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Xangai ultrapassa 10 mil cafeterias em 2025

Relatório publicado por associação e universidade chinesas mostra avanço do consumo, expansão das cafeterias e fortalecimento da produção de cafés especiais em Yunnan

Xangai ultrapassou a marca de 10 mil cafés em 2025, ao alcançar 10.336 estabelecimentos, em comparação aos 9.115 registrados no ano anterior. Os dados constam do Relatório sobre o Desenvolvimento do Café nas Cidades Chinesas 2026, lançado em 30 de abril.

Segundo o documento, a indústria do café na China movimentou 354,9 bilhões de yuans (cerca de US$ 51,9 bilhões) em 2025, 13,3% a mais do que em 2024. O consumo per capita também avançou, passando de 16,74 para 28,57 xícaras por habitante ao ano entre 2023 e 2025. Segundo informações divulgadas pela Shanghai Jiao Tong University, o relatório foi publicado conjuntamente pela Associação de Promoção da Indústria Cultural e Criativa de Xangai e pelo Instituto de Cultura, Inovação e Desenvolvimento da Juventude da universidade, com apoio de Meituan, Ele.me e Taotian Group.

O relatório também mostra o crescimento da produção de cafés especiais na província de Yunnan, principal origem cafeeira do país. A participação desses cafés subiu de 8% para 31,6% entre 2021 e 2025, enquanto as exportações da região alcançaram 860 milhões de yuans (cerca de US$ 126 milhões). Além disso, bebidas que combinam café e chá, como cafés aromatizados com jasmim, vêm ganhando espaço e refletem o desenvolvimento de um perfil de consumo próprio do mercado chinês.

Fontes: Governo Municipal de Xangai; Shanghai Jiao Tong University.

TEXTO Redação

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Como a Geração Z está reinventando a vida social

Pesquisas da Harris Poll e da Ogilvy mostram que custo de vida, busca por bem-estar e novas prioridades estão mudando a forma como a Geração Z socializa e consome fora de casa

Por Nick Lichtenberg, Fortune/via Reuters Connect

Duas pesquisas divulgadas recentemente pela revista de negócios norte-americana Fortune apontam que o alto custo de socializar está mudando os hábitos da Geração Z nos Estados Unidos. Um levantamento do instituto The Harris Poll, “Gen Z Weekend Report”, realizado entre o fim de maio e o início de junho com 4,1 mil adultos norte-americanos, mostrou que metade dos jovens deixa de sair nos fins de semana por falta de dinheiro e que quase três quartos passam esse período em casa.

As conclusões são reforçadas pelo relatório “Gen Z Pulse”, da Ogilvy Consulting, com 2,1 mil entrevistados nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, segundo o qual “a Geração Z não é contraditória. A vida moderna é”. Os dois estudos indicam que o principal obstáculo ao convívio presencial não é uma mudança de comportamento, mas o aumento do custo do lazer e do consumo fora de casa.

Para Libby Rodney, diretora de estratégia do Harris Poll, o isolamento da Geração Z começou na infância, quando os ambientes digitais passaram a substituir parte da convivência presencial. Agravado pela pandemia de Covid-19 durante os anos de formação dessa geração, esse processo contribuiu para que permanecer em casa se tornasse o padrão.

Os dados da Ogilvy também mostram que o ambiente digital não substitui o convívio presencial. Mais de 60% dos jovens afirmam que estão tentando reduzir o tempo diante das telas, enquanto 52% gostariam de se encontrar mais com outras pessoas. Ainda assim, apenas 6% consideram satisfatório o nível atual de interação social. “As telas não são o objetivo”, resume o relatório.

De um recorte de 603 adultos, o instituto Harris Poll constatou que 51% sentem solidão nos fins de semana. Já a Ogilvy revelou que apenas 17% dos jovens americanos dizem se sentir conectados a uma comunidade e que 68% acham que sair “não compensa o prejuízo para o bolso”.  Muitos jovens adultos ainda vivem com os pais para conseguir economizar, e, em uma pergunta hipotética, 71% afirmaram que destinariam um ganho inesperado de US$ 100 à poupança ou ao pagamento de contas. 

Segundo o relatório “Gen Z Pulse”, da Ogilvy, também, com base em dados da Deloitte, metade da Geração Z hoje se considera financeiramente insegura, comparada a menos de um terço um ano antes. “Tudo está atingindo essa geração ao mesmo tempo”, afirma Libby. Eles sentem que precisam ser fiscalmente responsáveis. E, assim, estão trocando suas conexões e seu bem-estar social pela saúde financeira.”

Para ela, a Geração Z vive o que se cunhou de “policrise” — sucessão de crises interligadas, como pandemia, inflação e instabilidade no mercado de trabalho. Os relatos reunidos pela Ogilvy apontam na mesma direção: os entrevistados rejeitam estereótipos como preguiça ou falta de preparo e associam seus desafios às mudanças econômicas e sociais que dificultaram o acesso à vida adulta.

Nem mesmo as filas em restaurantes que viralizam nas redes contradizem esse cenário. Segundo a Fortune, pesquisas indicam que 84% da Geração Z experimentam tendências gastronômicas descobertas online. Para muitos desses jovens, porém, comer fora deixou de ser um hábito e passou a ser um programa esporádico e planejado, o que ajuda a explicar por que essas experiências ganham tanta visibilidade nas redes sociais.

As restrições financeiras também têm levado a Geração Z a reinventar o lazer. Segundo a Ogilvy, 85% dos jovens criaram alternativas mais baratas para socializar no último ano, como se reunir em casa, enquanto 73% afirmam preferir ambientes em que o álcool não seja o protagonista.

De fato, a busca por novos espaços de convivência aparece nas pesquisas. A Harris Poll, por exemplo, mostra que 65% dos jovens se sentem mais conectados em ambientes ligados ao bem-estar do que na vida noturna tradicional.

Apesar do orçamento limitado, a Geração Z continua exercendo forte influência sobre o consumo. Para Libby Rodney, serão os bares e as casas noturnas — e não os jovens — que precisarão se adaptar aos novos hábitos de socialização. Segundo a Ogilvy, essa geração deverá liderar o crescimento dos gastos globais até 2034, movimentando cerca de US$ 9 trilhões.

As mudanças de comportamento da Geração Z já começam a influenciar diferentes setores da economia. No mercado de café, por exemplo, cafeterias e marcas vêm adaptando cardápios, estratégias de marketing e experiências de consumo para atrair esse público — tema de uma reportagem especial que a Espresso publicará nos próximos dias.

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Brasil impulsiona estratégia regenerativa da Nespresso

Em visita a uma fazenda parceira da Nespresso no interior paulista, a Espresso acompanhou como práticas regenerativas, conservação ambiental e assistência agronômica orientam a estratégia da empresa para garantir a qualidade do café no longo prazo

Por Gabriela Kaneto, de São Sebastião da Grama (SP)

Em evento realizado em São Paulo (SP) na terça-feira (28), a Nespresso divulgou novos dados sobre a agricultura regenerativa no Brasil, que complementam a edição de 2025 do The Positive Cup, relatório global anual de sustentabilidade da marca. O documento reúne os principais resultados da companhia em temas como agricultura regenerativa, descarbonização, circularidade e fortalecimento das comunidades cafeeiras. O encontro também contou com o lançamento do Prêmio Regenerativo Avançado e o anúncio de parceria para restauração de paisagens cafeeiras.

Um dos destaques abordados foi o Plano de Qualidade Sustentável Nespresso (chamado anteriormente de Programa AAA), que reúne mais de 130 mil cafeicultores de 18 países e combina assistência técnica, rastreabilidade e incentivo à adoção de práticas regenerativas. 

O Brasil responde por cerca de 30% do café verde utilizado pela marca. No país, o programa reúne 500 produtores e investe R$ 70 milhões por ano em iniciativas como o uso de fertilizantes orgânicos, biochar e monitoramento ambiental. Em 2025, 95% do café brasileiro adquirido pela Nespresso veio de fazendas que adotam essas práticas, em comparação com 84% em 2022. O avanço registrado no país também elevou a média global: no mesmo intervalo, esse índice passou de 76% para 85%, tendo o Brasil como principal responsável por esse crescimento.

Fazenda Cachoeira da Grama, em São Sebastião da Grama (SP) desde 1890

A convite da marca, a equipe da Espresso conheceu de perto uma das propriedades brasileiras que integram o Plano de Qualidade Sustentável. A Fazenda Cachoeira da Grama, do produtor Gabriel Carvalho Dias, fica em São Sebastião da Grama (SP), na região do Vale da Grama, a cerca de 250 km da capital paulista. Fornecedora de cafés para a Nespresso há mais de 15 anos, a propriedade participa do programa com o acompanhamento dos engenheiros agrônomos da empresa, que orientam a adoção de práticas regenerativas.

“Cada talhão tem suas próprias características. Buscamos compreender o solo em todos os seus aspectos – físicos, químicos e biológicos – para enriquecer a saúde do solo e oferecer à planta as melhores condições de desenvolvimento”, explica Rhafael Martins, engenheiro agrônomo do programa, que atua há 13 anos na propriedade. 

Com 85 hectares, a fazenda mantém 40% de sua área preservada – o dobro do mínimo de 20% exigido pelo Código Florestal Brasileiro. O trabalho também inclui a recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs), com 22 nascentes restauradas até o momento.

Produção de café na Fazenda Cachoeira da Grama

A ampliação dos sistemas agroflorestais e das iniciativas de remoção de carbono foi outro destaque do relatório The Positive Cup. No ano passado, mais de 2 milhões de árvores foram plantadas em áreas cafeeiras, das quais cerca de 1,9 milhão em projetos voltados à remoção de carbono.

“A ideia do Plano de Qualidade Sustentável é proporcionar esse relacionamento a longo prazo com os produtores”, afirma Tatiana Nakamura, especialista de cafés da Nespresso. “Nosso foco é ajudar o produtor a ter cafés de qualidade com produtividade, cuidando do meio ambiente, do solo e das pessoas para garantir, no futuro, uma xícara de café produzida de forma sustentável.”

Sustentabilidade além da lavoura

Dados da pesquisa Nestlé CUP 2025 Local Insights Report – Brasil: Panorama Geral e Comportamento do Consumidor, realizada com mil consumidores de café de 16 a 75 anos em todas as regiões do país, mostram que, embora o mercado tradicional ainda seja predominante, as cápsulas já respondem por 9% do consumo nacional e seguem em expansão.

A reciclagem das cápsulas também integra a estratégia de sustentabilidade da marca. Presente em 79 países, incluindo o Brasil, o programa conta com mais de 400 pontos próprios de coleta, como as boutiques da Nespresso, além de uma parceria com os Correios que permite aos consumidores enviar gratuitamente as cápsulas usadas ao Centro de Reciclagem da empresa, em Valinhos (SP). Lá, o alumínio e a borra são separados sem uso de água no processo para reaproveitamento.

O alumínio retorna à cadeia produtiva por meio de parceiros, como a Natura, que desenvolve embalagens cosméticas, e a borra é transformada em biometano por biodigestão, utilizado na geração de energia renovável. Com investimento superior a R$ 2 milhões por ano, o projeto processa até 850 toneladas anuais de borra de café e reduz as emissões de carbono em cerca de 900 toneladas por ano.

“Acreditamos no café como uma força capaz de gerar impacto positivo em toda a cadeia, do campo ao pós-consumo”, resume Marina Gargiulo, gerente de branding & sustentabilidade da Nespresso. “O The Positive Cup reflete como estamos avançando nessa jornada”.

TEXTO Gabriela Kaneto

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Café brasileiro escapa de nova tarifa de 12,5% dos EUA

Todos os tipos de café produzidos no Brasil ficaram de fora da nova tarifa adicional de 12,5% anunciada pelos Estados Unidos na noite de quinta-feira (23) e que entra em vigor nesta sexta (24). Cerca de 3 mil produtos brasileiros foram taxados, estima a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil).

O café permanece na lista de exceções como resultado da investigação da Seção 301 sobre bens produzidos com trabalho forçado. A nova medida faz parte de um pacote que amplia tarifas sobre produtos importados pelos EUA de mais de 80 países, com alíquotas entre 10% e 12,5%, segundo o jornal britânico The Guardian

O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) atribui a decisão ao trabalho conjunto, com parceiros brasileiros e internacionais, como National Coffee Association (NCA), dos Estados Unidos, por mais de um ano e com mais de 100 reuniões técnicas com o governo norte-americano. Entre os dados apresentados, estão os oriundos da fiscalização trabalhista na cafeicultura feito em mais de 58 mil inspeções nos últimos anos e ações em parceria com o Ministério do Trabalho para ampliar as boas práticas no campo. 

Segundo o Cecafé, a medida preserva exportações de US$ 2 bilhões a US$ 2,5 bilhões por ano aos EUA, que compram por ano, em média, 6 milhões de sacas de café brasileiro.

A exceção concedida ao café contrasta com o impacto sobre o restante da pauta exportadora brasileira. A Amcham Brasil estima que os cerca de 3 mil produtos taxados somam US$ 12,5 bilhões em exportações anuais aos Estados Unidos. Desse total, 85,3% das vendas (US$ 10,7 bilhões) podem ter tarifa cumulativa de 37,5%, uma das maiores alíquotas aplicadas pelos EUA a parceiros comerciais, como Canadá, China e México.

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Ninja aposta em automação para o futuro do café doméstico

A Ninja lançou a AutoBarista Pro, máquina de café que combina automação, inteligência artificial e personalização no preparo de bebidas. Apresentado em 27 de maio, o equipamento tem 13 opções de preparo, tecnologia Grind iQ, que ajusta automaticamente a moagem, e programas de vaporização capazes de produzir microespuma para diferentes bebidas.

A empresa aposta na novidade para unir conveniência e qualidade, proporcionando uma experiência próxima à de uma cafeteria. O modelo permite criar até dois perfis de usuários, salvando preferências como intensidade, volume, temperatura e método de vaporização do leite, acompanhando a tendência de integração entre hardware e recursos inteligentes. Conta ainda com dois reservatórios intercambiáveis para grãos, com capacidade de 340 g cada, e função de preparo duplo para extração simultânea de duas doses de espresso.

No mercado europeu, a Ninja AutoBarista Pro custa £ 899,99.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Café solúvel brasileiro é isento da nova tarifa de 25% dos EUA

Por Reuters (São Paulo)

O solúvel brasileiro foi incluído na lista de produtos isentos da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre importações provenientes do Brasil, em decisão aguardada pela indústria do setor. Era o único segmento da cafeicultura brasileira que permanecia sujeito à taxação norte-americana.

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café (Cecafé), a medida preserva exportações brasileiras de café para os Estados Unidos entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano, considerando também o café verde, que já era isento da tarifa.

Diferentemente do café verde, o produto havia permanecido sujeito a uma tarifa de 10%, mesmo após o governo norte-americano revogar taxas mais elevadas aplicadas à maior parte dos produtos brasileiros.

A aplicação de uma tarifa de 50% sobre o solúvel brasileiro teve impacto significativo sobre os embarques do produto, que recuaram 28,2% em 2025 na comparação com 2024, para o equivalente a 558.470 sacas g, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics). O volume correspondeu a cerca de 15% das exportações brasileiras de café solúvel no ano passado.

Segundo o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, a isenção resulta do trabalho conjunto desenvolvido desde o ano passado pela indústria brasileira e pela National Coffee Association (NCA), entidade que representa o setor cafeeiro nos Estados Unidos.

De acordo com Matos, os esforços buscaram demonstrar tecnicamente o valor agregado pela indústria brasileira de café solúvel e sua contribuição para a estabilidade dos preços pagos pelo consumidor norte-americano.

Matos lembrou que os Estados Unidos são o maior consumidor e importador mundial de café, enquanto o Brasil lidera a produção e as exportações globais da commodity. “São parceiros insubstituíveis, é uma relação de ganha-ganha, uma relação de via de mão dupla”, afirmou.

O aumento das tarifas está entre os fatores que contribuíram para a queda das exportações brasileiras de café em 2025, levando a Alemanha a superar os Estados Unidos como principal destino do produto no ano-safra 2025/26 (julho a junho), segundo o Cecafé.

Embora a tarifa de 50% tenha permanecido em vigor por cerca de quatro meses, os embarques totais de café para o mercado norte-americano recuaram 43,2% no ano-safra 2025/26 em relação aos 12 meses anteriores.

No café solúvel, a retração foi ainda mais intensa. Entre agosto e dezembro, período em que vigorou a tarifa de 50%, os embarques caíram 62,8% na comparação com o mesmo intervalo do ano anterior, segundo dados da Abics.

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Intertorra 2026 discutirá tendências em Poços de Caldas (MG)

Encontro chega à Região Vulcânica em agosto para reunir profissionais da cadeia cafeeira em torno de inovação, tecnologia e tendências 

Sessões de torra, degustações de cafés de diferentes origens, demonstrações de equipamentos e debates sobre tecnologia e qualidade compõem a programação do Intertorra 2026, que será realizado de 28 a 30 de agosto no campus do Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas), em Poços de Caldas (MG). Voltado aos profissionais da cadeia cafeeira, o encontro reunirá produtores, traders, mestres de torra, proprietários de cafeterias, baristas e especialistas.

Situado na região produtora dos cafés da Região Vulcânica, o evento terá palestras técnicas sobre temas como análise microscópica, torra para cápsulas de cafés especiais, controle de qualidade e inovação, além de showcases de produtos e equipamentos. Os ingressos custam R$ 1,8 mil por pessoa e incluem alimentação durante os três dias e certificado de participação.

O encontro ocorre em um momento de crescimento do mercado de cafés especiais, em que torrefações buscam aumentar a eficiência dos processos e agregar valor ao produto. Segundo Matheus Tinoco, mestre de torra e idealizador do Intertorra, a programação abordará temas como regularização de torrefações, novos protocolos de degustação e padrões de degustação de cafés. “Teremos também bate-papos com especialistas estrangeiros para entender como está o mercado lá fora”, detalha Tinoco. 

Realizado desde 2018, o Intertorra já passou pelas cidades de Machado (MG), Pedregulho (SP), Piumhi (MG), Batatais (SP) e Belo Horizonte (MG). A edição de 2026 tem co-realização da Espresso&CO e apoio da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica e da Prefeitura de Poços de Caldas.

Serviço
Intertorra 2026
Quando: 28 a 30 de agosto, das 8h às 21h
Onde: Campus do IF Sul de Minas, Poços de Caldas (rua Dirce Pereira Rosa, 300 – Jardim Esperança – Poços de Caldas/MG)
Mais informações: https://evento.intertorra.com.br/2026 

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Além do matcha: ingredientes asiáticos ganham destaque em cafeterias de SP

Dos já conhecidos shoyu e missô ao yuzu e ube, insumos vindos da Ásia surgem em misturas criativas com café

Por Leonardo Neiva

O matcha não é mais o único ingrediente asiático de destaque nas cafeterias brasileiras. Preparos que levam shoyu, missô, frutas como o yuzu e outros insumos asiáticos menos conhecidos começam a chegar às cafeterias — especialmente em São Paulo, cidade que reúne a maior comunidade de descendentes japoneses do mundo.

No cardápio do Aizomê Café da Japan House, na avenida Paulista, já existem opções como o latte e o chocolate quente com caramelo missô (R$ 29) — pasta de soja fermentada usada na culinária japonesa —, e o shoga cold brew (R$ 25), café extraído a frio com infusão de gengibre.

“Quando a gente traz uma conserva de gengibre, o missô ou o yuzu, é para que os ingredientes valorizem o café e os componentes da bebida”, explica o chef-confeiteiro do Aizomê, Rafael Aoki. “O shoga [gengibre], por exemplo, intensifica o sabor do grão, trazendo o umami.”

Shoga cold brew e latte com caramelo missô, do Aizomê Café

Numa programação alinhada ao São Paulo Coffee Festival, o Aizomê preparou recentemente o asagohan, café da manhã especial que segue as tradições japonesas, e o coffee omakase, menu-degustação harmonizado com café. A curadoria foi da chef Telma Shimizu, do Aizomê, e do barista Cauã Sperling, do Fora da Lei Café.

Na Mirá Padaria Autoral, instalada no bairro de Pinheiros, a bebida mais pedida e à frente do matcha é o mocha shoyu (R$ 32), mistura de leite, café espresso e xarope de shoyu e mel. Mas a fusão com ingredientes nipônicos também surge em outros itens como o yuzu café (R$ 26), refrigerante à base da fruta mesclado a uma dose de espresso.

O sócio Leonardo Akira, que comanda a casa ao lado da companheira Júlia Fraga, deve essa inspiração latino-nipônica à família, de origem japonesa, e à primeira experiência como padeiro no Uruguai. Ele conta que o processo de criação se assemelha ao de um laboratório. “Outro dia, criamos uma bebida com amazake [vinho de arroz japonês doce] de milho. Fizemos um café nesse amazake, que virou uma espécie de bebida junina, unindo milho com café.”

Yuzu café, da Mirá Padaria Autoral

Segundo o especialista em café Ensei Neto, autor da coluna Um Café para Dividir, do Estadão, a tendência dá continuidade a uma longa tradição gastronômica japonesa por aqui, e que traz uma visão quase oposta à dos industrializados dos EUA: “Parece que o que vem da Ásia é mais puro, mais natural.” Assim, o uso de ingredientes como missô ou shissô integra até mesmo a busca pelo wellness. “São produtos que acabam trazendo benefícios e oferecem algo diferente para o café.”

Para Aoki, é também uma resposta do universo do café ao hype da cultura asiática, da música ao audiovisual. “Temos muitas séries e filmes, principalmente coreanos, entrando no Brasil. Todas essas pequenas coisas foram crescendo e se unindo para dar um boom generalizado na cultura oriental.”

Tão perto e tão longe

Em tempos de TikTok, alguns desses ingredientes chegam às mesas após fazer fama nas redes. É o caso do ube ou inhame roxo, das Filipinas, que viralizou nos EUA no início do ano devido à sua coloração e ao sabor puxado para a baunilha. Entre as criações com o produto, destaca-se o ube latte. O ingrediente deu as caras na última edição do São Paulo Coffee Festival, em estandes como o da marca de leite de aveia Nude e o da Namu Matcha, numa bebida que combina o ube com inhame comum, suco de milho e leite vegetal. 

Ele também já aparece no cardápio de estabelecimentos como a cafeteria norte-americana Superwow Coffee, que conta com uma unidade em Moema, bairro da zona sul da capital paulista. “Quando foram competir nas Filipinas, nossos baristas perceberam o produto e trouxeram, criando o xarope de ube”, conta Ricardo Ribeiro, um dos sócios. O público gostou tanto que o ube latte (R$ 25) permanece fixo no cardápio e representa 25% das bebidas vendidas na casa.

Ube latte, do Superwow Coffee

Mas o sucesso de algumas dessas matérias-primas esbarra no desafio de obtê-los. Pouco conhecido no país, o ube do Superwow Coffee precisa ser importado. Por outro lado, Aoki, do Aizomê, reforça que a popularidade facilita o acesso a produtos como o yuzu, hoje cultivado em pequenas quantidades no interior de São Paulo. “Entre fevereiro e abril, a época de yuzu no Brasil, a gente chega a comprar meia tonelada e faz todo o processo de conserva”, conta.

Akira, da padaria Mirá, revela que a fruta é uma das grandes apostas internacionais do governo japonês depois do sucesso do matcha. Em parte, por conta da semelhança com cítricos como o limão taiti, que o aproximam do público, mas com um aroma e sabor próprios. “É um ingrediente que deve ser bem explorado nos próximos anos”, afirma.

Ensei Neto adverte, no entanto, que esse tipo de tendência não pode virar “copia e cola” do que é feito nas cafeterias estrangeiras. “Não podemos basear tudo no que vem de fora e esquecer de criar uma cultura do café essencialmente brasileira.”

Aizomê Café
Endereço: Avenida Paulista, 52 (Japan House) – Bela Vista – São Paulo (SP)
https://japanhousesp.com.br/aizome-cafe/

Mirá Padaria Autoral
Endereço: R. Francisco Leitão, 265 – Pinheiros – São Paulo (SP)
https://linktr.ee/miraspp

Superwow Coffee
Endereço: R. Gaivota, 501 – Moema – São Paulo (SP)
https://superwowcoffee.com.br/ 

TEXTO Leonardo Neiva • FOTO Divulgação

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Rondônia espera safra recorde de 3 milhões sacas de robusta amazônico, apesar do El Niño

Por Reuters, de São Paulo

A associação Cafeicultores Associados da Região Matas de Rondônia (Caferon) espera para 2026 uma safra recorde de robusta amazônico, com 3 milhões de sacas. A expectativa supera os 2,77 milhões de sacas previstos pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), devido às condições climáticas favoráveis na denominação de origem e ao uso disseminado de irrigação.

Se a previsão da Caferon estiver correta, a safra será quase 30% maior do que a produção do ano passado, de 2,32 milhões de sacas, registrada pela Conab em maio.

A perspectiva surge apesar das preocupações de que um “super” El Niño possa atrapalhar o próximo ciclo de produção. As temperaturas e as chuvas no Norte do Brasil permaneceram, em grande parte, dentro das normas sazonais este ano, disse o presidente da Caferon, Juan Travain.

“A safra 2026/27 apresenta um perfil de grãos graúdos, com alta qualidade e rendimento considerável”, disse Travain.

Os rendimentos da safra de robusta amazônico nas Matas de Rondônia, na Amazônia brasileira, estão entre os mais altos do mundo, com média de 64 sacas por hectare, disse Travain, acrescentando que quase todas as plantações são irrigadas por gotejamento, o que as torna menos vulneráveis ao calor e à seca do que as plantações de café arábica em outras regiões do Brasil.

O clima tem sido menos favorável em outras regiões cafeeiras – especialmente no sudeste do Brasil, onde Minas Gerais enfrentou chuvas irregulares, com três dias consecutivos de chuva em junho, que aumentaram o risco de doenças bacterianas e fúngicas.

As altas temperaturas continuam sendo a maior preocupação caso o El Niño se intensifique, disse Travain. O maior risco está entre agosto e outubro, quando o calor excessivo pode queimar as plantas e os galhos frutíferos durante a floração, reduzindo a produção, acrescentou ele.

O robusta e outras variedades de café canéfora — incluindo o conilon — são naturalmente mais bem adaptados a climas quentes, e grande parte do material genético cultivado em Rondônia é resistente à ferrugem do café e aos nematóides, disse Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia.

“De forma geral, o robusta é mais resiliente do que o arábica”, disse ele, sobre a variedade que domina a produção no Estado.

Prevê-se que o El Niño atinja seu pico no final do ano, disse Alves, acrescentando que isso seria melhor do que durante o período de floração de agosto a setembro, que foi o que aconteceu em 2024.

“Não é o ideal, mas talvez o El Niño seja menos prejudicial do que naquele ano, porque o pior cenário seria se ele acontecesse agora, antes da florada”, disse o pesquisador.

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Espresso #92 discute como a geração Z lidera nova era de consumo de café

A geração Z está reescrevendo as regras do consumo. Nativos digitais e conectados em uma escala sem precedentes, esses jovens chegam à vida adulta dispostos a experimentar, compartilhar referências e questionar padrões estabelecidos. E o café faz parte dessa transformação.

Na reportagem de capa desta edição, publicada em parceria com a 5th Wave, investigamos como essa nova geração está redefinindo a relação com a bebida e influenciando modelos de negócio, estratégias de marketing e tendências de consumo.

Mas as mudanças no café contemporâneo não param por aí. No Espírito Santo, segundo maior estado produtor do país, fomos conferir como diferentes perfis de cafeicultores — de pequenos produtores de montanha a grandes grupos empresariais do conilon — convergem para práticas mais sustentáveis. Em comum, iniciativas ligadas à regeneração ambiental, ao uso eficiente dos recursos naturais, à rastreabilidade e à inovação no pós-colheita.

A adaptação às mudanças climáticas também está no centro da reportagem sobre irrigação. Se antes a tecnologia era vista como ferramenta para elevar a produtividade, hoje se consolida como estratégia para garantir estabilidade, distribuir água com precisão e aumentar a resiliência das lavouras diante de eventos extremos.

Voltamos o olhar para o Japão, um dos mercados mais sofisticados do planeta, para entender como o país amplia seu repertório sensorial. Sem abandonar a tradição dos kissatens e das torras escuras, consumidores e profissionais incorporam novas origens, perfis de torra e experiências, revelando tendências importantes para o café especial global.

Encerramos a edição com uma entrevista exclusiva com Rodolfo Osorio de Oliveira, novo chefe-geral da Embrapa Café. Ao defender uma pesquisa mais orientada por resultados, maior aproximação entre ciência e campo e programas permanentes de capacitação, ele aponta caminhos para uma cafeicultura capaz de responder aos desafios das próximas décadas.

Embora tratem de temas distintos, todas essas reportagens dialogam com uma mesma questão: como construir o futuro do café em um mundo que muda cada vez mais rápido.

TEXTO Redação