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Cafés brasileiros batem recordes de preço em leilão beneficente da ACE
Gesha da Santuário Sul e arara da Orfeu alcançaram US$ 200 e US$ 151 por libra-peso, superando a marca brasileira de US$ 143 registrada em 2018
Por Cristiana Couto
Dois cafés brasileiros alcançaram os maiores preços por libra-peso já pagos por lotes do país nos leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE), segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Os negócios foram feitos no último dia 16, no leilão beneficente Legends of Excellence (Lendas da Excelência), em Tóquio, no Japão. O pregão integrou a SCAJ World Specialty Coffee Conference and Exhibition 2026, importante evento de cafés especiais da Ásia.
O gesha natural de Luiz Paulo Dias Pereira Filho, produzido na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), foi arrematado pela japonesa Snow Beans Coffee por US$ 200 por libra-peso (equivalente a US$ 26,5 mil por saca). Já o arara natural da Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), da Orfeu Cafés Especiais, foi comprado pela Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita, por US$ 151 por libra-peso (US$ 20 mil por saca).
A marca brasileira anterior era de 2018, quando um gesha da Fazenda Primavera, em Angelândia, na Chapada de Minas, foi vendido por US$ 143 por libra-peso. Comprado pela Ally Coffee, o lote venceu a categoria Pulped Naturals (via úmida), do Cup of Excellence daquele ano.
O pregão de Tóquio reuniu 12 lotes do Brasil e de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, com participação presencial e pela internet. O maior lance foi para um gesha lavado de Honduras, produzido na Finca El Puente: US$ 333 por libra-peso (US$ 44 mil por saca).
Cada participante doou uma caixa de 10 kg, e toda a receita terá destino beneficente: metade financiará projetos sociais nas comunidades produtoras e metade, iniciativas de educação cafeeira pelo mundo. Segundo a ACE, os recursos apoiarão escolas, projetos de abastecimento de água, moradia e saúde, além de formação profissional e bolsas de estudo.
O título Legends of Excellence, criado em 2025, reconhece produtores com resultados recorrentes no Cup of Excellence, que atualmente premia até trinta cafés por edição no Brasil.
Outro destaque entre os recordistas brasileiros é o café arara, resultado de décadas de pesquisa no país. A cultivar de arábica foi lançada em 2012, a partir dos trabalhos desenvolvidos pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) e pela Fundação Procafé. Um de seus principais desenvolvedores, o engenheiro agrônomo José Braz Matiello, acompanhou a seleção a partir de plantas de frutos amarelos encontradas em 1987, em uma lavoura de sarchimor no Paraná. A variedade reúne produtividade, resistência à ferrugem e qualidade de bebida.
Seguindo a tradição de apoio à pesquisa cafeeira, a fazenda Sertãozinho participou, já em 2013, dos ensaios de campo com a cultivar – uma das 28 variedades plantadas em escala comercial nas fazendas da Orfeu e entre as 35 cultivadas em suas áreas de pesquisa, segundo a empresa. Em 2017, dois araras da Sertãozinho foram premiados no Cup of Excellence – a primeira aparição da cultivar no concurso.
“Como consequência do trabalho, recebemos o reconhecimento nas premiações com o arara, como é o caso das duas vezes no Top 10 do Cup of Excellence, além das seis edições em que foi campeã de Aroma, as duas vezes como Top 10 no Coffee of The Year e as duas vezes como campeã do Região Vulcânica”, detalha Lucas Henrique Figueiredo, gerente técnico de operações agrícolas de Orfeu Cafés Especiais, em entrevista à Espresso. Segundo ele, além das características de campo do grão arara, sua notoriedade está, principalmente, no potencial de bebida que entrega.
A presença da variedade entre os premiados se ampliou nos últimos anos. Em 2024, foram sete lotes de arara, do Cerrado Mineiro, das Matas de Minas e da Mantiqueira de Minas. Em 2025, a cultivar apareceu em 16 dos 30 lotes premiados, de seis regiões.
Em comunicado divulgado pela BSCA, Luiz Paulo afirmou que o resultado expressa o reconhecimento internacional do trabalho dos produtores e do potencial dos cafés brasileiros.




















