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Café Por Elas lança cafés no mês da mulher na Café Store

Em celebração ao mês das mulheres, a torrefação paulistana Café Por Elas apresentou nova linha de cafés especiais em parceria com a artista mineira Thereza Nardelli e as produtoras Luciana Flores e Danielle Fonseca. O lançamento foi feito na loja-conceito da Café Store, em São Paulo (SP), em 7 de março.

Chamados de Clareira e Germina, os dois pacotes da linha têm ilustrações de Thereza e buscam celebrar mulheres que plantam, transformam e sustentam a cadeia do café. Por isso, a artista aposta na representação da lavoura e da biodiversidade do Sul de Minas, com cores marcantes e imagens abstratas. 

Os novos cafés são fermentados: Clareira é um blend das variedades icatu e mundo novo, produzido por Danielle na Fazenda da Serra, em Santana da Vargem (MG), e torrado por Aline Pereira. Segundo a torrefação, é uma bebida encorpada, doce, frutada e com acidez equilibrada. Já o Germina é 100% topázio amarelo cultivado por Luciana Flores, do Sítio Toca da Onça, em Campanha (MG). Torrado por Gabriella Santoro, promete notas frutadas e florais, acidez cítrica e corpo licoroso. 

“Queríamos lançar uma edição especial que fosse um reconhecimento às mulheres. Clareira e Germina celebram as que ousam trilhar o caminho do café especial norteadas por um compromisso real com o meio ambiente”, explica Nadia Nasr, sócia do Café Por Elas. “Para traduzir a beleza disso, convidamos a Thereza Nardelli para ilustrar os pacotinhos. A Café Store abraçou a ideia, e foi incrível reunir amantes da bebida, pessoas da indústria e também produtoras em um espaço que respira a cultura do café especial”. 

Os cafés, com edição limitada, estão à venda na loja da Café Store (rua Barão de Tatuí, 387 – Vila Buarque – São Paulo) por R$ 85 (250 g).

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Dua Lipa assume campanha global da Nespresso em movimento de renovação de marca

Com participação de George Clooney, campanha liderada por Dua Lipa sinaliza virada da Nespresso para atrair uma nova geração de consumidores e renovar sua imagem global

A Nespresso anunciou a cantora e atriz britânica Dua Lipa como sua nova embaixadora global, em uma estratégia que reforça a aproximação da marca com novos públicos. Em comunicado oficial, divulgado nesta quarta-feira (18), a empresa destaca o perfil da artista como símbolo de “curiosidade e experimentação”, valores que orientam a comunicação da companhia.

“Ela é uma verdadeira exploradora, sempre curiosa, sempre experimentando algo novo”, afirmou Leonardo Aizpuru, diretor de marketing da marca, ao apresentar a parceria. A proposta, segundo ele, é incentivar consumidores — especialmente uma nova geração — a explorar sabores e experiências no café.

A própria Dua Lipa afirmou que a relação com a marca vem de longa data: “Sinto que cresci com a Nespresso […], sempre houve uma máquina por perto”, disse ela no comunicado.

A cantora lidera a campanha global “Vertuo World”, com lançamento previsto para 14 de abril, que marca uma nova fase “criativa”, como definiu a empresa. A ação também contará com a participação de George Clooney, rosto da marca por 20 anos.

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Polpa de café avança como potencial ingrediente alimentar e chega a hambúrgueres

Estudos recentes indicam também o potencial nutricional, funcional e sustentável de subprodutos do café, com aplicações que podem sair do laboratório em direção à mesa 

Nos últimos anos, cientistas do mundo todo vêm investigando como resíduos do café podem ganhar valor e aplicação na indústria de alimentos.

Uma dessas investigações recentes analisou o uso da polpa de café arábica em pó hidratada para melhorar o perfil nutricional de produtos à base de carne. O estudo foi publicado em outubro de 2025 na revista internacional Science of Food, do grupo Nature — responsável por uma das publicações científicas mais relevantes do mundo, a Nature — por pesquisadores da Universidade de Qassim, na Arábia Saudita, e do Centro de Pesquisa Agrícola do Egito.

“O desenvolvimento de alimentos mais sustentáveis e saudáveis é urgente”, introduzem os pesquisadores do artigo “Nutritional and qualitative characteristics of beef patties incorporated with hydrated coffee cherry pulp powder”. “O objetivo desta investigação foi avaliar o impacto da utilização de diferentes níveis de polpa de café em pó (CCPP, na sigla internacional) como substituto de gordura sobre os atributos nutricionais, de qualidade e sensoriais de hambúrgueres”, completam.

Mais do que um caso isolado, o trabalho se insere em uma agenda mais ampla de pesquisa voltada à reformulação de alimentos e à redução de impactos ambientais a partir do aproveitamento de subprodutos agrícolas, em que ingredientes alternativos passam a substituir parcialmente componentes tradicionais, como a gordura animal.

Exemplos recentes desse movimento incluem estudos que buscam otimizar a produção de vinagre a partir da polpa de café, por meio de processos fermentativos mais eficientes (publicado em 2024), e investigar seu uso como matéria-prima para a fabricação de papel não derivado de madeira, com desempenho técnico para aplicações como filtros (também em 2024).

Embora essas aplicações não sejam inéditas — já descritas na literatura há pelo menos duas décadas —, elas vêm sendo revisitadas sob uma nova perspectiva. O foco deixa de ser apenas a viabilidade e passa a incluir escala, desempenho e aplicação prática.

Nesse contexto, a substituição parcial da gordura animal por um ingrediente de origem vegetal historicamente descartado ganha relevância como estratégia nutricional, ao reduzir o consumo de gordura saturada e melhorar o perfil da dieta, respondendo à demanda por alimentos mais saudáveis e sustentáveis — sem abrir mão de atributos sensoriais aceitáveis para o consumidor.

Por exemplo, a polpa do café equivale a cerca de 28% do peso seco da cereja. “Esse descarte representa um desafio ambiental devido ao alto teor de cafeína, polifenóis e taninos”, alertam os pesquisadores.

Estudos recentes, sobretudo a partir de 2020, mostram que a polpa do café concentra compostos nutricionais como proteínas (entre 9% e 11%) e lipídios (2% a 17%), além de açúcares redutores — como glicose e frutose, rapidamente metabolizados em processos fermentativos — e extratos não nitrogenados (63%), ricos em carbono disponível, com potencial de aplicação em produtos alimentares, como farinhas enriquecidas e barras nutritivas –  resultado de outra investigação, conduzida em 2024 na Grécia, que aposta na borra de café, rica em fibras (que auxiliam a digestão) e polifenóis (associados à atividade antioxidante) para a elaboração destes produtos.  

Esse perfil ajuda a explicar o interesse crescente pelo uso da polpa do café como ingrediente funcional, somado a evidências anteriores de sua aplicação em bebidas nutritivas e alimentos energéticos, além de estudos que reforçam sua segurança para consumo e uma shelf life prolongada para produtos feitos com ela.

Os pesquisadores substituíram parte da gordura bovina por diferentes proporções de CCPP em amostras de hambúrgueres de 100 gramas, mantendo uma amostra-controle com 20% de gordura. O objetivo foi avaliar impactos nutricionais, tecnológicos e sensoriais.

Os resultados indicam que a incorporação da polpa em pó (CCPP) permite reduzir calorias, gordura total e colesterol, ao mesmo tempo em que eleva os teores de fibra (cerca de 37% no ingrediente), proteína e minerais (como cálcio, potássio e magnésio), além de compostos fenólicos.

Do ponto de vista funcional, o ingrediente apresenta boa capacidade de absorção de água e óleo, além de propriedades emulsificantes e de formação de espuma, características relevantes para a estrutura e estabilidade dos hambúrgueres.

Na avaliação sensorial — conduzida com painel não treinado de 50 degustadores —, as formulações com 50% e 75% de substituição de gordura pelo CCPP obtiveram as maiores notas, com índices de aceitabilidade de 8,25 e 8,22, respectivamente (em uma escala de 9 pontos), com avaliações positivas para aparência, textura, suculência e sabor.

Mais do que um experimento pontual, os resultados sugerem que é possível reformular produtos tradicionais com ganhos nutricionais sem perda de aceitação pelos consumidores — e reforçam o papel da polpa de café como um ingrediente promissor na transição para sistemas alimentares mais sustentáveis.

Para saber mais

Em termos regulatórios, pesquisas como a do CCPP como substituto da gordura animal começam a ganhar relevância no contexto europeu.

Uma revisão científica feita em 2020 sobre subprodutos do café — folhas, flores, cascas, películas prateadas (aderidas à superfície do grão verde e removidas durante a torra) — como novos alimentos na União Europeia aponta que, a partir de 2022, a polpa desidratada deixou de ser tratada apenas como “novo alimento” e passou a ser reconhecida como produto tradicional consumido em regiões como Etiópia e Iêmen. Na prática, isso abriu caminho para sua comercialização no bloco — ainda que de forma restrita, concentrada principalmente em infusões e bebidas.

TEXTO Redação

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3corações compra Yoki e Kitano por R$ 800 milhões

Negócio amplia atuação da empresa no ramo de alimentos 

 

O Grupo 3corações comunicou à imprensa nesta terça-feira (17) a aquisição das operações da General Mills no Brasil, em um negócio avaliado em R$ 800 milhões. A transação inclui marcas como Yoki e Kitano.

O negócio sinaliza a mudança de posicionamento do grupo para um espectro mais amplo do que o café. No mercado brasileiro, a General Mills, uma das maiores empresas globais de alimentos, foca em alimentos básicos, snacks e temperos. “Este é um passo fundamental em nosso propósito de estar cada vez mais próximos da família brasileira, fazendo-nos presentes em diferentes ocasiões de consumo”, afirma Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações, em nota.

O acordo prevê a manutenção das marcas, para um crescimento acelerado do negócio. A conclusão da operação depende da aprovação das autoridades regulatórias competentes e outras condições usuais de fechamento.

TEXTO Redação

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Mantiqueira de Minas recebe Campeonato Brasileiro de Cup Tasters em Carmo de Minas

Evento nos dias 19 e 20 reúne programação técnica, premiação regional e competição nacional de provadores

Carmo de Minas (MG) recebe, entre 19 e 20 de março, a 2ª edição do Festival Mantiqueira de Minas, que inclui o Campeonato Brasileiro de Cup Tasters. O evento gratuito, promovido pela Aprocam (Associação dos Produtores de Café da Mantiqueira), acontece no Parque de Exposições do município e busca celebrar a qualidade, a origem e a identidade dos cafés da região.

Com foco em conhecimento, inovação e valorização dos cafés especiais, haverá palestras (confira destaques abaixo). Além do conteúdo técnico, o festival inclui a premiação do Concurso Campeão dos Campeões Mantiqueira de Minas 2025 e o Campeonato Brasileiro de Cup Tasters, promovido pela BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), que começa um dia antes (18) e vai até 20/3.

“Trazer um evento deste porte reforça ainda mais a reputação do nosso território”, destaca Wellington Carlos Babá, vice-presidente da BSCA, gerente de exportação da Cocarive e provador em Carmo de Minas. “O campeonato promove visibilidade nacional e internacional, uma vez que reúne os melhores provadores de café do Brasil. Como muitos têm projeção global, atraem a atenção de compradores e formadores de opinião — o que é importante para os produtores da região”, diz.

A competição reúne provadores de diferentes partes do país e avalia habilidade, velocidade e precisão na distinção de xícaras. O campeão representará o Brasil no campeonato mundial da categoria, de 7 a 9 de maio, durante a World of Coffee, em Bangcoc (Tailândia).

“Quando realizamos um campeonato em Carmo de Minas, em parceria com a Aprocam, passamos um recado importante: o café especial brasileiro sai das montanhas da Mantiqueira e de diversas outras origens relevantes do país”, afirma Renan Freitas, coordenador de marketing da BSCA. “Ao trazer os principais provadores para a região, olhamos com atenção para a produção local.”

Conheça alguns temas de palestras:

“Denominação de Origem e parcerias que valorizam os Cafés da Mantiqueira de Minas”
Quem: Leandro Costa (Coopervass), Alessandro Hervaz (Coopervass e Aprocam), Ticiana Lopes (Sebrae MG), André Baldim (Sicoob Credivass) e Sergio Henrique Oliveira (Emater)

“Descrição sensorial: a chave para a comunicação de mercado”
Quem: Renan Freitas (BSCA), Wellington Carlos Babá (Cocarive), Samantha Brettas (BSCA) e Dionatan Almeida (Campeão Mundial de Cup Tasters 2024)

“A ciência por trás da cafeicultura regenerativa”
Quem: José Carlos de Oliveira (engenheiro agrônomo, Senar).

2º Festival da Mantiqueira de Minas
Quando: 19 e 20/3
Onde: Parque de Exposições – Carmo de Minas (MG)
Informações: www.instagram.com/mantiqueirademinasoficial 

TEXTO Redação

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ONU oficializa Dia Internacional do Café

Proposta liderada pelo Brasil transforma a data em agenda global para o setor cafeeiro

A Assembleia Geral das Nações Unidas (AGNU) oficializou, na última terça-feira (10), o dia 1º de outubro como Dia Internacional do Café durante reunião em Nova York. A proposta foi apresentada pelo Brasil.

“Reconhecer o valor do setor cafeeiro aumentará a conscientização sobre sua importância socioeconômica e fortalecerá sua contribuição para a erradicação da pobreza”, disse o diretor-geral da FAO, Qu Dongyu, em comunicado oficial.

A resolução relaciona diretamente o café aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, destacando sua contribuição para a geração de emprego e renda, a igualdade de gênero e o desenvolvimento rural.

Embora o Dia Internacional do Café já seja celebrado desde 2015 por iniciativa da Organização Internacional do Café (OIC), a resolução da ONU legitima a data no calendário internacional, o que fortalece a relevância global do setor, que sustenta aproximadamente 25 milhões de famílias no mundo – cerca de 80% delas pequenos agricultores, que operam em propriedades geralmente inferiores a cinco hectares –, gerando receita fundamental para vários países produtores.

“Este marco reflete os esforços coletivos dos membros da Organização Internacional do Café, que atuam em conjunto para elevar a visibilidade global do setor cafeeiro e celebrar os milhões de pessoas por trás de cada xícara”, comemorou a OIC nas redes sociais.

TEXTO Redação

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Espresso&CO faz degustação de cafés colombianos

Lucci Salomão no preparo dos cafés filtrados no método v60

Na terça-feira (24), a Espresso&CO promoveu uma degustação exclusiva de cafés colombianos em São Paulo. O barista Thiago Nego, da DaVinci Gourmet Brasil, apresentou um panorama dos cafés especiais em Medellín, que visitou há pouco mais de um mês,  e das tendências observadas no setor.

“A cena de cafeterias de especialidade em Medellín é bem consolidada. Todos os cafés, mesmo os mais simples, têm um sabor diferente”, destacou. 

Durante a apresentação, o barista comentou as práticas observadas nas cafeterias de Medellín. “Entre as tendências que vi e que fizeram muito sentido é a de que cada café tem seu ritual para ser extraído. Usando o mesmo equipamento, a técnica aplicada era diferente em cada cafeteria”, afirmou. “Outro ponto é a temperatura. Na extração, a maioria das cafeterias não aplica temperaturas hiper altas”.

Thiago Nego apresentando sobre o cenário de cafeterias em Medellín

Nego destacou o alto consumo de bebidas geladas. “Há um aumento no consumo de cafés gelados na América Latina, seja em receitas usando café ou com o café como protagonista, como no cold brew”, explicou.

Após o bate-papo, mais de dez cafés foram preparados pelo barista Lucci Salomão. O público – de profissionais do setor e coffee lovers que já são clientes da Café Store – pode provar diferentes grãos, desde marcas amplamente distribuídas, como Juan Valdez e Matiz, até torrefações menores, como El Laboratorio de Café, Pergamino e Típica.

TEXTO Redação

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Podcast resgata a história global do café em nova temporada

Produzido por James Harper e pelo historiador Jonathan Morris, “A History of Coffee” traz episódios sobre a história do café na Etiópia, na Guatemala e em Hamburgo

A terceira temporada do podcast “A History of Coffee” já está no ar. Produzido por James Harper, produtor de documentários no setor, e Jonathan Morris, professor da University of Hertfordshire, na Inglaterra, e autor de “Coffee: A Global History”, o podcast traz episódios sobre a trajetória econômica, social e cultural do grão.

Os episódios desta nova temporada exigiram mais de cem horas de produção e mais de um ano de pesquisa e viagens, segundo o portal Comunicaffe International.

No episódio lançado em 9 de fevereiro, a narrativa parte das florestas úmidas da Etiópia, onde o café cresce de forma selvagem, para explicar por que essas áreas funcionam como uma “biblioteca genética”, essencial para o desenvolvimento de variedades de arábicas mais resilientes às mudanças climáticas.

Já o episódio anterior, que foi ao ar em 5 de janeiro, examina a relação histórica entre o café e o porto de Hamburgo, na Alemanha. Entre os séculos XIX e XX, a cidade consolidou-se como um dos principais entrepostos globais do grão, o que ajudou a escrever a economia cafeeira moderna.

Estão previstos ainda episódios dedicados ao início do cultivo de café na Guatemala, no começo do século XVIII, quando o território era colônia sob domínio da Espanha e, após a independência em 1821, tornou-se base da economia exportadora do país. Outro eixo aborda a escassez global em períodos como a Segunda Guerra Mundial, quando o racionamento levou ao  consumo de substitutos à base de cevada, centeio e chicória.

A terceira temporada tem patrocínio da Mahlkönig e está disponível no Apple Podcasts e no Spotify. 

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A aposta no cacau brasileiro

Cadeia prepara-se para dobrar a produção até o fim da década e lança marca para promover o produto no mercado internacional, com foco em sustentabilidade

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

O Brasil está na contracorrente do mundo. Enquanto os maiores países produtores de cacau vêem a produção despencar por problemas como falta de renovação das lavouras, aparecimento de doenças, mudanças climáticas e garimpo ilegal, em território nacional, a cadeia cacaueira planeja dobrar a produção e atingir 400 mil toneladas por ano, tornando-se autossuficiente até 2030.

Esta é a meta do Plano Inova Cacau, desenvolvido pela Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão ligado ao Ministério da Agricultura) e pelo CocoaAction Brasil, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do setor cacaueiro brasileiro. “Para isso acontecer, um dos caminhos é dobrar a produtividade média das lavouras”, diz Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil. Atualmente, o país produz cerca de 350 quilos por hectare ao ano.

Pode parecer um salto grande, mas, na verdade, o projeto é retomar a produtividade que o Brasil já teve antes da chegada da vassoura-de-bruxa, doença fúngica que dizimou os cacauais nos anos 1980. Isso fez o país, que era o segundo maior produtor de cacau do mundo, cair para a atual sexta posição.

Mas como fazer isso? “Expandindo a assistência técnica e gerencial aos produtores de cacau e ampliando o acesso a crédito”, diz Salata, referindo-se às medidas que têm sido foco dos esforços do CocoaAction, iniciativa da Fundação Mundial do Cacau que chegou ao Brasil em 2018. Não por acaso, uma das metas do Plano Inova Cacau é aumentar em 30% o número de produtores que recebem assistência técnica e extensão rural (Ater). Hoje, a cadeia estima que cerca de 14 mil produtores, em um universo de 93 mil estabelecimentos rurais com cacau no Brasil, tenham Ater.

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

 

Segundo os agrônomos do CocoaAction e as entidades parceiras, é possível duplicar a produção com práticas agrícolas simples, que boa parte dos produtores ainda não realizam. São elas a análise de solo, para indicar a quantidade de fertilizante que a lavoura precisa, e o manejo de incidência de luz.

Embora o cacau cabruca, sombreado pelas árvores da Mata Atlântica, e o cacau agroflorestal necessitem de um pouco de sombra, as podas são fundamentais para que o fruto se desenvolva bem.

A força da assistência técnica

A prova de que a assistência técnica faz toda diferença é o Programa Cacau+, do Ciapra, um consórcio de 14 municípios do Sul da Bahia que representa 1/3 da produção cacaueira do estado e congrega 25,6 mil agricultores familiares, com uma área de 99,6 mil hectares destinadas ao cacau. A iniciativa já beneficiou 2,4 mil famílias com o aumento de produtividade das lavouras e, consequentemente, incremento da renda e da qualidade de vida.

Voltado à difusão de conhecimento através de assistência técnica, o programa aumentou a produtividade dos agricultores assistidos de 336 quilos por hectare em 2021, ano em que foi lançado, para 624 kg/ha em 2024. Isso graças às análises de solos, correção com calcário e gesso e distribuição do kit mudas para os participantes do Cacau+.

José Alberto Vilas Boas e Zulmira, produtores de cacau agroflorestal em 4,5 hectares no município de Igrapiúna (BA), são um exemplo. “O programa nos trouxe conhecimento e nossa renda aumentou 60%”, diz Vilas Boas. Antes do Cacau+, eles adubavam a roça uma vez ao ano, mas jogavam muito fertilizante e as plantas não o absorviam. Com a orientação do técnico agrícola, começaram a escalonar a adubação, e o resultado foi um aumento de produtividade na área de 2,7 mil quilos em 2021 para mais de 5 mil no ano passado.

Casal Vilas Boas – Foto: Ciapra

O programa também foi um divisor de águas na vida de Josenildo de Jesus Souza, produtor de cacau consorciado com seringueira em Ituberá (BA), na comunidade de Caboge. Em 2018, ele colhia 405 kg em 1,3 hectare, mas, com o acompanhamento do técnico agrícola do Cacau+, a colheita saltou para 2,4 mil quilos no ano passado. “A partir do programa, com o aumento da renda, consegui realizar meu sonho de criança e estou fazendo faculdade de agronomia”, comemora Souza.

De acordo com o Banco Central, o total de crédito rural acessado pela agropecuária em 2024 foi de R$ 374 bilhões, sendo R$ 253 bilhões destinados à agricultura. Deste montante, R$ 234 milhões foram para a cultura do cacau, sendo R$ 158 milhões direcionado ao Pronaf (via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). “O total de crédito rural público para o cacau representa 0,06%. É inexpressivo, tem muito espaço para crescer”, diz Salata.

O produtor de cacau Josenildo de Jesus Souza – Foto: Ciapra

Um salto no crédito

Porém, a situação já melhorou. Em 2017, o volume de crédito do Pronaf concedido aos produtores de cacau foi de R$ 19,7 milhões – número que saltou para R$ 158 milhões no final de 2024. “Temos trabalhado com a cadeia para ampliar o acesso a crédito e impulsionar os agricultores a melhorar o manejo da lavoura, para aumento de produtividade e, consequentemente, expandir renda e qualidade de vida”, diz o coordenador do CocoaAction Brasil.

Segundo Salata, o grande gargalo para o acesso a crédito dos produtores de cacau é a falta de regularização fundiária, principalmente no Pará, e da regulamentação ambiental, na Bahia, além da falta de assistência técnica. Com estes entraves, diz ele, os agricultores não conseguem participar de políticas públicas.

De cada 100 produtores de cacau no Brasil, 85 estão à margem do sistema financeiro e 75 nunca receberam assistência técnica, de acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Ao mesmo tempo, cerca de 80% da produção de cacau no Brasil depende dos agricultores de pequenas propriedades. O resultado dessa combinação é baixa renda e baixa produtividade.

Não por acaso, os mecanismos de crédito alternativo têm crescido. Um deles é o Fundo de Impacto Kawá, no modelo de blended finance (financiamento misto, em inglês), que mescla recursos públicos, de fomento ou filantrópicos, ao capital privado.

Foto: Ciapra

Criado pelos Instituto Arapyaú, Violet, ONG Tabôa Fortalecimento Comunitário e MOV Investimentos, a iniciativa tem a meta de destinar R$ 1 bilhão para custeio de pequenos produtores em sistemas sustentáveis até 2030. “Identificamos que a baixa renda para as famílias continuarem a viver do cultivo é resultado da falta de recursos para fazer investimentos e da falta de uma assistência técnica”, analisa Vinicius Ahmar, gerente de Bioeconomia do Instituto Arapyaú. A Ater, inclusive, é fundamental para ajudar os produtores a resolver os problemas fundiários de regularização ambiental.

Por isso, o fundo acredita que o crédito tem que vir ao lado da assistência técnica. “Assim, o técnico agrícola ouve o produtor e pensa com ele o que pode ser feito na área para ter melhores resultados, como aumentar a renda, pagar o crédito e conseguir tomar outros, iniciando um círculo virtuoso”, diz Ahmar.

O Kawá seguirá o modelo dos dois Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) Sustentáveis para o Cacau emitidos pela Tabôa, que já beneficiaram mais de 2,8 mil pessoas. Na primeira fase, o fundo deve contemplar, com cerca de R$ 30 milhões, 1,2 mil produtores da Bahia e do Pará. Além disso, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc) sinalizou que irá mobilizar seus associados para comprar as amêndoas dos produtores contemplados pelo Kawá.

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

Os ventos estão favoráveis ao setor. A procura por cacau, aliada aos problemas de fornecimento, fez o preço dele decolar. A tonelada da amêndoa chegou a ultrapassar US$ 12 mil em 2024 e, no fechamento desta reportagem, estava em torno de US$ 10 mil. “A hora de investir é agora, principalmente no aumento de produtividade, porque cacau é commodity. Não dá para saber até quando o preço vai ficar neste patamar”, diz Salata. “Mas, se o produtor tiver produtividade alta, quando o preço cair, ele continuará ganhando dinheiro”, acrescenta.

Holofotes para o cacau brasileiro sustentável

No final de março, foi lançada a marca Cacau Brasileiro – Gente, Floresta e Cultura. A iniciativa – feita pela Associação das Indústrias Processadoras de Cacau ao lado da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e Sistemas Agroflorestais, do Centro de Inovação do Cacau (CIC), do CocoaAction Brasil, da Federação da Agricultura do Estado da Bahia e do Instituto Arapyaú – quer promover a imagem do produto em mercados estratégicos, como Estados Unidos e países da Europa, e colocar o Brasil entre os maiores exportadores de cacau sustentável até 2030. “A marca é resultado de um movimento setorial, que visa fortalecer o cacau brasileiro, considerando aspectos que o diferenciam do restante do mundo”, diz Ricardo Gomes, gerente de Desenvolvimento Territorial do Instituto Arapyaú.

Para as entidades, o cacau brasileiro tem atributos únicos no cenário internacional. Um deles são as centenas de produtores e comunidades locais vinculadas à história do cacau, com tradição na produção do fruto. Outro atributo é a floresta, já que 80% da produção nacional vem de agroflorestas ou do sistema cabruca – modelos produtivos que preservam a biodiversidade, ajudam na resiliência climática e geram prosperidade aos agricultores. Por fim, há o elemento ligado à cultura: os cacauais fazem parte da identidade das regiões produtoras, que têm receitas e festivais atrelados ao fruto, que também é uma alavanca para o turismo.

A expansão recente do cacau também entra na conta. Nos últimos anos, as plantações de cacau têm alcançado Cerrado Baiano, Tocantins e São Paulo, regiões não tradicionais de cultivo e com projetos de larga escala, tecnologia e inovação. “Com a marca, queremos atrair, no curto prazo, investimentos para o Brasil de quem aposta no cacau com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade para atender à demanda de abastecimento global”, explica Gomes, referindo-se à falta de amêndoas nos países africanos.

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

Hoje, o Brasil não é autossuficiente – produz cerca de 200 mil toneladas de amêndoas ao ano – e precisa importar para suprir a demanda interna. “A aposta da iniciativa é somar esforços com políticas públicas que contribuam para que o país retome o protagonismo da cadeia de valor e suprimento global do cacau”, diz Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil.

A mobilização do setor com o Plano Inova Cacau e o lançamento da marca, entre outras ações, prepara o terreno para quando o Brasil tiver excedente de produção. Nos tempos áureos do cacau no país, o “cacau bahia superior” chegou a ter um preço diferenciado em bolsa por causa da qualidade. Mas, com o declínio a partir dos anos 1990, o Brasil perdeu o posto de produtor de cacau fino.

Desde 2019, porém, o CIC passou a organizar o Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, com objetivo de promover a produção de cacau especial. Em 2023, o Brasil voltou a ser reconhecido pelo Conselho Internacional de Cacau (Icco) como país exportador de cacau com 100% de qualidade. “No ano passado, na 6ª edição do Cacao of Excellence (CoEx), o ‘Oscar do Cacau’, o Brasil ficou em 2o lugar, com dois produtores com medalha de ouro e um com medalha de prata”, lembra Cristiano Villela, diretor científico do CIC.

As estimativas, portanto, são animadoras. Até 2030, o Brasil tem potencial de participar com 13% do mercado global de cacau. Essa é a projeção de um relatório do Instituto AYA, que colaborou com o Plano de Transformação Ecológica do Governo Federal. Com isso, o país estaria entre os três maiores produtores do mundo, gerando US$ 2,3 bilhões em receita e ofertando até 300 mil empregos.

Texto originalmente publicado na edição #88 (junho, julho, agosto de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Lívia Andrade

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Redes de cafeterias avançam no Leste Asiático e superam 180 mil lojas em 2025

Dados do Project Café East Asia 2026, do World Coffee Portal, mostram crescimento regional de 18,4%, puxado pela China, que abriu mais de 20 mil lojas em um ano; mercado asiático deve ultrapassar 200 mil pontos de venda até 2026

Foto: 5thWave

O Projeto Café Leste Asiático 2026, análise pioneira da inglesa World Coffee Portal sobre o mercado de redes de cafeterias no Leste Asiático, revela que o mercado regional total cresceu 18,4% em número de lojas em 2025, alcançando 180.268 pontos de venda, com China, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Filipinas registrando crescimento de dois dígitos.

Mercado chinês em disparada

O mercado chinês de redes de cafeterias cresceu 31,5% em 2025, alcançando 87.505 lojas — quase o dobro do mercado dos EUA e quase metade do total de lojas do Leste Asiático. É a primeira vez que um mercado de redes de cafeterias inaugura mais de 20 mil lojas em um ano-calendário.

O crescimento foi liderado por Luckin Coffee e Cotti Coffee, os dois maiores operadores do país, que, juntos, abriram mais de 12 mil lojas e respondem, atualmente, por 50% do mercado chinês de cafeterias.

O mercado chinês é cada vez mais influenciado por preço, promoções e descontos, com destaque para a guerra de preços de RMB 9,9 (US$ 1,40) entre Luckin e Cotti.

A ênfase em acessibilidade também impulsionou o surgimento de redes de crescimento acelerado focadas em valor, como a Lucky Cup, da Mixue, e a KCoffee, da Yum China.

Esse ambiente altamente competitivo surpreendeu muitos operadores internacionais em um mercado hoje dominado por cadeias locais. Vale destacar, por exemplo, que a antiga líder Starbucks concordou com a venda de uma participação majoritária de US$ 4 bilhões de seu negócio na China — com 8 mil lojas — para a Boyu Capital, de Hong Kong.

Inovação em bebidas

Oitenta por cento dos 4 mil frequentadores de cafeterias na China entrevistados pelo World Coffee Portal consomem café quente pelo menos uma vez por semana, sendo que 25% o fazem diariamente. Ainda assim, os operadores vêm experimentando cada vez mais cafés gelados, aromatizados e com infusão de frutas, tornando a China um laboratório único de inovação em sabores.

Matcha, açúcar de palma e coco foram os ingredientes adicionados às bebidas de café mais citados, o que reforça a tendência. O coconut latte, por exemplo, é o item mais vendido da Luckin Coffee desde seu lançamento, em 2017. Da mesma forma, a KCoffee lançou linhas ousadas, como um café americano gaseificado com vinagre preto.

Foto: 5thWave

Preferência por redes locais

Os mercados de redes de cafeterias do Leste Asiático desenvolveram identidades próprias, baseadas em tradições nacionais de café e na oferta de bebidas à base de espresso mais acessíveis.

Na China, 57% dos entrevistados preferem redes domésticas a operadores internacionais. Esse sentimento se repete em toda a região, onde cadeias locais continuam ganhando participação de mercado de marcas ocidentais. Entre os exemplos estão Jinji Jawa, na Indonésia, ZUS Coffee, na Malásia, e Pickup Coffee, nas Filipinas, que inauguraram centenas de lojas no último ano, crescendo mais rápido que concorrentes como Starbucks, Dunkin’ e Costa Coffee.

Na Tailândia, por exemplo, Café Amazon e PunThai Coffee responderam por 80% de todas as novas lojas abertas nos últimos 12 meses.

Otimismo entre líderes da região

A maioria dos líderes do setor entrevistados (71%) registrou crescimento anual de vendas, e mais de dois terços estão otimistas quanto às condições atuais de mercado. Além disso, 68% esperam melhora nas condições comerciais nos próximos 12 meses.

O World Coffee Portal projeta que o mercado de cafeterias do Leste Asiático será o primeiro do mundo a ultrapassar 200 mil lojas até o fim de 2026. Até novembro de 2030, o total deve superar 263 mil lojas, com crescimento médio anual (CAGR) de 7,9% em cinco anos.

A China deve crescer 20% em número de lojas em 2026 e 10,3% ao ano nos próximos cinco anos, alcançando mais de 142,5 mil lojas até o fim de 2030. Camboja, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã também devem registrar crescimento de dois dígitos em 2027.

Comentando os resultados do estudo, Jeffrey Young, fundador e CEO do Allegra Group, responsável pelo Project Café East Asia 2026, afirma que esse crescimento demonstra como o Leste Asiático se tornou parte “fundamental” da indústria global de café.

“A China, uma verdadeira potência, adicionou mais de 20 mil lojas em um ano, alcançando um crescimento sem precedentes e impressionante”, comenta. Segundo Young, ainda há “muito espaço” para expansão. “Esperamos que toda a região se torne o principal motor de crescimento global nas próximas décadas. Uma coisa é certa: este é um sinal de mudança, e o mercado global de café está sendo cada vez mais liderado por conceitos do Leste Asiático.”

TEXTO Fonte: World Coffee Portal (tradução da Revista Espresso) • FOTO 5thWave