Cafezal •

Concurso Coffee of the Year anuncia amostras classificadas de 2026

Selecionados entre 477 amostras de trinta regiões produtoras, grãos serão provadas por compradores nacionais e internacionais e pelo público durante a SIC, em novembro

Carolinna Bridi e Guilherme Abreu Vieira, campeões do COY 2025

O Coffee of the Year (COY) anunciou nesta quinta-feira (29) os cafés brasileiros classificados para a etapa final da premiação. São 156 arábicas e 31 canéforas selecionados por um júri de Q-Graders e R-Graders entre 478 amostras de trinta regiões cafeeiras. Os grãos seguem para as salas de cupping da 14ª Semana Internacional do Café (SIC), de 11 a 13 de novembro, em Belo Horizonte (MG), onde poderão ser provados e negociados por compradores nacionais e internacionais. Veja aqui a lista completa.

Criado em 2012, o concurso nasceu para apresentar cafés de alta qualidade ao mercado e dar visibilidade aos produtores e às regiões de onde vêm. Ao longo destes anos, ajudou a tornar o Caparaó conhecido pelos arábicas especiais, e foi pioneiro na valorização dos canéforas – robustas amazônicos de Rondônia e conilons do Espírito Santo –, além de ter premiado regiões tradicionais, como Cerrado Mineiro, Alta Mogiana e Matas de Minas. Essa valorização já se traduziu em negócios expressivos: cafeicultores consagrados já receberam ofertas de até R$ 10 mil por saca em edições passadas. 

Na etapa decisiva da premiação, os dez arábicas e os cinco canéforas mais bem avaliados serão servidos pelo método filtrado, em garrafas térmicas, para degustação às cegas e votação dos visitantes. O voto popular será incorporado à avaliação final, que definirá os campeões de cada espécie.

O anúncio dos vencedores e a premiação acontecem em 13 de novembro, às 15h, no Grande Auditório do Expominas.

Semana Internacional do Café
Quando: 11 a 13 de novembro, das 10h às 19h
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.200 — Gameleira — Belo Horizonte, MG)
Mais informações e credenciamento: https://semanainternacionaldocafe.com.br/

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafeteria & Afins •

Tostato Specialty Coffees – Bréscia (Itália)

A visita foi feita numa manhã fria de segunda-feira, com o termômetro marcando 4 °C. O ambiente aconchegante dava as boas-vindas ao som de João Gilberto cantando “Corcovado”, de Tom Jobim — como se dissesse: “pode entrar, a casa é sua”.

A familiaridade foi reforçada com a procedência dos grãos. No blend do espresso, 50% do café era brasileiro, 30%, etíope e 20%, colombiano. Segundo a barista, a receita busca equilíbrio: corpo e notas de caramelo e chocolate do brasileiro, suavidade do colombiano e floral delicado do africano. Além do blend, havia três microlotes na carta no dia: um fermentado brasileiro da Fazenda Pinhal, um natural da Fazenda Las Camelias (Guatemala) e um lavado colombiano produzido por mulheres da região de Antioquia.

A lista de pedidos foi variada: um café colombiano na chemex (300 ml), o fermentado brasileiro filtrado na v60 (300 ml), um cappuccino, um espresso (25 ml) e um espresso longo. Para acompanhar, croquinho — releitura do croque-monsieur, com pão artesanal amanteigado, recheado com queijo edamer e prosciutto e coberto com queijo derretido — e um croissant com calda de laranja (os italianos apreciam doces pela manhã; mesmo o croissant simples é levemente adocicado). Pain au chocolat e mignons (doce de cranberries) fecharam a refeição.

Croissant com bebidas pedidas pela equipe; pain au chocolat com espresso

Com notas de tangerina, o suave café colombiano combinou bem com o croissant, enquanto o café brasileiro, de fermentação anaeróbica, dividiu o time da Espresso. Para quem gostou, a bebida elevou o croquinho que, apesar da boa execução, ficou aquém da inspiração. Houve consenso apenas nos doces: o destaque foi o de cranberries.

Espressos e cappuccinos, de fato, dominam a arte da extração italiana. O espresso estava equilibrado, e o cappuccino, cremoso — a ponto de não se perceber onde termina o café e começa o leite. Ao pedirmos um espresso longo, a barista reagiu: “Noi non roviniamo il caffè” (“não estragamos o café”) — e serviu a água à parte, para que cada um a acrescentasse à bebida.

Comandado por quatro jovens, a Tostato é a parada perfeita para quem quer tomar um bom filtrado na Bréscia. Mas a dica é estar com o bolso preparado: um espresso custa 1,80 euros (R$ 10,76) e um filtrado individual, entre 5 e 7 euros (de R$ 29,89 a R$ 41,84), dependendo do microlote.

Ambiente do café; croquinho com café filtrado

Nossa conta: 42,80 EUR (R$ 269,64)
Filtrado na chemex – 10 EUR (R$ 63)
Filtrado na v60 – 14 EUR (R$ 88,2)
Espresso – 1,80 EUR (R$ 11,34)
Espresso longo – 1,80 EUR (R$ 11,34)
Cappuccino – 2,30 EUR (R$ 14,49)
Croquinho – 8 EUR (R$ 50,40)
Croissant – 1,70 EUR (R$ 10,71)
Pain au chocolat – 1,70 EUR (R$ 10,71)
Mignons – 1,50 EUR (R$ 9,45)

A Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Via Fratelli Porcellaga, 28
Cidade Bréscia
País Itália
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Mercado •

Conheça os 20 finalistas do concurso de embalagens de café Espresso Design

Embalagens ficarão expostas de 11 a 12 de novembro na Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG), onde o público poderá votar em sua favorita

O Espresso Design, concurso que reconhece algumas das melhores embalagens de café do mercado brasileiro, acaba de anunciar os finalistas de sua 8ª edição. As 20 marcas foram selecionadas por uma comissão julgadora, que avaliou pontos como design gráfico, funcionalidade, estrutura e materiais, e conceito da embalagem.

Este ano, foram mais de 90 inscritos. Entre os principais critérios de escolha, entraram questões como a composição visual, a tipografia, as ilustrações e a diferenciação dentro do mercado. Legibilidade, facilidade de usar, e de abrir e fechar a embalagem também foram consideradas durante a análise.

Além desses pontos, os jurados avaliaram qualidade, viabilidade e sustentabilidade dos materiais utilizados, assim como a clareza e o cumprimento do conceito proposto pela marca.

Finalistas do Espresso Design

Aga
Astral Café de Especialidade
Butk Cafés Especiais
Café de Bolso
Café do Leste
Café Terra dos Diamantes
Cafézices
Cumbré Café de Origem
Dropit
Elisa Coffee Roasters
Lauma
Lema Cafés Especiais
Lira Café
Massemba Cafés
Memoê
Mercê
Nossa Torra
OOP Café
Pingado Cafés Especiais
Terrafé Cafés Especiais

As 20 embalagens ficarão expostas ao longo dos dois primeiros dias da Semana Internacional do Café (SIC), entre 11 e 12 de novembro, em Belo Horizonte (MG). O público do evento poderá votar para escolher a sua favorita (um voto por CPF).

As três embalagens vencedoras serão anunciadas em 13 de novembro, último dia da SIC, durante uma cerimônia no Grande Auditório.

Semana Internacional do Café
Quando: 11 a 13 de novembro, das 10h às 19h
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.200 — Gameleira — Belo Horizonte, MG)
Mais informações e credenciamento: https://semanainternacionaldocafe.com.br/

TEXTO Redação

Barista •

Barista chinês conquista vitória inédita em Campeonato Mundial no Panamá

Primeiro profissional do país a vencer a competição, barista Pan Wei, da Parking Coffee, dividiu o pódio com representantes da Malásia e Emirados Árabes Unidos

O barista chinês Pan Wei, da Parking Coffee, é o grande vencedor do Campeonato Mundial de Barista, competição que ocorreu de 22 a 25 de outubro, durante o World of Coffee Panama 2026. A final aconteceu neste sábado (25), data de encerramento do evento, após quatro dias de uma competição que reuniu profissionais de mais de 50 países na Cidade do Panamá, capital do país da América Central.

A fase derradeira da premiação, que avalia critérios como inovação, técnica e criatividade, marcou um embate entre seis baristas de diferentes países. Além do primeiro lugar de Wei, que é bicampeão da modalidade na China, os competidores Shing Win, da One Half Coffee Roastery (Malásia), e Frederick Rubens, da Benchmark Coffee (Emirados Árabes Unidos), ficaram com a segunda e a terceira posição, respectivamente.

Duas vezes vencedor do Campeonato Brasileiro de Barista, em 2023 e 2025, e representante brasileiro na competição, o carioca Daniel Vaz, da Five Roasters (RJ), acabou ficando de fora das finais e semifinais. O Brasil se sagrou campeão da premiação internacional apenas uma vez, em 2023, com o paulistano Boram Um.

O resultado marca a primeira vitória de um barista chinês na competição. Em 2025, Simon SunLei, da Marus Coffee (China), já havia chegado perto, conquistando o segundo lugar. Shing Win e Frederick Rubens também fizeram história nesta edição para Malásia e Emirados Árabes Unidos, que nunca antes haviam subido ao pódio da modalidade.

Classificação final – Campeonato Mundial de Barista 2026

1º lugar Pan Wei (China)
2º lugar Shing Win (Malásia)
3º lugar Frederick Rubens (Emirados Árabes Unidos)
4º lugar Gabrel Tan (Austrália)
5º lugar Jane Kawinnart (Tailândia)
6º lugar Jill Hoff (Canadá)

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado •

Mercado de café caminha para cenário de superávit, aponta Rabobank

Melhora do clima e recuperação das exportações brasileiras ampliam perspectivas de oferta, mas estoques no Japão e na Europa continuam reduzidos, segundo a Reuters

Por Cristiana Couto

O mercado global de café começa a substituir as preocupações com riscos climáticos e restrições de oferta pela perspectiva de superávit e recomposição dos estoques. A avaliação é do Rabobank, em relatório de setembro de 2026 divulgado na segunda-feira (19).

A melhora das condições climáticas no Brasil, Vietnã e Indonésia, associada à expectativa de aumento das exportações brasileiras, reduz os riscos para a safra 2027/28, embora persistam incertezas sobre o equilíbrio entre oferta e demanda.

A Safras & Mercado aponta na mesma direção. Em avaliação publicada em 2 de outubro, o analista Gil Barabach destaca a chegada da safra brasileira ao mercado e a melhora das perspectivas de abastecimento. O salto nos embarques brasileiros em agosto, quando foram exportadas 4,15 milhões de sacas, reforçou essa percepção.

Em setembro, as exportações brasileiras somaram 3,89 milhões de sacas, queda de 6,3% em relação a agosto, mas alta de 3,1% sobre setembro de 2025, segundo balanço divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em 9 de outubro. No trimestre de julho a setembro, os embarques cresceram 15,5% na comparação anual.

As exportações mundiais também cresceram. Segundo relatório da Organização Internacional do Café (OIC), divulgado em 9 de outubro, os embarques de café verde aumentaram 15,6% em agosto, para 10,94 milhões de sacas.

A OIC estima superávit mundial de 3 milhões de sacas no ano-cafeeiro 2025/26, depois de quatro anos de déficit. O volume equivale, porém, a menos de uma semana do consumo global.

A expectativa de maior oferta pressionou as cotações internacionais em setembro. Segundo o Rabobank, o arábica negociado em Nova York caiu 15,1%, enquanto o robusta em Londres permaneceu praticamente estável, com alta de 0,4% A recuperação dos preços no fim do mês não foi suficiente para reverter a queda do arábica.

“A recuperação no fim de setembro proporcionou um ponto de partida mais favorável para outubro, mas ainda não sinaliza uma reversão da tendência mensal de queda do arábica”, afirmou o analista Claudio Delposte no relatório.

No Brasil, as chuvas de setembro também favoreceram as perspectivas para a safra 2027/28. O Rabobank registrou precipitações superiores às médias históricas dos últimos 15 anos em todas as regiões produtoras analisadas, em um período importante para a floração e o desenvolvimento vegetativo das lavouras.

Estoques ainda reduzidos

Apesar das expectativas de maior oferta, os estoques de café verde no Japão e na Europa permanecem abaixo dos níveis de um ano antes.

Dados de associações do setor, compilados pela Coffee Trading Academy e divulgados pela Reuters nesta quarta-feira (21), mostram que o Japão armazenava 1,99 milhão de sacas de café verde em agosto, queda de 12,4% em relação ao mesmo mês de 2025 e o menor volume para agosto desde pelo menos 2022.

Na Europa, os estoques somaram 7,14 milhões de sacas, recuo anual de 16,8%. A redução, segundo a Reuters, foi ainda maior entre os arábicas naturais, cujos estoques caíram 25,6% (para 1,69 milhão de sacas), depois de três meses consecutivos de retração. Os estoques europeus de robusta somaram 3,03 milhões de sacas, queda de 16% na comparação anual.

TEXTO Cristiana Couto

Cafezal •

Cafés brasileiros batem recordes de preço em leilão beneficente da ACE

Gesha da Santuário Sul e arara da Orfeu alcançaram US$ 200 e US$ 151 por libra-peso, superando a marca brasileira de US$ 143 registrada em 2018

Por Cristiana Couto

Dois cafés brasileiros alcançaram os maiores preços por libra-peso já pagos por lotes do país nos leilões da Alliance for Coffee Excellence (ACE), segundo a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Os negócios foram feitos no último dia 16, no leilão beneficente Legends of Excellence (Lendas da Excelência), em Tóquio, no Japão. O pregão integrou a SCAJ World Specialty Coffee Conference and Exhibition 2026, importante evento de cafés especiais da Ásia.

O gesha natural de Luiz Paulo Dias Pereira Filho, produzido na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG), foi arrematado pela japonesa Snow Beans Coffee por US$ 200 por libra-peso (equivalente a US$ 26,5 mil por saca). Já o arara natural da Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), da Orfeu Cafés Especiais, foi comprado pela Black Sip Coffee Roasters, da Arábia Saudita, por US$ 151 por libra-peso (US$ 20 mil por saca).

A marca brasileira anterior era de 2018, quando um gesha da Fazenda Primavera, em Angelândia, na Chapada de Minas, foi vendido por US$ 143 por libra-peso (US$ 18,9 mil por saca). Comprado pela Ally Coffee, o lote venceu a categoria Pulped Naturals (via úmida), do Cup of Excellence daquele ano.

O pregão de Tóquio reuniu 12 lotes do Brasil e de Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua, com participação presencial e pela internet. O maior lance foi para um gesha lavado de Honduras, produzido na Finca El Puente: US$ 333 por libra-peso (US$ 44 mil por saca). 

Cada participante doou uma caixa de 10 kg, e toda a receita terá destino beneficente: metade financiará projetos sociais nas comunidades produtoras e metade, iniciativas de educação cafeeira pelo mundo. Segundo a ACE, os recursos apoiarão escolas, projetos de abastecimento de água, moradia e saúde, além de formação profissional e bolsas de estudo. 

O título Legends of Excellence, criado em 2025, reconhece produtores com resultados recorrentes no Cup of Excellence, que atualmente premia até trinta cafés por edição no Brasil.

Fazenda Sertãozinho, em Botelhos (MG), da Orfeu Cafés Especiais

Outro destaque entre os recordistas brasileiros é o café arara, resultado de décadas de pesquisa no país. A cultivar de arábica foi lançada em 2012, a partir dos trabalhos desenvolvidos pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) e pela Fundação Procafé. Um de seus principais desenvolvedores, o engenheiro agrônomo José Braz Matiello, acompanhou a seleção a partir de plantas de frutos amarelos encontradas em 1987, em uma lavoura de sarchimor no Paraná. A variedade reúne produtividade, resistência à ferrugem e qualidade de bebida.

Seguindo a tradição de apoio à pesquisa cafeeira, a fazenda Sertãozinho participou, já em 2013, dos ensaios de campo com a cultivar – uma das 28 variedades plantadas em escala comercial nas fazendas da Orfeu e entre as 35 cultivadas em suas áreas de pesquisa, segundo a empresa. Em 2017, dois araras da Sertãozinho foram premiados no Cup of Excellence – a primeira aparição da cultivar no concurso.

“Como consequência do trabalho, recebemos o reconhecimento nas premiações com o arara, como é o caso das duas vezes no Top 10 do Cup of Excellence, além das seis edições em que foi campeã de Aroma, as duas vezes como Top 10 no Coffee of The Year e as duas vezes como campeã do Região Vulcânica”, detalha Lucas Henrique Figueiredo, gerente técnico de operações agrícolas de Orfeu Cafés Especiais, em entrevista à Espresso. Segundo ele, além das características de campo do grão arara, sua notoriedade está, principalmente, no potencial de bebida que entrega. 

A presença da variedade entre os premiados se ampliou nos últimos anos. Em 2024, foram sete lotes de arara, do Cerrado Mineiro, das Matas de Minas e da Mantiqueira de Minas. Em 2025, a cultivar apareceu em 16 dos 30 lotes premiados, de seis regiões.

Em comunicado divulgado pela BSCA, Luiz Paulo afirmou que o resultado expressa o reconhecimento internacional do trabalho dos produtores e do potencial dos cafés brasileiros. 

TEXTO Cristiana Couto • FOTO Divulgação

Mercado •

Alemanha concentra um terço das importações de café da União Europeia

País se destaca como centro de processamento e redistribuição do grão, além de reunir o maior mercado consumidor de café da Europa

Por Cristiana Couto

Em 2025, a Alemanha recebeu 16,8 milhões de sacas de café (principalmente verde e torrado) vindos de fora da União Europeia, o equivalente a 34,4% do total dessas importações no bloco, segundo estudo da Federação Europeia do Café (ECF, na sigla em inglês). A Itália ocupou uma distante segunda posição, com 10,1 milhões de sacas, ou 20,7% do total.

Mais de 97% do café importado pela União Europeia chega na forma de grãos verdes, de acordo com o levantamento. Uma predominância que evidencia o papel da indústria europeia no processamento do produto antes de sua distribuição aos mercados consumidores.

A posição alemã reflete uma estrutura que vai além do abastecimento interno. O país reúne importantes portos de entrada, indústrias de processamento e uma rede de distribuição que atende a outros mercados europeus e internacionais.O estudo Economic Impact of Coffee in Europe, elaborado pela consultoria Europe Economics para a ECF e divulgado em junho de 2026, estima que a cadeia cafeeira alemã gere € 29,3 bilhões (R$ 165,4 bilhões) e sustente cerca de 517 mil empregos (dado este de 2023).

Da entrada ao processamento

Os portos de Hamburgo, Bremen e Bremerhaven desempenham papel central na entrada e na movimentação de café na Europa. Parte dos grãos recebidos segue para torrefações e outras unidades industriais alemãs; outra parcela é distribuída a países vizinhos.

A Alemanha também está entre os maiores polos europeus de torrefação. Em 2023, produziu cerca de 517 mil toneladas de café torrado, o equivalente a 8,6 milhões de sacas. A Itália apresentou volume ligeiramente superior, de 522 mil toneladas, ou 8,7 milhões de sacas.

Bremen abriga ainda duas grandes unidades de descafeinação, cada uma com capacidade superior a 1,7 milhão de sacas por ano. Além disso, o país figura entre os centros europeus de fabricação de café solúvel.

A importância alemã na redistribuição do produto aparece nas estatísticas da Organização Internacional do Café (OIC). Em 2025, o país liderou as reexportações mundiais de café, com 13,2 milhões de sacas, mais que o dobro das 5,94 milhões registradas pela Itália, segunda colocada. Países Baixos (5,14 milhões), Bélgica (4,97 milhões) e Espanha (3,29 milhões) vieram em seguida.

Entre os principais destinos das reexportações alemãs estão a Polônia, com 3,07 milhões de sacas, os Países Baixos (1,20 milhão), a França (983 mil) e os Estados Unidos (961 mil). Os volumes da OIC são expressos em equivalente de café verde e incluem diferentes formas do produto.

Um mercado consumidor consolidado

Além de seu peso comercial e industrial, a Alemanha é o maior mercado consumidor de café da Europa e o terceiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e do Brasil. Em 2025, o consumo alemão alcançou 9,59 milhões de sacas, segundo a OIC, ante 5,85 milhões na Itália e 5,84 milhões na França.

O consumo por habitante – embora, por ser um mercado maduro, cresça lentamente – foi superior ao dos dois países: 6,79 kg na Alemanha, 5,95 kg na Itália e 5,12 kg na França. Entre 2005 e 2025, o consumo alemão avançou 7,6%, de 8,91 milhões para 9,59 milhões de sacas. No mesmo período, o aumento foi de 14,3% na França e de 6,8% na Itália.

A presença do café no cotidiano alemão também se reflete nos hábitos. Segundo levantamento divulgado pelo Centro de Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI, na sigla em inglês), 89% dos alemães consomem café, e os consumidores da bebida tomam, em média, 3,4 xícaras por dia. O café filtrado permanece o preparo mais popular: 47% dos consumidores afirmam consumi-lo regularmente.

Em 2025, as vendas de café torrado no mercado alemão somaram aproximadamente 456 mil toneladas, queda de 1,5% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Alemã do Café. Apesar da retração no volume, o faturamento cresceu 23,5%, para € 8,98 bilhões (R$ 50,7 bilhões).

Grãos e novos solúveis

O mercado alemão também passa por mudanças na forma de consumo. Segundo a Associação Alemã do Café, as vendas de café em grãos inteiros cresceram 130% entre 2015 e 2025, alcançando 193,8 mil toneladas no último ano. No mesmo período, as vendas de café moído recuaram 38%.

O avanço dos grãos acompanha a difusão das máquinas automáticas que moem o café no momento do preparo. Atualmente, cerca de um em cada três domicílios alemães possui um equipamento desse tipo.

O café solúvel também apresenta novas possibilidades de consumo. Embora responda por aproximadamente uma em cada dez xícaras consumidas no país, a categoria passa a incorporar produtos de maior valor agregado, como versões especiais de café instantâneo e concentrados líquidos.

Essas transformações ocorrem em um mercado de consumo relativamente estável, mas integrado a uma das maiores estruturas de importação, processamento e distribuição de café do mundo.

Fontes: Federação Europeia do Café (ECF), Economic Impact of Coffee in Europe (2026); Organização Internacional do Café (OIC), Coffee Trade Globe (dados de 2005 e 2025); Associação Alemã do Café (2026); Centro de Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI, 2025)

TEXTO Cristiana Couto

Cafezal • Mercado •

Safra de café do Vietnã deve ficar estável

Maior produtor mundial de robusta, país tem lavouras renovadas para compensar prováveis perdas climáticas provocadas por El Niño em 2026/27

Por Reuters (Hanói)

A produção de café do Vietnã deve permanecer estável na safra 2026/27, segundo representantes do setor. O aumento da produtividade de lavouras jovens e replantadas deve compensar as perdas provocadas por chuvas excessivas e pragas em algumas áreas do Planalto Central, principal região cafeeira do país, o maior produtor mundial de canéfora.

Segundo Trinh Duc Minh, presidente da Associação de Café de Buon Ma Thuot, na província de Dak Lak, as condições climáticas afetaram desigualmente as áreas produtoras da variedade robusta, e os melhores resultados de algumas lavouras ajudam a equilibrar a oferta.

A avaliação é mais cautelosa que a previsão divulgada em maio pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). O órgão estimou uma colheita de 32,5 milhões de sacas – alta de 2,5% em relação ao ciclo anterior. Desse total, 31,4 milhões seriam de robusta, avanço de 3%.

Além da renovação das lavouras, o USDA apontou que os preços elevados de 2024/25 estimularam a expansão da área plantada e dos investimentos de empresas privadas.

A preocupação do setor, porém, é quanto à safra 2027/28. O El Niño, que costuma provocar secas no Sudeste Asiático, pode reduzir a disponibilidade de água para irrigação e comprometer a próxima colheita, embora seja cedo ainda para dimensionar as perdas.

Na província de Gia Lai, a produtora Tran Thi Mai, que cultiva 2 hectares de café, teme dificuldades para irrigar já em fevereiro. Minh também prevê abastecimento insuficiente de água e alerta para o impacto de um El Niño severo sobre a produção.

Mercado •

Safra brasileira impulsiona exportações e pressiona preços globais do café

Relatório da OIC aponta recorde dos embarques brasileiros de arábica para agosto e queda de 8,7% nos preços internacionais em setembro

Por Cristiana Couto

A chegada da nova safra brasileira ao mercado ajudou a impulsionar as exportações mundiais de café em agosto e pressionou os preços internacionais em setembro. Os embarques brasileiros de arábica do grupo dos naturais atingiram 2,92 milhões de sacas, o maior volume já registrado para um mês de agosto, segundo o último relatório, de setembro, da Organização Internacional do Café (OIC).

O volume superou os 2,26 milhões de sacas exportados pelo país em agosto de 2025 e ficou 6,6% acima do recorde anterior para o mês, de 2,74 milhões de sacas, registrado em 2020. Considerando todas as formas de café (verde, torrado e solúvel), as exportações brasileiras cresceram 34,5%, para 4,28 milhões de sacas. Foi o quinto mês consecutivo de alta na comparação anual, após uma sequência de 16 meses de retração.

O avanço brasileiro foi decisivo para o crescimento de 14,6% das exportações globais em agosto, que somaram 12,55 milhões de sacas. A América do Sul liderou a alta, com embarques de 5,98 milhões de sacas, aumento de 20,2% em relação a agosto de 2025. O Brasil respondeu, em média, por 72% das exportações da região nos cinco anos cafeeiros anteriores.

A Ásia e a Oceania também ampliaram os embarques, em 23,1% (4,03 milhões de sacas), enquanto a África e a região que reúne Caribe, México e América Central registraram quedas de 1,8% (1,74 milhão de sacas) e 14,3% (790 mil sacas), respectivamente. Apesar do crescimento expressivo em agosto, as exportações mundiais acumuladas desde outubro de 2025 avançaram apenas 1%, para 130,74 milhões de sacas.

Preços e consumo mais baixos

A maior disponibilidade de café brasileiro e a expectativa de oferta abundante contribuíram para a queda dos preços em setembro. O indicador composto da OIC, que acompanha os preços internacionais do café verde, recuou 8,7% em relação a agosto, para uma média de 262,18 centavos de dólar por libra-peso. Entre os grupos acompanhados pela organização, o dos arábicas naturais brasileiros teve a maior baixa, de 9,9%. Os robustas recuaram 7,3%.

A OIC também aponta uma expectativa de retração do consumo mundial em 2025/26, além de um superávit de 3 milhões de sacas, após quatro anos de déficit, como fatores de pressão sobre os preços. A folga, porém, é limitada: equivale a menos de uma semana de consumo global, segundo a organização.

Os baixos estoques certificados de arábica e as incertezas climáticas, porém, limitaram a queda dos preços. Em setembro, as chuvas favoreceram a floração dos cafezais brasileiros para a próxima safra, mas o calor no fim do mês e a continuidade das precipitações em outubro permaneceram no radar. Na América Central, o risco de seca em Honduras e na Nicarágua trouxe preocupação com a oferta de arábicas lavados.

Segundo o relatório, a entrada de café brasileiro também pode ajudar a recompor os estoques certificados de arábica, que, em meados de setembro, chegaram ao menor nível desde 1999.

Robustas em alta

Quanto aos embarques de café verde, os robustas deram a maior contribuição para o crescimento mundial em agosto, seguidos pelos arábicas naturais brasileiros. As exportações globais de robusta aumentaram 22,4%, para 4,36 milhões de sacas, impulsionadas principalmente pelo Vietnã e pelo Brasil. Os dois países embarcaram, respectivamente, 1,78 milhão e 960 mil sacas, altas de 69,2% e 54,9% em relação a agosto de 2025.

Nos primeiros 11 meses do ano cafeeiro 2025/26, de outubro a agosto, as exportações mundiais de robusta somaram 45,59 milhões de sacas, um avanço de 11,8%. Desse total, 5,29 milhões de sacas foram embarcadas pelo Brasil.

As exportações mundiais de arábica também cresceram em agosto, em 11,6%, para 6,58 milhões de sacas. O avanço, contudo, foi menor que o dos robustas. No acumulado dos primeiros 11 meses do ano cafeeiro, a participação dos arábicas nos embarques de café verde caiu de 63,5% para 59,6%, informa o relatório da OIC.

O grupo dos arábicas naturais brasileiros exportou 3,57 milhões de sacas em agosto, alta de 21,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar da recuperação, foi apenas o segundo mês de crescimento nos últimos 11 meses, na comparação anual. No acumulado do período, os embarques do grupo ainda recuaram 11,6%, para 33,24 milhões de sacas.

As exportações mundiais de café solúvel cresceram 8,1% em agosto, para 1,56 milhão de sacas, em relação a 1,44 milhão no mesmo mês de 2025. O Vietnã liderou os embarques no mês, com 430 mil sacas. No acumulado de outubro a agosto, o produto representou 12,6% do volume total exportado.

Na produção mundial, os robustas também vêm ganhando espaço. A OIC estima que sua participação tenha alcançado 43,1% no ano cafeeiro 2025/26, diante de uma média de 41,7% nos dois anos anteriores. Segundo a organização, essa maior presença, os preços relativos de arábicas e robustas e mudanças nas preferências de parte dos consumidores podem ajudar a explicar a nova composição das exportações.

TEXTO Cristiana Couto

Cafezal • Mercado •

Conheça os campeonatos e premiações da SIC 2026

Do Coffee of the Year ao Campeonato Brasileiro de Barista, o evento sedia algumas das principais competições do universo do café no Brasil

Entre os maiores destaques da Semana Internacional do Café (SIC) este ano, estarão algumas das principais competições do universo do grão no Brasil. O evento, que acontece na Expominas, em Belo Horizonte (MG), volta a reconhecer na edição de 2026 produtos e profissionais que integram toda a cadeia produtiva e comercial do café.

Ao longo da programação, entre os dias 11 e 13 de novembro, produtores, baristas, torrefadores, classificadores, além de marcas e profissionais do setor, terão oportunidades para demonstrar excelência, compartilhar conhecimento e ampliar sua visibilidade no mercado nacional e internacional.

Veja a seguir as principais premiações que acontecem na SIC este ano e que, além de revelar novos talentos e consolidar projetos de sucesso, ajudam a valorizar diferentes origens e a fortalecer a inovação na cafeicultura brasileira.

Coffee of the Year

A premiação reconhece alguns dos melhores cafés do Brasil, que se destacam pela qualidade e diversidade, valorizando diferentes origens e produtores brasileiros. Criado em 2012, o Coffee of the Year contempla arábica e canéfora, as duas principais espécies produzidas no país, aproximando os cafés finalistas de compradores, torrefadores e profissionais do mercado por meio das Salas de Cupping da SIC.

Premiação Coffee of the Year em 2025

Espresso Design

Em sua 8ª edição, o concurso de embalagens destaca a importância do design na construção e na promoção da identidade das marcas de café. Promovida pela Revista Espresso, a iniciativa valoriza criatividade, conceito, identidade visual e soluções que contribuem para a experiência do consumidor. Ao longo dos dois primeiros dias da SIC, o público poderá votar em uma das 20 embalagens expostas no evento, aproximando profissionais de café e design e apresentando ao mercado tendências para a comunicação do produto.

Golden Cup Brasil

O evento premia os melhores cafés Fairtrade de pequenos produtores e produtoras de diferentes regiões do país, que seguem padrões de comércio justo. Realizado pela Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Comércio Justo (CLAC), em parceria com a BRFAIR, o concurso dá visibilidade às pequenas cadeias produtivas de cafés arábica e canéfora, estimulando a melhoria contínua da qualidade, a sustentabilidade e a agregação de valor à produção.

Florada Premiada

No Ano Internacional da Mulher Agricultora, a SIC sedia um dos principais concursos do país dedicados às mulheres cafeicultoras, promovido pelo Grupo 3corações, em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). Ao reconhecer a qualidade dos cafés arábica e canéfora produzidos por mulheres, a premiação chega à sua 9ª edição fortalecendo o protagonismo delas na produção brasileira, com mais de 50 pontos de coleta de amostras em regiões produtoras do Brasil.

Premiação Florada Premiada em 2025

Torrefação do Ano Brasil

A competição dedicada à qualidade e consistência da atividade propõe aos participantes desenvolver um perfil próprio de torra a partir de um mesmo lote de café verde. Organizada pela Atilla, a 5ª edição do Torrefação do Ano Brasil reúne representantes de diferentes regiões do país em uma etapa decisiva, que acontece durante a SIC.

Campeonato Brasileiro de Blends de Café

A competição valoriza o conhecimento técnico e a criatividade de profissionais envolvidos na criação de blends, destacando o trabalho de classificadores, degustadores e mestres de torra. A final do campeonato, criado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), ocorre na SIC e vai avaliar o trabalho dos profissionais na combinação de diferentes cafés para a construção de perfis sensoriais equilibrados e consistentes.

Campeonato Brasileiro de Barista

Maior competição de baristas do Brasil, o evento realizado pela BSCA reúne na SIC profissionais de diferentes regiões do país. Os participantes precisarão preparar espressos, bebidas com leite e drinques autorais, em uma disputa que reconhece os profissionais de destaque do barismo nacional. O campeonato funciona como etapa de qualificação internacional, levando o campeão brasileiro ao Mundial de Barista.

Premiação Campeonato Brasileiro de Barismo (categoria Latte Art) em 2025

Concurso NossoCafé

A iniciativa destaca produtores que dedicam atenção específica à qualidade e ao cuidado na produção de cafés especiais, valorizando o trabalho no campo e a adoção de boas práticas de manejo e nutrição, que contribuem para o desenvolvimento sustentável da cafeicultura. Promovido pela Yara, empresa global de nutrição mineral de plantas e soluções agrícolas sustentáveis, o concurso, além de premiar os produtores, fortalece a conexão entre qualidade, conhecimento técnico e valorização da origem.

Prêmio ATeG

A premiação, promovida pelo Sistema CNA/Senar e destacada pelo Sistema Faemg Senar, reconhece todo ano produtores rurais, técnicos de campo e supervisores que se destacam pelos resultados de produtividade e gestão no campo. O objetivo é valorizar a transformação de propriedades rurais, por meio da orientação técnica e gerencial, em negócios mais eficientes e sustentáveis.

Serviço
Semana Internacional do Café
Quando: 11 a 13 de novembro, das 10h às 19h
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.200 — Gameleira — Belo Horizonte, MG)
Mais informações e credenciamento: https://semanainternacionaldocafe.com.br/

TEXTO Equipe Espresso • FOTO NITRO/Semana Internacional do Café