Cafeteria & Afins

Maratona #cafeteriadodia: uma volta pelos cafés de SP

Foram 35 km, 4 cafeterias, 4 espressos, 1 latte, 2 coados e umas comidinhas também, porque ninguém é de ferro. Nesta quinta-feira (19/3), embarcamos em uma maratona para conhecer algumas cafeterias de São Paulo e ficamos muito felizes com a nova safra de cafés que estão abrindo pela cidade. Tínhamos mais alguns endereços para conferir, mas a chuva forte impediu o avanço. Os nomes continuam na lista, afinal, apenas começamos a nossa jornada com a nova hashtag Espresso: #cafeteriadodia . Junte-se a nós, publique uma foto da sua cafeteria preferida no Instagram e marque com a hashtag. As três fotos mais legais serão publicadas na próxima edição da revista. Abaixo, você confere alguns destaques e as cafeterias pelas quais passamos. 10h – Alice Café Boa opção pela região do Paraíso. Tem grãos Bike Café e serve espressos, lattes (R$ 6), café coado (R$ 5) e cappuccino. A casa oferece também pães de fermentação natural, sanduíches, cookies e bolos. Onde: Rua Cubatão, 305, Paraíso, São Paulo. alice_cafe alice_cafe_ 11h30 – Beluga A cafeteria localizada no Centro de São Paulo é ótima opção para tomar bons cafés, preparados em diversos métodos como coado na Hario V60, Aeropress, latte e espressos bem extraídos (R$ 4 – Wolff Café), além de bebidas geladas. Pães, doces e bolos podem acompanhar os cafés. A identidade visual da casa reflete o bom gosto dos proprietários na escolha da decoração simples e moderna. Onde: Rua Dr. Cesário Motta Jr., 379, Vila Buarque, São Paulo. beluga_cafe beluga_cafe beluga_cafe 13h30 – Torra Clara Café Serve três opções de grãos de marcas diferentes – Fazenda Ambiental Fortaleza (FAF), Suplicy e Mitsuo Nakao -, em preparos diversos como espresso, Hario V60 (R$ 9 – Fazenda Ambiental Fortaleza), chemex, Aeropress e bebidas geladas. O ambiente é aconchegante e com bela decoração. Por lá, também são servidas tortas para almoço, em porções generosas que acompanham salada. Onde: Rua Oscar Freire, 2286, Pinheiros, São Paulo. torra_clara_cafe cafe_torra_clara cafe_torra_clara 14h40

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– The Little Coffee Shop Pequenino café na esquina da rua Lisboa, em Pinheiros. Pegue um café para viagem ou fique por ali papeando com a barista e dona do lugar, Flavia Pogliani. A cafeteria serve bolos, cookies e doces para acompanhar o café espresso (R$ 3) ou coado, preparados com grãos selecionados pelo Coffee Lab. Onde: Rua Lisboa, 357 A (quase esquina com a R. Artur de Azevedo), Pinheiros, São Paulo. thelittle_coffee_shop the_little_coffee_shop thelittle_coffee_shop the_little_coffee_shop E a chuva chegou… revista_espresso

TEXTO Mariana Proença e Hanny Guimarães • FOTO Café Editora

Receitas

Rolinho de vegetais, gengibre e camarão com molho picante de manga

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Ingredientes
• 1 pacote de folha de massa de arroz
• 200 g de camarão-rosa fresco sem casca
• 1 cebola roxa
• 4 dentes de alho
• 1 cenoura
• 1 pimentão vermelho
• 1 pimentão amarelo
• 1 pepino japonês
• 1 pimenta dedo-de-moça
• 2 pedaços médios de gengibre
• 4 xícaras de suco de manga fresca
• 1 xícara de amendoim torrado leia mais…

FOTO Daniel Ozana • RECEITA Gustavo Rigueiral, do Chef à Porter

Café & Preparos

Conheça os vencedores do concurso cultural #1_cafenoverao

A Revista Espresso, em parceria com Marina Klink, idealizadora do perfil @1_cafe_e_a_conta no Instagram, realizou um concurso para eleger as 10 melhores fotos publicadas com a hashtag #1_cafenoverao. Centenas de imagens foram publicadas, com muitas fotos bacanas dos internautas, mas apenas 10 imagens foram escolhidas para receber 1 ano de assinatura da revista Espresso. Fique por dentro dos próximos concursos e compartilhe o seu amor pelo café. Os ganhadores devem enviar e-mail para: contato@cafeeditora.com.br. São eles: Ana Cristina Carneiro – @acrispc Carla – @calorenzi André Galassi – @andre0gg Cafedoduque – @cafedoduque Cevadaria Beer Store – @cevadaria Fred Ayres – @fredtatagiba Alexandre Fuzil – @fuzil LuizVecchi – @luisvecchi Leonor de Oliveira Doria – @pink_doria Dalton Neves – @daltonn2 Abaixo, confira as 10 fotos vencedoras: mosaico (3)

TEXTO Da redação • FOTO Reprodução/Instagram

Café & Preparos

10 trilhas sonoras para ouvir na sua cafeteria preferida

Coffeeshops

Aqui na redação o trabalho é movido a café e música. Quem trabalha em cafeteria ou vai para um café para trabalhar também sabe que a dupla anda sempre junta, seja com trilha sonora do lugar ou a sua própria nos fones de ouvido. É um estímulo a mais para as tarefas. Por isso, selecionamos 10 playlists no Spotify – esse serviço de música por streaming tem dezenas de playlists para coffeeshops – com músicas que deixam nosso dia mais feliz.

Tem de tudo um pouco… Rock, indie, jazz, bossa-nova, e vários outros temas estão nas listas. Vale fazer a sua conta, escolher a playlist preferida, e perguntar a senha do wi-fi da cafeteria – claro, se estiver sozinho ou não quiser bater um papo com os baristas da casa – para curtir seu café numa boa. E se você tem uma trilha exclusiva e quer compartilhar, fique à vontade!

Barista Blend
O que tem para ouvir: Norah Jones, Nico, Alexi Murdochi, Bob Dylan, Bruce Springsteen, etc.

Your Favorite Coffeehouse
O que tem para ouvir: Joshua Radin, Iron and Wine, Kings of Convenience, Ray LaMontagne, Elliot Smith, The Weepies, etc.

Coffeetable Jazz
O que tem para ouvir: Miles Davis, Bill Evans, Branford Marsalis, Stan Getz, etc.

Coffeehouse Blend
O que tem para ouvir: The Civil Wars, She and Him, Jeff Buckley, Alabama Shakes, etc.

Your Morning Coffee
O que tem para ouvir: Nick Drake, Simon Garfunkel, Sufjan Stevens, The Shins, etc.

Coffee to walk
O que tem para ouvir: Jake Isaac, Shakey Graves, Ryan Corn, Bahamas, etc.

Irish Coffee
O que tem para ouvir: Hozier, Lisa Hannigan, Glen Hansard, Damien Rice, etc.

Roasters Coffee Shop
O que tem para ouvir: James Vincent McMorrow, Ryan Adams, Amos Lee, The Decemberists, etc.

Coffee Shop Music
O que tem para ouvir: Astrud Gilbert, Esperanza Spalding, Billie Holiday, Céu, Frank Sinatra, etc.

Coffee Stains on my Denim
O que tem para ouvir: Jimi Hendrix, Neil Young, The Clash, The Black Keys, The White Stripes, Led Zeppelin, etc.

*Clique no nome da trilha para acessar a lista de reprodução desejada (é preciso ter conta no Spotify. Faça gratuitamente clicando aqui)

TEXTO Redação • FOTO Reprodução/Spotify

Cafezal

SP volta a vencer Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso

premioilly O Estado de São Paulo, que desde 2011 não vencia o Prêmio Ernesto Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso, voltou a estar representado no primeiro lugar do pódio. Da cidade de Sarutaiá (região de Piraju), o produtor Norival Favaro, que já havia aparecido entre os primeiros colocados de edições anteriores, conquistou o campeonato deste ano, referente a safra 2014/2015. O 24º Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso entregou a Norival, da Fazenda São Marcos, R$ 60 mil e um troféu, recebidos da diretoria da illycaffè, incluindo o presidente Andrea Illy, na noite do último dia 13 de março, em São Paulo. Em segundo lugar, Antonio Bittencourt Ramos, das Matas de Minas recebeu R$ 35 mil. Já na terceira colocação, ficou o paulista Carlos André Dognani – último do Estado de São Paulo a conquistar a categoria nacional, na cerimônia de 2011 – que dessa vez levou R$ 18 mil. Na quarta colocação esteve Ronalt Marques de Araújo, também das Matas (R$ 9 mil), e Diogo José Myaki, do Cerrado Mineiro, ficou na quinta posição (R$ 5 mil). Vencedores regionais Além da categoria nacional, foram concedidos prêmios na regional para os melhores de São Paulo, Matas de Minas, Cerrado Mineiro, Sul de Minas, Chapada de Minas, Centro-Oeste e Sul do país. Foram 40 cafeicultores finalistas, além de classificadores, que também foram premiados pela illycaffè, que distribuiu mais de R$ 200 mil aos premiados. A escolha dos melhores cafés foi feita por uma comissão julgadora, com especialistas nacionais e internacionais, por meio de testes com equipamento de luz ultravioleta e pela classificação do grão quanto ao aspecto, seca, cor, tipo, teor de umidade, torração e quanto à qualidade da bebida, com degustação para espresso. O público presente no evento ainda conheceu o Fornecedor do Ano, a Ecoagrícola Café, de Marcelo e Roberto Flanzer. A eleição foi feita pelo júri do Clube illy do Café — programa de fidelidade da illycaffè que reúne os principais fornecedores da empresa – com base nos critérios de fidelidade do produtor, pontualidade de entrega, apresentação do produto, cumprimento da quantidade e qualidade vendidas, correspondência do lote com a amostra original e participação no Programa de Sustentabilidade e no Prêmio. O prêmio é uma viagem cultural à Itália, com direito a acompanhante, para visita à EXPO 2015 em Milão e à sede da illycaffè, em Trieste, entre outros atrativos. Confira a lista completa dos ganhadores Colocação/Produtor/Cidade/Estado 1° Norival Favaro – Sarutaiá – SP 2° Antonio Bittencourt Ramos – Araponga – MG 3° Carlos André Dognani – Timburi – SP 4° Ronalt Marques de Araújo – Manhuaçu – MG 5° Diogo José Myaki – Patrocínio – MG Vencedores regionais São Paulo – Norival Favaro / Carlos André Dognani Matas de Minas – Antonio Bittencourt Ramos / Ronalt Marques de Araújo Cerrado Mineiro – Diogo José Myaki / Gerson Naimeg e Outros Chapada de Minas – Eduardo Shiniti Yamaguchi /Cláudio Esteves Gutierrez Sul de Minas – Adolfo Henrique Vieira Ferreira / Joaquim Geraldo Ribeiro do Valle Centro-Oeste – Carlos Alberto Leite Coutinho Sul – Orlando von der Osten Classificadores do Prêmio 1° Edivaldo Batista Generoso (Minas Gerais) 2° Edenilson de Oliveira Cabral (Minas Gerais) 3º Anderson Rogério da Silva (Minas Gerais) 4º José Reinaldo Vieira Antunes (Minas Gerais) Classificadores da Safra 1° em lotes Luiz Evandro Ribeiro (Minas Gerais) 1° em sacas Claudio Oliveira e Silva (Minas Gerais)

TEXTO Da redação • FOTO Café Editora

Café & PreparosCafezal

Lucca tem edição limitada de campeões do Cerrado Mineiro

Cafés Lucca - Cerrado O Lucca Cafés Especiais lançou neste mês de março a edição limitada de cafés do II Prêmio da Região do Cerrado Mineiro. A cafeteria e torrefação de Curitiba (PR) comprou seis microlotes premiados – 1º lugar da Categoria Natural e também os 2º e 3º lugares da categoria Cereja Descascado, além da Dop Espresso, marca de cafés em cápsulas que leva a assinatura Lucca, arrematar grãos da Categoria Natural no concurso. Esses lotes estão sendo oferecidos em cápsulas e em grão. Entre os cafés, estão três microlotes da Fazenda Dona Nenem (foto), de Presidente Olegário (MG), que faturou o 1º lugar no concurso na categoria Natural, com 91,25 pontos, o 2º lugar na categoria Cereja Descascado, com 88,5 pontos, e a 3º posição também na categoria Cereja Descascado, com 87,7 pontos. A loja, localizada no bairro Batel, ganhou banners que mostram quem são os produtores, falam dos cafés produzidos e do trabalho que os produtores realizam no Cerrado. Os grãos estão sendo comercializados na loja virtual do Lucca e na Dop Espresso. Mais informações: www.luccacafesespeciais.com e dopespresso.com

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Lucca

Barista

Baristas disputam campeonatos brasileiros de Latte Art e Coffee in Good Spirits

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Entre os dias 16 e 18 de março, os baristas do país disputam o 8º Campeonato Brasileiro de Latte Art e o 8º Campeonato Brasileiro Coffee in Good Spirits. Os eventos acontecem na 3ª edição da Food Hospitality World I Feira Profissional de Alimentação e Hospitalidade, no São Paulo Expo Exhibition & Convention Center, em São Paulo (SP).

No Campeonato de Latte Art os profissionais devem demonstrar criatividade na execução de desenhos no café, utilizando leite. Cada barista terá 5 minutos de preparação e 6 minutos de apresentação e será julgado por dois juízes visuais, um técnico e um juiz chefe. O campeonato é composto por duas etapas. Na preliminar, o barista executa quatro bebidas, sendo dois cafés latte idênticos “free pour” (só com uso da leiteira) e dois cafés com leite idênticos de assinatura (podendo usar técnicas de desenho – sketching). Na etapa final, o barista prepara seis bebidas, sendo dois macchiatos, dois cafés latte idênticos e dois cafés com leite idênticos de assinatura.

Já o Campeonato Coffee in Good Spirits destaca habilidades de mixologista do barista, com a combinação de café e bebidas alcoólicas. Desde o tradicional Irish Coffee até combinações de coquetéis exclusivos. Cada competidor terá cinco minutos de preparação e oito minutos de apresentação onde será julgado por dois juízes sensoriais, um juiz técnico e um juiz chefe. Durante a fase preliminar, cada concorrente deverá preparar quatro bebidas de assinatura, duas quentes e duas frias, com álcool e café. Os maiores pontuadores vão competir na rodada final, onde devem produzir dois Irish Coffee e duas bebidas de assinatura.

Os vencedores de cada competição irão participar dos concursos mundiais em Gotemburgo, na Suécia, em junho deste ano.

Confira, abaixo, os baristas competidores nos dois campeonatos e a programação dos eventos, segundo informações da Associação Brasileira de Café e Barista.

Latte Art
João Augusto Michalski (Café Du Coin)
Daniel Nunes (Café do Mercado)
André Martinelli dos Santos Junior (Caffe Vogue)
Antonia Raquel Castro (Cafezal)
Daniel Acosta Busch (Rause Café e Vinho)
Eder Ferreira Delfino (JJ Food Solutions)
Erick Brito (Octavio Café)
Hugo Santos Silva (Octavio Café)

Coffee In Good Spirits
Ellen Krause (Rause Café e Vinho)
João Augusto Michalski (Café Du Coin)
Igor Sales (Black Coffee)
Marina Cristina Moura (Black Coffee)
João Santarosa Esmanhoto (Rause Café e Vinho)
Eduardo Affonso Scorsin (Lucca Cafés Especiais)
Thiago Rodrigo dos Reis (Torriton)
Sylas Pereira Soares da Rocha (Noh Bar e Restaurante)
Edgar Martins (Urbe Café Bar)
Annete Alves da Silva (Noh Bar e Restaurante)
Andreson Vinicius Ramos (Autônomo)
Denis Guilherme Barbosa (Octavio Café)
Rogério Rabbit (Autônomo)

Programação
16 de março – das 15h às 19h: Campeonato preliminar Latte Art
17 de março – das 13h30 às 20h: Campeonato preliminar Coffee in Good Spirits
18 de março – das 13h30 às 20h: Finais por categoria

São Paulo Expo Exhibition & Convention Center: Rodovia dos Imigrantes, km 1,5 – São Paulo (SP). Entrada gratuita.

TEXTO Da redação • FOTO Café Editora

Café levado a sério

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Como profissional de café, me parece estranho que, na maioria dos melhores restaurantes do mundo, se sirva uma xícara de café medíocre. Acho difícil aceitar que um dos melhores restaurantes de São Paulo, que se orgulha de servir ingredientes de origem local, serve um café de baixa qualidade que se pode achar no supermercado. Mesmo quando em pequenas fazendas, a apenas algumas horas de distância, se produzam os melhores cafés do Brasil. Cafés que muitas pessoas – eu me incluo entre elas – viajam por todo o mundo para encontrar.

Então, por que o café ainda não é levado a sério nesses restaurantes? Eu suspeito que isso tenha a ver com dinheiro. As grandes empresas de café dão máquinas e, em alguns casos, dinheiro aos restaurantes, a fim de que sirvam o seu produto. É uma forma barata de comercialização como algo superior apenas por ser associado a um grande chef. Há também a tradição de usar o café como uma maneira de os restaurantes fazerem um bom dinheiro. Eles compram o café mais barato e o vendem caro.

Felizmente, existem chefs que estão começando a mudar essa visão. Tenho a sorte de poder ajudar um deles, o chef René Redzepi, a desenvolver um novo programa de café em seu restaurante, o Noma, em Copenhague, que é considerado o melhor restaurante do mundo. Há dois anos, fui contatado por René e seu sommelier para ajudá-los a melhorar o serviço de café no lugar. Eles perceberam que não estavam dando tanta atenção ao grão do jeito que se importavam com os outros ingredientes e queriam que ele atingisse o mesmo padrão de todos os outros ítens oferecidos no restaurante. Um ano mais tarde, depois de horas de treinamento e degustação, foi lançado o novo serviço de café do Restaurante Noma.

Decidimos concentrar nossas energias a fim de buscar o melhor café que pudesse chegar a nossas mãos e prepará-lo com um simples filtro de papel manual, o Hario V60. Muito similar ao preparo da maioria dos cafés escandinavos. Nós recebemos muitas críticas dos profissionais do setor. Para eles, o método era muito simples e poderíamos ter escolhido um caminho mais espetacular de fazer café, por exemplo, usando o sifão ou pelo menos preparando o grão ao lado das mesas para que os convidados pudessem ter uma apresentação adequada.

A meu ver, esse é um dos motivos pelos quais não há mais restaurantes que servem um café de excelente qualidade. Nós, profissionais do café, dificultamos muito a compreensão tanto dos chefs como dos clientes. O serviço simplista no Noma foi muito bem pensado. Queríamos que os clientes experimentassem o café em si, e não todo o burburinho em torno dele.

No entanto, ainda temos desafios, e um dos maiores é mudar a percepção dos clientes. Mesmo em minha própria cafeteria, ainda precisamos educar as pessoas sobre o sabor da bebida, que a maioria, normalmente, acredita ser amargo e forte. Mas um ótimo café não necessariamente é assim. Para mim, um café delicioso pode ter gosto de chá, tangerina, jasmim, etc. Com certeza não é muito amargo e é naturalmente doce. Mas nem todos os clientes serão capazes de entender que o café não é apenas café. A formação de sommeliers para apresentar a bebida é, portanto, fundamental.

Logicamente, a preparação exige um pouco de atenção, mas com treino e bons sistemas no local, fazer um café saboroso não será um problema. Encontrar os ingredientes certos pode ser um tanto desafiador. Por isso, é indispensável para um restaurante trabalhar junto com um bom torrador, que selecione os melhores grãos de pequenos produtores e que possa ajudar com treinamentos e sistemas de preparação.

Acredito que os restaurantes brasileiros deveriam liderar o mundo servindo o melhor café. Afinal, eles têm as fazendas em seu quintal e a bebida faz parte da cultura e da história do Brasil. Isso é algo que deve deixar os chefs e sommeliers brasileiros orgulhosos. É também um jeito fácil de fazer com que os visitantes saiam com um sorriso no rosto em vez de partir com um gosto amargo na boca.

* Tim Wendelboe é torrador e consultor de cafés especiais, proprietário do Tim Wendelboe Espresso Bar, em Oslo, na Noruega.

ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes

Cafeteria & Afins

The Little Coffee Shop – São Paulo (SP)

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Em um espaço de 2 metros quadrados na capital paulista surgiu uma cafeteria que parece ser a menor do mundo. Lá, tudo é pequenino e muito charmoso. A barista Flávia Pogliani, proprietária do lugar e quem comanda a máquina de espresso com a maior habilidade, também é organizadora da Coffee Week Brasil.

Sua relação com o café surgiu durante uma viagem à Austrália. Para se manter pelos quatro anos em que esteve do outro lado do mundo, trabalhou como barista, exercitando sua habilidade no preparo de cafés que vão desde o tradicional espresso ao cold brew (método de extração a frio).

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Ao voltar para o Brasil, a vontade de ter o próprio negócio com cafés especiais foi aumentando. Até que a parte de baixo do sobrado de sua família, em Pinheiros, se tornou palco da realização de um sonho.

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Maravilha de café
Grãos garimpados nas cidades de Jesuânia e Lagoa Formosa, ambas no Sul de Minas Gerais, pelo Coffee Lab, que compõem o blend da casa, resultam em um espresso encorpado, doce e muito frutado. Em breve, a empreendedora pretende incluir cafés filtrados na Hario V60 e na aeropress. Para refrescar, serve garrafinhas de café gelado da marca True Coffee.

Bolos fresquinhos da Casa Baunilha, sob o comando do confeiteiro Michel Scherer, chegam diariamente. Os sabores variam, mas os de laranja, pera com caramelo brûlée e iogurte com limão já são bem pedidos no local. Bolos gelados de maracujá, abacaxi, framboesa, além de outros sabores, e também o fudge, doce artesanal com base de chocolate e acréscimo de nozes, castanhas e frutos secos, da Ellas Gastronomia, adoçam o paladar durante a passagem rápida pelo balcão do pequeno café.

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O sucesso da cafeteria é tão grande que, em menos de três meses de funcionamento, a barista já computou a venda de cem espressos por dia.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Lisboa, 357
Bairro Pinheiros
Cidade São Paulo
Estado SP
País Brasil
Website http://www.facebook.com/thelittlecoffeeshopbr
Telefone (11) 2385-5430
Horário de Atendimento De segunda a sexta, das 12h às 17h30
TEXTO Amanda Ivanov • FOTO Café Editora

Café de precisão

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Quando o barista está envolvido entre balanças, termômetros, chaleiras, água quente, dosadores, moinhos, cronômetros, pitchers, tampers e, claro, cafés especiais, ufa!, normalmente sai muita coisa boa dali. Hoje, cada vez mais, temos acesso a utensílios modernos para o preparo da bebida. Mas essa não é a realidade da maioria. O Brasil continua mantendo seus 97% de consumidores de café coado feito de forma tradicional, em casa, porém há mais gente interessada em novas formas de fazer do café um hábito inovador.

Por isso as cápsulas e as novidades que elas trazem são tão amadas no Brasil e vêm crescendo a galopantes 46,5% entre 2012 e 2013, segundo pesquisa da consultoria Nielsen. Mas o total de lares que têm cápsulas ainda é pequeno (0,6% dos domicílios no País), o que demonstra o enorme potencial que ainda existe.

Na época que as cápsulas chegaram por aqui, abriu-se debate sobre a continuidade da profissão barista. Com o tempo e os novos métodos de café surgindo, viu-se que havia espaço para os dois caminhos. E, mesmo dentro das grandes marcas de monodoses, há baristas trabalhando e pesquisando sobre o tema café.

Países mais maduros no consumo de café especial estão numa fase diferente da nossa, mas que, logo, logo, chegará por aqui. É o café coado high-tech. O espresso está na crista da onda quando o assunto é tecnologia de extração, máquinas caseiras e profissionais. Já o coado, nos últimos anos, voltou-se para o lado manual, com inúmeros preparos supermodernos, com filtros de formatos diversos, pressões e infusões variadas, que dependem muito da mão do barista.

Nas cafeterias, esses métodos são servidos como diferencial e agregam maior valor ao gasto médio do cliente, além de trazer junto o conceito de apreciar com mais calma a bebida: o slow coffee. Os preparos manuais exigem muito conhecimento. Qualquer deslize na quantidade de café, na inclinação da chaleira, na temperatura da água e no humor do barista pode arruinar um preparo.

Estão pipocando pelo mundo invenções que procuram diminuir essas variáveis e que são principalmente positivas para cafeterias que queiram ter volume de serviço e padrão de bebida. Mas também há equipamentos para uso residencial, que se assemelham ao conceito da cafeteira elétrica, mas que têm muita tecnologia aplicada. Nessas inovações, o mais comum hoje é ver aplicativos de mobiles que se conectam com máquinas e, a partir de informações salvas do perfil do usuário, produzem as bebidas de preferência daquela pessoa. Se você gosta do café mais diluído, mais forte ou com leite e também quer controlar a temperatura ideal para a extração, o aplicativo armazena tudo.

Com uma busca no site KickStarter, que arrecada fundos para projetos inovadores, é possível achar várias ideias incríveis de café. Uma delas é a máquina Arist, feita por uma empresa de Hong Kong, que já alcançou a meta de 120 mil dólares e vai produzir o equipamento. Entre as funções para preparar o café, há salvar as receitas preferidas, ajustar a quantidade de leite, a temperatura da água, a pressão e a moagem do café, sempre atendendo ao que o dono da máquina gosta. O slogan é “Como os melhores baristas fazem”.

Nessa linha de inovações, o barista norueguês e campeão mundial em 2004, Tim Wendelboe, assina um equipamento para café filtrado, o Wilfa Svart, que é muito simples, com design clean e precisão de temperatura e quantidade de café. Nele o apreciador prepara a bebida com as quantidades exatas e ideais para cada grão.

Por fim, as cafeterias que querem investir no preparo filtrado já têm diversos equipamentos que ficam embutidos no balcão: torre de água, balança e até lavador de xícaras, como é o caso da Über Boiler, equipamento da Marco desenvolvido em parceria com o barista James Hoffmann. Porém nada disso funciona perfeitamente sem conhecimento e estudo do barista. Ele é o profissional que vai explicar tudo sobre os cafés e os preparos. Porque uma boa conversa no balcão, ah, para essa ninguém encontrou um substituto ainda.

*Mariana Proença é jornalista. Em 2006 assumiu a direção de conteúdo da Revista Espresso e, meses depois, o café já virou uma paixão que dura até hoje. Nesta coluna ela aborda diversos temas e experiências sobre a profissão barista. Fale com a colunista: mariana.proenca@cafeeditora.com.br

ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes