Mercado

Expocaccer lança café recordista no leilão do 10º Prêmio do Cerrado Mineiro

A Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer) apresenta a edição especial “Raridades”, com o café campeão e recordista no 10° Prêmio da Região do Cerrado Mineiro. Produzido por Jorge Fernando Naimeg, o café se destacou pela qualidade e pelo recorde de R$ 62.017,00 no leilão do prêmio, sendo o café mais caro da safra 2022/2023.

De variedade natural, com as notas sensoriais que remetem às frutas vermelhas, cana de açúcar, floral, açúcar mascavo, o café de Jorge Fernando recebeu uma pontuação de 90.75 na escala da SCA (Specialty Coffee Association).

O lançamento oficial dos grãos será realizado no dia 7 de fevereiro, a partir das 18h, na Cafeteria Dulcerrado, em Patrocínio (MG). O produtor estará presente no evento de lançamento e compartilhará com o público sua experiência na produção, colheita e pós-colheita.

“Uma curiosidade desse café é que o quilo torrado valorizou ainda a excepcionalidade, que custou R$ 1.240,34. Isso é o que chamamos de recompensa pela qualidade e complexidade de aromas e sabor da bebida”, destaca Maurício Maciel, Gerente e Barista da Cafeteria Dulcerrado.

Jorge Fernando Naimeg pertence a 3ª geração de uma família de produtores que há 58 anos tem a cafeicultura como uma paixão e há mais de 41 anos fez do Cerrado Mineiro uma referência em cafés especiais, colecionando títulos nos mais diversos concursos de qualidade de cafés nacionais e internacionais.

“Praticamente nasci no pé de café. Quando eu era criança, meu pai e meus irmãos já produziam grãos especiais e desde então passou a ser nossa missão trabalhar com o foco na produção de qualidade. Acredito que a Etapa Campeões Expocaccer e o Prêmio da Região do Cerrado Mineiro nos ajudaram muito, pois são balizadores de qualidade, fazendo com que todos os produtores busquem evoluir e o primeiro lugar traz um destaque muito importante para o trabalho que fazemos. Isso faz com que haja não apenas um reconhecimento por parte dos cafeicultores, mas do mercado, com relação a qualidade dos grãos e assim agrega valor não apenas ao lote campeão, mas ao restante da produção”, ressalta o cafeicultor.

Para a bebida, foram elaborados três métodos e harmonizações que melhor ressaltaram o sabor e as características sensoriais dos cafés. De acordo com o Presidente da Expocaccer, Glaucio de Castro, o evento é uma oportunidade de ressaltar o trabalho e o café do produtor. “A promoção desse café vem para celebrar e reconhecer o brilhante trabalho realizado pelo cafeicultor, além de possibilitar que o grão alcance cada vez mais pessoas, amantes de um bom café”, destaca.

A comercialização da edição limitada “Raridades” será em uma embalagem de 100 g de café torrado, que poderá ser adquirida na Cafeteria Dulcerrado ou na loja on-line.

Serviço
Lançamento Edição “Raridades”  
Onde: Cafeteria Dulcerrado
Quando: 7 de fevereiro (terça-feira), às 18h

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Entenda sobre o novo protocolo de classificação do café torrado

Desde o dia 1º de janeiro está em vigor a Portaria SDA/MAPA nº 570/22, que estabelece o novo padrão de classificação para o café torrado comercializado no Brasil. A norma, publicada pelo Ministério da Agricultura, foi construída em parceria com entidades do setor, dentre elas a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).

A Lei Federal nº 9.972/2000 regulamenta que a responsabilidade pela venda de produtos fora dos padrões é compartilhada entre os industrializadores de café e o varejo. A fiscalização federal agropecuária está orientada a realizar autuação de forma solidária junto aos estabelecimentos comerciais. Inclusive, hipermercados e supermercados, que serão co-responsáveis nos casos em que o produto não atender aos padrões estabelecidos na legislação vigente.

Segundo o presidente da ABIC, Pavel Cardoso, agora, com o novo padrão, toda a indústria deverá se registrar no Ministério da Agricultura, que poderá fiscalizar o setor e retirar do mercado os cafés impuros e fraudados, responsabilizando também os distribuidores e varejistas. Outra mudança importante para as torrefações é a necessidade de adequar suas embalagens com as informações sobre a espécie de café ali contida, ponto de torra e, no caso de cafés que não atinjam os padrões mínimos de qualidade, a identificação de “Fora de Tipo”.

A nova regra vem ao encontro dos objetivos do Ministério: o de garantir a oferta de produto de qualidade e de segurança ao consumo e, ao mesmo tempo, estimular o desenvolvimento sustentável de toda a cadeia produtiva e uma concorrência leal no mercado.

Com o novo padrão, as empresas terão que classificar o produto antes da comercialização. A classificação pode ser terceirizada e realizada lote a lote através de uma Entidade Credenciada pelo Ministério, como a ABIC, ou adotando um sistema próprio, por fluxo operacional, desde que o Manual de Boas Práticas seja aprovado pelo MAPA.

Já na classificação por fluxo operacional, a empresa precisará dispor de um Responsável Técnico com a devida comprovação em conselho de classe, apresentar o Manual de Boas Práticas com a descrição detalhada de todo o controle do processo da empresa e dispor de um classificador habilitado ou da contratação de uma Empresa Credenciada habilitada junto ao MAPA.

A principal expectativa é a de que os fraudadores tenham ação reduzida, ou seja, que o MAPA, em parceria com agentes privados do setor cafeeiro, possam coibir a ação dos fraudadores, contribuindo para uma concorrência mais justa no mercado de café e com a melhoria da qualidade oferecida ao consumidor.

Com a edição da Portaria, os programas de certificação da ABIC passaram por uma reestruturação. Agora, o Selo de Pureza e o Selo de Qualidade são unificados, passando a ser um só, ou seja, a ABIC só irá certificar produtos puros e com qualidade.

Sabe-se que um café pode ser puro (só ter café no pacote), mas, ainda assim, não atingir uma qualidade mínima de sabor e aroma desejável para a bebida. Para a ABIC, não basta mais o produto ser puro. Para estampar o selo, o café precisará também atingir o padrão mínimo de qualidade global estabelecido pela Portaria 570/22. 

Como consequência, produtos que não atingirem os requisitos mínimos exigidos pela nova legislação serão identificados como “Fora de Tipo”, e não receberão os selos da ABIC. Os produtos continuarão sendo fiscalizados quanto à pureza, mas não serão certificados pela ABIC.

Assim, o consumidor terá uma maior oferta de cafés de qualidade, pois, com a fiscalização dos órgãos públicos e privados, produtos impuros e fraudados, que não cumprem a legislação, serão retirados de circulação nos mercados.

A portaria traz algumas regras que irão repercutir na embalagem do produto, com informações padronizadas para auxiliar o consumidor no processo de compra. Caso o café não possua características sensoriais mínimas estabelecidas pela legislação, por exemplo, aquele produto deverá ser identificado como “Fora de Tipo”. 

Ou seja, o consumidor terá acesso a mais informações sobre o café, com mais transparência para ajudar em sua decisão de compra. Os Selos da ABIC também ajudarão nesse processo. Eles funcionam como bom indicador para saber se o café é de qualidade e está em conformidade com a legislação, pois a Portaria 570 possui os mesmos parâmetros já adotados no programa de certificação da ABIC.

O consumidor poderá verificar a conformidade do produto certificado pela ABIC através do QR code estampado no selo ou pela leitura do código de barras do produto no aplicativo ABICAFÉ , disponível na App Store e Google Play.  

Foto: Agência Ophelia

Consumidor 

Em relação ao consumidor, Pavel Cardoso acredita que ele está mais maduro e atento a essas questões. Na hora da compra, busca por produtos seguros e valoriza a qualidade, a origem e o impacto ambiental do que está consumindo. 

A indústria se mostra cada vez mais preparada para atender essas questões, investindo em cafés de mais qualidade, além de iniciativas e processos sustentáveis. A unificação dos Selos de Pureza e de Qualidade da ABIC também vai ao encontro dessa demanda de aprimoramento da comunicação ao público sobre os cafés que estão à disposição do consumidor nas gôndolas e reforçando o posicionamento da indústria nessa busca pela qualidade.

Em relação a expectativa para o consumo de café, o presidente da ABIC, destaca que, em 2022, o setor viveu sucessivas altas nos preços que restringiram o crescimento, mas o consumo de café sempre foi forte no Brasil, e o setor está se recuperando. 

“Acreditamos no crescimento do consumo baseado na qualidade. Essa portaria trará mais igualdade para o mercado, ampliará a oferta de cafés de qualidade e proporcionará ao consumidor uma escolha mais consciente. Assim, a tendência será naturalmente o aumento do consumo. Dependemos da economia e da oferta da matéria prima para que tenhamos um ano mais favorável, e esperamos que retornemos ao ritmo de crescimento dos últimos anos de 1,5 a 2%”, finaliza. 

TEXTO Natália Camoleze

Cafeteria & Afins

Subverso Coffee Culture – Goiânia (GO)

“Eu me considero muito mais um barista do que um advogado”, conta Antonio Neto, que largou a advocacia para se dedicar inteiramente ao universo dos cafés especiais. Antes de abrir a sua cafeteria, o goiano trabalhou atrás do balcão de outras casas em Goiânia, mas sempre mantinha dentro de si a vontade de ter o seu próprio negócio.

“Eu tinha muita vontade de externar o que penso sobre o café especial. Mostrar que é muito mais que uma bebida, é um estilo de vida”. Depois de muito planejamento, a inauguração do Subverso Coffee Culture finalmente aconteceu em fevereiro de 2021, apresentando, em um só lugar, não só o café, mas também referências de arte, música e moda. 

Para ter uma experiência completa no ambiente moderno e cultural da casa, é preciso pedir um café! Os grãos disponíveis costumam ser produzidos em pequenas regiões brasileiras. Os baristas preparam a bebida no método brasileiro Astér, criado pela Wood Skull, ou na superautomática Bravilor Bonamat THA, em que o café ficou conhecido como o “coado da casa”. O espresso, tirado de uma La Marzocco FB80, compõe cappuccino, mocaccino, iced latte, espresso tônica, entre outras opções. Para os dias de calor, uma boa pedida é o cold brew, que também aparece na receita do GarapaCold, alternativa que leva caldo de cana.

O cardápio de comidinhas do Subverso é especializado em toasts, porém, recentemente, Antonio implementou alguns itens voltados para o brunch e o café da manhã. A opção mais pedida pelos clientes é o pão na chapa com queijo, composto de pão de fermentação natural, requeijão cremoso, queijo regional e melaço de cana. Quanto aos doces, boas pedidas são a banoffee, o bolo do dia ou a torta de chocolate, caramelo e flor de sal.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Avenida Mutirão , 1.932
Bairro Setor Bueno
Cidade Goiânia
Estado Goiás
País Brasil
Website http://instagram.com/subversocoffee
Horário de Atendimento De segunda a sexta, das 9h às 20h; sábado, das 9h às 14h
TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Diogo Zaiden e Thiago Daher

Barista

Entre o lifestyle e a vida real dos jovens baristas

Quem vê jovens baristas nas redes sociais pensa que a vida deles gira em torno do café especial – e, em muitos casos, essa é a verdade. Entre a paixão pelo ofício e um estilo de vida, a nuance é individual

Quando você está de folga, busca lazer em lugares onde trabalharia? Pensa em trabalho durante as férias? Usaria um período de recesso para ir atrás de formação profissional? Nem todo mundo responderia a essas perguntas afirmativamente – mas, entre millennials baristas, o “sim” vem mais certeiro, acompanhado do sorriso de quem sabe que essa é uma resposta um tanto peculiar.

“Eu encaro isso de uma forma muito profissional. Faz parte do meu estilo de vida, mas vai além, é um trabalho que eu amo. Faz parte das minhas crenças pessoais, eu acredito na importância da cadeia. Entender isso faz muito sentido pra quem trabalha com café especial”, argumenta a barista Midori Martins.

A Espresso convidou jovens baristas a fazer essa reflexão. Dos coffee lovers em dias de folga a quem tem uma relação estritamente profissional com o café, todo mundo concorda: a bebida molda estilos de vida.

Mari Mesquita (DF)

Formada em Ciência Política, Mari se viu no mundo do café depois de um período de muita pressão e tristeza com a academia e com o país. “Eu precisava de algo pragmático, técnico, que não tivesse nada a ver com o que eu estudava. Quando o café dá errado, você para e faz outro. Com banco de dados não é bem assim”, lembra.

Com seis anos de estrada, ela conta que o serviço sempre foi a parte mais interessante do trabalho. “O café é uma linguagem pela qual eu comunico algumas coisas, é uma materialização de valores pessoais. Ao mesmo tempo em que é um veículo de serviço, é a principal ligação que tenho com origem de produção, um sintoma de brasilidade importante dentro de mim”, define.

Para Mari, essa linha entre a profissão e o modo de vida realmente se estreitou não só para ela, mas para colegas da mesma geração. A barista entende que isso acontece porque o café realmente muda a maneira de enxergar o mundo. “Eu não acho que o café como estilo de vida seja algo ‘instagramável’. Caso a moda das redes sociais passe, a preocupação com a origem e o respeito com o produto não vão mudar”, argumenta.

João Stark (SP)

“Eu e meus amigos baristas tentamos não falar tanto de café no bar. Se eu vou a uma cafeteria é porque eu quero tomar café. Não vou em toda folga”, adianta Stark. O jovem paulistano conta que, no começo da carreira, ele abordou o café especial como um estilo de vida – até abriu um canal no YouTube. Mas o dia a dia no bar e o tempo se encarregaram de mostrar a ele que essa poderia ser uma profissão.

“Café é meu trabalho. É meu sustento. Dentro dele eu crio relações maravilhosas, gosto muito dessa parte. Sonho em abrir uma cafeteria, gosto muito de ser barista. Mas não é todo mundo que tem paciência para esse trabalho. Vai ficar oito horas em pé, lavando louça, passando pano no chão? É difícil”, argumenta o barista.

Para Stark, aliás, o café rende dois trabalhos: barista e fotógrafo. “Eu gosto de fotografar correria, balcão sujo, leite na pia. Tento mostrar como é o preparo, a beleza da bebida feita. Mas foi por acaso, nunca pensei em fotografar assim”, comenta.

Arthur Rieper (PE)

Para Arthur, pensar em café é pensar nas mãos de gente esforçada. São as mãos calejadas dos produtores, que plantam, colhem, processam e cuidam da safra. São as mãos ágeis dos mestres de torra, que encontram o equilíbrio perfeito entre a ciência e o emocional. Por fim, as mãos cuidadosas dele mesmo, Arthur, que faz o melhor com aquele insumo precioso.

“Café é paixão que a gente entrega ao outro. É dar na mão do cliente um amor meu”, define o barista. Arthur é esse profissional que pensa em café dia sim, dia também: tira folga para conhecer cafeterias novas, viaja para beber café, dedica férias a cursos na área. “Eu dou muito valor ao tempo. Se eu tiro férias, preciso fazer um curso. É como se não perder tempo fosse uma obrigação”, explica.

Mas por que essa é uma constante nessa geração? “A gente se aprofunda no que gosta. Acho que nós baristas precisamos transformar isso em um estilo de vida. Essa apresentação ao mundo é importante, especialmente no uso profissional da rede social. Você fica mais à mostra, faz carreira”, argumenta o barista.

Amanda Albuquerque (PR)

Três milhões de seguidores no TikTok, mais de 140 mil no Instagram. Quem vê a habilidade de Amanda Albuquerque em passar dicas e conhecimentos adiante, recomendar pequenos negócios e falar de café especial nem imagina que a formação como barista é recente, de 2019.

Tudo mudou em 2020: trancada dentro de casa, passando pela covid-19, Amanda transformou a criatividade em vídeos e logo viralizou no TikTok. “Vi ali uma oportunidade de mostrar o café especial às pessoas. Eu tenho um público muito jovem e muito grande, e acredito que, quando se educa a maior quantidade de pessoas possível, é algo muito rico para a profissão”, comemora. Para ela, essa tendência de misturar estilo de vida com profissão tem muito a ver com o volume de conhecimento ao qual ela e os colegas estão expostos na internet.

Ao pensar sobre os alunos que pertencem à geração Z, a professora vê o impacto das trajetórias de millennials nos sonhos dos mais jovens. “Eles têm uma sede grande de aprender e já descobriram que podem ser campeões de uma categoria para viajar o mundo. Eles entenderam que é preciso estudar muito para ser um bom profissional, aprender o café do pé à xícara. Eu acho incrível como eles evoluem rápido”, elogia.

Midori Martins (SP)

Quem olha o Instagram de Midori não diria que o café especial é o estilo de vida dela – mas rede social nem sempre é parâmetro para saber da vida das pessoas. A barista não diz que esse é um lifestyle, vai além: é uma crença pessoal na sustentabilidade. “Entender a cadeia é dar sentido a quem trabalha com café especial. É compreender que é um mundo extremamente complexo, que é preciso ter a gana de estudar sempre”, define.

A verdade é que Midori é dessas baristas que entraram para o meio por causa das pessoas: só se envolveu com café especial porque gostava de vendas e atendimento. Da Starbucks à Um Coffee, ela sentia essa alegria em estar cercada de gente. No Coffee Lab – sobretudo com a pandemia –, ela entendeu que gosta mesmo é de sala de aula. 

“Eu me encontrei dentro do café quando passei a ensinar. Eu gosto da bebida, mas o café é uma relação entre pessoas. É da nossa cultura, vai além de uma simples xícara”, argumenta. Mas e as folgas, Midori? “Vou bem menos que gostaria, mas frequento cafeterias para prestigiar meus amigos e colegas”, conta.

Airo Villalobos (SP)

“Eu vejo café em tudo. É conexão, é amizade, é cuidado. Não é por acaso que vim para o Brasil, não é por acaso que fiz o curso de barista. O café me trouxe”, afirma Airo. Quando a venezuelana chegou ao Brasil, tinha duas prioridades: aprender português e conseguir um emprego. 

Ela teve ajuda de algumas ONGs e foi selecionada no programa Fazedores de Café, em que se formou barista – durante a pandemia, começou embalando pedidos de delivery até conseguir trabalhos no bar. “Para mim, café não é um dinheiro extra, é algo a ser levado a sério. Se trata com cuidado, se dedica a vida. Conhecer o que há por trás da xícara pode mudar a vida de uma pessoa”, argumenta.

Engenheira de formação, Airo tem verdadeiro encanto por passar adiante o que sabe sobre café – mas vê algo diferente no futuro de sua carreira no ramo. “Eu me apaixonei pelo café, nunca pensei que tivesse tanta coisa envolvida. Gostaria de aprender a torrar, tem muita ciência, é algo que tem conexão com engenharia”, planeja.

TEXTO Clara Campoli

Mercado

Nescafé Origens do Brasil apresenta 1º Minifestival de Cafeterias de São Paulo

Nescafé Origens do Brasil apresenta aos paulistanos a 1ª edição do Minifestival de Cafeterias! Com início no aniversário de 469 anos de São Paulo, em 25 de janeiro, o evento acontecerá até o dia 6 de fevereiro em cinco cafeterias da capital que são referência em expertise e excelência em cafés: Sofá Café, Fora da Lei, Futuro Refeitório, Over Coffee Roasters e Perseu. 

Localizadas entre os bairros de Pinheiros, Cerqueira César, Consolação e Vila Mariana, as casas formarão uma rota paulistana do café especial e oferecerão degustação gratuita do novo Origens do Brasil – Fazedores de Café, um café especial vindo do terroir da Chapada Diamantina (BA). Todo o lucro será revertido ao projeto Fazedores de Café, que, em parceria com Nescafé, capacita jovens cafeicultores no campo. 

Kit com o novo Nescafé Origens – Fazedores de Café + cerâmica exclusiva elaborada pela equipe de neurociência da The Coffee Sensorium

A edição especial nasceu a partir do fruto produzido por meio da agricultura regenerativa pelos jovens da região participantes da edição de 2022 do Fazedores de Café. A novidade estará à venda em um pack limitado que inclui uma cerâmica especialmente desenvolvida pelas neurocientistas Fabiana Carvalho e Maísa Mancini, do The Coffee Sensorium, para amplificar a experiência sensorial com o café, que traz notas aromáticas de rapadura, melaço e frutas secas. Além disso, as cafeterias também abrirão vagas para um workshop de barismo gratuito com o barista Renan Dantas. 

“Origens Fazedores é um produto que mistura experiência, sabor e responsabilidade social. Além de contar de maneira única a história genuína de nossa jornada sustentável, também joga luz sobre os diferenciais do café especial, categoria que nossos parceiros no Minifestival expressam e vivenciam de maneira tão brilhante. Nosso objetivo, portanto, é aproximar ainda mais os paulistanos das delícias e do propósito que está por trás de uma boa xícara de café com origem e destino responsáveis”, afirma Taissara Martins, gerente de ESG de Cafés da Nestlé Brasil.

Serviço
1º Minifestival de Cafeterias – Nescafé Origens e Workshops

Over Coffee Roasters
Workshop: 27/01, das 10h às 11h e das 16h às 17h
Onde: Rua Eugênio de Medeiros, 466 – Pinheiros, São Paulo (SP)
Funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 17h; sábado, das 10h às 15h

Sofá Café
Workshop: 30/01, às 11h, e 31/01, às 14h
Onde: Rua Jaguaribe, 258 – Consolação, São Paulo (SP)
Funcionamento: de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h30; sábado e domingo, das 10h às 18h

Perseu
Workshop: 31/01, às 9h
Onde: Alameda Santos, 2.159 – Cerqueira César, São Paulo (SP)
Funcionamento: de segunda a sexta, das 8h às 23h; sábado, das 9h às 23h; domingo, das 9h às 21h

Fora da Lei Café
Workshop: 01/02, às 9h
Onde: Rua Cubatão, 131 – Vila Mariana, São Paulo (SP)
Funcionamento: de segunda a sábado, das 10h às 18h; domingo, das 11h às 17h

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Futuro Refeitório
Onde: Rua Cônego Eugênio Leite, 808 – Pinheiros, São Paulo (SP)
Funcionamento: de terça a sexta-feira, das 8h às 22h; domingo, das 9h às 16h

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafezal

Você sabia que existe um cafezal urbano no meio da cidade de São Paulo?

Um cafezal no meio de São Paulo. Sim, é isso mesmo! Muita gente não sabe, mas, entre casas, ruas e muitos prédios, existe uma grande área verde. E nossa equipe foi visitar, durante uma manhã ensolarada de quarta-feira, o Instituto Biológico.

Por algumas horas parecia que nem estávamos na loucura de São Paulo. O espaço é considerado o maior cafezal urbano do País, com 10 mil metros quadrados e com as principais variedades desenvolvidas pelo Instituto Agronômico (IAC) – órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo – presentes em 90% do parque cafeeiro brasileiro.

O Instituto Biológico foi criado em 1927, exatamente para estudar meios de combater as pragas que atacavam as plantações de café. É um centro de pesquisa também vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, voltado para a produção, a difusão e a transferência de tecnologias e conhecimento científico nas áreas de agronegócio, biossegurança e atividades correlatas. Está localizado na Vila Mariana, na cidade de São Paulo, nos arredores do Parque Ibirapuera.

Harumi Hojo, pesquisadora do local, foi quem nos recebeu e mostrou cada detalhe. Ela, que está há quarenta anos no Instituto, conta que fez parte inicialmente da entomologia (área da Biologia dedicada a estudar as características físicas, comportamentais e reprodutivas dos insetos) por bastante tempo. “Quando eu entrei, todo o espaço do café já estava plantado. Há mais ou menos dezoito anos, a diretoria passou a ter um novo olhar para o café e passamos a reconduzir a produção e buscar por uma Certificação UTZ para validar a parte de sustentabilidade e melhorar cada vez mais as questões de trabalho”, explica.

Harumi Hojo, pesquisadora do Instituto Biológico

Como começou

Ana Eugênia de Carvalho Campos, diretora-geral do Instituto Biológico, nos conta que, na década de 1920, apareceu uma broca nos frutos do café, causando danos severos na qualidade. “Assim, os cafeicultores perguntaram ao governador da época o que poderia ser feito e pediram uma saída. Ele reuniu pesquisadores e cientistas em busca da solução. Foi quando, então, surgiu o Instituto para trabalhar com a saúde dos vegetais, depois com a saúde dos animais. Tudo isso está até hoje dentro da nossa missão mais a preocupação com a proteção ambiental, sem resíduos de produtos químicos no nosso alimento, no solo e na água”, explica a diretora.

Segundo registros no site, foi Arthur Neiva quem levou à Assembleia Legislativa a importância da criação de um órgão que beneficiasse os agricultores. Em 20 de dezembro de 1926, o então presidente Carlos de Campos enviou à Câmara dos Deputados o projeto de fundação de um Instituto de Biologia e Defesa Agrícola. Apesar de aprovado no dia 27 do mesmo mês, o projeto não virou lei. No governo Júlio Prestes, quando Fernando Costa era o secretário de Agricultura, foi proposta a criação de um órgão ainda mais amplo, que, ao lado das pesquisas e medidas de defesa relativas à sanidade vegetal, também se dedicasse a objetivos semelhantes na área animal.

Em 1928, foi doada uma área de aproximadamente 239 mil metros quadrados para a construção do Instituto, um local pouco valorizado, conhecido como “Campo do Barreto”, e que, mais tarde, teve uma parte cedida ao Parque Ibirapuera. O nome inicial seria Instituto Biológico de Defesa Agrícola e Animal, e, em 1937, passou para Instituto Biológico. Localizava-se, inicialmente, em vários prédios adaptados e distantes uns dos outros.

O objetivo era desenvolver conhecimento científico e tecnológico e transferi-lo ao negócio agrícola nas áreas de sanidade animal e vegetal, suas relações com o meio ambiente, visando à melhoria da qualidade de vida da população.

O café em São Paulo

Nossa bebida predileta foi a responsável pelo desenvolvimento de São Paulo. A cultura do café, introduzida no Brasil no século XVIII, se disseminou pelo Sudeste e pelo Sul do País, gerando riqueza e recriando hábitos e costumes.

No final desse século, o café passou pelo Vale do Paraíba, região em São Paulo com boas condições para o cultivo; depois foi para o Sul de Minas e para o Paraná. O Rio de Janeiro foi o porto de escoamento do produto.

Com a chegada da família real, em 1808, ocorreu uma rápida expansão dos cafezais. D. João, então príncipe regente, mandou que viessem sementes da África e as distribuiu entre os fidalgos proprietários de terras no Vale do Paraíba.

Entre 1830 e 1840, o café já era o produto mais exportado e a produção aumentava cada vez mais. Toda essa situação implicou o aumento de mão de obra nas grandes regiões produtoras (São Paulo e Rio de Janeiro) e, com a abolição da escravatura, implicou também o início da contratação de mão de obra imigrante em São Paulo. O café na região paulista ganhou tal importância que as ferrovias se espalharam pelo oeste paulista.

O Porto de Santos passou então a escoar a produção daquela região. Durante quase todo o século XIX e parte do XX, a riqueza do Brasil se concentrou na economia cafeeira. Dessa forma, surgiram os barões do café – fazendeiros que, durante o Segundo Reinado (1840-1889), foram contemplados por D. Pedro II com títulos de nobreza e, portanto, detinham o poder econômico da região.

A economia cafeeira ajudou em muitos aspectos no processo de urbanização e industrialização da região Sudeste, mas, no início do século XX, surgiram os primeiros sinais de crise. Em 1902, a superprodução de café originou estoques e baixou os preços. Para enfrentar a crise, os governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro reuniram-se em 1906 no chamado Convênio de Taubaté, que definiu uma política para a valorização do produto: os governos estaduais comprometiam-se a comprar toda a produção e usar os estoques para impedir quedas e oscilações no preço.

Por volta de 1920, a cidade de São Paulo passa a ser reconhecida como o mais importante centro industrial do Brasil. A quebra da Bolsa de Nova York, em 1929, forçou a queda no preço internacional do café. Milhões de sacas foram queimadas pelo governo, só em 1947 os preços voltaram aos níveis anteriores.

Se, na década de 1960, São Paulo e Paraná detinham a maioria dos pés de café do País, em meados de 1980 o estado de Minas Gerais concentrava mais de um terço do total nacional, seguido por São Paulo, Espírito Santo, Paraná e Bahia. Todos esses estados tinham, juntos, 92% dos 3,5 bilhões de pés existentes no País.

Café e o Instituto

Na metade da década de 1950, foram plantados próximo ao edifício cerca de 2500 pés de café com a finalidade de servir como pesquisa científica e preservação da memória da instituição.

“Desde 2017, a produção é totalmente orgânica, tendo passado por um período de transição. No ano passado, conseguimos que até o beneficiamento fosse efetuado mantendo as características de produção orgânica”, ressalta a pesquisadora Harumi Hojo.

São mil pés de café divididos entre as variedades mundo novo (500 serão colhidos neste ano) e catuaí (500 que foram esqueletados e só produzirão no ano que vem. A última renovação do cafezal havia ocorrido na década de 1980) mais 1500 pés de café de outras seis variedades: catuaí vermelho IAC 99; catuaí amarelo IAC 62; IAC 125 RN; bourbon amarelo IAC J10; IAC catuaí SH3 e mundo novo IAC 379-19.

Atualmente o propósito do cafezal é ser um instrumento de educação ambiental, didático, histórico e cultural, destinando-se às pessoas que desejam conhecer uma plantação de café, sua história e outras particularidades, além dos princípios das boas práticas agrícolas, sustentabilidade e agricultura regenerativa.

Segundo o Instituto, a variedade mundo novo teve a sua origem a partir da seleção de plantas derivadas de um cruzamento natural entre as cultivares sumatra e bourbon vermelho. Seu desenvolvimento ocorreu no IAC. A variedade catuaí também foi desenvolvida por eles. Ela produz frutos de coloração vermelha ou amarela, produtivas e de porte baixo.

A colheita é toda manual. A secagem dos grãos é realizada ali mesmo, em terreiros suspensos, por um tempo em torno de quinze a vinte dias. A torra é realizada por um parceiro do interior de São Paulo, que segue os protocolos em relação ao café orgânico. Parte dos grãos é doada ao Fundo Social de São Paulo e parte fica para pesquisas.

Sabor da colheita

Desde 2006, o Instituto Biológico realiza a cerimônia que marca o início da colheita do café no estado de São Paulo e comemora o Dia Nacional do Café (24 de maio). O local recebe visitantes e todos podem participar da colheita simbólica e entender sobre as técnicas de produção. Neste ano, o evento disponibilizou um espaço para que alguns produtores apresentassem seus cafés, e o público ainda pôde tirar dúvidas sobre preparo com os baristas.

Apoio Nescafé

Em 2021, a marca global adotou a lavoura do local, o que foi um fortalecimento para o trabalho desenvolvido pelo IB, como as pesquisas e a produção de grãos orgânicos, além da abertura de uma nova frente, o Centro da Cafeicultura do Futuro, laboratório vivo que mira técnicas sustentáveis para a elaboração de um conceito inovador do cultivo cafeeiro.

Entre as ações do projeto estão os tratos culturais e o manejo de pragas e doenças dentro do modelo sustentável de produção, além da implantação de uma nova espécie de café e de colmeias de abelhas sem ferrão com fins regenerativos – a partir da polinização das flores do cafezal, ocorre um incremento na produtividade e na qualidade dos frutos de café.

“O IB, com mais de noventa anos de expertise em pesquisa, e a Nescafé, com seus programas que garantem tecnologia e inovação aos produtores rurais, trabalham em conjunto para gerar e compartilhar conhecimento para milhares de pessoas, que poderão visitar o cafezal e ter acesso a um programa de educação ambiental e agronômico, ao mesmo tempo complexo, em termos de informação, e simples, pela forma como será apresentado”, destaca a pesquisadora do Instituto Harumi Hojo.

“A parceria é super importante para nós, especialmente pelo fato do Cafezal Urbano ser uma grande vitrine e laboratório da cafeicultura que entendemos ser a do futuro. Ter um cafezal tão pertinho da população, nos ajuda a mostrar de maneira bem prática as boas iniciativas feitas no campo, e que muitas vezes estão longe da realidade do consumidor. O Cafezal já pratica uma agricultura de baixo carbono e implementa ativamente pilares importantes da agricultura regenerativa, como o uso de cultivares melhoradas, e a preservação da biodiversidade e polinização através das abelhas”, Taissara Martins, gerente de marketing e sustentabilidade de cafés da Nestlé.

O Cafezal do Instituto Biológico pode ser visitado! Basta agendar através do e-mail cafezalurbanoib@biologico.sp.gov.br. Ele fica na Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, 1.252, na Vila Mariana. 

TEXTO Natália Camoleze • FOTO Agência Ophelia

Receitas

Iced latte com gelo de café

Ingredientes

  • 1 caixa de NotMilk High Protein de baunilha com coco (250 ml)
  • 10 g de café Bourbon Amarelo – Ágata de Fogo, da coffee&joy

Preparo

Esquente cerca de 150 ml de água. Antes de começar a ferver, desligue o fogo. Em seguida, escalde o filtro de papel com a água quente e descarte a água usada. Após isso, coloque o pó de café no coador e despeje a água quente no centro do coador, fazendo movimentos circulares. Deixe a água escoar completamente.

Em uma forma de gelo convencional, coloque todo o café e deixe no congelador até chegar no ponto de gelo. Quando finalizado, separe um copo, adicione o gelo de café e, em seguida, todo o NotMilk High Protein sabor baunilha com coco. Pronto, bebida fácil e saborosa para os dias quentes do verão.

FOTO Divulgação • RECEITA NotCo e coffee&joy

Mercado

We Coffee inaugura duas novas lojas na cidade de São Paulo

We Coffee unidade Vila Nova Conceição

Para comemorar o aniversário de 469 anos de São Paulo, a We Coffee inaugura dois novos endereços na cidade no mês de janeiro. Desde 2020, com a abertura da flagship no bairro da Liberdade, a cafeteria estreita laços com os paulistanos, que agora poderão desfrutar dos cafés, chás, pães e doces da marca também na Vila Nova Conceição e na Avenida Paulista. 

A casa tem a arquitetura e o conceito como atributos marcantes. Ao design exclusivo, com linguagem futurista e minimalista, são somados a cultura e o ambiente que cercam as unidades We Coffee.  Próxima ao Parque Ibirapuera, a loja da Vila Nova Conceição, inaugurada em 13 de janeiro, oferece café ao ar livre, poltronas, cadeiras e mesinhas com almofadas no chão. O propósito é trazer um respiro a quem busca se desconectar da correria do dia a dia.

We Coffee unidade Vila Nova Conceição

Já a quarta unidade We Coffee estará localizada no coração de São Paulo, dentro do icônico Edifício Citi Center. Sua decoração se destaca pelos detalhes com desenhos curvos no teto, acabamento em inox escovado e pendente esférico holográfico, que proporcionam um espaço descolado, espacial e tecnológico. A loja será a primeira onde a operação irá fluir somente com totem de atendimento automático, o que garante praticidade e agilidade para o cliente local. Com área externa na praça do Citi com vista para a Avenida Paulista, a inauguração está marcada para o dia 27 de janeiro, das 7h às 22h. 

Tem café especial

O menu da We Coffee é composto por um mix de doces e padaria, enquanto que o café, carro-chefe da casa, é cultivado no Caparaó e no Cerrado Mineiro. Os grãos selecionados e certificados são um blend de Mundo Novo com Icatu e SOI Catuaí Amarelo.

A cafeteria trouxe, ainda, o primeiro La Marzocco Mod Bar para o Brasil, um sistema modular de extração de café com estações independentes para cada processo, vaporização, coado e extração de espresso. O design clean e elegante do Mod Bar valoriza a interação barista e consumidor, que pode acompanhar todo o preparo de seu pedido.  

Outras bebidas também ganham destaques ao misturar frutas, chás e salty cream. Os produtos são feitos com ingredientes naturais e matérias-primas diferenciadas, como chás importados à base de flores. 

Para o aniversário de São Paulo, a cafeteria fez uma parceria com a Carma, marca suíça referência na Europa há 90 anos, que é parte do Grupo Barry Callebaut, e preparou a sobremesa Noir et Blanc: criada com chocolates 100% sustentáveis nas cores preto e branco, e elaborada com mousse e recheio de chocolate, crocante de avelã e bolo de chocolate.

Serviço
We Coffee – Vila Nova Conceição
Onde: Rua Diogo Jácome, 598
Funcionamento: todos os dias, das 9h às 22h

We Coffee – Avenida Paulista
Onde: Avenida Paulista, 1.111 – Edifício Citi Center
Funcionamento: todos os dias, das 7h às 22h

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

O que são os “cafés infusionados”, a nova (e polêmica) tendência do café

Quando falamos de café, falamos de muitas coisas, mas principalmente de sabor: logo nos pacotinhos de cafés especiais encontramos palavras como “chocolate” ou “caramelo”, uma infinidade de frutas, flores e os mais diversos alimentos. Essas são as famosas notas sensoriais. Um tomador de café mais experiente sabe que esses sabores são subjetivos: um café com notas de chocolate não tem nenhum aditivo de chocolate, mas algo em seu sabor nos remete ao chocolate e, assim, falamos sobre o café usando referências que todos conseguem entender. 

Muitas vezes, grãos da mesma região – ou até do mesmo produtor – apresentam notas sensoriais totalmente distintas. Muitos cafés de baixa qualidade possuem poucas notas sensoriais, ou quase nenhuma. Por que, então, alguns cafés conseguem apresentar tantas nuances de sabor e outros não? A resposta exigiria um texto inteiro, mas podemos resumir dizendo que a genética das plantas, os cuidados na lavoura e o processamento pós-colheita são os principais fatores que influenciam a riqueza de sabores e texturas que só um café especial pode oferecer. Tudo isso vindo direto da natureza!  

Nos últimos anos a cafeicultura tem se tornado cada vez mais científica e experimental: os produtores vêm aplicando técnicas de fermentação cada vez mais complexas, capazes de verdadeiramente transformar um café, aumentando atributos, como acidez e complexidade, em escalas surpreendentes. Muitas vezes essas fermentações agregam nítidos sabores de frutas e vinho, por exemplo, mesmo sem nenhuma fruta nem vinho envolvidos no processo. Mais recentemente, uma nova tendência tem atraído a atenção dos profissionais e fãs do café: são os cafés infusionados. Já ouviu falar? 

O que são “cafés infusionados”?

São aqueles que recebem a adição de especiarias, frutas ou outros ingredientes durante a fermentação dos grãos ainda lá na fazenda.

A novidade, entretanto, acabou virando polêmica. Mas qual o problema desse tipo de café? Nenhum, desde que estejam identificados os ingredientes, por uma questão de transparência e de segurança alimentar. A polêmica começou em 2018, quando alguns cafés com gosto muito intenso de canela começaram a aparecer nas competições mundiais de café, gerando suspeitas de aromatização. Os competidores, confiando nas informações passadas pelos produtores, garantiam que o sabor de canela vinha de uma fermentação especial com leveduras específicas. O burburinho na indústria começou e, desde então, diversos cafés assumidamente infusionados têm aparecido, enquanto outros geram apenas suspeitas de infusões com alimentos in natura ou óleos essenciais. Nesse caso, análises laboratoriais são capazes de diagnosticar se os grãos foram infusionados.

É importante destacar que cafés infusionados são diferentes de cafés saborizados. Os cafés saborizados são aqueles que recebem aromatizantes artificiais durante ou após o processo de torra do café. Normalmente esse processo é aplicado a cafés de baixa qualidade – com algumas exceções.

Muitos produtores vêm experimentando a adição de frutas, garapa ou mosto de fermentações diversas no processo de fermentação do café. Na maioria das vezes, as frutas e outros ingredientes agem apenas como doadores de enzimas e açúcares, e seu sabor não é diretamente transmitido ao grão. No caso das especiarias – como a canela, por exemplo –, a questão fica mais complexa, pois os grãos podem, sim, adquirir aquele sabor específico.

É importante destacar que nem sempre adicionar ingredientes ao produto pós-colheita caracteriza infusão: as famosas fermentações muitas vezes têm adição de leveduras, fungos ou outros microrganismos apenas para potencializar a ação enzimática.

Talvez esta seja a inauguração de um novo tipo de processamento de café, o Café Infusionado, que estará disponível nas gôndolas ao lado dos tradicionais naturais, despolpados, lavados e de fermentações diversas. O grande ponto do debate é a transparência: os compradores não pareciam tão incomodados quando produtores alegavam ter fermentado seus cafés com frutas e garapa. O problema começou quando os ingredientes adicionados passaram a ser utilizados em segredo, junto de narrativas não verdadeiras sobre a origem desses sabores.  

Assim como outros processos que vieram antes, os cafés infusionados vão encontrar defensores e detratores. Mas, antes disso, ainda precisamos responder a algumas perguntas: os critérios de avaliação de cafés que temos hoje se aplicam aos cafés infusionados? Esses cafés terão espaço em concursos e competições? Quais parâmetros constituem uma infusão? A tendência ainda é nova, está viva e aberta a discussão.

TEXTO Gabriel Agrelli Moreira - Gerente de desenvolvimento de mercado da Daterra - e Juliana Sorati - Assessora de marketing na Daterra Coffee

Cafezal

Conheça a produção de cafés especiais do Circuito das Águas Paulista

Foto: Agência Ophelia

Um dos cultivos históricos do Circuito das Águas Paulista é a produção de café. O produto desenvolveu a região nos seus primórdios, apesar de perder a força com a queda de 1929, mas, mesmo assim, permaneceu na região e vive hoje uma nova fase, a dos cafés especiais, que ganhou terreno e notoriedade nos últimos 10 anos. Com a descoberta de particularidades sensoriais, novos usos e qualidades reconhecidas nacional e internacionalmente, a trajetória dos cafés especiais do Circuito das Águas Paulista tem sido extremamente positiva.

De uns tempos para cá, principalmente depois da atuação capitaneada pelo Sebrae junto aos produtores, desde 2012, com implantação de diversos programas, cursos, orientações e até concursos de qualidade, introduzidos pelo Sindicato Rural de Amparo e Região, o Circuito das Águas Paulista se tornou conhecido pelos cafés especiais. Entre os diversos resultados das ações do Sebrae, nasceu a Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap), em 2018, envolvendo os nove municípios do circuito: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Monte Alegre do Sul, Lindóia, Pedreira, Serra Negra e Socorro, com o objetivo de unir esforços dos produtores em busca de qualidade do café, autonomia e desenvolver novos produtos.

De lá para cá, o Circuito das Águas Paulista tem tido destaque no Concurso Estadual de Qualidade do Café de São Paulo e, nesta última edição, 21º Concurso, realizado no dia 20 de dezembro de 2022, contou com 10 finalistas da região e conquistou três prêmios para o Circuito das Águas Paulista, entre 37 finalistas de todo o estado de São Paulo. 

De acordo com dados da Acecap, a região reúne hoje 1.800 produtores, com 7 mil hectares de plantação de café, colheita média de 192 mil sacas de 60 kg, cuja produtividade chega a 28 sacas por hectare. O resultado vem em sua maioria de pequenas e médias propriedades, muitas vezes lideradas por mulheres cafeeiras, com até 50 hectares de produção, o que resulta em um café de produção familiar, cuidado em todas as etapas e muita tradição, passada de geração em geração, alguns chegando à quinta ou sexta geração, especialmente de imigrantes italianos que se instalaram nas fazendas de café da região no século XIX. Há também uma nova onda de cafeicultores que vieram à região atraídos pela qualidade de vida, vocação cafeeira e características produtivas.

“Somos orgulhosos de fazer parte dessa transformação, que incentivou à mudança no modo de produção. Hoje, fico feliz em ver como a região tornou-se conhecida pela produção de cafés especiais, cada vez mais premiados fora daqui”, reforça Roseli Vasco de Toledo, coordenadora do Sindicato Rural de Amparo e Região. O prêmio local, o Concurso Qualidade do Café Circuito das Águas Paulista, já está na 15º edição e é apontado como um dos incentivadores que, junto com outros fatores, levou a essa mudança na qualidade do grão e a uma transição que antes era predominantemente commodity.

“Nesta trajetória, muitos nos deram as mãos e nos conduziram em passos firmes, nos ajudando a construir uma ótima base para os negócios. O Sebrae é a única entidade que olha para o pequeno e médio empresário e os vê sempre como grandes, sempre acreditando nos resultados de seus empenhos”, relembrou Silvia Fonte, presidente da Acecap.

Na última década, o Circuito das Águas Paulista migrou do café de commodity para o café especial, impulsionado também pelo movimento mundial da segunda e terceira ondas do café. A decisão vem dando bons frutos e já desdobra em um fruto de altíssima qualidade para o consumidor, melhor rentabilidade para os produtores, sustentabilidade para um café de montanha, com características de topografia e relevo e no desenvolvimento de produtos associados, um deles é o turismo de experiência e conhecimento, que incrementa a produção agrícola e valoriza ainda mais o produto.

De visitas guiadas às fazendas até lugares charmosos para degustar o “queridinho” dos brasileiros, a região é um bom destino para experiências com café. Cada vez mais propriedades do Circuito das Águas Paulista se abrem para visitações, com atividades orientadas e sensoriais que apresentam o processo de cultivo do café até chegar à xícara. “O turismo de café, de uma maneira geral, está se estruturando na região e representa um potencial de crescimento muito grande, principalmente como oportunidade de negócio para pequenos e médios produtores de café do Circuito das Águas Paulista”, afirma Luiz Eduardo de Bovi, cafeicultor da Fazenda 7 Senhoras Specialty Coffee, um dos premiados no 21º Concurso de Café de São Paulo e que recebe turistas para experiências no cafezal.

Nesta onda, o protagonismo voltou-se às pessoas, os produtores, os profissionais, baristas e microtorrefadores que ampliam seu conhecimento no universo do café, estendendo-o ao seu público e formando os novos consumidores. Foi o que percebeu a produtora de café Márcia Bichara, que também abriu sua propriedade para vivências com uma pousada ecológica no meio da produção de café, o projeto chamado Cafezal em Flor. No roteiro, os turistas têm a oportunidade de conhecer os cafeeiros, as diferentes variedades produzidas na propriedade, os processos de pós-colheita, a torra, o preparo, e deliciar-se em uma cafeteria com os diferentes métodos de extração. “Verticalizamos nossa produção. Nossa proposta vai ao encontro da terceira e quarta onda, onde o consumidor quer conhecimento sobre o quê está consumindo e como foi produzido”, afirma Márcia.

Márcia Bichara e seu filho, Mateus Bichara – Foto: Agência Ophelia

Não basta mais citar o país para falar de origem, mas sim a região produtora, chegando por vezes a um café com assinatura, que aborda a região, o produtor, sua história familiar e da fazenda, como é no mundo dos vinhos. A exigência da qualidade dos grãos aumentou e para extrair e perceber estes níveis surgiram as torras mais claras e controladas, praticamente um processo artesanal que traz a figura do mestre de torra, deixando o café extra forte como coisa do passado. As notas sensoriais ganharam força, com descrição detalhada das nuances obtidas em cada café e um maior interesse dos consumidores pela origem, safra, processo e variedades.

Com o potencial brasileiro, segundo maior mercado global para café, cujo consumo per capita do gira em torno de 6kg/habitante/ano, a região evolui para uma cultura cafeeira com uma nova geração de consumidores, que introduziu o público mais jovem e deixa o café cada vez “mais descolado” e ligado a um estilo de vida. 

Não é por acaso que o Café do Circuito das Águas Paulista tem alcançado prêmios e reconhecimento como região produtora de cafés especiais, com características intrínsecas ligadas principalmente a sua geografia e clima. A região é apontada como ideal para o cultivo do produto, por conta do solo e altitude, melhoramento de variedades advindo das pesquisas do Instituto Agronômico (IAC), além de amplitude térmica com diferentes temperaturas (calor de dia e frio à noite) dentro de uma estabilidade equilibrada, que valoriza a maturação da fruta e resulta na principal característica do Café do Circuito da Águas Paulista, a doçura acentuada e marcante. “Diferente de qualquer região do Brasil, nosso café tem uma doçura aguçada, que se brinca por aqui que o açúcar é colocado no pé de café”, explica a presidente da Acecap, que também é proprietária do Sítio São Roque e se dedica a expansão do café orgânico entre os cafés especiais, tendência também em alta na região.  

De acordo com o barista e mestre de torras Fernando Gomes Moreira, que atua com os cafés da região há 8 anos e acompanha toda essa evolução, o Circuito das Águas Paulista tem clima e altitude favoráveis à produção de um café privilegiado, que chega ao auge de suas características com o desenvolvimento do cultivo de cafés especiais na região, com esse movimento de transição por um café de maior qualidade. De acordo com estudiosos, a soma do terroir da região e a elevação do nível do mar são fatores diferenciais na qualidade do café do Circuito das Águas Paulista, o que provoca nuances únicas à xícara. Isso mesmo: terroir, a palavra francesa utilizada para territórios vinícolas, foi emprestada para o mundo dos cafés especiais, tendo em vista que algumas regiões brasileiras produzem grãos com características muito próprias. 

Dentre outras características, o preenchimento de corpo do café da região também se destaca, que resulta em um café extremamente aveludado, com acidez de frutas amarelas, notas de frutas secas, nozes, caramelo e chocolate, às vezes, floral, sabores e características mais encontradas no café do Circuito das Águas Paulista.

Foto: Divulgação

É por isso que o Circuito das Águas Paulista deu início ao processo de Indicação Geográfica (IG) para reconhecer o café produzido na região. IG é uma identificação de produto ou serviço característico do seu local de origem, que possui uma ligação tão forte com os produtores locais e o território onde são produzidos que podem obter esse reconhecimento. No Brasil, por exemplo, 100 territórios já têm o selo de Indicação Geográfica (IG), programa conduzido pelo Ministério da Agricultura.

Essa classificação é concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) e mostra, sobretudo, que um local ou região tem reputação por produzir um determinado produto, cuja tipicidade e notoriedade ganharam fama. A tradição, o modo de fazer e as características naturais do ambiente influenciam na qualidade final. “Há um vínculo notório do território com o produto, que é percebido pelos viajantes na paisagem, na memória, no modo de fazer e no conhecimento de seus detentores, características que vemos na produção do café relacionado ao Circuito das Águas Paulista”, conceituou o auditor fiscal federal da Superintendência Federal de Agricultura em São Paulo, Francisco José Mitidieri, responsável técnico pelo programa no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Estado de São Paulo.

O processo para obtenção da Indicação Geográfica é mais uma ação liderada pelo Sebrae voltada para o setor, adotado pelo Movimento Líder do Circuito das Águas Paulista, que reúne as principais lideranças da região, com apoio do Instituto Federal de São Paulo, das prefeituras das nove cidades envolvidas, encabeçado pela estruturação da Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap), explica o gerente regional do Sebrae-SP, Nilcio Freitas.

Alguns cafés da região já são exportados para diversos países, especialmente mercados da Europa Ocidental, Leste Europeu e EUA, e já chegaram à Austrália, China, Paraguai, Qatar, Rússia, Eslováquia, Emirados Árabes Unidos e Uruguai. Entre eles, estão os cafés da Fazenda Fronteiras e da Fazenda 7 Senhoras, entre outros.

Mais dados

Números da Casa da Agricultura mostram que a maior concentração do Circuito das Águas Paulista está em Socorro, com 1.033 produtores que cultivam 2365 hectares. Depois vem Serra Negra, com 207 produtores em 2.523 hectares, seguido de Amparo (147 e 900 hectares), Monte Alegre do Sul (120 e 486 hectares) e Águas de Lindóia (94 e 342 hectares). As demais cidades completam 1.800 produtores. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo, sendo que o café especial teve um crescimento de 5,2 milhões de sacas, em 2015, para 8,5 milhões em 2017, de acordo com a Associação Brasileira dos Cafés Especiais (BSCA), além do que a exportação de cafés especiais é um mercado em crescimento de 20% ao ano.

História

O café chegou ao Circuito das Águas Paulista em busca de terras novas, ocupando o espaço de outras culturas e das matas nativas. Começaram então as correntes migratórias. De início, alguns fazendeiros introduziram as experiências com colônias de parceria, deslocando legiões de europeus para a lavoura do café. Campinas introduzira as novidades e seu progresso contaminava as cidades vizinhas.

Há registros em documentos que mostram cidades da região do Circuito das Águas Paulista, como Socorro, com participação do prelúdio da cafeicultura paulista (1840-1895). Por volta de 1840, o município já registrava atividade cafeicultora realizada em pequenas propriedades.

Amparo atingiu seu ápice econômico em 1870, tornando-se um próspero município produtor de café. Com a ferrovia acelerou-se o fluxo migratório e a região multiplicou sua população atraindo investimentos novos, diversificando a economia e gerando um princípio de industrialização. A crise de 1929 represou esse progresso, mas os pés de café nunca saíram da paisagem do Circuito das Águas Paulista, mantendo tradição e histórias que já chegam a 6ª geração de produtores.

Sobre a Acecap

A Associação dos produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap) foi fundada em 26 de janeiro de 2018 e conta, hoje, com 45 associados. Percebe-se que as mulheres estão tomando à frente da administração do agronegócio e, só na associação, já são 21 cafeicultoras. Com o objetivo de promover estudos, pesquisa e o desenvolvimento da produção de cafés especiais, com desenvolvimento sustentável das áreas envolvidas na cafeicultura, a associação acompanha as exigências internacionais da produção desse tipo de produto. Entre os pilares, está o incentivo a práticas de desenvolvimento sustentável.

Foto: Divulgação

Roteiro com algumas propriedades de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista que recebem visitantes:

– Cafezal em Flor – Estrada Monte Alegre do Sul, Km 6 – Falcão, Monte Alegre do Sul
– Café Santa Serra – Estrada Municipal José Renato Pulini Marchi Sítio Santa Rosa Barrocão, Serra Negra
– Fazenda 7 Senhoras Specialty Coffee – Estrada do Serrote, Bairro do Serrote, Socorro
– Família Olivotto – Sítio São João da Serra Bairro da Serra, Serra Negra
– Sítio São Roque – Estrada Municipal Maria Catini Canhassi, S/N – Bairro das Leais, Serra Negra
– Sítio São Fernando Turismo Rural – R. Joaquim Antonio Padula, s/n – Bairro das Leais, Serra Negra
– Sítio São Geraldo – Café Nonno Marchi – Estrada Municipal José Amatis Franchi Bairro da Serra, Serra Negra
– Sitio Nonno Rouxinoli – R. Hermelindo Rodrigues Bueno, 4617 – Mostardas, Monte Alegre do Sul
– Vale do Ouro Verde – Museu do Café – Estrada Municipal Bairro da Serra – km 05, Serra Negra

TEXTO Redação