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Nespresso oferece drinques gelados em evento gratuito na capital paulista

Pensando nos dias quentes deste verão, a Nespresso realiza um evento a céu aberto neste fim de semana, 2 e 3 de março, no Parque do Povo, em São Paulo (SP). Com o tema “Californian Dream”, representando o estilo de vida da Califórnia, a programação dos dois dias conta com demonstrações de novidades, masterclasses e degustações gratuitas com parceiros da marca.

Em um estande interativo, a masterclass vai preparar drinques gelados com lançamentos recentes da marca, como as cápsulas Juice Watermelon Flavour Over Ice e Coconut Flavour Over Ice, que fazem parte da linha Barista Creations For Ice. As receitas serão harmonizadas com produtos da Bacio di Latte, que oferecerá degustação de seus  principais sabores de gelato.

O evento é gratuito, basta chegar. Para participar da masterclass, é necessário fazer inscrição no local.

Serviço
Quando: 2 e 3 de março
Horário: 9h às 17h
Onde: avenida Henrique Chamma, 420 – Pinheiros – São Paulo (SP)

TEXTO Redação

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Pressca anuncia compra de ativos da Bravo Concept, empresa de acessórios para espresso

A Pressca, empresa brasileira inovadora no segmento de cafeteiras portáteis, anunciou em fevereiro a aquisição dos ativos da Bravo Concept, que produz equipamentos profissionais para café. A união das empresas já entrou em vigor. 

De acordo com Ciro Pereira, diretor da Pressca, as negociações começaram em 2020. Concluída a aquisição, a Pressca assegura os direitos de produção, comercialização e utilização da marca Bravo Concept. “Estamos entusiasmados com essa nova jornada e confiantes de que a união entre a Pressca e a Bravo Concept vai elevar a experiência do café”, comemora. 

Gilberto Santos, fundador da Bravo, permanece ativamente envolvido nas áreas técnica e comercial. Ele comenta que, desde o início, a ideia era concentrar esforços na criação e no desenvolvimento de produtos, mas que foi preciso, primeiramente, fortalecer a marca para depois alinhar algum tipo de parceria na produção e no desenvolvimento de novidades. 

“Foi então que comecei a tratar com a Pressca, que tinha o que eu precisava, que é estrutura, engenharia e perfil industrial, além de ser do mesmo nicho. Era o perfil que procurava”, conta Santos à Espresso. “A marca Bravo ainda é minha. Eles vão produzir e vender, e eu vou me dedicar à assistência pós-venda e à criação de novos produtos e melhorias”, explica.

Segundo Pereira, daqui para frente o objetivo é ampliar a produtividade e focar em novidades. “De imediato, queremos dar mais escala para o negócio da Bravo, já que, antes, ficava tudo concentrado no Gilberto”, explica ele. “Vamos manter o primor de qualidade que ele sempre teve e tentar dar uma estrutura maior ao modelo de atendimento”, completa. “Desejamos ampliar mercados fora do Brasil, algo que o Gilberto sempre fez muito bem, e seguir aprimorando produtos e desenvolvendo outros, para atender maiores demandas”, projeta Pereira.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Pressca e Bravo Concept/Divulgação

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Design e espresso artesanal: conheça a Bruta

Foto: Edu Rodrigues

“Eu comecei a fazer a Bruta de maneira muito intuitiva, um hobby, uma curtição mesmo. Uma maneira de aprender mais sobre café”, conta Edu Rodrigues. O fotógrafo publicitário começou a se interessar pelo café em 2003, quando o mercado ainda engatinhava.

De lá para cá, entrou na onda de preparar espresso em casa. E foi durante a pandemia que finalmente resolveu tirar a ideia do papel e pôr a mão na massa para construir um equipamento artesanal que apresentasse uma boa extração. “A ideia sempre foi fazer uma máquina muito simples, o mínimo para uma pessoa comum fazer um espresso em casa. Achei um torneiro mecânico fresador entediado, com a oficina fechada. Ele topou desenvolver o projeto junto comigo”.

Edu Rodrigues – Foto: Marcos Vilas Boas

Ao todo, a Bruta é feita de aço carbono, aço inox, latão, concreto, cerâmica, vidro e madeiras nobres, exóticas e desconhecidas, resgatadas pelos “caminhos da vida”, como ele mesmo explica. O equipamento não conta com plástico nem papel. Fora o trabalho do torneiro mecânico, o restante é o próprio Edu quem monta, ou seja, é realmente um processo 100% artesanal e cuidadoso, o que faz com que cada peça seja única.

De acordo com ele, a Bruta é ideal para quem quer aprender mais sobre café, se aprofundar, descobrir diferentes características, entender mais sobre os processos de torra, moagem e frescor. “Tem os modelos de parede, os com base de concreto e outros com base de madeira e, eventualmente, alguma graça. Mas mesmo os modelos básicos não são básicos. Todos são numerados e montados um por um. Nenhuma Bruta é igual a outra”.

Aos interessados em saber mais informações ou até mesmo encomendar uma Bruta, basta entrar em contato através do direct do Instagram @bruta_espresso

TEXTO Gabriela Kaneto

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Collab lança pitcher de três bicos para preparo de latte art

A Slow Pour Supply, empresa sediada no Texas, nos Estados Unidos, acaba de lançar a pitcher Kimera, em parceria com a WPM Welhome Pro, de Hong Kong. A Kimera chama atenção pelo design diferente dos modelos disponíveis no mercado.

Feita de aço inoxidável recoberto por silicone fosco, a jarra, de 500 ml, não tem alça: o que auxilia em seu manuseio é o formato dela, com três bicos. Além disso, cada um deles tem nomes distintos – e diferentes funções. O bico #06 foi projetado para a criação de corações e tulipas, ao permitir um fluxo mais “versátil” do leite, segundo os fabricantes. Já o #07 é ideal para desenhos mais complexos, como rosetas e tulipas com asas. Quanto ao bico #08, exclusivo da Slow Pour Supply, lembra uma caneta de ponta fina e dá mais precisão ao fluxo do leite quando o objetivo é “arrastar e desenhar”.

Anita Tam, CEO da Slow Pour Supply e responsável pelo projeto do #08, diz que é importante que se pense não apenas na ponta do bico, mas em toda a extensão por onde o leite passa. Para ela, o #08 tem uma abertura maior e uma ponta mais estreita que permite não apenas desenhar linhas mais finas como também obter fluxos diferentes, dependendo da textura do leite e da altura em que ele será jogado.

A Kimera poderá ser pré-encomendada ainda neste mês no site da Slow Pour Supply, por US$ 88, e estará disponível na cor preta, com a capa preta ou rosa – esta cor, por tempo limitado. Os envios devem começar em março.

TEXTO Redação / Fonte: Daily Coffee News • FOTO Divulgação/Slow Pour Supply

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La Marzocco lança máquina de espresso mini para preparos em casa

 

A La Marzocco acaba de lançar um novo equipamento para os fãs de espresso. Chamada Linea Mini, a novidade é inspirada na Linea Classic, com design moderno e funcionalidades que auxiliam o preparo de uma boa bebida em casa.

Produzidas em Florença, na Itália, as minimáquinas têm os mesmos componentes de um equipamento profissional. E, mesmo pequena, também traz caldeira dupla e um grupo integrado, o que permite estabilidade de temperatura e eficiência de energia. 

Outros recursos são um temporizador de disparo integrado, que permite monitorar precisão e consistência do preparo; um vaporizador de toque frio e ponta de polímero, que, segundo a empresa, produz um leite mais aveludado; e um sistema de pré-infusão com duas válvulas. A Linea Mini também tem ajuste fácil de pressão, enxágue com duração personalizável e modo de espera para otimizar o uso de energia.

Variáveis como temperatura e pré-infusão podem ser controladas por um aplicativo, que faz do celular uma tela de operações da máquina. Dicas, relatórios diários, tutoriais e avisos de manutenção e de limpeza também são recebidos através do app. 

A Linea Mini está disponível nas cores branco, preto, vermelho, azul claro e amarelo, por a partir de R$ 41 mil.

Mais informações: www.marzocco.com.br 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Nova cápsula Nescafé Dolce Gusto busca reproduzir pingado de padaria em casa

Para os fãs de café com leite, a Nescafé Dolce Gusto lançou recentemente o Pingado. Inspirado na famosa receita brasileira, uma das mais pedidas nas padarias – um copo de leite e um “pingo” de café, daí o nome –, a novidade é feita com grãos canéfora (robusta) e, segundo a marca, resulta em uma bebida cremosa e com perfil sensorial suave.

A cápsula Pingado completa o portfólio de lattes da Nescafé Dolce Gusto, que inclui mais três sabores: Café Au Lait, Cappuccino e Mochaccino Canela. A nova cápsula pode ser encontrada no e-commerce da marca por R$ 21,49 (caixa com dez unidades).

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Juan Valdez inaugura primeira loja em Dubai

A empresa de café colombiana Juan Valdez abrirá, em fevereiro, sua primeira flagship nos Emirados Árabes Unidos. A marca sediada em Bogotá, que opera 557 lojas no mundo – 360 na Colômbia e 197 em 17 mercados internacionais –, prepara-se para estrear em Jumeirah 2, bairro de Dubai. Os destaques da nova loja são sustentabilidade e responsabilidade ambiental. 

De acordo com o World Coffee Portal, após a inauguração da unidade, a Juan Valdez planeja restabelecer, este ano, sua presença no México. Em 2018, a rede fechou oito lojas no país, ao encerrar uma parceria de franquia “não lucrativa”. 

Em 2023, os negócios internacionais da Juan Valdez cresceram 16% nas vendas ano a ano no terceiro trimestre, o que foi atribuído às fortes vendas nas lojas e às parcerias de HORECA. Nos primeiros nove meses do ano passado, as vendas totais cresceram 29% em relação ao mesmo período de 2022. 

Criada em 1927, a marca colombiana, tradicionalmente conhecida por trabalhar com cafeicultores que colhem, manualmente, 100% de frutos no ponto de cereja, carrega a certificação B-Corp de sustentabilidade, que ressalta práticas responsáveis, mudanças sociais e impacto global positivo.

TEXTO Redação

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Novidades geladas para curtir um café neste verão

Para aproveitar o verão, marcas apostam em bebidas geladas para refrescar o público nos dias quentes. É o que fizeram a Nespresso e a illycaffè, duas gigantes da bebida que lançaram parcerias e novidades para essa época do ano.

Diferentes opções em casa

Mirando nos drinques, a Nespresso trouxe de volta a linha Barista Creations for Ice, com dois novos blends: o Juice Watermelon Flavour Over Ice (R$ 56 a caixa com 10 cápsulas) e o Cold Brew Style Intense (R$ 49 a caixa com sete cápsulas). O primeiro, disponível no sistema Vertuo (80 ml), é 100% arábica de torra clara, que promete um sabor frutado de melancia. Já o segundo, no mesmo sistema (355 ml), entrega uma extração diferente chamada “hot bloom”, que começa quente e termina com água fria para eliminar o amargor. O resultado, descrito pela marca, tem textura sedosa e notas de torrado de caramelo.

Além das novidades, a linha traz também os sazonais Freddo Intenso e Freddo Delicato (sistema Original, em 40 ml – R$ 37), o Ice Leggero (Vertuo, em 80 ml – R$ 45) e o Coconut Flavour Over Ice (Vertuo, em 230 ml, e Original, em 40 ml – R$ 37). Disponível por tempo limitado, a Barista Creations For Ice já está no site da Nespresso.

Peça para o barista

A parceria entre a italiana illycaffè e a argentina Havanna foi pensada para os apaixonados por café e doce de leite. O resultado do trabalho conjunto é a nova illycrema, uma bebida feita com creme gelado de café illy (preparado com espresso illy 100% arábica e microcristais de gelo), que pode ser harmonizado com chantilly e com o tradicional doce de leite Havanna. 

Sem gordura hidrogenada, corantes ou conservantes, a novidade está no cardápio das lojas Havanna, e custa R$ 15. Além da versão tradicional, há duas outras opções (R$ 16): illycrema com essência de morango e cobertura de granulé de chocolate e illycrema com calda de chocolate, chantilly e doce de leite.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafeteria & AfinsMercado

Rede de cafeterias chinesa Cotti Coffee avança no Leste Asiático

A cadeia de cafeterias chinesa Cotti Coffee está em expansão no Leste Asiático. Segundo a 5TH WAVE, a cadeia de cafeterias de conveniência, – que abriu sua primeira loja no país em outubro de 2022 e já conta com 6 mil unidades – inaugurou recentemente outras filiais na Tailândia e na Malásia.

Em Bangcoc, a Cotti Coffee abriu duas lojas e, na Malásia, inaugurou em meados de dezembro uma filial em Johor Bahru. Atualmente, a rede de cafeterias está presente em oito grandes mercados do Leste Asiático, com estabelecimentos na Coreia do Sul, na Indonésia, no Japão, em Hong Kong e no Vietnã.

Lançada pelos fundadores da Luckin Coffee, a maior cadeia de cafeterias da China, a Cotti, com preços acessíveis e que tem como estratégia oferecer descontos agressivos e um aplicativo próprio para facilitar pagamentos, entregas, pedidos e promoções.

Sediada em Pequim, a empresa planeja abrir sua primeira loja nas Filipinas e Singapura. Ela também opera três lojas no Canadá, seu único mercado fora do Leste Asiático.

Pesquisas do World Coffee Portal mostram que o mercado de cafeterias de marca no Leste Asiático cresceu 24% em número de lojas nos últimos 12 meses, ultrapassando 119.200 estabelecimentos. A China é o maior mercado de cafeterias de marca na região, com cerca de 49.700 lojas, seguida pela Coreia do Sul, com mais de 31.100.

Fonte: 5TH WAVE

TEXTO Redação • FOTO @Cotti Coffees

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SIC 2023: Cafés buscam singularidade e rastreabilidade

Origens produtoras, seus desafios e possibilidades, marcam a 11ª Semana Internacional do Café, em Belo Horizonte

Acesso a mercados, sustentabilidade, governança, rastreabilidade, união da cadeia cafeeira, quebra de paradigmas. A Semana Internacional do Café 2023 promete ficar para a história. Isso porque o tema desta 11ª edição – Origens produtoras: uma visão de futuro para uma nova cadeia do café – está atrelado a todas essas questões.

O momento da cafeicultura mundial é de grandes desafios. Mas a cafeicultura brasileira, embora os enfrente, tem, também, oportunidades. Cientistas, agricultores, torrefadores, traders, educadores, empreendedores e representantes de organizações que apoiam a cafeicultura compartilharam esses assuntos entre 8 e 10 de novembro, em Belo Horizonte, com mais de 20 mil visitantes, de mais de 30 países.

Nos painéis do Simpósio DNA Café – que traz as principais tendências do mercado – ficou claro que, atualmente, qualidade e certificação, embora sejam parâmetros importantes, não são mais suficientes para fomentar a cadeia de cafés especiais em nível global. A estratégia é singularizar os grãos a partir de sua origem, sua rastreabilidade e sua sustentabilidade. “A origem do café é única”, lembrou Priscilla Lins, gerente de agronegócios do Sebrae Minas, no painel Origens produtoras e o novo cenário mundial. A frase, contundente, reforça a importância de um território e de seu saber-fazer para a identidade e a valorização comercial dos cafés especiais. Comércio este que deve mirar, também, novos mercados.

“A China é o futuro do café”, apostou Marcos Jank. Em sua palestra Futuros e tendências do agronegócio: as oportunidades para o café, o professor-sênior de agronegócio do Insper, em São Paulo, chamou a atenção para o aumento da população e da renda per capita em países do leste e sudeste da Ásia (como Japão e Coreia do Sul), o que poderá torná-los os principais mercados do produto brasileiro.

Para consumidores cada vez mais exigentes, que buscam saber a origem, a rastreabilidade e o impacto no planeta dos produtos que compram, produtores e entidades brasileiras vêm buscando ferramentas para alavancar as origens dos cafés. O assunto surgiu em vários momentos do evento. Na palestra Tendências de consumo e mudanças geracionais, Eco Moliterno, chief creative officer da Accenture, uma das principais empresas de consultoria do mundo, lembrou que estamos vivendo uma era que não está mais centrada no consumidor, mas no ser humano. 

A questão também foi discutida na apresentação Origem Controlada Café: digitalização das Indicações Geográficas. Resumo da ópera: a Indicação Geográfica, concedida pelo INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial), não assegura a qualidade do café, que deve ser monitorada pelos gestores da IG. Para isso, é preciso um sistema dedicado à gestão da cadeia, ao controle e à rastreabilidade do grão.

Foi com esse argumento que o Instituto CNA, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o Sebrae divulgaram na SIC o projeto Digitalização das IGs de Café. A iniciativa conjunta busca desenvolver um sistema de controle e rastreabilidade das regiões produtoras, potencializando a origem e a qualidade dos grãos nacionais para os mercados nacional e internacional. “Em breve, teremos mais eficiência na gestão, mais acesso a mercados e maior valor agregado aos nossos cafés”, prometeu André Trikienicz, CEO e fundador da AgTrace, que está desenvolvendo a tecnologia.

Sustentabilidade e desafios

Como maior produtor de cafés do mundo há quase 170 anos, o Brasil, além de ter diversidade de territórios, é o país mais preparado para levar cafés de qualidade e com práticas sustentáveis ao consumidor ao redor do planeta. Nesta SIC, as falas em torno dessa afirmação reforçaram-se umas às outras, especialmente nos encontros do Fórum de Agricultura Sustentável, que desde 2014 tornou-se um espaço privilegiado para a discussão de práticas, inovações e desafios quanto à sustentabilidade na cafeicultura. 

“O Brasil é o único país preparado para responder às leis europeias”, afirmou a expert em sustentabilidade Gelkha Buitrago, diretora-adjunta da Plataforma Global do Café, entidade com sede na Suíça. “Não tem nenhum país com a tecnologia e a sustentabilidade que o Brasil tem”, reforçou Henrique Cambraia, presidente e cofundador da cooperativa Sancoffee (Campos das Vertentes, MG), que participou com Gelkha do debate Novo cenário de comercialização para os cafés no mundo.

Gelkha refere-se ao Regulamento da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (European Union Regulation for Deforestation-Free Products ou EUDR), que entra em vigor a partir de janeiro de 2025. Quem discutiu a nova regulamentação foi Vanusia Nogueira, diretora-executiva da Organização Internacional do Café (OIC), na abertura do Fórum. A lei, a ser seguida pelos 27 países integrantes, proíbe a importação de produtos oriundos de áreas de desmatamento e degradação florestal, como carne bovina e couro, soja, cacau, óleo de palma, borracha, madeira e café (verde, torrado e torrado e moído). A Europa consome mais de 50% do grão brasileiro, e a regulamentação impacta todos os países produtores.

“Nesses últimos 30 anos, a área global de produção cafeeira aumentou muito pouco”, explica Vanusia. “E, no Brasil, o crescimento da produção se deu pelo aumento da produtividade, que mais do que duplicou. Então é um equívoco relacionar café e desmatamento”, pondera. 

Os desafios são globais: o desinteresse da nova geração pela agricultura, a falta de acesso a financiamentos, tecnologias digitais e mercado e o acesso limitado à terra são alguns deles. Mas há, também, oportunidades, especialmente para o Brasil. Além da emergência de novos mercados, os modelos de compra de café vão mudar. E, segundo Vanusia, o Brasil pode e deve criar seus próprios modelos de agricultura regenerativa – a grande saída para a sustentabilidade e o enfrentamento das mudanças climáticas.

Quebrando paradigmas

Os estudos científicos sobre cafés de qualidade vêm quebrando barreiras. É o que mostrou o engenheiro agrônomo Flávio Borém, da Universidade Federal de Lavras e especialista em pós-colheita. Na palestra Como o pós-colheita influencia a construção do perfil, durante o Intertorra (veja abaixo), Borém redefiniu conceitos e reorganizou processos, resultado de anos de pesquisa. “Não é possível dizer que métodos de processamento definem perfis de café”, ensinou.

As mudanças não surgem apenas no manejo dos grãos, mas também nas estratégias de promoção dos cafés. A Serra de Mantiqueira já repensa seu modelo, ao buscar desburocratizar o processo de obtenção dos selos. “A estrutura precisa ficar mais ágil”, avalia Alessandro Hervaz, produtor da Honey Coffee e presidente da Aprocam e da Coopervass (Mantiqueira de Minas, MG) na palestra Como as estratégias de origem contribuem para a governança, promoção e acesso ao mercado de café especial?.

A região Matas de Rondônia é um bom exemplo de quebra de paradigmas. Numa apresentação sobre robustas especiais amazônicos, Juan Travain, sócio-proprietário da fazenda Selva Café (RO), mostrou como os desenvolvimentos no pós-colheita, ao lado das características da floresta, ajudam a produzir qualidade. “Essa safra está excepcional em produtividade e em qualidade”, comemora Travain, que diz ter havido um salto na comercialização, com boa remuneração dos produtores. “Nossos robustas são fruto de muita ciência e dedicação”, arremata.

As cafeterias e torrefações também contribuem para esse sucesso. “Mais importante do que a qualidade do produto é a qualidade do conjunto de produtores de uma região”, completa Vinícius Estrela, diretor-executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e que participou do debate.

Técnica e premiações

Para além dos desafios da cadeia cafeeira, a SIC trouxe novidades e premiou produtores. Pela primeira vez, a 5ª edição do Intertorra, encontro de torradores brasileiros, aconteceu no evento. Seu objetivo é compartilhar conhecimento técnico e tecnológico por meio de workshops, palestras e cuppings. “Privilegiamos atividades sensoriais e teóricas, para ampliar o conhecimento sobre a torra”, explica o idealizador, Matheus Tinoco.

Tradicionalmente, a SIC é palco do Campeonato Brasileiro de Barista. O campeão de 2023 é Daniel Vaz, da Five Roasters (RJ), que representará o país, em maio de 2024, no campeonato mundial da categoria em Busan, Coreia do Sul (em outubro, Vaz tornou-se vice-campeão no Campeonato Brasileiro de Brewers Cup). Organizada pela Atilla Torradores, a competição Torrefação do Ano elegeu a Fazenda Jangada, de Cabo Verde, na região vulcânica de Minas Gerais.

O último dia da SIC teve premiações de concursos. Um dos mais aguardados foi o Coffee of the Year (COY). Criado em 2012, o prêmio reconhece o trabalho do cafeicultor e ajuda a promover as origens produtoras dos grãos de qualidade. A competição elege os destaques do ano nas categorias arábica e canéfora. Neste ano, foram 530 amostras inscritas de mais de 30 regiões produtoras,  um recorde. O Espírito Santo arrematou os troféus: o café campeão da categoria arábica foi produzido por Deneval Miranda Vieira Júnior (Sítio Cordilheiras do Caparaó, Iúna), e Wagner Gomes Lopes (Sítio 3 Marias, Alto Rio Novo) levou o prêmio de melhor canéfora. A novidade é que, logo após o anúncio dos vencedores, os cafés imediatamente receberam lances: a Coffee ++ ofereceu R$ 8 mil pela saca do arábica e a Nater Coop, R$ 10 mil pela do canéfora. 

Há muito, a SIC é conhecida por agregar outros concursos, como o tradicional Florada Premiada, da 3corações. Em sua 6a edição, ele premiou 83 cafeicultoras de microlotes de arábicas e canéforas de alta qualidade (acima de 84 pontos, num total de 100). “Agora, queremos exportar esses cafés”, prometeu Pedro Lima, presidente do grupo. Pelo segundo ano consecutivo, as melhores amostras de cafés especiais produzidas no Vale do Jequitinhonha foram agraciadas no Prêmio da Chapada de Minas. Houve, ainda, a 7a edição do cupping ATeG/Café+Forte, para cafeicultores apoiados pelo Sistema Faemg Senar, e a 9a edição do Golden Cup Brasil, que premia os melhores grãos fairtrade do Brasil. 

Além do COY, a Espresso & Co. também comanda o Espresso Design 2023, premio de embalagens. A vencedora foi a torrefadora carioca Madura Coffee Cafés Especiais, com o pacote Cura Ressaca, feito para drip coffees.

A edição da Semana Internacional do Café 2023 tem apoio institucional do Sistema Ocemg, patrocínio oficial Codemge e Governo de Minas Gerais, patrocínio diamante da 3corações Rituais Cafés Especiais, patrocínio prata Sicoob e Melitta, patrocínio bronze Cocatrel, Nescafé e Nucoffee. Apoio Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA Brasil), Sindicafé-MG e Abrasel. Realização Faemg/Senar, Espresso&Co., Sebrae e Governo de Minas Gerais. Mídia oficial CaféPoint.

TEXTO Cristiana Couto • FOTO NITRO/Semana Internacional do Café