Cafezal

Painel Café em Números oferece visão integrada do café brasileiro

Ferramenta on-line lançada pela Embrapa reúne uma década de dados de produção e indicadores territoriais, sociais e climáticos; reportagem testa a navegação e analisa o caso de Cacoal (RO) 

Por Cristiana Couto

A Embrapa acaba de lançar o Painel Café em Números, ferramenta on-line e interativa que reúne informações oficiais sobre a cafeicultura brasileira. A plataforma permite acompanhar onde o café é produzido, como a atividade evoluiu ao longo do tempo e quais características sociais, territoriais e produtivas estão associadas a cada região.

Desenvolvido pela Embrapa Café (DF) e pela Embrapa Territorial (SP), o painel integra dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), do Censo Agropecuário, do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) e da própria Embrapa.

“Faltava um ponto único e integrado de consulta”, afirma Daniela Maciel, analista da Embrapa Territorial responsável pelo desenvolvimento da ferramenta.

O painel reúne informações sobre arábica e canéfora, com recortes nacionais, regionais, estaduais e municipais. A série histórica de produção vai de 2014 a 2024, enquanto dados sobre estabelecimentos agrícolas e produtores são do Censo Agropecuário de 2017. A ferramenta será atualizada à medida que novos dados oficiais forem publicados. 

Sete módulos

O painel está organizado em sete módulos temáticos. Eles abrangem indicadores como produção, área plantada e colhida, produtividade e valor gerado; distribuição territorial e rankings dos estados produtores; e número e perfil dos estabelecimentos, com informações sobre agricultura familiar, gênero, faixa etária e envelhecimento dos cafeicultores. 

A ferramenta também apresenta mapas e períodos de menor risco climático para o cultivo e reúne a produção científica e tecnológica da Embrapa.

“O Painel Café em Números fortalece a capacidade do setor de planejar, antecipar riscos, orientar investimentos e subsidiar decisões e políticas públicas baseadas em evidências”, afirma Renata Silva, chefe de Inovação e Negócios da Embrapa Café.

Primeiro passo para plataforma nacional

O painel é o primeiro passo para a criação da Plataforma Nacional de Inteligência Territorial do Café. Ainda em fase de estruturação, a iniciativa pretende agregar dados georreferenciados, indicadores estratégicos, mapas interativos e análises diversas do setor a partir de ferramentas de IA, sensoriamento remoto e imagens de satélite.

Segundo a Embrapa, a proposta é oferecer ao mercado global um retrato baseado em evidências da cafeicultura nacional, além de orientar políticas públicas, investimentos e ampliar a competitividade no setor. A implementação em escala nacional ainda depende da formação de parcerias e da captação de recursos.

Teste da reportagem

O volume, a diversidade e o detalhamento dos dados, reunidos em uma série histórica de 2014 a 2024, permitem traçar panoramas locais e acompanhar a evolução recente da cafeicultura. 

Para testar essa possibilidade, a reportagem pesquisou a produção de canéfora em Cacoal (RO), município central na produção dos robustas amazônicos. Híbrido de conilon e robusta que ganhou identidade em Rondônia, esse café constitui um fenômeno singular cujo desenvolvimento coincide com o período coberto pelo painel. 

Foram comparados cinco indicadores de 2015, período de emergência dos robustas amazônicos, e de 2024, ano mais recente contemplado pela ferramenta. 

Os dados dimensionam (em nível de município) a importância econômica crescente dos robustas amazônicos: em uma década, a produtividade média avançou 72,8% – enquanto a área colhida no período caiu 28% – e o valor nominal de produção saltou de R$ 40,6 milhões para R$ 339,8 milhões. Além disso, o peso do café na produção agropecuária de Cacoal aumentou 7,37 pontos percentuais.

Navegação ainda exige ajustes

No teste, o painel oferece mapas com dados claros. A plataforma também contempla várias opções de filtros e indicadores e recortes geográficos diversos, que permitem partir de um panorama nacional e chegar a informações municipais.

Em parte dos módulos, a interface parece apenas transpor para o ambiente on-line a estrutura de planilhas, sem explorar recursos de navegação e visualização próprios da web. A navegação nem sempre é intuitiva, sobretudo diante da quantidade de informações e das possibilidades de filtragem — duas qualidades que revelam o amplo patrimônio de dados oficiais do Brasil, particularmente da Embrapa – sobre sua cafeicultura. O painel também ainda não está adaptado à consulta pelo celular, e a ferramenta de tradução para o inglês não funcionou durante o teste.

Por outro lado, por trás dessa interface, houve um extenso trabalho de seleção, padronização e tratamento de bases produzidas com metodologias distintas. Segundo Daniela, as tabelas disponibilizadas por instituições como o IBGE precisaram ser reorganizadas e convertidas para formatos compatíveis com o processamento em bancos de dados antes de serem incorporadas ao painel.

Isso resultou em buscas que não encaminham o usuário às bases de origem, mas fornecem dados já processados e estruturados pela equipe da Embrapa.

A amplitude e a integração das informações são os principais méritos da ferramenta. Ajustes futuros de responsividade, organização visual e fluxos de navegação podem simplificar a consulta e ampliar o potencial desse acervo para produzir conhecimento sobre a cafeicultura brasileira. 

TEXTO Cristiana Couto

Café & Preparos

Preços do arábica devem cair 8,8% até o fim de 2026, informa Reuters

Especialistas ouvidos pela agência afirmam que os baixos estoques nos Estados Unidos, na Europa e no Japão deixam o mercado mais sujeito aos efeitos causados pelo clima ou por logística na oferta de grãos 

Luisa Gonzalez (Reuters)

Por Reuters, de Nova York

Os preços dos grãos arábica devem cair 8,8% até o final de 2026 em relação aos valores atuais, apesar da ameaça do El Niño, informa pesquisa da Reuters divulgada na segunda-feira (24).

A média prevista, calculada a partir da consulta com 11 analistas e corretores, aponta que os contratos futuros de arábica na bolsa ICE de Nova York devem fechar o ano a US$ 3 por libra-peso, abaixo dos US$3,293 registrados no fechamento da sexta-feira (21).

Por outro lado, os entrevistados acreditam na elevação de 4,6% nos preços do robusta para US$ 3.900 por tonelada no mesmo período.

Os participantes também prevêem extrema imprevisibilidade no mercado, particularmente para o café arábica, com estimativas de preço variando de US$2,50 a US$3,90 por libra-peso, já que a “anomalia” climática do El Niño obscurece as perspectivas.

Para Laleska Moda, analista da corretora Hedgepoint Global Markets, a variação de preços dependerá, especialmente, dos impactos do fenômeno na florada da próxima safra brasileira: se ela ocorrer normalmente, os preços podem oscilar entre US$2,30 e US$2,60. Senão, podem ficar mais altos do que os atuais.

Para os analistas consultados, a questão  é a disposição dos produtores em vender os grãos depois do El Niño. Eles concordam, também, quanto à safra-recorde, prevista em torno de 75 milhões de sacas. 

“Há café em abundância, mas a questão principal é com que rapidez ele será colocado no mercado”, disse um analista de uma empresa multinacional de comercialização, que pediu para não ser identificado.

“Os produtores com boa capitalização têm pouca pressão para vender: os custos de produção estão amplamente cobertos, e o Brasil continua sendo um dos lugares mais baratos para armazenar café.”

A maioria, porém, afirma que os estoques baixos nos principais consumidores (EUA, Europa e Japão) deixam o mercado vulnerável a choques de oferta, climáticos ou logísticos. Em condições normais de ambos, a pesquisa indica uma perspectiva positiva para os estoques.

Estima-se que o excedente global de café aumente para 8,2 milhões de sacas em 2026/27, em comparação à 1,7 milhão de sacas em 2025/26 (outubro-setembro). 

BaristaMercado

São Paulo recebe o primeiro Café Lacoste da América Latina

A capital paulista foi a escolhida para receber a primeira cafeteria da marca Lacoste na América Latina. Localizado no Shopping Cidade Jardim, o espaço segue o mesmo conceito de outras unidades francesas, como a de Paris e a de Mônaco, reunindo hospitalidade, gastronomia e design. A escolha de São Paulo, segundo a marca, reforça a relevância estratégica do mercado para a Lacoste e reconhece a cidade como um dos principais polos de moda, cultura e consumo de luxo da região. 

No Brasil, a operação de cafés está a cargo da rede de cafés especiais IL Barista, comandada por Gelma Franco. Entre as opções da carta de bebidas estão espresso, duplo espresso, macchiato, americano, latte, coado e o Eau de Croco – drinque preparado com água de coco, matcha e gengibre. 

O conceito gastronômico da casa foi pensado pelo empresário e restaurateur italiano Riccardo Giraudi, conhecido por reunir tendências de design, estilo de vida e alta culinária. Com referências à boulangerie e à cozinha francesa de bistrô, o menu reúne sanduíches, croissants, pain au chocolat e gougère — especialidade da Borgonha feita com massa choux e queijo. Entre os pratos estão o croque-monsieur, o croque-césar, releitura inspirada na salada Caesar, e o green avo smash, abacate cremoso servido sobre pão. 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Barista

Copa Matcha reúne competidores em dez cidades e aproxima universos do café e do chá

3ª edição reuniu simultaneamente baristas em dez cidades em disputas que combinam técnica, criatividade e comunidade

Foto: Gabriela Kaneto

A terceira edição da Copa Matcha movimentou, simultaneamente, dez cidades brasileiras na noite da última quinta (20), com disputas que reuniram profissionais e entusiastas de café e chá. Em São Paulo, a competição aconteceu na cafeteria Hyu Haus e foi acompanhada de perto pela Espresso, parceira de mídia do evento.

Realizada pela Namu Matcha e pela Mana Coffee, a competição busca aproximar os universos das duas bebidas em uma disputa que combina técnica, criatividade e comunidade. Em cada etapa, os participantes foram desafiados a preparar matcha lattes, colocando à prova não apenas a habilidade no preparo da bebida, mas também a consistência e a execução sob a pressão da competição.

16 competidores entraram na disputa, organizada em chaves eliminatórias. A cada rodada, um desenho era sorteado e o barista do latte mais votado avançava para a próxima etapa, até a definição dos vencedores locais.

“Este é o terceiro ano que estamos fazendo a Copa Matcha e ela vem crescendo cada vez mais. Em 2024, a disputa aconteceu em três cidades. Já em 2025, saltamos para oito. Agora são dez. Vamos ver quantas vão ser nos próximos anos”, comemora Álvaro Dominguez, diretor da Namu Matcha. “A ideia é cada vez mais juntar a comunidade dos baristas e todo o universo que está ao redor do atendimento e da hospitalidade das cafeterias, para fazer disso algo divertido”.

Foto: Gabriela Kaneto

Além da competição em si, a Copa Matcha vem se consolidando como um ponto de encontro para profissionais de diferentes áreas e para uma comunidade cada vez mais interessada nas possibilidades do matcha. A proposta também reflete a crescente presença da bebida em cafeterias e outros espaços ligados à cultura do café, abrindo caminho para novas técnicas, combinações e formatos de consumo.

Em um pódio totalmente feminino, Roberta Fukunaga conquistou o primeiro lugar da competição em São Paulo, seguida por Maria Santos, na segunda colocação, e Maria Eduarda Farias, em terceiro. Além da capital paulista, a Copa Matcha aconteceu no Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Maringá, Recife e Goiânia.

A terceira edição da Copa Matcha foi realizada pela Namu Matcha e pela Mana Coffee, com parceria de Nude, Pasquali, Tsmart e Lindoya Verão. A Espresso participou como parceira de mídia, enquanto Escola de Chá e ABChá atuaram como parceiros institucionais.

Cafezal

Consultoria mantém projeção de safra recorde de café do Brasil

Chuvas atípicas de inverno atrasaram a colheita e afetaram a qualidade do arábica, mas não alteraram a estimativa de volume da Hedgepoint Global Markets

A estimativa da Hedgepoint Global Markets para a safra brasileira de café 2026/27 foi mantida em 75,8 milhões de sacas de 60 kg, volume recorde, apesar das chuvas atípicas registradas durante o inverno, que atrasaram a colheita e afetaram a qualidade dos grãos, sobretudo nas regiões produtoras de arábica.

Em relatório divulgado ontem (19), a consultoria afirmou que os efeitos das condições climáticas não alteraram sua projeção para o volume produzido. “Mantivemos nossos números de produção. Apesar dos impactos na qualidade nas regiões produtoras de arábica, o volume produzido ainda está em linha com nossas expectativas”, afirmou.

A produção de arábica foi estimada em 50,2 milhões de sacas, alta em relação às 37,7 milhões de sacas da temporada anterior. O volume, porém, ficaria abaixo do recorde de 54,2 milhões de sacas registrado em 2020/21.

Para o canéfora, que reúne as variedades robusta e conilon, a projeção é de 25,6 milhões de sacas, ante 27 milhões no ciclo 2025/26. Apesar da queda esperada nesta safra, a produção da variedade vem crescendo nos últimos anos.

Segundo a Hedgepoint, o avanço da colheita mantém a perspectiva de uma safra recorde em volume, embora as condições climáticas tenham trazido impactos sobre a qualidade do café produzido.

Fonte: Reuters

Mercado

Concurso de embalagens de café Espresso Design abre inscrições

Em sua oitava edição, concurso vai selecionar 20 embalagens para exposição na Semana Internacional do Café; as três mais votadas pelo público serão premiadas no encerramento do evento

Estão abertas as inscrições para a 8ª edição do Espresso Design, concurso que premia embalagens de café disponíveis no mercado brasileiro. As marcas interessadas podem se inscrever e enviar seus pacotes até 9 de outubro. O formulário de inscrição está disponível aqui e o regulamento, aqui.

O concurso busca destacar o papel do design e da embalagem na construção e na promoção das marcas de café. Este ano, os trabalhos serão avaliados por uma comissão julgadora a partir de critérios como:

  • Design Gráfico: composição visual geral, tipografia, ilustrações, gráficos e imagens, cores, textura e diferenciação frente ao mercado.
  • Funcionalidade: usabilidade, ergonomia, informações (respeito às normativas técnicas para embalagens e rotulagem de café) e legibilidade, aspectos técnicos de manuseio e abertura/fechamento pelo consumidor (ou durante o uso).
  • Estrutura e Materiais: qualidade e otimização dos materiais, viabilidade estrutural e produtiva, sustentabilidade.
  • Conceito: clareza e cumprimento do conceito/tema proposto pela marca. 

Exposição das 20 embalagens selecionadas na edição de 2025, na Semana Internacional do Café

As 20 embalagens mais bem avaliadas serão expostas durante os dois primeiros dias da Semana Internacional do Café, em 11 e 12 de novembro, em Belo Horizonte (MG). No local, o público do evento poderá votar em sua favorita (um voto por CPF).

As três embalagens mais votadas receberão troféus no último dia de SIC, em 13 de novembro, durante cerimônia no Grande Auditório.

TEXTO Redação

Mercado

A relação entre a Geração Z e o café

Eles são a geração mais escrutinada da história – mas será que a indústria do café realmente entende a Gen Z?

Por Tobias Pearce (5thWave)

A The Economist os chamou de “incrivelmente ricos”. O Fórum Econômico Mundial diz que é a geração mais “hiperconectada e hipersolitária” que já existiu. Para alguns, eles são preguiçosos e sem habilidades sociais. Outros elogiam seu espírito empreendedor. Em 2025, eles chegaram a derrubar governos com manifestações em massa. A Geração Z, genericamente definida como os nascidos entre 1997 e 2012, é a mais analisada da história.

Todos têm opinião, e toda empresa quer captar sua atenção. Esse grupo demográfico enigmático tornou-se o santo graal dos profissionais de marketing do setor, e a indústria está obcecada em entendê-los. O que está em jogo não é só mais uma tendência ou oportunidade passageira. Trata-se de capturar o futuro do consumo de café.

Um mundo em transformação

Sempre houve dificuldade de conexão entre gerações, mas a Geração Z enfrenta um mundo incerto de modo imprevisível. A crise climática, o avanço da inteligência artificial e a instabilidade geopolítica fazem com que eles lidem com ansiedades sociais, políticas, tecnológicas e ambientais que são únicas.

“A Geração Z não é uma nova geração; é uma mudança geracional. Saímos da pandemia; ainda há incertezas financeiras e os conflitos aumentam. O mundo está conectado, e essas mudanças econômicas e sociais estão acontecendo justamente quando a Geração Z está entrando no consumo de café”, diz André Eiermann, gerente global de produtos da Melitta e criador da pesquisa Gen Z x The Future of Coffee.

Chamados “nativos digitais”, esses jovens estão reformulando atitudes por meio de um engajamento sem precedentes nas redes sociais. Embora tenham posturas progressistas em relação à fluidez de gênero, eles também abraçam tendências ultraconservadoras, como as tradwives (esposas tradicionais) e a machosfera (manosphere). Sua atitude em relação ao café é igualmente difícil de decifrar e em uma era de tendências velozes, alta conectividade e intercâmbio cultural, a preocupação central das marcas em todo o mundo é manter-se relevante.

O que dizem os dados

Pesquisa do World Coffee Portal nos maiores mercados de cafeterias de marca do mundo – China e Estados Unidos – mostra que a Geração Z prefere bebidas geladas, personalização e conveniência digital.

Na China, 24% dos entrevistados com menos de 25 anos visitam cafeterias diariamente ou várias vezes ao dia, ante 11% dos maiores de 45. O sucesso de redes digitais como Luckin Coffee, Cotti Coffee e KCoffee ajuda a explicar o avanço do consumo de café em um país tradicionalmente ligado ao chá. Entre os jovens da Gen Z, 77% costumam pedir café pelos aplicativos das marcas.

Os consumidores mais jovens impulsionam o consumo de café gelado no país: 48% dos menores de 25 anos preferem bebidas frias ao longo do ano, ante 31% dos maiores de 45. A personalização também é relevante: em 2025, 41% adicionavam creme de coco ao café, contra 35% entre os mais velhos.

Nos Estados Unidos, essa diferença geracional no consumo é mais acentuada. Mais de um quinto dos consumidores com menos de 25 anos toma café frio diariamente, ante 8% dos acima de 60. Já o café quente é consumido todos os dias por 77% dos mais velhos, contra 27% dos mais jovens.

“Impulsionadas pelas redes sociais, as tendências entre os consumidores da Geração Z surgem praticamente da noite para o dia. Antes, elas levavam meses ou anos para ganhar força”, diz Bradley Journeaux, responsável pela pesquisa.

André Eiermann também viu tendências surgirem e desaparecerem. Trader de café na Volcafe desde 1999, campeão suíço de barista em 2017 e ex-executivo de empresas como UCC e Eversys, ele toca a já referida investigação Gen Z x Future of Coffee com a ZHAW Coffee Excellence Center, instituição acadêmica suíça de pesquisa e tecnologia do café. Já foram entrevistados mais de mil jovens consumidores e profissionais do café em mais de 60 países.

Os primeiros resultados mostram forte preferência por bebidas personalizáveis, geladas e aromatizadas, consumidas ao longo do dia. Já o espresso é mais consumido de manhã – muitos mencionam sensibilidade à cafeína. Outros simplesmente evitam tomá-lo. O consumo de café, portanto, está evoluindo. Mas para onde ele vai?

O que dizem as redes sociais

Quando, em 2026, um skit no Instagram de Tommy Armour, ex-participante do reality show de namoro Love Island Australia, faz ironia ao pedir um flat white “normal” e ultrapassa um milhão de curtidas, a indústria do café deveria prestar atenção.

Se a Geração Z consome menos espresso e bebidas clássicas à base dele, o que as cafeterias podem fazer para se adaptar? Entender as tendências do TikTok é um bom ponto de partida. O termo “max-xing” é um fenômeno cultural da Geração Z que significa ir “com tudo” em algo específico. No café, “flavour maxxing”, “caffeine maxxing”, “protein maxxing” e “fibre maxxing” buscam aumentar a intensidade de sabor e os benefícios funcionais da bebida com a adição de itens personalizados.

Essas bebidas em alta costumam ser superdoces, supercoloridas e ter, até, tamanho gigante. Entre elas está o ube, inhame das Filipinas de um roxo vibrante incorporado a lattes que viralizaram nas redes. Há também o proffee – shakes prontos de proteína misturada a espresso ou cold brew, responsáveis por um impulso a mais antes de treinos –, uma tendência que certamente joga a favor da recente aquisição da Huel pela Danone por € 1 bilhão.

Outra criação viral do TikTok é o cloud coffee – um americano preparado com água de coco e servido com uma camada de leite vegetal sobre gelo. Sinalizando essa nova era de experimentação, a Nespresso apresentou em abril o pickle coffee cola, uma bebida inspirada em sua nova embaixadora da marca, a cantora pop Dua Lipa.

Mas ter tudo, em todo lugar e ao mesmo tempo pode, rapidamente, esgotar um sabor em alta. Hot honey, chocolate de Dubai e pistache – ingredientes que antes viralizaram – agora perdem popularidade e, depois de massificados, até provocam o temido “ick” nos consumidores.

Ainda assim, a tendência mais ampla em direção a bebidas geladas, coloridas e experimentais parece ter vindo para ficar – e está mantendo operadores e fornecedores em constante adaptação. “A Geração Z quer tudo gelado, o ano todo. Bebidas funcionais, com colágeno ou vitaminas, tendem a ser mais populares. Como os consumidores estão mais conscientes de como e onde gastam, oferecer funções adicionais é o incentivo de que precisam”, diz Helen Ostle, diretora de comunicação da Beyond the Bean, fornecedora britânica de concentrados funcionais, matcha e chai.

Mas Helen não acredita que este seja o fim da linha para o espresso, e, sim, uma diversificação da demanda em meio ao avanço da personalização. “Os consumidores mais jovens não estão rejeitando o café; estão rejeitando a mesmice. Diante da pressão contínua sobre o mercado, os operadores precisam olhar com mais atenção para o mix de bebidas”, afirma.

Ilya Aksamentov é diretor de marca da The Miners, grupo tcheco de cafés especiais com mais de vinte unidades em seis mercados europeus. Ele concorda que os cardápios tradicionais baseados em espresso já não atraem a Geração Z como acontecia com gerações anteriores. “Seu verdadeiro concorrente não é só a cafeteria da esquina, mas o matcha, os energéticos e as RTDs. Se não for fotogênico, é invisível para a Geração Z”, afirma.

O pragmatismo financeiro e cultural desta “geração sensata” também significa que menos jovens estão socializando em torno do álcool. Em vez disso, eles se aproximam de produtos ligados à saúde e ao bem-estar, o que faz dessa categoria uma grande oportunidade para as cafeterias.

“Eles estão reformulando a narrativa em torno do consumo de álcool e substituindo essa experiência por alternativas mais saudáveis, como café e matcha”, diz Carlos Fertonani, cofundador da The Coffee, rede boutique de cafeterias com foco digita e mais de 330 lojas em 22 mercados globais.

Para empresas de café e hospitalidade, essa mudança tem um impacto profundo. Recentemente, a Starbucks informou um aumento de 70% nas vendas de chá desde 2022, aparentemente impulsionado pelo matcha, em mais de 10 mil lojas próprias nos Estados Unidos.

No fim de 2025, o Manchester Airports Group, maior grupo aeroportuário do Reino Unido, informou que viajantes da Geração Z estavam liderando a queda nas vendas de fast-food e bebidas alcoólicas nos aeroportos de Manchester, London Stansted e East Midlands. Porém, as vendas de smoothies saudáveis e matcha nesses três hubs de viagem cresceram 650% e 165%, respectivamente, em relação a 2024.

Não seja uma marca “cheugy”

Em um mundo hiperconectado, onde consumidores são bombardeados por uma cacofonia de marketing 24 horas por dia, “furar a bolha” – no jargão do marketing para a Geração Z – significa atravessar o ruído do scrolling infinito e das notificações constantes.

“Playing through” quer dizer manter a atenção com conteúdos autênticos e envolventes. Marcas voltadas à Geração Z que fracassam nisso acabam relegadas ao status de “cheugy” – gíria popularizada no TikTok para definir algo fora de moda ou que se esforça demais para parecer descolado, especialmente associado à estética Millennial. Isso significa que, embora operadores de café possam permitir que a Geração Z faça o “flavour maxx” das bebidas ao oferecer mais personalização, o próprio “marketing maxxing” seria extremamente “cheugy”.

É um verdadeiro campo minado para os marqueteiros do café – e é a Geração Z que decide o que está em alta. “A vibe é tudo. Não precisamos publicar longos textos sobre algo que podemos mostrar em uma imagem bem produzida ou em um vídeo divertido”, diz Bryan Serwatka, gerente de comunidade de café da Minor Figures, que vê nos influenciadores de lifestyle um caminho importante para conquistar a atenção da Geração Z.

Recentemente, a marca britânica de alternativas lácteas e cafés RTD mobilizou 24 criadores de conteúdo para sua campanha “Hyper Oat RTD”, incluindo a influenciadora de moda e lifestyle Paris Artiste e o estilista gastronômico Ben Slater. Segundo a Goat, agência de marketing voltada à Gen Z, as campanhas no TikTok e no Instagram geraram 17 milhões de visualizações e seis milhões de engajamento.

A Gen Z também é menos propensa a usar marcas como símbolo de status e prefere valorizar experiências de hospitalidade com significado. Para cafeterias que colocam logotipo nas xícaras, isso é tanto um desafio quanto uma oportunidade. “A Geração Z quer cocriar com as marcas bebidas, espaços e atmosfera. Eles querem fazer parte da comunidade”, observa Eiermann.

A rede boutique de cafeterias EL&N percebeu logo essa dinâmica ao criar lojas fotogênicas, que incentivaram os clientes a integrar a marca às suas redes sociais. A dinamarquesa Joe & The Juice também construiu, desde o início, uma comunidade em suas lojas voltada a consumidores e funcionários jovens.

Depois de capturar o espírito do tempo em torno do matcha e dos cafés aromatizados entre a Geração Z, a Blank Street reformulou sua marca, transformando as lojas em destinos conectados não só ao café, mas a um estilo de vida.

A Starbucks também percebeu isso, e redirecionou sua estratégia para experiências mais significativas, focadas em longas permanências – retornando às raízes do conceito de “terceiro lugar” depois da mal sucedida aposta em lojas pick-up voltadas ao digital. “Nosso negócio não é só café; reunimos pessoas, e foi isso que fez com que se apaixonassem por nossa marca”, reconheceu a rede no fim de 2024.

“A Geração Z se identifica mais com o que as marcas de lifestyle representam. Apresentar os valores da marca a eles é tão importante quanto promover os produtos”, analisa Fertonani. Para marcas bem posicionadas, a elegância dessa abordagem faz com que o compartilhamento orgânico nas redes sociais amplifique o alcance do marketing para além de uma campanha convencional.

“Há mais chance dos jovens interagirem pela primeira vez com uma marca via online, mas a experiência do usuário é crucial para mantê-los ali”, afirma Serwatka. Para a Nothing Before Coffee (NBC), rede indiana de cafeterias com mais de cem lojas e voltada à Gen Z, essa abordagem deu certo. Depois de captar cerca de US$ 3 milhões, a NBC planeja quadruplicar o número de unidades até 2029.

“A diferença é que a Geração Z não gosta de ser alvo de marketing”, diz Akshay Kedia, jovem empreendedor por trás da NBC. “Tratamos o Instagram como uma comunidade, e interagimos o tempo todo por meio de reels, concursos e conversas. Eles não querem só conteúdo, querem fazer parte dele.” Offline, as lojas da NBC costumam promover noites de jogos e raves matinais sem álcool para os clientes. “Nos dias mais tranquilos, a atmosfera muda: o espaço vira um ambiente calmo e confortável para leitura ou trabalho”, completa.

Atenção para o olhar da Gen Z

Se você trabalha com jovens ou já foi atendido por eles, talvez tenha se deparado com o temido “olhar da geração Z”. Essa reação vazia e sem expressão, geralmente observada em situações de atendimento ao cliente, chamou atenção da mídia em 2025.

Alguns comentaristas atribuíram o fenômeno à pandemia, que teria prejudicado as habilidades sociais da Geração Z. Outros, ao aumento da ansiedade entre jovens e à resistência a uma performance positiva no ambiente de trabalho. E houve quem concluísse que eles são mal-educados.

À medida que o debate ganhou força, integrantes da Geração Z recorreram ao TikTok para responder. Alguns argumentaram que a pausa serve para formular respostas mais adequadas. Outros foram mais diretos. “Muitas pessoas de gerações mais velhas falam demais, são rudes e se orgulham da própria ignorância. É preciso trabalhar no setor de alimentação para entender o quanto as pessoas podem ser estúpidas”, afirmou Efe Ahworegba, então com 19 anos e funcionária de uma rede de fast-food, em um post que hoje acumula 3,6 milhões de curtidas.

A Geração Z está disposta a questionar sistemas e caminhos tradicionais de crescimento pessoal e financeiro. Assim como os Millennials, eles também enfrentaram a erosão do “contrato social” em relação ao emprego e à segurança financeira depois da pandemia e da crise do custo de vida.

“É uma geração que atingiu a maioridade durante a Covid, quando muitos perderam as primeiras experiências no ambiente de trabalho e as oportunidades de aprendizado presencial. Isso afetou os níveis de confiança de muitos jovens. Mas não devemos confundir isso com falta de habilidade de comunicação ou de motivação. Com suporte e ambiente adequados, eles se adaptam e prosperam”, diz Eve Wagg, CEO e fundadora da Well Grounded, que apoia jovens no setor cafeeiro oferecendo treinamento e oportunidade de emprego.

A indústria do café precisa da Geração Z para garantir as vendas futuras e renovar seus quadros. Embora empregadores do setor de hospitalidade tenham razões legítimas para se preocupar com a forma como jovens funcionários interagem com os clientes, também é importante compreender o contexto em que essa geração foi formada.

Pesquisa global da Deloitte com mais de 23 mil integrantes da Geração Z e Millennials mostra que cerca de nove em cada dez consideram o senso de propósito importante para a satisfação no trabalho. Ao mesmo tempo, 48% dos entrevistados da Gen Z não se sentem financeiramente seguros, ante 46% dos Millennials. Mais da metade de ambos os grupos gasta tudo o que recebe.

A Geração Z prioriza o ‘bom trabalho’ – que ofereça remuneração justa, bem-estar, propósito e oportunidades de crescimento. Isso cria uma abordagem mais informada e intencional em relação à carreira”, diz Eve. Embora o setor de hospitalidade esteja entre os mais desejados, a crescente exigência de conhecimento especializado nas vagas de entrada pode dificultar o acesso ao emprego. “A Geração Z quer trabalhar, aprender e evoluir. Cabe ao setor investir nesse potencial, oferecendo treinamento, suporte e oportunidades de crescimento. Quando encontra o ambiente adequado, ela traz energia, propósito e disposição para transformar positivamente a indústria.”

Assim como o consumidor “médio” é uma métrica útil, mas também uma ficção estatística, tratar milhões de jovens como um grupo homogêneo pode obscurecer a complexidade, a diversidade e a criatividade dessa geração.

“Fico constrangida ao ver que a Geração Z é tratada como se todos fossem a mesma pessoa, com as mesmas necessidades e os mesmos comportamentos. É muito superficial tratá-la como um grupo à parte, mais conectado e atento às próprias emoções e que impõe limites”, acredita Serwatka, da Minor Figures.

Ainda assim, a Geração Z vem desafiando a indústria do café a inovar mais rapidamente do que nunca, impulsionando o crescimento e dando novo fôlego a cardápios antes ameaçados pela estagnação.

Se a indústria do café parecia estagnada, os dois últimos anos marcaram um período de rápida inovação, impulsionado pela ascensão do matcha, pela experimentação de sabores, por ingredientes funcionais e pela integração entre experiências online e offline.

A Geração Z está no centro dessa reinvenção. Com cerca de US$ 450 bilhões em renda no mundo, é o grupo decisivo para o futuro do café e da hospitalidade. Vale recebê-lo bem – mas sem tentar parecer “descolado”.

Texto originalmente publicado na edição #93 (junho, julho e agosto de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Tobias Pearce (5THWAVE)

Cafezal

Inscrições abertas para a edição 2026 do concurso Coffee of the Year

Concurso, que premia os melhores cafés arábica e canéfora do Brasil em cerimônia realizada durante a Semana Internacional do Café, recebe amostras até 5 de outubro

Estão abertas a partir desta segunda-feira (17) as inscrições para o Coffee of the Year 2026, premiação que busca mapear e reconhecer os melhores cafés do Brasil, incentivando o aprimoramento da produção nacional e a valorização de novas origens produtoras. Produtores de todo o país podem inscrever amostras de grãos das espécies arábica e canéfora. 

Este ano, cada produtor poderá inscrever apenas uma única amostra no concurso. Conforme o regulamento, será considerada a vinculação simultânea do CPF do produtor e da identificação da propriedade rural. Não serão aceitas inscrições oriundas da mesma propriedade, ainda que realizadas por pessoas distintas, nem múltiplas inscrições de um mesmo produtor vinculadas a propriedades diferentes. O valor da participação é de R$ 200.

As amostras (03 kg), juntamente com a ficha da amostra, devem ser enviadas até o dia 5 de outubro para o Centro de Excelência em Cafeicultura do Senar, no endereço abaixo:

CONCURSO COY – COFFEE OF THE YEAR 2026
SEMANA INTERNACIONAL DO CAFÉ
A/C PROFESSOR LEANDRO PAIVA
CENTRO DE EXCELÊNCIA EM CAFEICULTURA – SENAR
RUA LUIZ DOMINGHETTI, Nº 115 – RESIDENCIAL ALTO DO VALE
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Sobre o COY

O concurso começa com o recebimento das amostras, que passarão por um processo de avaliação conduzido por uma Comissão de Julgadores formada por especialistas de todo o país. Serão selecionadas as 180 melhores amostras, sendo 150 da categoria arábica e 30 da canéfora.

As amostras selecionadas serão apresentadas na sala Cupping & Negócios da Semana Internacional do Café, que este ano será realizada de 11 a 13 de novembro, em Belo Horizonte (MG). Dentre elas, os 10 melhores cafés arábica e os 5 melhores canéfora participam da votação popular no evento, por meio de degustação às cegas com método filtrado, em garrafas térmicas disponíveis nos dois primeiros dias de SIC. 

A divulgação dos nomes e da ordem dos finalistas, bem como a cerimônia de premiação, acontecem no último dia de SIC, 13 de novembro, às 15h, no Grande Auditório.

Cafezal

Colheita de café 26/27 no Brasil alcança 90%, diz Safras & Mercado

A colheita da safra brasileira de café 2026/27 atingiu 90% da produção até o dia 12 de agosto, marcando um avanço de 6 pontos percentuais em relação à semana anterior, mas ainda com atraso frente ao registrado no ano passado, apontou levantamento da Safras & Mercado nesta sexta (14). De acordo com a consultoria, em igual período de 2025, os trabalhos de colheita alcançavam 97% da produção, enquanto a média dos últimos cinco anos (2021-2025) é de 94%.

Entre as espécies de café, a colheita de canéfora (conilon/robusta) chegou ao fim, “restando apenas alguns poucos repasses e a retirada dos últimos cafés das lavouras”, enquanto a de arábica atinge 86% da produção.

Fonte: Reuters

Mercado

Terremoto interrompe escoamento de café por principal porto da Colômbia

Buenaventura retomou as operações nesta quinta-feira (13), mas bloqueios nas estradas podem atrasar embarques

Por Cristiana Couto

O terremoto de magnitude 7,4 que atingiu na segunda-feira (10) o oeste da Colômbia e parte de sua principal região cafeeira interrompeu por três dias o escoamento do grão por Buenaventura, principal porto de saída do produto no país. Os terminais retomaram as operações nesta quinta-feira (13), mas o café represado e as restrições nas estradas ainda podem atrasar os embarques.

A rodovia Buga–Buenaventura foi liberada, para veículos de carga, com trânsito controlado nos pontos críticos, segundo balanço do Ministério dos Transportes publicado pelo jornal colombiano El Espectador.

Buenaventura havia suspendido as operações para inspecionar seus três terminais – Agua Dulce, Sociedad Portuaria e TCBUEN. Germán Bahamón, gerente-geral da Federação Nacional de Cafeicultores da Colômbia (FNC), afirmou à Reuters na quarta-feira (12) que as exportações continuavam por Cartagena e Santa Marta, no Caribe.

Entre janeiro e agosto de 2025, Buenaventura respondeu por 58,1% dos contêineres de cafés colombianos exportado, segundo dados do Grupo Puerto de Cartagena publicados pelo jornal colombiano La República em novembro. A Colômbia exporta cerca de 1 milhão de sacas por mês. Cada dia de interrupção pode adiar o despacho de mais de 30 mil sacas.

Deslizamentos bloquearam trechos da rodovia Cali–Buenaventura e impediram a passagem de veículos de carga, informou o La República na quarta. A interrupção acontece no momento de concentração da colheita em Cauca, Nariño, Valle del Cauca e Huila, no sul e sudoeste do país, cuja produção costuma ser escoada pelo porto, segundo a Associação Nacional de Exportadores de Café da Colômbia (Asoexport).

Unidades de processamento da região também avaliam os danos. Cortes de energia, falhas de conectividade e a situação dos trabalhadores afetaram as operações, informou a revista Global Coffee Report na quarta.

A FNC e o Comitê de Cafeicultores de Quindío levantam prejuízos em propriedades rurais dos 12 municípios do departamento. Armazéns de insumos agrícolas de Filandia e Buenavista, por exemplo, estão fechados após apresentarem danos estruturais, informou o site colombiano El Quindiano na terça-feira (11).

Pereira, capital de Risaralda e uma das principais cidades do Eje Cafetero, contabilizava nesta quinta-feira 93 mortos, 260 desaparecidos e 259 feridos. Ao todo, a Colômbia registra 273 mortes e mais de 3,8 mil feridos.

Fontes: Reuters, El Quindiano, Global Coffee Report, La República, FNC e Ministério dos Transportes da Colômbia

TEXTO Cristiana Couto