Cafeteria & Afins

Cult Coffee Roasters – Edimburgo (Escócia)

A Cult Coffee Roasters é uma cafeteria que convida os clientes a se aquecerem nos dias frios e cinzentos de Edimburgo. Localizada no bairro de Newington, a casa fica distante do centro turístico, mas próxima da Universidade de Edimburgo, o que contribui para uma atmosfera descontraída, jovem e diversa.

Em uma rua repleta de edifícios do século XVIII, com estilo georgiano, janelas altas e paredes de pedra, a cafeteria destaca-se por sua fachada moderna. O contraste também pode ser visto no interior da espaço, onde a estrutura industrial, que deixa tijolos e tubulações à mostra, diferencia-se da decoração intimista, com poltronas e sofás antigos e quadriculados que, combinados com a iluminação indireta, fazem do salão uma sala de estar, lugar perfeito para um café quente nos dias chuvosos, tão comuns na cidade.

Os grãos utilizados na casa vêm de diferentes países produtores, como Colômbia, Equador, Guatemala, Indonésia, Índia e Brasil. No dia da visita, a seleção para o coado, preparado na kalita wave, era um blend de cafés lavados do Equador (bourbon, sidra e típica), cultivados por um pequeno produtor na região de Pinchichua, nos Andes, a 1.340 m de altitude.

Os pedidos são feitos e retirados somente no balcão. Assim como em muitas cafeterias do Reino Unido, a bebida foi servida em copos de cerâmica preta – o que impede a experiência visual da cor do café. Apesar disso, o sabor não foi apagado. Suave e adocicado, com notas de frutas vermelhas e cítricas e um leve toque de chocolate ao leite, o café também apresentou acidez brilhante e bem equilibrada, complementada por um corpo médio e sedoso.

O cardápio de comidas da Cult oferece opções leves e saudáveis de toasts, wraps, saladas e bowls, com foco em produtos frescos e ingredientes locais. Pedimos o toast de salmão, que foi preparado com uma fatia generosa de pão artesanal sourdough, crocante por fora e macio por dentro, coberto por fatias finas de um delicioso salmão defumado, cream cheese, nozes picadas, alcaparras e folhas verdes. Para finalizar, escolhemos outro toast, desta vez de banana com pasta de amendoim, canela e calda de espresso da casa, que harmonizou perfeitamente com o espresso feito com um blend de cafés lavados colombianos (caturra e castillo, esse último, uma variedade colombiana). As notas de chocolate amargo, amêndoas e grapefruit agradaram, assim como o corpo e a acidez, que estavam no ponto certo e foram completados por uma surpreendente doçura.

Toast de banana com pasta de amendoim e toast de salmão no pão sourdough

A Cult Coffee Roasters destaca-se por seu compromisso com a torra artesanal de qualidade e pela seleção de grãos. Cada xícara é uma experiência sensorial, sejam espressos intensos ou filtrados delicados. A comida, simples e saborosa, valoriza a qualidade dos ingredientes e está à altura dos cafés de alta qualidade oferecidos na casa.

Nossa conta: £22,6 (R$ 158,20) + taxa de serviço
Filtrado – £6.5 (R$ 45,5)
Espresso – £3.1 (R$ 21,7)
Toast de salmão – £8.3 (R$ 58,1)
Toast de banana – £4.7 (R$ 32,9)

*O valor foi convertido levando em consideração a data da visita (£1 = R$ 7)

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Mercado

Brasileira The Coffee estreia em Sydney e amplia expansão internacional

Rede fundada em Curitiba abre primeira unidade australiana no bairro litorâneo de Manly, de olho em novas lojas na cidade

A rede brasileira de cafeterias The Coffee inaugurou sua primeira loja na Austrália, no subúrbio de Manly, em Sydney, informou o portal especializado Beanscene Magazine. Fundada em 2017 pelos irmãos Alexandre, Carlos e Luis Fertonani, a marca se apresenta como uma cafeteria brasileira inspirada na estética japonesa.

Em oito anos, o negócio saltou para mais de 250 unidades em 13 países, entre eles Áustria, Espanha, França, México, Colômbia, Peru e Emirados Árabes Unidos. Em Sydney, a expansão já está confirmada: segundo o site da rede, uma nova loja deve abrir em Surry Hills.

A chegada da The Coffee acontece no mesmo momento em que a japonesa % Arabica prepara uma loja emblemática em Bondi, outro bairro costeiro da cidade. A entrada de marcas internacionais acirra a concorrência no mercado australiano, considerado um dos mais maduros do mundo no consumo de café.

O movimento faz parte da estratégia de internacionalização da rede curitibana, que pretende alcançar 2 mil unidades até 2028, e prevê novas inaugurações na Bélgica ainda este ano.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Marketing pro bono

Por Celso Vegro

Para qualquer agente econômico envolvido no agronegócio café, ao ponderar sobre possíveis estratégias de marketing, a imagem que chega imediatamente à mente é a do mítico personagem Juan Valdez, o exemplo de maior êxito global em favor da excelência do café colombiano. Criado no final dos anos 1950, a imagem do cafeicultor com sua mula (ou burro) tornou-se emblemática para todos os apreciadores da bebida ao redor do mundo. Ademais, por envolver também os demais agentes da cadeia produtiva, consolidou uma identidade do segmento cafeeiro colombiano em seu conjunto.

A estratégia de divulgação da excelência do café colombiano por meio desse personagem tem sido um exemplo estudado pelas agências de marketing e pelos cursos de formação de novos publicitários. Evidentemente, esse êxito somente foi obtido por meio de grande investimento financeiro por parte da Federação Nacional de Cafeicultores de Colômbia (FNC). Desde 2002, o empreendimento é conduzido pela Promotora de Café Colômbia S.A. (Procafecol S.A.), empresa controladora da marca e das franquias e da distribuição varejista de cafés com a marca Juan Valdez.

Segundo o informe de gestão1 publicado pela controladora, existem aproximadamente 103 mil estabelecimentos que oferecem café colombiano em 38 países. Destes, 584 são cafeterias (216 delas em outros países), com equipe composta por 2.762 colaboradores. Em 2023, o faturamento bruto da empresa foi de R$ 286,08 milhões2, representando avanço de 23,5% frente ao ano anterior. Apesar desse expressivo resultado, houve prejuízo operacional de R$13,09 milhões3! De qualquer modo, sem dúvida, ele continua sendo um tremendo exemplo para o caso brasileiro que, ainda, engatinha quando o assunto é o “marketing dos Cafés do Brasil”.

O resultado não poderia ser diferente. Diante dos mais de 60 anos de emprego da marca Juan Valdez na comercialização do café colombiano no mundo, o Brasil constatou que seu reconhecido papel em suprir com o produto a demanda global foi, paulatinamente, substituído em favor de um de seus principais concorrentes.

Todavia, alcançamos o segundo semestre de 2025 com anúncio que sobressaltou o agronegócio Cafés do Brasil. Unilateralmente, o governo estadunidense adicionou ao café brasileiro 40% de tarifa adicional, que se somaram aos 10% anteriormente estipulados. Sendo o Brasil o principal fornecedor de café naquele mercado, tal medida promove uma desorganização dos negócios.

De imediato, os apreciadores locais, ao recorrerem a novas aquisições de café, perceberam elevação dos preços de varejo do produto. Deve-se considerar que processos inflacionários não consistem em aprendizado dos americanos e, por essa razão, há um choque maior quando se constatam variações substantiva de preços.

Apesar do impacto imediato sobre os embarques brasileiros destinados aos EUA (queda de 17,5% em agosto)4, houve crescimento nas vendas para a Colômbia5, entre outros destinos menos usuais para o café brasileiro. Esse movimento de incremento de embarques para destinos não tradicionais deverá se intensificar, sobretudo para o México e o Canadá. Também o Uruguai é forte candidato a aumentar as importações de café brasileiro.

Diante disso, a população estadunidense percebeu que o que garante seu hábito de consumo a preço justo é o café brasileiro, que, por razões de interesses políticos e não comerciais, foi prejudicado em sua competitividade pela imposição dos 50% de taxa aduaneira.

Ocorre então uma significativa redescoberta entre os consumidores daquele país: o café vem do Brasil!!! Sem qualquer investimento da parte de nossas lideranças, com ou sem a parceria com o governo (Funcafé), o agronegócio Cafés do Brasil foi contemplado no mercado estadunidense com um marketing pro bono6.

A evidência decantada de que aquela bebida que acompanha os apreciadores todos os dias tem origem brasileira traz ganhos para o agronegócio Cafés do Brasil. Estando o país em grande evidência, os consumidores enfrentam restrições ao acesso da bebida (por escassez de suprimento) devido a razões que não decorrem de fatores econômicos. Tal cenário coloca a população americana contra seu governo e, em contrapartida, reúne mais e mais simpatizantes para com a democracia brasileira e sua pujante produção de café.

O momento é propício para que nossas lideranças intensifiquem campanhas para estímulo à procura dos Cafés do Brasil. A onda é favorável, e com um tostão em recursos seria possível conseguir firmar a origem brasileira como central na manutenção desse hábito de consumo tão caro ao povo americano. Mangas arregaçadas e trabalhemos o marketing pro bono dos Cafés do Brasil!

1 Disponível em: https://juanvaldez.com/wp-content/uploads/2024/12/Procafecol_-_Informe_Integrado_2023.pdf   (Acesso em 10/09/2025).

2 Para conversão dos valores foi empregada a paridade cambial de 1.000 pesos colombianos = 1,39 reais brasileiros.

3 Em 2022, o resultado líquido operacional foi de R$19,50 milhões.

4 Ver:  https://www.moneytimes.com.br/volume-exportado-de-cafe-despenca-em-agosto-mas-receita-sobe-com-precos-altos-eua-perdem-lideranca-fets/ (Acesso em 10/09/2025)

5 Disponível em: https://agfeed.com.br/economia/por-que-a-colombia-comprou-quase-6-vezes-mais-cafe-do-brasil/ (Acesso em 10/09/2025)

6 A expressão vem do latim pro bono publico, que significa “para o bem público”.

TEXTO Celso Luis Rodrigues Vegro é engenheiro agrônomo, mestre e pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Mercado

Exportações de solúvel para os EUA caem 50% em agosto

Apesar da queda, indústria pode bater recorde e superar 1 bilhão em 2025

As exportações brasileiras de café solúvel aos Estados Unidos despencaram em agosto, primeiro mês de vigência da tarifa de 50% imposta pelo governo Donald Trump. Os embarques somaram 26.460 sacas, queda de 59,9% ante agosto de 2024 e de 50,1% em relação a julho, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

“Essa queda brusca frustra a expectativa de um novo recorde [de volume] em 2025”, disse o diretor executivo da entidade, Aguinaldo Lima. No ano passado, o Brasil exportou 4,093 milhões de sacas.

De janeiro a agosto, o país embarcou 2,508 milhões de sacas de café solúvel para 88 países, recuo de 3,9% sobre igual período de 2024. Apesar disso, a receita cambial atingiu US$ 760,8 milhões, avanço de 33% na mesma comparação. A Abics projeta superar US$ 1 bilhão em 2025, o que seria um novo recorde (em 2024, foram US$ 950 milhões).

Os EUA seguem como principal destino do produto no acumulado do ano, com 443,1 mil sacas (-3,7%), à frente da Argentina (236,4 mil, +88,3%) e da Rússia (188 mil, +16,8%). Países produtores como Colômbia (82,7 mil sacas), Vietnã (72,4 mil sacas) e Malásia (68,8 mil sacas) entraram no top 15 dos maiores importadores de solúvel.

No mercado interno, o consumo de café solúvel chegou a 763,6 mil sacas de janeiro a agosto – alta de 4,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi puxado pelo freeze dried ou liofilizado (+11,3%), enquanto o spray dried (em pó) cresceu 3,9%.

“O mercado doméstico responde bem aos investimentos em qualidade e novos produtos. O café solúvel tem praticidade e preço mais acessível em um cenário de cotações elevadas”, afirmou Lima.

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Mercado

Exportações de café especial para os EUA caem quase 80% após tarifaço

Embarques despencam em agosto com taxação de 50%, e Brasil cobra negociação para incluir produto em lista de isenção

As exportações brasileiras de cafés especiais para os Estados Unidos despencaram em agosto, após a imposição da tarifa de 50% pelo governo de Donald Trump. O país embarcou 21.679 sacas no mês, queda de 79,5% em relação a agosto de 2024 e de 69,6% frente a julho, segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). A queda, dizem analistas, se deve ao cancelamento e adiamento dos contratos devido à taxação.

Os EUA, líderes nas importações do produto ao longo do ano, caíram para o sexto lugar no ranking mensal, atrás de Holanda (62.004 sacas), Alemanha (50.463 sacas), Bélgica (46.931 sacas), Itália (39.905) e Suécia (29.313).

Carmem Lucia Chaves de Brito, presidente da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), afirma que o impacto “é brutal” e que, caso o tarifaço seja mantido, os americanos podem perder a liderança também no acumulado de 2025. Segundo ela, parte dos embarques registrados ainda reflete contratos firmados antes da nova alíquota, com a tarifa anterior de 10%, válida até 5 de outubro.

A dirigente alerta que o efeito não se restringe ao Brasil. “Já observamos elevação no preço do café à população americana, gerando inflação à economia do país”, disse.

A BSCA defende que o governo brasileiro abra diálogo com Washington. Para Carmem Lucia, a solução seria incluir o café na lista de isenção tarifária prevista em ordem executiva assinada por Trump em 5 de setembro.

TEXTO Redação

Mercado

Starbucks abre flagship no estádio Santiago Bernabéu, em Madri

Primeira loja principal da rede na Espanha tem 930 m², espaço de mixologia e vista para a casa do Real Madrid

A Starbucks inaugurou em agosto sua primeira flagship store na Espanha, instalada dentro do estádio Santiago Bernabéu, em Madri. Com 930 metros quadrados distribuídos em dois andares, a unidade foi projetada para oferecer experiências exclusivas, como degustações, mixologia de café e eventos culturais.

Logo na entrada, um arco digital imersivo apresenta a jornada do grão à xícara, com referências à capital espanhola. A ambientação inclui ainda uma escultura da Sereia da marca assinada pela artista madrilenha Cristina Mejías.

O espaço reúne 65 baristas, alguns deles com experiência internacional, que conduzem sessões personalizadas de preparo e degustação. Uma das atrações é a área dedicada à criação de drinques à base de café.

Com vista privilegiada para o gramado do Real Madrid, o andar superior concentra áreas de convivência, uma sala de provas e um mural inspirado na vegetação de Madri. A operação é conduzida pela Alsea, que administra as 222 lojas da rede na península ibérica.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Setembro incerto nos maiores países produtores de café (me acordem quando ele acabar)

Por Gustavo Paiva

O mês de setembro começou depois de muita oscilação no mercado do café, que culminou com um claro reajuste de preços pagos ao produtor. Se por um lado as quebras na safra estão se confirmando no Brasil, por outro, o produtor começa a se preocupar com um setembro predominantemente seco, assim como aconteceu no mesmo mês em 2024. 

Esta, porém, não é a realidade dos outros maiores produtores de café do mundo – Vietnã, Colômbia e Indonésia –, que até aqui viveram temporadas que variaram da neutralidade ao excesso de chuvas.

Na Colômbia, resquícios da temporada passada do La Niña trouxeram chuvas acima da média na maioria das regiões cafeeiras. As chuvas podem acabar atrasando os embarques, mas a Federação Nacional dos Cafeicultores da Colômbia sinaliza um aumento de dois dígitos na produção até o momento. Com produção e embarques durante todo o ano, a Colômbia, que geralmente produz e embarca pouco mais de um milhão de sacas ao mês, gerou cerca 8,9 milhões de sacas de café e embarcou algo como 8,7 milhões nos primeiros sete meses do ano. 

Ainda é incerto se esta alta se deve a um aumento na produção ou ao atraso acumulado por conta das chuvas. Algumas entidades ligadas aos produtores colombianos defendem que o aumento se dá por conta de uma maior remuneração ao cafeicultor, mas, em 2024, os colombianos já haviam aumentado sua produção em mais de 20% em relação a 2023. Para o restante de 2025, a tendência é que haja, finalmente, uma condição neutra depois de várias temporadas alternadas entre La Niña e El Niño.

Enquanto isso, do outro lado do Pacífico, Vietnã e Indonésia viveram uma situação relativamente similar à da Colômbia durante o ciclo de formação do grão. As chuvas também estiveram um pouco acima da média, mas as temperaturas registradas estiveram ligeiramente abaixo da normalidade. Esta pequena variação dos padrões climáticos não deixa de ser uma surpresa, já que esperava-se um ano totalmente atípico, com padrões climáticos imprevisíveis. 

Isso porque a temporada de tufões, tempestades e depressões tropicais que geralmente ocorrem entre junho e outubro, neste ano começou em fevereiro (!). Este evento, excepcional, gerou apreensão, mas acabou se mostrando um fato isolado. E a tendência, portanto, é que, para o restante do ano, espera-se os mesmos padrões válidos para a Colômbia, ou seja, de atraso nos embarques por causa das chuvas e de neutralidade climática. 

Vale lembrar que, em se tratando do sudeste asiático, neutralidade climática não significa ausência de eventos. A temporada de tufões começou efetivamente no início de junho com a tempestade tropical wutip, que atingiu o Vietnã, as Filipinas e a China. Até o momento, a tempestade mais forte a atingir uma zona cafeeira foi o tufão kajiki, no Vietnã, que afetou milhares de hectares de plantações no centro norte do país, onde se concentra a produção dos cerca de três milhões de sacas de arábica. 

Em uma avaliação geral da Indonésia, os padrões climáticos foram similares aos do Vietnã, embora o país seja um vasto arquipélago com diversas ilhas e podendo vivenciar padrões climáticos desiguais. Isso tende a fazer qualquer previsão ou tentativa de generalização climática da Indonésia um exercício extremamente arriscado. De maneira geral, espera-se um aumento de 5% na produção, levando-se em conta os padrões gerais deste ano, com chuvas ligeiramente acima da média e temperaturas um pouco abaixo do esperado.

Voltando ao Brasil, estamos entrando em um mês sem perspectivas de chuva, muito parecido com o que aconteceu em setembro de 2024 – com a diferença de que os cafeeiros receberam mais chuvas durante a colheita atual. Não se pode negar a hipótese de que parte da quebra de produção deste ano se deve ao setembro seco do ano passado. Levando-se em conta a perspectiva de um padrão climático também neutro para o restante do ano, devemos esperar uma próxima safra parecida com a última? De todo modo, se o restante do mês permanecer sem chuvas, já será praticamente impossível uma safra com volume excedente, capaz de mudar completamente a direção dos preços do mercado.

Gustavo Magalhães Paiva é formado em relações internacionais pela Universidade de Genebra, é mestre em economia agroalimentar e foi   consultor das Nações Unidas para o café.

TEXTO Gustavo Paiva

Café & Preparos

SIC 2025 discute inovação, sustentabilidade e oferta global de café

Evento que acontece de 5 a 7 de novembro em Belo Horizonte (MG) espera receber 25 mil visitantes e movimentar R$ 150 milhões em negócios

Em sua 13ª edição, a Semana Internacional do Café, maior encontro de café do Brasil, terá como tema “Café em transformação – inovação, sustentabilidade e oferta no mercado global”. A programação inclui painéis, palestras e workshops sobre COP30, ESG, inteligência artificial no agro, genética, bioeconomia, cafeicultura regenerativa e gestão hídrica, entre outros tópicos que vão do campo à xícara.

O evento, realizado no Expominas, em Belo Horizonte (MG)  entre 5 e 7 de novembro, contará com 190 estandes de maquinário, torrefações, métodos de preparo, acessórios e regiões produtoras. O novo espaço Festival Café da Semana reunirá marcas de café, cafeterias e a já conhecida Cafeteria Modelo. Este ano, o evento espera receber 25 mil visitantes de mais de 40 países e tem expectativa de movimentar R$ 150 milhões em negócios. 

Durante os três dias, haverá rodadas de cupping com cafés de origens como Matas de Minas, Mantiqueira de Minas, Região Vulcânica, Sudoeste de Minas, Campo das Vertentes e Chapada de Minas, entre outras. Os finalistas do Coffee of the Year também poderão ser provados pelo público.

Credenciamento

Os dias 5 e 6 são voltados a profissionais do setor. Neste ano, consumidores finais terão acesso apenas no último dia (7). O ingresso custa R$ 70. Já profissionais em formação e entusiastas podem pagar R$ 150 para os três dias. Produtores com CNPJ ou código rural têm entrada gratuita. O credenciamento, individual, pode ser feito pelo site ou no local. A credencial pode ser impressa antes do evento ou nos balcões de autoatendimento no evento.

Premiações Coffee of the Year e Espresso Design

A SIC é palco de diversas premiações, como o tradicional Coffee of the Year, que reune os melhores cafés do Brasil e reconhece os grandes destaques do ano. Produtores brasileiros podem inscrever seus cafés nas categorias arábica e canéfora, por R$ 190. Cada CPF deve fazer apenas uma inscrição. As amostras (3 kg) devem ser enviadas até 6/10 para o Centro de Excelência em Cafeicultura – Senar. Confira aqui o regulamento completo da edição e o link de inscrição. A premiação acontece no último dia de SIC, no Grande Auditório.

Outro destaque é o Espresso Design, que chega à 7ª edição. A competição tem o objetivo de fortalecer o setor e destacar a importância do design e da embalagem para a promoção de marcas e produtos. As inscrições são gratuitas: basta preencher o formulário de inscrição e mandar a embalagem para a comissão do concurso. As 20 embalagens escolhidas pela comissão ficam expostas nos dois primeiros dias de SIC, para votação do público. As três mais bem votadas são premiadas no último dia do evento, no Grande Auditório.

Semana Internacional do Café
Quando: 5 a 7 de novembro
Horário: das 10h às 19h
Onde: Expominas (avenida Amazonas, 6.200 – Gameleira – Belo Horizonte, MG)
Mais informações e credenciamento: www.semanainternacionaldocafe.com.br 

Mercado

Brasil tem queda de 17,5% nas exportações de agosto

O recuo, em comparação a 2024, reflete o impacto da menor oferta de grãos e do tarifaço dos EUA; Alemanha supera americanos como principal destino

 

O Brasil exportou 3,14 milhões de sacas de café em agosto – um recuo de 17,5% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo relatório do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil) emitido nesta terça (9). 

Apesar da retração no volume, a receita avançou 12,7%, para US$ 1,1 bilhão, impulsionada pela alta das cotações internacionais. A redução já era esperada, afirma o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, após o recorde do ano passado e diante de uma safra menor. O tarifaço de 50% imposto pelo governo Donald Trump sobre o café brasileiro ampliou a queda.

Com isso, os Estados Unidos deixam a liderança do ranking mensal de compradores. Foram 301 mil sacas — negócios fechados antes da taxação —, queda de 46% ante agosto de 2024 e de 26% frente a julho deste ano. A Alemanha assumiu a ponta, com 414 mil sacas.

Ferreira avalia que o tarifaço desorganizou o mercado, acentuando a volatilidade e abrindo espaço para especulação. Entre 7 e 31 de agosto, o arábica disparou 29,7% na Bolsa de Nova York, de US$ 2,978 para US$ 3,861 por libra-peso.

“Se a tarifa se mantiver, as exportações brasileiras aos EUA seguirão inviáveis. O consumidor americano também pagará mais caro, já que não há outros países capazes de suprir a ausência do Brasil”, diz Ferreira.

Acumulado do ano

De janeiro a agosto, o Brasil exportou 25,3 milhões de sacas – queda de 20,9% em relação ao mesmo período de 2024. A receita, no entanto, é recorde: US$ 9,7 bilhões.

Os EUA seguem como principais compradores no acumulado, com 4,03 milhões de sacas (15,9% do total), mesmo com recuo de 20,8% frente a 2024. Na sequência aparecem Alemanha (3,07 milhões, -32,9%), Itália (1,98 milhão, -23,6%), Japão (1,67 milhão, +15,6%) e Bélgica (1,52 milhão, -48,3%).

Tipos e cafés diferenciados

O arábica respondeu por 79,8% das exportações no período, com 20,2 milhões de sacas (-13%). O canéfora somou 2,57 milhões (10,1%), seguido pelo solúvel (2,51 milhões, 9,9%).

Os cafés diferenciados — com certificações ou qualidade superior — atingiram 5,1 milhões de sacas (20,1% do total), queda de 9,3% no volume, mas com receita de US$ 2,18 bilhões (+54,2%). O preço médio foi de US$ 427 por saca. Os EUA lideraram as compras, seguidos por Alemanha, Bélgica, Holanda e Itália.

Portos

O Porto de Santos concentrou 80,2% das exportações nos oito primeiros meses de 2025, com 20,3 milhões de sacas. O Rio de Janeiro respondeu por 15,8% e Paranaguá, por 1%.

TEXTO Redação

Cafezal

Rainforest Alliance lança certificação de agricultura regenerativa para o café

Novo selo de agricultura regenerativa, que começará a aparecer em 2026, mede impacto sobre solo, biodiversidade e renda de cafeicultores no Brasil e em três outros países

A Rainforest Alliance anunciou nesta segunda-feira (9) o lançamento de sua nova certificação de agricultura regenerativa (AR), voltada inicialmente para a cafeicultura. O selo começará a aparecer nos produtos a partir de 2026 e já está sendo implementado em fazendas no Brasil, Costa Rica, México e Nicarágua. A organização prevê ainda expandir a certificação, no mesmo ano, para cacau, frutas cítricas e chá.

O objetivo é estimular produtores e empresas a restaurar ecossistemas em paisagens tropicais, em um momento crítico de mudanças climáticas e pressões socioeconômicas que afetam sobretudo pequenos agricultores — responsáveis por 70% do café produzido no mundo.

“É hora de fazermos a transição para um novo modelo de agricultura – em que cada xícara de café devolva mais do que retira da terra e das pessoas que se importam com ela”, afirmou o CEO da Rainforest Alliance, Santiago Gowland, em comunicado à imprensa.

A certificação foi desenvolvida ao longo de anos de pesquisas em conjunto com produtores e empresas. Estudos recentes mostram que práticas regenerativas podem elevar a renda dos agricultores em até 30%. O modelo mede progresso e resultados em cinco áreas: saúde e fertilidade do solo, resiliência climática, biodiversidade, gestão da água e meios de vida. A verificação será feita por auditoria periódica e independente.

Segundo a Rainforest Alliance, o Brasil é estratégico para o avanço da agricultura regenerativa, especialmente no setor cafeeiro. Em entrevista à Espresso, Yuri Feres, diretor da organização no Brasil, afirmou que a nova certificação fortalece a resiliência dos produtores frente às mudanças climáticas, amplia o acesso a mercados internacionais exigentes e gera valor agregado por meio da restauração de ecossistemas e da inclusão de pequenos agricultores e comunidades locais. “Mais do que mitigar impactos, a nova norma busca promover a regeneração do solo, a proteção da biodiversidade e assegurar renda digna aos produtores, posicionando o café certificado como um produto que alia qualidade, sustentabilidade e impacto positivo para as pessoas e o meio ambiente”, disse.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação/Rainforest Alliance
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