Mercado

Lula diz estar “convencido” de que tarifas ao Brasil terão solução nos próximos dias

Em coletiva na Malásia após encontro com o presidente dos EUA, Lula demonstrou otimismo quanto à redução das tarifas; entidades do setor, como BSCA e Cecafé, comemoram retomada do diálogo e veem chance de avanço para o café brasileiro

Em coletiva nesta segunda (27), no horário da Malásia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou estar “convencido de que haverá uma solução para as tarifas impostas ao Brasil por Trump nos próximos dias”. A informação é do jornal Folha de S.Paulo.

As declarações foram feitas um dia após o encontro entre Lula e o presidente dos EUA, Donald Trump, em Kuala Lumpur, na Malásia, à margem da Cúpula da ASEAN (Associação das Nações do Sudeste Asiático), evento para o qual ambos foram convidados, para tratar das tarifas impostas pelos EUA aos produtos brasileiros.

O encontro realizado no domingo (26), que durou 45 minutos, foi o primeiro passo para a retomada formal das negociações sobre o elevado nível de tarifas aplicadas pelos Estados Unidos aos produtos do Brasil. Até o momento, não houve anúncio público de que as tarifas serão efetivamente reduzidas ou anuladas.

Mesmo assim, entidades brasileiras do setor, como a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), mostraram-se otimistas com a reunião entre os dois líderes.

Para a BSCA, o encontro “representa uma perspectiva concreta de solução para as tarifas aplicadas ao setor cafeeiro”. Já o Cecafé celebrou a retomada do diálogo entre Brasil e Estados Unidos em Kuala Lumpur. Enquanto aguarda “resultados concretos” a partir do encontro, a entidade destacou que uma solução para as isenções atualmente aplicadas ao setor do café “contribuirá para o recuo da atual pressão inflacionária ao produto no mercado dos EUA e para o fortalecimento da sustentabilidade de toda a cadeia produtiva brasileira”.

A aproximação entre os dois países ocorre em um momento de forte volatilidade nos preços internacionais de café e incertezas no comércio global do produto.

TEXTO Redação

Cafezal

Coffee of the Year divulga lista das 180 amostras classificadas de 2025

Belo Horizonte_MG, 09 de novembro de 2018 CAFE EDITORA_SEMANA INTERNACIONAL DO CAFE Fotos dos visitantes e expositores durante a semana internacional do cafe, que acontece no expominas. A feira e um encontro de cafeicultores, torrefadores, compradores, fornecedores, empresarios, baristas e apreciadores da bebida. Foto: Marcus Desimoni / NITRO

Foi divulgada nesta sexta (24) a lista dos classificados do Coffee of the Year 2025. O concurso, que este ano bateu recorde e avaliou 601 amostras, selecionou os 180 cafés mais bem pontuados (150 arábicas e 30 canéforas) na fase de avaliação dos Q-Graders e R-Graders. Clique aqui e confira os nomes.

Essas amostras ficarão disponíveis nas Salas de Cupping durante a Semana Internacional do Café, de 5 a 7 de novembro, em Belo Horizonte (MG), para serem provadas por compradores nacionais e internacionais. A ordem das rodadas será divulgada na próxima quarta (29), no site oficial da SIC.

Ainda durante o evento, os 15 cafés mais bem pontuados (dez arábicas e cinco canéforas) entre os 180 selecionados estarão disponíveis nas tradicionais garrafas térmicas (pelo método filtrado) para voto do público – que definirá a classificação final e os grandes campeões.

A cerimônia de premiação acontece no último dia de SIC, às 15h, no Grande Auditório. 

Semana Internacional do Café 2025
Quando: de 5 a 7 de novembro de 2025
Onde: Expominas – Belo Horizonte (MG)
Quanto: R$ 75 (para o dia 7) e R$ 150 (com direito aos 3 dias)
Mais informações: www.semanainternacionaldocafe.com.br 

TEXTO Redação • FOTO NITRO/Semana Internacional do Café

A China como fiadora do mercado do café

Por Gustavo Paiva

Nas últimas semanas, vivenciamos a escalada das tensões tarifárias impostas pelo presidente Donald Trump a aliados e adversários dos Estados Unidos ao redor do mundo. Entre os quinze maiores produtores de café robusta e arábica, mais da metade sofreu algum tipo de aumento tarifário. Entre os quinze maiores consumidores, em sua maioria países europeus e aliados dos EUA, absolutamente todos sofreram aumento.

Em um momento de níveis historicamente baixos de estoque e de consumo relativamente resiliente ao aumento de preços, pode-se perguntar quem seriam os grandes vencedores e perdedores de tais tarifas. O produtor brasileiro, no momento, tem a preocupação legítima em relação ao final da sua própria safra, e como comercializar o produto que acabou de ser colhido.

Primeiro, os grandes perdedores deste novo sistema tarifário tendem a ser as empresas e consumidores de países não produtores de café. Importante lembrar que as empresas nestes países consumidores estão trabalhando com estoques baixos devido ao aumento na taxa de juros nos países importadores, e ao aumento do preço devido à baixa produção das últimas safras.

Este cenário implicou em um corte na margem de lucro ou no repasse do aumento do preço ao consumidor final. Sem muita margem de manobra, empresas terão de arcar com um novo corte de lucro ou, então, um novo repasse ao consumidor. Importante lembrar que uma parte relevante das exportações de café é feita entre as próprias multinacionais, em que a empresa exportadora faz parte do mesmo conglomerado que a empresa importadora.

Do lado ganhador, até o momento, encontra-se antes de mais ninguém a China. Devido a esta conjunção de fatores, o país tem uma chance histórica: a possibilidade de deixar de ser um promissor mercado emergente, para ser um ator central no presente e detentor de consideráveis níveis de estoques de cafés.

É válido ressaltar que, mesmo que não se consuma uma quantidade importante de café, qualquer país pode ser um agente relevante do mercado, comprando e vendendo contratos e pressionando o preço para cima ou para baixo conforme seus próprios interesses. 

Só neste ano, o governo de Pequim reservou pouco mais de US$ 24 bilhões apenas para estocar cereais, óleos alimentícios e outros itens. A ideia por trás desta medida é implementar uma reserva de produtos alimentares que não são produzidos na China e reduzir a dependência chinesa de outros países como Estados Unidos, Brasil e membros da União Europeia. Ainda não está claro se tal estratégia seria praticada no café, visto que o consumo per capita anda baixo.

Recentemente, a China habilitou diversos exportadores brasileiros a comercializarem com o país. Mesmo que a iniciativa não signifique a certeza de comércio, ela acaba facilitando o fluxo de transação do grão brasileiro e simplifica a burocracia para exportar. As importações de café pela China bateram recordes até 2023, recuando um pouco no ano seguinte.

Ainda no cenário do sudeste asiático, temos grandes países produtores com uma considerável população consumidora, que ainda consome um volume relativamente baixo por questões culturais e financeiras. Com a queda do preço no mercado interno, consumidores locais podem ter um incentivo à mudança cultural e substituir o café pelo chá. 

Ou, ainda, um incentivo ao comércio regional dentro dos países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático, que conta com dois grandes produtores de café – Indonésia e Vietnã –, um grande consumidor – Filipinas –, e uma população total de 670 milhões de pessoas, três vezes maior do que a população brasileira.

Portanto, se a estratégia do governo de Donald Trump buscava distanciar o Brasil da China e causar prejuízos às empresas daqui, a medida pode estar chegando em um péssimo momento e acabar gerando um efeito reverso. Os estoques de café e outros produtos alimentares estão historicamente baixos nos Estados Unidos, o que pode implicar um aumento de preços e inflação no curto prazo. Além disso, pode acabar aumentando a importância da China em mercados onde os Estados Unidos possuíam hegemonia, fazendo, ainda, o país perder o poder de barganha e de acesso aos estoques de matérias-primas.

Gustavo Magalhães Paiva é formado em relações internacionais pela Universidade de Genebra, é mestre em economia agroalimentar e foi consultor das Nações Unidas para o café.

Barista

Australiano vence o Campeonato Mundial de Barista em Milão

Em um palco que celebra a precisão e a paixão pelo café, o australiano Jack Simpson, da Axil Coffee Roasters, conquistou o título de Campeão Mundial de Barista 2025, durante a HostMilano, em Milão. A competição, realizada entre 17 e 21 de outubro, reuniu profissionais de mais de 50 países e colocou à prova inovação, técnica e criatividade, elementos que definem o futuro do café de especialidade.

O pódio foi seguido por Simon SunLei, da Marus Coffee (China), em segundo lugar, e Ben Put, da Monogram Coffee (Canadá), em terceiro. Representando o Brasil, Emerson Nascimento, do Coffee Five (RJ), encerrou sua participação em 19º lugar, após uma apresentação elogiada por sua consistência e performance.

Apresentação do brasileiro Emerson Nascimento no Campeonato Mundial de Barista 2025

Classificação final – Campeonato Mundial de Barista 2025

1º lugar Jack Simpson (Austrália)
2º lugar Simon SunLei (China)
3º lugar Ben Put (Canadá)
4º lugar Jason Loo (Malásia)
5º lugar Hiroki Ito (Japão)
6º lugar Christopher Sahyoun Hoff (Dinamarca)

A vitória de Simpson não surpreende quem acompanha a cena australiana. Melbourne, sua cidade natal, é reconhecida como uma das capitais mundiais do café e abriga a Axil Coffee Roasters, cafeteria e torrefação que detém o título nacional de barista há três anos consecutivos. Parte desse sucesso se deve justamente à Simpson, que acumula dois desses títulos e já havia sido vice-campeão mundial em 2024.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Café & Preparos

Encontros e workshops movimentam a programação da SIC 2025

Painéis, seminários e atividades práticas refletem a diversidade da cadeia cafeeira em debates sobre inovação, sustentabilidade e novos mercados


Palestras, reuniões técnicas e atividades práticas movimentam os espaços da Semana Internacional do Café (SIC) 2025 dentro da atração Encontros & Workshops – um dos eixos que mais refletem a diversidade da cadeia cafeeira no evento, que acontece de 5 a 7 de novembro em Belo Horizonte. A programação conecta produtores, torrefadores, baristas, cooperativas e especialistas em painéis voltados à inovação, sustentabilidade e negócios.

O ano dos canéforas
Este ano, os cafés canéfora se destacam entre as atividades em espaços como a sala Inteligência de Mercado, que promove encontros e debates sobre tendências globais, estratégias de mercado e sustentabilidade, e a Cafeteria Modelo, voltada ao conhecimento prático do cotidiano de uma coffee shop.  

No dia 6, às 17h, haverá o lançamento de clones de conilon de altitude. Apresentado pelo pesquisador Fábio Partelli, da Universidade Federal do Espírito Santo, os novos clones revelam a adaptabilidade, o vigor e a produtividade desta variedade de canéforas em altitudes elevadas. No dia anterior, Leandro Paiva, do Instituto Federal do Sul de Minas, faz uma abordagem profunda sobre a torra dos canéforas (dia 5, às 13h). “Falaremos sobre as diferenças de torra entre arábica e canéfora, mas o mais importante é frisar a diferença entre os clones de robusta e conilon”, explica Paiva. “As diferentes densidades e formatos dos grãos dos clones é que trazem uma diferença significativa para os processos de torra.” 

A diversidade de sabores desta espécie serão, ainda, descortinados na palestra “Apresentando a roda de sabores do canéfora”, fruto de um estudo, divulgado este ano por cientistas brasileiros, que identifica 103 descritores sensoriais para a espécie com o intuito de promover seu valor no mercado de cafés especiais. 

No dia 6, às 17h30, os robustas amazônicos são tema do “COP na SIC: Robusta, a força sustentável do café na Amazônia”, um encontro de mais duas horas que revela o protagonismo desses cafés na região norte do país. A programação reúne especialistas, pesquisadores e produtores que vêm transformando (e espalhando) o cultivo de canéforas na região em termos de qualidade, inovação e sustentabilidade.

Entre os destaques do encontro estão os painéis “Mercado e oportunidades para os cafés amazônicos” – conduzido por especialistas como o especialista em cafés especiais Silvio Leite, Aguinaldo Lima (Abics), Pedro Lima (Grupo 3corações) e Juan Travain, presidente da Associação de Produtores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon) – e “Ciência e evolução dos robustas brasileiros”, que trata dos avanços em pesquisa, manejo e genética que têm redefinido o cultivo de canéforas no país. Deste último participam os cientistas Lucas Louzada (Mió Coffee Limited), Lívia Lacerda (UnB), Carlos Ronquim (Embrapa Territorial) e Enrique Alves (Embrapa Rondônia). O encontro ainda conta com o lançamento de um minidocumentário sobre os robustas amazônicos e encerra com degustação técnica e coquetel com produtos da Amazônia. 

Por uma cafeicultura mais sustentável
Durante os três dias da SIC (das 8h às 11h), o consórcio Ecoffee – iniciativa internacional de pesquisa pré-competitiva que reúne grandes empresas do setor, como illycaffè, Melitta e JDE Peet’s – promove três workshops para discutir sustentabilidade da cafeicultura, numa aproximação entre ciência e indústria. Os encontros serão restritos a convidados. “O objetivo deste workshop é atrair pessoas da área de sustentabilidade e promover a cooperação entre esses atores em torno da redução da presença de resíduos na cafeicultura”, diz Robert Weingart Barreto, fitopatologista da Universidade Federal de Viçosa, que lidera no Brasil as pesquisas do consórcio, criado em 2020 por iniciativa do Cirad, instituição pública francesa dedicada à pesquisa e à cooperação internacional em agricultura tropical. “Precisamos agir rápido para reduzir a dependência de insumos e tornar a produção de café realmente sustentável, em linha com as exigências cada vez mais rigorosas do mercado”, analisa Barreto. O pesquisador apresentará um diagnóstico sobre o uso de pesticidas na cafeicultura do Brasil, Vietnã, Nicarágua e México, além dos principais entraves e caminhos para reduzir sua aplicação.

Espírito colaborativo
Durante os três dias de SIC também marcam presença encontros que refletem o espírito colaborativo que move o setor, reunindo lideranças, produtores, jovens e mulheres em debates estratégicos sobre o futuro da cafeicultura. Na quinta-feira às 8h, o tradicional Encontro Internacional das Mulheres do Café — promovido pela IWCA Brasil — vai reunir profissionais de toda a cadeia para discutir desafios e conquistas que fortalecem o protagonismo feminino, enquanto às 15h, o Encontro dos Jovens do Café, em sua quarta edição, promoverá o diálogo entre novas gerações e o campo, estimulando a sucessão e a inovação na atividade. 

Já na sexta (7), às 8h, o Encontro Técnico ATeG abre a programação com foco em capacitação e troca de experiências entre técnicos e produtores atendidos pelo Sistema Faemg Senar (o evento é restrito a convidados). Das 13h às 14h30, a reunião do Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira trará, a convite da SIC e pelo segundo ano consecutivo, representantes dos principais elos da cadeia para discutir o rebranding dos cafés do Brasil sob diferentes perspectivas — da produção ao consumo. O encontro será mediado por Carlos Henrique Jorge Brando (P&A Marketing), e contará com Silas Brasileiro (CNC), Raquel Miranda (CNA), Vinicius Estrela (BSCA), Marcos Matos (Cecafé), Celírio Inácio da Silva (Abic) e Aguinaldo José de Lima (Abics). 

Workshops: de drinques com café a mercado emergente
Na Cafeteria Modelo & Barista Jam, patrocinada pelo Grupo 3corações, o público acompanha workshops práticos com baristas — como “Café em competição: sabores para um drinque campeão” (5/11, 10h30), “Matcha & café: sinergia no menu para aumentar vendas” (5/11, 15h30) e “Belo Horizonte na xícara: um papo sobre a cena local de cafés especiais” (7/11, 12h). 

No último dia da SIC, às 12h, três especialistas brasileiros, representantes internacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), comandam o encontro “Oportunidades em novos mercados: China, Dubai e Singapura”, voltado a orientar produtores sobre caminhos para a exportação. A proposta é apresentar tendências, perspectivas e estratégias para ampliar a presença do café brasileiro em mercados emergentes. Antes disso, na quarta-feira (5), das 14h às 16h, cada um dos profissionais ministrará workshops específicos sobre exportação para os respectivos destinos. “A Semana Internacional do Café faz esse investimento com o objetivo de gerar mais oportunidades e ampliar o acesso a novos mercados, potencializando o comércio. São países com alto potencial de crescimento no consumo de cafés”, afirma Caio Alonso Fontes, diretor da Espresso&CO, uma das organizadoras do evento.

Outros grandes encontros
No dia 6, das 8h30 às 12h, o Sicoob e o Sebrae realizam o seminário “Sustentabilidade na Cafeicultura”, constituído por três painéis. O primeiro, às 9h30, aborda o “Impacto do reconhecimento de Indicações Geográficas (IGs) para os territórios”, com casos do Cerrado Mineiro, Matas de Rondônia e Canastra. Às 10h20, o segundo painel discute a “Contribuição da cafeicultura para o desenvolvimento econômico dos municípios”, com a participação de consultores e lideranças regionais, como prefeitos e representantes de conselhos municipais. Encerrando a programação, às 11h20, o terceiro painel destaca as “Contribuições do Sicoob e do Sebrae para a cafeicultura”, com especialistas das duas instituições apresentando iniciativas de apoio ao setor.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) realiza no dia 7, às 11h, o painel “Diálogo global para promover os direitos fundamentais da cadeia produtiva do café”. O encontro apresenta experiências e aprendizados do evento de Cooperação Sul-Sul (SSC), programado para acontecer na semana anterior com representantes do Brasil, Colômbia e Uganda, e busca promover o diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores sobre o fortalecimento dos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho (PDFT) no setor cafeeiro. Além da exibição de um curta-documentário, o painel traz um debate quanto a desafios, boas práticas e papel da cooperação internacional na promoção de trabalho decente nas cadeias globais de café.

Semana Internacional do Café 2025
Quando: De 5 a 7 de novembro de 2025
Onde: Expominas – Belo Horizonte (MG)
Quanto: R$ 75 (para o dia 7) e R$ 150 (com direito aos 3 dias)
Mais informações: www.semanainternacionaldocafe.com.br

TEXTO Redação

Cafeteria & Afins

Casa Castanho – Salvador (BA)

A Casa Castanho Barra, como ficou conhecida, abriu as portas em 2024 como um espaço aconchegante, com varanda e quintal. A decoração privilegia plantas, paredes de tijolos e chão de brita. As cores terrosas, por todo o lugar, criam harmonia com os tons verdes. No interior da casa há, também, uma lojinha, que vende pacotes de café e garrafas de espumante.

Apesar de dispor de três ambientes com mesas, as filas de espera são frequentes nos horários de pico. Nossa equipe chegou por volta das 9h da manhã e esperou cerca de 20 minutos para poder sentar e fazer o pedido. O atendimento é um dos pontos altos do lugar. O cardápio é extenso e variado, com diversidade de cafés, bebidas geladas e opções alcoólicas para acompanhar o brunch.

Escolhemos um coado (150 ml) feito com grãos catuaí cultivados pela família Viana de Andrade nas fazendas São Bernardo e Santa Rita, na região baiana do Planalto da Conquista. No cardápio não estava especificado qual seria o método de extração e, ao ser questionado, o atendente explicou que seria feito em uma máquina automática, sem mais detalhes. A xícara apresentou acidez equilibrada, corpo aveludado e aroma leve de chocolate. Um café fácil de beber.

Para acompanhar, um tostado de parma e um sanduíche de lombo defumado. O tostado, de pão macio de fermentação natural, burrata e molho pesto, foi bem executado e apresentado, e combinou muito bem com o coado. Em contrapartida, o sanduíche de lombo deixou a desejar na apresentação. No sabor, a mostarda de Dijon acabou por ofuscar os demais ingredientes.

Como sobremesa, nossa pedida foi um espresso longo harmonizado com a rabanada com sorvete e caramelo. O espresso veio sem crema e subextraído, enquanto o pão da rabanada estava seco e sem textura, com uma quantidade exagerada de canela e açúcar por cima.

Entre altos e baixos, saímos da Casa Castanho com a sensação de que há pontos a serem ajustados. A disponibilidade de cafés especiais, por exemplo, é um ponto alto. Se eles forem mais bem extraídos, podem elevar a experiência.

Nossa conta: R$ 146,30 + taxa de serviço
Coado – R$ 9
Tostado de parma – R$ 39
Sanduíche de lombo suíno defumado – R$ 38
Café espresso longo – R$ 9
Rabanada com sorvete e caramelo – R$ 39

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Avenida Princesa Isabel, 48
Bairro Barra
Cidade Salvador
Estado Bahia
Website http://https://www.instagram.com/casa.castanho
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafezal

Três em um: estudo redefine o café libérica e revela novas espécies

Por Cristiana Couto

Pesquisa liderada pelo botânico Aaron Davis, do Royal Botanic Gardens, em Kew, no Reino Unido, revela que o café libérica, anteriormente considerado uma única espécie, deve agora ser separado em três espécies diferentes.

Publicado em julho na Nature Plants, o estudo analisou dados genômicos combinados à morfologia e à distribuição geográfica das plantas de libérica, e acrescentou ao gênero Coffea duas novas espécies além do C. liberica: Coffea dewevrei (anteriormente conhecida como excelsa) e Coffea klainei. O gênero, agora, contabiliza 133 espécies.

Para Davis, chefe de pesquisa em café no Kew Gardens e referência mundial em pesquisa sobre origem, diversidade e futuro das espécies de café, salvaguardar o futuro da cadeia global de fornecimento do grão é desafiador, especialmente porque a maioria dos cafeicultores são pequenos e dependem de seu cultivo como principal fonte de renda. 

Embora a produção mundial de libérica e excelsa ainda seja pequena — menos de 0,01% do mercado global —, essas espécies vêm ganhando espaço em países da África e Ásia, sobretudo por sua resistência a altas temperaturas e períodos prolongados de seca, em um cenário de mudanças climáticas que ameaça especialmente o arábica.

“Libérica e excelsa têm potencial importante para o desenvolvimento da cafeicultura em áreas inadequadas para arábicas ou canéforas, particularmente as de baixas altitudes em climas mais quentes e úmidos”, afirmam os pesquisadores.

De acordo com o artigo, o sudeste asiático consome cafés libérica desde o final do século XIX e agora está “testemunhando seu renascimento, particularmente na Malásia, na Indonésia e em Fiji”. Já os cafés excelsa têm sido cultivados em Uganda, no Sudão do Sul e na Guiné, por sua tolerância a temperaturas mais elevadas e a períodos sem chuva se comparada ao canéfora. Na Índia e na Indonésia, sua produção também vem crescendo.

As análises do grupo de Davis mostraram que cada uma das três espécies tem distribuição geográfica particular e características agronômicas únicas. A espécie libérica (C. liberica) ocorre na África Ocidental (Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana e Nigéria) e se adapta a estações secas mais longas, suportando variações de precipitação.

A excelsa (C. dewevrei) cresce em regiões de clima mais variado na África Central (República Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Sudão do Sul). É mais produtiva, com frutos menores e sementes semelhantes às do arábica, o que facilita o processamento e a torna uma alternativa aos canéforas em áreas quentes. Já C. klainei, a menos estudada das três, restringe-se a florestas da África Centro-Ocidental (Camarões, Gabão, Congo e Cabinda/Angola) e é geneticamente mais próxima da da espécie libérica.

Segundo Davis, esse “redesenho taxonômico” permite separar com clareza as características agronômicas, genéticas e climáticas das três espécies, abrindo caminho para avanços em programas de melhoramento do café e novas estratégias de cultivo. “O uso de qualquer uma dessas espécies em programas de melhoramento interespecífico com outras espécies pode ser promissor”, complementam os autores.

Ao mesmo tempo, o estudo expõe a urgência da conservação do gênero Coffea, já que aponta para a vulnerabilidade do café libérica devido à perda de habitat em grande parte de sua área de ocorrência natural.

TEXTO Cristiana Couto

CafezalMercado

Poços de Caldas realiza 1ª Festa do Café com concursos de qualidade e terroir

Evento é palco das premiações do 18º Concurso de Qualidade dos Cafés de Poços de Caldas e do 5º Concurso do Terroir da Região Vulcânica

Nos dias 18 e 19 de outubro acontece a primeira edição da Festa do Café de Poços de Caldas, um evento que celebra a tradição e a força da cafeicultura local. Entre os destaques da programação estão as premiações do 18º Concurso de Qualidade dos Cafés de Poços de Caldas e do 5º Concurso do Terroir da Região Vulcânica, que reúnem produtores e especialistas para reconhecer os melhores cafés da safra 2025 na região.

“Esperamos que o evento consolide todo o trabalho dos produtores, das prefeituras e dos parceiros para que a gente possa valorizar a cafeicultura de Poços de Caldas e região”, destaca Ulisses Ferreira, diretor-executivo da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica. “A região vem crescendo muito e tem se desenvolvido, tanto na produção quanto no desenvolvimento de marcas e atendimento em cafeterias. Vivemos um momento muito importante e essa festa vem para coroar e consolidar todo esse trabalho”, conclui.

Quanto aos concursos, Ferreira cita o salto de qualidade e quantidade dos cafés, pois as edições deste ano receberam quase o dobro de amostras em relação ao ano passado. “Ficamos muito satisfeitos com a qualidade dos cafés campeões que serão anunciados no sábado, tanto no Concurso de Poços de Caldas quanto no da Região Vulcânica. Batemos recorde em pontuações, com cafés atingindo mais de 90 pontos”, detalha.

A programação do evento inclui ainda exposição de marcas, produtos e maquinários, degustações, workshops, leilões dos melhores cafés, atrações gastronômicas e apresentações culturais.

1ª Festa do Café de Poços de Caldas
Quando: 18 e 19 de novembro
Onde: Alameda Poços (ao lado do teleférico)
Mais informações: www.instagram.com/festadocafe_pocos_de_caldas/
Quanto: grátis

TEXTO Redação

CafezalMercado

SIC 2025 traz debates sobre inovação e sustentabilidade nos espaços DNA Café e Fórum Sustentável

Um dos paineis do Fórum da Cafeicultura Sustentável na SIC 2024 – Foto: Nitro/SIC

No coração da Semana Internacional do Café, o Simpósio DNA Café e o Fórum da Cafeicultura Sustentável prometem ser o epicentro das ideias que estão moldando o futuro do setor. Com o tema “Café em transformação: inovação, sustentabilidade e oferta do mercado global”, o evento, que acontece de 5 a 7 de novembro em Belo Horizonte, inaugura nesta edição a Arena SIC — um espaço aberto e integrado aos expositores, criado para aproximar marcas, produtores e profissionais dos grandes debates da cafeicultura.

A programação do Simpósio DNA Café, no primeiro dia, começa às 13h com o painel “Brasil e COP 30: mudanças climáticas, sustentabilidade e protagonismo global”, discutido pelos especialistas Marcos Matos (Cecafé), Fabrício Andrade (CNA) e Natalia Carr (Cooxupé). Em seguida, às 14h, o palco recebe Pavel Cardoso (Abic), Aguinaldo Lima (Abics) e Flavia Barbosa (Exportadora Guaxupé) para comentarem o “Mercado global em transformação: dinâmicas e caminhos”. 

O dia segue com o painel “Capital verde & ESG: uma oportunidade para o mercado de café”, às 15h30, com Felipe Vignoli (Nature Investment Lab), Daniel Baeta (Luxor Agro) e Luisa Lembi (BDMG). Às 16h30, a Arena SIC traz o debate “Agricultura 5.0: integração inteligente de tecnologias, dados e sustentabilidade”. O dia na Arena termina às 18h, com “O DNA do café do futuro: como a genética molda a cafeicultura”, que conta com a participação de Fabiano Tristão (Incaper), Eveline Caixeta (Embrapa), Gladyston Carvalho (Epamig) e Sergio Parreira (IAC).

No dia 6, a Arena SIC recebe a programação do tradicional Fórum da Cafeicultura Sustentável, criado em 2014, e que abre o dia com discussão sobre “Transição para uma cafeicultura regenerativa: custos para o produtor, viabilidade e balanço de carbono”, às 11h, com Eduardo Sampaio (GCP), Bruno Ribeiro (JDE), Victor Monseff (Ribersolo), Gabriel Dedini (Solidaridad) e Vinícius Figueiredo (GCP). Depois, às 12h, Thiago Machado (Ocemg), José Fidelis (Ocemg), Valdean Teófilo (Coocafé), Mariana Velloso (Expocacer) e Jacques Fagundes (Cocatrel) debatem o tema “Da terra à transformação: o valor ESG das cooperativas do café”.

Às 14h30, Luc Villain (Cirad), Daniel Frobel (Fazenda Mata do Lobo) e Jorge Pereira Souza (do Sítio Raízes da Floresta, no Acre) conversam sobre “Café e bioeconomia: novos caminhos para gerar valor com sustentabilidade”. Já o papo em torno do tema “Café carbono neutro: práticas, métricas e mercado” acontece às 15h45, seguido do tema “Gestão no campo: decisão com dados, ação com propósito”, marcado para às 17h. O painel “Gestão hídrica e energias renováveis na fazenda” encerra o dia, trazendo a experiência de Fabiane Carvalho (Consórcio Cerrado das Águas) e de Lucas Venturim (Fazenda Venturim). 

A Semana Internacional do Café 2025 é realizada por Espresso&CO, Sistema Faemg/Senar, Governo do Estado de Minas Gerais e Sebrae, e conta com apoio institucional do Sistema Ocemg, patrocínio oficial de Codemge e Governo do Estado de Minas Gerais, patrocínio diamante de 3corações Rituais, patrocínio ouro de Anysort e Sicoob e patrocínio bronze de Yara. Apoiam o evento Abic, Abrasel, IWCA Brasil, BSCA, Cecafé, Governo Federal, Sindicafé-MG e Banco do Brasil. O CaféPoint é a mídia oficial da SIC.

Semana Internacional do Café 2025
Quando: 5 a 7 de novembro
Onde: Expominas – Belo Horizonte (MG)
Mais informações e credenciamento: www.semanainternacionaldocafe.com.br 

TEXTO Redação

Cafezal

São Paulo ganha nova indicação geográfica de café

A IP Café Arábica da Nova Alta Paulista abrange 23 municípios e consolida o estado como polo de origens reconhecidas no país

O estado de São Paulo acaba de conquistar mais uma certificação de origem para o café – a Indicação de Procedência Café Arábica da Nova Alta Paulista, concedida nesta terça (7). 

A região da Nova Alta Paulista, localizada no extremo norte do estado, é formada por 30 municípios, dos quais 23 fazem parte da delimitação oficial da IG e agregam cerca de 1,2 mil produtores, segundo dados do Sebrae.

Com essa nova concessão, a Nova Alta Paulista torna-se a 19ª indicação geográfica de cafés brasileiros. A nova IP representa o último capítulo da expansão cafeeira que moldou o território e a economia do estado. Colonizada a partir do avanço das frentes agrícolas rumo ao interior, a região nasceu e prosperou com o café. Em sua tese Nova Alta Paulista, 1930–2006: entre memórias e sonhos, Izabel Castanha Gil afirma que a Nova Alta Paulista destacou-se como uma das principais regiões cafeeiras do estado nas décadas de 1950 e 1960. “O cultivo do café foi responsável por impulsionar o desenvolvimento econômico e populacional, estruturando a base agrícola e urbana de diversos municípios que se formaram a partir dessa atividade”, escreve a geógrafa.

Conheça os municípios da IP Nova Alta Paulista

Adamantina, Arco-Íris, Dracena, Flórida Paulista, Herculândia, Iacri, Inúbia Paulista, Irapuru, Junqueirópolis, Lucélia, Mariápolis, Monte Castelo, Nova Guataporanga, Osvaldo Cruz, Ouro Verde, Pacaembu, Parapuã, Rinópolis, Sagres, Salmourão, São João do Pau d’Alho, Tupã e Tupi Paulista.

TEXTO Redação
Popup Plugin