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Para “tirar o café desse mundo de commodity” Cooxupé aposta em novos mercados

Para além do mercado comum. Esse é o rumo que a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé Ltda (Cooxupé) pretende tomar. A Cooxupé e a AQIA Química Industrial – empresa com mais de 30 anos no mercado de especialidades químicas – lançaram nesta terça-feira (25/8), em São Paulo, capital, uma joint venture que irá levar o óleo e a biomassa do café para três mercados diferentes.
Os parceiros pretendem comercializar o café em nichos de mercado como o de cosméticos e nutricional, fornecendo à indústria insumos derivados do óleo e da biomassa extraídos do grão para a criação de novos produtos. O terceiro passo, ainda sem data para se concretizar, será a indústria farmacêutica.
De acordo com Carlos Alberto Paulino, presidente da maior cooperativa de cafeicultores do mundo, a ideia da nova parceria firmada por eles é “tirar o café desse mundo de commodity”. “O café na xícara é tão dominante que não se fala sobre como ele é utilizado em outros produtos”, pontua o gerente de comunicação e marketing da Cooxupé, Jorge Florêncio Ribeiro Neto.
O trunfo para os cafeicultores será, também, a utilização de cafés que no mercado comum perderiam valor. “É uma alternativa fantástica, já que os cafés com defeitos, por exemplo, poderão ir para a extração de óleo. Isso cria um novo viés de comercialização”, explica Jorge.
Produção
“Ninguém tem condições de fornecer com qualidade essa quantidade da Cooxupé”, dispara Paulino sobre o potencial que a Cooperativa, com seus 12 mil cooperados, a maioria pequenos produtores que sobrevivem da agricultura familiar.
Os cafés da cooperativa são procedentes de regiões brasileiras consideradas nobres – Sul de Minas, Cerrado Mineiro e Vale do Rio Pardo (estado de São Paulo). Cada saca de café de 60 kg rende até 4,8 kg de óleo e a Cooperativa revela que na safra 2015 já está destinando cafés para o projeto. A quantidade, contudo, na visão de Paulino ainda é ínfima. São cerca de 100 sacas de café por mês, que resultam em 480 kg do óleo e o restante – 5.520 kg de biomassa – também teriam destino na indústria.
A diferença na valorização dos produtos é um dos alvos do investimento. Segundo Jorge Florêncio, o óleo pode ser vendido em torno de 215 dólares por quilo, enquanto a saca de 60 kg de café arábica, tipo 6, bebida dura para melhor, esteve cotada em Guaxupé (MG) a R$ 457,00, segundo informações da Cooxupé no mercado físico desta quarta-feira (25/8). Foram oito anos de pesquisas. “Estamos desde 2005 nesta busca. No começo ainda representa pouco para nós, mas eu acredito que vai ser uma inovação”, afirma Paulino.
Os cafés destinados a parceria deverão ter certificação da Rainforest Alliance Certified ou UTZ Certified. Já na divisão de funções do processamento, a extração do óleo fica por conta da Cooxupé, enquanto o refino deste óleo e da biomassa estará a cargo da AQIA.
Investimentos
Para desenvolver os projetos de expansão de mercado, a Cooperativa já destinou esforços na consolidação da fábrica de extração do óleo de café, localizada em Guaxupé. De acordo com Carlos Paulino, a cooperativa realizou investimentos entre R$ 5 e 7 milhões em pesquisas e na montagem da fábrica para começar o processo de extração do óleo de café verde para a indústria cosmética. “Além do óleo tivemos uma surpresa com a torta, ou seja, o resíduo gerado durante a extração da matéria prima. Ela também está sendo utilizada em produtos com ação esfoliante, por exemplo. Estamos otimistas com esse novo modelo de negócios em que a Cooxupé é a primeira cooperativa de café do Brasil a fazer extração da matéria prima para novos nichos de mercado”, explica Carlos Paulino.
Além de atender ao mercado brasileiro, a expectativa pela exportação da linha AQIA Coffee para a América Latina, Estados Unidos e Europa é grande, afirmam os presidentes da Cooxupé e AQIA. Em 2014, a Cooxupé registrou faturamento de R$ 2,5 bilhões e exportou 3,2 milhões de sacas de café arábica. Hoje, com faturamento de R$ 200 milhões, a AQIA Química Industrial ainda afirma que a expectativa com a joint venture é crescer R$ 10 milhões em cinco anos.
A linha de produtos
A parceria resultou na criação da linha AQIA Coffee, contendo componentes derivados do óleo e torta de café verde para a composição de novos produtos nas indústrias cosmética e, também, nutricional.
A linha AQIA Coffee contém sete tipos de componentes, em embalagens de 5,25 e 200 quilos: Green Coffee Oil (líquido viscoso), Coffee Oil (líquido), Coffee Butter (manteiga semi-sólida e sólida), Slim Coffee (pó uniforme), Cherry Coffee Oil (líquido viscoso), Cherry Coffee MCT (líquido) e o Nutri Coffee (pó micronizado). Essas áreas devem representar à AQIA um crescimento de 20 a 30% nos negócios até 2020.
Benefícios
Consultora do projeto, a especialista Sônia Corazza – com 39 anos de atuação na área Cosmética, em departamentos de Pesquisa& Desenvolvimento de Novos Produtos – destaca que o grão de café é extremamente rico, possuindo grande variedade de minerais, aminoácidos, lipídios, açúcares, vitaminas, cafeína e, em maior quantidade que todos os demais componentes, os ácidos clorogênicos – que são seus principais compostos bioativos.
Outro ponto defendido pela especialista é a procedência das matérias primas. “É de extrema importância, uma vez que componentes de origem petroquímica ou obtidos em processos danosos ao ser humano e ao planeta estão sendo banidos rapidamente das prateleiras. Os insumos do café, além de fornecerem à indústria resultados fantásticos, abrirão mais uma fonte de produtos industrializados a serem exportados para o mundo”, declara.
(Artigo originalmente publicado no site CaféPoint)






Pioneiro nos estudos dos benefícios do café para a saúde humana, o médico e pesquisador Dr. Darcy Roberto Lima, nos deixou no último 24 de julho, em João Pessoa (PB) – a Revista Espresso tomou conhecimento na data de hoje, por meio de nota oficial da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC).






Começa no próximo dia 15 de agosto, em Santa Ana, na Califórnia (EUA), uma série de festivais de filmes sobre café, organizados pela World Coffee Events (WEC), produtora de alguns dos principais eventos da comunidade cafeeira mundialmente. O evento, chamado de Coffee Film Festivals, vai apresentar vídeos que tratam sobre o grão sob as mais distintas perspectivas. O primeiro festival acontece em Santa Ana e, a seguir, no dia 22 de agosto, em Vancouver, no Canadá. Para as duas edições, as inscrições de curtas-metragens para serem exibidos durante a programação estão encerradas, mas, em breve, a organização irá divulgar datas de inscrição para os festivais futuros. Durante a mostra, comidinhas e diferentes cafés estarão disponíveis para o público. A programação já está definida para o festival em Santa Ana e os preços dos ingressos variam entre US$ 25 e US$ 32. Bom mesmo seria que esses vídeos fossem apresentados aqui pelo Brasil. Uma ótima oportunidade para conhecer mais sobre o universo tão vasto do café. Ficamos na torcida. Confira os filmes que vão fazer parte dos Coffee Film Festivals. Aproveite para dar uma espiada nos trailers (em inglês). Aroma of Heaven A Small Section of the World A Film About Coffee Caffeinated Mais informações: 




Neste 1º de agosto, sábado, Belo Horizonte sedia mais uma edição da Feira Aproxima. A Semana Internacional do Café (SIC) estará presente divulgando o evento e servindo cafés especiais e de diferentes origens para o público. O Aproxima será realizado no Shopping Diamond Mall, em Belo Horizonte. Veja como foram as últimas edições do 

