Cafezal

Já ouviu falar da “Geada Negra”?

Em 18 de julho de 1975, a geada atingiu principalmente os moradores do Norte do Paraná e queimou quase todas as plantações da época. A temperatura chegou a 6 graus negativos! O café, principal produto agrícola do estado, foi exterminado.

Dados mostram que naquele ano, antes da geada, o Paraná havia colhido 48% da produção brasileira de café, ou seja, era o principal estado produtor, e a geada mudou a história paranaense.

Muitos tiveram que buscar alternativas. Depois de longos anos, a região conseguiu se reerguer e voltar a produzir café. Ganhou mais destaque quando, em 2012, o café do Norte Pioneiro conquistou selo de Indicação de Procedência!

Segundo o Sebrae Paraná, a região tem grande potencial para a produção de cafés especiais em função dos solos de origem vulcânica e do clima subtropical. A temperatura média anual varia entre 19 e 22 graus, resultado da combinação entre altitude e latitude local, ideal para os grãos arábicas, que se destacam pela doçura e pela acidez cítrica.

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Cafezal

32º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café está com inscrições abertas até 9 de setembro

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Nesta segunda-feira (6), a empresa italiana illycaffè anunciou o 32º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso. As inscrições e envio das amostras devem ser realizadas até o dia 9 de setembro de 2022.

Na Categoria Nacional, serão selecionados 40 produtores finalistas, que concorrerão aos seis primeiros lugares. Desses seis, os três primeiros ganharão uma viagem ao exterior para participar do 8º Prêmio Ernesto Illy Internacional em 2022, além de prêmios em dinheiro e diplomas.

Já na Categoria Regional, serão premiados até dois cafeicultores em cada um dos 10 Estados/Regiões, sendo: Minas Gerais (subdividido em Cerrado Mineiro, Chapada de Minas, Matas de Minas e Sul de Minas); São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e as regiões Centro-Oeste, Sul e Norte/Nordeste. Todos os vencedores e finalistas recebem prêmios em dinheiro e diplomas.

A ficha de inscrição e o regulamento completo para o 32º Prêmio estão disponíveis no site do Clube illy do Café. O cafeicultor pode inscrever apenas uma amostra de café arábica. Se a propriedade rural possuir mais de um sócio, as amostras deverão ser inscritas em nome do sócio responsável na receita estadual.

Os especialistas da Experimental Agrícola do Brasil/illycaffè compõem a comissão julgadora responsável pela seleção dos cafés. A análise para a classificação é realizada considerando o aspecto, cor, tipo, peneiras, teor de umidade, torração e pela qualidade da bebida, inclusive com degustação para espresso. Durante o período de inscrição, o produtor poderá vender o lote inscrito e aprovado para a Experimental Agrícola do Brasil/illycaffè desde que a mesma demonstre interesse, conforme suas normas de compra, também informadas no site do Clube illy.

Endereço para envio da amostra e inscrição
Experimental Agrícola do Brasil Ltda
Rua Dr. Nicolau de Souza Queiroz, 518 – Vila Mariana
CEP 04105-001 – São Paulo/SP – e-mail: compras@illy.com

Cronograma
32º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso
Inscrições: até 9 de setembro de 2022
Data limite de entrega dos últimos lotes inscritos: 6 de outubro de 2022
Divulgação dos 40 finalistas: novembro de 2022
Revelação dos vencedores e entrega dos prêmios aos finalistas: abril de 2023
Mais informações: https://clubeilly.com.br/premiacoes/premio-ernesto-illy/sobre-o-premio/

Cafezal

Inscrições abertas para 5º Concurso Florada Premiada da 3corações

Na última sexta-feira (3), a 3corações anunciou a 5ª edição do Concurso Florada Premiada, que busca incentivar e premiar mulheres cafeicultoras de diversas regiões brasileiras. Neste ano, a iniciativa vai além e traz uma novidade: além do arábica, a participação no concurso também está aberta às produtoras de café canéfora! As inscrições podem ser feitas clicando aqui.

Ao todo, são mais de R$ 150 mil em premiações e, para as grandes campeãs da edição e vencedoras regionais, o concurso oferece a compra do lote completo pelo dobro da cotação de mercado. Além disso, os 100 melhores microlotes também podem ser comercializados com a 3corações por R$ 300 acima da cotação. As campeãs ganharão uma viagem (missão técnica) para outro país cafeicultor com tudo incluso e direito a um acompanhante. Todos os microlotes são oferecidos aos consumidores brasileiros em embalagens personalizadas com foto, história, assinatura da cafeicultora e descrição completa do café.

“O Projeto Florada é uma grande obra que estará sempre em construção, pois trata-se de um projeto de longo prazo em que criamos laços duradouros com as produtoras do Brasil e com toda a cadeia do café. O Concurso Florada Premiada é uma importante iniciativa para reconhecer e valorizar o trabalho das cafeicultoras e, também, para proporcionar aos consumidores uma nova experiência com raros cafés que carregam histórias únicas por trás de cada xícara. E 2022 será um grande ano! O nosso convite é para todas as mulheres produtoras de cafés especiais do Brasil, seja o café 100% arábica ou 100% canéfora”, disse Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações.

O regulamento completo está disponível no site do Projeto Florada e no site da BSCA. O 5º Concurso Florada Premiada acontece em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA) e Sílvio Leite, referência mundial em qualidade do café.

Mais informações: Patrícia Carvalho – patricia_solo@3coracoes.com.br ou (11) 94502-6654

TEXTO Redação • FOTO Vitor Barão

Mercado

Cafés especiais da Bahia são destaque na feira de negócios Origem Week

Experiências de preparo, demonstrações, degustações e workshops sobre cultivo, comércio e consumo de café farão parte da programação do Origem Week – Feira de Negócios, que acontece no Centro de Convenções de Salvador, entre os dias 9 e 12 de junho.

Durante os quatro dias, os participantes poderão conhecer e degustar cafés, chocolates, derivados do cacau, doces e geleias, cervejas artesanais, vinhos, cachaças, licores, gins, embutidos, biscoitos e muito mais, além de prestigiar o artesanato típico de várias partes do interior, destinos turísticos e festas populares.

Uma das atrações é o Salão do Café, que conta com curadoria da jornalista Mariana Proença. No local, representantes das principais marcas da Bahia destacarão o que há de melhor nos grãos arábica e canéfora produzidos nas regiões da Chapada Diamantina, Planalto de Vitória da Conquista, Serrana de Itiruçu/Brejões, Oeste da Bahia e o Atlântico Baiano.

O evento conta com o apoio do Governo do Estado, por meio das secretarias de Turismo (Setur), de Desenvolvimento Rural (SDR), da Agricultura (Seagri) e Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). É uma realização da MVU, com o apoio e parceria do Governo da Bahia, Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Sebrae, GL Events e Confederação Nacional da Indústria (CNI), por meio da Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios (Rede CIN), e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Serviço
Origem Week – Feira de Negócios
Quando: 9 a 12 de junho
Onde: Centro de Convenções de Salvador, Bahia
Mais informações: http://origemweek.com.br 

TEXTO Redação • FOTO Michael Burrows

CafezalMercado

Expocaccer promove curso de classificação e degustação de cafés neste sábado (4)

Neste sábado (4), a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado (Expocaccer) realiza o Curso de Classificação e Degustação. O conteúdo será totalmente prático e com ênfase na identificação e classificação dos grãos defeituosos, analisando a causa, os efeitos e as formas de prevenção de possíveis defeitos. Outro aspecto a ser abordado é sobre os efeitos do manejo dentro da fazenda.

De acordo com a Q-Grader e Classificadora da Expocaccer, Rosângela Soares, o curso de classificação e degustação é muito importante para que o produtor ou funcionário da fazenda estejam atentos e alinhados sobre prováveis formações de defeitos. “De forma prática, vamos conhecer as causas dos defeitos dos grãos e aprender como fazer para amenizá-los, melhorando a qualidade do café e consequentemente o preço dele”, destaca.

As vagas são limitadas e os interessados poderão se inscrever até o dia 3 de junho, através do e-mail contato@expocaccer.com.br. As inscrições terão um investimento de R$ 50 e os valores arrecadados serão doados para a Casa do Idoso de Patrocínio (MG). 

Serviço
Curso de Classificação e Degustação Expocaccer
Quando: 4 de junho (sábado)
Horário: 8h30 às 12h
Inscrições: contato@expocaccer.com.br   

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

SouthRock e Starbucks Foundation apoiam projetos sociais no Brasil

Por meio do programa Global Community Impact Grants, da Starbucks Foundation, e em comemoração ao 12º Mês Global do Bem da Starbucks, a SouthRock, operadora licenciada da marca no Brasil, apoia organizações sem fins lucrativos no País. Através deste projeto exclusivo, a companhia elegeu as instituições Casa 1, Inglês para Nossa Gente e a Rede Gerando Falcões para promover impacto relevante na comunidade local. Os subsídios concedidos têm como foco a criação de oportunidades equitativas e de empregabilidade para pessoas em situação de vulnerabilidade, por meio de projetos que oferecem preparação, desenvolvimento e qualificação para quem busca ingressar no mercado de trabalho.

“No Brasil e no mundo, a Starbucks promove uma jornada de inclusão, diversidade e equidade, implementando políticas, programas e iniciativas importantes para a sociedade local. Atuamos para fortalecer nossas comunidades ouvindo, apoiando, investindo e promovendo de forma significativa as regiões que recebem nossas lojas”, comenta Sandra Collier, diretora de marketing, fidelidade e responsabilidade social da SouthRock. “Essas refletem as causas que acreditamos e criam oportunidades iguais para todos, fomentando a inclusão em tudo o que fazemos”.

Tendo a qualificação e inclusão de profissionais no mercado de trabalho como foco de atuação, as organizações Casa 1, Inglês Para Nossa Gente e a Rede Gerando Falcões desenvolvem projetos pelo Brasil, formando e desenvolvendo profissionais de populações vulneráveis e comunidades carentes para o mercado formal de trabalho, uma forma de proporcionar dignidade e a abertura de oportunidades para melhorar seus meios de subsistência.

“Ações como as de parceiros como a SouthRock são essenciais para que a Gerando Falcões continue promovendo programas de transformação sistêmica em territórios de favelas. A união de forças entre poder público, segundo e terceiro setores é essencial para continuarmos fazendo a diferença e mudarmos a história do nosso País. Essa é uma das formas de derrubar muros, construindo pontes para cumprir a nossa missão de transformar a pobreza da favela em peça de museu”, destaca Edu Lyra, CEO e Fundador da Gerando Falcões.

Anunciado em março de 2022, a iniciativa Global Community Impact Grants, da Starbucks Foundation, investirá US$ 30 milhões até 2030 em projetos que geram impacto positivo em diversas áreas sociais, como o empoderamento de jovens, inclusão e diversidade, serviços sociais, combate à fome, projetos que geram oportunidades econômicas e no apoio às comunidades produtoras de café, chá e cacau. 

Com mais de 50 doações concedidas em 30 mercados nesta primeira edição, o programa representa a missão da Starbucks em promover impacto positivo para as pessoas e melhorar o bem-estar de todos aqueles ao redor da Starbucks. O programa se baseia em outras iniciativas da Starbucks Foundation, entre eles o Neighborhood Grants, Origin Grants e Disaster Response Grants – que se concentram em apoiar e elevar comunidades afetadas por desastres. No início de 2022, a Starbucks Foundation anunciou uma doação para apoiar comunidades cafeeiras na Bahia e Minas Gerais, melhorando o acesso a soluções domésticas de água e saneamento.

“Desde o início, a Starbucks tem sido mais do que uma empresa de café. Somos uma empresa de pessoas, impulsionada por nossa missão de inspirar e nutrir o espírito humano de todos aqueles que entram em contato com a Starbucks”, comenta Michael Conway, presidente do grupo de Desenvolvimento Internacional e de Canais da Starbucks e membro do conselho da Starbucks Foundation. “Nossos parceiros conhecem suas comunidades melhor do que ninguém e estamos orgulhosos em trabalhar ao lado de nossos parceiros de negócios licenciados em todo o mundo para aprofundar nosso impacto coletivo e investir de maneiras significativas que ajudarão pessoas e comunidades a prosperar”.

Esta primeira edição de doações marca o 12º Mês Global do Bem da Starbucks, uma iniciativa anual que reúne colaboradores e clientes para ajudar a fortalecer as comunidades durante um mês. Celebrando esta ação anual, a SouthRock ofereceu autonomia para cada uma de suas lojas realizar ações sociais voluntárias. A iniciativa envolveu 95 lojas e mais de 250 partners no Brasil, que participaram de 110 ações diferentes para combater à fome no país, apoiar moradores de rua, crianças em situação de vulnerabilidade e membros da comunidade LGBTQIA+ e promover a sustentabilidade e a educação. As atividades impactaram mais de 1200 pessoas, durante o mês de abril.

Mais informações: https://stories.starbucks.com/stories/global-community-impact-grants/ 

TEXTO Redação • FOTO Engin Akyurt

Cafeteria & Afins

Fuga – Ócio e Café – Curitiba (PR)

“O café foi um ponto em comum que nos aproximou quando ainda éramos meros vizinhos”, conta o capixaba Victor Pandolfi, proprietário da cafeteria ao lado de sua esposa, a cearense Isadora Macedo. Publicitário e psicóloga de formação, os dois sempre tiveram interesse em empreender na área dos cafés especiais. O pontapé inicial foi dado em 2017, quando Victor passou a estudar o mercado e a trabalhar em outras cafeterias de Curitiba.

De acordo com os planos, o Fuga seria inaugurado em março de 2020. Porém, com a chegada da pandemia, a abertura só foi realizada quatro meses depois, em julho. A cafeteria de nome inspirado no filme Natureza Selvagem está localizada em uma região onde há poucas casas que servem cafés especiais, mas, com todo o seu charme e bom atendimento, já encanta os moradores locais. 

Grãos 100% capixabas

Os cafés servidos no Fuga são todos cultivados nas Montanhas Capixabas e torrados pelo pessoal da HubNatural, de Vitória (ES). No balcão, as bebidas podem ser preparadas pelos baristas nos métodos hario v60, koar, chemex, kalita, aeropress e no espresso, tirado de uma Apia, da Nuova Simonelli. Outras opções que levam café são o cold brew citrus, o espresso tônica e o queridinho dos clientes, o leitinho de baunilha, que consiste em um latte gelado, que, em vez do xarope, leva leite com fava de baunilha e especiarias.

Para acompanhar, a cafeteria serve sanduíches com pão de fermentação natural, waffle de queijo e bacon, bolo gelado de coco, rolinho de canela (produzido pela Padaria Bananeira), bolo de rolo, cookies (feitos pela equipe da Vinagreira) e as tradicionais barrinhas de caramelo, presentes no cardápio desde o primeiro dia de funcionamento do Fuga.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Senador Xavier, 417
Bairro Centro Cívico
Cidade Curitiba
Estado Paraná
País Brasil
Website http://www.instagram.com/fugacafe
Telefone (41) 99839-3302
Horário de Atendimento De terça a sexta, das 11h30 às 19h; sábado e domingo, das 10h às 18h
TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Carolina Castanho

Cresce a produção e o consumo de robusta no mundo

A participação do café Robusta na produção mundial passou de 25% em 1980 para cerca de 35% em 2005, excedeu 42% em 2020 e está caminhando para 45% ou mais. O Brasil terá uma safra recorde de Conilon este ano, o Vietnã provavelmente terá um ano normal e Uganda é a nova estrela em ascensão na produção de Robusta. Além disso, produtores tradicionais de Arábica como México e Nicarágua estão aumentando sua produção de Robusta, sem contar que a Colômbia também o está plantando.

O recente crescimento do preço do café verde bem como a queda na renda em muitos países devido à pandemia continuarão exigindo o aumento da participação de Robusta nas ligas de café a fim de limitar o aumento dos preços do café aos consumidores. Essas tendências recentes somam-se a mudanças mais fundamentais e de longo prazo no mercado de café que favoreceram o aumento de longo prazo na produção e no consumo de Robusta.

Um importante desenvolvimento de mercado neste século foi a introdução do café em grandes mercados emergentes que são tradicionais consumidores de chá, como Indonésia, China, Índia e Vietnã. A bebida de café inicialmente escolhida nestes países é o café solúvel, produzido principalmente com Robustas, pois os consumidores preferem um produto de café de preparação semelhante à do chá. Do café solúvel em pó (“spray dried”) eles tendem a passar para o café solúvel liofilizado, de melhor qualidade. Dependendo da renda e percepção da qualidade do café, os consumidores podem mudar para café torrado e moído e café espresso e, eventualmente, cafés especiais. Os jovens, consumidores de refrigerantes, podem preferir bebidas de café prontas para beber ou “3 em 1”, que são pequenos envelopes de dose única com café solúvel, leite não lácteo e açúcar. O próximo passo pode ser bebidas de café à base de leite, como shakes ou cappuccinos, e eventualmente cafés especiais, novamente dependendo da renda e da educação sobre a qualidade do café.

Outro desenvolvimento relevante é a melhoria da qualidade dos Robustas, incluindo aquela proveniente do benefício úmido, que vem permitindo sua maior participação nas ligas de torrado e moído e cápsulas oferecidas por indústrias de todos os portes. Há uma nova visão sobre a qualidade dos Robustas, com concursos de qualidade e ligas de origem única e 100% Robusta. Os cafés Robusta, que estavam mais presentes na base da pirâmide de renda com produtos de menor preço para a população de menor renda, estão agora abrangendo toda a pirâmide e se aproximando do topo. O Coffee Quality Institute (CQI) tem agora classificadores Q Grader tanto para Arábica quanto para Robusta. Eles são profissionais credenciados para classificar e pontuar cafés Arábica e/ou Robusta utilizando padrões desenvolvidos pela Specialty Coffee Association (SCA). O CQI está em processo de implantação dos Cursos de Processamento Q Robusta, para certificar os estágios de competência no processamento do café Robusta, como já é feito para os cafés Arábica. 

O café solúvel, cuja base é o Robusta, não só abre novos mercados, como também cria espaço para maior consumo de Arábica, já que alguns consumidores buscam produtos diferentes, de melhor qualidade e mais caros. Por outro lado, a indústria de café solúvel está melhorando a qualidade de seus produtos para fidelizar os consumidores. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS) está desenvolvendo uma metodologia para avaliar a qualidade do café solúvel e descrever suas características sensoriais. Isso ajudará a ampliar o mercado de café solúvel.

O retorno do consumo fora de casa – cafeterias e escritórios – no mundo pós-pandemia criará riscos e oportunidades para os cafés Robusta. A melhoria da qualidade do café Robusta verde é uma forma segura de manter os mercados conquistados durante a pandemia e abrir outros. Há muitas maneiras de melhorar a qualidade do café Robusta mas talvez a mais rápida seja por meio do processamento pós-colheita.

TEXTO Carlos Brando • FOTO Café Editora

Café & Preparos

Variáveis da extração: Dicas para melhorar o seu café em casa!

O que torna o café uma das bebidas mais consumidas no mundo é justamente a sua versatilidade. A relação entre a receita usada, o tempo de extração e o método escolhido pode fazer com que você tenha, na xícara, diferentes versões de um mesmo grão. Faça testes e encontre o seu próprio resultado! 

1- Diferentes moagens

Cada método necessita de uma moagem específica e isso varia de acordo com o tipo de filtro (papel, aço, metal) e o tamanho e a quantidade de orifícios do acessório. Apesar da indicação, dá para testar diferentes granulometrias e tempos de extração, que vão resultar em bebidas com características distintas na xícara. Você pode utilizar uma moagem mais fina para ter uma extração mais lenta, ou mais grossa para que a água passe mais rapidamente pelo pó. A cada teste, novas notas sensoriais podem ganhar destaque. Ache a fórmula que mais agradar!

2- Extração uniforme

Depois que o pó foi colocado no filtro, é interessante nivelar o café para que, quando jogada, a água preencha toda a superfície de maneira uniforme. Nessa etapa você também pode testar outras técnicas que visam a uma distribuição mais homogênea do líquido, como a Divot e a Kubomi. A técnica Divot consiste em fazer um furo no centro da superfície do pó com a ajuda de um palito (fino e comprido – estilo hashi). Já a Kubomi requer movimentos circulares em toda a camada do café: coloque o palito dentro do filtro, jogue todo o pó de café e faça movimentos circulares com o palito de fora para dentro, como uma espiral, até chegar ao centro. Ambas as técnicas ajudam na hidratação e na saturação do café na fase da pré-infusão.

3- Fluxo da água

O formato do bico da chaleira bico de ganso (ou goosenack) proporciona maior controle do direcionamento do fluxo da água e da quantidade despejada sobre o pó. Muitas receitas, principalmente as usadas em competições, exigem que sejam derramadas quantidades precisas de água, fazendo com que o fluxo seja controlado com base na combinação de tempo e peso. Além disso, um maior controle da turbulência da água (que são os movimentos feitos com a chaleira para que a água penetre igualmente em todo o pó) resulta em uma extração mais homogênea do café. Que tal elaborar a sua própria receita?

4- Pré-infusão

A pré-infusão consiste em jogar uma quantidade pequena de água por toda a superfície do café e esperar por alguns segundos para continuar o processo. É nessa etapa que é possível observar o blooming, aquelas bolhinhas que se formam quando a água toca pela primeira vez o pó. Essas bolhas são resultado da liberação do CO2 presente nos grãos. É o café respirando! Diversifique a quantidade de água e de tempo, ou simplesmente pule direto para a extração, e veja qual resultado você curte mais!

5- Os “ataques” 

Quando checamos uma receita passada por algum barista, é comum vermos alguns “ataques” indicados durante a extração. O ataque consiste na ação de despejar a água no pó de café. Nessa etapa, podem variar o número de vezes que se põe água, a quantidade que é despejada por vez, o tempo entre um ataque e outro e o local em que a água deve ser despejada. Essas variáveis podem determinar algumas características na xícara, como a intensidade da acidez e da doçura. A quantidade de ataques e a forma como a água é despejada fazem com que sejam extraídos diferentes sabores de um mesmo café.

6- Mexer ou não mexer?

Para acelerar o processo de extração ou para aumentar o contato do café com a água, alguns baristas costumam mexer o líquido depois que a água foi despejada sobre o pó. Isso pode ser feito utilizando uma colher, girando o porta-filtro ou fazendo movimentos circulares com a própria chaleira enquanto despeja a água. Os resultados podem ser variados, de positivos a negativos, uma vez que os fines (partículas muito finas resultantes da moagem) podem ser direcionados para as paredes do filtro, bloqueando o fluxo da drenagem do café. Mexer o café ainda divide opiniões e cada barista tem suas preferências, mas tudo é teste! Vá ajustando a sua receita até encontrar a combinação que mais agrada ao seu paladar.

Receita da barista Simoni Yamaguty

A receita sugerida é a proporção de 1 g para 15 g, ou seja, 20 g de café para 300 g de água. Durante a extração, serão realizados cinco ataques de 60 g cada um. Após o primeiro ataque, espere entre 30 e 45 segundos para que o blooming aconteça. Depois, faça os quatro últimos ataques, um de cada vez, com aproximadamente o mesmo intervalo de tempo, finalizando a extração total entre 2 minutos e meio e 3 minutos. 

*Para obter consistência no preparo, o uso da balança medidora é essencial! Já para facilitar a dosagem e a precisão exata dos ataques, os baristas equiparam a quantidade de água ao peso do pó (mililitros a gramas).

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Daniel Ozana/Studio Oz

Mercado

Consumidores preparam cada vez mais cafés especiais em casa

O café costuma ser uma parte essencial da rotina das pessoas, e muitos compram a bebida a caminho do trabalho. Mas, como trabalhar em casa se tornou essencial durante a pandemia e cada vez mais empregadores mantêm uma política de trabalho remoto ou híbrido, muitos consumidores estão optando por fazer seu próprio café especial.

“Estamos vendo os consumidores passando muito mais tempo preparando café em casa do que antes da pandemia”, disse Maurice Contreras, fundador e presidente da Volcanica Coffee, torrefadora de cafés especiais que importa grãos de regiões vulcânicas. “Eles estão interessados em aprender mais sobre os diferentes métodos de fabricação do café e as nuances regionais de sabor”, destacou.

De acordo com Michele Waits, vice-presidente de marketing e suporte comercial da illycaffè North America, as novas técnicas e produtos vão se manter porque esses consumidores continuam buscando por preparar cafés especiais em casa. “É uma das razões pelas quais o consumo em casa continuará após a pandemia e, apoiando esse aumento, há um crescimento nos acessórios de café e no conteúdo da cultura do grão para permitir que os amantes da bebida criem e imitem experiências do local em casa”, disse.

Recriando o café premium

Embora a experiência do café ainda seja desejável para muitos, as pessoas estão descobrindo que podem replicar essas bebidas em casa com algum conhecimento e esforço extras. “Além disso, custa muito menos tomar café em casa”, disse Contreras. “Uma xícara de café premium em casa custa menos de US$ 0,50 em comparação com US$ 3 a US$ 5 em uma cafeteria local. Com a inflação subindo, esperamos que isso aumente ainda mais a tendência de consumo no lar”, completou o presidente da Volcanica Coffee.

A illycaffè se orgulha de poder atender aos desejos dos consumidores em mercados específicos, especialmente com as variedades de café frio e pronto para beber crescendo. A marca testou seu próprio produto de café gelado enlatado antes de sua estreia oficial e, segundo Waits, observou uma vantagem significativa no sabor com a intenção de compra superior acima da média do setor.

Entrando em um nicho de mercado

A Volcanica Coffee também monitora de perto o feedback do consumidor para rastrear tendências e desenvolver produtos de café que correspondam às preferências do cliente. “Por exemplo, notamos que outra nova área são os cafés naturais, que têm um sabor mais frutado, e ampliamos nossas ofertas nessa área. O feedback do cliente é um presente que continua dando”, disse Contreras.

Uma preocupação específica que chamou a atenção da Volcanica foi a ânsia por uma oferta de café com baixa acidez. A marca produziu uma mistura que ainda é cultivada naturalmente com um nível de pH mais alto, permitindo que a Volcanica entre na categoria de nicho. “O feedback tem sido tremendo, pois recebemos regularmente críticas e comentários de que resolvemos o refluxo ácido dos clientes e doenças relacionadas, e que agora eles podem voltar a desfrutar de um café”, relatou.

À medida que empresas como a Volcanica e a illycaffè continuam atendendo aos interesses dos consumidores por meio do desenvolvimento de produtos com base em feedback, o boom do consumo de café em casa provavelmente perdurará. “Os consumidores estão se tornando educados e desenvolvendo um nível de conhecimento de café semelhante ao de vinho, cerveja artesanal e outros produtos alimentícios premium”, disse Waits.

TEXTO As informações são do SmartBrief / Tradução Juliana Santin • FOTO Jamie Long
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