Mercado

Cocatrel lança três cafés premiados no Programa Melhores Cafés 2023

No dia 27 de fevereiro, a Cocatrel realizou o lançamento dos três cafés premiados pelo programa “Melhores Cafés Cocatrel”. O evento aconteceu na cafeteria da cooperativa, localizada em Santana da Vargem (MG), e reuniu os três produtores responsáveis pelos grãos, a diretoria da Cocatrel e imprensa local.

O programa “Melhores Cafés Cocatrel” surgiu em 2009 com objetivo de gerar visibilidade para o produtor, sua fazenda e incentivar todos os cooperados a elevarem o nível de qualidade na produção de café. Desta vez foram lançados os cafés dos produtores João Paulo França, Lelis Pereira Miranda e José Carlos dos Reis.

Os participantes do lançamento puderam experimentar os novos cafés e conversar com os cafeicultores premiados, a fim de entender melhor a trajetória de cada um deles. A novidade pode ser encontrada nas cafeterias da cooperativa, situadas nas cidades mineiras de Três Pontas, Santana da Vargem e Nepomuceno, e na loja virtual da Cocatrel, com entregas para todo o Brasil. 

Além de garantir acesso a um produto de excelente qualidade, quem adquire um dos cafés que fazem parte do programa consegue identificar direto na embalagem o nome do produtor, a região onde está localizada a fazenda, a variedade do café e uma breve descrição das notas sensoriais da bebida. Os cafés também são exportados e os ágios são repassados aos produtores. Vale lembrar que não é um concurso, então não existe um café melhor que o outro, todos cafés selecionados são de qualidade e passam por processos rigorosos de classificação e seleção.

O conceito de rastreabilidade é um destaque importante do programa, pois fornece informações sobre o produtor, a fazenda, a região produtora, a variedade e a altitude da lavoura. Lelis Pereira, um dos produtores premiados, considera essa ação da Cocatrel de evidenciar o produtor muito positiva. “Acho muito importante, pois mostra que a cooperativa se esforça em diminuir cada vez mais a distância entre o produtor e o consumidor final, e acaba sendo um marketing muito positivo para nós produtores”, diz. Desse modo, a Cocatrel se estabelece na vanguarda do mercado de café, criando conexão entre produtores e consumidores, além de gerar benefícios reais para seus cooperados.

O programa “Melhores Cafés Cocatrel” gera benefícios reais para os cooperados. Além da visibilidade para o produtor e a fazenda, os produtores conseguem ganhos na exportação e recebem 25% do valor da venda dos cafés industrializados. Funciona assim: os classificados como potencial de serem especiais são enviados para o CDT, que faz novas provas e avaliações com base na metodologia Specialty Coffee Association (SCA). É com base nisso que os 12 cooperados são escolhidos, o que dá ao programa a característica de ser integrador, já que contempla todos os cooperados que depositam café na cooperativa. 

Para que os produtores atinjam a qualidade necessária na colheita, o apoio da equipe técnica da Cocatrel juntamente com os integrantes do CDT, departamento de cafés especiais da Cocatrel, é imprescindível. O produtor Flávio Reis participou do evento representando seu pai, José Carlos dos Reis, e afirma: “a participação do setor de cafés especiais da Cocatrel ensinou a mim e a meu pai que conseguir cafés com ótima qualidade e com constância é possível, basta aliar os conhecimentos passados com muita dedicação que os resultados vão aparecer”. 

“O programa não é um concurso. Trata-se de algo bem mais amplo. Todos os cafés que entram na cooperativa, em suas diversas filiais, são provados e classificados. Daí saem os 12 melhores cafés dos cooperados”, lembra Marco Valério Araújo Brito, presidente da Cocatrel.

O programa também é visto pelos cooperados como um momento de coroação de todo trabalho feito durante o ano, toda dedicação é recompensada neste momento. João Paulo França já foi selecionado por 4 anos seguidos. “A adrenalina sempre fica muito alta nesses momentos, ser selecionado uma vez é uma felicidade muito grande, porém a gente quer manter um padrão de qualidade para os anos seguintes, e essa é a parte mais difícil”, comenta.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Nestlé aumenta opções de cápsulas com Nescafé Farmers Origins

Lançamento é compatível com sistema Nespresso e investe em blends de cinco diferentes regiões produtoras

O mercado de café em cápsulas ganhou mais um reforço com a chegada ao mercado brasileiro da linha Nescafé Farmers Origins. São cinco opções de blends da categoria de cafés tradicionais feitos com grãos cultivados no Brasil, Colômbia, Índia, Etiópia, Uganda, Costa Rica, Guatemala e Nicarágua. O lançamento está em sintonia com o programa Cultivado com Respeito, que busca sustentabilidade na produção de cafés que levam as marcas da Nestlé no mundo.

“O foco do Nescafé Plan, conhecido no Brasil como Cultivado com Respeito, é a sustentabilidade e o aprimoramento da qualidade do café. Nele, os agricultores aderem a um código de conduta que garante o controle de rastreabilidade, implementação de boas práticas agrícolas, sustentabilidade do negócio e a certificação”, explicou a gerente de marketing da marca Gabriela Monsanto em entrevista ao site da Espresso.

Já presente em outros mercados, como Europa (Alemanha, França, Bélgica, Holanda, Noruega e Dinamarca) e Oceania (Austrália e Nova Zelândia), este é o primeiro lançamento da linha Nescafé em cápsulas compatíveis com o sistema Nespresso, que podem ser preparadas nas versões ristretto, espresso e lungo.

Confira as cinco opções de blends:

Farmers Origins Brazil: Notas de cereais e corpo aveludado, grãos 100% arábica.

Farmers Origins Lungo 3 Americas: Blend com notas de nozes assadas e grãos da Costa Rica, Guatemala e Nicarágua

Farmers Origins Africas: Grãos da Etiópia e de Uganda com torra escura e doçura marcante

Farmers Origins India: Blend colhido a mão com notas aromáticas de cacau.

Farmers Origins Colombia: Aroma frutado e acidez equilibrada

“Nescafé Farmers Origins é lançado ao portfólio da marca como mais uma opção para os consumidores no dia a dia, que buscam por sabor e praticidade, mas sem abrir mão da qualidade e tradição que a marca oferece há 70 anos com cafés solúveis e torrado e moído para coar”, diz Gabriela.

Cada caixa contém 10 cápsulas e estão sendo comercializados na página de cafés Nestlé, nas principais redes de mercado do Brasil, além dos sites do Magalu e da Amazon, por R$ 21,49.

TEXTO Cintia Marcucci • FOTO Divulgação

Barista

Café no teste vocacional: Um bate-papo com a Campeã Mundial de Brewers

A Espresso conversou por e-mail com Shih Yuan Hsu, a Sherry, campeã da última edição do World Brewers Cup, e ela conta como se descobriu barista e seus planos para o futuro

Aquela ideia de vida sem filtro não faz o menor sentido para ela. A taiwanesa Shih Yuan Hsu, de 32 anos, mais conhecida como Sherry, dá ao filtro a atenção que ele merece: escalda e preenche com a quantidade certa de um café moído corretamente e escolhido a dedo pelas características organolépticas (de aroma e sabor) que ele deixa na xícara após a água passar.

Ela é a campeã da última edição do campeonato de Brewers, organizado pela Specialty Coffee Association, que ocorreu entre 27 e 30 de setembro de 2022, em Melbourne, na Austrália, e conversou com a Espresso por e-mail sobre sua carreira e sobre o campeonato!

Primeiro, parabéns pelo campeonato, Sherry! Conte pra gente como você começou no café e onde você trabalha hoje. 

Muito obrigada! Tudo começou quando eu participei de um treinamento vocacional relacionado ao café oferecido pelo governo de Taiwan. Lá eu descobri que gostava do tema e aproveitei a oportunidade para trabalhar na indústria cafeeira. Eu nunca mais pensei em fazer outra coisa desde então. Hoje eu trabalho na Coffee Lover’s Planet, uma cafeteria na Cidade de Hsinchu, em Taiwan. Lá temos cafés especiais e servimos os grãos em diferentes métodos de preparo.

Essa foi a sua primeira competição? Por que você decidiu entrar nesse mundo de competições?

Não foi a minha primeira competição, na verdade entrei no WBrC, em 2019. Eu tinha muita vontade de entender como me posiciono no mundo dos cafés, saber qual era o meu lugar entre os principais baristas do mundo e também sentia que devia e podia mostrar e compartilhar o meu conceito de preparo de café com outras pessoas.

Como foi seu treinamento e preparação para essa competição? E como você se sentiu quando seu nome foi anunciado como vencedora?

Foi bem trabalhoso! Três meses antes da competição, treinei intensivamente, passando muito tempo praticando minha rotina para garantir que lá, na hora H, eu não cometeria erros que pudessem comprometer toda essa dedicação.

Na hora em que anunciaram meu nome foi surreal, até agora eu ‘meio que’ não acredito que ganhei. Foi uma prova bastante competitiva, pois os outros concorrentes eram altamente qualificados.

Conte um pouquinho sobre suas escolhas para a sua apresentação: qual café você usou e por quê, os métodos e o que você acha que o tornou um vencedor?

Eu usei um café geisha natural da Colômbia, um Finca Mikava com maceração carbônica. Ele tem uma complexidade de sabores, alta doçura, corpo suave, limpo e é bastante redondo na boca. Usei diferentes pontos de moagem e diferentes temperaturas da água para criar um conceito do meu próprio blend. Minha intenção também foi apresentar um método de preparo que pudesse ser facilmente aprendido por outras pessoas.

Você tem planos de continuar participando de competições? 

Participar de competições é uma boa chance de melhorar minhas habilidades e estou muito feliz por conhecer muitas pessoas do café no mundo. Gostaria de participar de outras competições, como competidora ou como treinadora. O café é algo que deve ser divertido!

E, por último, mas não menos importante: você pode falar sobre seus sonhos no universo do café (ou qualquer outro sonho que queira compartilhar)?

Espero poder ter um lugar só meu para compartilhar experiências únicas de café de diferentes fazendas. E espero que um dia você e os leitores da Espresso possam passar por Taiwan e provar o café que eu preparo.

Siga a Sherry no Instagram! @shihyuanhsu 

TEXTO Cintia Marcucci • FOTO Divulgação

Cafezal

2º Encontro das Mulheres do Café da Região Vulcânica está com inscrições abertas

A Região Vulcânica abre inscrições para cafeicultoras e mulheres interessadas em participar do 2º Encontro das Mulheres do Café da Região Vulcânica, que será realizado no dia 8 de março, na Fazenda Santa Maria, em Águas da Prata (SP).

O evento é uma correalização da Prefeitura Municipal de Águas da Prata, Sebrae, Faesp/Senar, Sindicato Rural de São João da Boa Vista, Instituto Federal do Sul de Minas Gerais, Instituto Federal do Sudoeste de Minas, Emater-MG, Fazenda Santa Maria e Região Vulcânica.

A expectativa é de que o encontro reúna 200 mulheres cafeicultoras da região para apresentar conteúdo técnico, experiências de sucesso e oportunidades de network entre as mulheres da Região Vulcânica, de outras regiões e convidadas. Conteúdos como palestras, workshops, dinâmicas e painéis serão destaque no evento, conforme programação abaixo:

Programação – 8 de março

8h – Café de Boas-vindas

8h30 – Abertura Oficial com a Prefeita Municipal de Águas da Prata – Regina Helena Janizelo Moraes, Representantes do Sebrae e o Presidente da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica – Marco Antonio Lobo Sanches.

9h – Palestra “Quando o Coletivo Impulsiona Vidas” – Profª Danielle Baliza – IF SUDOESTE DE MINAS

9h45 – Palestra Sebrae Delas – Carmen Souza – Sebrae Nacional

10h15 – Palestra “Mulheres e Coletivos no Mercado de Cafés Especiais” – Giuliana Bastos – Jornalista

10h45 – Painel “Mulheres da Região Vulcânica” (Daniela Abreu, Tuca Dias, Ilma Franco, Edna e Daniela Bertolin – Café Bêbado). Mediadora Julia Viana

11h45 – Almoço

13h – Workshops de Métodos de Preparo de Café – Mariana Nakagawa
– Workshops de Drinks a base de café – Elisangela Paiva
– Workshops de Barista – Silvana Melo
– Workshops de Fermentação de Café – Bourbon Specilaty Coffees

14h – Palestra

14h30 – Palestra “Mulheres e a Força do Cooperativismo”

15h – Painel “Mulheres da Região Vulcânica” (Mantissa, Agripoços, Assofé, Vale da Grama, ASSPROCAFÉ). Mediadora Vânia Marques

16h – Palestra “Semeadoras do Agro” – Juliana Farah – FAESP/SENAR SP

16h30 – Painel “Mulheres de Água da Prata” (Gizela Junqueira, Márcia Sindicato, Eliana). Mediadora Roberta Bazilli

17h15 – Encerramento

Todo o evento será conduzido por Natália Camoleze, jornalista com atuação na Café Editora.

Como participar?

As inscrições são gratuitas e podem ser realizadas através deste link. As vagas são limitadas! Dúvidas pelo e-mail contato@regiaovulcanica.org.br ou pelo telefone (35) 99819-6519.

Sobre a Região Vulcânica

A região é composta pelos municípios de Águas da Prata, Andradas, Bandeira do Sul, Botelhos, Cabo Verde, Caconde, Caldas, Campestre, Divinolândia, Ibitiúra de Minas, Poços de Caldas e São Sebastião da Grama. Atualmente conta com aproximadamente 800 produtores associados, além de exportadoras, torrefações e cafeterias.

Águas da Prata

Localizada a 238 km da capital paulista, Águas da Prata está na encosta da caldeira vulcânica e é um município que se destaca pela beleza natural e qualidade de suas águas, sendo radioativas, alcalinas e bicarbonatadas. A cidade possui 10 fontes: Fonte do Padre, Fonte da Pedra do Boi, Fonte da Juventude, Fonte Vitória, Fonte Vilela, Fonte Platina, Fonte do Paiol, Fontanário Prata, Fonte Nova e Fonte da Garganta, todas com propriedades medicinais.

Além das tradicionais águas, o município se destaca também pela produção de cafés especiais, sendo a Fazenda Santa Maria uma das referências do município.

A Fazenda Santa Maria

Está localizada em Águas da Prata (SP), próximo à divisa entre os estados de Minas Gerais e São Paulo. A matriarca da família, Clineida Junqueira, vive na fazenda desde os 2 anos de idade e acompanhou toda a história da produção cafeeira por lá, que tem mais de 70 anos, e hoje conduz e acompanha de perto o cultivo de café na fazenda.

Sua filha, Gisela Junqueira, em parceria com Angela Bonfante, se uniram para reformar a antiga tulha de café (onde montaram uma cafeteria) e construir, ali ao lado, um orquidário (na verdade um Vandário, pois o foco é em um tipo de orquídea chamado Vanda). O “Vandário Santa Maria” é lindo, encantador – tanto a paisagem, como a construção e cada detalhe mantido do original. No local são vendidas as flores, além dos cafés produzidos na fazenda e outros produtos locais / regionais de muita qualidade (queijo, doces, mel, bebidas etc).

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Café & Preparos

Saiba usar borra de café e casca de ovo para fazer adubo orgânico

Sabia que é possível produzir em casa um adubo orgânico utilizando apenas restos de alimentos que iriam para o lixo? A borra que sobra do café coado no dia-a-dia ou a casca de ovo, por exemplo, são excelentes ingredientes para a produção de um adubo potente, feito através do processo de compostagem.

O engenheiro agrônomo Gastão Goulart, do Plantão Técnico da Emater-MG, é um entusiasta do sistema de compostagem. “A compostagem é um processo simples que transforma os resíduos orgânicos em um adubo de excelente qualidade. A gente pode usar diversos materiais, como folha seca, capim, resto de alimentos (frutas e legumes), casca de ovo e borra de café. Todo esse material vai sofrer ação dos micro-organismos e ser decomposto num processo chamado de umidificação até se transformar num adubo orgânico”, explica.

A técnica é utilizada há bastante tempo na sede da Emater-MG, em Belo Horizonte (MG), onde toda a borra de café, folhas secas e restos de produtos orgânicos são coletados para fazer a compostagem. O fertilizante produzido é usado para adubar os jardins da empresa. “Você pode separar uma área para fazer o composto ou, se for em casa, pode colocar esses resíduos bem misturados num balde ou numa caixa, em local de sombra. Quanto menor for a partícula, mais rápido será a decomposição. Então é ideal picar bem picadinho”, ensina o agrônomo.

Lixo que dá vida

Num prazo de 60 a 90 dias, esse material orgânico vai adquirir um aspecto compacto (não é mais possível diferenciar o material de origem) e está pronto para o uso. “O adubo orgânico pode ser usado como cobertura em pomares, hortas e jardins. Também pode ser utilizado para o preparo de covas, vasos e no plantio de canteiros. Um aspecto importante a se observar é manter a massa umedecida até terminar a aplicação”, recomenda Gastão.

O adubo orgânico é rico em nitrogênio, fósforo e potássio, promovendo o crescimento das plantas e a melhoria do solo. Além disso, tem a vantagem de não ter custo e permitir dar um fim útil aos resíduos que de outro modo iriam parar em aterros. Para plantios maiores, também pode-se usar a mesma técnica de compostagem. Você pode conferir a dica completa no YouTube da Emater-MG.

TEXTO Redação • FOTO Conor Brown

Mercado

Orfeu Cafés Especiais lança 2ª edição do Microlote Reserva

Após três meses da primeira edição, a Orfeu Cafés Especiais lançou, na última segunda-feira (6), o Microlote Reserva RO-02. A linha conta apenas com cafés de notas diferenciadas, sempre vendidos em pequenas quantidades. No caso do RO-02, são apenas 384 pacotes disponíveis, vendidos na cafeteria paulistana Zud Café e no e-commerce da Orfeu.

O lançamento é um blend entre as variedades maragogipe e arara, ambos cultivados a 1.370 metros de altitude, à sombra das oliveiras, na Fazenda Rainha, na Mogiana Paulista. Na xícara, a bebida apresenta notas de pêssego, jabuticaba e floral. Sua finalização é persistente e a doçura é uma das características que mais se destacam. 

O RO-02 tem uma história interessante. Em 2019, foram plantados em picos da fazenda, de solo vulcânico, cerca de cinco mil mudas da maragogipe, uma mutação do café typica que nasceu na Bahia. Em 2020, uma forte geada queimou aproximadamente 60% dessa plantação. Para revitalizar os talhões, foi feito um replantio, desta vez, com mudas da arara, oriundas do obatã, resultante de um cruzamento entre as espécies sarchimor e timor. 

As duas variedades floraram à sombra das oliveiras com frutos muito distintos. A colheita foi realizada em julho de 2022 por 20 cafeicultores – em apenas um dia, eles se dividiram e colheram toda a plantação. Os frutos foram levados diretamente para o terreiro de secagem, onde ficaram por 12 dias.

Até o fim do processo, os grãos foram tratados separadamente, sem a possibilidade de uma possível fusão. Com a chegada da prova semanal, os Q-Graders da Orfeu identificaram especificidades semelhantes e complementares. E, assim, foi decidido realizar a união e transformar em RO-02.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Expocaccer lança café recordista no leilão do 10º Prêmio do Cerrado Mineiro

A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer) apresenta a edição especial “Raridades”, com o café campeão e recordista no 10° Prêmio da Região do Cerrado Mineiro. Produzido por Jorge Fernando Naimeg, o café se destacou pela qualidade e pelo recorde de R$ 62.017,00 no leilão do prêmio, sendo o café mais caro da safra 2022/2023.

De variedade natural, com as notas sensoriais que remetem às frutas vermelhas, cana de açúcar, floral, açúcar mascavo, o café de Jorge Fernando recebeu uma pontuação de 90.75 na escala da SCA (Specialty Coffee Association).

O lançamento oficial dos grãos será realizado no dia 7 de fevereiro, a partir das 18h, na Cafeteria Dulcerrado, em Patrocínio (MG). O produtor estará presente no evento de lançamento e compartilhará com o público sua experiência na produção, colheita e pós-colheita.

“Uma curiosidade desse café é que o quilo torrado valorizou ainda a excepcionalidade, que custou R$ 1.240,34. Isso é o que chamamos de recompensa pela qualidade e complexidade de aromas e sabor da bebida”, destaca Maurício Maciel, Gerente e Barista da Cafeteria Dulcerrado.

Jorge Fernando Naimeg pertence a 3ª geração de uma família de produtores que há 58 anos tem a cafeicultura como uma paixão e há mais de 41 anos fez do Cerrado Mineiro uma referência em cafés especiais, colecionando títulos nos mais diversos concursos de qualidade de cafés nacionais e internacionais.

“Praticamente nasci no pé de café. Quando eu era criança, meu pai e meus irmãos já produziam grãos especiais e desde então passou a ser nossa missão trabalhar com o foco na produção de qualidade. Acredito que a Etapa Campeões Expocaccer e o Prêmio da Região do Cerrado Mineiro nos ajudaram muito, pois são balizadores de qualidade, fazendo com que todos os produtores busquem evoluir e o primeiro lugar traz um destaque muito importante para o trabalho que fazemos. Isso faz com que haja não apenas um reconhecimento por parte dos cafeicultores, mas do mercado, com relação a qualidade dos grãos e assim agrega valor não apenas ao lote campeão, mas ao restante da produção”, ressalta o cafeicultor.

Para a bebida, foram elaborados três métodos e harmonizações que melhor ressaltaram o sabor e as características sensoriais dos cafés. De acordo com o Presidente da Expocaccer, Glaucio de Castro, o evento é uma oportunidade de ressaltar o trabalho e o café do produtor. “A promoção desse café vem para celebrar e reconhecer o brilhante trabalho realizado pelo cafeicultor, além de possibilitar que o grão alcance cada vez mais pessoas, amantes de um bom café”, destaca.

A comercialização da edição limitada “Raridades” será em uma embalagem de 100 g de café torrado, que poderá ser adquirida na Cafeteria Dulcerrado ou na loja on-line.

Serviço
Lançamento Edição “Raridades”  
Onde: Cafeteria Dulcerrado
Quando: 7 de fevereiro (terça-feira), às 18h

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Entenda sobre o novo protocolo de classificação do café torrado

Desde o dia 1º de janeiro está em vigor a Portaria SDA/MAPA nº 570/22, que estabelece o novo padrão de classificação para o café torrado comercializado no Brasil. A norma, publicada pelo Ministério da Agricultura, foi construída em parceria com entidades do setor, dentre elas a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

A Lei Federal nº 9.972/2000 regulamenta que a responsabilidade pela venda de produtos fora dos padrões é compartilhada entre os industrializadores de café e o varejo. A fiscalização federal agropecuária está orientada a realizar autuação de forma solidária junto aos estabelecimentos comerciais. Inclusive, hipermercados e supermercados, que serão co-responsáveis nos casos em que o produto não atender aos padrões estabelecidos na legislação vigente.

Segundo o presidente da ABIC, Pavel Cardoso, agora, com o novo padrão, toda a indústria deverá se registrar no Ministério da Agricultura, que poderá fiscalizar o setor e retirar do mercado os cafés impuros e fraudados, responsabilizando também os distribuidores e varejistas. Outra mudança importante para as torrefações é a necessidade de adequar suas embalagens com as informações sobre a espécie de café ali contida, ponto de torra e, no caso de cafés que não atinjam os padrões mínimos de qualidade, a identificação de “Fora de Tipo”.

A nova regra vem ao encontro dos objetivos do Ministério: o de garantir a oferta de produto de qualidade e de segurança ao consumo e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento sustentável de toda a cadeia produtiva e uma concorrência leal no mercado.

Com o novo padrão, as empresas terão que classificar o produto antes da comercialização. A classificação pode ser terceirizada e realizada lote a lote através de uma Entidade Credenciada pelo Ministério, como a ABIC, ou adotando um sistema próprio, por fluxo operacional, desde que o Manual de Boas Práticas seja aprovado pelo MAPA.

Já na classificação por fluxo operacional, a empresa precisará dispor de um Responsável Técnico com a devida comprovação em conselho de classe, apresentar o Manual de Boas Práticas com a descrição detalhada de todo o controle do processo da empresa e dispor de um classificador habilitado ou da contratação de uma Empresa Credenciada habilitada junto ao MAPA.

A principal expectativa é a de que os fraudadores tenham ação reduzida, ou seja, que o MAPA, em parceria com agentes privados do setor cafeeiro, possam coibir a ação dos fraudadores, contribuindo para uma concorrência mais justa no mercado de café e com a melhoria da qualidade oferecida ao consumidor.

Com a edição da Portaria, os programas de certificação da ABIC passaram por uma reestruturação. Agora, o Selo de Pureza e o Selo de Qualidade são unificados, passando a ser um só, ou seja, a ABIC só irá certificar produtos puros e com qualidade.

Sabe-se que um café pode ser puro (só ter café no pacote), mas, ainda assim, não atingir uma qualidade mínima de sabor e aroma desejável para a bebida. Para a ABIC, não basta mais o produto ser puro. Para estampar o selo, o café precisará também atingir o padrão mínimo de qualidade global estabelecido pela Portaria 570/22. 

Como consequência, produtos que não atingirem os requisitos mínimos exigidos pela nova legislação serão identificados como “Fora de Tipo”, e não receberão os selos da ABIC. Os produtos continuarão sendo fiscalizados quanto à pureza, mas não serão certificados pela ABIC.

Assim, o consumidor terá uma maior oferta de cafés de qualidade, pois, com a fiscalização dos órgãos públicos e privados, produtos impuros e fraudados, que não cumprem a legislação, serão retirados de circulação nos mercados.

A portaria traz algumas regras que irão repercutir na embalagem do produto, com informações padronizadas para auxiliar o consumidor no processo de compra. Caso o café não possua características sensoriais mínimas estabelecidas pela legislação, por exemplo, aquele produto deverá ser identificado como “Fora de Tipo”. 

Ou seja, o consumidor terá acesso a mais informações sobre o café, com mais transparência para ajudar em sua decisão de compra. Os Selos da ABIC também ajudarão nesse processo. Eles funcionam como bom indicador para saber se o café é de qualidade e está em conformidade com a legislação, pois a Portaria 570 possui os mesmos parâmetros já adotados no programa de certificação da ABIC.

O consumidor poderá verificar a conformidade do produto certificado pela ABIC através do QR code estampado no selo ou pela leitura do código de barras do produto no aplicativo ABICAFÉ , disponível na App Store e Google Play.  

Foto: Agência Ophelia

Consumidor 

Em relação ao consumidor, Pavel Cardoso acredita que ele está mais maduro e atento a essas questões. Na hora da compra, busca por produtos seguros e valoriza a qualidade, a origem e o impacto ambiental do que está consumindo. 

A indústria se mostra cada vez mais preparada para atender essas questões, investindo em cafés de mais qualidade, além de iniciativas e processos sustentáveis. A unificação dos Selos de Pureza e de Qualidade da ABIC também vai ao encontro dessa demanda de aprimoramento da comunicação ao público sobre os cafés que estão à disposição do consumidor nas gôndolas e reforçando o posicionamento da indústria nessa busca pela qualidade.

Em relação a expectativa para o consumo de café, o presidente da ABIC, destaca que, em 2022, o setor viveu sucessivas altas nos preços que restringiram o crescimento, mas o consumo de café sempre foi forte no Brasil, e o setor está se recuperando. 

“Acreditamos no crescimento do consumo baseado na qualidade. Essa portaria trará mais igualdade para o mercado, ampliará a oferta de cafés de qualidade e proporcionará ao consumidor uma escolha mais consciente. Assim, a tendência será naturalmente o aumento do consumo. Dependemos da economia e da oferta da matéria prima para que tenhamos um ano mais favorável, e esperamos que retornemos ao ritmo de crescimento dos últimos anos de 1,5 a 2%”, finaliza. 

TEXTO Natália Camoleze

Cafeteria & Afins

Subverso Coffee Culture – Goiânia (GO)

“Eu me considero muito mais um barista do que um advogado”, conta Antonio Neto, que largou a advocacia para se dedicar inteiramente ao universo dos cafés especiais. Antes de abrir a sua cafeteria, o goiano trabalhou atrás do balcão de outras casas em Goiânia, mas sempre mantinha dentro de si a vontade de ter o seu próprio negócio.

“Eu tinha muita vontade de externar o que penso sobre o café especial. Mostrar que é muito mais que uma bebida, é um estilo de vida”. Depois de muito planejamento, a inauguração do Subverso Coffee Culture finalmente aconteceu em fevereiro de 2021, apresentando, em um só lugar, não só o café, mas também referências de arte, música e moda. 

Para ter uma experiência completa no ambiente moderno e cultural da casa, é preciso pedir um café! Os grãos disponíveis costumam ser produzidos em pequenas regiões brasileiras. Os baristas preparam a bebida no método brasileiro Astér, criado pela Wood Skull, ou na superautomática Bravilor Bonamat THA, em que o café ficou conhecido como o “coado da casa”. O espresso, tirado de uma La Marzocco FB80, compõe cappuccino, mocaccino, iced latte, espresso tônica, entre outras opções. Para os dias de calor, uma boa pedida é o cold brew, que também aparece na receita do GarapaCold, alternativa que leva caldo de cana.

O cardápio de comidinhas do Subverso é especializado em toasts, porém, recentemente, Antonio implementou alguns itens voltados para o brunch e o café da manhã. A opção mais pedida pelos clientes é o pão na chapa com queijo, composto de pão de fermentação natural, requeijão cremoso, queijo regional e melaço de cana. Quanto aos doces, boas pedidas são a banoffee, o bolo do dia ou a torta de chocolate, caramelo e flor de sal.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Avenida Mutirão , 1.932
Bairro Setor Bueno
Cidade Goiânia
Estado Goiás
País Brasil
Website http://instagram.com/subversocoffee
Horário de Atendimento De segunda a sexta, das 9h às 20h; sábado, das 9h às 14h
TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Diogo Zaiden e Thiago Daher

Barista

Entre o lifestyle e a vida real dos jovens baristas

Quem vê jovens baristas nas redes sociais pensa que a vida deles gira em torno do café especial – e, em muitos casos, essa é a verdade. Entre a paixão pelo ofício e um estilo de vida, a nuance é individual

Quando você está de folga, busca lazer em lugares onde trabalharia? Pensa em trabalho durante as férias? Usaria um período de recesso para ir atrás de formação profissional? Nem todo mundo responderia a essas perguntas afirmativamente – mas, entre millennials baristas, o “sim” vem mais certeiro, acompanhado do sorriso de quem sabe que essa é uma resposta um tanto peculiar.

“Eu encaro isso de uma forma muito profissional. Faz parte do meu estilo de vida, mas vai além, é um trabalho que eu amo. Faz parte das minhas crenças pessoais, eu acredito na importância da cadeia. Entender isso faz muito sentido pra quem trabalha com café especial”, argumenta a barista Midori Martins.

A Espresso convidou jovens baristas a fazer essa reflexão. Dos coffee lovers em dias de folga a quem tem uma relação estritamente profissional com o café, todo mundo concorda: a bebida molda estilos de vida.

Mari Mesquita (DF)

Formada em Ciência Política, Mari se viu no mundo do café depois de um período de muita pressão e tristeza com a academia e com o país. “Eu precisava de algo pragmático, técnico, que não tivesse nada a ver com o que eu estudava. Quando o café dá errado, você para e faz outro. Com banco de dados não é bem assim”, lembra.

Com seis anos de estrada, ela conta que o serviço sempre foi a parte mais interessante do trabalho. “O café é uma linguagem pela qual eu comunico algumas coisas, é uma materialização de valores pessoais. Ao mesmo tempo em que é um veículo de serviço, é a principal ligação que tenho com origem de produção, um sintoma de brasilidade importante dentro de mim”, define.

Para Mari, essa linha entre a profissão e o modo de vida realmente se estreitou não só para ela, mas para colegas da mesma geração. A barista entende que isso acontece porque o café realmente muda a maneira de enxergar o mundo. “Eu não acho que o café como estilo de vida seja algo ‘instagramável’. Caso a moda das redes sociais passe, a preocupação com a origem e o respeito com o produto não vão mudar”, argumenta.

João Stark (SP)

“Eu e meus amigos baristas tentamos não falar tanto de café no bar. Se eu vou a uma cafeteria é porque eu quero tomar café. Não vou em toda folga”, adianta Stark. O jovem paulistano conta que, no começo da carreira, ele abordou o café especial como um estilo de vida – até abriu um canal no YouTube. Mas o dia a dia no bar e o tempo se encarregaram de mostrar a ele que essa poderia ser uma profissão.

“Café é meu trabalho. É meu sustento. Dentro dele eu crio relações maravilhosas, gosto muito dessa parte. Sonho em abrir uma cafeteria, gosto muito de ser barista. Mas não é todo mundo que tem paciência para esse trabalho. Vai ficar oito horas em pé, lavando louça, passando pano no chão? É difícil”, argumenta o barista.

Para Stark, aliás, o café rende dois trabalhos: barista e fotógrafo. “Eu gosto de fotografar correria, balcão sujo, leite na pia. Tento mostrar como é o preparo, a beleza da bebida feita. Mas foi por acaso, nunca pensei em fotografar assim”, comenta.

Arthur Rieper (PE)

Para Arthur, pensar em café é pensar nas mãos de gente esforçada. São as mãos calejadas dos produtores, que plantam, colhem, processam e cuidam da safra. São as mãos ágeis dos mestres de torra, que encontram o equilíbrio perfeito entre a ciência e o emocional. Por fim, as mãos cuidadosas dele mesmo, Arthur, que faz o melhor com aquele insumo precioso.

“Café é paixão que a gente entrega ao outro. É dar na mão do cliente um amor meu”, define o barista. Arthur é esse profissional que pensa em café dia sim, dia também: tira folga para conhecer cafeterias novas, viaja para beber café, dedica férias a cursos na área. “Eu dou muito valor ao tempo. Se eu tiro férias, preciso fazer um curso. É como se não perder tempo fosse uma obrigação”, explica.

Mas por que essa é uma constante nessa geração? “A gente se aprofunda no que gosta. Acho que nós baristas precisamos transformar isso em um estilo de vida. Essa apresentação ao mundo é importante, especialmente no uso profissional da rede social. Você fica mais à mostra, faz carreira”, argumenta o barista.

Amanda Albuquerque (PR)

Três milhões de seguidores no TikTok, mais de 140 mil no Instagram. Quem vê a habilidade de Amanda Albuquerque em passar dicas e conhecimentos adiante, recomendar pequenos negócios e falar de café especial nem imagina que a formação como barista é recente, de 2019.

Tudo mudou em 2020: trancada dentro de casa, passando pela covid-19, Amanda transformou a criatividade em vídeos e logo viralizou no TikTok. “Vi ali uma oportunidade de mostrar o café especial às pessoas. Eu tenho um público muito jovem e muito grande, e acredito que, quando se educa a maior quantidade de pessoas possível, é algo muito rico para a profissão”, comemora. Para ela, essa tendência de misturar estilo de vida com profissão tem muito a ver com o volume de conhecimento ao qual ela e os colegas estão expostos na internet.

Ao pensar sobre os alunos que pertencem à geração Z, a professora vê o impacto das trajetórias de millennials nos sonhos dos mais jovens. “Eles têm uma sede grande de aprender e já descobriram que podem ser campeões de uma categoria para viajar o mundo. Eles entenderam que é preciso estudar muito para ser um bom profissional, aprender o café do pé à xícara. Eu acho incrível como eles evoluem rápido”, elogia.

Midori Martins (SP)

Quem olha o Instagram de Midori não diria que o café especial é o estilo de vida dela – mas rede social nem sempre é parâmetro para saber da vida das pessoas. A barista não diz que esse é um lifestyle, vai além: é uma crença pessoal na sustentabilidade. “Entender a cadeia é dar sentido a quem trabalha com café especial. É compreender que é um mundo extremamente complexo, que é preciso ter a gana de estudar sempre”, define.

A verdade é que Midori é dessas baristas que entraram para o meio por causa das pessoas: só se envolveu com café especial porque gostava de vendas e atendimento. Da Starbucks à Um Coffee, ela sentia essa alegria em estar cercada de gente. No Coffee Lab – sobretudo com a pandemia –, ela entendeu que gosta mesmo é de sala de aula. 

“Eu me encontrei dentro do café quando passei a ensinar. Eu gosto da bebida, mas o café é uma relação entre pessoas. É da nossa cultura, vai além de uma simples xícara”, argumenta. Mas e as folgas, Midori? “Vou bem menos que gostaria, mas frequento cafeterias para prestigiar meus amigos e colegas”, conta.

Airo Villalobos (SP)

“Eu vejo café em tudo. É conexão, é amizade, é cuidado. Não é por acaso que vim para o Brasil, não é por acaso que fiz o curso de barista. O café me trouxe”, afirma Airo. Quando a venezuelana chegou ao Brasil, tinha duas prioridades: aprender português e conseguir um emprego. 

Ela teve ajuda de algumas ONGs e foi selecionada no programa Fazedores de Café, em que se formou barista – durante a pandemia, começou embalando pedidos de delivery até conseguir trabalhos no bar. “Para mim, café não é um dinheiro extra, é algo a ser levado a sério. Se trata com cuidado, se dedica a vida. Conhecer o que há por trás da xícara pode mudar a vida de uma pessoa”, argumenta.

Engenheira de formação, Airo tem verdadeiro encanto por passar adiante o que sabe sobre café – mas vê algo diferente no futuro de sua carreira no ramo. “Eu me apaixonei pelo café, nunca pensei que tivesse tanta coisa envolvida. Gostaria de aprender a torrar, tem muita ciência, é algo que tem conexão com engenharia”, planeja.

TEXTO Clara Campoli