Cafeteria & Afins

4 Beans – Curitiba (PR)

{Outra Esquina – Torra Fresca – Microtorrefações pelo Brasil}

Cafeteria 4 Beans_torra

Cada um a seu modo, os quatro sócios da 4 Beans (Otávio Linhares, Amanda Laffayette, Juca Esmanhoto e Hida Lambros) atuavam no ramo do café antes de se tornar parceiros na microtorrefação instalada no centro da cidade e que completa um ano em janeiro de 2016.

Cafeteria 4 Beans_torra

A empresa paranaense trabalha no momento com sete opções (guatambu, sombreado, ademar, baixadão, catuaí, catuaí vermelho e bourbon amarelo) provenientes das fazendas Vista Alegri (Bahia), Pilar (Paraná), Santa Terezinha, Sertão, Santa Inês e Jatobá, estas em Minas Gerais. A torra dos grãos tem a característica de destacar levemente a acidez. Também são servidos cafés na Aeropress, Hario V60, Clever e espresso.

Cafeteria 4 Beans_torra

Segundo Linhares, que desempenha as funções de administrador, comprador e provador de café, a 4 Beans atende ao mercado de Curitiba e Londrina, no Paraná, Brasília, Fortaleza, além de Porto Alegre e Santa Maria, no Rio Grande do Sul. “Nossa meta é fazer a marca aumentar o alcance dos mercados com a oferta de cafés exclusivos”, diz. Por enquanto, a microtorrefação não oferece cursos, mas está nos planos dos quatro sócios abrir a casa para esse fim em 2016.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016. Sugerimos consultar o lugar para horários de funcionamento e mais informações)

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Alameda Augusto Stellfeld, 795 loja 3
Bairro Centro
Cidade Curitiba
Estado Paraná
País Brasil
Website http://www.4beanscoffeeco.com.br
Telefone (41) 9911-8664
Horário de Atendimento De segunda a sexta, das 13h às 19h
TEXTO Janice Kiss • FOTO Divulgação

Mercado

Pesquisa revela novas tendências de consumo de café até 2019

Degustação café

Consumo brasileiro deve crescer a média de 2,9% ao ano.

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) apresentou estudo recente realizado pela Euromonitor International que fez a análise das tendências de consumo para a bebida no período de 2014 até 2019. Os dados são motivadores para o mercado de food service, mas, principalmente, para o de cápsulas. A pesquisa aponta que o Brasil possui grande participação de vendas de café no varejo se comparado a outros países. O nosso alto consumo dentro do lar está vinculado à compra de café no varejo, que corresponde a 3,5%. Nos Estados Unidos, por exemplo, essa mesma participação corresponde a 0,8%. O volume consumido de café no Brasil concentra-se 68% no varejo e 32% no food service. A projeção da Euromonitor para 2019 é de aumento do food service para 36% e de redução do varejo para 64%, o que mostra que o consumidor buscará mais o consumo do café fora do lar. Segundo Ricardo de Sousa Silveira, presidente da Abic, mesmo com as dificuldades neste ano: “o consumidor não deixa de comprar café, pois existe café de todos os preços”. Dados de 2014 mostram que o grão torrado no varejo tem participação nas vendas de 8%, contra 92% no food service. O café em pó no varejo corresponde a 81% das vendas, contra 19% no consumo fora do lar e as cápsulas têm participação de 94% no varejo e de somente 6% no food service. A pesquisa indica que: A desaceleração econômica impactou o consumo fora do lar, o qual deve se recuperar a partir de 2017 e a expectativa é que o consumo de café fora do lar volte a ganhar mais espaço entre os brasileiros. Apesar da diminuição no número de transações no consumo fora do lar, houve forte crescimento no consumo de café espresso, especialmente entre cafeterias e cafés preparados por baristas.
capsula

Cápsulas serão responsáveis por movimento de R$ 2,2 bilhões

Mercado de cápsulas dobrará de tamanho O relatório trouxe dados positivos para o mercado de cápsulas que hoje corresponde a 0,6% do volume consumido no Brasil no total de 980 mil de toneladas e que, até 2019, chegará a 1,1% do volume, crescendo entre 2015 e 2019, 15,3% ao ano. Espera-se que o mercado de cápsulas movimente 2,2 bilhões de reais e 12 mil toneladas de café até 2019. A pesquisa aponta este crescimento à maior disponibilidade e aos preços acessíveis do produto, que serão grandes impulsionadores. Consumo entre jovens Outro ponto importante abordado pela pesquisa é o aumento do interesse dos jovens de 16 a 25 anos por cafés, principalmente nas grandes metrópoles, por conta dos conceitos das cafeterias e inovações na categoria. Segundo dados de 2014 dessa mesma pesquisa, 49% dos jovens tomam café diariamente. O maior consumo fica para a faixa etária de 60 acima, onde mais de 89% declaram tomar café todos os dias.
cafeteria king of the fork kog

Novas cafeterias devem surgir com conceito moderno, como a King of The Fork (foto), localizada em Pinheiros, São Paulo (SP).

Crescimento de consumo Espera-se, segundo a Euromonitor, que cafeterias especializadas cresçam a taxas de 3,2% em números de lojas ao ano, aproveitando a tendência de “premiunização e gourmetização”. O consumo brasileiro também deve crescer de 2016 a 2017 a taxa de 2,9%. “Esperamos chegar a 21,3 milhões de sacas consumidas no Brasil”, prevê Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic. Para ele a indústria de café, que foi foco de outra pesquisa realizada pela Associação, “acredita em aumento de vendas em 2016”.

TEXTO Mariana Proença • FOTO Foto 1 e 3: Felipe Gombossy/Café Editora - Foto 2: Beatriz Cardoso/Café Editora

Receitas

Drinque sertão

drinque

Ingredientes
• 3 rodelas de limão-cravo
• 3 rodelas de limão-siciliano
• 3 rodelas de limão-taiti
• 3 rodelas de lima-da-pérsia
• 40 g de melaço de cana
• 15 ml de suco de maçã
• 70 ml de cachaça envelhecida
• 50 g de capim-santo picado
• Cubos de gelo

Preparo
Em uma coqueteleira, macere os limões e a lima-da-pérsia. Acrescente o melaço, a cachaça, o suco de maçã, o gelo e agite bem para misturar os ingredientes. Transfira a bebida para uma taça, decore com capim-santo, e tim-tim.

Rende 1 taça

(Receita originalmente publicada na edição impressa da Revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016).

FOTO Daniel Ozana/Studio Oz/Café Editora • RECEITA Renata Vanzetto, chef do restaurante EMA

Café & Preparos

Marina Person e o café

person

“Para mim, o café é fundamental. Tomo todos os dias pela manhã.”

A cineasta e apresentadora é fã de carteirinha do café coado, mas não gosta de levá-lo na garrafa térmica. Por esse motivo, foi presenteada pelos sogros – os pais do diretor Gustavo Rosa de Moura – com um Phin Filter, pequeno utensílio muito usado no Vietnã para o preparo do famoso vietnamese coffee. “Nem sempre a logística na minha produtora permite ter café fresquinho. Então, levo meu coador para aqueles momentos em que quero um café fora de hora no trabalho”, revela Marina, enquanto faz um pouco da bebida em uma de suas canecas preferidas, em que se lê “Menina Veneno”, em referência ao programa que ela apresentou na MTV, em 2004.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Leonardo Valle • FOTO Guilherme Gomes

Cafeteria & Afins

Chapel Hill Coffee – São Francisco (EUA)

Cafeteria Chapel Hill Coffee

Escondido em um beco no coração de Chinatown – essa é a frase com a qual o café Chapel Hill Coffee, em São Francisco (EUA), se apresenta ao público. Inaugurada em maio de 2015 pelos irmãos Rafael Vizcaino e Jorge Vizcaino (no passado eles comandavam na região um food truck de burritos, tradicional tortilha mexicana recheada com carne), a pequena cafeteria foi pensada, segundo eles, para unir simplicidade e aconchego, uma espécie de contraponto à área extremamente comercial onde a casa está instalada.

Cafeteria Chapel Hill Coffee

A arquitetura do local, marcada por um janelão que abre para a rua, sugere que ali – ao contrário das janelas e vidros fechados dos prédios – o café interage com a vida local.

Cafeteria Chapel Hill Coffee
A simplicidade da Chapel Hill, tão prezada pelos donos, se reflete na proposta do menu enxuto: os grãos selecionados e torrados pela Four Barrel Coffee (importante cafeteria em São Francisco) são destinados ao espresso (extraído de uma La Marzocco) e à Chemex, o único método de café coado oferecido pela casa. O blend muda todos os meses, mas há uma constância na origem dos grãos, como os da Colômbia, Guatemala e Etiópia.

Pouco e bom

Cafeteria Chapel Hill Coffee

Há outras bebidas como macchiato, cortado, cappuccino, mocaccino, chocolate, chá e cold brew, opção gelada para os dias encalorados da cidade. Apenas croissants (tradicionais e doces) da Neighbor Bakehouse – considerados os melhores da cidade, segundo os sócios – são servidos para acompanhar todas as sugestões. “Eu prefiro me concentrar em um bom produto em vez de levar tudo para todos”, diz Rafael Vizcaino. Esse estilo de comércio, que valoriza bons ingredientes (de preferência os de origem local), reflete um pouco o modo de vida californiano, segundo ele.

Na linha “viver de bem com a vida”, os irmãos Vizcaino incentivam que seus clientes coloquem menos laptops sobre as mesas da cafeteria e façam ali mais encontros entre amigos em torno de xícaras de café.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016. Sugerimos consultar o lugar para horários de funcionamento e mais informações)

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Commercial Street, 670, 94.111
Cidade São Francisco
Estado Califórnia
País Estados Unidos
Website http://www.chapelhillcoffee.com
Horário de Atendimento De segunda a sexta, das 8h às 15h30
TEXTO Janice Kiss • FOTO Practice for Architecture e divulgação

Mercado

Encontro discute história do chá e resgata consumo da bebida em São Paulo

Chás

O Museu da Arte Sacra de São Paulo realiza na próxima quarta-feira (27/4) o encontro “Chá, Histórias e Sabores”. O evento, que acontece mensalmente, terá como tema para abril “Os Modernistas: Literatura e Chá” e contará com a presença de Maria Candelária Moraes, historiadora, especialista em Patrimônio Cultural Cidade e Memória, e Daniela Reis, tea sommelier, certificada Internacionalmente pelo El Club del Té.

Museu Arte Sacra

O encontro pretende analisar o papel do chá em diversos lugares, resgatar a tradição de seu consumo e trabalhar a percepção de aromas e sabores. As especialistas esclarecerão os principais atores e agentes do movimento modernista, pontos de encontro da geração modernista e a presença do chá na literatura, acompanhada de uma degustação com salgados e doces.

Criado por Daniela Reis, o projeto começou em maio de 2015 e acontece normalmente nas últimas quartas-feiras de cada mês, salvo os meses de férias, janeiro, fevereiro e julho. A ideia é valorizar a presença do chá na história da cidade de São Paulo e resgatar a tradição de consumo do chá proporcionando uma experiência sensorial.

Serviço
Chá, Histórias e Sabores
Data: 27 de abril
Horário: das 16h às 18h
Local: Museu de Arte Sacra de São Paulo
Endereço: Museu de Arte Sacra de São Paulo – Av. Tiradentes, 676 – Luz – São Paulo (SP)
Vagas: 30
Valor: R$60 – incluso degustação de dois tipos de chás, com acompanhamento de salgados e doces
Inscrições: mfatima@museuartesacra.org.br
Mais informações: (11) 5627- 5393

TEXTO Da redação • FOTO Guilherme Gomes/Café Editora; Divulgação

Receitas

Refresco paraguaio

drinque Thiago Nego

Ingredientes
• Erva-mate para o preparo de tereré  (o suficiente para encher uma cuia de chifre)
• 15 g de menta desidratada (é possível encontrar em barracas e casas de ervas, e em mercados municipais)
• ¼ de fava de baunilha
• 20 g de capim-cidreira
• 5 cubos de gelo de café, feito a partir de um cold brew (pode ser comprado pronto ou extraído em casa)
• Café moído em granulometria grossa quanto baste

Preparo
Em uma jarra, coloque os cubos de gelo de café, feitos previamente, o café moído e água gelada, e reserve. Na cuia, junte as ervas e a baunilha cortada ao meio no comprimento (casca e sementes raspadas). Acrescente, na medida em que desejar, a mistura de água gelada, gelo de café e grão moído.

Rende 1 porção

(Receita originalmente publicada na edição impressa da Revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016).

FOTO Daniel Ozana/Studio Oz/Café Editora • RECEITA Thiago Nego, barista e responsável pela cachaça Samba Nego

Cafeteria & Afins

Âncora Coffee House – Poços de Caldas (MG)

Cafeteria Âncora Coffee House

No centro de Poços de Caldas, no Sul de Minas Gerais, a Âncora Coffee House se apoia em três típicas ofertas mineiras – café, pão de queijo e hospitalidade – para receber os clientes.

café vaporização_ancora coffee house

Os cafés da casa são das variedades bourbon amarelo, da Fazenda Recreio, de São Sebastião da Grama (SP), para o espresso (extraído de uma Nuova Simonelli), e acaiá, da Fazenda Curitiba, também de Poços de Caldas, para os coados (Hario V60, Aeropress, prensa francesa, Kalita e Chemex). A torrefação é feita na cidade, no ponto elaborado para a cafeteria.

Cafeteria âncora coffee house

Nos finais de semana, a casa sempre tem uma opção “gringa” de café, como do Panamá, do Quênia, da Etiópia ou da Colômbia. Na Âncora, os clientes também encontram lattes nas versões quente e gelada, além de dois preparos especiais: o Suit (água tônica, espresso e gelo) e o Mad Men (espresso, mel, cardamomo, laranja, água com gás e gelo).

Além do pão de queijo, os bolos do dia (alguns na versão integral), feitos pelo trio de funcionárias Daia, Bia e Fábia, são um sucesso. Entre os preferidos estão os de cenoura com especiarias e cream cheese, laranja, maçã com canela e fubá.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da revista Espresso, referente aos meses de dezembro, janeiro e fevereiro de 2016. Sugerimos consultar o lugar para horários de funcionamento e mais informações)

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Rio Grande do Sul, 1.102
Bairro Centro
Cidade Poços de Caldas
Estado Minas Gerais
País Brasil
Website http://www.facebook.com/ancoracoffeehouse
Telefone (35) 3715-9951
Horário de Atendimento De segunda a sábado, das 9h às 20h; fecha nos domingos e abre nos feriados
TEXTO Janice Kiss • FOTO Divulgação

Mercado

Brasil estará presente na maior feira de cafés especiais do mundo

scaa_feira_estados unidos Entre os dias 14 e 17 de abril acontece em Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos, o evento da Specialty Coffee Association of America (SCAA). É uma boa chance para aprender e compartilhar experiências com profissionais da indústria do café. Serão centenas de expositores, milhares de participantes, cursos e eventos. Anualmente empresários, produtores, torrefadores e demais participantes da cadeia cafeeira vão até a SCAA para saber quais são as novidades do setor de cafés. Também algumas empresas brasileiras levam suas marcas em estandes e apresentam o trabalho realizado no maior país produtor e exportador do mundo. Este ano, estarão presentes as fazendas e torrefações nacionais AC Café (estande 1459), Daterra Coffee (estande 1631), Fazenda Ambiental Fortaleza (estande 1260), Ipanema Coffees (estande 1545) e JC Coffee Farms / Cocarive (estande 1639). scaa_café_barista_feira Celebrando o jubileu de prata, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) terá um estande comemorativo aos 25 anos de sua história e também lançará o livro BSCA – 25 anos – Jubileu de Prata, editado pela Café Editora, onde traz as histórias dos fundadores, linha do tempo completa, depoimentos dos presidentes, resumo das regiões brasileiras produtoras de café, além de perspectivas para o futuro. O estande será o 1113. As indústrias brasileiras de máquinas de torra, Lilla (estande 536) e máquinas agrícolas Palini & Alves (estande 1704) e Pinhalense (estande 809) estarão também apresentando seus produtos para o mercado internacional. mariana proença No primeiro dia de conteúdo, 15/4, das 9h às 10h15, a diretora de redação da Espresso, Mariana Proença, fará uma palestra na seção Lectures (sala B402) sobre o mercado de torra no Brasil, focando cases de produtores e microtorrefadores nacionais e mostrando um panorama sobre os consumidores brasileiros. Juntamente com palestrantes dos Estados Unidos, Colômbia e México, a jornalista tratará do tema “Por que há países produtores investindo na torra?” Acompanhe nas mídias sociais da Espresso todas as tendências do evento. Siga-nos no Facebook, Instagram e Twitter. Mais informações: www.scaaevent.org

TEXTO Da redação • FOTO Café Editora

O empoderamento do produtor

ilustração coluna barística
Em casa de ferreiro, o espeto é de pau, diz a expressão popular. O provérbio é muito usado pelo Brasil, não na mesma quantidade em que bebemos café diariamente. Mas ele serve perfeitamente de exemplo para o fato que contarei agora. Em andanças pelo Brasil e nas visitas a fazendas e sítios, uma coisa é fato: muito cafeicultor não conhece o próprio café. A hospitalidade do povo da roça é algo maravilhoso, mas, normalmente, o bolo é melhor que o café, o queijo é melhor do que o café, o suco, a rosca doce, e por aí vai. Depois de comer de tudo um pouco (motivo dos quilos a mais), a gente até esquece o café que amargou a boca. “Esse café é aqui da fazenda?” – vem a pergunta. “Não, esse aqui eu comprei no mercado.” Momento de reflexão e análise. Mas por que será que eles compram o café? Sempre pensei. Eles são produtores do fruto, trabalham debaixo do sol, colhem, secam, beneficiam e não tomam? Pois é, muitos não tomam o próprio café que produzem.

Esse é o primeiro sinal da complexidade dessa bebida. Se todo brasileiro pudesse conhecer uma fazenda de café, com certeza ele mudaria completamente a forma de valorizar o que toma. Se todo produtor tomasse o próprio café, ele transformaria o que cultiva. Pode ser utopia, mas acredito que contribuiria em muita coisa.

A primeira dificuldade para o produtor tomar o próprio café consiste numa etapa crucial pela qual passa o grão: a torra correta. Se o sítio tem um torrador, normalmente é um manual, com poucos recursos, que acaba queimando o café. Além, claro, do trabalho que dá para ele depois moer o grão para preparar a bebida. Por isso a realidade da maioria dos produtores é nunca ter provado seu café na sua melhor performance.

Porém, tenho percebido mudanças nos cafeicultores que passam a focar a produção de cafés especiais quando têm acesso ao conhecimento. Há um interesse enorme – um misto até de curiosidade – em identificar os aromas e os sabores de seus grãos. Um momento de redescoberta do seu produto. Muitas iniciativas de capacitação dos cafeicultores pipocam pelo Brasil afora em provas profissionais, eventos, palestras, concursos, etc. Isso os ajuda a entender o que eles têm nas mãos. O que os leva, muitas vezes, a investir em equipamentos mais apropriados e até a pensar em empreender um pequeno negócio de venda do seu produto na região, de forma mais intimista, muitas vezes.

Oportunidades que antes se restringiam à colheita e ao manejo do produto cru passam a agregar valor. Isso ajuda os produtores a negociar melhor a venda para os torrefadores nacionais e internacionais, agrega aprendizado de outra etapa da cadeia do café e ainda os faz ter orgulho daquilo que produzem. O empoderamento do produtor e da produtora de café vem tornando esse profissional mais exigente e capaz de, já na colheita, entender por que ele deve priorizar os frutos maduros, mexer o café no terreiro várias vezes ao dia, evitar a umidade, e tantas outras etapas importantes.

O sentimento de orgulho de algo, de mostrar e fazer brilhar os olhos é o que nos move diariamente. Como os pais e mães vão convencer os filhos a permanecer no campo se eles não puderem mostrar, por meio do exemplo, que há oportunidade de crescer e alcançar objetivos claros com um produto cultivado no campo? Só havendo essa conexão, acredito, poderemos dizer que vale a pena tanto esforço. A rapadura é doce, mas não é mole.

MARIANA PROENÇA é jornalista. Em 2006 assumiu a direção de conteúdo da Espresso e, meses depois, o café já tinha virado uma paixão, que dura até hoje. Nesta coluna ela aborda diversos temas e experiências sobre a profissão barista. Fale com a colunista: mariana.proenca@cafeeditora.com.br

ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes
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