Café & Preparos

O que é aeropress?

Aeropress

Técnica de infusão de café prática e rápida, a aeropress parece uma grande seringa.

É composta de sete peças (base, porta-filtro, êmbolo, funil, armazenador de filtro extra, dosador e mexedor) que, juntas, trabalham para produzir um café de aspecto intermediário entre espresso e filtrado. Extrai-se a bebida por meio de uma pressão do ar, feita manualmente. O café passa por um filtro fino de papel ou metal (able) e é servido no próprio recipiente.

Foi criada em 2005 pelo engenheiro Alan Adler – da Aerobie, inventor do famoso frisbee, aquele disco de brinquedo. Alan vive na Califórnia, Estados Unidos, e tem mais de 40 patentes de invenções, além de ser apaixonado por aerodinâmica e ter estudado intensamente sobre veleiros, equipamentos para travessias etc.

Site oficial

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(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Da Redação • ILUSTRAÇÃO Stefan Pastorek

Cafeteria & AfinsMercado

Recife recebe circuito do café com cardápio diversificado e bem regional

malakoff recife

Desde o dia 2/5 a cidade de Recife está sediando o primeiro Recife Coffee, circuito de café especial que pretende incentivar o consumo da bebida na capital pernambucana. Quinze cafeterias fazem parte do projeto que, até 29/5, oferece aos clientes diversas opções de harmonizações de salgados e doces, acompanhados de café. Cada casa elaborou a sua Sugestão do Barista com o preço único de R$ 17,90.

O objetivo é incentivar os pequenos negócios da cidade e trazer o público para conhecer as diversas combinações com a bebida. Conheça abaixo quais são as casas participantes e o cardápio sugerido.

Lista das cafeterias participantes

A Vida é Bela – Rua Francisco Lacerda, 394, Várzea
Serve: cappuccino + pãozinho de alho + brownie com cobertura de doce de leite.

Apolo Beer Café – Rua do Apolo, 164, Recife Antigo
Serve: cappuccino + empada de queijo do reino + cookie com nutella.

Bogart Café – Rua Afonso Pena, 96, Boa Vista
Serve: frappé de café + pane romano marguerita + bolo de cenoura com calda de brigadeiro.

Café com Dengo – Rua Teles Júnior, 489, Aflitos
Serve: café com leite + sanduíche de carne de porco desfiada + mini rabanada de café com sorvete de creme.

Café do Brejo – Rua Capitão Lima, 20, Santo Amaro
Serve: sanduíche de suíno + mousse + café.

Ernesto Café – Rua Abelardo, 58, Graças
Serve: espresso + sopa + torta de maçã com canela.

Fervo – Rua Sá e Souza, 878, Setúbal
Serve: cappuccino + tapioca + bolo de rolo.

Lalá Café – Rua Barão de Itamaracá, 284, Espinheiro
Serve: mocca + pão de queijo + bolo de laranja.

Madalena Café – Rua Prof. Benedito Monteiro, 224, Madalena
Serve: macchiato + 1 cuscuz com ragu de carne + pastel de belém.

Malakoff Café – Av. Abdias de Carvalho, 1142, Prado
Serve: café na aeropress + cuscuz recheado com queijo coalho + bolo de tapioca com redução de café.

Na Venda – Rua Amélia, 373, Graças
Serve: café batido com sorvete de chocolate + quiche + bolo.

O Pátio – Av. Rui Barbosa, 141, Entrocamento
Serve: mochacino com gotas de chocolate + empadinha de carne de sol com queijo coalho + bolinho quente com goiabada.

Pequeno Expediente – Rua Mamede Simões, 115, Boa Vista
Serve: cappuccino + sanduíche de parma + mini waffle com morango e nutella.

Tokyo’s Café – Av. Doutor Malaquias, 79, Espinheiro
Serve: espresso + pastel napolitano + cheesecake de goiabada cascão.

Vovó Nice – Rua José Bonifácio, 668, Torre
Serve: espresso + tapioca frango com bacon + cheesecake de frutas vermelhas.

cafe recife coffee

No dia 24/5, Dia Nacional do Café, cada cafeteria fará a arrecadação de material de higiene infantil para ser doado à Creche Nossa Senhora da Boa Viagem, na comunidade Entra Apulso, que atende a 110 crianças menores de cinco anos. O cliente que fizer a doação ganha um espresso na cafeteria em que o produto for entregue.

O Espaço Sensorial do Café, voltado para a formação de profissionais, participa com cursos e degustações durante o período do evento. Já no dia 29/5, das 9h às 16h, será realizado o encerramento do projeto com a ação Café na Rua, na Avenida Rio Branco, em Recife. Quem for ao local tomará café servido por baristas das cafeterias participantes. Em 5/6 a Fazenda Várzea da Onça, produtora do Yaguara Café, em Taquaritinga do Norte, Agreste de Pernambuco promove uma visita técnica a um público previamente inscrito.

A realização do evento é feita em parceria com o Sebrae/PE e MWA Comunicação. O Recife Coffee tem como apoio a Alpha Educação e Treinamento, Arte Café, CoffeeBar, Companhia das Letras, DAM Roupas, Engefrio, Épura Gráfica Digital, Leitíssimo, Prefeitura do Recife, UniNassau e Yaguara Café.

Mais informações

TEXTO Mariana Proença • FOTO Divulgação

A história sem fim não acabou

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Recentemente, ouvi de um amigo: “Não entendo por que vocês, gordos, não emagrecem; sei lá, me parece preguiça”. E de outro: “Acho estranha essa busca de vocês por emagrecer, é meio bizarro que se sintam mal acima do peso”. Fiquei com um gosto amargo na boca, de chocolate com data de validade vencida. (Para contextualizar: meu nome é Pedro e eu sou gordo. Muito prazer).

Os dois casos não são exceção na minha vida. Uma fatia considerável dos meusamigos magros atribui à gordurinha extra a “falta de força de vontade”. E ponto. Outrafatia (com queijo extra, pizzaiolo, por favor) é recheada de gente que desdenhanossa busca por dietas suportáveis e uma rotina na academia: “Nunca precisei dissopara ser magro, só sou assim”.

Esses comentários me lembram a minha infância – e não me refiro ao pudim delicioso da minha avó. Tais amigos me remetem ao livro A História sem Fim, de Michael Ende. Ler A História sem Fim é tal qual comer brigadeiro: você sabe o gosto e adora repetir “só mais uma vez”. Mas perdoe possíveis erros de memória (meus neurônios só funcionam para coisas realmente importantes, como o gosto da sopa de capelete da minha outra avó). Salvo engano, um dos personagens do livro sai da Realidade e vai viver aventuras no reino da Fantasia. Tudo o que ele deseja acontece de uma hora para outra. Mas há um preço: ele se esquece, completamente, do que era antes.

Por exemplo: ele almeja ser rico. Não só se esquece de como era quando não tinha dinheiro, como passa a tratar mal os pobres. Ele se cansa de ser feio e se torna uma espécie de Brad Pitt melhorado – mas, até onde eu saiba, o marido da Angelina Jolie não maltrata os não tão belos.

E, claro, emagrece num piscar de olhos. E passa a tratar mal todos os demais gordinhos. Se eu estivesse no livro, degustando uma deliciosa rabanada, seria humilhado por ele apenas por ostentar uma pança considerável.

Não me lembro com detalhes do final do livro (não acredite no título: a história termina, e é maravilhosa). Mas, às vezes, me parece que algumas pessoas fazem o caminho inverso ao dele. Elas vivem num reino que para elas é Realidade, mas, para nós, gordinhos, é Fantasia: aquele em que você não engorda nem se só se alimentar de sorvete de guaraná (anote a receita: uma lata do refrigerante em questão, outra de leite condensado, bata no liquidificador e deixe no congelador por algumas horas). Tal qual o personagem, essas pessoas sofrem da falta de empatia, de se colocar no lugar do outro. E isso, infelizmente, não tem livro que ensine. Pior: para a falta de carinho, não tem banana split que compense. Gosto de pensar que a história sem fim realmente não acabou – nem para eles nem para mim. Só terminará quando aprendermos tudo. Ou seja, nunca. Até lá, vou pegar só mais um pedacinho da sobremesa.

*Pedro Cirne é chefe de reportagem do UOL Notícias. Fale com o colunista pelo e-mail aftertaste@cafeeditora.com.br
O texto deste colunista não reflete necessariamente a opinião da revista.

ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes

Cafeteria & Afins

Feito a Grão – Salvador (BA)

{Outra Esquina – Torra Fresca – Microtorrefações pelo Brasil}

Cafeteria Feito a Grão_Torra

Há pouco mais de um ano, a Feito a Grão inaugurou sua microtorrefação para atender às próprias cafeterias, comercializar microlotes na loja on-line e planejar a criação de blends exclusivos para outras marcas. A torrefadora fica na loja central da rede, no bairro de Itaigara.

O proprietário Marcelo Szporer trabalha com grãos originários de Matas de Minas (MG), Serra do Caparaó (entre MG e ES), Montanhas do Espírito Santo (ES) e Piatã (BA). A casa não oferece cursos de torrefação, mas mantém o de barista há dois anos.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016. Sugerimos consultar o lugar para horários de funcionamento e mais informações)

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua das Hortências, 918
Bairro Itaigara
Cidade Salvador
Estado Bahia
País Brasil
Website http://www.feitoagrao.com.br
Telefone (71) 3018-5288
Horário de Atendimento De segunda a domingo, das 7h às 22h
TEXTO Janice Kiss • FOTO Divulgação

Barista

São Paulo recebe palestras gratuitas com especialistas internacionais

barista farmer

O grupo O’Coffee está sendo palco da terceira edição do reality show de café Barista&Farmer, idealizado pelo italiano Francesco Sanapo. Por conta do evento, três especialistas internacionais, que também são juízes do programa, oferecerão palestras gratuitas na cafeteria Octavio Café, em São Paulo. As aulas terão duração de 50 minutos cada, no dia 12 de maio.

Interessados devem enviar e-mail para cursos@octaviocafe.com. Como a iniciativa busca dar oportunidade a várias pessoas, os participantes poderão escolher apenas uma das três palestras. “Como são 40 vagas para cada apresentação, a inscrição será por ordem de recebimento. Um e-mail será enviado àqueles que entrarem em contato com o Octavio Café para inscrição, confirmando ou comunicando que a turma já foi preenchida. Por isso, façam suas inscrições o mais rápido possível”, diz Tabatha Creazo, Gerente de Qualidade e Treinamento do Octavio Café.

Programação

15h30 – Francesco Sanapo: “A atitude dos baristas”
Em grande parte da Itália e, particularmente, no eixo sociocultural de Florença, onde a indústria do espresso é firmemente institucionalizada e a cultura das cafeterias está profundamente fixada, qualquer tentativa de introduzir novos pensamentos sobre o assunto é vista como um desafio. Francesco Sanapo, eleito o melhor barista italiano por três vezes, abriu o luxuoso Ditta Artigianale, em Via dei Neri, no centro de Florença, em 2013. Sanapo abriu recentemente uma segunda casa em Oltrarno, ainda maior que a primeira. Com restaurante no segundo andar também inclui um moderno menu de coqueteis e cafés torrados pela Ditta Artigianale.

francesco sanapo

16h30 – Sonja Grant: “Cafeterias e microtorrefações: A perspectiva dos baristas, proprietários e consumidores na criação de algo com suas próprias ideias e a comunicação entre o barista e o consumidor”
Uma das figuras mais queridas da comunidade internacional do café, Sonja Bjork Grant já foi conselheira no World Coffee Events e viaja pelo mundo certificando juízes internacionais e como jurada em campeonatos nacionais. Grant é envolvida com o mundo do café desde 1995, quando começou sua carreira na Kaffitar, em Reykjavik (Islândia). Desde então, tem sido parte integrante do circuito internacional do café.

sonja grant

17h30 – Andrej Godina – “Extração de espresso e análise sensorial”
Godina vive em Florença (Itália), mas nasceu e cresceu em Trieste, o porto italiano mais importante para a importação de café verde. Ele nasceu em uma tradicional família portuária, e desde muito cedo, acompanhou seu pai na inspeção dos cafés. Godina seguiu os passos do pai e se tornou inspetor de qualidade, mas após um curto período, se apaixonou pelo mundo do café e passou a frequentar aulas específicas. Hoje, é PhD em Ciência, Tecnologia e Economia do Café na Universidade de Trieste, além de instrutor autorizado e Mestre Barista no SCAE (Speciality Coffee Association of Europe) e consultor de torrefadoras italianas e empresas de café.

barista farmer 2

Barista & Farmer é um projeto de educação. Este ano, escolheu o Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, para sediar a competição. “Estar neste país só é realidade graças à amizade com Edgard Bressani e parceria com a O’Coffee – Brazilian Estates. Iremos proporcionar uma experiência de alto nível para os participantes”, conta Francesco Sanapo. A Revista Espresso irá publicar uma reportagem completa sobre o Barista&Farmer na próxima edição.

barista farmer

Mais informações

Onde: Octavio Café (Avenida Brigadeiro Faria Lima, 2.996, Jardim Paulistano, São Paulo)

Quando: 12/5 (quinta-feira, às 15h30, 16h30 e 17h30)

Inscrições no curso: cursos@octaviocafe.com

 

 

TEXTO Mariana Proença • FOTO Dino Buffagni/Barista & Farmer e Mariana Proença/Café Editora

Receitas

Revolver

drinque

Ingredientes
• 60 ml de uísque Jack Daniel’s
• 15 ml de licor de café
• 2 gotas de orange bitters

Preparo
Coloque todos os ingredientes em uma coqueteleira com gelo e bata durante 10 segundos. Em seguida, coe em uma taça de dry martini. Finalize com uma casca de laranja-baía.

Rende 1 porção

(Receita originalmente publicada na edição impressa da Revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016).

FOTO Daniel Ozana/Studio Oz/Café Editora • RECEITA Por Pablo Muniz, Chef do Bar Tigre Cego

Café & Preparos

Tulipa Ruiz e o café

tulipa

“Para mim, café combina com encontro.”

Se eu quero fazer um tricô com alguém, o café é com certeza o ponto de partida”, brinca a cantora Tulipa Ruiz sobre a sua relação com a bebida. Por não ser fã de leite, Tulipa toma, desde pequena, café coado todos os dias pela manhã. “Eu ganhei de uma amiga um minicoador com suporte para xícara pequena. É a coisa mais linda tomar café desse jeito, pois parece que estou brincando de casinha”, diverte-se.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Leonardo Valle • FOTO Lucas Albin / Agência Ophelia

Cafezal

Aquarela mineira

Fazenda Mantissa

A Fazenda Mantissa, no Sul de Minas, mostra que produção de qualidade se faz com bons profissionais e natureza em equilíbrio.

Um lindo céu azul de anil. Foi ele que recebeu a nossa equipe na visita que fizemos à Fazenda Mantissa, na cidade de Campestre, Sul de Minas Gerais. Cercada por montanhas e verdes matas, a propriedade investe no cultivo de café desde 1998 e há cinco anos trabalha a marca própria para agregar valor ao grão, melhorar a qualidade e ser uma vitrine da produção. A fazenda faz parte dos negócios do Grupo Agro Fonte Alta, que em 1994 contratou o técnico agropecuário Evandro Vilas Boas de Carvalho, hoje responsável pela recepção dos cafés no pós-colheita, o benefício por via úmida, a secagem, o rebenefício e a classificação. Foi ele quem encontrou a área e disse para os sócios do grupo que ali seria um bom lugar para desenvolver a produção do grão. “Então, nós começamos a plantar os cafeeiros. Foram 200 mil pés e em 1998 começamos a operação e fomos expandindo até chegarmos às 580 mil plantas. Mudou muito”, conta ele.

Nascer do dia no Sul de Minas

Nascer do dia no Sul de Minas

Três anos depois, as colheitas começaram e Evandro, atento, percebeu que os cafés apresentavam notas de destaque. Correu para o grupo e disse que ali tinha coisa boa e que valia a pena investir. Com isso, toda a infraestrutura, desde o terreiro até os maquinários para processamento, secagem e benefício, foi renovada e com a chegada dos novos equipamentos o foco na qualidade se intensificou. A princípio, os grãos da Mantissa foram para uma cooperativa e, classificados, despertaram ainda mais interesse. “A partir daí a evolução foi natural e começamos a vender para a illy, ficando sempre entre os finalistas na premiação que eles fazem anualmente com os produtores, fornecedores da marca. Nós sabíamos que tínhamos um produto diferente”, diz Evandro.

José Roberto checa o termômetro instalado na lavoura. Ele conta com a ajuda da tecnologia para monitorar clima, incidência de chuva e altitude

José Roberto checa o termômetro instalado na lavoura. Ele conta com a ajuda da tecnologia para monitorar clima, incidência de chuva e altitude

Em harmonia O profissional é um dos elos que unem a forte cadeia de produção na fazenda. Ele está sempre conectado com o administrador José Roberto Silva – que hoje faz o trabalho que Evandro fazia na lavoura quando começou, entre controle de produção, gerenciamento de mão de obra, tratos culturais e fitossanitários – e com o supervisor de qualidade Leonardo Custódio dos Santos. A conversa entre esses três é um dos fatores que dão liga aos cafés Mantissa. “O que a gente tenta fazer é equilibrar a natureza. Ela tem seu curso próprio e é ela que dita o rumo que vamos dar ao café”, explica José Roberto. Para o plantio, Evandro optou por variedades mais resistentes a doenças e José Roberto dá continuidade ao trabalho. “A gente faz o mínimo possível de intervenção, fazendo o controle integrado, mapeando a lavoura para avaliar a incidência de praga e a necessidade de controle químico. Neste ano, por exemplo, não precisou”, afirma José Roberto,que está investindo cada vez mais na fertilização para diminuir a aplicação de agrotóxico na plantação. “Só tem uma aplicação de herbicida e em proporção menor. Existem os inimigos naturais da broca e temos as barreiras da natureza – mata, reserva – ao redor da fazenda que contribuem para esse trabalho”, diz Zé, como é conhecido entre os colegas. A propriedade não tem sistema de irrigação, mas, segundo o administrador, esse não é o problema. “No ano passado é que foi mais difícil por conta do déficit hídrico. Neste ano estamos mais tranquilos.”

Guiga e Nassime provam e aprovam o café da marca na cafeteria. Leonardo entre as sacas de café prontas para a torra

Guiga e Nassime provam e aprovam o café da marca na cafeteria. Leonardo entre as sacas de café prontas para a torra

Já Leonardo Custódio é, como ele mesmo diz, “o chato da empresa”. É ele quem conecta todo o trabalho realizado no campo à torrefação e às cafeterias e trabalha junto com o consultor em Marketing e Qualidade de Cafés Especiais, Ensei Neto, para melhorar ainda mais os grãos Mantissa. “A qualidade veio bastante com a chegada do Ensei. Ele nos ajuda a selecionar os cafés pré-classificados, a produzir um café melhor, a definir os perfis de torra e a identificar os microlotes”, diz Léo, mostrando o laboratório onde faz as análises dos grãos e onde chega a provar quinze ou vinte vezes por dia um mesmo café até se sentir satisfeito. Metódico e criterioso, ele prefere degustar os cafés em silêncio para conseguir se concentrar nas amostras. “Nós vendemos nosso café para cafeterias e eu guardo a amostra do que eu mandei para manter um controle do que comercializamos”, conta. Há cinco anos na Mantissa, Léo criou um projeto para trazer os donos de cafeterias até a fazenda a fim de que eles possam entender todo o processo de produção que envolve o café. “Isso é feito com cafeterias de todo o Brasil que usam o nosso café. Dessa maneira, as pessoas conseguem compreender o resultado final na xícara. De nada adianta um trabalho bem realizado na fazenda se for parado na ponta final que é a cafeteria. O café tem que ser bem extraído para você conseguir todo o potencial dele”, comenta Léo, que também prova os grãos da marca em diferentes métodos, como Hario V60 e espresso, para saber como eles estão se comportando em cada equipamento. “A proposta do café Mantissa é ser equilibrado. Ele é doce, com bom corpo, uma bebida limpa. Hoje o blend é composto das variedades catuaí vermelho, catuaí amarelo e bourbon amarelo, mas as proporções podem variar dependendo da safra.” Para breve, ele planeja um novo laboratório, maior, para oferecer cursos de degustação e classificação. Microlotes A safra, a propósito, chega a uma média de 4 mil sacas, na colheita que é feita de maio a setembro, manual e mecanizada. José Roberto explica que, por causa do valor e da escassez de mão de obra, a mecanização vem se tornando cada vez mais real na propriedade, mas que a colheita manual será mantida por haver áreas de difícil acesso ao maquinário e plantas mais jovens. Após colhidos, os grãos seguem para a Estância Fonte Alta, propriedade vizinha de apoio à fazenda, onde estão instalados o laborário de provas, as estruturas de secagem e benefício e a torrefação. Quem conhece Evandro Vilas Boas vai dizer que é por lá que a mágica acontece, literalmente, já que, entre uma olhada no café e outra, ele exibe os seus talentos de mago brincando um pouco com cartas e fazendo a alegria dos colegas de trabalho – e a dos repórteres. A mágica é um hobby de Evandro, mas com café não tem fantasia. “É o café que me diz o que eu vou fazer com ele”, nos conta o técnico agropecuário que também é degustador Q-Grader e participa como juiz de concursos da Brazil Specialty Coffee Association (BSCA). “O que eu tenho percebido é que existe uma procura por cafés um pouco mais exóticos e, por esse motivo e para agregar valor ao produto, estamos com foco nos microlotes em alguns lotes que têm características diferentes. O futuro é aperfeiçoar a qualidade e manter o padrão. Quem não tiver produtividade e qualidade está fora do mercado”, completa. O mais recente microlote da Mantissa se chama Origem e traz a variedade bourbon amarelo, rastreada desde a lavoura. Além da área de beneficiamento, que guarda história com uma máquina de benefício de 1917 e que em breve deve ser restaurada, a secagem também chama atenção não só pelo conhecido terreiro pavimentado, mas também pelo terreiro suspenso de sistema basculante desenvolvido por Evandro, com uma inclinação que facilita a retirada dos grãos. A linha de secagem conta ainda com dois secadores mecânicos que utilizam a palha de sobra do café, que serve de matéria orgânica e fonte de energia calorífica na fornalha, substituindo a lenha em até 50%.

Evandro é um dos responsáveis pelo sucesso da Mantissa. Atento, ele identificou os bons cafés da propriedade e implementou sistemas de secagem e seleção dos grãos para aumentar a qualidade

Evandro é um dos responsáveis pelo sucesso da Mantissa. Atento, ele identificou os bons cafés da propriedade e implementou sistemas de secagem e seleção dos grãos para aumentar a qualidade

Após o benefício (retirada do pergaminho) e o rebenefício (separação por peneira, classificação por densidade e cor), os grãos vão para a sala de classificação física e sensorial ainda com Evandro. O trabalho continua com Léo e Ensei, que, depois de análises e definição de torra, enviam o café para a torrefação, área vizinha ao laboratório. Por lá, quem manda é José Antonio dos Santos, o Seu Zé. Ele toca o trabalho em um torrador Lilla de 45 quilos. Na Mantissa há muitos anos, ele começou na lavoura e foi conquistando reconhecimento até chegar a fazer cursos, aprimorar-se e ser o responsável pela torra. “Eu nunca pensei que iria conseguir fazer isso. É muito detalhe, muita atenção, muito cuidado. Eu torrava na classificação para prova, mas aqui, com esse maquinário e o volume, é muito diferente. Se você erra, você perde dinheiro. Tem que ter muita atenção”, conta ele. O futuro da região Os dois últimos elos dessa cadeia são Nassime Raydan e Regiane Source. Nassime é gerente comercial e Regiane, mais conhecida como Guiga, é responsável pela parte estratégica e pelo marketing, além de cuidar da exportação do café verde e do preparo para certificação. A dupla leva os cafés da marca para o mundo e sabe dos benefícios de uma cadeia de produção forte. “Você tem que atentar para o detalhe. Se uma peça cair, todos caem. É um efeito dominó. Todos os processos devem estar interligados”, diz Nassime. “Pelo trabalho que fazemos, podemos ver que o café está cada vez mais consolidado. Nós gostamos daquilo que fazemos e o grupo confia em nós, então, fica fácil”, completa Guiga.

José Roberto confere os cafés na lavoura

José Roberto confere os cafés na lavoura

A conexão vai além e, para este ano, o Grupo Fonte Alta está fazendo um investimento em um novo armazém. O espaço será totalmente automatizado e deve receber cafés de produtores da região que desejarem fazer o processamento, a secagem, o benefício e o rebenefício no local. A nova estrutura vai contar ainda com centro de degustação e pretende identificar microlotes, servindo de ponte entre cafeicultores e torrefações. “Nós queremos valorizar a região como um todo, porque aí o comprador vai olhar para essa área como boa produtora de cafés especiais”, finaliza Evandro.

Isaias José da Silva acerta os últimos detalhes nos secadores mecânicos e o responsável pela torra, José Antonio dos Santos

Isaias José da Silva acerta os últimos detalhes nos secadores mecânicos e o responsável pela torra, José Antonio dos Santos

Ficha técnica

Fazenda Mantissa Localização Campestre (MG) Região Sul de Minas Altitude média 1.200 metros Produção anual 4 mil sacas (média) Área total 170 hectares Área plantada 116 hectares Número de cafeeiros 580 mil Colheita manual (40%) e mecânica (60%) Período da colheita de maio a setembro Processamento via úmida (cereja descascado sem remoção de mucilagem) Secagem terreiro pavimentado, terreiro suspenso, secadores mecânicos Variedades catuaí vermelho, catucaí amarelo, icatu amarelo, mundo novo, acaiá, tupi, bourbon amarelo Selos Certifica Minas, Brazil Specialty Coffee Association (BSCA), 4C (Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Hanny Guimarães • FOTO Lucas Albin / Agência Ophelia

Mercado

French press ultramoderna

alphadominche

O objetivo aqui é diminuir as variáveis que possam alterar o sabor e o aroma que se deseja extrair do café. Após diversas provas e testes pós-torra, o barista deve saber qual é o potencial que alcança aquela bebida. Muitas vezes sem um controle preciso de temperatura da água, pré-infusão, extração, etc., as características sensoriais do café mudam consideravelmente. A Steampunk é um lançamento da Alpha Dominche, empresa de Salt Lake City, em Utah (EUA), que vem com a proposta de oferecer design moderno, limpo e atrativo para o cliente. A temperatura da água e a quantidade são controladas por um aplicativo conectado à máquina, assim como a quantidade de café, o tempo de pré-infusão e também de “agitação” a que o café será submetido por alguns minutos. A pressão é dada por um acessório bem parecido com um filtro de french press. O preparo lembra bastante a Trifecta, da norte-americana Bunn. O resultado é um café limpo. Também é possível mudar o perfil do café com filtros de papel e com mais ou menos perfurações nos filtros opcionais. O equipamento também aceita folhas de chá. A modernidade no design atraía quem andava pelos corredores da feira. www.alphadominche.com

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(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Divulgação

Café & Preparos

Três maneiras diferentes de preparar café

Inventores mundo afora levam bastante a sério o grão. De olho nas necessidades do mercado e em busca de criar algo que facilite as próprias demandas, eles constroem novos métodos e nos deixam ansiosos para prová-los. Conheça alguns projetos: Stagg Pour-Over Kettle Método de preparo Stagg Pour-Over Kettle A chaleira com design minimalista e corpo http://cellphonespyappon.com/ de aço inoxidável promete mais precisão na hora de preparar o café. Possui termômetro acoplado, cabo ergonômico e bico que facilita o controle do fluxo de água. Mais informações: fellowproducts.com/stagg-kettle Bruvelo Coffee Maker Método de preparo_Bruvello Coffee Maker Em fase de finalização, o equipamento contou com apoio do Kickstarter, site de financiamento coletivo. Com a proposta de ser uma máquina automática que acompanha todos os processos de preparo, a Bruvelo mói o grão, aquece a água, phone spy facebook filtra a bebida e entrega uma xícara de café fresco ao consumidor. Mais informações: www.bruvelo.com Cafflano Coffee Brewer Método de preparo_Cafflano Coffee Brewer Mais um equipamento que promete cobrir todas as fases de preparo spy cell phone do café, com a vantagem de ser compacto e poder ser levado para qualquer lugar. Com o Cafflano é spy phone software generator full unlimited possível moer manualmente os grãos, filtrar o pó e a bebida cai em uma caneca, já pronta para beber. Mais informações: cafflanoshop.com

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação
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