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Café com afeto

O café é casado com o açúcar há dezenas de anos. Já completaram umas quatro bodas de ouro e, sem festa, mas com grande fidelidade, mantêm essa relação duradoura. Eles são daquele tipo “casal chiclete”, que não desgruda por comodidade e tradição. Onde está o café, lá vem o açúcar. Trata-se, muitas vezes, de um casal moderno, que se adapta a qualquer realidade vigente no País. Falta água, mas não falta afeto, quer dizer, açúcar.
Além da relação íntima entre eles, esse é o perfil de um casal que tem torcida. Todos querem que eles fiquem juntos, ou a maioria deseja isso. Se o café aparece sem o açúcar, a confusão está formada. É um falatório sem igual. Cochichos para todos os lados. Imagina o café puro saindo por aí? O casal tem árduos defensores e não adianta querer separar os dois. Pior ainda é insinuar que o café, então, é melhor que o açúcar. Nossa, há revolta e até protesto:
“O quê? Esse café é especial?”. “Mas o que ele tem de tão diferente assim para o açúcar ser posto em segundo plano?”. “Nossa, que absurdo!”, bradam alguns. Daí vêm as críticas ao café: “Nossa, mas que café fraco!”, “Cadê o açúcar?”, “Que amargo”, “Cadê o açúcar?”. O café passa de chafé a muito forte em questão de segundos, tudo porque não está acompanhado do açúcar.
Conclusão: o açúcar nunca se sentirá sozinho. É daquele casal que, mesmo terminando o relacionamento, terá sempre alguém tentando criar uma situação de reencontro. Coisa boa de amor. De mãos dadas eles saem pelas ruas alegrando os apreciadores e tornando a vida cheia de energia e mais doce.
Às vezes o leite chega para fazer companhia, mas só em alguns momentos do dia ele pode entrar na conversa. Para agradar, o tal do leite às vezes faz até um desenho bonito, que deixa tudo em harmonia. Tenta também versões desnatadas, com soja, integral e direto da fazenda. Mas nada supera a presença do açúcar nessa relação.
Eis que, em tempos modernos e de grãos bem cuidados, surge um café independente, completo, que não precisa do açúcar para sobreviver. O café ganha uma liberdade nunca vista na relação e passa a circular sozinho por aí. Mas há quem sempre pergunte: “E o açúcar, como está?”. E o café: “Ah, nós terminamos”.
E assim o café repete essa frase inúmeras vezes ao dia. Tem algumas recaídas, claro, encontrando-se com o açúcar em dias mais amargos, em que precisamos de afeto. Mas isso sem que ninguém veja. Ele, o café, pensa: “Eu sei que o certo é não estar perto de você”. Talvez porque ele altere o temperamento, ou mascare o real jeito de ser do café, ou mesmo sobressaia ao grão, sempre o centro das atenções, mas nem sempre do sabor. Porém a relação deles é tão longa, estão tão acostumados um ao outro que sem o açúcar a vida vira um grande martírio para o pobre café.
Então o café continua sendo um grande companheiro, mas sem a obrigação de estar junto. E o açúcar, ah, esse é pau pra toda obra e topa qualquer convite. Está presente em todos os lugares, bares, e sempre indo ao encontro do café.
Esse relacionamento vai e vem, volta ou não volta, separa definitivo ou se vê de vez em quando é a grande graça da vida. Eles descobrem que é difícil viver totalmente separados, mas que há momentos em que é bom experimentar sair sozinho por aí e ter sua liberdade, seus outros complementos, conversas. As regras, ah, essas deixamos de lado, queremos que seja sempre com muito afeto e uma boa companhia.
*MARIANA PROENÇA é jornalista. Em 2006 assumiu a direção de conteúdo da Espresso e, meses depois, o café já tinha virado uma paixão, que dura até hoje. Nesta coluna ela aborda diversos temas e experiências sobre a profissão barista. Fale com a colunista: mariana.proenca@cafeeditora.com.br
























A cafeteria Dulcerrado Cafés Especiais do Produtor oferecerá entre os dias 5 e 6 de dezembro, em sua sede, o Curso Básico para Formação de Baristas. As aulas têm como objetivo selecionar talentos para atuarem na cafeteria como baristas. O curso é gratuito e para participar os interessados devem enviar currículo para o e-mail: dulcerrado@dulcerrado.com.br, até o dia 27 de novembro, para uma seleção prévia que acontecerá no dia 1 de dezembro. Após a seleção, os inscritos que atenderem ao perfil serão contatados para participação no curso. Oportunidade Segundo a cafeteria, a busca é por colaboradores homens e mulheres, de 18 a 30 anos, com disponibilidade de horário e viagens, que possuam ensino médio completo e portadores da carteira de habilitação B. “Como trata-se de um ambiente em que é preciso muita comunicação com o público, desejamos receber neste curso pessoas extrovertidas, proativas, que tenham esta habilidade de se comunicar com diversos públicos, de várias faixas etárias, demonstrando não só os nossos produtos, mas comunicando o que nossa cidade produz de melhor. Por isso, optamos pela realização do curso, pois ao mesmo tempo em que fomentamos o ingresso de pessoas ao universo do café, temos a possiblidade de nos aproximar daqueles que se identificam com o propósito da Dulcerrado”, explica Poliana Gonçalves, gestora da Dulcerrado. O curso abordará temas amplos que vão desde à história do café e tendências de consumo, bem como assuntos práticos como torra e embalagem adequadas; o papel do profissional Barista, preparo e montagem de bebidas à base de café, entre outros temas necessários à formação de um bom profissional para a área. Serviço Data: 5 e 6 de dezembro Local: Avenida Faria Pereira, 3945, Patrocínio (MG) Valor: gratuito Inscrição: dulcerrado@dulcerrado.com.br
O clube de assinatura de cafés Have a Coffee acaba de fechar uma parceria com investidores da Dinamarca para estender suas operações ao país nórdico. Os empresários dinamarqueses Mark Fries e Janus Fischer fecharam negócio com a marca brasileira e passam a trabalhar com o clube, focado em cafés especiais brasileiros, na europa. O clube na Dinamarca irá funcionar da mesma forma que o brasileiro, a equipe Have a Coffee seleciona os cafés, envia os microlotes para o país, onde são torrados, embalados e enviados para os clientes locais. Apenas participam dessa ação os cafés brasileiros. O lançamento da operação aconteceu há apenas 12 dias e, portanto, a marca ainda está na primeira seleção. Nesse primeiro momento, o produtor que se destacou foi Carlos Alberto Altoé, da região do Caxixe Quente, em Castelo, no Espírito Santo. A equipe de seleção avisa que se algum produtor tiver interesse em apresentar os cafés para a empresa, deve enviar um e-mail para 








