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Microempresas: Desenvolve SP anuncia R$ 50 milhões em crédito para auxílio de setores mais afetados pela pandemia

Na última quarta-feira (17), o governador do estado de São Paulo, João Doria (PSDB), informou que o Governo disponibilizará, através do Desenvolve SP, mais R$ 50 milhões em crédito para capital de giro para microempresas dos setores mais afetados pela pandemia.

Além dos novos recursos, o banco beneficiará clientes com empréstimos já contratados com recursos do Tesouro Estadual com a possibilidade de adiar o pagamento das prestações por três meses. “São empresas profundamente afetadas pela pandemia e extremamente importantes para a empregabilidade”, disse Doria.

As medidas integram a série de ações praticadas pela instituição financeira para mitigar os impactos econômicos causados pela pandemia. “Sabemos que estamos enfrentando o pior momento da pandemia e que muitas empresas estão sofrendo com a necessidade do isolamento. Nossa prioridade é preservar vidas, mas nosso trabalho, como Governo do Estado, abrange também a economia, os empregos e a renda da população. Enfrentar a pandemia é lidar com os seus efeitos em todas as esferas e é isso que estamos fazendo”, afirma o presidente do Desenvolve SP, Nelson de Souza.

Crédito

Microempresas com faturamento anual entre R$ 81 mil e R$ 360 mil dos segmentos comércio, como cafeterias, restaurantes, bares; turismo e cultura e economia criativa, poderão solicitar crédito para capital de giro com taxas de 1,0% ao mês acrescido da SELIC, prazo de 60 meses para pagar e carência de 12 meses. Excepcionalmente, o banco vai dispensar a obrigatoriedade da apresentação de Certidão Negativa de Débitos (CND).

Para auxiliar empresas com obtenção de garantias, o Desenvolve SP oferece a opção do Fundo de Aval – FDA, um fundo garantidor criado pelo Governo do Estado no início da pandemia. O banco vai permitir também leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Michał Parzuchowski

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Startup auxilia produtores colombianos na venda dos cafés direto ao consumidor

A Coffee Shift, startup com presença corporativa no Vale do Silício e na Colômbia, trabalha para corrigir o enorme desequilíbrio de capital dentro do comércio de café. Atualmente, anunciou sua disponibilidade para investidores por meio do site de crowdfunding (financiamento coletivo) de capital Wefunder a partir do dia 12 de março.

Operando como um serviço de assinatura de café on-line direto ao consumidor, a Coffee Shift integrou a tecnologia blockchain para contornar os intermediários da cadeia de valor do café, pagando aos produtores de maneira direta e justa, e entregando o café arábica colombiano certificado internacionalmente para seus clientes. O intuito é que os cafeicultores vendam e recebam diretamente do consumidor.

Já administrando um serviço de assinatura on-line de café, a startup usará seu capital Wefunder para expandir as operações e trazer mais cafeicultores para o modelo de venda direta.

A Coffee Shift foi criada por Tyler Pinckard, um tecnólogo do Vale do Silício, conhecedor de café e com experiência em fintech e blockchain. Depois de visitar as operações de cafeicultura na Colômbia e provar o que considerou o melhor café, ficou surpreso ao saber que os cafeicultores têm prejuízos. Por isso, começou a buscar alternativas fora das marcas maiores, passando valores para os trabalhadores qualificados que produzem os grãos.

“Queremos interromper o ecossistema atual, em que a maior parte dos lucros do comércio do café é aspirada por intermediários e grandes corporações. A Coffee Shift faz parceria com os produtores e compartilha a propriedade de nossa empresa para que eles possam crescer conosco. Não tem nada que gosto mais do que usar a tecnologia para enfrentar um problema tão prático e do mundo real. Com o blockchain, os cafeicultores podem ser pagos de forma justa e instantânea além das fronteiras, e nossa plataforma permite dicas diretas para o cafeicultor tirarem suas dúvidas”, explica o criador. A ideia é ter um relacionamento transparente entre o consumidor e o produtor.

Mais informações: www.coffeeshift.com

TEXTO As informações são do GlobeNewswire / Tradução Juliana Santin • FOTO Agência Ophelia

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Plant-based: Nestlé aposta em cápsula zero lactose

Neste ano, a Nestlé completa 100 anos no Brasil e busca investir na ampliação de seu portfólio plant-based (a base de vegetais). No total, serão mais de 12 itens lançados no mercado brasileiro ao longo de 2021. Nos últimos três anos, a companhia investiu cerca de R$ 40 milhões nesta frente.

As inovações são parte de uma estratégia global da Nestlé para estar ao lado dos consumidores em suas opções, tanto para aqueles que adotaram a alimentação vegana ou vegetariana, para as pessoas que seguem uma mudança de comportamento para reduzir o consumo de itens de origem animal e para aqueles que buscam adotar hábitos alimentares e estilos de vida diversificados.

Segundo pesquisa em 2020 pela GFI Brasil, em parceria com o IBOPE, 49% dos brasileiros declaram terem reduzido o consumo de carne e 59% já incluem bebidas vegetais em sua dieta, sendo que 39% afirmam que já consomem alternativas vegetais pelo menos três vezes por semana.

Os motivos para o consumo de produtos plant-based acompanham tanto um aumento da população vegetariana quanto um maior envolvimento das pessoas com questões ambientais e busca por opções mais equilibradas. No caso das bebidas vegetais, o consumo também é motivado por uma parcela da população que possui intolerâncias ou alergias relacionadas ao leite animal.

Cápsulas

O primeiro lançamento plant-based da Nestlé será com Nescafé Dolce Gusto, com dois novos itens do portfólio de lattes. As opções zero lactose são o Macchiato Amêndoas, um produto marcado pelas notas de amêndoas, e o Macchiato Coco, mistura grãos de café do sudeste asiático com o sabor do coco. As novidades já estão disponíveis para o consumidor em caixas com 12 cápsulas, exclusivamente no e-commerce de Nescafé Dolce Gusto.

Sorvete Vegano

Em junho de 2019, a Nestlé trouxe para o Brasil mais de 20 opções de produtos plant-based da marca Nature’s Heart, produzidos pela equatoriana Terrafertil, da qual a multinacional suíça é sócia majoritária desde o início de 2018. Agora em 2021, trará o sorvete vegano para a rede Bacio di Latte. O produto será feito com bebida vegetal de aveia da linha Nature’s Heart e já está disponível nas lojas da Bacio di Latte em todo o Brasil.

TEXTO Redação • FOTO Matthias Oberholzer

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Igualdade na cafeicultura: evento debate principais pontos para empreender com sucesso no setor

De 15 a 19 de março acontece o projeto Ganha-Ganha: Igualdade de Gênero Significa Bons Negócios. A iniciativa é organizada por ONU Mulheres e Organização Internacional do Trabalho (OIT), com financiamento da União Europeia para a equidade de gênero nos negócios, em parceria com a Aliança Internacional das Mulheres do Café (IWCA Brasil).

Com o tema “Trilha de Aprendizagem: como construir um caminho de sucesso no café”, o evento, que acontece de forma digital, tem o intuito de mapear as principais competências para empreender no universo do café.

Além disso, o projeto traz um conjunto integrado de ações, com conteúdo teórico, habilidades e atitudes necessárias para que um profissional ou empreendedor atue com sucesso no mercado, com mulheres que irão compartilhar suas vivenciais ao construir suas carreiras e empreendimentos diante de um mercado ainda tão masculino.

Para participar, as inscrições podem ser feitas aqui. Confira a programação:

15 de março, das 19h às 21h

Trilha de Aprendizagem 1: Sucesso na produção de café
Convidadas:
– Simone Carneiro de Morais Sousa – Cafeicultora e CEO Santa Quitéria Cafés Especiais
– Iandra Mendes Vilela – Nutricionista e profissional certificada Q-processing da Cocatrel Direct Trade
– Luiza Oliveira Macedo – MSc. Engenheira Agrônoma e fundadora da Conhecimento Agro

Moderadora: Danielle Baliza – Professora e pesquisadora do IF Sudeste MG

16 de março, das 19h às 21h

Trilha de Aprendizagem 2: Sucesso na comercialização
Convidadas:
– Lais Faleiros – Trader da Fazenda Eldorado e Cooperativa Cocapil
– Yuki Minami – Administradora da Aequitas Coffee e Minami Agrícola
– Vanusia Nogueira – Diretora Executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais

Moderadora: Ana Paula Rosas – Jornalista especializada em café e fundadora do De Pratos a Prosas

18 de março, das 19h às 21h

Trilha de Aprendizagem 3: Sucesso na torra e varejo
Convidadas:
– Paulinha Dulgheroff – Mestre de torras da Mundo Café
– Fabiola Jungles – Mestre de torras da Flama Torras Especiais
– Eliana Relvas – Consultora em cafés especiais pela Phier Consultoria

Moderadora: Gisele Coutinho – Barista e fundadora do Pura Caffeina

19 de março, das 19h às 21h

Trilha de Aprendizagem 4: Sucesso no serviço e hospitalidade
Convidadas:
– Sulayne Shiratori – Professora de cafés especiais e fundadora da Loz Feliz Café Lab
– Lidiane Santos – Barista e sócia-proprietária da Kaffe Torrefação e Treinamento
– Carolina Oda – Comunicadora e consultora de hospitalidade e bebidas

Moderadora: Kelly Stein – Jornalista, fundadora do podcast Coffea e do Projeto Coffea Trips

TEXTO Redação • FOTO Café Editora

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Crescimento do e-commerce segue firme em 2021

Um ano do anúncio da pandemia de Covid-19 e os impactos em diversos setores da economia brasileira são grandes. A maioria dos segmentos sofreu um impacto negativo, mas algumas exceções tiveram um saldo positivo durante o ano de 2020, e esse foi o caso do e-commerce.

Segundo o Movimento Compre&Confie, que nasceu a partir da mobilização de várias lojas para construir um mercado mais seguro e confiável para as compras on-line, o e-commerce cresceu 56,8% entre janeiro e agosto do ano passado. Agora, em 2021, a expectativa é de que o comércio eletrônico cresça 32%, aponta o relatório da XP Investimentos.

O crescimento desse segmento já era esperado em 2020, mas a chegada da pandemia, as necessidades de isolamento social e o fechamento do comércio fizeram com que o e-commerce explodisse no cenário nacional.

De acordo com Guilherme Juliani, CEO da Flash Courier, transportadora especializada em cargas expressas, assim como a maioria dos setores, o mercado de varejo on-line também passou por um momento de profunda transformação e com ela muitas lojas precisaram aprimorar seus serviços digitais. “Empresas que já pensavam, há tempos, em apostar no comércio eletrônico foram obrigadas a acelerar seu processo de entrada e enxergaram o momento como a melhor oportunidade de crescimento”, completa.

Além disso, o comportamento do consumidor vem mudando nos últimos anos. Segundo o estudo Consumer Insights da Kantar, o comércio eletrônico ganhou espaço na preferência dos consumidores: 68% dos brasileiros que responderam à pesquisa disseram que os aplicativos de entregas em domicílio os satisfazem totalmente no quesito velocidade, 63% por conta da facilidade de uso, 64% pela qualidade dos produtos e 77% pela facilidade de pagamento.

Para Guilherme, isso demonstra que os consumidores perceberam como é simples fazer compras pela internet e criaram confiança nessa operação. “É uma questão básica também. Hoje vemos leia mais…

TEXTO Redação

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Pesquisa Abic: consumo interno de café no Brasil registrou crescimento em 2020

A Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) realizou uma coletiva de imprensa on-line e divulgou dados que mostram a importância do café no dia a dia dos brasileiros e na indústria nacional.

Os números de consumo revelam que, apesar da crise econômica gerada pela pandemia que afetou diversos setores em 2020, a procura por café seguiu crescendo, com um aumento de 1,34% em relação ao mesmo período analisado no ano anterior.

Em relação à indústria, a Abic revela dados de uma pesquisa qualitativa, a primeira realizada em duas décadas no Brasil, que mostra que 82% do setor é composto por micro e pequenas empresas e a produção industrial se concentra no Sudeste (76,6%).

O consumo interno de café no País registrou crescimento em 2020: foram 21,2 milhões de sacas entre novembro de 2019 e outubro de 2020, o que representa uma alta de 1,34% em relação ao período anterior, que considerou dados de novembro de 2018 a outubro de 2019.

Os números coletados pela Abic revelam ainda que, no ano passado, o Brasil manteve a posição de segundo maior consumidor de café do mundo. Dados da última pesquisa realizada pela Euromonitor em 2019 destacam o País como maior mercado mundial em volume total de café como bebida quente. Quando analisado o consumo per capita, observa-se que, em 2020, ele foi de 5,99 kg por ano de café cru e 4,79 kg por ano de café torrado. O bom desempenho na mesa leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Andrea Tummons Ehymer

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Estados Unidos importa 19% dos cafés brasileiros exportados em fevereiro

O relatório mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) aponta que no mês de fevereiro foram exportadas 3,3 milhões de sacas de café, considerando a soma de café verde, solúvel e torrado e moído, um aumento de 9% em relação ao mesmo período de 2020.

A receita cambial gerada com os embarques foi de US$ 423,7 milhões, crescimento de 4,7% em relação a fevereiro do ano passado. Na conversão em reais, o valor foi de R$ 2,3 bilhões, apresentando aumento de 30,6%. Já o preço médio da saca foi de US$ 129,19 no período.

No segundo mês deste ano, as exportações de café verde (arábica e canéfora) atingiram 3 milhões de sacas, registrando crescimento de 11,2% ante fevereiro do ano anterior. O café arábica representou 81,9% do volume total exportado no mês (2,7 milhões de sacas), o canéfora (conilon e robusta) ocupou 9,5% de participação nas exportações (312,3 mil sacas) e o solúvel, 8,5% dos embarques (278,4 mil sacas). Tanto o café arábica quanto o canéfora apresentaram aumento nos volumes exportados, de 8,5% e 42,7%, respectivamente, quando comparado a fevereiro de 2020.

“As exportações brasileiras de café se mantiveram firmes no mês de fevereiro, registrando o crescimento de 9% em relação ao ano anterior. Analisando-se os números parciais do ano safra 2020/2021, observa-se recorde das exportações entre julho de 2020 e fevereiro de 2021 em relação ao mesmo período de anos anteriores, refletindo as ótimas condições da safra passada e o potencial cenário para um novo recorde no encerramento do ciclo. Esses resultados demonstram que os diferenciais brasileiros continuam competitivos e que somados à excelente qualidade e à sustentabilidade aplicada nas lavouras, tornam o café brasileiro mais atrativo e fortemente demandado na bolsa de Nova York, onde o país se destacou como uma das principais origens de entrega de cafés de qualidade”, declara Nicolas Rueda, presidente do Cecafé.

Janeiro e fevereiro de 2021

Neste período, o Brasil exportou 6,9 milhões de sacas de café, apresentando um desempenho positivo em relação ao mesmo período do ano passado, com crescimento de 6% nos embarques. As exportações de café verde apresentaram alta de 8,1%, atingindo 6,3 milhões de sacas, sendo que os embarques de café arábica (5,8 milhões de sacas) cresceram 6,7% e os leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

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Em meio ao tsunami, como ficará o consumo de café?

Impossível não falarmos do impacto que a pandemia do coronavírus teve e ainda terá no nosso mercado de café especial. Nas próximas páginas conheça o retrato baseado em pesquisas e dados que mostram  por que acreditamos que, agora sim, estamos mergulhando em uma onda forte, incerta e repleta de novos desafios

“Hoje eu acordei com uma vontade danada de tomar café.” Quantos brasileiros levantam todos os dias com essa memória afetiva de uma xícara da nossa bebida predileta depois da água. Entre os lares brasileiros, 98% têm o hábito de tomar diariamente a bebida que resulta desse fruto que chega à mesa de milhões de consumidores depois de passar por processos bem específicos no campo e de industrialização.

A questão é que – como muitos produtos – o café tem variedades, tipos e classificação que o separam em categorias. A forma como ele é colhido, o processamento na lavoura, a secagem no terreiro, depois a seleção e todos os sabores que ele terá a partir da torra alteram o caminho que esse grão vai tomar até chegar à xícara de algum apreciador.

A história de cada cafeicultor nas mais de vinte regiões produtoras do País e, indo além, nos mais de cinquenta países que cultivam café no mundo importa, e muito, pois dá vida a 1,6 bilhão de xícaras diárias consumidas em todo o globo. Muito além da quantidade de produção, porém, que abastece milhões de pessoas no mundo, o café tem separações por qualidade, o que define seu preço ao torrefador e ao consumidor – se quisermos encurtar bem essa cadeia. E é sobre esse nicho de mercado – o café especial – que vamos falar. De acordo com a Euromonitor International. em 2019 o mercado de cafeterias com serviço de cafés e chás especiais movimentou no mundo  64 bilhões de dólares. Com dados promissores de crescimento para os próximos anos, o café, e o mundo, sofreu uma ruptura sem precedentes.

As três ondas do café

O café – como hábito de consumo – vive três ondas pelo mundo. É importante conhecer a história recente. Por volta de 1945, pós-II Guerra Mundial, o crescimento econômico do Ocidente impulsionou a primeira onda do café, que era visto como produto para dar energia, em volume, sem preocupação com qualidade, apenas com o intuito de criar o hábito dentro das casas; desse movimento fazem parte marcas atuais como Keurig Green Mountain (Keurig Dr Pepper), Mondelez, D.E. Master Blenders, Nestlé, entre outras.

O conceito do café especial foi mencionado pela primeira vez em 1974, pela norueguesa Erna Knutsen. A segunda onda, representada pelo nascimento das marcas Starbucks e Peet’s Coffee, começa exatamente nessa década, com foco no espresso e nas bebidas que derivam dele. A necessidade de ter parâmetros e consistência leva ao preparo mais homogêneo de receitas mundiais e ao desenvolvimento de equipamentos próprios para isso. O incentivo é para o consumo fora de casa, com ênfase nas origens e nas torras, com certa visão para a qualidade. Em 1982 nasce a Associação Americana de Cafés Especiais e, em 1998, a entidade semelhante na Europa.

A terceira onda surge somente em 2003, assim batizada pela norte-americana Trish Rothgeb, em artigo da The Flamekeeper, newsletter da Roasters Guild. O intuito da fundadora da Wrecking Ball Coffee Roasters, especialista em torra,  era dar nome a um movimento de cafeterias independentes, entre elas Blue Bottle, Intelligentsia e Stumptown (hoje todas já vendidas para Nestlé e JAB Coffee), que traziam métodos de preparo filtrados e alta qualidade no produto e no serviço ao cliente. A identificação da fazenda, da época da colheita, do tipo de processo do café, da data da torra, da variedade e das notas do produto são mais do que só a origem trazida pela segunda onda.

Muito se debate sobre a chegada de uma quarta onda. Especialistas como a própria criadora do termo da terceira onda, Trish Rothgeb, porém, em entrevista à jornalista Janice Kiss para a Espresso, em 2018, avaliaram que a terceira onda estava no auge, com o amadurecimento da geração que a construiu e com o fortalecimento do mercado de café de qualidade.

O consumo global da bebida especial crescia a 10% ao ano, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC), impulsionado sobretudo pelo estilo de vida dos jovens, que levavam em consideração a qualidade do produto, o benefício para a saúde e o cuidado com o meio ambiente. “Algumas pessoas falam em quarta onda, mas é um tanto precipitado. Não vejo mudanças no comportamento do consumidor que possam fundamentar a origem de um novo movimento”, analisa Trish. Mas, e agora? A bolha do café especial, que já precisava ser estourada e alcançar mais consumidores em todo o mundo, se viu frente a frente com a pandemia da Covid-19. leia mais…

TEXTO Mariana Proença • FOTO Daniel Ozana/Studio Oz

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Preços internacionais do café atingem a maior média desde 2017

Em fevereiro de 2021, o indicador composto da Organização Internacional do Café (OIC) continuou sua tendência de alta, aumentando 3,1% para uma média de 119,35 centavos de dólar dos EUA por libra-peso, à medida que os preços de todos os indicadores dos grupos subiam. Esta é a maior média mensal desde outubro de 2017, quando o indicador composto da OIC alcançou 120,01 centavos de dólar dos EUA por libra-peso.

O indicador composto diário permaneceu estável na primeira metade do mês, atingindo um mínimo de 115,07 centavos de dólar dos EUA por libra-peso em 15 de fevereiro. No entanto, na última semana do mês, os preços subiram acentuadamente e atingiram uma alta de 128,34 centavos de dólar por libra-peso no dia 25 de fevereiro.

A OIC disse que os preços em fevereiro foram sustentados pelo aperto na oferta, bem como pelas expectativas de um déficit na próxima temporada devido às altas temperaturas e às baixas chuvas no Brasil. As commodities, em geral, têm se recuperado à medida que os mercados continuam levando em consideração o otimismo relacionado às vacinas e a recente escassez de contêineres.

No ano cafeeiro de 2020/21, estima-se que a produção global aumentará 1,9%, para 171,9 milhões de sacas, com a produção do café arábica crescendo 5,2%, para 101,88 milhões de sacas. O consumo mundial do grão deve aumentar 1,3%, para 166,63 milhões de sacas em 2020/21, à medida que as ações de distanciamento social permanecem em vigor, limitando o consumo fora de casa, e a economia global se recupera lentamente.

O ano cafeeiro de 2020/21 deve terminar com leia mais…

TEXTO As informações são do Global Coffee Report / Tradução Juliana Santin • FOTO Agência Ophelia

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Decreto do governo de São Paulo fecha cafeterias novamente

Na tarde de quarta-feira (3), o governador do estado de São Paulo, João Dória (PSDB), regrediu todo o estado à fase vermelha, a mais restritiva da quarentena. A medida entra em vigor na primeira hora do próximo sábado (6) e deve permanecer até o dia 19 de março.

“Estamos em São Paulo e no Brasil à beira de um colapso. Exige medidas coletivas e urgentes (…) por este motivo, nós estamos atendendo à recomendação do Centro de Contingência e reclassificando todo o estado de São Paulo para a fase vermelha a partir da 0h de sábado”, explicou o governador.

Com a fase vermelha é apenas permitido o funcionamento de setores da saúde, transporte, imprensa, estabelecimentos como padarias, mercados e farmácias, além de escolas e atividades religiosas, que foram incluídas na lista de serviços essenciais por meio de decretos estaduais.

Com isso, as cafeterias terão que fechar novamente. Conversamos com algumas delas que contaram quais medidas irão adotar:

Cupping Café – @cuppingcafe

Segundo Gabriel Penteado, eles seguirão com delivery e retirada na cafeteria. “Não somos contra as medidas, ao contrário, usamos todos os equipamentos obrigatórios para o atendimento ao cliente, porém acontecem inúmeras festas clandestinas sem nenhuma fiscalização e nós quem acabamos totalmente desamparados”.

Amar.go – @amar.gocafe

Eduardo Salgado contou que tentarão entrar com o delivery. “É a única saída viável. Tudo isso afeta demais o negócio”.

OCabral Café – @ocabralcafe

Daniel Tavares contou que desde março passado a cafeteria não foi aberta. “Tentamos reabrir duas vezes, mas a pandemia sempre vinha com mais força, e agora não foi diferente, continuamos entregando as encomendas pelo site. Existe a possibilidade de fazer a retirada na cafeteria, mas estamos incentivando para que as pessoas fiquem em casa, e como incentivo para isso, estamos com frete grátis no site pra São Paulo”.

Ele conta que o objetivo é levar para a casa dos clientes as experiências que sempre tiveram na cafeteria, entregando os cafés e os produtos. “Damos dicas de como fazer em casa, como por exemplo, envasamos o cold brew a geleia e a calda, vendemos a manteiga que usávamos aqui e criamos experiências com as caixas de café da manhã e algumas harmonizações, para manter os clientes próximos e principalmente para continuar fortificando os pequenos produtores que sempre tivemos juntos no período da cafeteria aberta”, explica.

Sterna Café – @sternacafe

A rede de cafeterias seguirá com delivery e retirada na loja. “O fechamento das lojas físicas afeta em 70% em média o faturamento das unidades, sendo que, neste momento, voltaremos as nossas forças para os formatos que utilizamos no começo da pandemia”, explica o fundador da rede, Deiverson Migliatti.

Santo Grão – @santograo

Keiko Sato, responsável pela qualidade e treinamento da cafeteria, aponta que algumas unidades ficarão fechadas e outras funcionando to go.

Santo Grão Oscar Freire: somente To Go de cafés e bebidas, das 8h às 20h, todos os dias;
Santo Grão Cidade Jardim: Shopping Cidade Jardim suspenderá as suas atividades no período de fase vermelha;
Santo Grão Itaim: funcionará das 9h às 21h30, todos os dias, delivery e to go;
Santo Grão UNE: to go comidinhas e cafés, das 10h às 19h, de segunda a sexta;
Santo Grão Curitiba: temporariamente fechado;
Santo Grão Vila Madalena: suspenderá as suas atividades no período de fase vermelha;
Santo Grão Moema: suspenderá as suas atividades no período de fase vermelha;
Santo Grão Morumbi: delivery e to go de segunda a sexta, das 8h às 21h30; sábado e domingo, das 8h às 20h.

Sensory Coffee Roasters – @sensorycoffeeroasters

Irão funcionar nos sistemas take away e delivery.

IL Barista – @ilbaristacafes

Gelma Franco, proprietária da cafeteria, conta que seguirão no sistema delivery e com descontos no e-commerce. Segundo ela, no cenário atual não havia recuperado nem 40% do faturamento e agora com o fechamento e ações realizadas, o rendimento não chega a 20%.

Coffee Lab – @coffeelab_br

Funcionará com delivery, que pode ser acessado aqui e aulas on-line na nova plataforma.

Suplicy Cafés Especiais –  @suplicycafes

As lojas ficarão fechadas e as compras podem ser feitas no site.

Em Curitiba (PR), por exemplo, a cafeteria Lucca Cafés Especiais, está fechada desde sexta-feira passada (26) e deve reabrir no próximo dia 8. “Estamos com o delivery de café torrado e pão. Com o fechamento, faturamos 90% a menos, e tivemos alguns ingredientes estragados, pois tivemos que fechar em menos de 24h do decreto”, relata a proprietária Georgia Franco.

TEXTO Natália Camoleze • FOTO Mai Rodriguez