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IBGE reduz em 1,2% estimativa da safra brasileira de café

Nova projeção aponta 66 milhões de sacas, com previsão de canéfora, com colheita mais avançada, revisada para baixo

O IBGE revisou para baixo a estimativa da safra brasileira de café 2026/27. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado nesta terça-feira (14), a produção nacional foi estimada em 66 milhões de sacas, queda de 1,2% em relação à projeção de junho. Ainda assim, o volume representa um crescimento de 14,7% frente à safra de 2025.

A produção de café arábica foi mantida praticamente estável na comparação mensal, estimada em 44,4 milhões de sacas. De acordo com o instituto, as condições climáticas têm favorecido as lavouras do Centro-Sul e a safra também é impulsionada pela bienalidade positiva, característica do ciclo produtivo da espécie.

Já a estimativa para o café canéfora (conilon e robusta) foi revisada para baixo. O IBGE passou a projetar uma produção de 21,6 milhões de sacas, redução de 3,6% em relação ao levantamento anterior. Mesmo com o ajuste, o volume permanece 3% acima do registrado em 2025.

A nova projeção reforça a expectativa de uma recuperação da oferta brasileira em 2026/27, embora os ajustes mensais indiquem que o desempenho da safra continua sendo acompanhado de perto à medida que a colheita avança.

FOTO Camila Luz

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Por um Espírito Santo (ainda) mais sustentável

Cooperação entre produtores, empresas e instituições públicas busca posicionar o estado no mercado global dos cafés responsáveis

Cafezais na região serrana do Espírito Santo

Por Cristiana Couto, do Espírito Santo

Das montanhas de Brejetuba, com pequenas propriedades produtoras de arábicas especiais, às áreas de conilon no norte capixaba, marcadas por escala e tecnologia, o Espírito Santo reúne uma diversidade de cafés rara de encontrar em outras origens do mundo. Apesar das diferenças, a cafeicultura capixaba enfrenta desafios comuns, como adaptar-se às mudanças climáticas e atender mercados exigentes quanto a rastreabilidade e sustentabilidade dos grãos.

Com o café cultivado em 69,7% das propriedades rurais, o segundo maior estado produtor do grão no país vem articulando empresas, instituições públicas, produtores e cooperativas para fortalecer a competitividade da cafeicultura capixaba.

Para Michel Tesch Simon, subsecretário de Desenvolvimento Rural da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), a sustentabilidade é um dos pilares dessa agenda. “O posicionamento do Espírito Santo passa pela combinação de diversidade de origens, famílias prosperando no campo, sustentabilidade, qualidade, volume e sucessão”, afirma.

A difusão da irrigação no cultivo de arábicas é uma das apostas desse movimento. Em Brejetuba, a 750 metros de altitude, Sérgio Alexandre Corrêa viu a produtividade de um hectare de café saltar de 40 para 78 sacas por hectare no primeiro ano após a implantação de um sistema fertirrigado. Na safra 2026/27, recém-colhida, foram 80 sacas/ha – mais do que o dobro da registrada nas áreas não irrigadas da propriedade e da produtividade média do arábica capixaba, de 35 sacas/ha, segundo a Conab.

A tecnologia chegou ao Sítio Fazenda Corrêa em 2024, depois que estiagens sucessivas comprometeram a produção. “Até 2020 o clima era mais favorável. Depois vieram quatro anos de seca e resolvemos passar para a irrigação”, diz Corrêa. Ele já ampliou a área irrigada para 14 hectares e pretende levar o sistema para toda a lavoura.

Segundo Fabiano Tristão Alixandre, coordenador estadual de cafeicultura do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), a irrigação de cafés arábica acontece em apenas 2% da área de cultivo da espécie, que ocupa 127,5 mil hectares no estado (Conab, 2026). Historicamente, as regiões de montanha tinham chuvas regulares e temperaturas amenas. “O produtor não via necessidade de irrigar. Mas, nos últimos anos, observamos chuvas irregulares e temperaturas acima da média durante o desenvolvimento dos frutos, o que tem provocado perdas”, explica.

Corrêa (à esq.) com Fabiano Tristão

Pacote tecnológico

Lançado pela Seag em 2024, o projeto Cafeicultura Sustentável, que incentiva o avanço da irrigação em áreas vulneráveis de arábica, é a principal iniciativa do estado para posicionar os grãos capixabas no mercado global. Com investimento de R$ 4,9 milhões até março de 2027, o projeto – que integra o Programa de Desenvolvimento Sustentável da Cafeicultura do Espírito Santo e é executado pelo Incaper – já alcançou 6 mil propriedades das 8 mil esperadas. Já a expectativa do programa é alcançar 35 mil delas até 2030.

Os resultados da iniciativa na propriedade de Corrêa já começaram a se espalhar pela região. “Quase toda semana vem alguém para conhecer o projeto”, diz o produtor. Segundo Tristão, pelo menos dez cafeicultores implantaram sistemas de irrigação como o do Sítio Fazenda Corrêa, selecionado pelo Incaper como uma unidade demonstrativa da tecnologia, que funciona como vitrine da prática para incentivar sua adoção.

O modelo já está sendo replicado em dez outras unidades, instaladas em áreas abaixo de 800 metros de altitude, mais vulneráveis a essas mudanças do clima, nas Montanhas do Espírito Santo e no Caparaó.

Além do aumento de produtividade, Corrêa observou ganhos na qualidade do café. “Estou conseguindo obter peneiras melhores. O café fica mais graúdo”, relata. Mas o desempenho dessa lavoura não está associado apenas à irrigação – cujo projeto é personalizado –, mas também a escolha da cultivar, manejo nutricional e acompanhamento técnico. “Não é só irrigação, é um pacote tecnológico”, reforça.

Sustentabilidade na embalagem

A agenda da sustentabilidade também começa a ganhar espaço na valorização das origens capixabas. Nas Montanhas do Espírito Santo, a Associação dos Produtores de Café Especial das Montanhas do Espírito Santo (Acemes) quer destacar que há critérios socioambientais na produção de café nos 16 municípios que compõem a denominação de origem.

Para receber o selo da DO, os produtores comprovam, além da qualidade e origem do grão, o cumprimento de requisitos de sustentabilidade, avaliados por meio do Currículo de Sustentabilidade do Café (CSC), adotado pelo Cafeicultura Sustentável como base para suas ações. Lançado em 2015 e elaborado com a participação de vários segmentos do setor, o CSC alinha-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) e reúne 39 indicadores distribuídos entre os eixos ambiental, social e econômico.

Thiago Douro, diretor da Acemes, diz que a ideia é associar a reputação sensorial dos cafés das Montanhas às boas práticas adotadas pelos produtores. “A gente entendeu que não bastava vender apenas qualidade. As Montanhas do Espírito Santo têm uma história ligada à preservação ambiental e queríamos que isso também estivesse refletido na certificação.” Os primeiros selos foram emitidos em maio. Por meio de um QR Code impresso no selo colado à embalagem, os compradores acessam informações sobre aquele lote na plataforma Origem Controlada Café, lançada em 2024 na SIC e que faz a rastreabilidade de cafés com indicação geográfica. “A gente tem um potencial de quase oito mil cafeicultores”, calcula Douro.

Uma propriedade-modelo

Se o selo das Montanhas busca comunicar atributos socioambientais dos grãos, em propriedades como a de Joselino Menegueti esses critérios fazem parte da rotina há anos. Em Brejetuba, a 1.100 m de altitude, o produtor alcançou este ano 95,3 pontos no CSC, o que coloca o Sítio Rancho Dantas entre as referências em sustentabilidade da denominação de origem.

Essa conquista é fruto de uma trajetória iniciada em 2007, quando Menegueti teve dificuldades em manter a lavoura, de baixa produtividade. Com apoio técnico do Incaper, ele renovou os cafezais e apostou em qualidade. Em 2010, começou a conquistar prêmios em concursos. Hoje em dia, o produtor torra e vende on-line o seu café.

Menegueti e o filho, Leidiomar

Entre os indicadores do currículo que foram cumpridos estão a proteção de nascentes, a conservação das áreas de preservação permanente, a destinação adequada de resíduos e a sucessão familiar. “O trabalho familiar foi o mais importante. A gente se reuniu, buscou uma renda sustentável e a tecnologia veio ajudando”, resume o produtor.

Outro destaque é o manejo e conservação do solo. Em vez de eliminar a vegetação espontânea, Menegueti passou a roçá-la com cuidado e regularmente a fim de proteger o terreno contra erosão, conservar a umidade e favorecer a ciclagem de nutrientes. “Antigamente, o mato era visto como inimigo número um”, lembra.

Agora, o Rancho Sítio Dantas é uma das primeiras unidades de referência em cafeicultura regenerativa implantadas no estado em parceria com a Plataforma Global do Café (GCP). O trabalho, que começou este ano, cruza a avaliação da microbiota do solo com análises químicas e de matéria orgânica. A partir daí, surge um índice de saúde do solo.

Para Tristão, a propriedade de Menegueti mostra que sustentabilidade não depende de uma única tecnologia. “É o conjunto: variedade adaptada, nutrição equilibrada, conservação do solo e troca de conhecimento”, afirma. “O Joselino sempre manteve as portas abertas para compartilhar o que aprende, e isso ajuda a difundir essas práticas para outros produtores da região.”

Qualidade em escala

Se nas Montanhas do Espírito Santo a sustentabilidade exige práticas como irrigação, nas regiões produtoras de conilon os desafios têm outra dimensão. Maior produtor brasileiro da variedade – a estimativa da Conab para esta safra é de 13,56 milhões de sacas –, o Espírito Santo busca combinar escala ao aumento de qualidade, especialmente no pós-colheita.

Uma das iniciativas é a substituição gradual da lenha por gás natural nos secadores de café. Desenvolvido em parceria entre a ES Gás e o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), o projeto-piloto de secadores a gás está sendo testado nesta safra no município de Linhares, no norte capixaba, para validar a tecnologia. O principal objetivo é reduzir a emissão de fumaça na secagem do grão, um grande desafio na produção do conilon em larga escala no estado. A secagem a gás de cafés também permite controle térmico, que pode melhorar a qualidade da bebida além de oferecer mais segurança aos trabalhadores.

“O pós-colheita é o principal gargalo das propriedades. Perdemos mais de 10% em peso do grão só na secagem”, explica Aldemar Polonini Moreli, coordenador do Coffee Design, centro de pesquisa, desenvolvimento e transferência de tecnologias em café do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). Segundo ele, um levantamento em 890 propriedades mostrou que 21% dos produtores têm estrutura própria de secagem – o restante depende de terceiros para concluir o processo.

Confiante na tecnologia, Bruno Pessotti, um dos diretores da Frutmel, uma das maiores exportadoras de mamão do país, decidiu converter 11 dos seus 17 secadores de café para gás natural. Com mais de mil hectares de conilon plantados em 16 propriedades entre Linhares e outros quatro municípios, ele espera colher 60 mil sacas nesta safra. A meta é secar 70% desse volume com os novos secadores.

A decisão surgiu em 2025, quando, depois de investir em certificações, vendeu 56% da sua produção para multinacionais. “Para participarmos hoje de um comércio melhor, temos que ter certificações. Além disso, a demanda atual da indústria é por conilon sem defeitos”, acredita Pessotti.

Há trinta anos convivendo com café, Pessotti avalia que o avanço do conilon capixaba nas duas últimas décadas concentrou-se no campo – com novos clones, manejo hídrico, tratos culturais (como a poda) e formação acadêmica de jovens cafeicultores –, e que o pós-colheita não acompanhou essa evolução. “A preocupação era aumentar a potência dos ventiladores e a temperatura dos secadores. Pouco se discutia o que acontecia com o produto”, diz.

Sua aposta no sistema a gás é o controle de temperatura. “Com lenha, você tem picos e quedas de temperatura, de 150°C a 400°C”, explica Pessotti. Sua expectativa é começar a secar os grãos em temperaturas mais baixas e elevar gradualmente o calor, para reduzir danos e ganhar uniformidade e qualidade nos lotes.

Para Michel Tesch Simon, iniciativas como a de Pessotti têm potencial para acelerar transformações na cafeicultura capixaba, já que produtores de grande porte levam pouco tempo para incorporar novas tecnologias. “A gente vai ter volume de conilon de qualidade no mercado rapidamente, enquanto os pequenos produtores vão se adequando gradualmente.”

“Hoje exige-se do produtor rural habilidade e estratégia não só para produzir, mas também comercializar. Tenho certeza de que 2026 será um marco para o conilon”, acredita Pessotti.

Sobre cafés e árvores

Parte da transformação da cafeicultura capixaba também nasce na troca de conhecimento entre gerações de produtores. Em Santa Teresa, Luis Carlos da Silva Gomes decidiu reduzir pela metade a área cultivada da Fazenda São Bento para investir em recuperação ambiental.

Dos 84 hectares com plantas de arábica e conilon, 12 já foram reflorestados e o restante vem seguindo o mesmo destino, em parceria com a Samarco Mineração. A iniciativa, conduzida pela filha Carolinna Bridi Gomes, começou em 2015 por conta da escassez hídrica típica das áreas de topo de morro, onde fica a fazenda, aliada à busca por um sistema produtivo mais resiliente.

Luis Carlos Gomes e Carolinna

Mas houve resistência de Gomes no início. “Eu discutia com meu pai o fato de produzir um bom café num ambiente ruim. E a frustração de ter um bom produto no mercado e ele não ser aceito por isso”, conta Carolinna.

O resultado já aparece no campo, com aumento de 25% na produtividade das áreas remanescentes – auxiliado pelo uso de biofertilizantes e bioinseticidas – e recuperação de nascentes. Gomes acredita que esse percentual aumentará com a renovação de lavouras que vem sendo feitas, já com irrigação.

E não é só o investimento na recuperação ambiental que torna a Fazenda São Bento exemplar. Em 1999, Gomes já olhava para a qualidade do conilon como valor. Em 2010, produziu as primeiras 100 sacas descascadas da variedade. “Foi por nossa conta e risco. Não existia mercado para isso”, lembra.

Pouco depois, liderou um grupo de produtores que exportou 1,6 mil sacas de conilon especial para a Rússia. Hoje, ele acredita que as duas estratégias caminham juntas. “Quem paga mais olha tudo isso: como você produz, como está o solo e como vivem as pessoas envolvidas no processo. O conilon também tem que ir por esse caminho”, afirma.

A Fazenda Camocim é outra referência em boas práticas, quando o termo sustentabilidade nem existia nos manuais ambientais. Em Domingos Martins, o cearense Olivar de Araújo, um dos conselheiros da Aracruz Celulose, começou a plantar árvores e proteger as sete nascentes locais depois de comprar a fazenda, em 1962. O café chegou três décadas depois, quando o negócio da madeira começou a dar prejuízo.

Mundialmente conhecida pelo café jacu, produzido a partir dos frutos digeridos pela ave nativa da Mata Atlântica, a Camocim entrega cafés de alta qualidade em sistema agroflorestal, de forma orgânica e biodinâmica. Isso rendeu à Camocim, entre outras certificações, um selo internacional de práticas regenerativas – o primeiro para café no Brasil, concedido pela norte-americana Regenerative Organic Alliance em 2024.

Com o tempo, as práticas responsáveis ajudaram a aumentar a população de jacu. “Às vezes, vemos duzentos deles. Alguns a gente já conhece, porque moram aqui”, conta Henrique Sloper, neto de Araújo e administrador do negócio. Variedades abandonadas, como a catucaí açu, também foram recuperadas. “É uma planta fraca de produção, porém de qualidade espetacular. Toda a região tem catucaí açu vindo da Camocim”, orgulha-se ele, que dissemina as práticas de agricultura regenerativa entre os produtores da região nas várias reuniões que promove na fazenda. “A regeneração está aqui desde o começo”, resume.

Texto originalmente publicado na edição #92 (junho, julho e agosto de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Cristiana Couto, do Espírito Santo • FOTO Camila Luz

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Yara, JDE Peet’s e ofi se unem para colher a primeira safra de café conilon de baixa pegada de carbono

Empresas se aliaram num projeto para alavancar a redução das emissões de carbono e a produtividade em lavouras de conilon do Espírito Santo e Bahia

Por Lívia Andrade, de Eunápolis (BA)

Yara, JDE Peet’s e ofi – três gigantes nas áreas de nutrição, torrefação e originação de café, respectivamente – se uniram, há um ano, num projeto que visa tornar a produção de café conilon mais resiliente climaticamente.

“Precisamos de um produtor resiliente, com uma atividade economicamente rentável”, diz Bruno Ribeiro, gerente de fornecimento responsável da JDE Peet’s. “Só assim ele vai se manter na atividade, produzindo café de maneira responsável para comprarmos e torrarmos para nossas marcas locais e de fora do Brasil”, complementa.

O projeto, focado em cafés da variedade conilon, contempla 20 fazendas do sul da Bahia e do Espírito Santo. Juntas, as três empresas selecionaram propriedades para implantar um talhão de café com o manejo nutricional de fertilizantes, do portfólio Yara Climate Choice,  cujo processo de fabricação tem uma pegada de carbono até 90% menor do que a dos fertilizantes convencionais. “Queremos promover uma cafeicultura mais sustentável, de baixo carbono, mas isso tem que ser rentável para o produtor, senão o projeto não para em pé”, diz Francielle Bertotto, gerente de sustentabilidade e cadeia do alimento da Yara Brasil.

A parceria funciona da seguinte forma: a Yara fornece a tecnologia nutricional de baixo carbono e acompanhamento técnico e coleta de dados em campo; a ofi entra com também com assistência técnica e se compromete a adquirir este café de baixo carbono e a JDE Peet’s, por sua vez, compra este café originado na ofi. 

Além disso, ofi e JDE Peet’s dão subsídio para os cafeicultores comprarem os adubos do portfólio Yara Climate Choice, que têm preço médio superior ao dos convencionais. Mas o produtor não tem obrigação de vender este café para a ofi – é uma opção, caso seja interessante para ele. 

O grande objetivo do projeto, cuja primeira colheita começou no fim de junho, é servir de vitrine para o agricultor entender que o manejo com produtos diferenciados pode gerar um ganho de até 7,6 sacas a mais por hectare, além de reduzir a pegada de carbono do café em cerca de 40%. 

Isso porque fertilizantes nitrogenados são os maiores vilões das emissões de gases do efeito estufa numa propriedade cafeeira – representam cerca de 2/3 das emissões. Mas eles não são os únicos, pois entram na conta os combustíveis dos maquinários, como tratores, colhedoras, transporte dentro da propriedade, entre outros.

O projeto prevê também transferência de conhecimento por meio da assistência técnica rural. Não por acaso, as equipes de campo da Yara e da ofi têm treinado os produtores em fertirrigação. “As áreas de conilon são muito dependentes de água para produzir. Se o cafeicultor não tiver eficiência na irrigação, a atividade está realmente ameaçada”, explica Francielle.

Bruno Ribeiro, Gerente de Sustentabilidade da JDE Peet’s; Rafael Sol e Daiane Sol, produtores; Eduardo Sampaio, Supervisor de Sustentabilidade da ofi; e Francielle Bertotto, Gerente de Cadeia de Alimentos e Sustentabilidade da Yara Brasil

Rafael Sol e a esposa, Daiane, são beneficiários do projeto. Proprietários da fazenda Vitória, com 40 hectares de conilon em Eunápolis (BA), eles já tinham parceria de longa data com a ofi, que os auxiliou na implementação da certificação Rainforest. “Foi uma mudança drástica”, comentou Sol.

Depois desta, as mudanças seguintes foram mais fáceis. “Hoje, tenho produção de micro-organismos on farm e há três anos só uso inseticida biológico”, diz o produtor e engenheiro agrônomo. “A questão da sustentabilidade está vindo junto com nossas mudanças, mas faço as contas para ver se a tecnologia é mais eficiente e menos onerosa”, explica.

Do projeto da Yara, ofi e JDE Peet’s, Sol ainda não colheu café. “Mas meu gerente, que roda toda a fazenda, disse que os cafezais da área do projeto [9,5 hectares] estão nitidamente melhores, com os grãos mais bonitos, mais bem formados”, conta ele. “Entrei no projeto por causa da pegada de carbono. É uma tendência mundial. Vejo a possibilidade de conquistar novos clientes por causa desse diferencial”, acrescenta.

Para a Yara, ofi e JDE Peet’s, o projeto envolve promover a adaptação dos produtores de conilon às mudanças climáticas e, dessa forma, ajudá-los a se manter na atividade. “As três empresas têm este objetivo em comum: apoiar o produtor, promover uma cafeicultura descarbonizada e mais sustentável, trazendo soluções eficientes”, diz Eduardo Sampaio, supervisor de sustentabilidade da ofi.

O projeto também contribui com uma meta maior: atingir a neutralidade de carbono (Net Zero) até 2050 para as três empresas envolvidas. Este compromisso implica tanto na redução das emissões diretas quanto nas emissões indiretas de energia e nas emissões na cadeia de valor (a fase agrícola). 

TEXTO Livia Andrade

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Estudo abre caminho para novos cafés adaptados ao clima

Pesquisa publicada na Scientific Reports confirma origem híbrida do grupo conhecido como libex e identifica características que podem contribuir para o desenvolvimento de materiais mais adaptados às mudanças climáticas

Imagem gerada por IA

Por Cristiana Couto

A busca por novas espécies de café não para. Recentemente, pesquisadores confirmaram a origem híbrida de um grupo de plantas cultivadas conhecido como libex (Coffea × libex, no jargão botânico). O libex reúne plantas oriundas do cruzamento entre Coffea dewevrei (conhecida como excelsa) e Coffea liberica – duas das 133 espécies que, atualmente, compõem o gênero Coffea.

Além de confirmar a origem híbrida desse grupo de plantas – mais de 113 materiais genéticos coletados no Sudeste Asiático, na América, na África e na Ásia – o estudo, publicado em maio no periódico Scientific Reports, buscou compreender como a combinação entre C. liberica e C. dewevrei influencia características agronômicas da planta — como o tamanho das sementes e a espessura do pergaminho — e avaliar seu potencial para programas de melhoramento genético.

Liderado pelo botânico Aaron Davis, do Royal Botanic Gardens, em Kew, no Reino Unido – reconhecido pela descoberta de várias espécies de café no mundo –, em colaboração com o SICC Labs (South India Coffee Company) e outros cientistas internacionais, o estudo também concluiu que esses híbridos reúnem características que os tornam promissores para programas de melhoramento e podem ser multiplicados por propagação vegetativa, como a clonagem, técnica já amplamente empregada nos cafés canéfora brasileiros.

Em um cenário de aquecimento global, pesquisas que se debruçam sobre espécies silvestres de café, como Coffea stenophylla, C. racemosa, C. liberica e C. eugenioides, são estratégicas para a sobrevivência da cafeicultura. “O desenvolvimento e o estabelecimento de uma gama mais ampla de espécies e de híbridos de café provavelmente vão se tornar um requisito fundamental para alcançar a sustentabilidade da cafeicultura em uma era de mudanças climáticas aceleradas”, escrevem os autores.

Embora arábica e canéfora respondam por 99,9% da produção mundial de café, em origens onde seu cultivo tende a perder viabilidade com o avanço das mudanças climáticas — como ocorre em algumas regiões da África, por exemplo —, a possibilidade de cultivar novas espécies ou híbridos torna-se uma alternativa atraente, quando não fundamental.

Isso porque desenvolver uma nova variedade de arábica ou de canéfora pode levar mais de uma década, enquanto multiplicar uma espécie ou um híbrido já existente demanda muito menos tempo. No caso dos libex, particularmente, ainda são necessários dados consistentes sobre seu parentesco, experimentos controlados para verificar como suas características são herdadas ao longo das gerações e análises genômicas adicionais (conjunto de técnicas usadas para estudar diretamente o DNA de um organismo em larga escala).

Como foi a pesquisa

Os pesquisadores compararam 7.618 pequenas variações no DNA, chamadas marcadores genéticos, distribuídas pelo genoma de 113 plantas. Esses marcadores funcionam como pontos de referência que permitem reconstruir a história genética de cada indivíduo e identificar quanto de seu DNA foi herdado de C. liberica e quanto de C. dewevrei. Os materiais analisados vieram do Sudeste Asiático, da América Central, da África e da Índia. 

As análises revelaram ainda que não existe um único tipo de híbrido. Alguns têm contribuição genética praticamente equilibrada entre as duas espécies parentais, enquanto outros carregam uma proporção maior de genes de C. liberica ou de C. dewevrei. Segundo os autores, isso indica que o libex surgiu em diferentes cruzamentos ao longo do tempo, e não em um único evento de hibridação. 

Essa combinação de diferentes proporções de DNA também se reflete nas características das plantas. De modo geral, os novos libex reúnem atributos agronômicos das duas espécies parentais, cruzam-se com facilidade e geram descendentes férteis — condições que os tornam elegíveis para programas de melhoramento genético. 

Os indivíduos com maior contribuição genética de C. dewevrei, por exemplo, têm mais flores e frutos por ramo do que C. liberica, característica que pode resultar em maior produção por planta e, potencialmente, em maior renda para os produtores. Também têm polpa e pergaminho mais finos, que podem tornar o processamento pós-colheita mais eficiente ao reduzir o tempo de secagem dos grãos. As primeiras avaliações também sugerem potencial para a produção de cafés de boa qualidade sensorial. 

Os autores também apontam que a herança genética de C. dewevrei pode contribuir para aumentar a resistência de alguns híbridos à ferrugem (Hemileia vastatrix), já que essa espécie apresenta resistência natural à doença. Essa possibilidade, porém, ainda depende de validação experimental. 

O estudo, portanto, amplia o conjunto de recursos genéticos disponíveis para a cafeicultura. Porém, é um trabalho inicial, e são necessários novos experimentos em campo para confirmar o desempenho agronômico, a estabilidade genética e a qualidade sensorial desses híbridos em diferentes condições de cultivo. 

Em um cenário de mudanças climáticas, em que cresce a busca por plantas mais adaptadas ao calor, à seca e a doenças, híbridos como o do grupo libex integram materiais com potencial para diversificar o futuro da produção mundial de café.

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TEXTO Cristiana Couto

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Porque um El Niño intenso deixa café e cacau em situação vulnerável

Trabalhador ensaca amêndoas de cacau em Fengolo, na Costa do Marfim (Reuters)

Por Reuters, de Londres/Nova York 

Especialistas em previsão meteorológica de todo o mundo afirmam que cresce a probabilidade de desenvolvimento de um El Niño de grande intensidade no segundo semestre, o que pode elevar temperaturas, alterar padrões de chuva e trazer riscos para lavouras de café e cacau em diversas regiões do planeta.

O que é o El Niño e por que commodities agrícolas cultivadas em regiões tropicais, conhecidas como “soft commodities”, estão particularmente expostas?

El Niño

O El Niño é um aquecimento periódico das temperaturas da superfície do mar no Pacífico Equatorial Oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. O fenômeno ocorre naturalmente a cada dois a sete anos e costuma durar entre nove e 12 meses.

Em geral, ele provoca aumento das temperaturas globais, secas em regiões como sul e sudeste da Ásia, Austrália e sul da África, além de chuvas intensas no sul da América do Sul e em algumas regiões dos Estados Unidos.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) declarou na semana passada a chegada do El Niño. O órgão também informou que há possibilidade de intensificação do fenômeno, com 63% de chance de ocorrência de um “super El Niño” até 2027.

A seca, o calor excessivo ou as chuvas intensas associadas ao El Niño são um duro golpe para os agricultores, que já enfrentam neste ano o aumento dos custos de fertilizantes e de diesel em decorrência da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã.

Historicamente, os preços das commodities agrícolas registram altas sustentadas durante episódios de El Niño.

Café

O El Niño é especialmente problemático para a variedade robusta no Vietnã e na Indonésia a partir do segundo semestre, pois causa temperaturas mais elevadas e redução das chuvas nos dois países, responsáveis por cerca de 50% da produção global da variedade. As condições climáticas adversas ocorrem durante a fase de desenvolvimento do café, e os impactos surgem durante a colheita, no quarto trimestre. “A seca no Vietnã e na Indonésia pode reduzir significativamente os rendimentos do café robusta”, afirmaram analistas do Citi.

No caso do arábica, os efeitos do El Niño são mais complexos. Carlos Santana, diretor comercial da EISA, subsidiária da trading ECOM, disse que o fenômeno pode, no início, beneficiar a safra que está sendo colhida no Brasil, já que temperaturas mais elevadas reduzem o risco de geadas durante o inverno no Hemisfério Sul.

No entanto, no quarto trimestre, o El Niño costuma afetar as regiões produtoras de café brasileiras com temperaturas elevadas e estiagem, justamente quando se desenvolve a safra seguinte. Isso pode prejudicar a produção de 2027.

Cacau

Segundo a gestora de investimentos WisdomTree, todos os episódios fortes de El Niño nos últimos 55 anos reduziram a produção mundial de cacau.

No último evento, entre meados de 2023 e de 2024 e considerado de intensidade moderada a forte, a África Ocidental — principal região produtora — sofreu com chuvas muito acima da média no início, o que deixou os cacaueiros mais vulneráveis a doenças fúngicas.

Em 2024, porém, o padrão climático mudou. A região passou a enfrentar calor intenso e ventos Harmattan (seco e poeirento que sopra do Saara sobre a África Ocidental até o Golfo da Guiné) excepcionalmente secos e fortes, levando árvores já debilitadas pela doença a perderem flores.

“Todo mundo pensa que o El Niño está associado apenas à seca na África Ocidental. Isso não é necessariamente verdade. Devido às mudanças climáticas, o resultado pode ser, inicialmente, um excesso de chuva. Neste momento, essa é a minha maior preocupação”, afirmou Jim Roemer, da consultoria Best Weather.

Cerca de metade do cacau consumido no mundo é produzida na Costa do Marfim e em Gana, os dois maiores produtores globais. O Equador, que ocupa a terceira posição no ranking mundial, também costuma registrar chuvas acima da média durante os eventos de El Niño. 

Em 2024, os preços do cacau quase triplicaram após o fracasso da safra na África Ocidental. No fim daquele ano, atingiram recordes acima de US$ 12 mil por tonelada, tornando a matéria-prima do chocolate mais cara do que muitos metais industriais.

TEXTO Por Reuters, de Londres/Nova York  • FOTO Reuters

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Circuito das Águas Paulista conquista Indicação de Procedência para cafés

por Cristiana Couto

A região do Circuito das Águas Paulista, na Serra da Mantiqueira, tornou-se em 26 de maio a mais nova indicação geográfica paulista, na modalidade Indicação de Procedência (IP). 

A nova IP inclui nove municípios – Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro – distribuídos nos 177 mil hectares da região, que será gerida pela Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap). 

De clima ameno (entre 13ºC e 26ºC), com altitudes que alcançam 1,4 mil metros de altitude, a IP permite a produção de cafés arábica, processados pelos métodos natural, CD, desmucilado ou por fermentação espontânea. Entre as variedades produzidas estão  catucaí amarelo e vermelho, obatã, mundo novo, bourbon amarelo, icatu amarelo e Iapar. 

O turismo da região, relacionado ao roteiro das águas, fortalece a identidade local e pode ser um atrativo, também, para o café, que conta com fazendas históricas que recebem visitas.

História da nova IP paulista de café

A cafeicultura chegou à região por volta de 1835, oriunda de Campinas. Em 1840, já há registros de cultivo do café em Socorro. A partir de meados do século, a produção aumentou, refletindo no crescimento econômico local. 

Amparo, que atualmente cultiva cerca de 1,6 mil hectares de arábica e é o maior município produtor da IP, já era um dos principais produtores de café na década de 1870, apoiado pela expansão dos trilhos da Companhia Mogiana e pela chegada de imigrantes, especialmente italianos. 

Na mesma época, Serra Negra produziu café em larga escala. Tanto que, em 1913, o município foi elencado no livro Impressões do Brazil no Século Vinte – fonte importante para a compreensão das economia e infraestrutura brasileiras na Primeira República (1889-1930), bem como das elites regionais – como responsável, ao lado de Amparo, por 10% da produção brasileira de café. 

Mesmo depois da crise de 1929, o café permaneceu como tradição familiar e contribuiu para a economia local. Desde a década de 1970, a mecanização da produção desestimulou a competitividade dos produtores de commodities da região, de topografia montanhosa. Mais tarde, porém, alguns produtores decidiram produzir grãos de qualidade. 

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

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Evento traz especialistas em agricultura regenerativa a Piracicaba (SP)

No dia 23 de junho, o Brasil vai receber a primeira edição brasileira do Fórum de Agricultura Regenerativa, um dos mais relevantes encontros internacionais dedicados à transformação dos sistemas alimentares e produtivos.

Promovido pelo Global Landscapes Forum (GLF), pela Sustainable Agriculture Network (SAN), pelo Imaflora e pelo CABI BioProtection Portal, o evento, que acontece em Piracicaba (SP), das 8h às 20h, consolida o país como centro estratégico para discussões sobre o futuro sustentável da agricultura.

Com o tema “Acelerando a Transição”, o fórum reunirá produtores rurais, cientistas, investidores, lideranças empresariais, organizações comunitárias e formuladores de políticas públicas em torno de soluções práticas para a regeneração dos solos, preservação da biodiversidade, segurança hídrica, produtividade sustentável e resiliência climática.

A iniciativa coloca o Brasil no centro de uma agenda internacional que busca transformar o agro em uma ferramenta de restauração ambiental e desenvolvimento econômico sustentável.

TEXTO Redação

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Conexão Cafeína Cocatrel destaca protagonismo feminino na cafeicultura durante a Expocafé

Programação especial reuniu especialistas, produtoras e lideranças do setor para debater inovação, sustentabilidade, gestão e o protagonismo feminino na cafeicultura durante o segundo dia da Expocafé

Painel “Mulheres no café brasileiro: de origem ao mercado global” , com Sílvia Pizzol e Raquel Miranda – Foto: Kahwah Autovisual/Expocafé

Por Gabriela Kaneto, de Três Pontas (MG)

O segundo dia da 29ª edição da Expocafé, realizado nesta terça (27), no Aeroporto de Três Pontas (MG), foi marcado por uma programação especial dedicada ao Ano Internacional da Mulher Agricultora, com o Grupo Cafeína Cocatrel – que promove, desde 2019, a valorização das mulheres na cadeia cafeeira por meio de capacitação técnica e gerencial. 

Chamada de Conexão Cafeína Cocatrel, a iniciativa reuniu produtoras, especialistas e profissionais do setor cafeeiro para debater temas ligados à liderança feminina, inovação, gestão e os desafios da mulher no agronegócio.

“Mulheres no café brasileiro: de origem ao mercado global” foi o primeiro painel do dia e contou com Sílvia Pizzol, diretora de sustentabilidade do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), e Raquel Miranda, consultora sênior do Conselho Nacional do Café (CNC) e da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). “A oportunidade do Cecafé neste painel foi trazer temas relevantes para o comércio exportador e para a agenda do dia a dia dessas mulheres, que muitas estão envolvidas na gestão das propriedades e precisam estar atentas às principais regras que partem dos nossos mercados consumidores, tanto relacionadas à compliance, socioambiental, rastreabilidade, quanto questões de segurança do alimento e gestão de riscos climáticos”, destacou Sílvia à Espresso. “Isso se conecta muito com o trabalho do Grupo Cafeína Cocatrel, como rede de apoio para fortalecer esse protagonismo feminino”. 

“Cafeicultura em cenários heterogêneos: o triângulo entre fitossanidade, segurança alimentar e sustentabilidade”, com Vanessa Figueiredo – Foto: Kahwah Audiovisual/Expocafé

Vanessa Figueiredo, pesquisadora da Epamig, ministrou o segundo conteúdo, que teve como tema “Cafeicultura em cenários heterogêneos: o triângulo entre fitossanidade, segurança alimentar e sustentabilidade”. O estudo, conduzido ao lado da Dra Sara Chaulfon, da Universidade Federal de Lavras (Ufla), destacou as tecnologias desenvolvidas pela Epamig e dados em relação a doenças do cafeeiro. “Tivemos a oportunidade de transmitir temas atualizados e tecnologias desenvolvidas pela nossa empresa, que tem como objetivo alavancar cada vez mais a produtividade do cafeicultor, no sentido de aumentar sua produção e de maior qualidade”, explicou Vanessa.

O último painel da programação do Conexão Cafeína foi o “Raízes que transformam: café, ciência e propósito na jornada das cafeicultoras”, com Sônia Salgado, pesquisadora da Epamig, e Silvana Novaes, engenheira agrônoma e gerente da gerência da mulher e do jovem de inovação do Sistema Faemg/Senar. “É muito importante ter momentos como esse para que as mulheres da cafeicultura se encontrem e percebam não só a importância desse coletivo, mas também a importância pessoal delas dentro da própria família, para que elas impactem a sucessão rural. Foi um momento muito rico”, comentou Silvana.

“Raízes que transformam: café, ciência e propósito na jornada das cafeicultoras”, com Sônia Salgado e Silvana Novaes – Foto: Kahwah Audiovisual/Expocafé

A ação reforçou a importância da valorização das mulheres no campo e evidenciou o papel cada vez mais estratégico das produtoras na construção de uma cafeicultura mais inovadora, sustentável e diversa.

A Expocafé segue até esta quinta-feira (28), com programação técnica, exposição de máquinas, tecnologias e soluções para o agronegócio cafeeiro.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Kahwah Audiovisual/Expocafé

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Estimativas apontam safra recorde de café no Brasil em 2026/27

Conab projeta 66,7 milhões de sacas, enquanto consultorias trabalham com volumes acima de 70 milhões; produção maior pode ajudar a recompor estoques e impulsionar exportações

A produção brasileira de café está estimada em 66,7 milhões de sacas na safra 2026/27, segundo o 2º levantamento da safra de café, divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na quinta-feira (21). 

Se confirmada, a colheita será recorde na série histórica da estatal, representando uma alta de volume de 18% em relação a 2025, superando em 5,74% a colheita registrada em 2020, quando foram colhidas 63,08 milhões de sacas.

Porém, consultorias privadas têm apontado uma produção brasileira de mais de 70 milhões de sacas em 2026/27, segundo a Reuters, com impulso da colheita de grãos arábica, que responde pela maior parte do total colhido no Brasil e está no ano de alta de produtividade do ciclo bienal. 

A corretora StoneX projeta 75,3 milhões de sacas para a safra do país, citando clima favorável e investimentos nas lavouras após um período de preços recordes. Já a corretora Rabobank estima a safra de café em 73,3 milhões de sacas – aumento de 9,5 milhões ante o ciclo passado, com um salto de 27,5% para o arábica (48,7 milhões de sacas) ante o ciclo anterior, e de 24,6 milhões de sacas para canéforas, com 1 milhão de sacas abaixo do histórico volume do ciclo passado.

Diante dessas expectativas, o Brasil terá exportações recordes de café (julho/junho), próximas a 50 milhões de sacas, projeta Carlos Santana, diretor comercial da exportadora Eisa, uma das maiores do mundo, uma vez que a safra brasileira ajudará a recompor os estoques, que estão baixos no mundo.

Santana avaliou que o fenômeno climático El Niño em formação deverá ser benéfico para a safra brasileira do ano que vem (2027/28), já que o clima mais quente esperado reduz o risco de geadas no próximo inverno. Por outro lado, o fenômeno pode trazer problemas, se as chuvas forem insuficientes entre setembro ou outubro de 2026 para garantir as floradas da próxima safra.

Fontes: Reuters e Conab

TEXTO Fontes: Reuters e Conab

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Expocafé 2026 reúne produtores e especialistas em Três Pontas (MG)

29ª edição acontece entre 26 e 28 de maio, no Aeroporto de Três Pontas, e promove encontros técnicos e comerciais para discutir os desafios e as inovações da cafeicultura

A cidade mineira de Três Pontas recebe, entre 26 e 28 de maio, a 29ª edição da Expocafé, uma das principais feiras do setor cafeeiro no Brasil. Com entrada gratuita, o evento promove encontros técnicos e comerciais, e reúne pesquisadores, consultores e produtores para discutir os desafios e as inovações da cafeicultura.

Entre os destaques do primeiro dia estão as palestras “Diretrizes e orientações para a safra 2026”, às 9h30, com Jacques Fagundes Miari (Cocatrel) e “Fundamentos, panoramas e gestão de risco no café”, às 10h50, com Bruno Popovic (Marex). Já no Simpósio de Mecanização da Lavoura serão debatidos assuntos sobre energia, mecanização eletrificada, trator elétrico e utilização de drone, como no painel “Pulverização com drone na cafeicultura: eficiência, economia e prática”, às 14h, com Adão Felipe dos Santos (Universidade Federal de Lavras – UFLA).

Na quarta (27), Sara Chalfoun, da UFLA, faz uma exposição do tema sobre “Cafeicultura em cenários heterogêneos: o triângulo entre fitossanidade, segurança alimentar e sustentabilidade”, às 10h. Às 14h30, Leandro Paiva (IFSULDEMINAS) discorre sobre inteligência artificial na palestra “Seleção de Café com IA”, seguido por Ricardo Góes (Biomix) e Camila Moreira (Embrapii-Esalq), que ministram o tema “Nutrir, proteger e regenerar: o novo padrão de controle da broca do café” (15h15).

No último dia (28), é a vez do painel “Mapeamento do potencial de qualidade: descobrindo os melhores cafés da propriedade”, às 10h, com Denis Henrique Silva Nadaleti (UFLA). Às 15h20, Matheus Trolesi (Cocatrel) conduz o papo sobre “Os impactos da Reforma Tributária para o produtor rural”. 

A 29ª edição da Expocafé é realizada pela Cocatrel. A organização é da Cocatrel, Universidade Federal de Lavras (UFLA) e Prefeitura de Três Pontas. A organização e promoção é da Espresso&CO.

Expocafé 2026
Onde: Aeroporto de Três Pontas, Três Pontas (MG)
Quando: 26 a 28 de maio
Informações e pré-credenciamento: expocafeoficial.com.br 

TEXTO Redação