Café & Preparos

Porque o futuro do café é gelado

Com o café gelado ganhando espaço como escolha favorita entre os consumidores mais jovens em todo o mundo, será que as bebidas quentes estão com os dias contados? Nesta reportagem, Tobias Pearce, editor da revista 5thWave, viajou até as fronteiras congeladas da inovação na indústria do café para descobrir como as bebidas geladas terão um impacto profundo no futuro do setor.

Por Tobias Pearce

Como a maior rede de cafeterias do mundo, com mais de 40 mil lojas, a Starbucks costuma ser vista como um termômetro das tendências globais do café. Mas para os fãs de clássicos quentes – como cappuccinos, lattes e flat whites –, uma nova onda fria vem surgindo.

Em agosto de 2021, o então CEO da Starbucks, Kevin Johnson, revelou que as vendas de bebidas frias tinham superado com folga as de bebidas quentes nas lojas próprias dos Estados Unidos, respondendo por 74% do total de bebidas vendidas no terceiro trimestre fiscal – uma tendência que só se consolidou desde então.

Em 2022, a Starbucks Coreia relatou que 76% de todas as bebidas vendidas foram frias, incluindo 60% durante o inverno de 2021–2022. “Na Europa, o café gelado é a categoria que mais cresce”, afirmou em 2023 Fernando Albarrán, gerente de marca da Starbucks Espanha.

Na região mais ampla do Oriente Médio e Norte da África (MENA), quase 40% de todas as bebidas da Starbucks são servidas frias, e esse número continua a subir.

Nos Estados Unidos, em particular, observou-se uma mudança significativa rumo ao café gelado e às bebidas frias na última década, impulsionada pela popularidade do cold brew e das versões ready-to-drink (RTD). Segundo pesquisa da World Coffee Portal, 42% dos consumidores de cafeterias norte-americanas entrevistados em 2024 compraram café gelado semanalmente, e 18% o fizeram diariamente. Quando convidados a escolher sua bebida favorita em uma cafeteria, 30% dos consumidores dos EUA citaram o café gelado – logo atrás do café puro, com 36%.

Em 2023, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 17,7 bilhões com cafés frios fora de casa – incluindo café gelado, cold brew e drinques de café gelados –, mais que o dobro dos US$ 8,5 bilhões registrados em 2016, segundo a consultoria de food service Technomic.

“Hoje, o RTD é o segmento mais empolgante da indústria do café”, diz Todd Carmichael, fundador visionário da La Colombe Coffee Roasters e inovador em cafés gelados, que percebeu a chegada dessa nova era há mais de uma década. “Quando fundei a La Colombe, em 1994, todo mundo achou que eu estava arruinando a minha vida!”, lembra Carmichael. Trinta anos depois, ele colhe uma fortuna milionária – em grande parte graças ao boom do café gelado que ele ajudou a provocar com o lançamento do cold brew nos Estados Unidos.

“Fui o primeiro cara a fazer cold brew e vendê-lo comercialmente”, recorda. “Lembro de ter enviado umas cinco caixas para uma loja da Whole Foods perto de casa – foi o primeiro cold brew vendido na América. Quando, em poucos dias, o lote acabou, percebi que não seria o único nesse mercado.”

A La Colombe também foi pioneira no latte ready-to-drink, lançado em 2017. “Sabíamos que o leite texturizado seria tendência, e eu queria pegar o cardápio de uma cafeteria e transformá-lo em algo portátil – cappuccinos, lattes, americanos, todos eles.”

Sobre o sucesso comercial das bebidas frias, Carmichael fornece um dado impressionante: “Antes do draft latte [latte tirado sob pressão, criado pela La Colombe] eu diria que a La Colombe valia uns US$ 75 milhões. Alguns anos depois, a oferta foi de US$ 900 milhões – isso foi o que o draft latte trouxe.”

A intuição de Carmichael de que o café gelado viraria um sucesso nos Estados Unidos estava correta. Em julho de 2023, a Keurig Dr Pepper – parceria da JAB Holding criada para impulsionar o café nas categorias de energéticos e refrigerantes – adquiriu uma participação minoritária de US$ 300 milhões na La Colombe, em um acordo que incluía licenciamento de longo prazo para produtos RTD e cápsulas. Menos de seis meses depois, a empresa foi comprada pela gigante americana de laticínios Chobani por US$ 900 milhões.

Nesse mesmo ano, a Westrock Coffee inaugurou em Conway, no Arkansas, uma fábrica de US$ 315 milhões dedicada à produção de café pronto para beber – a maior do tipo no mundo, segundo relatos.

Como observou Nick Stone, fundador da Bluestone Lane, em sua participação no programa Gordon Ramsay’s Food Stars, em 2023: “Se você não tem bebidas frias, está perdendo uma grande oportunidade.”

Efeito bola de neve

As redes sociais desempenharam um papel central na promoção do café gelado entre novos públicos ao redor do mundo. Nos Estados Unidos, a estrela da internet Emma Chamberlain construiu um império de US$ 22 milhões com sua marca Chamberlain Coffee, impulsionado, sobretudo, pelo enorme apelo do café gelado entre seus 12,1 milhões de assinantes no YouTube.

Enquanto isso, o TikTok já acumula mais de 244 milhões de vídeos sobre café gelado, exaltando as virtudes de tendências virais como café gelado com água de coco, latte gelado de pistache e Biscoff iced coffee.

Mas as bebidas geladas vão muito além de um simples deleite visual para smartphones. Na verdade, essa “compartilhabilidade” está enraizada em uma tendência mais ampla de indulgência entre os consumidores da geração Z, observa Ahmed Mahla, torrefador-chefe do Spicekix Coffee Lab, torrefação de cafés especiais sediada em Roterdã, na Holanda. “Um dos principais motivadores para os jovens consumidores de café é o que chamo de ‘momento de micro-luxo’. Eles podem não ter condições de comprar uma casa ou um carro novo, mas querem se permitir uma bebida especial”, diz Mahla.

A pesquisa da World Coffee Portal também informa que 49% dos líderes da indústria europeia entrevistados em 2025 identificaram o café gelado como o produto com maior potencial de crescimento em seus mercados de cafeterias – e 9% afirmaram que ele possui “potencial máximo”. “Essa bebida social faz parte de um ritual, em que as pessoas querem ver o barista preparar o pedido passo a passo, não apenas apertar um botão. Sim, elas pagam de 8 a 10 euros, mas não é só pela bebida – é por essa experiência de micro-luxo”, completa Mahla.

Um vento que sopra do Leste

Do tradicional café vietnamita à espuma fria e à febre do dalgona coffee, muitas tendências de bebidas geladas nasceram na Ásia – com China, Coreia do Sul e Japão atuando como verdadeiros incubadores de inovação no café frio.

Em 2022, o CEO da Starbucks Coreia, Son Jung-hyun, falou em uma “nova potência das bebidas geladas”, extremamente popular entre consumidores millennials e da geração Z. Naquele ano, o vanilla cream iced coffee [espresso, leite cremoso e toque de baunilha] e o cold brew registraram crescimento de mais de 40% nas vendas da Starbucks Coreia. As infusões geladas também tiveram forte demanda – o aurora chamomile relaxer [chá gelado sazonal, de camomila e frutas] vendeu 10 milhões de copos em dois anos.

Atualmente, tendências como o café infusionado com frutas dominam as redes sociais em todo o planeta. Na China, as redes M Stand e Seesaw Coffee oferecem linhas populares de café com polpa de frutas e café infusionado com grapefruit. A mesma coisa acontece com as redes indonésias Janji Jiwa e Kopi Kenangan, que têm cardápios extensos de cafés infusionados com frutas.

Na ponta mais curiosa desse espectro gelado, o latte gelado com cebolinha é a tendência mais recente na China – dados da World Coffee Portal indicam que mais de 60% dos consumidores do país compram café gelado ao menos uma vez por semana.

Essas bebidas especiais são apenas a ponta do iceberg de uma categoria que há muito domina as vendas das redes de cafeterias em todo o leste asiático. Na Flash Coffee, que opera 60 lojas na Indonésia, cerca de 90% de todas as bebidas vendidas são servidas frias ou geladas, e quase metade do cardápio de cafés está disponível somente na versão gelada.

O CEO da empresa, Bardon Matthew, atua na indústria indonésia de café há mais de 20 anos. Começou a carreira como barista da Starbucks na Indonésia e depois ocupou cargos de gerente regional na Starbucks e na Krispy Kreme, na Malásia. Recentemente, foi vice-presidente de operações da Fore Coffee, onde, como no restante do mercado, as vendas de cafés gelados também predominavam. “Na Fore Coffee, era bem parecido – provavelmente 85% das bebidas eram geladas”, revela Matthew.

“Em um mercado tropical como o indonésio, as bebidas geladas são favoritas o ano inteiro”, conta Tempest Larrichia, diretora de marketing da Flash Coffee. “Diferentemente dos mercados em países de clima temperado, onde a demanda varia conforme as estações, nossas vendas de bebidas frias permanecem altas o tempo todo. Há um pequeno aumento apenas em períodos muito quentes e secos ou em datas festivas, quando lançamos edições limitadas com sabores refrescantes, como nossos drinques de coco para o verão de 2024”, completa.

O sabor do mês?

Seja misturando frutas frescas, álcool ou água tônica, o café gelado abre espaço para uma experimentação de sabores impossível nas preparações quentes convencionais. Em abril de 2025, a competição Lavazza Barista Challenge reuniu 17 baristas e mixologistas de diversos países, desafiando-os a criar, exclusivamente, bebidas frias tendo como base o tradicional espresso.

A bebida vencedora, criada pelo grego George Nikolopoulos, combinava xarope de laranja e tomilho com licor de cereja e vermute, demonstrando o enorme potencial da mixologia no segmento de cafés gelados. “As bebidas frias oferecem muito mais possibilidades: dá para adicionar sabores como manga, morango ou framboesa ao matcha latte, por exemplo. Chai, chás gelados e coquetéis também são mais fáceis de preparar frios. Já com bebidas quentes, geralmente é só o latte”, explica Vicky Ceulemans, fundadora da Bodhi Drinks, fornecedora holandesa de chás, matcha e chai premium.

No Reino Unido, onde o clima frio e úmido prevalece na maior parte do ano, as vendas de bebidas geladas sempre dependeram dos meses mais quentes, entre maio e setembro. Embora o café com gelo ainda não tenha alcançado a popularidade que tem nos EUA, na China ou na Coreia do Sul, a categoria fria está se tornando rapidamente um item essencial para as cafeterias britânicas.

A rede Caffè Nero, que opera mais de 630 lojas no país, mostra como o café gelado deixou de ser apenas uma campanha sazonal de verão para representar 10% do total das vendas de bebidas. “Essa categoria cresceu significativamente nos últimos anos”, afirma o CEO da Caffè Nero, Will Stratton-Morris. “A popularidade do café gelado fez com que ele deixasse de ser um item de verão e se tornasse presença permanente no nosso cardápio o ano todo.”

Para Stratton-Morris, “não há dúvida” de que o café gelado já é a norma para muitos clientes, especialmente os da geração Z e menores de 30 anos. “Saímos na frente com o latte gelado de pistache. Ele foi lançado por tempo limitado, mas fez tanto sucesso que hoje está incorporado ao nosso menu anual”, afirma.

O grupo Caffè Nero também vem surfando essa onda gelada. Em fevereiro de 2024, a rede Coffee#1, com sede em Cardiff, capital do País de Gales (Reino Unido), comemorou o sucesso das bebidas frias, que aumentaram o tíquete médio e impulsionaram em 19% o crescimento semestral das vendas, alcançando £29,5 milhões (US$ 37,3 milhões).

Em outubro de 2024, a Greggs, rede britânica de padarias de preço acessível, atribuiu 10,3% do crescimento em suas vendas do terceiro trimestre à sua linha de bebidas geladas. Da mesma maneira, a rede especializada em robusta especial Black Sheep Coffee e a americana Blank Street colocaram os cafés gelados no centro de suas campanhas no Reino Unido, do início da primavera até o fim do outono, e seguem promovendo essas bebidas até mesmo durante o inverno.

Dados do World Coffee Portal mostram que o gasto médio com bebidas frias em cafeterias do Reino Unido subiu de £3,88 para £3,99 entre 2023 e 2024, o que reforça a disposição dos consumidores britânicos em reservar gastos para bebidas geladas indulgentes. O estudo também destaca a importância dos jovens na expansão da categoria: 66% dos consumidores britânicos com até 35 anos afirmam comprar uma bebida gelada ao menos uma vez por semana.

O conforto do cold brew

Em um mercado globalizado de café, onde os consumidores parecem já ter visto de tudo, o cold brew surge como ponte entre os puristas do café especial e uma nova onda de interesse por adição de sabores. Mas, segundo Todd Carmichael, fundador da La Colombe, embora o cold brew tenha um potencial enorme, a indústria do café ainda não explorou devidamente o que ele tem a oferecer. “Atualmente, ainda vivemos o que chamo de ‘cold brew 1.0’ – extrações básicas, perfis genéricos e pouca diferenciação. É praticamente o mesmo produto que bebíamos há dez anos, só que em outro recipiente. Mas o cold brew é um formato poderoso: limpo, intenso, de baixa acidez e naturalmente propício a inovações funcionais, complexidade de sabor e novos sistemas de preparo.”

Mas será que o café especial, com seu foco em origem e terroir, consegue dialogar com essa nova geração de bebidas aromatizadas e geladas? A julgar pelo debate recente sobre cofermentação, a relação tende a ser complexa. Mesmo o cold brew, que costuma ser uma interseção entre o café especial e as bebidas indulgentes, não escapa das críticas. “Falando honestamente, o cold brew é muito genérico – parece mais uma substância semelhante à cerveja”, disse o lendário especialista George Howell à 5thWave, em 2023. “Não reflete o terroir nem as nuances do grão, e ainda o vendem com ‘baixa acidez’. Tente imaginar um vinho sem acidez, ou um morango sem acidez. É brincadeira!”, exclama.

Ainda assim, é impossível negar o enorme potencial da categoria, tanto para os puristas quanto para os inovadores. Em entrevista à 5thWave, em março de 2025, a barista e influenciadora britânica Celeste Wong expressou sua esperança de que o café especial se torne mais acessível e experimental. “O café especial sempre foi criticado por ser esnobe ou elitista – aquele barista clássico que diz que você não deve colocar açúcar no café ou que só serve o café puro ou com leite. Eu comecei a pensar em outras perspectivas, adicionando novos sabores”, contou ela, ao falar sobre seu novo livro, Coffee Creations.

Essa também é a visão de futuro que Todd Carmichael quer abraçar. “Estou realmente empolgado com o cold brew do futuro, um ponto de encontro entre inovação e propósito. Falo de integrar novos métodos de preparo, cascatas de bolhas de gás que vão além da estética, tecnologias para adoçantes naturais, infusões focadas em sabor e protocolos aprimorados de extração. Há muito espaço a ser ocupado. Falta alguém dar o próximo passo e construir o ‘cold brew 2.0’. Penso nisso todos os dias”, afirma.

Café: mais descolado do que nunca

Com um potencial ilimitado para experimentação de sabores e enorme popularidade entre a nova geração de consumidores de café, o café gelado é a nova fronteira da inovação em bebidas – um território que a indústria do café está apenas começando a explorar.

Seja em frapês, lattes gelados, matcha, bubble tea, cafés com infusão de frutas ou coquetéis servidos em redes de cafeterias, estabelecimentos independentes ou em latas de RTD, o café gelado está em toda parte. Para os negócios no setor que buscam sucesso a longo prazo, a regra é clara: vá de gelado ou vá pra casa.

Texto originalmente publicado na edição #90 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Tobias Pearce (5THWAVE)

Cafezal

Brasil é finalista do prêmio de sustentabilidade da SCA 2026

A Specialty Coffee Association (SCA) anunciou os finalistas do 2026 Sustainability Awards, um dos reconhecimentos mais prestigiados da indústria global de cafés especiais. O Brasil conta com dois nomes na lista da categoria For-Profit (com fins lucrativos): a Fazenda Califórnia, no Norte Pioneiro do Paraná, e a SMC Specialty Coffees, empresa com sede em Guaxupé (MG) e que opera como a divisão de cafés especiais da Cooxupé. Ambas são integrantes da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

“A SMC tem a sustentabilidade como base de sua atuação”, destaca Yana Guimarães, coffee trader da SMC. Além de projetos voltados para promoção da equidade de gênero no setor, o destaque vai para o Protocolo Gerações, um programa interno da Cooxupé/SMC que garante a aplicação de princípios ESG nas propriedades cooperadas. “Ele foi o primeiro programa de uma cooperativa aprovado pelo mecanismo de equivalência da Global Coffee Platform (GCP), que verifica padrões de governança, confiabilidade de dados e declarações de sustentabilidade dentro dos sistemas de produção de café”, explica.

A Fazenda Califórnia, por sua vez, chama a atenção na transição de um sistema degradado para um modelo de agricultura regenerativa, que inclui o reflorestamento da Mata Atlântica e a proteção de recursos hídricos. Segundo o documento entregue para a premiação, a propriedade também investe em inovação científica em parceria com universidades, com o objetivo de aprimorar pesquisas sobre fermentação e microbiologia, além de ativar promoções de impacto social por meio de programas de educação ambiental para crianças e capacitação técnica de funcionários.

O prêmio celebra empresas e projetos que inovam, colaboram e impactam positivamente a cadeia de valor do café, enfrentando desafios climáticos e sociais de forma replicável. A escolha dos finalistas pela equipe técnica da SCA filtrou projetos capazes de compartilhar lições para o benefício do setor. Há, também, premiação para a categoria Non-Profit (sem fins lucrativos).

Os finalistas serão, agora, avaliados por um painel composto pelos vencedores de edições anteriores do prêmio. Os vencedores de 2026 serão anunciados nas próximas semanas e homenageados oficialmente durante a World of Coffee, entre 18 e 20 de abril, em San Diego (EUA).

TEXTO Redação

Cafezal

Serra de Baturité (CE) conquista IG para o café

Reconhecimento, na modalidade indicação de procedência (IP), reforça tradição cafeeira centenária do maciço cearense e destaca modelo de produção sombreada em sistema agroflorestal

O café da Serra de Baturité, no Ceará, acaba de conquistar o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP).

O anúncio foi feito em 3 de março, dias depois da conquista do mesmo registro pela região cafeeira da Chapada de Minas. Com isso, o Brasil passa a somar 23 Indicações Geográficas reconhecidas para cafés.

A cerca de 100 km de Fortaleza, e encravada em uma área preservada de 32 mil hectares com remanescentes de Mata Atlântica, a Serra de Baturité — também conhecida como Maciço de Baturité — situa-se no centro-norte do Ceará e abriga 13 municípios (veja abaixo) que agora fazem parte da delimitação oficial da IG.

A região, montanhosa e de clima ameno e úmido, cultiva arábica desde o século XIX. Desde sua introdução no estado, o café impulsionou o desenvolvimento de cidades como Baturité, Guaramiranga e Pacoti.

Segundo o historiador Leonardo Norberto de Morais, em artigo sobre a região para o periódico Centúrias, políticas intervencionistas implementadas pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) nas décadas de 1960 e 1970 tiveram impactos negativos sobre o cultivo tradicional do grão na Serra de Baturité.

Após esse período de retração, a produção foi gradualmente reestruturada com foco na sustentabilidade. Hoje, a região é conhecida pelo cultivo de café sombreado, em um modelo que integra lavoura e floresta.

Para receber o selo Café da Serra de Baturité, o café arábica deve ser cultivado em sistema agroflorestal e colhido de forma manual e seletiva.

Conheça os municípios da IP Serra de Baturité

Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia e Redenção.

Saiba a história do café na Serra de Baturité

O café arábica chegou à Serra de Baturité em 1822. A boa adaptação do cultivo à região montanhosa, de clima ameno e úmido, favoreceu a fixação dos primeiros cafeicultores.

Nas primeiras décadas, o cultivo se expandiu e era comum que propriedades cafeeiras mantivessem engenhos de farinha de mandioca e açúcar.

No auge da produção serrana, entre as décadas de 1840 e 1910, os ganhos com a exportação do grão muitas vezes superaram os obtidos com o algodão, outro produto relevante do sertão cearense.

A partir dos anos 1870, a Estrada de Ferro de Baturité passou a escoar o café das serras para Fortaleza, de onde seguia para exportação à Europa.

O esgotamento dos solos, o cultivo a pleno sol e o desmatamento levaram à retração da cafeicultura local, posteriormente retomada com o cultivo sob sombra de árvores.

Essa prática — com plantio consorciado de frutíferas e outras culturas de subsistência — manteve a tradição cafeeira na Serra de Baturité até as intervenções do IBC, nas décadas de 1960 e 1970.

As políticas de modernização da época previam a erradicação de cafezais considerados “improdutivos” e incentivavam a diversificação agrícola e a renovação das lavouras, com foco no aumento da produtividade.

Fonte: Leonardo Norberto de Morais, “A partir do café, para além dele”,  Centúrias, n. 1. v. 3, 2023.

TEXTO Redação

Em Medellín, técnica é hospitalidade

Em dez dias pela cidade colombiana, entre compromissos de trabalho e conversas de balcão, o mixologista da Kerry Thiago Nego descreve uma cena de cafés onde o método é respeito – tanto pelo sabor quanto pelo cliente

Foto: Jimmy Woo/Unsplash

Por Thiago Nego

Cheguei a Medellín, no fim de janeiro, com duas missões. A primeira era montar e inaugurar o centro técnico de cocriação da Kerry na cidade. A segunda era confirmar, pela xícara, o país que formou meu imaginário de bons cafés no início da minha carreira. 

Depois de um voo longo e uma conexão mais longa ainda, tudo o que eu queria era um café em terra firme. Não precisava ser uma bebida de alta qualidade, bastava que fosse bem feita. O primeiro café que peguei, ainda no aeroporto, produziu um sorriso automático: temperatura palatável, aromas nítidos. Primeiro gesto, grande recado: respeito pela extração e pela experiência.

Para um estrangeiro, que passou os últimos 25 anos criando bebidas e se tornou obcecado por temperatura, textura, acidez e dulçor – como um músico que afina seu instrumento – dez dias são insuficientes, parciais. Mas conheci muita coisa, que compartilho a seguir. 

El Laboratorio de Café: quando a xícara explica a casa

A torrefação e cafeteria El Laboratorio de Café, com várias lojas pela cidade, é conhecida por focar em grãos nacionais. Conheci três das unidades: no shopping El Tesoro, na entrada do Museu de Antioquia, na Praça Botero, no centro –  sim, degustar café diante de uma das mais de 20 esculturas de Botero espalhadas pelo espaço funciona – , e numa rua tranquila da zona industrial de Medellín.

Foto: Thiago Nego

Todas mantiveram o padrão da bebida, com várias opções de filtrados e cujas variedades de arábica ficam armazenadas em potes, à vista dos clientes: provei um filtrado da Finca El Tigre, de Urrao, Antioquia (notas suaves que, ao esfriar, remeteram à maçã madura, limão‑siciliano e floral, com cremosidade surpreendente), um café filtrado da Finca La Viviana (dulçor cremoso que lembrou mel e coco) e o Blue Mountain, também filtrado (geleia de frutas vermelhas). 

A temperatura de serviço é correta para as bebidas servidas tanto em copo de papel quanto em porcelana, e o método de preparo é replicado com precisão: aqui, a técnica não aparece como um show, mas é fruto de uma calibragem cuidadosa. Na unidade da zona industrial, o ambiente é simples e funcional, com mesa compartilhada, sacas à vista e vitrine com algumas opções de comidinhas. 

Mesma receita, assinaturas distintas

Ao circular por outras cafeterias e torrefações, notei um padrão interessante: mesmo método, técnicas distintas. Muda-se o ritmo de vertida, turbulência, o tempo de blooming, a moagem e a temperatura e, assim, cada estabelecimento imprime sua assinatura. É o maior marcador de maturidade do setor no país: o processo como linguagem.

No copo, isso se traduz em cítricos limpos, florais sutis e bem delineados, e, algumas vezes, pêssego com aquela suculência cremosa de fruta no ponto. Em paralelo, a cultura do café gelado está assumida: cold brew e afins circulam sem estranhamento, convivendo com o coado da hora e o espresso – realidade que ainda oscila no Brasil, mas em Medellín parece naturalizada.

Um dos exemplos foi a torrefação e cafeteria Típica, que tem uma comunicação bem resolvida e cujas embalagens evidenciam lotes com perfis marcantes. 

Informação de respeito 

Outro ponto alto é o cuidado com as embalagens de café. Texturas agradáveis ao toque, cores que comunicam marca e origem e, o mais importante, informação técnica relevante, como variedade, produtor e perfil de torra, por exemplo, na frente do pacote. Para quem trabalha com educação sensorial, isso empodera o cliente e dá contexto à experiência.

Supermercados surpreendem

Não foram só as cafeterias de Medellín. Mercados de bairro têm gôndolas fortes em cafés, com uma curva de preço-qualidade coerente, inclusive de rótulos populares. Comprei alguns cafés (Juan Valdez e outros de regiões produtoras), e vários viraram meus companheiros de hotel, enquanto trabalhava à noite. Sinal de que a qualidade média do café na cidade é alta e distribuída.

Comuna 13: café como símbolo de recomeço

Foto: Thiago Nego

Visitei a Comuna 13, bairro antes dominado pelo narcotráfico e que se tornou ponto turístico, ou seja, que transformou a dor em acolhimento. Ali, entre escadarias, grafites e música, encontrei uma microtorrefação local, a Waikao de la 13, com cafés especiais e técnica zelosa. Ter torra e o serviço de café como expressão cultural num território que se reergueu explica melhor Medellín do que qualquer slogan. É café como pertencimento.

Cocriação com responsabilidade sensorial

Estive na cidade para inaugurar o centro técnico de cocriação da Kerry, um espaço onde P&D encostam no balcão. Defendo a ideia há décadas: inovação não é aroma por decreto; é responsabilidade sensorial. Medellín reforçou esta tese. Quando temperatura, método e narrativa se alinham, é possível prototipar bebidas – incluindo as sem ou com baixo teor alcoólico, a cáscara, as infusões, nitros e texturas a frio  – sem mascarar o café, mas revelando-o. 

Dez dias e algumas lições

Dez dias é pouco tempo para “mapear a cena” de café em Medellín. Ainda assim, trouxe comigo três aprendizados. O primeiro é o de que temperatura é hospitalidade. A consistência de serviço protege aroma, evita choque térmico e convida ao gole. O segundo é que o método é linguagem: o mesmo v60 carrega assinaturas distintas e isso diferencia marcas sem “pirotecnia”. A terceira lição é a de que informação vende qualidade: embalagem e rotulagem educam, valorizam produtor e destravaram a conversa com o consumidor.

Medellín gosta de receber. Do Museu de Antioquia às ruas cheias de bares e restaurantes, da limonada clássica à limonada de coco, do chocolate com queijo às conversas fáceis, a cidade te envolve. Voltei ao Brasil com vinte pacotes de café na mala, uma degustação memorável com baristas amigos e a vontade de retornar logo à cidade colombiana.

Thiago Nego dos Santos é mixologista sênior da Kerry. Tem 26 anos de experiência no mercado de bebidas e atende redes de alimentação e indústria de bebidas da América Latina. 

TEXTO Thiago Nego

Cafezal

Plantio de café renasce na Argentina

A Argentina vem ampliando discretamente sua presença no mapa mundial do café ao apostar no cultivo de arábica em pelo menos cinco de suas províncias. Duas delas somam cerca de 58 hectares — Salta lidera, com 35 hectares, seguida de Tucumán, com 23 —, mas há plantios experimentais em Misiones, Corrientes e Jujuy, além de testes em andamento em Catamarca, La Rioja, Córdoba e Entre Ríos.

Em Tucumán, o governo municipal lançou, em setembro, um programa voltado à diversificação agrícola, direcionado a viveiros e a cerca de 30 produtores, para instalar lavouras das variedades bourbon e gesha. Em paralelo, Misiones conduz ensaios-piloto de café plantado em sistemas agroflorestais com cultivares de arábica.

Mas o café já tem história no país. Registros apontam cultivo em Tucumán ainda na década de 1880. Nos anos 1970, um programa estatal incentivou seu plantio em sistemas agroflorestais em Salta, Jujuy e Misiones, mas, nos anos 1990, as lavouras argentinas foram abandonadas.

Agora, as mudanças climáticas estão alterando o mapa agrícola e permitindo testar o café em pequenas áreas subtropicais. Segundo reportagem de setembro do Clarín, o ressurgimento da cafeicultura é visto pelo governo como oportunidade de geração de empregos rurais e, no longo prazo, como forma de reduzir a dependência de importações — em 2023, o país gastou US$ 109 milhões para importar café do Brasil, segundo a OEC (Observatório da Complexidade Econômica). Ainda de acordo com o diário, o único café plantado e comercializado atualmente no país é o Baritú, produzido nas yungas (florestas densas e úmidas) de Orán, ao norte de Salta, e vendido em duas cafeterias locais.

Apesar do estágio inicial — com volume reduzido e regularidade de safra ainda incerta —, o movimento ganha relevância. A Argentina projeta ter, em poucos anos, 8 mil hectares de café em Tucumán e arredores. Entre os desafios estão a seleção genética adaptada ao novo terroir, o manejo pós-colheita e a construção de uma cadeia de valor para cafés especiais.

TEXTO Redação

Cafezalsustentabilidade

OIC lança campanha para destacar papel do café no combate a desafios globais

Estratégia de comunicação para 2026 busca posicionar o café como vetor de desenvolvimento e parte das respostas a questões sociais e ambientais

A Organização Internacional do Café (OIC) lançou, nesta quinta-feira (26), em Londres, a campanha “O café faz parte da solução”, sua estratégia de comunicação global para 2026. A proposta é destacar a importância do café não apenas como produto comercial, mas como vetor de desenvolvimento socioeconômico nas origens produtoras e ator relevante no enfrentamento de desafios globais, como crise climática, sustentabilidade e desigualdade social.

A campanha também quer incentivar a ação coletiva no setor. Por isso, ao longo do ano, vídeos, dados, estudos de caso e interações entre parceiros e membros da organização vão enriquecer a divulgação, nas plataformas digitais da organização, de projetos, iniciativas e resultados que mostram como a colaboração entre agentes dos setores públicos e privados pode transformar estratégias em resultados. A ação vai chamar atenção, ainda, para o papel do setor na preservação do patrimônio cultural, no incentivo à inovação e no fortalecimento de laços entre países produtores e consumidores.

“Por meio desta campanha, queremos mostrar que, quando o setor trabalha em conjunto, o café pode fortalecer a resiliência, melhorar os meios de subsistência e contribuir de forma significativa para as soluções”, disse Vanúsia Nogueira, diretora-executiva da OIC, em anúncio da iniciativa.

Para estimular a comunidade global do café a divulgar exemplos de projetos com impacto social, a campanha destaca o uso da hashtag #CoffeeIsPartOfTheSolution. O vídeo principal da iniciativa, em quatro idiomas, está no canal da OIC no YouTube.

Para estimular a comunidade global do café a divulgar exemplos projetos com impacto social, a campanha destaca o uso da hashtag #CoffeeIsPartOfTheSolution. O vídeo principal da iniciativa, em quatro idiomas, está disponível no canal da OIC do YouTube.

TEXTO Redação

Cafeteria & Afins

Futuro Refeitório abre unidade no Parque Villa-Lobos, em São Paulo (SP)

O restaurante Futuro Refeitório inaugura sua segunda unidade nesta sexta-feira (27), no Parque Villa-Lobos, em São Paulo. Instalado na Orla TotalPass, o novo espaço integra a proposta do complexo de criar uma atmosfera praiana na cidade.

Com mobiliário que dialoga com a matriz, a nova unidade é aberta e arejada. Além do almoço e do jantar — com sanduíches, massas e saladas —, a casa serve brunch diariamente. No cardápio, aparecem pain au chocolat, torradas de fermentação natural (inclusive integral), ovos mexidos, fruta com iogurte e tostada de avocado. Entre os doces, pão de queijo, bolo de banana e o já conhecido bolo de cenoura com cream cheese, além da french toast, assinatura da casa. Há ainda vinho servido em torneiras, em clima informal.

No coado, no espresso e nos pacotes disponíveis para levar para casa, o espaço trabalha com cinco grãos por vez — no dia de nossa visita, provamos um catuaí vermelho 44, de processamento cereja descascado, produzido por Flávio Protázio em Forquilha do Rio (ES), no Caparaó, e torrado pela mestre de torra Fernanda Carvalho, do Futuro Refeitório. Há também opções como cappuccino, latte, macchiato, bebidas com matcha e os autorais calmaria quente (infusão de gengibre, maracujá e açúcar demerara) e apple pie latte (leite de aveia vaporizado com infusão de maçã e canela).

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Professor Fonseca Rodrigues, 1.025
Bairro Alto de Pinheiros
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://instagram.com/futurorefeitorio
Horário de Atendimento De segunda a sábado, das 8h às 22h; e domingo, das 8h às 16h
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Torrefação uruguaia Culto Café abre cafeteria em São Paulo

São Paulo ganhou um novo ponto para tomar cafés de diferentes origens. A torrefação uruguaia Culto Café abriu, em dezembro do ano passado, sua primeira unidade na capital paulista, no Jardins (alameda Itu, 1.068). É o segundo endereço da marca no Brasil, após a estreia no Rio de Janeiro, em setembro de 2025.

A fachada minimalista antecipa o interior enxuto da nova unidade. Sem mesas, o espaço tem um balcão central de inox e banquetas de madeira, de frente para o barista, as máquinas e a rua em movimento.

O cardápio segue a lógica estética e destaca apenas o café. Há opções de coados, espresso e bebidas com leite – como cortado, flat white, cappuccino e iced latte – sem oferta de comidinhas ou outras bebidas. Entre grãos brasileiros e importados, seis opções estavam disponíveis no dia da visita. 

Escolhemos um café de El Salvador (R$ 18), de processamento natural, com notas de chocolate com uva-passa, maracujá e amêndoa tostada, e um do Quênia (R$ 22), também natural, descrito com manteiga, lavanda e geleia de tomate. Ambos foram coados no kalita.

Aberta diariamente, das 7h30 às 19h, a casa atrai estrangeiros que circulam pela região, mas também é opção para brasileiros interessados em explorar diferentes origens na xícara.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Alameda Itu, 1.068
Bairro Jardins
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://https://www.instagram.com/cultocafe.br/
Horário de Atendimento Todos os dias, das 7h30 às 19h
TEXTO Redação

Cafezal

Chapada de Minas conquista Indicação Geográfica para cafés

A região da Chapada de Minas, no Vale do Jequitinhonha, conquistou nesta terça (24) o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP). O reconhecimento, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), é resultado do trabalho do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) com o Sebrae Minas.

Com a nova certificação, a Chapada torna-se a oitava região cafeeira reconhecida de Minas Gerais. Com 22 municípios e cerca de 5,8 mil produtores, a Chapada de Minas cultiva aproximadamente 30 mil hectares de café, com produção anual estimada em 400 mil sacas. A atividade envolve em torno de 20 mil empregos diretos e indiretos, consolidando a cafeicultura como eixo estratégico da economia regional.

O perfil sensorial dos cafés é caracterizado por doçura, corpo intenso e final prolongado, com acidez málica equilibrada e notas de chocolate, caramelo e frutas vermelhas. 

Pedidos de IGs no Brasil passam por um longo processo até serem aprovados. Embora o  pedido de registro tenha sido protocolado em setembro de 2024, desde 2018 o Sebrae Minas e o ICCM fazem capacitação técnica e gerencial dos produtores, além de inseri-los em programas de consultoria, para fortalecer a governança e a competitividade da região. O processo também incluiu a criação da marca-território “Chapada de Minas”.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Espresso&CO faz degustação de cafés colombianos

Lucci Salomão no preparo dos cafés filtrados no método v60

Na terça-feira (24), a Espresso&CO promoveu uma degustação exclusiva de cafés colombianos em São Paulo. O barista Thiago Nego, da DaVinci Gourmet Brasil, apresentou um panorama dos cafés especiais em Medellín, que visitou há pouco mais de um mês,  e das tendências observadas no setor.

“A cena de cafeterias de especialidade em Medellín é bem consolidada. Todos os cafés, mesmo os mais simples, têm um sabor diferente”, destacou. 

Durante a apresentação, o barista comentou as práticas observadas nas cafeterias de Medellín. “Entre as tendências que vi e que fizeram muito sentido é a de que cada café tem seu ritual para ser extraído. Usando o mesmo equipamento, a técnica aplicada era diferente em cada cafeteria”, afirmou. “Outro ponto é a temperatura. Na extração, a maioria das cafeterias não aplica temperaturas hiper altas”.

Thiago Nego apresentando sobre o cenário de cafeterias em Medellín

Nego destacou o alto consumo de bebidas geladas. “Há um aumento no consumo de cafés gelados na América Latina, seja em receitas usando café ou com o café como protagonista, como no cold brew”, explicou.

Após o bate-papo, mais de dez cafés foram preparados pelo barista Lucci Salomão. O público – de profissionais do setor e coffee lovers que já são clientes da Café Store – pode provar diferentes grãos, desde marcas amplamente distribuídas, como Juan Valdez e Matiz, até torrefações menores, como El Laboratorio de Café, Pergamino e Típica.

TEXTO Redação
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