Mercado

São Paulo Coffee Festival debate como o café conecta experiência, gastronomia e negócios

Com programação para profissionais e consumidores, espaço O Laboratório discute tendências, hospitalidade, construção de marcas, gastronomia e o novo mercado de café 

Com ingressos a partir de R$ 40 (diário, meia-entrada), o SPCF, que acontece de 26 a 28 de junho na Bienal do Ibirapuera, na capital paulista, promete uma programação intensa de workshops, palestras e rodas de conversa para profissionais, curiosos e amantes da bebida. No espaço O Laboratório, cujos temas giram em torno de tendências e novas experiências em café, o público poderá acompanhar paineis que vão da lavoura à xícara. 

Na sexta (26, às 17h), um dos destaques é “O café é só o começo: o papel da hospitalidade na experiência do cliente”. No palco, Hélio Roberto Chagas (docente do Centro Universitário Senac), Meiri Cardoso (gerente de produção da Fazenda Atalaia) e Luciana Melo (CEO e sócio-fundadora do Café Cultura), conduzidos pelo barista Juarez Gomes, discutem a importância da hospitalidade na gastronomia e o papel de experiências para o público como eventos, turismo rural e inovação.  

No sábado (27, às 16h), o debate “Além das fronteiras: ideias e movimentos que estão inspirando o café na América do Sul e Europa” é enriquecido com as vivências e visões de mercado de Fernando Pacheco (diretor de produto da Culto Café) e de Luis Fertonani (chief marketing officer da The Coffee), com mediação de Thais Lima (gerente comercial do Grupo Baobá).

Logo depois, às 17h, o palco terá o painel “Produtoras protagonistas: quando a origem vira marca”. Mediado por Nadia Nasr (sócia da torrefação Café Por Elas), o papo conta com a presença de Elda Cardoso (mestre de torra da La Finca Cafés Especiais), Luiza Lacerda (proprietária da Os De Lacerda) e Victoria Veloso (fundadora e CEO da Velvy Coffee), que comentam o papel estratégico dos produtores que, além de qualidade na lavoura, apostam na construção de marcas próprias, agregando valor à origem.

No domingo (às 12h) o painel gastronômico “Cada ingrediente importa: como um bom café pode transformar receitas gastronômicas” discute a importância de um café de qualidade em preparos em que ele não é o ingrediente principal. Participam dele Tuta Aquino (proprietário da  Baianí Chocolates), Telma Shimizu (chef proprietária do Aizomê) e Rosangela Alves (proprietária da Amollis Gelato), com mediação de Letícia Paiva (especialista em café e educação sensorial). Confira a programação completa do espaço O Laboratório aqui.

SPCF 2026
Quando: de 26 a 28 de junho de 2026
Onde: Bienal do Ibirapuera (Parque Ibirapuera, portão 3 — av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, São Paulo, SP)
Quanto: ingressos a partir de R$ 40 (diário, meia-entrada), à venda no site.

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia/SPCF

Cafezal

Porque um El Niño intenso deixa café e cacau em situação vulnerável

Trabalhador ensaca amêndoas de cacau em Fengolo, na Costa do Marfim (Reuters)

Por Reuters, de Londres/Nova York 

Especialistas em previsão meteorológica de todo o mundo afirmam que cresce a probabilidade de desenvolvimento de um El Niño de grande intensidade no segundo semestre, o que pode elevar temperaturas, alterar padrões de chuva e trazer riscos para lavouras de café e cacau em diversas regiões do planeta.

O que é o El Niño e por que commodities agrícolas cultivadas em regiões tropicais, conhecidas como “soft commodities”, estão particularmente expostas?

El Niño

O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Em geral, ele provoca aumento das temperaturas globais, secas em regiões como sul e sudeste da Ásia, Austrália e sul da África, além de chuvas intensas no sul da América do Sul e em algumas regiões dos Estados Unidos.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) declarou na semana passada a chegada do El Niño. O órgão também informou que há possibilidade de intensificação do fenômeno, com 63% de chance de ocorrência de um “super El Niño” até 2027.

A seca, o calor excessivo ou as chuvas intensas associadas ao El Niño são um duro golpe para os agricultores, que já enfrentam neste ano o aumento dos custos de fertilizantes e de diesel em decorrência da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Historicamente, os preços das commodities agrícolas registram altas sustentadas durante episódios de El Niño.

Café

O El Niño é especialmente problemático para a variedade robusta no Vietnã e na Indonésia a partir do segundo semestre, pois causa temperaturas mais elevadas e redução das chuvas nos dois países, responsáveis por cerca de 50% da produção global da variedade. As condições climáticas adversas ocorrem durante a fase de desenvolvimento do café, e os impactos surgem durante a colheita, no quarto trimestre. “A seca no Vietnã e na Indonésia pode reduzir significativamente os rendimentos do café robusta”, afirmaram analistas do Citi.

No caso do arábica, os efeitos do El Niño são mais complexos. Carlos Santana, diretor comercial da EISA, subsidiária da trading ECOM, disse que o fenômeno pode, no início, beneficiar a safra que está sendo colhida no Brasil, já que temperaturas mais elevadas reduzem o risco de geadas durante o inverno no Hemisfério Sul.

No entanto, no quarto trimestre, o El Niño costuma afetar as regiões produtoras de café brasileiras com temperaturas elevadas e estiagem, justamente quando se desenvolve a safra seguinte. Isso pode prejudicar a produção de 2027.

Cacau

Segundo a gestora de investimentos WisdomTree, todos os episódios fortes de El Niño nos últimos 55 anos reduziram a produção mundial de cacau.

No último evento, entre meados de 2023 e de 2024 e considerado de intensidade moderada a forte, a África Ocidental — principal região produtora — sofreu com chuvas muito acima da média no início, o que deixou os cacaueiros mais vulneráveis a doenças fúngicas.

Em 2024, porém, o padrão climático mudou. A região passou a enfrentar calor intenso e ventos Harmattan (seco e poeirento que sopra do Saara sobre a África Ocidental até o Golfo da Guiné) excepcionalmente secos e fortes, levando árvores já debilitadas pela doença a perderem flores.

“Todo mundo pensa que o El Niño está associado apenas à seca na África Ocidental. Isso não é necessariamente verdade. Devido às mudanças climáticas, o resultado pode ser, inicialmente, um excesso de chuva. Neste momento, essa é a minha maior preocupação”, afirmou Jim Roemer, da consultoria Best Weather.

Cerca de metade do cacau consumido no mundo é produzida na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores globais. O Equador, que ocupa a terceira posição no ranking mundial, também costuma registrar chuvas acima da média durante os eventos de El Niño. 

Em 2024, os preços do cacau quase triplicaram após o fracasso da safra na África Ocidental. No fim daquele ano, atingiram recordes acima de US$ 12 mil por tonelada, tornando a matéria-prima do chocolate mais cara do que muitos metais industriais.

TEXTO Por Reuters, de Londres/Nova York  • FOTO Reuters

Mercado

Rotina sem cafeína: descafeinados conquistam consumidores no mundo todo

Seja por escolha de estilo de vida ou por questão de saúde, o consumo de cafés descafeinados cresceu e pode movimentar mais de US$ 30 bilhões até 2033

Por Kelly Stein

O mercado global de cafés descafeinados avança em ritmo acelerado. A agenda do bem-estar ganhou força: menos excessos, menos estímulos, menos cafeína. Desacelerar, portanto, passou a orientar escolhas de consumo. Nesse contexto, o café descafeinado, relegado a segundo plano por muito tempo, encontrou espaço para se reposicionar.

O antigo jargão “decaf before death” soa cada vez mais deslocado. Popular entre apreciadores de cafés especiais no passado, a expressão ironizava o descafeinado como última escolha, quase uma concessão feita apenas no fim da vida. Durante anos, a bebida foi associada à perda de intensidade e de experiência sensorial. Agora, a narrativa começa a mudar e o mercado confirma essa virada.

De acordo com o relatório Decaf Coffee Market Size, Share, and Growth Analysis, da SkyQuest, empresa norte-americana especializada em inteligência de mercado e inovação, o segmento movimentou US$ 21,3 bilhões em 2024 e pode alcançar US$ 30,29 bilhões até 2033. A pesquisa aponta também uma projeção de crescimento anual composta (CAGR) da categoria de 7,43% nos próximos sete anos. Mais do que uma tendência de consumo, o movimento sinaliza uma mudança cultural na forma de consumir café.

A inflexão ocorre a partir de 2020, com a pandemia de Covid-19, explica a pesquisa. Confinadas em casa, lidando com crises de ansiedade, milhões de pessoas começaram a rever o que colocavam no prato e na xícara.

Para desacelerar

Antes de tudo, é preciso dizer: a cafeína está longe de ser vilã. Consumida para melhorar foco, concentração e desempenho físico, ela também impulsiona o mercado de energéticos.

“A cafeína é um termogênico que melhora o desempenho esportivo”, afirma a nutricionista Fernanda Timerman, idealizadora do Instituto Nutrição Comportamental. “Ela se torna um problema quando é utilizada como muleta para pessoas que têm privação de sono ou que tomam muito café para inibir a fome”, explica.

De fato, muitos consumidores que evitam cafeína tem algum tipo de restrição à saúde, como alta sensibilidade à substância ou questões clínicas associadas ao seu consumo, como insônia, ansiedade ou problemas cardíacos.

Estudos com adultos da América do Norte e da Europa mostram que a resposta à cafeína varia entre indivíduos – 40% a 50% dos europeus, por exemplo, metabolizam a substância mais lentamente. Além disso, estimativas globais apontam que entre 15% e 20% dos adultos apresentam algum transtorno de ansiedade – grupo no qual a cafeína pode intensificar sintomas.

Segundo o relatório da SkyQuest, a Geração Z vem ampliando esse grupo ao consumir versões descafeinadas ou com baixo teor de cafeína em preparos como cold brew e blends, com foco na qualidade sensorial.

No outro extremo, cresce o interesse das pessoas por “desacelerar”. Dados do relatório Spring 2024 NCDT, produzido anualmente pela National Coffee Association (NCA) – entidade que representa o setor cafeeiro dos Estados Unidos – mostram que o consumo de descafeinado aumentou cerca de 20% entre norte-americanos acima de 40 anos e 11% entre aqueles com mais de 60 anos.

A mudança também ganha força com a atuação de nomes influentes do setor. O barista britânico James Hoffmann, campeão mundial e fundador da Square Mile Coffee Roasters, produziu conteúdo nas redes para combater a má reputação dos descafeinados modernos. Nos Estados Unidos, Weihong Zhang venceu em 2024 o US Brewers Cup com um typica descafeinado da Colômbia – que depois entrou no portfólio de sua torrefação, a BlendIn Coffee Club, em Houston.

O descafeinado, portanto, vem deixando de ser um produto de nicho e passa a ganhar escala também como tendência.

E no Brasil?

No Brasil, o segmento de descafeinados pode crescer a uma taxa média anual (CAGR) de 5,2% entre 2026 e 2033, de acordo com relatório da consultoria norte-americana Grand View Research. A projeção da consultoria é a de que o mercado brasileiro movimente US$ 164,1 milhões no período.

A pioneira no processo de descafeinação no Brasil foi a Cocam Cia. de Café Solúvel e Derivados, em Catanduva (SP). Fundada em 1970, a empresa adota o método tradicional, com uso de solventes químicos. Há 56 anos, fornece café descafeinado para marcas no Brasil e no exterior.

Com opção de café descafeinado no portfólio desde 2013, a Orfeu Cafés Especiais optou pelo método de descafeinação Swiss Water Process, que usa apenas água para a retirada da substância e cuja única fábrica fica na província de British Columbia, no Canadá. “A gente separa um café de nossa produção, envia o café para o Canadá e eles fazem o processo de descafeinação, com retorno do mesmo café sem a cafeína para nós. É um processo de quase um semestre”, diz Lucas Franco, agrônomo e gerente responsável pelo Complexo Sertãozinho, que reúne as fazendas da Orfeu.

Franco se alinha ao que as pesquisas apontam. “A gente percebe uma evolução no consumo de café
especial, de um café com novas experiências entre os jovens, que diminuíram o consumo de álcool e
investiram nas coffee parties, que servem drinques com café. Acho que tudo isso, e o fato de que há
aqueles que não têm costume de consumir cafeína ou sentem alguma alteração, acaba atraindo o consumo de descafeinados, que se tornou mais comum”, detalha ele. Em 2025, a venda de café descafeinado da Orfeu foi proporcional à venda de café da linha clássica da marca.

“Observamos um crescimento gradual e consistente no consumo de cafés descafeinados no Brasil”, concorda Denise Ritur, gerente de marketing da Melitta. “Ainda que a categoria represente uma parcela pequena do total de café torrado e moído quando comparada aos demais países, trata-se de um segmento com crescimento de dois dígitos nos últimos anos”, afirma. A Melitta, inclusive, acaba de lançar um café descafeinado – o segundo da marca – para compor sua linha Tradicional.

De olho no crescimento desse mercado consumidor e nas vantagens estratégicas de operar no Brasil, o grupo mexicano Descamex (Descafeinadores Mexicanos) anunciou, em 2025, a formalização de uma joint venture com o Grupo ECOM, por meio da subsidiária Eisa, para investir em uma fábrica no Brasil. A unidade brasileira é a segunda da empresa – cuja matriz fica na cidade de Córdoba, em Veracruz, no México – e está instalada em Sooretama (ES), no centro da maior zona produtora de café conilon do país.

A nova fábrica também é a primeira no Brasil a extrair cafeína exclusivamente com água por meio do protocolo Mountain Water. A operação foi concluída em setembro do ano passado e, no Brasil, passou a se chamar DM Descafeinadores do Brasil.

“Queremos apostar no mercado consumidor do Brasil, mas nossa segunda fábrica foi pensada para atender, também, todos os nossos clientes no mundo”, afirma o diretor comercial da ECOM, Carlos Santana. Ele diz que a escolha pelo Espírito Santo levou em conta fatores estruturais e regionais. “Além de questões com custo de logística e acesso a grandes volumes de café por estar mais próximo de fazendas, os empresários capixabas nos convenceram de que esse era o melhor lugar para receber nossa operação.”

Segundo Santana, a proximidade com o porto de Vitória facilita o escoamento para o exterior e reduz custos logísticos. “Imagine o seguinte cenário: uma torrefação japonesa compra café brasileiro e precisa receber o lote descafeinado. No passado, esse container precisava viajar longas distâncias”, relembra Santana. “Além de economizar tempo, nossa unidade aqui vai diminuir os custos logísticos e de impostos para o cliente final”, explica.

A fábrica tem cerca de 9,5 mil m2, seis pavimentos industriais e, até a conclusão desta edição, operava em caráter de teste. Para 2026, a expectativa é descafeinar cerca de 250 mil sacas de café – 80% desta produção, destinada ao mercado internacional. Segundo a empresa, a unidade brasileira deve atender marcas como Nespresso e 3corações. A DM Descafeinadores do Brasil ainda dá destino à cafeína retirada dos grãos, que é vendida a indústrias de alimentação, bebidas, cosméticos e produtos farmacêuticos.

O que antes era visto como concessão virou escolha. O descafeinado cresce, apoiado por tecnologia e por um consumidor mais atento ao próprio ritmo. A cafeína pode sair de cena, e o mercado, oferecer mais formas de consumir café.

TEXTO Kelly Stein

Cafezal

Circuito das Águas Paulista conquista Indicação de Procedência para cafés

por Cristiana Couto

A região do Circuito das Águas Paulista, na Serra da Mantiqueira, tornou-se em 26 de maio a mais nova indicação geográfica paulista, na modalidade Indicação de Procedência (IP). 

A nova IP inclui nove municípios – Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro – distribuídos nos 177 mil hectares da região, que será gerida pela Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap). 

De clima ameno (entre 13ºC e 26ºC), com altitudes que alcançam 1,4 mil metros de altitude, a IP permite a produção de cafés arábica, processados pelos métodos natural, CD, desmucilado ou por fermentação espontânea. Entre as variedades produzidas estão  catucaí amarelo e vermelho, obatã, mundo novo, bourbon amarelo, icatu amarelo e Iapar. 

O turismo da região, relacionado ao roteiro das águas, fortalece a identidade local e pode ser um atrativo, também, para o café, que conta com fazendas históricas que recebem visitas.

História da nova IP paulista de café

A cafeicultura chegou à região por volta de 1835, oriunda de Campinas. Em 1840, já há registros de cultivo do café em Socorro. A partir de meados do século, a produção aumentou, refletindo no crescimento econômico local. 

Amparo, que atualmente cultiva cerca de 1,6 mil hectares de arábica e é o maior município produtor da IP, já era um dos principais produtores de café na década de 1870, apoiado pela expansão dos trilhos da Companhia Mogiana e pela chegada de imigrantes, especialmente italianos. 

Na mesma época, Serra Negra produziu café em larga escala. Tanto que, em 1913, o município foi elencado no livro Impressões do Brazil no Século Vinte – fonte importante para a compreensão das economia e infraestrutura brasileiras na Primeira República (1889-1930), bem como das elites regionais – como responsável, ao lado de Amparo, por 10% da produção brasileira de café. 

Mesmo depois da crise de 1929, o café permaneceu como tradição familiar e contribuiu para a economia local. Desde a década de 1970, a mecanização da produção desestimulou a competitividade dos produtores de commodities da região, de topografia montanhosa. Mais tarde, porém, alguns produtores decidiram produzir grãos de qualidade. 

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Barista

Definido o chaveamento da 10ª Copa Barista no São Paulo Coffee Festival

A 10ª edição da Copa Barista está prestes a começar. Entre os dias 26 e 28 de junho, 20 baristas de diferentes regiões do Brasil se enfrentam na competição, que mais uma vez integra a programação do São Paulo Coffee Festival, na Bienal do Ibirapuera.

Como acontece tradicionalmente, alguns competidores entram na disputa como “cabeças de chave” e garantem vaga direta nas oitavas de final. O chaveamento foi definido por sorteio. Confira abaixo os dias e horários de cada confronto.

Nesta edição, cada participante terá 12 minutos para preparar e apresentar aos juízes, nesta ordem, duas unidades de café filtrado no método escolhido pelo competidor, duas unidades de espresso e duas unidades de cappuccino, feito com leite vegetal Naveia. Além do sensorial, os baristas são avaliados tecnicamente durante o preparo. O regulamento completo da competição pode ser consultado aqui.

O campeão da 10ª Copa Barista será conhecido na tarde do domingo (28), último dia de São Paulo Coffee Festival. Além do título, o vencedor receberá R$ 6.500 em dinheiro, um cupom de vale-compras de R$ 550 para utilizar no site da Café Store e representará o Brasil na competição Fiamma World Barista Open 2026, que será realizada de 10 a 12 de setembro na fábrica da Fiamma, em Aveiro, Portugal. As despesas da viagem serão totalmente custeadas pela Fiamma.

TEXTO Redação

Cafezal

Evento reúne especialistas em agricultura regenerativa em Piracicaba (SP)

No dia 23 de junho, o Brasil vai receber a primeira edição brasileira do Fórum de Agricultura Regenerativa, um dos mais relevantes encontros internacionais dedicados à transformação dos sistemas alimentares e produtivos.

Promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal, o evento, que acontece em Piracicaba (SP), das 8h às 20h, consolida o país como centro estratégico para discussões sobre o futuro sustentável da agricultura.

Com o tema “Acelerando a Transição”, o fórum reunirá produtores rurais, cientistas, investidores, lideranças empresariais, organizações comunitárias e formuladores de políticas públicas em torno de soluções práticas para a regeneração dos solos, preservação da biodiversidade, segurança hídrica, produtividade sustentável e resiliência climática.

A iniciativa coloca o Brasil no centro de uma agenda internacional que busca transformar o agro em uma ferramenta de restauração ambiental e desenvolvimento econômico sustentável.

TEXTO Redação

As ondas do café brasileiro

Bruno Bortoloto do Carmo

Aqueles que leram um pouco da história do café já devem ter se deparado com o famoso conceito das “ondas do café”. O termo surgiu em texto de um boletim informativo digital chamado The Flamekeeper: the Newsletter of the Roasters Guild. Nele – um artigo de novembro de 2002 intitulado “Norway and Coffee” –, a barista norueguesa Trish R. Skeie tenta explicar, de forma livre, como ela entendia o consumo de café naquela época.

No texto, a autora propõe que o café seja visto a partir de três movimentos distintos, chamados por ela de ondas. A primeira é focada no consumo sem distinção de qualidade; a segunda já começa a se preocupar com a qualidade da bebida, mas também inclui a diversificação dos cardápios das coffee shops (então populares), como a introdução de drinques de café; já na terceira, importadores, torrefadores, cafeterias e consumidores passam a ser mais exigentes, buscando características sensoriais distintas, atentos à origem e ao produtor desses grãos.

Acontece que esse termo se transformou numa fórmula para compreender a história do consumo do café em diversos contextos — o que me parece perigoso e generalizante. Muitos textos (até acadêmicos, mesmo que não da área de história) o utilizam para encaixar, inclusive, a experiência brasileira de consumir café, que se difere — e muito — da de outros países consumidores.

Além disso, as periodizações seguem datações e exemplos da indústria do setor (como as marcas estadunidenses Maxwell House ou Peet’s Coffee and Tea), que não se encaixam no caso brasileiro.

O Brasil é o principal produtor de café do mundo desde 1860, além de responder pelo segundo maior mercado consumidor desde (pelo menos!) os anos 1940 ou 1950. Seu caso é muito particular para que nos limitemos a adaptações de leituras externas. Por isso, nesta coluna, proponho um olhar para a nossa história do consumo, buscando enxergar particularidades — inclusive, propondo novas periodizações.

Primeira onda (século XVIII-1930)

O principal foco da primeira onda de café no Brasil foi o aumento de seu consumo e sua função socializante. Dizer que o café tornou-se um produto social apenas em fins do século XIX ou início do XX é um sacrilégio. A bebida já era amplamente consumida desde meados do XVIII, apesar da baixa produção e do fato de que o consumo ocorresse próximo das regiões produtoras, como Belém, Recife, Salvador e Rio de Janeiro.

Essa bebida, ainda ilustre desconhecida, passou a ser mais e mais consumida nas primeiras décadas do século XIX. A explosão da produção no Rio de Janeiro e a presença, ali, da corte portuguesa fizeram com que hábitos europeus fossem incorporados e difundidos em outras áreas do país.

O café fluminense passou a ser “importado” por outras regiões, principalmente norte e nordeste, que também incorporaram os costumes daquela província. Foi nesse momento que a palavra café começou a ser usada para designar estabelecimentos de consumo público e sociabilidade, à moda dos de Paris.

Ao longo do século XIX, o consumo se massificou. Cafés icônicos se consolidaram, principalmente no Rio de Janeiro, onde aconteciam rodas literárias, de músicos e artistas. Marcas de café torrado e moído surgiram, como Café do Globo, Papagaio, Amorim e Paraventi. A partir daí, temos uma bebida de massas — e os termos “brasileiro” e “cafezinho” tornam-se indissociáveis.

Segunda onda (1940-1989)

É caracterizada pela busca por qualidade e pela diversificação do cardápio das cafeterias, introduzindo drinques e receitas que servirão de base para o futuro café especial.

A crise de 1929 gerou estoques imensos de café no Brasil. Para ampliar o consumo interno, o governo direcionou cafés de qualidade inferior, que não eram exportados, para o mercado doméstico, com subsídios. A ação manteve o preço baixo e popular, consolidando o país como o segundo maior consumidor mundial. Foi nesse período que surgiu a famosa ideia de que “o café ruim fica no Brasil, o bom se exporta”.

Ironicamente, enquanto o governo subsidiava cafés de baixa qualidade, surgiam campanhas para melhorar o produto, com fiscalização sanitária e criação de cafeterias-modelo no Rio e em São Paulo a partir dos anos 1940. No entanto, a qualidade continuava um problema e, nos anos 1950 e 1960, o café perdia popularidade entre os jovens para refrigerantes e milk-shakes.

Para combater a queda no consumo, especialmente no verão, periódicos divulgaram drinques de café gelado, como o vienense e o irish. O cappuccino também começou a aparecer, embora fosse, então, um subproduto da indústria do café solúvel.

Um divisor de águas foi a Casa do Café (1970), projeto do Instituto Brasileiro do Café (IBC) em Santos, que vendia o melhor café “tipo exportação”, com pontos de torra variados. A cafeteria serviu de modelo para outras de alto padrão que surgiram – principalmente nos então novíssimos shopping centers do eixo Rio-São Paulo –, voltadas às classes mais abastadas.

Terceira onda (1989-atualidade)

A terceira onda foca no café especial, com ênfase em alta qualidade, nas características sensoriais, rastreabilidade e microlotes geralmente de pequenos e médios produtores.

Dois eventos são decisivos: a criação do selo de pureza da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), em 1989, e a extinção do IBC, em 1990.

O IBC era o símbolo do café padronizado (e único) a baixo custo, o que era incompatível com um mercado de cafés de diversas qualidades. Enquanto isso, a ABIC vinha suprir a suspeição da baixa qualidade do café consumido internamente pelo brasileiro.

Foi nesse período que o espresso e o barista ganharam protagonismo. Embora presente no Brasil desde os anos 1910, o espresso só se popularizou na década de 1990, transformando as máquinas italianas nas grandes estrelas das cafeterias. Outros marcos importantes foram a criação da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em 1991, o movimento pela denominação de origem do Cerrado Mineiro e o concurso Cup of Excellence, em 1999, que revelou a riqueza sensorial dos cafés brasileiros.

Na mesma década tem início também a formação do barista. O novo profissional, protagonista dos cafés especiais nas primeiras décadas do século XXI, tem tudo a ver com esse movimento de consumo público interno do café. Cafeterias passaram a buscar pessoas capacitadas, enquanto a indústria incentivou a criação de cursos.

Um dos primeiros foi criado pelo Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo em 1996. A iniciativa, replicada no Rio e em Santos, marcou o surgimento dos Centros de Preparação de Café (CPCs), que capacitavam quem trabalha com o preparo da bebida seguindo a nova lógica da diversidade de cafés — sinal de um novo momento.

Nos últimos 25 anos, o café especial e o barismo transformaram a forma como o brasileiro se relaciona com o café. A importação mais fácil de métodos de preparo — coadores, prensas e até a aeropress — e o aprofundamento do conhecimento sobre as particularidades sensoriais da bebida tornaram o setor mais complexo. Profissionais buscaram métodos cada vez melhores para extrair diferentes qualidades, realçando características distintas de um mesmo café.

A atenção à torra e à moagem também aumentou. Os microlotes — frações da produção, muitas vezes de pequenos cafeicultores — se popularizaram. Essas relações extrapolaram o aspecto sensorial do café ao conectar quem consome e quem produz. Busca-se, a partir daí, histórias por trás da xícara, numa relação de pertencimento com a bebida. Transformações estas que aconteceram simultaneamente no Brasil e no mundo.

Bruno Bortoloto do Carmo é doutor em História Social pela PUC-SP, com passagem pela École des Hautes Études en Sciences Sociales em Paris. Pesquisador do Museu do Café de Santos por 13 anos, atualmente trabalha no Museu da Imigração em São Paulo.

Texto originalmente publicado na edição #90 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Bruno Bortoloto do Carmo • ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes

Mercado

Café: um produto não essencial que vira hábito indispensável

Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação desloca o olhar para um território menos frequentado pela historiografia brasileira: o do consumo, da vida urbana e das sociabilidades que se formaram em torno da bebida.

Partindo da constatação de que o café se tornou um elemento estruturante do cotidiano moderno, presente nas refeições, nos espaços públicos e nos rituais de convivência, o livro propõe entender como um produto não essencial se converteu em hábito indispensável e marcador social.

Organizado pela dupla de historiadores Joana Monteleone, também editora e pesquisadora-colaboradora da Universidade de São Paulo, e Bruno Bortoloto do Carmo, doutor em História Social, que atuou como pesquisador do Museu do Café de Santos por 13 anos, o volume reúne 15 artigos sobre pesquisas recentes de uma série de autores de diferentes linhas historiográficas. O conjunto articula história econômica, urbana e da alimentação e recusa fronteiras rígidas entre esses campos.

No artigo “O consumo de café e as novas sociabilidades paulistanas nas primeiras décadas do século XIX”, a historiadora Rafaela Basso acompanha a bebida desde a produção doméstica até sua incorporação a práticas sociais marcadas por gênero, classe e exclusão.

Por meio de sua análise, afasta a imagem de São Paulo como um núcleo pobre e pacato e a aproxima da de uma cidade já integrada a circuitos modernos de consumo, na qual o café surge como marcador simbólico de pertencimento antes mesmo de sua plena popularização.

Abordagens científicas conduzem os ensaios de Cristiana Couto, doutora em história da ciência e coordenadora de conteúdo da Espresso&CO, que propõe discussões sobre o café como alimento e medicamento no Brasil no século XIX, e de Moisés Stahl, doutor em história econômica, que examina o café como objeto de investigação científica em perspectiva histórica.

Um dos méritos da obra está na ampliação do repertório documental. Romances, folhetins, peças teatrais, menus, discos, almanaques e teses médicas dialogam com atas oficiais e jornais e revelam o café como mercadoria, alimento, estimulante, remédio e símbolo de distinção.

Ao acompanhar a emergência dos cafés, botequins, confeitarias e espaços de consumo nas cidades, sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, os autores mostram como o cafezinho ajudou a moldar práticas sociais e formas de pertencimento urbano no século XIX.

Ao mesmo tempo, o livro assume suas lacunas como desafio futuro, principalmente no que diz respeito às relações de trabalho e à presença da escravidão no universo do consumo. Essa fricção entre potência analítica e ausência temática reforça o caráter do volume — menos síntese conclusiva e mais convite
a novas investigações sobre comer, beber e conviver no Brasil do café.

TEXTO Luiza Fecarotta

Café & PreparosMercado

USDA projeta safra recorde de 71,9 milhões de sacas para o Brasil

Previsão é de 14% a mais do que no ciclo anterior, o que estimulará, segundo o órgão, um salto de 30% nas exportações

Funcionário em plantação de canéfora em São Gabriel da Palha (ES), em setembro de 2025. REUTERS/Alexandre Meneghini

Reuters, de São Paulo

A safra de café do Brasil deve aumentar 14% em 2026/27, para um recorde de 71,9 milhões de sacas, impulsionando um salto de 30% nas exportações após anos de produção abaixo do potencial, segundo relatório do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).

A colheita brasileira no ciclo 2026/27 (julho-junho) deve avançar com impulso da produção de café arábica, cuja safra deve crescer 25% no período, diante da bienalidade positiva, combinada a condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras e investimentos após anos de preços altos.

Chuvas suficientes durante o período de florada em 2025 e maior regularidade hídrica no início de 2026 garantiram bom desenvolvimento das lavouras, contribuindo para a perspectiva de alta produtividade, disse o USDA. 

Além disso, preços internacionais mais elevados estimularam a expansão de área plantada e maior investimento em manejo, incluindo o uso de tecnologias que aumentam a densidade de plantio por hectare.

A produção de café arábica do Brasil é estimada em 47,5 milhões de sacas em 2026/27, e a de canéfora (robusta e conilon) está projetada em 24,4 milhões de sacas – ligeiramente abaixo das 25 milhões de 2025/26, reflexo, segundo o USDA, dos impactos pontuais de clima mais frio e chuvas excessivas em algumas regiões produtoras após um ano anterior de alta produtividade.    

Outras instituições, como a estatal Conab, e analistas privados também têm afirmado que a produção brasileira será a maior da história.

Exportações

No comércio exterior, prevê-se exportações brasileiras de cerca de 49 milhões de sacas em 2026/27, ante 37,8 milhões no ciclo anterior, refletindo a maior disponibilidade do grão com a safra volumosa. 

Apesar da previsão, as vendas externas poderiam ser ainda maiores, não fossem os estoques baixos. O relatório apontou que as exportações têm sido limitadas no início de 2026 por conta desse limite de estoque, resultado de colheitas menores em anos recentes e de demanda externa forte.

A tendência das exportações, no entanto, é de recuperação ao longo do ano, com a aceleração da colheita a partir de meados de maio e maior entrada de produto no mercado no segundo semestre, disse o USDA.

No plano interno, o USDA apontou que o consumo de café no Brasil deve permanecer relativamente estável em 2026/27, estimado em 22,39 milhões de sacas –  um aumento de cerca de 0,5% em relação ao ciclo anterior, refletindo uma leve recuperação após retração recente causada por preços elevados ao consumidor.

A pátria de café e de chuteiras

Por Gustavo Paiva

Segundo o escritor Nelson Rodrigues, o Brasil é “a pátria de chuteiras”. A cada quatro anos, o maior torneio de futebol do planeta envolve a população brasileira em torno de um televisor, esperando o pontapé inicial das partidas. De maneira quase invariável, o início da Copa do Mundo de futebol coincide, também, com o da colheita de café no Brasil.  

Ocorre que, há algumas décadas, esta coincidência representou uma relação direta. No final dos anos 1970, a FIFA exigiu de suas associadas a criação de uma organização dedicada exclusivamente ao futebol. Foi assim que a antiga Confederação Brasileira de Desportos (CBD), deu lugar à Confederação Brasileira de Futebol (CBF). 

A Copa na Argentina, disputada em 1978, foi a última da antiga confederação. Depois de uma campanha da seleção brasileira considerada frustrante — com um terceiro lugar, apesar da invencibilidade —, houve uma forte demanda por mudanças dentro e fora de campo.

A junção entre a obrigação das mudanças institucionais e a  pressão por mudanças vindas da sociedade fez com que a nova entidade máxima do futebol brasileiro mudasse não apenas o nome, mas também o escudo, costurando no peito da seleção canarinho as três estrelas do tricampeonato e a taça Jules Rimet, conquistada definitivamente pela seleção. 

Além disso, o Instituto Brasileiro do Café (IBD), extinto em 1990, estava preocupado, à época, com o crescimento da concorrência internacional na produção do grão e com a melhora da imagem do café dos concorrentes. Foi aí que o IBD decidiu ousar: desembolsou 3 milhões de dólares como patrocínio à recém-criada confederação antes do Mundial de 1982. Além do escudo, o patrocínio incluía peças publicitárias com os destaques da seleção – Sócrates, Zico e Telê –, visando o mercado doméstico.

O patrocínio previa, ainda, uma representação gráfica do tradicional ramo do café, impresso nas sacarias brasileiras, em lugar do logotipo da Topper, fornecedora de material esportivo. Ao saber da história, o então presidente da FIFA, João Havelange, ficou furioso e vetou imediatamente o patrocínio escancarado da então única seleção tricampeã mundial, que chegava à Espanha repleta de craques e com amplo favoritismo.

Com pouco tempo para fazer mudanças e um excelente contrato em jogo, o então presidente da CBF, Giulite Coutinho, optou por uma solução tipicamente brasileira: o jeitinho. Aproveitando o momento em que muitas seleções mudaram os logotipos de suas respectivas confederações, a CBF colocou o ramo de café no escudo da própria instituição e, consequentemente, no uniforme da seleção brasileira. 

Como as regras ainda não eram precisas quanto à temática dos escudos e a fiscalização dos uniformes não exigia o profissionalismo de hoje, o Brasil acabou jogando o Mundial de 1982 com um ramo de café no interior do escudo. 

Tanto Havelange quanto a CBF prometeram dobrar a aposta e seguir a briga na Copa do Mundo de 1986. Mas, desta vez, a história teve elementos extras e inusitados. A Colômbia, sede do Mundial de 1986 e principal rival da cafeicultura brasileira à época, enfrentava uma grave crise de segurança em razão dos conflitos ligados ao narcotráfico. Assim, desistiu de sediar o mundial, que acabou transferido para o México. 

Portanto, a tentativa de fazer propaganda do café nacional em território concorrente perdia um pouco o sentido. Além disso, a FIFA aumentou o rigor na fiscalização dos uniformes, buscando vetar quaisquer referências a possíveis patrocinadores. A CBF não deixou barato e levou carregamentos extras de uniformes para tentar burlar a fiscalização. Resultado: o Brasil entrou em campo com alguns uniformes ostentando o ramo de café e outros sem ele. Naquela seleção brasileira, havia um jogador que conhecia muito de café e de futebol: o volante machadense Elzo Coelho, titular em todos os jogos. 

De lá para cá, muita coisa mudou. O Brasil distanciou-se muito dos concorrentes na produção de café, mas nem tanto nos títulos mundiais de futebol. Porém, o que se vê atualmente nos uniformes são algumas referências nacionais que, diferentemente do café, não parecem relacionadas ao cotidiano da maioria dos brasileiros. Além disso, uma estratégia orquestrada e ousada para promover o consumo do café brasileiro durante o Mundial, dentro ou fora do país, não parece ser mais uma prioridade. 

Gustavo Magalhães Paiva é formado em relações internacionais pela Universidade de Genebra, é mestre em economia agroalimentar e foi consultor das Nações Unidas para o café.

TEXTO Gustavo Paiva
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