Barista

Primeira fase do concurso Barista Craft Championship termina no domingo (14)

Voltado para baristas, o concurso Barista Craft Championship, da DaVinci Gourmet, marca global de xaropes pertencente à multinacional Kerry, está em sua primeira fase digital, que termina neste domingo, 14 de julho.

A ideia nesta primeira etapa é de que os participantes elaborem uma bebida e enviem uma proposta digital que inclua um vídeo, uma imagem e uma breve descrição da inspiração por trás da bebida escolhida. Este material será analisado pela equipe técnica do concurso, que ressalta a importância dos conteúdos serem enviados em espanhol. As avaliações serão realizadas após o término do prazo de inscrição.

Atenção para as regras da etapa:

Os competidores devem incluir, em sua bebida, pelo menos 10 ml de xaropes DaVinci Gourmet e não mais que três produtos da mesma marca. Além disso, a bebida não deve conter mais de oito ingredientes no total (contando com guarnições e gelo). É fundamental que o café utilizado seja do tipo espresso. A bebida pode ser quente ou fria.

Próxima fase

Com os finalistas já selecionados, a segunda etapa será realizada em setembro, na Cidade do México, onde os participantes disputam o título de Campeão Nacional. Os três primeiros colocados recebem uma premiação em dinheiro. Já o vencedor ganhará também uma viagem à Cingapura para representar o Brasil na final mundial da competição.

TEXTO Redação

Cafezal

Nestlé lança nova variedade de café arábica no Brasil

A partir de métodos tradicionais de melhoramento genético, cientistas da Nestlé desenvolveram a star 4, uma nova variedade de café arábica de alto rendimento, “substancialmente superior ao das variedades mais utilizadas”, segundo Jeroen Dijkman, head do Instituto de Ciências Agrícolas da Nestlé.

A nova variedade, de acordo com a multinacional, vem na esteira de mitigar o impacto das mudanças climáticas na cadeia de fornecimento do café, com emissões menores de gases do efeito estufa oriundos do cultivo do grão – segundo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (Intergovernmental Panel on Climate Change, em inglês, ou IPPC), a área para o cultivo de arábica pode ser reduzida em mais de 50% até 2050.

Além disso, a star 4, que já está registrada, é resistente à ferrugem – doença foliar causada por fungos que ameaça as lavouras de café –, e tem grãos maiores. Segundo a empresa, o alto rendimento também contribui para práticas agrícolas mais sustentáveis. A variedade foi desenvolvida em São Paulo e em Minas Gerais, em parceria com a Fundação Procafé. A nova variedade tem, de acordo com a empresa, “sabor característico do café brasileiro”.

Além do desenvolvimento da star 4, a Nestlé desenvolveu, recentemente, duas variedades de canéfora (roubi 1 e roubi 2), que estão sendo lançadas no México.

Em 2022, a multinacional lançou um Quadro de Agricultura Regenerativa, como apoio para alcançar sua meta de sustentabilidade líquida zero até 2050. No mesmo ano, lançou, ainda, seu Plano Nescafé, ao custo de US$ 1 bilhão, com iniciativas para melhorar a sustentabilidade no cultivo de café e auxiliar agricultores na transição para práticas de agricultura regenerativa até 2030.

TEXTO Fonte: Nestlé, ESG Today • FOTO Jéssica Luisa

Cafezal

Região de Garça: a nova origem do café paulista

O que tem de especial nos grãos de Garça, um dos 15 municípios do centro-oeste paulista que pertence à mais recente Indicação Geográfica do estado, conquistada em 2022

Escultura na entrada de Garça

O ônibus vai se aproximando de Garça e, pela janela, é possível ver os pés de café à beira da estrada. Ao chegar à cidade, as placas já anunciam: “compro café verde”, “vendem-se mudas de café”. Na rotatória, há uma escultura de um trabalhador rural abanando o café na peneira – sinal da sua tradição na produção do grão.

Pelas ruas, muitos caminhões enfileiram-se nos vários armazéns. Eles aguardam para ser carregados de sacas do café, que, antes, era transportado pela estrada de ferro da Linha Tronco Oeste da Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF). Por vezes, os trens saíam diretamente do armazém da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para seus destinos. O armazém funciona até hoje, com os trilhos aposentados, e guarda sacas de mais de 60 anos.

Armazém da Conab

A região de Garça é uma das mais recentes das 15 Indicações Geográficas de café do Brasil. A IG, de 2022, abarca 15 municípios do oeste paulista. Um dos maiores polos cafeeiros e de tecnologia (não só) agrícola do estado, Garça vem investindo, cada vez mais, na qualidade de seus cafés.

“Todo lugar planta café bom e café para commodity, a questão é qual o foco que se escolhe trabalhar”, diz Cassiano Tosta, produtor e presidente da Associação dos Cafés Especiais de Garça. Hoje, cerca de 30% do que se colhe na região são cafés especiais, fruto do incentivo trazido pela IG. Desde então, a ideia é identificar as oportunidades para o próximo passo, que é o reconhecimento de características únicas para o pedido de uma Denominação de Origem.

A IG Região de Garça, que é uma Indicação de Procedência, aponta que aquele local tem ligações históricas, vocação para o ofício e que se tornou conhecido como centro de produção de café. A conquista foi possível graças à união de um grupo de produtores, por meio do Conselho do Café da Região de Garça (Congarça), que enxergou que o grão da região merecia ter maior valor agregado. O trabalho com a cadeia produtiva começou a ganhar corpo em 2018, com concursos de qualidade e educação profissional.

Eles estavam certos. Alguns dos cafés inscritos no concurso e avaliados por juízes da Associação Brasileira de Classificadores e Degustadores (ABCD) atingiram 89 pontos. O pedido de IG foi protocolado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2020 e concedido em novembro de 2022. “Agora estamos na fase de capacitar e conceder os selos aos que estão aptos a usá-lo”, explica Tamis Lustri, presidente do Congarça.

Nada mais justo para uma região que tem até uma cidade chamada Cafelândia entre suas localidades, e que teve a primeira cooperativa nacional de produtores a exportar o grão, a Garcafé (as atividades estão suspensas, com planos de retomada nos próximos anos). Já Garça, município que concentra a organização regional e fica a 405 km da capital do estado, tem pouco mais de 44 mil habitantes e café nas artérias e no seu DNA. Prestes a completar cem anos de fundação, a cidade nasceu como povoado com a expansão da cafeicultura para o centro-oeste paulista no fim do século XIX.Foi em Garça que a Espresso conheceu um pouco mais sobre os diferentes modos de trabalhar em busca da qualidade e da identidade da produção local.

Tecnologia e serviços

Além do café – ou por causa dele –, a região é um polo tecnológico no estado de São Paulo. Uma das gigantes do ramo de automação, por exemplo, é de Garça, a PPA. Também é de lá, da cidade de Pompeia, a Jacto, fabricante de maquinário agrícola que revolucionou as lavouras no início dos anos 1980 com a colheitadeira de café que, em terrenos planos ou com pouca inclinação como os do planalto local, substituiu a mão de obra de 30 a 40 pessoas.

Os tubetes para mudas também são crias da região, que agora os utiliza para mudas francas (a partir de uma única cultivar) e enxertadas. A enxertia de robustas nos arábicas é uma das inovações das lavouras locais.

“Na parte de baixo, como cavalo, usamos uma base de robusta, e, na parte de cima, colocamos as cultivares de arábica”, explica Gabriel Correa, do Viveiro Alta Paulista, que produz exclusivamente mudas de café. O processo é delicado e feito a mão com uso de lâminas de barbear para abrir, no “caule” do robusta, a fenda que receberá o arábica.

Viveiro Alta Paulista

Não há interferência do robusta no sensorial dos grãos arábica, mas a planta, por ter 50% a mais de raízes, é mais resistente a estresses hídricos e a pragas como os nematoides. O resultado, que muitos cafeicultores já atestam, é de um aumento de 50% na produção em relação à muda franca já no primeiro ano.

Na outra ponta, a cidade também tem quem invista na qualidade da armazenagem do café verde, como José Olavo Boechat, da Garça Armazéns. “Meu avô era viveirista de mudas, minha família também é produtora e investimos nesse serviço”, conta Boechat. “Trouxemos um Q-Grader e temos um departamento de rebeneficiamento e de qualidade, pois é uma questão de confiança guardar o café dos outros”, detalha. O galpão, com capacidade para 35 mil sacas, tem atualmente 50 produtores entre os clientes e fica em uma ampla avenida da cidade. O Garça Armazéns chama atenção pelo grafite nas paredes externas, que homenageia a cadeia produtiva do café.

Garça Armazéns

Meio ambiente

A Fazenda Figueira Agroflorestal está na mesma família há quatro gerações e, desde 2018, passa por um processo que enxerga não só café, mas todo um ecossistema que precisa estar em harmonia. A proposta de cultivar café em sistema de agrofloresta vem do casal Larissa Cirillo de Rezende Barbosa e Marcelo de Rezende Barbosa, que busca aplicar os conceitos de sintropia, permacultura e agricultura orgânica e biodinâmica na região.

“Estamos plantando o café consorciado com pupunha e mandioca e sombreado por madeira nativa”, explica Marcelo, que também produz plântulas (embrião que resultará na muda) de espécies nativas e sabe que é preciso tempo e dedicação para obter resultados.

Na busca pela sustentabilidade e vivendo ao lado de uma área de reserva ambiental de mata atlântica de planalto, eles têm em sua propriedade uma zona tampão de proteção para a fauna e a flora locais. Esse convívio é fundamental para preservar as nascentes e a água na região, e para que o café possa integrar-se e se adaptar da melhor forma possível aos efeitos da crise climática.

Campo novo

Em 2014, o pai de Cassiano Tosta estava decidido a vender o sítio da família, onde produzia café desde a década de 1970. Morando e trabalhando com comunicação em São Paulo, Cassiano não concordou com a ideia e resolveu, literalmente, mudar sua atividade para outro campo.

Logo de cara resolveu investir nos cafés especiais e suas possibilidades. “Sempre fui apaixonado por café, ficava tomando em casa e fazendo experiências com canela, casca de laranja… aí, voltei pra minha cidade natal e fui estudar”, recorda.

Cassiano anexou outro sítio à propriedade e, hoje em dia, é um pequeno produtor com 14 hectares de café, que geram 30% de grãos especiais que ele processa, torra e comercializa com a marca Café Alta Paulista. Lá, ele investe nas mudas enxertadas, no pós-colheita e em tudo que possa melhorar a qualidade da bebida na xícara. Como presidente da Associação de Cafés Especiais de Garça e membro do Congarça, Cassiano trabalha pela capacitação de toda a cadeia e pela divulgação da região.

As colheitas têm sido boas: os cafés de sua família já ganharam e ficam sempre bem colocados no concurso local, criado em 2018. No ano passado, ficaram em terceiro lugar no 22o Concurso Estadual de Qualidade do Café, com grãos de 89 pontos.

Produtividade

As linhas dos cafeeiros desenham o horizonte a perder de vista. É deles que Albino Moreira Alves tira uma produtividade de 50 a 60 sacas de café por hectare. Isso é possível graças ao investimento na mecanização, na tecnologia e no manejo: hoje, ele e dois funcionários cuidam dos 80 hectares plantados.

Albino é engenheiro de formação, trabalhava com fibra óptica, mas, assim como Cassiano, resolveu voltar às origens: doze anos atrás, comprou a fazenda e investiu na cafeicultura. “Meus pais eram lavradores e arrendavam terras nessa região”, conta.

Todos os processos são mecanizados, com 100% das lavouras irrigadas e adubação de liberação lenta. A escolha de cultivares distintos permite obter colheitas recentes, medianas e tardias. Todo o processamento é feito na fazenda e os cafés de Albino venceram quatro das seis edições do concurso local, além de boas colocações no estadual.

IG Região de Garça em números e fatos

  • 25 mil ha cultivados
  • 800 unidades produtoras
  • 400 famílias produtoras
  • 15 cidades: Álvaro de Carvalho, Alvinlândia, Cafelândia, Duartina, Fernão, Gália, Garça, Guarantã, Júlio Mesquita, Lucianópolis, Lupércio, Marília, Ocauçu, Pirajuí e Vera Cruz
  • 600 mil sacas/ano, em média
  • 650 m de altitude, em média (Planalto de Marília e Serra dos Agudos)
  • Temperatura entre 17,8°C e 18,5°C
  • Já exportou café para 32 países
  • 1052 nascentes (bacias do Rio do Peixe e do Rio Aguapeí)
  • Cultivares principais: icatu amarelo, ouro verde, mundo novo
  • Características principais na xícara: café encorpado, com acidez equilibrada, doçura natural com notas de chocolate, caramelo, frutadas e cítricas

As 15 IGs de café do Brasil

Matas de Rondônia*, Oeste da Bahia, Região do Cerrado Mineiro*, Mantiqueira de Minas*, Matas de Minas, Campo das Vertentes, Canastra*, Sudoeste de Minas, Região de Pinhal, Montanhas do Espírito Santo*, Espírito Santo, Caparaó*, Alta Mogiana, Região de Garça, Norte Pioneiro do Paraná.

*Denominação de Origem (DO). Fonte: INPI

Texto originalmente publicado na edição #83 (março, abril e maio de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Cintia Marcucci • FOTO Agência Ophelia

Mercado

São Paulo Coffee Festival já tem data marcada para 2025

Entre os dias 21 e 23 de junho, a 3ª edição do São Paulo Coffee Festival reuniu mais de 15 mil pessoas na Bienal do Ibirapuera, um crescimento de 20% na comparação com os anos anteriores. Depois do sucesso deste ano, a organização já anunciou a data para a 4ª edição: 27, 28 e 29 de junho de 2025

O que aconteceu

Além dos estandes das mais de 130 marcas presentes, o evento foi palco de workshops, palestras e experiências sensoriais, culturais e gastronômicas, embalados pela boa comida de restaurantes locais e pelo som de artistas independentes. Voltado principalmente para coffee lovers, consumidores finais e profissionais do setor, o SPCF abriu espaço para os negócios e relações B2B, funcionando como uma plataforma de ativação para produtores, cafeterias, microtorrefações e marcas de produtos que orbitam o universo dos cafés especiais, como chocolates, biscoitos, pães artesanais, matchas e queijos. De acordo com a organização, o ticket médio de compra geral do evento foi de R$ 180.

A grade de programação da edição contou com a 8ª Copa Barista, campeonato que premia os melhores profissionais na preparação de espressos, filtrados e bebidas com leite. Após três dias de disputa, Hugo Silva, da paulistana Sabino Torrefação, foi o grande campeão. O pódio foi composto por Elis Bambil, da Punga Cafés Especiais (SP), na segunda colocação, e por Thiago Sabino, também da Sabino Torrefação, que ficou em terceiro lugar. 

O Sensory Experience foi um espaço em que profissionais do mercado puderam ministrar workshops sobre o preparo da bebida e guiaram experiências sensoriais que compararam diferentes cafés e combinaram a bebida com outros ingredientes. Ainda explorando os sentidos, a área A Torrefação contou com uma imersão pelas lavouras de Minas Gerais através de óculos de realidade virtual, seguida pelo processo de torra realizado ao vivo pela Orfeu Cafés Especiais.

Workshop “Café combina com o quê? Conheça os princípios da harmonização”, ministrado pelo barista Juarez Gomes

Na parte gastronômica, a atração A Cozinha convidou chefs para produzirem ao vivo receitas que levavam café ou que harmonizavam com a bebida. Já o Masterclass Home Barista, única atração paga dentro da programação, trouxe profissionais do Senac para ensinar sobre o preparo na v60 e como combinar o café em drinques. 

O papo cabeça foi realizado no O Laboratório, ambiente aberto que reuniu convidados para debater assuntos importantes, do campo à xícara. Os paineis da edição contaram com temas como diferenças entre arábica e canéfora, criação de métodos brasileiros de preparo, economia circular, primeiros passos para abrir uma torrefação, a importância do terroir, os processos do cacau fino, entre outros. 

Painel “Primeiros passos para abrir uma torrefação”, com Matheus Tinoco (Intertorra), Thiago Sabino (Sabino Torrefação), Julia Nasr (Café Por Elas) e Carol Pereira (Bixo Café)

Para aproveitar tudo isso

Chamado de Food Stations, o espaço externo do São Paulo Coffee Festival contou com sete restaurantes parceiros de referência na capital paulista (Canto do Picuí, Fôrno, Komah, La Peruana, Pita Kebab, Shihoma Deli e T.T. Burger), que elaboraram cardápios especiais para o público do evento. Do lado de dentro, o Hyde Park foi palco de artistas independentes que embalaram a edição com sons de diferentes estilos. Já a área Café & Arte expôs registros feitos pelo fotógrafo Marcos Piffer em suas viagens a lavouras de café de Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Espírito Santo e Rondônia.

A 3ª edição do São Paulo Coffee Festival teve realização da Allegra Events e da Espresso&CO, patrocínio master de 3corações, Melitta e Orfeu Cafés Especiais, e apoio da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), A Tal da Castanha, Café Store, Nescafé, Nespresso, Philips Walita, Senac, SumUP e Prefeitura da cidade de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Turismo.

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Cafeteria & Afins

Bonita Café – São Paulo (SP)

A esquina da Praça da República com a rua Araújo, no centro da capital paulista, ganhou uma cafeteria há cerca de seis meses. O Bonita Café abriu em uma área com restaurantes famosos, como A Casa do Porco e Z Deli, e ao lado do Cineclube Cortina, espaço cultural também conhecido. A poucos metros dali, está a estação República do Metrô, que facilita o acesso para quem quer visitar a casa.

O Bonita Café é bem movimentado – mesmo em uma tarde de terça-feira chuvosa. O coração da cafeteria é a área de operações, situada bem no meio do ambiente. Ao seu redor ficam as banquetas, para quem quiser sentar no balcão e manter um contato mais direto com os baristas – foi onde escolhemos ficar. De frente para o balcão estão as mesas, dispostas entre a entrada e a calçada.

O espaço, confortável, tem decoração clean, de cores claras. Mesmo pequeno, duas grandes portas ampliam o lugar e permitem ao cliente ter uma boa visão da rua e do movimento. A arquitetura antiga e rústica do prédio da Secretaria de Estado de Educação de São Paulo, bem à frente, faz um contraste interessante com o design moderno do interior da cafeteria.

Espresso, que pagamos R$ 8

O atendimento foi um ponto positivo em nossa visita. Na hora de escolher o café, pedimos indicações à barista, que nos apresentou quatro opções, explicando sobre o sensorial de cada uma delas. Torrados pela torrefação local Ito Cafés Especiais, escolhemos dois grãos preparados na hario v60: um catucaí amarelo 2SL, da produtora Jozeane Santos, e um catuaí amarelo, do cafeicultor Augusto Borges, ambos cultivados em solo mineiro. A casa tem outros métodos de preparo, como clever, aeropress e french press. Nossas bebidas estavam equilibradas e bem extraídas. O destaque foi o café da Jozeane, que entregou notas de morango e malte, uma acidez alta de fruta madura, corpo médio e retrogosto limpo e prolongado. Realmente, uma boa pedida.

Além da oferta de grãos, a casa oferece o coado do dia, uma alternativa mais em conta. No menu, há também bebidas com leite, como latte, cappuccino, mocha, chai latte e chocolate quente. Entre as opções geladas, estão cold brew, espresso tônica, frappe Oreo, affogato e soda italiana.

Sanduíche copa, que pagamos R$ 25

Para acompanhar os filtrados, escolhemos uma empanada boliviana de palmito e o sanduíche copa, feito de copa, tomate, rúcula e queijo minas padrão no pão ciabatta. A empanada, com recheio cremoso, bem temperado e com pedaços generosos de palmito, cumpriu o papel de salgado (há outros sabores, como carne, carne picante e margherita). O sanduíche, bem montado, destacou-se pelo frescor dos ingredientes e pelo pão bem feito. O único deslize foi a participação do queijo, que ficou em segundo plano, apagado, quando poderia ter mais presença no conjunto.

Entre os doces, escolhemos a tortinha de banana – indicação de um dos baristas pela boa saída que tem na casa – e o brownie. A tortinha fez juz à fama, com casquinha crocante e doce na medida certa. Combinamos o doce com um espresso bem tirado de uma Wega, da Astoria, com notas frutadas, de chocolate e de caramelo, e acidez média. Já o brownie, embora tivesse doçura na medida certa, estava um pouco ressecado, o que atrapalhou de certo modo a experiência de harmonização com o café.

Torta de banana, que pagamos R$ 15

Os utensílios utilizados no Bonita Café contribuíram para uma experiência agradável. Todas as comidinhas chegaram à mesa bem arranjadas em panelinhas de alumínio, decoradas com papel quadriculado, que dava charme ao conjunto. Os filtrados foram extraídos em canecas brancas com o logo da cafeteria e o espresso, servido na clássica xícara da Schmidt, que, apesar de detalhada, não roubou o destaque da bebida.

Gastos:
Hario V60 — R$ 17 (cada)
Espresso — R$ 8
Sanduíche copa — R$ 25
Empanada boliviana — R$ 15
Torta de banana — R$ 15
Brownie — R$ 14
Total: R$ 111

A equipe da Espresso visitou anonimamente a casa e pagou a conta.

Texto originalmente publicado na edição #83 (março, abril e maio de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Praça da República, 167
Bairro República
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://instagram.com/_bonitacafe
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafezal

Cafés especiais de mulheres do Norte Pioneiro do PR são expostos no Chile

Neste ano, os participantes da Expo Café Chile, feira realizada na capital Santiago, terão a oportunidade de provar os cafés especiais produzidos por mulheres do Norte Pioneiro do Paraná. Os grãos com Indicação Geográfica (IG) estarão disponíveis entre os dias 13 e 14 de julho, no estande da Embaixada do Brasil.

Uma das marcas presentes será a Branca Flor, de Pinhalão, comandada por Rafaela Mazzottini Silva. “Fico agradecida pela oportunidade de levar o café do Norte Pioneiro para fora do país”, comemorou. Para a ocasião, a produtora levará embalagens personalizadas que contam a sua história na cafeicultura. “A IG tem uma importância enorme e acrescentou muito na propriedade e nas nossas vidas”, conta. 

A cafeicultora Rafaela Mazzottini Silva vai representar as mulheres do distrito Lavrinha, de Pinhalão – Foto: Arthur Guerino

Claudionira Inocência de Souza, cafeicultora e coordenadora do grupo das mulheres do café de Matão, em Tomazina, vai acompanhar Rafaela na feira. Ela conta que o projeto Mulheres do Café começou em 2013, no Norte Pioneiro do Paraná. Hoje, a Região concentra em torno de 150 cafeicultoras, que têm acesso a cursos, oficinas e capacitações pelo Sebrae/PR, além de assistência técnica do IDR-Paraná. 

Formalizada em 2010, a associação de cafeicultores do Matão, que até então era formada apenas por homens, ganhou mais um “P” a partir de 2014, e se tornou a Associação de Produtores e Produtoras de Cafés Especiais do Matão (Approcem) com a chegada das mulheres.

“As pessoas não sabem o tamanho da importância daquele ‘P’ nas nossas vidas”, afirma Claudionira, que por quatro anos também foi presidente da Associação das Mulheres do Café do Norte Pioneiro (Amucafé). “Já havia um trabalho muito bom dos homens e não foi difícil, para nós, trabalharmos com cafés especiais. Tivemos ajuda da família e construímos um grupo forte, com visibilidade. As mulheres chegaram para somar”.

Claudionira de Souza diz que as mulheres chegaram para somar na cafeicultura do norte pioneiro do Paraná

Ela conta que a maioria dos cafés especiais, na forma crua, é exportada para a Europa e Austrália. Durante o ano, as propriedades recebem de cinco a seis visitas de compradores do exterior. Agora, com a oportunidade aberta a partir da Expo Café Chile, a expectativa é conseguir um novo parceiro comercial. “Somos da agricultura familiar. Não éramos reconhecidas e valorizadas. Hoje, ter esse reconhecimento é bom demais. Faz muita diferença em nossas vidas, famílias e para o norte pioneiro”, agradece a cafeicultora.

Para Odemir Capello, consultor do Sebrae/PR, a participação no evento representa uma oportunidade de levar os cafés com IG do Norte Pioneiro para mais um país e, ao mesmo tempo, valorizar o trabalho das mulheres cafeicultoras da região. “A IG cumpre o seu papel de gerar desenvolvimento e dar visibilidade para o norte pioneiro, atraindo compradores do Brasil e do exterior”, acrescenta. Além dos cafés do Norte Pioneiro do Paraná, estarão representados, no estande brasileiro, grãos de São Paulo, Minas Gerais e Rondônia. 

TEXTO Redação

Café & Preparos

Ásia faz três campeões em mundiais de barismo em Copenhagen

A Ásia foi o grande destaque nas últimas competições mundiais na área de barismo de 2024 que terminaram no sábado (29), último dia do World of Coffee Copenhagen, na Dinamarca. O Brasil, que concorreu em três dos quatro campeonatos, não entrou para as finais.

Desses quatro mundiais, três tiveram vencedores asiáticos: o taiwanês Yi-Chen Xie levou o pódio na competição de latte art (na foto, o primeiro da dir. para a esq.), o sulcoreano Seung Chan Wi ganhou o Coffee in Good Spirits e o chinês TaiYang Liu venceu o mundial de torrefação de café. A França encerrou a série de campeões, levando o primeiro lugar no campeonato de Cezve/Ibrik, com Jordan Tachnakian.

Dos brasileiros, o mais bem posicionado foi Daniel Munari, da Royalty Quality Coffee, de Curitiba (PR), que ficou com o 15º lugar entre os 23 participantes da competição de Coffee in Good Spirits. Os brasileiros Jota de Paula (Jardim do Café, São José dos Campos, SP) e Pedro dos Anjos (Mokado Lab de Cafés, de Brasília, DF), ficaram, respectivamente, em 32ª posição (de 35 competidores no latte art) e 21ª posição (dos 21 concorrentes para o mundial de torrefação).

Veja a lista dos seis finalistas nos quatro campeonatos mundiais: 

2024 World Latte Art Championship
 lugar: Yi-Chen Xie, Taiwan⁣
 lugar: Manuela Fensore, Itália⁣
 lugar: Guoqiang Liu, China⁣
 lugar: Dario Pieber, Suíça⁣
 lugar: Sarawut Manngan, Tailândia⁣
 lugar: Elly (Jiyu Lee), Coreia do Sul⁣

2024 World Coffee in Good Spirits Championship
 lugar: Seung Chan Wi, Coreia do Sul
 lugar: Sandro Roth, Suíça
 lugar: Andrea Villa, Itália
 lugar: Yessylia Violin Angkasa, Indonésia
 lugar: Sin Jay Kao, Taiwan
 lugar: Chloe Lai, Hong Kong

2024 World Cezve/Ibrik Championship
 lugar: Jordan Tachnakian, França
 lugar: Kevser Atmaca, Turquia
 lugar: Ivan Bilousov, Ucrânia
 lugar: Emanuele Bernabei, Itália
 lugar: Ply, Canadá

2024 World Roasting Championship
 lugar: TaiYang Liu, China
 lugar: Mateusz Derkacz, Polônia
 lugar: Andrea Trevisan, Áustria
 lugar: Chenglei Diao, China

TEXTO Redação • FOTO World Coffee Events

Cafezal

Fábrica de biochar é inaugurada em Brejetuba (ES)

A green tech francesa NetZero anunciou a inauguração da sua terceira fábrica de biochar, desta vez no Espírito Santo. Após as unidades de Camarões (África) e Lajinha (Minas Gerais), a cidade de Brejetuba recebe as operações a partir desta sexta (28). 

A nova fábrica está a menos de 40 km da unidade de Lajinha, que funciona desde o ano passado. Seu endereço também é estrategicamente próximo da Coocafé, cooperativa regional que conta com mais de 10 mil produtores de café, dos quais 250 fornecerão a biomassa necessária para a operação da nova usina. 

O local pretende produzir 4 mil toneladas de biochar por ano a partir de resíduos da casca do café, removendo mais de 6 mil toneladas de CO2 equivalente da atmosfera, além de oferecer uma solução para melhorar, de forma sustentável, a fertilidade do solo. 

Para marcar a inauguração da unidade, a NetZero também anuncia o início da construção de uma nova fábrica em Minas Gerais, que começará em algumas semanas. 

O que é biochar?

O biochar é um carvão vegetal feito a partir de resíduos enriquecidos do café. Mas, ao contrário do carvão vegetal tradicional, a produção do biochar é feita em um processo muito rápido, em torno de vinte minutos, dentro de um reator com mínima presença de oxigênio. É dentro deste reator que acontecerá a pirólise, um processo de decomposição térmica. Atualmente, a NetZero trabalha com resíduos de café, mas o biochar pode ser feito a partir de qualquer composto orgânico, até mesmo sobras de cozinha. 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafezal

Origens brasileiras participam do maior evento global de café

Copenhague, capital da Dinamarca – Foto: Nick Karvounis

A partir desta quinta (27) e até dia 29, o World of Coffee, que este ano acontece em Copenhague, Dinamarca, terá cores mais vivas. Cafeicultores de 14 regiões brasileiras com Indicação Geográfica estão chegando ao evento, maior congresso e feira de negócios do café da Europa e um dos mais importantes do mundo. 

Alguns desses produtores, como Lucas Venturim, da Fazenda Venturim, em São Domingos do Norte (ES), e Cassiano Tosta, com propriedade na IP Região de Garça (SP), passaram pelo São Paulo Coffee Festival, que terminou neste domingo (23), de malas prontas para embarcar para a capital norueguesa. 

Cafeicultura na Região de Garça – Foto: Agência Ophelia

“Degustaremos uma garrafa de café de cada região, contando a história de cada uma delas no evento”, explica Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação de Cafeicultores do Cerrado, referindo-se ao acordo de cooperação entre o Instituto Regiões Produtoras de Café do Brasil com Indicação Geográfica – IG, que reúne essas regiões, e a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) que abriu seu estande para promover as origens produtoras do Brasil (leia mais sobre o instituto ao fim do artigo). A barista responsável pelos cafés é a Q-Grader Carol Franco, da empresa curitibana Lucca Cafés Especiais, que já ganhou diversos campeonatos nacionais de prova de cafés (cupping).

Organizado anualmente pela Specialty Coffee Association (SCA), o World of Coffee 2024 reúne os principais especialistas, torrefações, exportadores, importadores e expositores de mais de 130 países no Bella Center, um dos maiores centros de conferências e exposições da Escandinávia.

A edição de 2024 conta também com uma série de campeonatos mundiais, como o de Latte Art, Coffee in Good Spirits, Coffee Roasting e o de Ibrik. Além das competições, há diversas atividades e atrações para os entusiastas e profissionais da área. Entre elas, destacam-se as salas de cupping e as palestras da SCA

Workshops e palestras

Um dos temas mais aguardados desta edição está no workshop de quinta (27) pela manhã, “Avanços na prova e avaliação de Café: a avaliação de Valor do Café da SCA”. Neste ano, a SCA adota oficialmente a Avaliação de Valor do Café (CVA, sigla para Coffee Value Assessment), que inclui avanços em ciência sensorial e econômica no sistema de prova e avaliação de café da entidade. A palestra será comandada por Peter Giuliano, diretor-executivo da Coffee Science Foundation e diretor de pesquisa da Specialty Coffee Association (SCA).

Na sexta (28), ganha os holofotes o tema da economia circular  – sistema que busca conservar e regenerar recursos naturais e ecossistemas, promover o bem-estar de produtores e oferecer oportunidades econômicas para toda a cadeia de café –, com o painel “Circular Economy: (Re)Generating Value Throughout the Coffee Circle”. Formado por cinco especialistas, o painel destaca exemplos práticos de economia circular na cadeira cafeeira estudados pelo grupo do ITC que forma o Centro para a Economia Circular no Café, uma plataforma global pré-competitiva para acelerar a transição de economia linear para circular. O centro baseia-se na Rede do Guia do Café do ITC e busca divulgar processos de impacto positivo e adição de valor à cadeia cafeeira global. 

Outras atrações incluem, por exemplo, o Best New Product Competition, que premia as inovações no mercado de café. Há também vilas de torrefação, onde pequenos torrefadores exibem seus produtos e se conectam com compradores e entusiastas.

Este ano, o país-destaque é o Peru. Além do Brasil, Colômbia, Etiópia e Quênia estarão fortemente representados.

Sobre o Instituto 

Fundado no final de maio em evento em Franca (SP), o Instituto Regiões Produtoras de Café do Brasil com Indicação Geográfica – IG reúne 14 das 15 regiões produtoras registradas no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) que, por sua vez, compõem o projeto Origem Controlada Café (a única que não participa é a IP Oeste da Bahia). O projeto, que tem como objetivo desenvolver uma plataforma de rastreabilidade para cafés de origem, dedica-se atualmente à comunicação e ao marketing integrado dessas regiões que reúnem 369 municípios e mais de 187 mil cafeicultores.  

TEXTO Redação

Barista

Hugo Silva, da Sabino Torrefação, é o campeão da 8ª Copa Barista

Os últimos dias foram de muito café no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera, com a realização da terceira edição do São Paulo Coffee Festival. O evento aconteceu entre sexta (21) e domingo (23), e contou com uma programação repleta de palestras e workshops sobre cafés especiais, do cultivo ao preparo, e outros temas que orbitam o universo das cafeterias, como cacau e leites vegetais.

Localizada no piso superior, a arena da Copa Barista foi um dos destaques do SPCF. Ali, baristas se enfrentaram em busca do primeiro lugar desta 8ª edição, e tiveram que entregar aos juízes sensoriais, em 12 minutos, suas melhores versões de filtrado no método Melitta, de espressos e de bebidas com leite, sendo avaliados, também, tecnicamente.

Depois de dois dias de classificatórias, oitavas e quartas de final, as semifinais aconteceram no domingo, assim como a disputa de terceiro e quarto lugares e a grande final. As duas chaves das semifinais foram compostas pelas baristas Elis Bambil (Punga Cafés Especiais) x Pétrea Miharu (autônoma), e Thiago Sabino x Hugo Silva (ambos da Sabino Torrefação). Dessas disputas, Elis e Hugo levaram a melhor e se classificaram para a final. Na sequência, Thiago Sabino competiu com Pétrea e levou o troféu de terceiro lugar. 

A final, realizada ao final da tarde do último dia de São Paulo Coffee Festival, foi assistida por uma arena lotada de profissionais do mercado e coffee lovers. Em um clima de entusiasmo e emoção, Hugo Silva foi o grande campeão da 8ª Copa Barista. “Fiquei muito feliz com o sucesso que obtivemos. Nosso time veio muito empenhado em dar o melhor e conseguimos um resultado muito expressivo”, comemora Silva. 

Thiago Sabino (terceiro lugar), Hugo Silva (campeão) e Elis Bambil (segundo lugar)

Para a competição, Hugo utilizou um café da variedade starmaya no espresso, cultivado na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG). Já para o filtrado, a escolha do barista foi um geisha da Fazenda Guariroba, localizada no município mineiro de Campo das Vertentes.

Além do troféu, o barista levou um cheque no valor de R$ 6 mil, um cupom de R$ 500 para gastar no e-commerce da Café Store, um método Melitta Amano e brindes da Nude. “Sinto que cada vez mais o público está tendo acesso às competições e aos baristas, e isso é muito legal. Mostra que estamos no caminho certo”, comenta o campeão. “Este ano tem mais algumas competições e vamos marcar presença”, completa. 

A 8ª Copa Barista foi patrocinada pela Melitta e contou com o apoio da Café Store e da Bunn. A máquina oficial do campeonato foi a Storm, da Astoria, e o leite oficial ficou por conta da Nude.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Agência Ophelia
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