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O problema em ter problemas

Alguns meses atrás, eu estava viajando e, após fazer o check-in on-line (adoro as vantagens do século XXI!), tinha de imprimir meu cartão de embarque. Na primeira vez, não deu certo. Na segunda, idem. Então, pedi ajuda a um funcionário do hotel.
Prestativo e levemente atrapalhado (para ser sincero, ele parecia o Jerry Lewis em O Mensageiro Trapalhão, mas a boa vontade compensava tudo), o rapaz levou cerca de meia hora para identificar e resolver o problema. Estava tudo certo, poderia ter o que desejava, bastava um detalhe: esperar a impressão de todos os outros documentos que haviam sido enviados por hóspedes anteriores. Ou seja: antes de mim, outros já haviam tido problemas com a impressora.
Aguardei pacientemente. Após cerca de sessenta páginas impressas (sim, eu contei, não tinha mais o que fazer), o rapaz teve de colocar mais algumas dezenas de folhas. Depois, fez isso uma segunda vez. E ainda uma terceira… Até que, finalmente, meu cartão de embarque saiu. Viva!
O que me impressionou: havia mais de 300 folhas de impressão paradas, com os mais diferentes temas – de mapa para chegar a um restaurante a uma reportagem sobre um craque português de futebol. Mais de três centenas… E ninguém se deu o trabalho de pedir ajuda. Eles ficaram insistindo no erro (imprimir arquivo, confirmar, notar que não saiu nada, imprimir arquivo, confirmar, notar que não saiu nada…), entupiram o buffer (a fila virtual do que deve ser impresso), desistiram e foram embora. Não só não resolveram a questão deles como atrapalharam a do hóspede seguinte. Levantar a mão e pedir socorro estava fora de questão.
Enquanto ajudava o funcionário levemente atrapalhado a levar as centenas de folhas para o lixo reciclável, fiquei me perguntando: o que leva alguém a não pedir ajuda? Orgulho? Preguiça? Procrastinação? Esperança de que tudo se resolva sozinho, por mágica ou geração espontânea?
Tenho um grande amigo com quem almoço uma vez por semana. Ele se queixa, com frequência metódica, de gastrite: passa mal todo dia, perdeu o prazer em comer, etc. Mas não marca um médico. Outro grande camarada reclama, toda vez que o encontro, que detesta o chefe: “Minha vida virou um inferno!”. Mas não procura emprego, envia currículos, conversa com colegas de profissão, nada.
Acho o comportamento deles compreensível (a maioria das pessoas sente prazer em reclamar), mas um pouco estranho. Perder o prazer em comer? Ter a vida transformada em um “inferno”? E não tentar ajuda para resolver (um médico, um site para cadastrar currículo, um amigo que trabalhe em outra empresa)? Nada?
Quando procuro resolver um problema sozinho e não consigo, não tenho vergonha de pedir ajuda. Será que isso é um problema?
*Pedro Cirne é chefe de reportagem do UOL Notícias. Fale com o colunista pelo e-mail aftertaste@cafeeditora.com.br



















Entre os dias 14 e 17 de abril acontece em Atlanta, Geórgia, nos Estados Unidos, o evento da Specialty Coffee Association of America (SCAA). É uma boa chance para aprender e compartilhar experiências com profissionais da indústria do café. Serão centenas de expositores, milhares de participantes, cursos e eventos. Anualmente empresários, produtores, torrefadores e demais participantes da cadeia cafeeira vão até a SCAA para saber quais são as novidades do setor de cafés. Também algumas empresas brasileiras levam suas marcas em estandes e apresentam o trabalho realizado no maior país produtor e exportador do mundo. Este ano, estarão presentes as fazendas e torrefações nacionais AC Café (estande 1459), Daterra Coffee (estande 1631), Fazenda Ambiental Fortaleza (estande 1260), Ipanema Coffees (estande 1545) e JC Coffee Farms / Cocarive (estande 1639).
Celebrando o jubileu de prata, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) terá um estande comemorativo aos 25 anos de sua história e também lançará o livro BSCA – 25 anos – Jubileu de Prata, editado pela Café Editora, onde traz as histórias dos fundadores, linha do tempo completa, depoimentos dos presidentes, resumo das regiões brasileiras produtoras de café, além de perspectivas para o futuro. O estande será o 1113. As indústrias brasileiras de máquinas de torra, Lilla (estande 536) e máquinas agrícolas Palini & Alves (estande 1704) e Pinhalense (estande 809) estarão também apresentando seus produtos para o mercado internacional.
No primeiro dia de conteúdo, 15/4, das 9h às 10h15, a diretora de redação da Espresso, Mariana Proença, fará uma palestra na seção Lectures (sala B402) sobre o mercado de torra no Brasil, focando cases de produtores e microtorrefadores nacionais e mostrando um panorama sobre os consumidores brasileiros. Juntamente com palestrantes dos Estados Unidos, Colômbia e México, a jornalista tratará do tema “Por que há países produtores investindo na torra?” Acompanhe nas mídias sociais da Espresso todas as tendências do evento. Siga-nos no 
