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No Dia Mundial do Livro, a Espresso indica 5 leituras sobre café

Guia essencial, agora ampliado

A nova edição de The World Atlas of Coffee, feita no fim de 2025, atualiza e enriquece um dos guias mais influentes do café contemporâneo. O barista inglês e campeão mundial James Hoffmann revisa origens, variedades e processamento do grão em mais de 30 países, além de incluir temas recentes como descafeinação e novas regiões produtoras. Estas são, aliás, o diferencial do livro – cada país é abordado a partir de sua história, principais regiões produtoras e variedades, enriquecido com mapa e dados. Com abordagem didática que mantém o rigor técnico, a nova edição acrescenta aos capítulos sobre variedades, processamento, torra e métodos de preparo novidades como descafeinação do café e novas origens (Austrália, Japão e Porto Rico). 

James Hoffmann, The World Atlas of Coffee, editora Mitchell Beazley, 2025 (3ª ed.). A partir de R$ 264, no site da amazon.

 

Como o café virou hábito social no Brasil

Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação, recém-lançado pela editora Alameda, preenche duas lacunas – a falta quase crônica de publicações brasileiras sobre café, especialmente às vésperas do tricentenário comemorativo do cultivo do grão no país, e os ainda poucos estudos sobre história do consumo da bebida. Organizado pelos historiadores Joana Monteleone e Bruno Bortoloto do Carmo, o livro reúne 15 ensaios que percorrem o tema – dos cafés da cidade-luz no século XIX aos botequins e confeitarias do Rio de Janeiro na época do Império, passando pela presença da bebida em livros de receitas e nos hábitos paulistanos oitocentistas e alcançando, até, laboratórios e faculdades de medicina, que investigaram os efeitos da ingestão da bebida. Para quem se interessa por história e quer consumir boa pesquisa acadêmica, o livro é um prato cheio.

Joana Monteleone e Bruno Bortoloto do Carmo (orgs.), Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação, editora Alameda, 2026. R$ 92, no site da Alameda. 

Um retrato visual do café brasileiro

Em Café no Brasil, o fotógrafo Marcos Piffer faz um amplo ensaio fotográfico da presença cotidiana do café no país. São fotos que retratam a lida diária no campo, o cuidado no beneficiamento do grão, o conforto cotidiano simbolizado no bule esquentando no fogão à lenha. Isso sem falar das belezas arquitetônicas erguidas no auge da produção e comércio do café em Santos. O resultado é um livro de forte apelo visual, que documenta a história, a cultura e o território no maior país produtor do mundo. E uma ótima opção para presente. 

Marcos Piffer, Café no Brasil, editora Solaris, 2015.  R$ 39, no site Sebo Virtual.

Um olhar sobre a qualidade

Outra referência global em café, o barista norueguês Tim Wendelboe reúne no livro uma síntese de sua experiência com cafés especiais, sob um olhar rigoroso e pessoal. Dicas sobre equipamentos, serviço e compra de grãos integram o conteúdo, construído a partir de mais de duas décadas de visitas a países produtores e à frente de sua Coffee Roastery & Espresso Bar, em Oslo. Receitas de drinques e comidas também são compartilhadas no livro, publicado em português pela Café Editora. Leitura-chave para iniciantes.

Tim Wendelboe, Coffee with Tim Wendelboe, Café Editora, 2019 (ed. brasileira). R$ 30, no site Café Store.

Café em HQ

Saindo do formato tradicional, Kophee leva o universo do café para as histórias em quadrinhos. Escrito pelo quadrinista, ilustrador e barista Guilherme Match, em parceria com a designer Gabê Almeida, acompanha os personagens Ink e Maki na cafeteria Mono — um dos poucos espaços que ainda servem café de verdade em uma cidade dominada por vending machines. Publicado pela Editora JBC, o volume de 192 páginas inclui, ao final, receitas de preparo assinadas por profissionais do café.

Guilherme Match e Gabê Almeida, Kophee, Editora JBC, 2022. Na Amazon, por R$ 40,44.

TEXTO Redação

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Livro investiga como o café se tornou hábito e marcador social no Brasil e no mundo

Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação desloca o olhar para um território menos frequentado pela historiografia brasileira: o do consumo, da vida urbana e das sociabilidades que se formaram em torno da bebida.

Partindo da constatação de que o café se tornou um elemento estruturante do cotidiano moderno, presente nas refeições, nos espaços públicos e nos rituais de convivência, o livro propõe entender como um produto não essencial se converteu em hábito indispensável e marcador social.

Organizado pela dupla de historiadores Joana Monteleone, também editora e pesquisadora-colaboradora da Universidade de São Paulo, e Bruno Bortoloto do Carmo, doutor em História Social, que atuou como pesquisador do Museu do Café de Santos por 13 anos, o volume reúne 15 artigos sobre pesquisas recentes de uma série de autores de diferentes linhas historiográficas. O conjunto articula história econômica, urbana e da alimentação e recusa fronteiras rígidas entre esses campos.

No artigo “O consumo de café e as novas sociabilidades paulistanas nas primeiras décadas do século XIX”, a historiadora Rafaela Basso acompanha a bebida desde a produção doméstica até sua incorporação a práticas sociais marcadas por gênero, classe e exclusão.

Por meio de sua análise, afasta a imagem de São Paulo como um núcleo pobre e pacato e a aproxima da de uma cidade já integrada a circuitos modernos de consumo, na qual o café surge como marcador simbólico de pertencimento antes mesmo de sua plena popularização.

Abordagens científicas conduzem os ensaios de Cristiana Couto, doutora em história da ciência e coordenadora de conteúdo da Espresso&CO, que propõe discussões sobre o café como alimento e medicamento no Brasil no século XIX, e de Moisés Stahl, doutor em história econômica, que examina o café como objeto de investigação científica em perspectiva histórica.

Um dos méritos da obra está na ampliação do repertório documental. Romances, folhetins, peças teatrais, menus, discos, almanaques e teses médicas dialogam com atas oficiais e jornais e revelam o café como mercadoria, alimento, estimulante, remédio e símbolo de distinção.

Ao acompanhar a emergência dos cafés, botequins, confeitarias e espaços de consumo nas cidades, sobretudo Rio de Janeiro e São Paulo, os autores mostram como o cafezinho ajudou a moldar práticas sociais e formas de pertencimento urbano no século XIX.

Ao mesmo tempo, o livro assume suas lacunas como desafio futuro, sobretudo no que diz respeito às relações de trabalho e à presença da escravidão no universo do consumo. Essa fricção entre potência analítica e ausência temática reforça o caráter do volume — menos síntese conclusiva e mais convite a novas investigações sobre comer, beber e conviver no Brasil do café. (Luiza Fecarotta)

Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação – Joana Monteleone e Bruno Bortoloto do Carmo (orgs.) – Editora Alameda (320 págs.; R$ 88)

TEXTO Luiza Fecarotta • FOTO Divulgação

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“Precisamos ser Cafés do Brasil, independentemente da ideologia de cada um”, diz Márcio Ferreira, do Cecafé

Márcio Cândido Ferreira, presidente do Cecafé, defende que o produto não tenha bandeiras ideológicas, mas se aproxime da cultura para expandir fronteiras, principalmente para a Ásia

Márcio Cândido Ferreira, presidente do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) e diretor-superintendente da Tristão, é pequeno em estatura, mas gigante na diplomacia. Em ano eleitoral, ele defende que não só o café, mas todo o agro, “tenha mais praticidade e menos ideologia” e se aproxime da cultura, que comunica o que fala alto ao ser humano independentemente da nacionalidade.

Brasiliense de nascimento e capixaba de coração, Ferreira se autointitula “alguém sem inimigos” e aproveita sua facilidade de relacionar-se para fazer pontes e abrir portas para o café brasileiro com a ajuda de sua equipe no Cecafé, “enxuta, mas de primeiríssima linha”.

Há quatro anos à frente da instituição, ele lidou com as quebras de safra, consequência da geada que afetou lavouras cafeeiras em 2021; as exportações recordes de canéfora em 2024 e o tarifaço imposto pelos EUA ao café brasileiro em 2025, que acabou dando um “empurrãozinho” para a assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia neste ano.

Nos últimos meses, visitou várias vezes a Ásia, continente em que o café tem conquistado mais adeptos a cada dia e que responderá pelo crescimento futuro da demanda pelo grão no mundo. Prova disso é a China, que já alcançou consumo de 6 milhões de sacas e superou a Itália, cujo volume está na casa de 5,5 milhões de sacas/ano. A seguir, a íntegra da entrevista.

Espresso: Você está prestes a completar meio século de carreira no setor de café. Como ingressou na área?

Márcio Ferreira: Comecei em 1977 no Grupo Tristão, empresa em que trabalho até hoje e que, no ano passado, completou 90 anos. Entrei como office boy, depois fui para área de exportação fazer serviços de desembaraço no porto. Em 1987, ingressei na área comercial, onde estou até hoje como diretor-superintendente.

E: Quando começou e como foi sua trajetória no Cecafé?

MF: Passei cerca de quatro anos como vice-presidente do Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV) e, posteriormente, fui presidente da instituição, que é associada ao Cecafé e cobre a cafeicultura capixaba. Dali, fui indicado para ser o novo presidente do Cecafé no final de dezembro de 2022 e estou indo para o meu quarto ano. O Cecafé responde por 97% das exportações de café do Brasil para o mundo. Dentre os associados, temos as principais cooperativas, que atuam no comércio exterior e no mercado interno, as multinacionais e as empresas nacionais, como a Tristão. Um dos nossos objetivos é oferecer aos produtores a melhor remuneração possível. O Brasil repassa mais de 90% do valor FOB aos cafeicultores, enquanto outras origens estão na casa de 75%, e há aquelas que repassam menos de 50%.

E: Como a sua experiência e o peso institucional do Cecafé têm se traduzido nas negociações comerciais e defesa do café brasileiro mundo afora?

MF: Tem sido extremamente positivo, porque o Cecafé é uma instituição de prestígio no exterior. Em janeiro, nosso diretor-geral, Marcos Matos, esteve em Berlim a convite da Associação Alemã de Café para eventos e ações da indústria alemã. O Cecafé combina os conhecimentos técnicos e acadêmicos do nosso diretor-geral com o meu na parte comercial e de relacionamentos, o que facilita as negociações do Brasil, que – necessariamente – passam pelos clientes.

A nossa equipe é enxuta, mas de primeiríssima linha, com o Eduardo Heron, como diretor-técnico, e a Silvia Pizzol, como a diretora de sustentabilidade, nos dando instrumentos para trabalhar. Neste cenário de mudança na geopolítica, EUDR e outras demandas da Europa, o Cecafé tem sido proativo. É um trabalho intenso de relacionamentos com autoridades em âmbito municipal, estadual, federal e global. Estamos sempre em Brasília com os ministros, Presidência da República, Itamaraty. Ano passado, estive 30 dias na Ásia. Primeiro, na China a convite da Apex-Brasil. Depois, fui para Indonésia e Malásia, quando o presidente Lula com seus ministros se reuniu com o presidente Trump para tratar da questão das tarifas. Foi um encontro extremamente importante, com vários setores representados ali, e o Cecafé estava presente. [Depois dessa reunião, os EUA anunciaram o fim de boa parte das tarifas impostas a produtos brasileiros].

Quando surgiu a EUDR, muitos a encararam como protecionismo, mas temos que olhar as oportunidades. Eles alegam que o consumidor quer saber se a área de onde vem o café tem desmatamento. Ok, nós aplaudimos isso, mas requeremos que as embalagens finais reflitam a realidade, o que hoje não ocorre.

Numa loja no exterior, você pega uma embalagem de café em que está escrito [origem] Colômbia, mas quando você escaneia o QR Code, vê que 50% daquele café é brasileiro. Se existe uma EUDR, uma legislação que exige a rastreabilidade do café no talhão, então é de direito do Brasil exigir que a embalagem final ou a cafeteria tenha transparência e demonstre que aquele café é brasileiro.

E: E as tarifas de 50% impostas pelos EUA no ano passado?

MF: Há crises que são verdadeiros presentes. Essa crise fez ressaltar aos olhos do consumidor norte-americano a importância dos cafés do Brasil, porque embora a embalagem não necessariamente diga que os cafés são do Brasil, isso ficou nítido. Inclusive, eu e o Marcos demos entrevistas à rede norte-americana – citando várias características do café brasileiro, que são diferentes das dos demais. Quando você tira o café brasileiro do mercado e aplica uma tarifa de 50%, você automaticamente obriga os importadores a buscarem cafés em outras origens, que não têm quantidade. Aí, o café bateu um novo recorde de preço. Desde que começou a história da tarifa, eu dizia em Brasília: “o tempo corre a nosso favor”. Logo depois que a tarifa foi implantada, o mercado estava em 260 centavos de dólar por libra-peso e foi para 430 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa de Nova York.

E: O tarifaço norte-americano criou o ambiente para a assinatura do Acordo Mercosul-União Europeia?

MF: Certamente, teve um empurrãozinho das tarifas que o governo americano vem aplicando sobre todos os países, mas a gente já vinha trabalhando no acordo há 25 anos. Estamos falando do segundo maior bloco, com um PIB de US$ 22 trilhões, abaixo somente dos Estados Unidos, com US$ 29 trilhões. Os EUA estão com uma postura unilateral, protecionista, que não conversa com o que a União Europeia e nós pretendemos [conversar] – isso é o multilateralismo. Os Estados Unidos é líder como importador de café no Brasil, temos uma relação muito boa e queremos permanecer assim. Mas a União Europeia participa com 44% de tudo o que o Brasil exporta de café, e o acordo abre um potencial enorme pra nós.

E: Você está falando de solúveis?

MF: Sim. Há mais de 20 anos, o Brasil investiu em fábricas de café solúvel, que agregam valor à matéria-prima, mas o produto vem sendo sobretaxado pela União Europeia, com um imposto de importação de 9%. É lamentável ter clientes que outrora compravam café solúvel e, hoje, compram café em grãos, porque a tarifa é proibitiva. Enquanto isso, a União Europeia fechou acordos bilaterais com Colômbia, México, Equador, Vietnã, Índia e Indonésia, que não têm esse imposto de importação sobre o solúvel. Com isso, o crescimento do parque industrial de café solúvel nesses países foi enorme.

O Vietnã ultrapassou o Brasil na capacidade de produção de café solúvel. Hoje, nosso parque industrial está com uma ociosidade de 20%, sem considerar a tarifa americana de 50% sobre o café solúvel brasileiro. Se ela permanecer, a ociosidade vai para 35%. Isso requer muito trabalho para buscar novos clientes, reconquistar o nosso espaço, principalmente na Europa. Se não fossem os 9% de imposto, a participação [brasileira de solúvel] na Europa seria, no mínimo, de 35%, mas, infelizmente, é de 17%. Às vezes, é mais barato mandar conilon em grão para o Vietnã, produzir o solúvel lá e exportar para a Europa. Hoje, é mais barato mandar café do Brasil para Equador, Colômbia ou México e, de lá, exportar para os EUA. Mas temos indústrias que fazem sacrifício para exportar para os EUA, absorvem parte da tarifa, para não perder clientes de sete, oito anos e, às vezes, de décadas.

E: O fato de o Vietnã estar com um parque industrial de café solúvel maior que o nosso é uma ameaça?

MF: É uma ameaça, se nós não fizermos o dever de casa. Mas assinamos o acordo Mercosul-União Europeia e temos importantíssimos compradores de café solúvel do Brasil, fora os Estados Unidos e a Europa. Estou falando da Ásia, onde o solúvel é tarifado de 20% a 48%. Estive com o governo brasileiro nos países asiáticos para negociações bilaterais e retirada desses impostos. Tanto a Europa quanto a Ásia estão na direção do multilateralismo. Isso abre um diálogo para o Brasil dizer: “está na hora de vocês tirarem as tarifas para o café solúvel”. E, eventualmente, o Brasil terá que receber produtos que não são produzidos aqui, ou – mesmo que sejam – que possam entrar num regime de cota sem aplicação de imposto.

E: O que você acha do aumento do consumo de café na China?

MF: O consumo está crescendo em toda a Ásia. Segundo estudos, a população mundial vai saltar de 8 bilhões para 10 bilhões nas próximas décadas, e 100% do crescimento estará na Ásia e na África. A população da Europa está em declínio, a da América também. Já o consumo de café na China foi de mais de 6 milhões de sacas e ultrapassou o da Itália em 2025. Isso é um dado muito relevante, pelo tamanho da população chinesa. Tomar café está se tornando um hábito, uma cultura entre os jovens, que também gostam muito de laranja e de coco. Então, além do café convencional, as fábricas têm feito bebidas cafeinadas com estes ingredientes.

E: Com o Acordo Mercosul-União Europeia, o solúvel brasileiro passa a competir em pé de igualdade com outras origens?

MF: Vai levar um pouco de tempo, porque esses 9% vão sofrer um desagravo durante quatro anos, da ordem de 2,25% ao ano. Isso, depois de implementadas todas as regras, e de o acordo ter sido ratificado país a país. Depois disso, o Brasil estará em condições de igualdade. Mas sempre advogo que temos que ser mais agressivos, e começar a participar mais do mercado europeu. Temos ociosidade de produção, então, mesmo se as indústrias venderem com zero de margem, realizarão um bom negócio porque otimizarão as fábricas com produção total, reduzindo o custo por quilo produzido.

E: Existe alguma perspectiva de redução da tarifa dos Estados Unidos para o café solúvel brasileiro?

MF: Sim. O Vietnã está tarifado em 20%; o Brasil, em 50%. É uma diferença de 30%. O Cecafé tem dialogado com a Abics [Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel], com as instituições em Brasília, junto à própria NCA [National Coffee Association], nos Estados Unidos, e com os dois principais compradores de café solúvel americanos. Existe uma perspectiva, mas talvez demore mais do que a gente esperava por causa das questões geopolíticas.

E: Como você avalia o movimento das exportações brasileiras de cafés sustentáveis? A demanda global e a quantidade ofertada pelo Brasil vêm aumentando?

Sim, tem aumentado. O Brasil tem um Código Florestal rígido. Nossos cafés são extremamente sustentáveis, se concentram em pequenas propriedades, é um universo de produtores. Muitas vezes, para que sejam ratificados como sustentáveis, trazem uma certificação, como 4C, Rainforest, Fair Trade. O café sustentável não necessariamente será de extrema qualidade. Mas não existe café de qualidade ruim. Existe café que não se adequa ao hábito do consumidor.

Nos Estados Unidos há as cafeterias e o consumo no lar. Entre a população americana, há um percentual enorme de hispânicos. Esta população consome uma bebida não tão fina, mas nem por isso abre mão de uma certificação. O mesmo ocorre com a Argentina, que tem todas as variedades de café. Na Europa, onde temos uma participação de 44% do café importado, o Brasil entrega um percentual cada vez maior de cafés sustentáveis. É comum ter cafés ratificados por esses certificadores, com seus produtores constantemente dedicados a produzir cada vez mais cafés sustentáveis. A empresa onde trabalho, por exemplo, é pioneira em café e sustentabilidade no Espírito Santo. Desde o ano 2000, trabalhamos com a maior fabricante de café do Japão, a UCC [Ueshima Coffee Co.]. Nosso investimento em qualidade e sustentabilidade alcança mais do que a família e a propriedade. Onde tem café, o IDH é melhor. Onde tem café com sustentabilidade, o IDH e os índices socioambientais são ainda melhores, e isso coloca o produtor na vitrine nacional e na internacional.

E: Em 2025, as exportações de café do Brasil tiveram recorde em receita cambial, embora tenham registrado queda em volume. O que esperar para este ano?

No ano passado tivemos uma queda de 20% em volume e um aumento de 24% em receita. Nos últimos anos, o Brasil teve problemas climáticos. Em 2021, tivemos a geada mais forte desde 1994. Também registramos temperaturas muito altas. Em 2024, batemos recorde de exportação de conilon por causa de problemas no Vietnã e na Indonésia. Neste ano, as condições climáticas estão favoráveis, tivemos boas chuvas em janeiro, o que favorece o enchimento do grão. A safra de arábica deve ter uma recuperação, e a de canéfora deve se manter igual ou ser um pouco maior. Possivelmente, tenhamos uma correção na Bolsa de Nova York para níveis mais realistas, do ponto de vista histórico.

E: Como o café brasileiro pode expandir ainda mais as fronteiras?

MF: Não só o café, mas o agro deveria ter menos ideologia e mais praticidade. Precisamos ser Cafés do Brasil, independentemente da ideologia que a pessoa tenha. Todos acordam de manhã, tomam seu café, falam de café. É isso que nos interessa. Precisamos também ser mais próximos da cultura, porque, assim, vamos nos aproximar dos elos, não só no Brasil, mas no mundo, que conversam entre si. O [publicitário] Nizan Guanaes faz críticas ao agro e ele tem razão. Quando você assiste a uma série colombiana na Netflix, vê propagandas do Juan Valdez, mas quando vê uma série brasileira, não vê Cafés do Brasil.

Existe uma pesquisa na Europa que mostra que a marca Cafés do Brasil é mais conhecida do que o próprio Brasil. Temos um desafio internacional. A Colômbia tem um olhar para o produto acabado e abriu uma loja em um shopping no Brasil – temos de aplaudi-los por isso. Segundo a liderança colombiana, o mercado brasileiro está no foco, e essa será a primeira de muitas lojas. O Brasil tem o produto acabado nas mãos de empresas, em sua maioria não brasileiras. Entendo que precisamos produzir aqui o produto final, porque geramos empregos, agregamos valor e exportamos produtos com rastreabilidade. Produtos com matéria-prima 100% brasileira ou com alguma outra no blend, mas produzidos no Brasil para agregar valor – e não produzidos no exterior, com mais de 50% de café brasileiro, para depois serem pagos a custos elevados pelos próprios brasileiros.

E: Quais os principais desafios do setor?

MF: Hoje, o Brasil tem um problema logístico sério. Há navios no porto do Vietnã que transportam, numa única viagem, toda a exportação de conilon do Brasil para o mundo em um ano. Veja o quão atrasados estamos. Nossa logística é deficitária da lavoura ao navio – precisamos de ferrovia, de portos. Na década de 1980, tínhamos um armazém em Bauru, e todo o café seguia por trem até o porto de Santos ou de Paranaguá [no Paraná]. Quarenta e cinco anos depois, nem sequer temos ferrovia – regredimos.

A boa notícia é o advento dos novos portos, principalmente o porto de Imetame, no Espírito Santo. Atualmente, Santos é o maior porto da América Latina, recebendo navios da ordem de 10 mil contêineres. O porto de Imetame e outros do parque logístico do Espírito Santo receberão os maiores navios do mundo, com até 25 mil contêineres. Isso vai ajudar o Brasil mas, obviamente, só o porto não basta. Precisamos de estrutura terrestre e, principalmente, de ferrovias, porque o consumo de café vai crescer nos próximos anos.

Outro desafio é tributário, juros altos, financeiro. Como captar dinheiro com nossas taxas de juros e gerar negócios futuros, se os mesmos futuros têm deságios, que chegam a 20% em dólar ao ano? Da parte do governo, [a solução é] intensificar as políticas econômicas para que não tenhamos uma despesa tão maior do que as receitas como tem acontecido, o que leva o Banco Central a manter taxas de juros altas. Na questão tributária, o mais importante é ter clareza de qual tributo está sendo pago, respeitando um limite de pagamento de tributos, porque a atividade do café precisa ser remuneradora.

Texto originalmente publicado na edição #91 (março, abril e maio de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Lívia Andrade • FOTO Agência Ophelia

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Degustação e bate-papo sobre cafés do Cerrado acontecem sábado (18) na Casa Hario (SP)

A iniciativa, que prestigia IGs brasileiras, trará produtores e cafés de outras regiões até o fim de 2026; jantar harmonizado com a bebida fecha o primeiro encontro

A Casa Hario lança, neste sábado (18), uma série de degustações e encontros mensais com produtores para celebrar as indicações geográficas brasileiras de café. A ação faz parte do projeto Cafés de Origem, criado por Katia Nassuno, idealizadora da Casa Hario, que busca conectar cafeicultores e seus territórios a consumidores por meio de provas da bebida e workshops. 

A cada mês, o espaço, que reúne loja, cafeteria, bar e restaurante no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo, recebe um produtor e seus grãos. “Mais do que sediar ativações, atuamos como plataforma anfitriã e curadora de experiências, conectando origem e consumo de forma genuína”, diz Kátia. 

A região de estreia é o Cerrado Mineiro, primeira denominação de origem de cafés do país, representada pela Fazenda Três Meninas, do casal Marcelo e Ana Paula Urtado. Localizada em Monte Carmelo, a fazenda é referência mundial na produção de cafés regenerativos. No dia 18, das 10h às 12h, está programado um café da manhã com Ana Paula – acompanhada das filhas Malu e Fernanda, que, ao lado dela, são a razão do nome da propriedade – e degustação do arábica topázio, de processamento natural (100% ao sol), em três torras diferentes. 

“O Cerrado tem excelência em agricultura regenerativa para cafés, e quando o consumidor escolhe um café regenerativo, ele apoia a cadeia e incentiva a base produtora”, conta Ana Paula à Espresso

Ana Paula Urtado com suas filhas, Malu e Fernanda

Adepta há dez anos da prática, que restaura o solo e aumenta a biodiversidade, Ana Paula diz que a iniciativa é uma oportunidade de conversar sobre o tema com o público. “O conceito de qualidade em café evoluiu – já não é mais apenas como ele se apresenta na xícara, mas como ele foi produzido”, reforça ela. “Se você pode escolher um café bom com impacto positivo, por que não?”, provoca. 

O ingresso do encontro, com vagas limitadas, custa R$ 198 (mais taxas) no site Sympla.

O café da Fazenda 3 Meninas também está disponível a partir de sábado no cardápio da cafeteria, em sete métodos (como v60, sifão e surien), e será comercializado (em edição limitada) ao lado de mais dois representantes do Cerrado: um paraíso 2 natural do Guima Café, das fazendas São Lourenço (Patos de Minas) e Brasis (Varjão de Minas), no Alto Paranaíba – núcleo da produção cafeeira da D.O. –, e um novo mundo de fermentação induzida da Fazenda Tabatinga, em Indianópolis, de Alzira Mantovanelli.

Os cafés também entram no cardápio do jantar de 24 de abril (às 19h, por R$ 380). O menu, assinado pela cozinheira e cafeicultora Gabi Tropicana, à frente do restaurante Riacho Pequeno (Itu, SP), aposta numa cozinha caipira harmonizada com café e vinhos mineiros. Entre os pratos, arroz com requeijão moreno (queijo de corte, amarronzado e levemente adocicado, feito no fogão à lenha e típico de regiões como Vale do Mucuri), cupim prensado ao demi-glace de café, farofa e couve rasgada.

Até o fim do ano, a Casa Hario vai receber cafés e produtores das IGs Região do Pinhal (SP), Alta Mogiana (SP), Região Vulcânica (MG) e da Canastra (MG). As datas, a serem definidas, serão atualizadas no site da empresa e nas redes sociais.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Exportações de café caem 8% em março, para 3 milhões de sacas

Entressafra, retenção de vendas pelos produtores e gargalos logísticos reduzem embarques; receita recua mais que volume

Os embarques brasileiros de café somaram 3,04 milhões de sacas (60 kg) em março, com receita de US$ 1,125 bilhão, informa o relatório estatístico mensal do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), divulgado nesta segunda-feira (13). Em comparação a março de 2025, houve queda de 7,8% em volume e de 15,1% em valor.

Para o presidente da entidade, Márcio Ferreira, o recuo reflete a combinação de fatores sazonais e estruturais, como o período de entressafra, que reduz a oferta enquanto a nova colheita começa a chegar ao mercado, e a situação financeira dos produtores. “Os cafeicultores se encontram capitalizados e analisando os melhores momentos para negociar seus cafés remanescentes, assim, há menor disponibilidade do produto.” Há ainda gargalos estruturais nos portos, que limitam a capacidade de embarque, e um cenário externo de incertezas nas relações comerciais com os EUA e de tensões no Oriente Médio, que encarecem as operações dos importadores. 

No acumulado do ano-safra 2025/26 (julho a março), o Brasil exportou 29,093 milhões de sacas – queda de 21,2% ante o mesmo intervalo anterior–, mas com alta de 2,9% na receita, de US$ 11,431 bilhões. No primeiro trimestre de 2026, os embarques somaram 8,465 milhões de sacas (-21,2%), com receita de US$ 3,371 bilhões (-13,6%).

A Alemanha liderou as compras no primeiro trimestre, com 1,192 milhão de sacas (-15,6%), seguida pelos EUA, com 936,6 mil (-48,3%). Itália (885,2 mil, +10,2%), Bélgica (527,5 mil, +4,5%) e Japão (440 mil, -35%) completam o ranking dos principais destinos do café brasileiro no período.

O arábica foi o principal produto exportado no primeiro trimestre, com 6,712 milhões de sacas (79,3% do total embarcado), embora em queda de 25,8% na comparação anual. Já os canéforas (conilons e robustas) somaram 780,9 mil sacas, com alta de 11% e participação de 9,2%, enquanto o segmento de solúvel alcançou 963,2 mil sacas (-1,5%), respondendo por 11,4% dos embarques.

O relatório completo das exportações de café do Brasil, com os dados de março de 2026, está disponível no site do Cecafé.

TEXTO Redação

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Le Paris Café Festival começa dia 11 e antecipa clima para evento em São Paulo

O Le Paris Café Festival começa no próximo dia 11 e segue até o dia 13, reunindo torrefadores, baristas, especialistas e amantes do café na capital francesa. O evento é um dos principais do calendário europeu e combina degustações, experiências imersivas, lançamentos de marcas e uma programação voltada tanto para o público profissional quanto para consumidores finais.

Ao longo dos três dias, o festival destaca tendências do mercado, inovação em métodos de preparo e a crescente valorização dos cafés especiais, além de promover conexões entre diferentes elos da cadeia produtiva. A proposta é aproximar o café de qualidade do grande público, em um ambiente que mistura conteúdo, entretenimento e cultura.

No Brasil, a 5ª edição do São Paulo Coffee Festival já está marcada para acontecer entre os dias 26 e 28 de junho, na Bienal do Ibirapuera, na capital paulista. Considerado um dos principais eventos do setor no país, o festival reúne cafeterias, torrefações e marcas em uma programação que inclui degustações, workshops, bate-papos e atrações culturais. Os ingressos já estão à venda.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Espírito Santo na xícara: a Espresso degustou de 6 cafés capixabas

Segundo maior produtor de café do país, o Espírito Santo se destaca pela diversidade — uma combinação de solos, climas e tradições familiares que molda uma cafeicultura múltipla. Entre montanhas e litoral, o estado abriga lavouras de arábica em altitudes elevadas e áreas de canéfora que vêm ganhando produtividade e qualidade.

Com investimentos em tecnologia, capacitação e valorização do produtor, a produção capixaba cresceu 6,5% em 2024 e alcançou 13,9 milhões de sacas, segundo a Conab. Desse total, 9,8 milhões foram de conilon, mantendo o Espírito Santo como líder nacional da variedade.

Nesta degustação, a Espresso provou seis cafés do estado. As avaliações seguiram o Protocolo Brasileiro de Cafés Torrados, desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). A seguir, nossas impressões.

Onofre Cafés Especiais

Café arábica da variedade caparaó amarelo cultivado no Sítio Forquilha do Rio, em Dores do Rio Preto, Caparaó, pela família Lacerda.

Complexidade de odor média/alta
Complexidade de sabor média/alta
Notas descritivas caramelo, frutado, mel, cítrico
Doçura alta
Corpo médio
Acidez média/alta
Intensidade média
Onde comprar www.cafeonofre.com

Café Cordilheiras

Um arábica catuaí nanicão, cereja descascado honey, produzido no Sítio Cordilheiras, em Iúna (Caparaó), pela família Miranda Vieira.

Complexidade de odor alta
Complexidade de sabor média/alta
Notas descritivas amadeirado, cacau, amanteigado
Doçura média
Corpo médio/alto
Acidez média/baixa
Intensidade média
Onde comprar www.cafecordilheiras.com.br

Douro Cafés Especiais

Café arábica da variedade catuaí vermelho IAC 44, de processamento cereja descascado, cultivado no Sítio Denizar em Marechal Floriano, nas Montanhas do Espírito Santo.

Complexidade de odor média
Complexidade de sabor média
Notas descritivas caramelo e cacau
Doçura média
Corpo médio
Acidez média/baixa
Intensidade alta
Onde comprar www.cafestore.com.br

Pó de Mulheres

Blend da variedade conilon, com grãos cultivados pelo grupo feminino da Cooperativa Cafesul e processados pela própria cooperativa.

Complexidade de odor baixa
Complexidade de sabor média
Notas descritivas caramelo, amadeirado, castanhas
Doçura média
Corpo médio
Acidez baixa
Intensidade curta
Onde comprar www.cafesul.coop.br

Maritacas Coffee

Grãos da variedade conilon cultivados no Sítio Novo Horizonte, em Nova Venécia, região Conilon Capixaba, de processamento natural fermentado.

Complexidade de odor média/baixa
Complexidade de sabor média
Notas descritivas frutado (ameixa seca), amadeirado, alcoólico
Doçura média
Corpo médio
Acidez baixa
Intensidade alta
Onde comprar www.maritacascoffee.com.br

Fazenda Venturim

Café da variedade conilon vitória, de processamento cereja descascado, cultivado pela família Venturim no Sítio Concórdia, região Semiárido Capixaba.

Complexidade de odor média
Complexidade de sabor média
Notas descritivas caramelo, chocolate, castanhas
Doçura média
Corpo médio
Acidez média
Intensidade alta
Onde comprar www.cafestore.com.br

Texto originalmente publicado na edição #90 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Equipe Espresso • FOTO Agência Ophelia

Mercado

Exposição destaca a presença do café brasileiro na cultura urbana chinesa

O Museu do Café recebe, a partir de 24 de abril, em Santos (SP), a mostra temporária Ouro Negro e o Dragão, da artista plástica Camila Arruda. Com 15 obras inéditas, a exposição resulta da investigação da autora sobre o crescimento da China como um dos principais importadores do café brasileiro.

Apesar de historicamente ser uma nação consumidora de chá, a China tem apresentado um alto consumo de café nos últimos anos. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os envios de cafés brasileiros para o país asiático saltaram nos últimos anos: cerca de 87 mil sacas em 2022 para aproximadamente 420 mil sacas em 2024.

A mostra reúne pinturas, esculturas, instalações e vídeos organizados em três núcleos que orientam o percurso do visitante. O primeiro se apoia na cosmologia chinesa como base de pensamento e de organização da vida cotidiana, com referências a tradições filosóficas. No segundo, o café aparece como símbolo contemporâneo de status e cosmopolitismo: por meio de sobreposições visuais, a artista aproxima passado e presente ao inserir o grão sobre referências à porcelana da Dinastia Ming. O percurso se encerra com um olhar sobre as transformações recentes da China, destacando o avanço tecnológico e situando o café brasileiro dentro dessas dinâmicas, associado a novos padrões de consumo, logística e vida urbana.

A dimensão sensorial ganha protagonismo em “Sopro”, escultura formada por cerca de 65 kg de grãos de café torrado dispostos em uma estrutura circular de latão dourado. A obra associa o café à ideia de riqueza e mobiliza o olfato como parte da experiência, evocando a conexão entre o porto de Santos e o mercado chinês. No ateliê, a artista também desenvolveu tintas a partir de café e chá verde, utilizando pigmentos naturais aplicados sobre algodão cru. As peças exploram o conceito de Yin-Yang e evidenciam a convivência entre o chá, de tradição milenar, e o café, ligado à contemporaneidade.

TEXTO Redação • FOTO Erin With

Mercado

Mercado de café do Vietnã é destaque da edição #91 da Espresso

Sendo o maior produtor mundial de robusta e um dos principais exportadores globais de café, o Vietnã ocupa hoje um lugar central na dinâmica do mercado cafeeiro. Conhecer mais de perto essa origem tornou-se essencial para compreender os rumos do setor. Nesta edição, fomos verificar como evoluem o consumo interno, as exportações, o cenário de cafés especiais e as iniciativas de sustentabilidade no país.

Longe dali, donos de cafeterias norte-americanas consagradas, como a Blue Bottle, de São Francisco, contam como um negócio que nasceu pequeno — e justamente por isso fez sucesso — pode ganhar escala sem perder identidade. Esta edição também mergulha em uma fronteira técnica cada vez mais relevante para o setor: a torra de cafés canéforas. Com o avanço da qualidade e a diversidade genética resultante de novos clones e híbridos, torrefadores e pesquisadores começam a rever protocolos e compreender como densidade, composição química e genética interferem na condução da torra e, consequentemente, no perfil sensorial da bebida.

A revista traz ainda uma degustação de cinco cafés descafeinados, categoria que já deixou para trás o estigma de bebida “sem graça”. Também investigamos como empresas, produtores e instituições articulam iniciativas coletivas de agricultura regenerativa para tornar a cafeicultura mais resiliente às mudanças do clima.

Entre outros destaques da edição, está a entrevista com Márcio Cândido Ferreira, presidente do Cecafé, que discute desafios e oportunidades do café brasileiro no cenário internacional — da geopolítica do comércio à expansão do consumo na Ásia — e defende uma agenda de união em torno do produto nacional.

A edição pode ser comprada no site da Café Store, em bancas e nos pontos de venda. Para assinar, clique aqui.

TEXTO Redação

Mercado

Consumo brasileiro de solúvel cresce 15% entre janeiro e março, diz Abics

Entre janeiro e março, o mercado interno brasileiro consumiu 179.660 sacas de café solúvel, um aumento de 15,1% em relação ao mesmo período de 2025 (156.024 sacas), segundo comunicado da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) nesta quinta-feira (19).

“Nosso estudo de mercado aponta uma crescente preferência do consumidor brasileiro pelo café solúvel, fato que reflete as estratégias bem-sucedidas das indústrias do setor, que seguem investindo na otimização da qualidade e em novos produtos e embalagens para os consumidores do país”, disse Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics.

Exportação

Em fevereiro de 2026, o Brasil exportou 7,409 mil toneladas (321.129 sacas) do produto. De acordo com a Abics, este número é 13,9% maior que o registrado em fevereiro de 2025 (6,504 mil toneladas, ou 281.880 sacas). Em receita cambial, o aumento foi de 10,8%, chegando a US$ 90,289 milhões.

Os Estados Unidos seguem como o principal destino do solúvel brasileiro, com a importação de 1,769 mil toneladas (76.766 sacas) no primeiro bimestre do ano. “Vimos a performance em fevereiro minimizar a queda das exportações aos EUA no ano, embora a redução do tarifaço de 50% para novas taxas de 10% venha a surtir efeito somente a partir deste mês de março. Isso pode ser um sinal positivo aos embarques nos próximos meses”, analisa Lima.

A Rússia figura em segundo lugar no ranking, com a aquisição de 1,161 mil toneladas (50.300 sacas), crescimento de 18,5% na comparação com o primeiro bimestre de 2025. “A Europa é nosso segundo principal destino como bloco e o ajuste entre UE e Mercosul nos dá esperança e abre oportunidades ao Brasil para ampliar os embarques”, comenta. Fechando o top 3 está a Argentina, com a compra de 1,090 mil toneladas (47.245 sacas), queda de 2,6% no comparativo anual.

TEXTO Redação