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Cafés brasileiros batem recordes de preço em leilão beneficente da ACE

Gesha da Santuário Sul e arara da Orfeu alcançaram US$ 200 e US$ 151 por libra-peso, superando a marca brasileira de US$ 143 registrada em 2018

Por Cristiana Couto

Dois cafés brasileiros alcançaram os maiores preços por libra-peso já pagos por lotes do país nos leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE), segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Os negócios foram feitos no último dia 16, no leilão beneficente Legends of Excellence (Lendas da Excelência), em Tóquio, no Japão. O pregão integrou a SCAJ World Specialty Coffee Conference and Exhibition 2026, importante evento de cafés especiais da Ásia.

O gesha natural de Luiz Paulo Dias Pereira Filho, produzido na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), foi arrematado pela japonesa Snow Beans Coffee por US$ 200 por libra-peso (equivalente a US$ 26,5 mil por saca). Já o arara natural da Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), da Orfeu Cafés Especiais, foi comprado pela Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita, por US$ 151 por libra-peso (US$ 20 mil por saca).

A marca brasileira anterior era de 2018, quando um gesha da Fazenda Primavera, em Angelândia, na Chapada de Minas, foi vendido por US$ 143 por libra-peso. Comprado pela Ally Coffee, o lote venceu a categoria Pulped Naturals (via úmida), do Cup of Excellence daquele ano.

O pregão de Tóquio reuniu 12 lotes do Brasil e de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, com participação presencial e pela internet. O maior lance foi para um gesha lavado de Honduras, produzido na Finca El Puente: US$ 333 por libra-peso (US$ 44 mil por saca). 

Cada participante doou uma caixa de 10 kg, e toda a receita terá destino beneficente: metade financiará projetos sociais nas comunidades produtoras e metade, iniciativas de educação cafeeira pelo mundo. Segundo a ACE, os recursos apoiarão escolas, projetos de abastecimento de água, moradia e saúde, além de formação profissional e bolsas de estudo. 

O título Legends of Excellence, criado em 2025, reconhece produtores com resultados recorrentes no Cup of Excellence, que atualmente premia até trinta cafés por edição no Brasil.

Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), da Orfeu Cafés Especiais

Outro destaque entre os recordistas brasileiros é o café arara, resultado de décadas de pesquisa no país. A cultivar de arábica foi lançada em 2012, a partir dos trabalhos desenvolvidos pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) e pela Fundação Procafé. Um de seus principais desenvolvedores, o engenheiro agrônomo José Braz Matiello, acompanhou a seleção a partir de plantas de frutos amarelos encontradas em 1987, em uma lavoura de sarchimor no Paraná. A variedade reúne produtividade, resistência à ferrugem e qualidade de bebida.

Seguindo a tradição de apoio à pesquisa cafeeira, a fazenda Sertãozinho participou, já em 2013, dos ensaios de campo com a cultivar – uma das 28 variedades plantadas em escala comercial nas fazendas da Orfeu e entre as 35 cultivadas em suas áreas de pesquisa, segundo a empresa. Em 2017, dois araras da Sertãozinho foram premiados no Cup of Excellence – a primeira aparição da cultivar no concurso.

“Como consequência do trabalho, recebemos o reconhecimento nas premiações com o arara, como é o caso das duas vezes no Top 10 do Cup of Excellence, além das seis edições em que foi campeã de Aroma, as duas vezes como Top 10 no Coffee of The Year e as duas vezes como campeã do Região Vulcânica”, detalha Lucas Henrique Figueiredo, gerente técnico de operações agrícolas de Orfeu Cafés Especiais, em entrevista à Espresso. Segundo ele, além das características de campo do grão arara, sua notoriedade está, principalmente, no potencial de bebida que entrega. 

A presença da variedade entre os premiados se ampliou nos últimos anos. Em 2024, foram sete lotes de arara, do Cerrado Mineiro, das Matas de Minas e da Mantiqueira de Minas. Em 2025, a cultivar apareceu em 16 dos 30 lotes premiados, de seis regiões.

Em comunicado divulgado pela BSCA, Luiz Paulo afirmou que o resultado expressa o reconhecimento internacional do trabalho dos produtores e do potencial dos cafés brasileiros. 

TEXTO Cristiana Couto • FOTO Divulgação

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Alemanha concentra um terço das importações de café da União Europeia

País se destaca como centro de processamento e redistribuição do grão, além de reunir o maior mercado consumidor de café da Europa

Por Cristiana Couto

Em 2025, a Alemanha recebeu 16,8 milhões de sacas de café (principalmente verde e torrado) vindos de fora da União Europeia, o equivalente a 34,4% do total dessas importações no bloco, segundo estudo da Federação Europeia do Café (ECF, na sigla em inglês). A Itália ocupou uma distante segunda posição, com 10,1 milhões de sacas, ou 20,7% do total.

Mais de 97% do café importado pela União Europeia chega na forma de grãos verdes, de acordo com o levantamento. Uma predominância que evidencia o papel da indústria europeia no processamento do produto antes de sua distribuição aos mercados consumidores.

A posição alemã reflete uma estrutura que vai além do abastecimento interno. O país reúne importantes portos de entrada, indústrias de processamento e uma rede de distribuição que atende a outros mercados europeus e internacionais.O estudo Economic Impact of Coffee in Europe, elaborado pela consultoria Europe Economics para a ECF e divulgado em junho de 2026, estima que a cadeia cafeeira alemã gere € 29,3 bilhões (R$ 165,4 bilhões) e sustente cerca de 517 mil empregos (dado este de 2023).

Da entrada ao processamento

Os portos de Hamburgo, Bremen e Bremerhaven desempenham papel central na entrada e na movimentação de café na Europa. Parte dos grãos recebidos segue para torrefações e outras unidades industriais alemãs; outra parcela é distribuída a países vizinhos.

A Alemanha também está entre os maiores polos europeus de torrefação. Em 2023, produziu cerca de 517 mil toneladas de café torrado, o equivalente a 8,6 milhões de sacas. A Itália apresentou volume ligeiramente superior, de 522 mil toneladas, ou 8,7 milhões de sacas.

Bremen abriga ainda duas grandes unidades de descafeinação, cada uma com capacidade superior a 1,7 milhão de sacas por ano. Além disso, o país figura entre os centros europeus de fabricação de café solúvel.

A importância alemã na redistribuição do produto aparece nas estatísticas da Organização Internacional do Café (OIC). Em 2025, o país liderou as reexportações mundiais de café, com 13,2 milhões de sacas, mais que o dobro das 5,94 milhões registradas pela Itália, segunda colocada. Países Baixos (5,14 milhões), Bélgica (4,97 milhões) e Espanha (3,29 milhões) vieram em seguida.

Entre os principais destinos das reexportações alemãs estão a Polônia, com 3,07 milhões de sacas, os Países Baixos (1,20 milhão), a França (983 mil) e os Estados Unidos (961 mil). Os volumes da OIC são expressos em equivalente de café verde e incluem diferentes formas do produto.

Um mercado consumidor consolidado

Além de seu peso comercial e industrial, a Alemanha é o maior mercado consumidor de café da Europa e o terceiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e do Brasil. Em 2025, o consumo alemão alcançou 9,59 milhões de sacas, segundo a OIC, ante 5,85 milhões na Itália e 5,84 milhões na França.

O consumo por habitante – embora, por ser um mercado maduro, cresça lentamente – foi superior ao dos dois países: 6,79 kg na Alemanha, 5,95 kg na Itália e 5,12 kg na França. Entre 2005 e 2025, o consumo alemão avançou 7,6%, de 8,91 milhões para 9,59 milhões de sacas. No mesmo período, o aumento foi de 14,3% na França e de 6,8% na Itália.

A presença do café no cotidiano alemão também se reflete nos hábitos. Segundo levantamento divulgado pelo Centro de Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI, na sigla em inglês), 89% dos alemães consomem café, e os consumidores da bebida tomam, em média, 3,4 xícaras por dia. O café filtrado permanece o preparo mais popular: 47% dos consumidores afirmam consumi-lo regularmente.

Em 2025, as vendas de café torrado no mercado alemão somaram aproximadamente 456 mil toneladas, queda de 1,5% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Alemã do Café. Apesar da retração no volume, o faturamento cresceu 23,5%, para € 8,98 bilhões (R$ 50,7 bilhões).

Grãos e novos solúveis

O mercado alemão também passa por mudanças na forma de consumo. Segundo a Associação Alemã do Café, as vendas de café em grãos inteiros cresceram 130% entre 2015 e 2025, alcançando 193,8 mil toneladas no último ano. No mesmo período, as vendas de café moído recuaram 38%.

O avanço dos grãos acompanha a difusão das máquinas automáticas que moem o café no momento do preparo. Atualmente, cerca de um em cada três domicílios alemães possui um equipamento desse tipo.

O café solúvel também apresenta novas possibilidades de consumo. Embora responda por aproximadamente uma em cada dez xícaras consumidas no país, a categoria passa a incorporar produtos de maior valor agregado, como versões especiais de café instantâneo e concentrados líquidos.

Essas transformações ocorrem em um mercado de consumo relativamente estável, mas integrado a uma das maiores estruturas de importação, processamento e distribuição de café do mundo.

Fontes: Federação Europeia do Café (ECF), Economic Impact of Coffee in Europe (2026); Organização Internacional do Café (OIC), Coffee Trade Globe (dados de 2005 e 2025); Associação Alemã do Café (2026); Centro de Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI, 2025)

TEXTO Cristiana Couto

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Safra de café do Vietnã deve ficar estável

Maior produtor mundial de robusta, país tem lavouras renovadas para compensar prováveis perdas climáticas provocadas por El Niño em 2026/27

Por Reuters (Hanói)

A produção de café do Vietnã deve permanecer estável na safra 2026/27, segundo representantes do setor. O aumento da produtividade de lavouras jovens e replantadas deve compensar as perdas provocadas por chuvas excessivas e pragas em algumas áreas do Planalto Central, principal região cafeeira do país, o maior produtor mundial de canéfora.

Segundo Trinh Duc Minh, presidente da Associação de Café de Buon Ma Thuot, na província de Dak Lak, as condições climáticas afetaram desigualmente as áreas produtoras da variedade robusta, e os melhores resultados de algumas lavouras ajudam a equilibrar a oferta.

A avaliação é mais cautelosa que a previsão divulgada em maio pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão estimou uma colheita de 32,5 milhões de sacas – alta de 2,5% em relação ao ciclo anterior. Desse total, 31,4 milhões seriam de robusta, avanço de 3%.

Além da renovação das lavouras, o USDA apontou que os preços elevados de 2024/25 estimularam a expansão da área plantada e dos investimentos de empresas privadas.

A preocupação do setor, porém, é quanto à safra 2027/28. O El Niño, que costuma provocar secas no Sudeste Asiático, pode reduzir a disponibilidade de água para irrigação e comprometer a próxima colheita, embora seja cedo ainda para dimensionar as perdas.

Na província de Gia Lai, a produtora Tran Thi Mai, que cultiva 2 hectares de café, teme dificuldades para irrigar já em fevereiro. Minh também prevê abastecimento insuficiente de água e alerta para o impacto de um El Niño severo sobre a produção.

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Safra brasileira impulsiona exportações e pressiona preços globais do café

Relatório da OIC aponta recorde dos embarques brasileiros de arábica para agosto e queda de 8,7% nos preços internacionais em setembro

Por Cristiana Couto

A chegada da nova safra brasileira ao mercado ajudou a impulsionar as exportações mundiais de café em agosto e pressionou os preços internacionais em setembro. Os embarques brasileiros de arábica do grupo dos naturais atingiram 2,92 milhões de sacas, o maior volume já registrado para um mês de agosto, segundo o último relatório, de setembro, da Organização Internacional do Café (OIC).

O volume superou os 2,26 milhões de sacas exportados pelo país em agosto de 2025 e ficou 6,6% acima do recorde anterior para o mês, de 2,74 milhões de sacas, registrado em 2020. Considerando todas as formas de café (verde, torrado e solúvel), as exportações brasileiras cresceram 34,5%, para 4,28 milhões de sacas. Foi o quinto mês consecutivo de alta na comparação anual, após uma sequência de 16 meses de retração.

O avanço brasileiro foi decisivo para o crescimento de 14,6% das exportações globais em agosto, que somaram 12,55 milhões de sacas. A América do Sul liderou a alta, com embarques de 5,98 milhões de sacas, aumento de 20,2% em relação a agosto de 2025. O Brasil respondeu, em média, por 72% das exportações da região nos cinco anos cafeeiros anteriores.

A Ásia e a Oceania também ampliaram os embarques, em 23,1% (4,03 milhões de sacas), enquanto a África e a região que reúne Caribe, México e América Central registraram quedas de 1,8% (1,74 milhão de sacas) e 14,3% (790 mil sacas), respectivamente. Apesar do crescimento expressivo em agosto, as exportações mundiais acumuladas desde outubro de 2025 avançaram apenas 1%, para 130,74 milhões de sacas.

Preços e consumo mais baixos

A maior disponibilidade de café brasileiro e a expectativa de oferta abundante contribuíram para a queda dos preços em setembro. O indicador composto da OIC, que acompanha os preços internacionais do café verde, recuou 8,7% em relação a agosto, para uma média de 262,18 centavos de dólar por libra-peso. Entre os grupos acompanhados pela organização, o dos arábicas naturais brasileiros teve a maior baixa, de 9,9%. Os robustas recuaram 7,3%.

A OIC também aponta uma expectativa de retração do consumo mundial em 2025/26, além de um superávit de 3 milhões de sacas, após quatro anos de déficit, como fatores de pressão sobre os preços. A folga, porém, é limitada: equivale a menos de uma semana de consumo global, segundo a organização.

Os baixos estoques certificados de arábica e as incertezas climáticas, porém, limitaram a queda dos preços. Em setembro, as chuvas favoreceram a floração dos cafezais brasileiros para a próxima safra, mas o calor no fim do mês e a continuidade das precipitações em outubro permaneceram no radar. Na América Central, o risco de seca em Honduras e na Nicarágua trouxe preocupação com a oferta de arábicas lavados.

Segundo o relatório, a entrada de café brasileiro também pode ajudar a recompor os estoques certificados de arábica, que, em meados de setembro, chegaram ao menor nível desde 1999.

Robustas em alta

Quanto aos embarques de café verde, os robustas deram a maior contribuição para o crescimento mundial em agosto, seguidos pelos arábicas naturais brasileiros. As exportações globais de robusta aumentaram 22,4%, para 4,36 milhões de sacas, impulsionadas principalmente pelo Vietnã e pelo Brasil. Os dois países embarcaram, respectivamente, 1,78 milhão e 960 mil sacas, altas de 69,2% e 54,9% em relação a agosto de 2025.

Nos primeiros 11 meses do ano cafeeiro 2025/26, de outubro a agosto, as exportações mundiais de robusta somaram 45,59 milhões de sacas, um avanço de 11,8%. Desse total, 5,29 milhões de sacas foram embarcadas pelo Brasil.

As exportações mundiais de arábica também cresceram em agosto, em 11,6%, para 6,58 milhões de sacas. O avanço, contudo, foi menor que o dos robustas. No acumulado dos primeiros 11 meses do ano cafeeiro, a participação dos arábicas nos embarques de café verde caiu de 63,5% para 59,6%, informa o relatório da OIC.

O grupo dos arábicas naturais brasileiros exportou 3,57 milhões de sacas em agosto, alta de 21,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar da recuperação, foi apenas o segundo mês de crescimento nos últimos 11 meses, na comparação anual. No acumulado do período, os embarques do grupo ainda recuaram 11,6%, para 33,24 milhões de sacas.

As exportações mundiais de café solúvel cresceram 8,1% em agosto, para 1,56 milhão de sacas, em relação a 1,44 milhão no mesmo mês de 2025. O Vietnã liderou os embarques no mês, com 430 mil sacas. No acumulado de outubro a agosto, o produto representou 12,6% do volume total exportado.

Na produção mundial, os robustas também vêm ganhando espaço. A OIC estima que sua participação tenha alcançado 43,1% no ano cafeeiro 2025/26, diante de uma média de 41,7% nos dois anos anteriores. Segundo a organização, essa maior presença, os preços relativos de arábicas e robustas e mudanças nas preferências de parte dos consumidores podem ajudar a explicar a nova composição das exportações.

TEXTO Cristiana Couto

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Conheça os campeonatos e premiações da SIC 2026

Do Coffee of the Year ao Campeonato Brasileiro de Barista, o evento sedia algumas das principais competições do universo do café no Brasil

Entre os maiores destaques da Semana Internacional do Café (SIC) este ano, estarão algumas das principais competições do universo do grão no Brasil. O evento, que acontece na Expominas, em Belo Horizonte (MG), volta a reconhecer na edição de 2026 produtos e profissionais que integram toda a cadeia produtiva e comercial do café.

Ao longo da programação, entre os dias 11 e 13 de novembro, produtores, baristas, torrefadores, classificadores, além de marcas e profissionais do setor, terão oportunidades para demonstrar excelência, compartilhar conhecimento e ampliar sua visibilidade no mercado nacional e internacional.

Veja a seguir as principais premiações que acontecem na SIC este ano e que, além de revelar novos talentos e consolidar projetos de sucesso, ajudam a valorizar diferentes origens e a fortalecer a inovação na cafeicultura brasileira.

Coffee of the Year

A premiação reconhece alguns dos melhores cafés do Brasil, que se destacam pela qualidade e diversidade, valorizando diferentes origens e produtores brasileiros. Criado em 2012, o Coffee of the Year contempla arábica e canéfora, as duas principais espécies produzidas no país, aproximando os cafés finalistas de compradores, torrefadores e profissionais do mercado por meio das Salas de Cupping da SIC.

Premiação Coffee of the Year em 2025

Espresso Design

Em sua 8ª edição, o concurso de embalagens destaca a importância do design na construção e na promoção da identidade das marcas de café. Promovida pela Revista Espresso, a iniciativa valoriza criatividade, conceito, identidade visual e soluções que contribuem para a experiência do consumidor. Ao longo dos dois primeiros dias da SIC, o público poderá votar em uma das 20 embalagens expostas no evento, aproximando profissionais de café e design e apresentando ao mercado tendências para a comunicação do produto.

Golden Cup Brasil

O evento premia os melhores cafés Fairtrade de pequenos produtores e produtoras de diferentes regiões do país, que seguem padrões de comércio justo. Realizado pela Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Comércio Justo (CLAC), em parceria com a BRFAIR, o concurso dá visibilidade às pequenas cadeias produtivas de cafés arábica e canéfora, estimulando a melhoria contínua da qualidade, a sustentabilidade e a agregação de valor à produção.

Florada Premiada

No Ano Internacional da Mulher Agricultora, a SIC sedia um dos principais concursos do país dedicados às mulheres cafeicultoras, promovido pelo Grupo 3corações, em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Ao reconhecer a qualidade dos cafés arábica e canéfora produzidos por mulheres, a premiação chega à sua 9ª edição fortalecendo o protagonismo delas na produção brasileira, com mais de 50 pontos de coleta de amostras em regiões produtoras do Brasil.

Premiação Florada Premiada em 2025

Torrefação do Ano Brasil

A competição dedicada à qualidade e consistência da atividade propõe aos participantes desenvolver um perfil próprio de torra a partir de um mesmo lote de café verde. Organizada pela Attila, a 5ª edição do Torrefação do Ano Brasil reúne representantes de diferentes regiões do país em uma etapa decisiva, que acontece durante a SIC.

Campeonato Brasileiro de Blends de Café

A competição valoriza o conhecimento técnico e a criatividade de profissionais envolvidos na criação de blends, destacando o trabalho de classificadores, degustadores e mestres de torra. A final do campeonato, criado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), ocorre na SIC e vai avaliar o trabalho dos profissionais na combinação de diferentes cafés para a construção de perfis sensoriais equilibrados e consistentes.

Campeonato Brasileiro de Barista

Maior competição de baristas do Brasil, o evento realizado pela BSCA reúne na SIC profissionais de diferentes regiões do país. Os participantes precisarão preparar espressos, bebidas com leite e drinques autorais, em uma disputa que reconhece os profissionais de destaque do barismo nacional. O campeonato funciona como etapa de qualificação internacional, levando o campeão brasileiro ao Mundial de Barista.

Premiação Campeonato Brasileiro de Barismo (categoria Latte Art) em 2025

Concurso NossoCafé

A iniciativa destaca produtores que dedicam atenção específica à qualidade e ao cuidado na produção de cafés especiais, valorizando o trabalho no campo e a adoção de boas práticas de manejo e nutrição, que contribuem para o desenvolvimento sustentável da cafeicultura. Promovido pela Yara, empresa global de nutrição mineral de plantas e soluções agrícolas sustentáveis, o concurso, além de premiar os produtores, fortalece a conexão entre qualidade, conhecimento técnico e valorização da origem.

Prêmio ATeG

A premiação, promovida pelo Sistema CNA/Senar e destacada pelo Sistema Faemg Senar, reconhece todo ano produtores rurais, técnicos de campo e supervisores que se destacam pelos resultados de produtividade e gestão no campo. O objetivo é valorizar a transformação de propriedades rurais, por meio da orientação técnica e gerencial, em negócios mais eficientes e sustentáveis.

Serviço
Semana Internacional do Café
Quando: 11 a 13 de novembro, das 10h às 19h
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.200 — Gameleira — Belo Horizonte, MG)
Mais informações e credenciamento: https://semanainternacionaldocafe.com.br/

TEXTO Equipe Espresso • FOTO NITRO/Semana Internacional do Café

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Itália e Banco Mundial lançam Iniciativa Global do Café

Parceria pretende mobilizar US$ 500 milhões; Espresso Fund, primeiro fundo global público-privado dedicado à cadeia cafeeira, terá contribuição italiana de € 40 milhões

Por Cristiana Couto

A Itália e o Grupo Banco Mundial lançaram nesta quarta-feira (14), em Roma, a Global Coffee Initiative (Iniciativa Global do Café), uma plataforma para atrair investimentos públicos e privados, ampliar a renda dos produtores e fortalecer a cadeia cafeeira diante das mudanças climáticas.

A iniciativa inclui o Espresso Fund (Fundo Espresso), primeiro fundo global público-privado dedicado à cadeia do café, para o qual o país aprovou € 40 milhões (R$ 226,5 milhões) em contribuições entre 2025 e 2027.

Promovida pelo Ministério das Relações Exteriores e da Cooperação Internacional da Itália e pela Cassa Depositi e Prestiti (CDP), em parceria com o banco, a iniciativa pretende mobilizar pelo menos US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) em sua fase inicial.

O lançamento da GCI aconteceu na Farnesina, sede do ministério italiano, e foi transmitido ao vivo pelo YouTube durante o evento “Estratégia Internacional da Itália para o Café: Desenvolvimento, Valor, Parcerias”, dedicado a apresentar a estratégia para o setor e fortalecer parcerias com países produtores, organizações internacionais, instituições financeiras e representantes da indústria.

Lançamento da Iniciativa Global do Café na sede do Ministério das Relações Exteriores da Itália, em Roma

Em participação ao vivo pela internet, o presidente do Grupo Banco Mundial, Ajay Banga, explicou que o propósito é ajudar os cafeicultores a obterem mais valor para seus cafés, com ganhos de produtividade e renda. “Mas também significa criar empregos além das propriedades rurais: no processamento, na logística, na indústria, nas finanças, nas exportações e no varejo”, afirmou. 

O Espresso Fund financiará estudos, assistência técnica e preparação de projetos. Uma plataforma de cofinanciamento buscará recursos públicos e privados para viabilizar as operações. Entre as frentes de atuação do fundo estão variedades adaptadas às mudanças climáticas, práticas regenerativas, rastreabilidade e capacitação dos produtores para que possam melhorar a produtividade, atender às exigências regulatórias e fortalecer conexões com o mercado.

O fundo está alinhado ao AgriConnect, principal plataforma do Grupo Banco Mundial para ampliar soluções que geram empregos e fortalecem as cadeias de valor agrícolas.

A GCI é resultado do compromisso assumido pelo G7 durante a presidência italiana, em 2024. Na cúpula de junho daquele ano, em Puglia, no sul da Itália, os líderes apoiaram uma parceria público-privada para fortalecer a sustentabilidade da cadeia cafeeira e avaliar a criação de um fundo global para o setor.

O encontro reuniu Vanusia Nogueira, diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), Giuseppe Lavazza, presidente do Comitê Italiano do Café e do Grupo Lavazza, e Andrea Illy, presidente da illycaffè. Também participaram representantes dos governos de Uganda, Quênia e Colômbia e Maurizio Martina, vice-diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

Illy avaliou o lançamento como “o início da fase operacional desse sonho”, em referência à mobilização internacional pelo futuro do café. Segundo ele, agricultura regenerativa, sistemas agroflorestais e renovação dos cafezais com variedades mais produtivas e de melhor qualidade podem fortalecer a adaptação ao clima e aumentar a rentabilidade dos agricultores.

Vanusia destacou a necessidade de transformar os compromissos em ações e investimentos. “Seu sucesso dependerá de uma forte colaboração entre governos, instituições financeiras internacionais, parceiros de desenvolvimento, produtores de café e suas organizações”, afirmou.

A estratégia italiana inclui ainda o ACT Coffee, programa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO), desenvolvido em colaboração com a OIC e parceiros do setor. Vinculado ao Plano Mattei, de cooperação italiana com a África, e ao Global Gateway, estratégia europeia de investimentos internacionais, o programa atua inicialmente na Etiópia, no Quênia, em Uganda, na Tanzânia e no Maláui.

Segundo o Banco Mundial, o café é fonte de renda para mais de 100 milhões de pessoas e um importante produto de exportação para mais de 50 países.

TEXTO Cristiana Couto

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Dinâmicas sociais no consumo doméstico de café

Por Pietro Amorim

O cafezinho faz parte da rotina do brasileiro. Mais do que uma bebida, é um vetor de sociabilidades – oferecê-la é um gesto de hospitalidade. Mas quando e como incorporamos esse hábito?

No início do século XIX, nas grandes cidades, o café era encontrado timidamente em botequins e casas de pasto. Relatos de viajantes, como os do inglês John Mawe e do francês Jean-Baptiste Debret, registram seu consumo por famílias abastadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, em refeições e festividades.

Utensílios de preparo e serviço de café em inventários de pessoas de posses também indicam a presença da bebida, ainda que como artigo de luxo. É o que mostra a tese de Rafaela Basso, Entre tabuleiros, balcões e fogões: Um estudo sobre a alimentação de rua na cidade de São Paulo e o livro Fazendas do café do Vale do Paraíba – o que os inventários revelam, organizado por Carlos Eugênio Marcondes de Moura.

A chegada da família real portuguesa e parte de sua administração ao Rio de Janeiro em 1808 demandou produtos e hábitos pouco familiares aos moradores, e a abertura dos portos, ao lado do estabelecimento da corte, contribuiu para o aumento do consumo de café.

Com a produção de café concentrada na província fluminense e já como principal produto de exportação, o Rio de Janeiro logo cresceu, dando origem a uma rica classe comercial urbana e a um contingente de pequenos proprietários, sobretudo imigrantes.

Ao longo do século XIX, referências ao café no mercado interno tornaram-se mais frequentes nos periódicos. Vendido inicialmente em moinhos e nas ruas por pessoas escravizadas, o grão ganhou destaque na segunda metade dos oitocentos com o surgimento das “fábricas de café torrado” e “fábricas de café moído”, que abasteciam cafés, hotéis, hospitais e residências.

Lojas com utensílios para café abriram. Em 1859, a loja Ao Bule Monstro anunciava “aparelhos de metal do príncipe para café e chá, inclusive xícaras e pires”, citando vários materiais de que eram feitos.

O naturalista suíço Johann Von Tschudi, em viagem ao Brasil nas décadas de 1850 e 1860, relatou que “o consumo dentro do próprio país é considerável, pois todo mundo saboreia várias vezes por dia essa bebida nacional, seja rico ou seja pobre, moço ou velho, patrão ou empregado”.

O café já não se restringia às elites. Mas todos o bebiam do mesmo jeito? Se fora de casa havia estabelecimentos voltados a públicos distintos, é razoável supor diferenças também nos lares, onde as elites preservavam formas de distinção para consumi-lo, como a etiqueta social.

A ascensão da burguesia europeia entre XVII e XVIII levou a aristocracia a adotar novas formas de diferenciação. Não bastava possuir certos objetos, mas apropriar-se deles e usá-los de modo específico. Esses códigos de distinção chegaram ao Brasil.

A ritualização do cotidiano foi mais expressiva em encontros sociais em torno da alimentação, especialmente o jantar, que se tornou demonstração de prestígio e seguiu protocolos rígidos. Esses códigos foram registrados em manuais de etiqueta e economia doméstica, livros de culinária e periódicos voltados às mulheres e à família. As publicações descreviam ambientes, refeições, utensílios e o papel de cada membro da família, orientando-os para modos “mais refinados”.

Assim, o café era servido após o jantar e a sobremesa, marcando a transição entre refeição e sociabilidade. Em O lar doméstico, de 1902, Vera Cleser descreve: “o café e os licores são levados à sala; a dona da casa, auxiliada pelas filhas, ou moças e moços de sua intimidade, serve a infusão aromática, que deve ser muito quente. O dono da casa serve os licores”.

A divisão de tarefas entre os anfitriões é clara. Como disse o gastrônomo francês Jean Anthelme Brillat-Savarin em A fisiologia do gosto, de 1825, “a dona de casa deve sempre ter certeza que seu café é excelente, e o dono, que os licores são de primeira qualidade”.

Essa participação feminina se alinhava à construção de um ideal de mulher como boa esposa, mãe e dona de casa. O zelo cotidiano pelo lar envolvia tarefas leves, como no café da manhã. “Enquanto a criada for preparando o café, a dona da casa ou sua filha arrume as xícaras, o açucareiro, a cestinha de pão e dê tudo uma disposição agradável à vista”, ensina Vera.

A limpeza, a decoração da casa e o asseio das mesas de refeição eram fundamentais para a harmonia familiar. A casa burguesa tornou-se uma expressão de êxito econômico, profissional e familiar, como mostra Maria Homem em O palacete paulistano. Arquitetura e decoração deveriam transmitir riqueza, bom gosto e cosmopolitismo, especialmente nos ambientes onde havia tais rituais. A sala de jantar tinha étagères, cristaleiras e móveis que armazenavam e exibiam pratarias e porcelanas.

Aparelhos de chá e café tinham duas funções: a prática, ligada ao serviço da bebida; e a simbólica, como marca de distinção social e elemento decorativo. Diferentemente do “metal do príncipe” – liga de cobre e zinco citada no citado anúncio –, os materiais preferidos eram prata, porcelana e faianças.

A dona da casa também supervisionava os criados – termo genérico para trabalhadores domésticos. A crescente complexidade da cozinha e dos ritos sociais exigia vários deles, cada vez mais especializados. Em 1872, a cidade de São Paulo contabilizava 3,5 mil criados livres e 1,3 mil escravizados nessa categoria, indicando a preferência por pessoas habituadas a esses costumes, especialmente imigrantes.

Em Senhoras e criadas no espaço doméstico, Simone Andriani dos Santos investiga essa relação conflituosa. Mesmo sem integrar o núcleo familiar, os criados eram vistos com desconfiança. Os manuais recomendavam instrução e vigilância. Em O cozinheiro imperial, Constança Oliva de Lima dedicou uma seção a ensiná-los, entre outras funções, a preparar e servir café.

O serviço à americana, popular a partir do início do século XX, simplificou a dinâmica das refeições, reduzindo o número de criados. Em 1919, o Jornal das Moças instruía o copeiro a servir sopa e levar os pratos à mesa, enquanto anfitriões e convidados se serviam. Café e licores encerravam a refeição na sala de visitas.

As dinâmicas que envolviam o serviço do café variaram conforme a época, o lugar e as classes sociais. Porém, alguns elementos permanecem até hoje, como servir o café como expressão de hospitalidade e a marcante presença feminina em torno da bebida no ambiente doméstico, desde torra e moagem do grão até o preparo da bebida e a execução do serviço.

Pietro Amorim é especialista em história, sociedade e cultura pela PUC-SP e pesquisador do Museu do Café (SP).

Texto originalmente publicado na edição #92 (junho, julho e agosto de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

 

TEXTO Pietro Amorim • ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes

Café & Preparos •

Brasileiro vence mundial amador de tiramisù na Itália

O criador de abelhas Marcos Muzzi conquistou a categoria Receita Original em Treviso após vencer a etapa nacional no São Paulo Coffee Festival, em junho

Uma sobremesa tradicional italiana à base de café, mas com um toque bem brasileiro. Foi essa combinação que levou o paulistano Marcos Muzzi a vencer a categoria Receita Original da Tiramisù World Cup 2026, competição destinada a confeiteiros amadores. A final aconteceu no domingo (11), em Treviso, na Itália. 

Criador de abelhas e confeiteiro amador, Muzzi havia conquistado o título nacional na final brasileira que aconteceu em 28 de junho, durante o São Paulo Coffee Festival, na Bienal do Ibirapuera. A vitória garantiu sua classificação para a semifinal mundial. O circuito brasileiro também teve seletivas em Bento Gonçalves (RS), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP). 

Na categoria Receita Original da premiação mundial, os participantes precisaram utilizar os seis ingredientes clássicos da receita: mascarpone, ovos, açúcar, biscoitos savoiardi — conhecidos por aqui como biscoitos de champanhe —, café e cacau. A conquista, aliás, não é a primeira do Brasil nessa modalidade. Em 2023, a paulistana Patrícia Guerra também levou a competição.

Além do título, Muzzi chegou à semifinal da categoria Receita Criativa, com uma versão da sobremesa que incorporou pé-de-moleque e doce de leite.

A décima edição do evento reuniu 320 participantes de 33 países. A competição também contou com 130 jurados, entre confeiteiros amadores, especialistas e chefs profissionais.

TEXTO Redação

Mercado •

Espresso #93 debate o futuro do café diante da emergência climática

Às vésperas dos 300 anos do café no Brasil, a cafeicultura começa a construir sua próxima agenda global. Esta edição, que circula durante a Semana Internacional do Café, lança um olhar sobre alguns dos caminhos que podem definir esse futuro.

Na entrevista, Vanusia Nogueira, primeira mulher e primeira brasileira a dirigir a Organização Internacional do Café, aborda mudanças climáticas, novos mercados consumidores, inovação e a necessidade de aproximar governos, empresas e instituições para enfrentar os desafios do setor. A reportagem de sustentabilidade, produzida pela 5th Wave, mostra como a cadeia pode responder à emergência climática e liderar mudanças capazes de conciliar ecologia, economia e equidade.

A edição acompanha também transformações já em curso. Mostramos como cresce o número de cafeicultores que criam marcas próprias para agregar valor à produção e ampliar sua renda, e como a revisão de protocolos tradicionais procura atualizar a linguagem usada para avaliar e comunicar a qualidade do café. Viajamos ainda ao Panamá para contar como o gesha projetou uma pequena origem entre as mais valorizadas do mundo.

Boa leitura,
Equipe Espresso

Mercado •

Seca eleva prêmios do café da América Central ao maior nível em três anos

Oferta de arábica pode cair mais que o previsto em Honduras e Guatemala, que concentram dois terços da produção da região

Por Reuters (Londres e Cidade do México)

Os prêmios pagos pelo café arábica da América Central atingiram o maior nível em cerca de três anos. A alta — o prêmio é o valor adicional pago em relação à cotação de referência na bolsa internacional — reflete os efeitos da seca associada ao El Niño, que teve seu pico entre julho e agosto no chamado Corredor Seco, faixa que atravessa Guatemala, El Salvador, Honduras e Nicarágua.

Marcada por estiagens prolongadas, muitas vezes seguidas de chuvas intensas, a região enfrenta também uma crise na produção de alimentos. Agências humanitárias alertaram para o risco de insegurança alimentar depois que agricultores de subsistência e pequenos produtores – entre 3 milhões e 5 milhões de pessoas – sofreram fortes perdas nas lavouras de feijão e milho. Por ser uma cultura perene, o café tende a ser menos afetado pela seca, mas sua oferta também está sob pressão.

Os prêmios refletem diferenças de qualidade no café, mas também a relação entre oferta e demanda. Especialistas afirmam que os valores elevados na América Central, responsável por 15% da oferta global de arábica, estão estabelecendo um piso para os preços futuros do café no mercado internacional.

Dados da Reuters mostram que os prêmios pagos pelos cafés dos quatro países afetados estão nos maiores níveis, ou próximos deles, em mais de três anos.

Previsões iniciais de produção de arábica em Honduras e na Guatemala para 2026/27 apontam queda de 7% e 10%, respectivamente. Os dois países, responsáveis por dois terços dos grãos da América Central, afirmam, porém, que as perdas podem ser maiores.

“A América Central está excepcionalmente seca. [Isso] pode ser nosso primeiro indício dos possíveis efeitos de um El Niño severo”, afirma Marc Schonland, consultor independente de café.

TEXTO Redação