade no estado e no Brasil. São conquistas que inspiram e nos motivam a continuar lutando por equidade e respeito. Outro trabalho que toca minha alma é com os cafeicultores indígenas para a produção de Robustas Amazônicos com qualidade e sustentabilidade. Uma ação que teve início com três famílias indígenas, por meio de uma ação de transferência de tecnologias da Embrapa Rondônia, conquistou resultados, notoriedade e hoje foi abraçada pelo grupo 3corações, agregando mais de 130 famílias e demais parceiros, sendo denominado projeto Tribos. É e sempre foi mais que café. É o reconhecimento de um povo, é dignidade, respeito e também valorização da nossa Amazônia, das nossas florestas. 

O café conecta pessoas, almas e eu sou muito grata por todos os amigos que esta conexão me proporciona. Quantos aprendizados pra vida. Foi com o café que aprendi sobre o amor, o respeito, a inclusão, a pluralidade e a sororidade. O café me fez olhar mais atentamente para a questão das mulheres no campo e no agro como um todo. Para o indígena como um povo trabalhador e de uma riqueza humana e de cultura incríveis. Aos cafeicultores como guerreiros e verdadeiros artesãos. Me vez criar laços de alma e me deu motivos para acreditar e lutar por um mundo mais justo, com mais respeito e mais amor.

Renata Kelly da Silva, jornalista na Embrapa Rondônia – Porto Velho (RO) @renata.k.silva