Cafezal

Jamaica investe US$ 120 milhões na recuperação de cafezais após furacão Melissa

Fenômeno de categoria 5 atingiu as lavouras do país em novembro e causou perdas de aproximadamente US$ 6,3 milhões ao setor cafeeiro

No último dia 9, a cafeicultura jamaicana celebrou o Jamaica Blue Mountain Coffee Day, marcado este ano pelo lançamento de uma iniciativa do governo do país que destinará US$ 120 milhões para recuperar cafezais afetados pelo furacão Melissa em novembro do ano passado. Do total, US$ 35 milhões já foram desembolsados.

Segundo o presidente da Associação dos Exportadores de Café da Jamaica (JCEA), Norman Grant, 40% da lavoura pronta para a colheita perdeu-se com o fenômeno climático, classificado na categoria 5 (a mais alta), que causou danos às propriedades rurais e às rotas de acesso ao café, gerando perdas de cerca de J$ 1 bilhão (US$ 6,3 milhões) ao setor.

Apesar das dificuldades, Grant ressaltou, em discurso no evento, que a indústria cafeeira jamaicana continua a contribuir de forma significativa para economia nacional, mantendo sua posição no mercado global e exportando anualmente milhões de dólares em cafés premium. “Essa resiliência diz muito, mas apenas a resiliência não é suficiente. O que se faz necessário agora é um apoio coordenado e contínuo, além de esforços conjuntos para reconstruir uma indústria cafeeira resiliente às mudanças climáticas”, declarou ao jornal Jamaica Observer.

Sobre o Blue Mountain Coffee

O Blue Mountain Coffee é um café cultivado exclusivamente nas Montanhas Azuis (Blue Mountains), no leste da Jamaica, em áreas de alta altitude (entre 900 e 1.700 m), clima fresco, neblina, chuvas regulares e solo vulcânico – condições que proporcionam um café de alta qualidade. 

Por seu terroir único, o Blue Mountain Coffee é protegido por Denominação de Origem concedida pela Autoridade Reguladora de Produtos Agrícolas da Jamaica (Jacra). Atualmente, mais de 80% deste café é exportado.

TEXTO Redação / Fonte: Global Coffee Report e Jamaica Observer 

Mercado

Coca-Cola abandona planos de vender a rede Costa Coffee

Segundo o The Guardian, empresa encerrou leilão após propostas de fundos de private equity ficarem abaixo da expectativa de venda de £ 2 bilhões

A Coca-Cola abandonou os planos de vender sua rede de cafeterias Costa Coffee, após as propostas apresentadas por fundos de private equity não atingirem o valor esperado pela companhia. A informação foi publicada nesta terça-feira (14) pelo jornal britânico The Guardian.

De acordo com o Financial Times, que acompanhou o processo, a empresa americana de bebidas interrompeu as negociações com os licitantes remanescentes em dezembro, encerrando um leilão que se estendeu por vários meses. Entre os participantes da etapa final estava a TDR Capital, gestora britânica de private equity que controla a rede de supermercados Asda, informou o FT.

As primeiras notícias sobre a intenção da Coca-Cola de se desfazer da Costa vieram a público em agosto, quando a multinacional passou a avaliar uma venda por cerca de metade dos £ 3,9 bilhões pagos em 2018 à Whitbread, então controladora da maior rede de cafeterias do Reino Unido, com cerca de 4 mil lojas.

Desde a aquisição, a Costa tem enfrentado pressões de custos — incluindo a alta nos preços do café — e concorrência crescente nas ruas comerciais britânicas. Apesar de ter encerrado o processo atual, a Coca-Cola afirmou não descartar, de forma definitiva, uma eventual venda da Costa no futuro.

TEXTO Redação

Mercado

Acordo Mercosul–UE deve estimular investimentos na indústria de café no Brasil

Segundo o Cecafé, tratado também qualifica o país para acordos bilaterais; setor acompanha negociações com Canadá e países asiáticos

A confirmação do acordo entre Mercosul e União Europeia tende a beneficiar principalmente os cafés industrializados do Brasil, já que o café verde não é tarifado para entrar no bloco europeu. “Com a confirmação do tratado, os cafés solúveis e industriais brasileiros terão desgravação anual da taxação que recebem até chegar a zero, em quatro anos”, afirma Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), à Espresso.

Segundo ele, a medida permitirá ampliar a competitividade do país na União Europeia, “provavelmente aumentando seus embarques desses produtos para o bloco”. Matos destaca ainda o efeito sobre investimentos e desenvolvimento regional. “Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil”, diz.

Para o diretor do Cecafé, o acordo também credencia o país para novas negociações comerciais. “De certa maneira, essa aceitação da atuação governamental brasileira pode ser entendida como uma qualificação para futuros acordos, como se tivéssemos subido de patamar”, afirma. Ele acrescenta que o setor acompanha conversas em curso com o Canadá e países asiáticos para ampliar a presença dos cafés do Brasil no mercado global.

TEXTO Redação

Cafezal

Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte I

Para o Vietnã, 2025 foi um ano marcante. É o que dizem os especialistas em café ouvidos pelos meios de comunicação do país e o que revelam os números recordes, tanto em volume produzido quanto em valor adquirido nas exportações pelo país. Neste cenário, o maior produtor de robustas do mundo têm renovado cafezais e investido em sustentabilidade, o que está melhorando a qualidade dos grãos. Ao mesmo tempo, o país assiste ao crescimento do consumo interno da bebida, e ao aumento das exportações de café instantâneo. Mesmo neste cenário promissor, há muitos desafios a superar. É o que mostramos na matéria a seguir.

Alta produção

A expectativa da produção vietnamita para 2025/26 (de outubro de 2025 a setembro de 2026) foi revista, no início de dezembro, pelo Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 30,8 milhões de sacas, sendo 29,6 milhões de robusta e 1,2 milhão de arábica. Já em meados de setembro, a Verso Investimentos havia projetado a colheita em 29,4 milhões de sacas – um volume 6% superior ao ciclo anterior, e o maior produzido desde 2021.

Mesmo com tufões e chuvas intensas no período de colheita, que prejudicaram parte das lavouras – especialmente nas Terras Altas Centrais, principal região cafeeira, no interior do país –, as condições climáticas recentes foram favoráveis à produção, e os agricultores, também estimulados pelos altos preços do café no mercado global, estão investindo na renovação de suas propriedades.

Para especialistas, programas governamentais de replantio de café e projetos de cafés especiais têm contribuído para melhorar a qualidade dos robustas vietnamitas. Dados do Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente do país mostram que o café ocupa uma área de quase 732 mil hectares, e em 20 mil hectares houve substituição de cafeeiros antigos por plantas mais resistentes. A USDA também inclui o uso crescente de fertilizantes nos cafezais.

De acordo com a VnCommex, plataforma B2B de serviços para o comércio de commodities, o elevado volume de produção de robustas sustenta o PIB agrícola do país: cerca de 600 mil famílias vivem da cultura — 95% delas pequenos produtores —, que gera aproximadamente 2,6 milhões de empregos. Para 2025-2026, a previsão de especialistas é que a produção cresça até 10%. A projeção segue, aliás, tendências históricas, que mostram um aumento constante na produtividade, impulsionado por melhores práticas agrícolas, variedades mais produtivas e resiliência climática. 

Exportações recordes

De fato, os altos preços associados a fortes colheitas fizeram com que, nos últimos anos, o preço de venda dos cafés vietnamitas tenha atingido recordes históricos, com média de US$ 5.653 por tonelada, segundo a plataforma de análises de negócios Vietnam Briefing. 

O volume de café exportado também atingiu patamar recorde. As estimativas para a safra 2024/25 (que acabou em setembro) apontam exportações de 25,2 milhões de sacas, enquanto, para 2025/26, o USDA projeta um volume de 27,3 milhões de sacas — somando café verde, torrado e instantâneo. O avanço de 7,7% em relação ao ciclo anterior ocorre após um ano que, segundo a Associação Vietnamita de Café e Cacau (Vicofa), já havia registrado o maior volume exportado da história do país.

Dados do Departamento Geral das Alfândegas divulgados em 19 de dezembro pelo site Vietnamnet, um dos principais portais de notícias do Vietnã, indicam que o café teve o maior crescimento entre as principais exportações agrícolas do país até novembro: foram 1,4 milhão de toneladas embarcadas, gerando US$ 7,94 bilhões – um aumento de 15,1% em volume e de 38,9% em valor (em comparação com o mesmo período de 2024). 

Ampliação de mercados

A Alemanha é o maior mercado consumidor de cafés do Vietnã – foram 3,2 milhões de sacas compradas este ano, abocanhando 60% das exportações à União Europeia – seguido por Itália e Espanha. 

A condição do país como “de baixo risco” na União Europeia e o adiamento de um ano para a entrada em vigor da EUDR favorecem as exportações do país.

A designação de “baixo risco” permite que o café exportado para aUE passe por um processo de due diligence simplificado, com uma taxa de inspeção de conformidade de 1% – condição bem mais favorável do que a concedida para o Brasil e a Indonésia. 

Mesmo com uma queda de envio de café aos EUA de 3%, as exportações para o país podem voltar a crescer após a redução de tarifas (que estavam em 20%) anunciada em novembro pelo governo americano. 

De acordo com declarações da Vicofa ao jornal Dan Tri, em novembro, os importadores americanos querem ampliar as compras de cafés especiais vietnamitas, especialmente de robustas, que vêm despertando interesse crescente entre os torrefadores dos EUA.

Mercados asiáticos também ganham importância como destinos dos grãos vietnamitas: países como Cambodja, China, Coreia do Sul, Filipinas e Indonésia aparecem entre os mercados em crescimento, de acordo com dados de autoridades e organizações de comércio. 

Em julho, por exemplo, as exportações de café para o Camboja dispararam, atingindo 713 toneladas no valor de US$ 2,7 milhões, um aumento de 406% em volume e 460% em valor em comparação com julho de 2024, informou o Departamento Geral de Alfândegas do Vietnã ao jornal Viêt Nam News em setembro. Entre janeiro e julho, os embarques alcançaram 2.231 toneladas, no valor de US$ 10 milhões, um aumento de 78% em volume e 114% em valor em comparação com o mesmo período do ano passado.

TEXTO Redação

Mercado

O que você vai encontrar na edição #90 da revista Espresso

Será que os cafés gelados vão quebrar a hegemonia das bebidas quentes? Essa é a pergunta que tentamos responder na reportagem de capa desta edição, que conversou com torrefações e grandes empresas de cinco países para entender como os hábitos de consumo estão mudando — e como essas novas bebidas podem, de fato, redesenhar o mercado global de café.

A transformação do consumo também avança na Índia, país mais populoso do mundo e onde uma classe média jovem, urbana e viajada passou a enxergar no café um marcador de estilo de vida. O texto mostra como redes de cafeterias internacionais e torrefações e marcas locais vêm explorando essa nova oportunidade.

Na cobertura da 13ª Semana Internacional do Café, um dos mais importantes eventos do mundo do setor e que aconteceu em novembro em Belo Horizonte, destacamos como sustentabilidade, inovação e novos marcos regulatórios moldam a produção brasileira em um mercado global cada vez mais complexo.

Investigamos também como preços altos e maior diversidade de origens estão redefinindo os blends brasileiros, tanto nas grandes empresas quanto nas torrefações independentes. Também apresentamos nesta edição uma conversa exclusiva com Adriana Mejía Cuartas, primeira mulher a presidir o conselho da Plataforma Global do Café. Para ela, sustentabilidade só se concretiza quando fizer parte da vida dos mais de 12,5 milhões de cafeicultores no planeta.

Na coluna “Café com história”, Bruno Bortoloto revisita o conceito das três ondas, propondo uma leitura ancorada na realidade cultural, econômica e social do Brasil, maior produtor de café do mundo desde a década de 1860.

Além disso, degustamos seis cafés do Espírito Santo — estado que combina diferentes territórios, inovação e excelência na produção de arábicas e canéforas —, e mostramos como o cacau brasileiro vem sendo utilizado como matéria-prima para produtos e insumos que vão além do chocolate.

Um abraço e um 2026 repleto de cafés bons e justos.

A Espresso #90 está disponível nas bancas, revistarias e no site da Café Store.

Personagens

O café é a ferramenta para eu contar minha história

Barista e cafeicultora indígena, Celesty Suruí transforma o café em instrumento de memória, educação e valorização da cultura indígena na Amazônia

Por Cristiana Couto

Celesty Suruí vem ao meu encontro com sorriso largo. Estamos no Instituto Moreira Salles, em São Paulo, onde acabara de estrear a exposição “Paiter Suruí, Gente de Verdade – Um projeto do Coletivo Lakapoy”. É meu segundo encontro com a jovem de 22 anos e da etnia Paiter Suruí, que vem chamando atenção por produzir café especial na região amazônica e ser, também, barista. A primeira barista indígena, como é conhecida. 

Com postura firme, sustentada por um misto de orgulho e emoção, Celesty abre a porta do espaço do IMS que leva ao seu universo, revelado em 800 fotografias forrando as paredes. As imagens foram registradas pelos Paiter Suruí depois do contato com os brancos, em 1969, quando, no atual território Terra Indígena Sete de Setembro, na fronteira de Rondônia e Mato Grosso, foram deixadas as primeiras câmeras. Atravessamos a porta e o tempo.

“O povo Paiter Suruí é conhecido como gente de verdade”, explica Celesty, dando início ao meu tour particular. “Os Paiter tinham uma regra antes do contato: você não podia matar o próximo, você não pode brigar com uma pessoa, você tem que respeitar o seu próximo. De acordo com essas regras, eles se consideravam como gente de verdade”, continua ela, referindo-se também à espiritualidade dos Paiter. “Era só Paiter antes do contato. Depois, a Funai não soube se a etnia tinha um nome específico, e aí, com a demarcação do território, eles colocaram Suruí. Em respeito a eles, a gente manteve o nome Paiter Suruí”, completa Celesty, referindo-se ao período entre a demarcação do território e o retorno de seu povo a ele, no início dos anos 1980. 

Celesty interrompe o relato para apresentar parentes que vieram à exposição. “Tenho duas mães. Meu pai é casado com duas mulheres”, esclarece, ao apresentá-las. conheço também sua prima, Txai Suruí, “ativista famosa, ‘brabíssima’”, introduz a barista. 

Por quase uma hora, Celesty escolhe fotos que revelam o olhar indígena sobre sua própria história. “A gente vai ver fotos bem recentes, com esta de jovens dançando na igreja, e outras bem mais antigas, que nem eu conheço”, explica ela, apontando uma mulher fazendo tipoia para carregar bebês. “Este é o ex-pajé”, aponta para outro retrato. “Geralmente, os pajés são escolhidos pelos espíritos. Só que o pajé não pode ter uma família, mas ele queria uma e parou.” 

Em outras imagens, identifica as primeiras lideranças a caminho de Brasília, que conseguiram demarcar o território. E a festa mapimaí, que representa a criação do mundo e que persiste até hoje entre seu povo. Os pajés que, todas as manhãs, tocam flautas, chamando os espíritos para fortalecer a aldeia. Os primeiros jovens a estudar, o primeiro casamento religioso, a primeira igreja do território. 

E mostra uma foto sua ainda criança, a dos avós de quem sente saudades, a do irmão. “Ele é o fundador do coletivo Lakapoy”, diz ela de um dos 18 irmãos, o fotógrafo Ubiratan Suruí, que saiu cedo de casa para estudar na cidade e, ao lado de Txai Suruí e Gabriel Ushida, fundou o coletivo organizador da exposição no Moreira Salles. “A gente quer levar esse acervo para a aldeia, para contar para os jovens que ficaram. As crianças têm que saber a história.”

Ela pára diante do primeiro retrato de seu povo: “A gente ainda era nu. Depois do contato, perdemos anciãos, pajés, lideranças, por causa de epidemias [como as de tuberculose e sarampo] e de luta. As pessoas que não morriam por epidemia, morriam por balas”. Paira o silêncio. Entre as décadas de 1940 e 1950, havia mais de cem mil indígenas em Rondônia. Em 1985, restavam apenas 2,5 mil, “vítimas da abertura da fronteira agrícola e das políticas de incentivo à exploração de recursos naturais que visavam principalmente a ocupação da região norte do Brasil”, informa um dos textos de Rondônia em Imagens, livro do fotógrafo goiano Kim-Ir-Sen Pires Leal publicado em 2024. Segundo os Paiter, após o contato, de 5 mil de sua etnia restaram 250 pessoas.

Os Paiter Suruí dividem-se em quatro clãs: namir, nome de um marimbondo amarelo, makor (“o bambu”), gameb (“um grande maribundo preto”) e kaban (“uma frutinha amarela”) – este último, originário da mistura dos Paiter com os Cinta Larga, também falantes de tupi-mondé. Descubro, então, que na cultura Paiter, os casamentos só podem acontecer entre clãs diferentes. 

Ela, porém, não seguiu o destino que lhe foi dado. Nascida na aldeia Lapetanha, Celesty percebeu, com a gigante do café 3corações e a jornalista Kelly Stein, idealizadora da empresa Coffea Trips, a oportunidade de traçar seu caminho como barista e produtora de café. Os detalhes dessa trajetória ela relata na descontraída conversa que tivemos depois da exposição, cujos melhores momentos selecionamos a seguir.  

Plantar significa vida 

A relação da minha família com o café começou antes de eu nascer. Meu pai foi um dos primeiros produtores dentro do território indígena. Ele e meu avô estavam entre os que não quiseram cortar a plantação. Tudo começou em 1969, no primeiro contato com pessoas não indígenas, que chamamos de yara-ey. 

Depois da demarcação do território, em 1983, a Funai retirou os colonizadores para que os indígenas retornassem às áreas roubadas. Voltamos e encontramos plantações deixadas por eles — de soja, milho e café.

Meu pai era novo na época, e meu avô era um dos habitantes da aldeia Pawentigah, a primeira fundada depois do contato. Uma parte adotou o café, porque, como sempre digo, plantar é algo importante para nós, significa vida. Outra parte preferiu derrubar tudo, e eu entendo: como conviver com algo que causou tanta destruição e matou pessoas da família? Os que decidiram manter o café foram muito corajosos. Nós o acolhemos como nosso e, até hoje, trabalhamos com ele.”

A fruta do milagre

“Alguns anos depois, meu povo começou a trabalhar com reflorestamento — e fazemos isso até hoje. Demarcamos apenas metade do território invadido, e essa área tinha muita floresta derrubada e pastagens. Adotamos o café como uma forma de reflorestar.

Com o tempo, vimos que ele dava fruto, e isso tornava o café ainda mais especial. Na época da maturação, os grãos ficavam vermelhos. Então, alguns comentavam: ‘Não é coisa ruim, é coisa boa. É daqui da floresta’. O cacique chamava a comunidade para experimentar. Diziam que era a fruta sarikab, nativa da Amazônia e que hoje é conhecida como fruta do milagre.

A gente acreditou que fosse uma fruta da nossa cultura, da floresta. Anos depois, um produtor próximo ao território viu que estávamos comendo a fruta e jogando o caroço fora.”

Contato com cafeicultor

“Esse produtor ainda tinha medo, porque as pessoas eram muito agressivas naquela época. Ninguém falava português, e os não indígenas também não falavam nossa língua. 

Mas os Paiter e esse cafeicultor criaram amizade, e ele começou a ensinar nosso povo: ‘Não é assim que se trabalha. Existe um processo para transformar essa fruta em bebida’. Ele foi ensinando os homens a trabalhar com café, com a leitura do território. Passaram a cuidar daquela roça — era uma área muito grande. Dividiram o trabalho por clãs: ‘Este clã cuida desta parte; aquele, de outra.’ E assim por diante. Depois de alguns anos, viram que o café que vendiam ajudava na renda das famílias.

Mas, mesmo depois da demarcação do território, havia invasões — gente entrando para pescar, tirar madeira e outras coisas. A primeira aldeia acabou se dividindo em várias outras para proteger a área. Então, todos queriam trabalhar com café. Pegavam as sementes e plantavam, mas era conilon, não o robusta amazônico. Com o tempo, passamos a trabalhar também com cacau nativo e castanha.”

Trabalho sustentável 

“Fizemos um projeto com o apoio da Aquaverde, uma empresa da Suíça, que ajudou os Paiter a reflorestar essas áreas. Esse trabalho começou em 2003, quando eu tinha dois anos. Então, cresci no território vendo meu pai, Agamenon Gamasakaka Suruí, trabalhando com café e reflorestando as áreas que foram degradadas. Até hoje a gente trabalha de forma sustentável, porque usamos o café e o cacau para reflorestar. Hoje, já temos mais de 500 mil plantas no território, que virou uma floresta, com várias espécies frutíferas também.”

Transformação pela qualidade

“Em 2018, três famílias indígenas foram conhecer a SIC [Semana Internacional do Café], e viram que era uma coisa imensa. Voltaram para a aldeia e falaram: ‘a gente tem que fazer alguma coisa, porque é algo com que trabalhamos há muitos e muitos anos’. E tudo começou com a empresa 3corações, que veio nos visitar em 2019, e o projeto Tribos. Com eles, a gente entendeu o que era um café especial, o processo de seleção dos grãos, a fermentação. O projeto começou com três famílias. A empresa enviou profissionais para capacitar os indígenas e isso se expandiu pelo território. Hoje, o projeto trabalha com sete etnias, com mais de 176 agricultores que trabalham café especial de forma agroflorestal, sustentável, e nossos cafés já são premiados. São mais de 38 aldeias aqui no território, e a maioria trabalha com café – outros, com a produção de cacau e castanha. O projeto não só trouxe para nós um jeito diferente de olhar o café, mas trouxe a transformação do território, de vidas. 

Antes do projeto, a gente olhava o café como algo só para ser vendido, não queria qualidade, só quantidade. Hoje a gente quer produzir qualidade, da maneira certa, para não degradar o território porque vai prejudicar não só a comunidade, mas todos. Porque a terra não é só nossa, mas de todos. 

Em 2023, ganhei o terceiro lugar na Florada Premiada [uma das iniciativas do Projeto Florada da 3corações, que valoriza microlotes cultivados por mulheres], com um café do quinto ano de produção. O projeto mudou a minha história.” 

A vontade apareceu

“Depois de ensinar outros produtores de Rondônia, a Kelly, em parceria com a Kanindé [associação de defesa etnoambiental], convidou quatro meninas da aldeia para fazer um curso de café. Eu acompanhei o pessoal, e vi que pessoas da minha cidade não conheciam nossa relação com o café. Imagine pessoas de outro estado, então! Aí, pensei, alguma coisa tem que acontecer, senão a gente vai ficar sempre calado.”

Quero ser barista

“Foi então que pedi ajuda à Kelly para trabalhar com café – é bem estranho pedir ajuda para quem a gente não conhece. Ela falou: ‘Vou levar você para São Paulo, para fazer o curso completo’. Aí eu disse para minha mãe: ‘Quero fazer um curso de barista’. Ela nem sabia o que era, e respondeu: ‘Não, você não pode. O mundo é perigoso, há muita gente ruim. Você ainda é menina’. Eu tinha 18 anos. Na minha cultura, é muito difícil uma mulher sair da aldeia. Para o meu povo, ela deve cuidar da família e educar os filhos. Minha família é muito tradicional — meu pai e minha mãe tinham medo de que algo acontecesse comigo e não queriam que eu saísse.

Falei com meus irmãos, mas eles também acharam muito perigoso sair da aldeia. Então, falei com meu irmão fotógrafo. Ele me apoiou e disse para minha mãe: ‘O mundo não é mais como antes, todos precisam trabalhar para sobreviver’. Uma das minhas cunhadas me deu apoio também. Então, disse para minha mãe que iria, e fui. Estava com medo, porque era a primeira vez que saía da aldeia.

Eu não queria ser a primeira barista, só queria preparar café e ensinar as lideranças, porque já estávamos trabalhando com turismo. Queria trazer mais visibilidade para a aldeia através do café, não queria sair de lá. Mas o destino estava me preparando para outras coisas também.”

A primeira barista indígena

“Digo que a Kelly foi meu ‘anjo da guarda’. Ela tem amigos em Campinas que têm uma cafeteria, a Abigail, e eles me receberam para ensinar todo o processo de preparo e os métodos do café. Essa cafeteria sempre vai fazer parte da minha história, porque fui muito bem recebida por eles. Fiquei um mês morando sozinha em Campinas. Voltei para a aldeia com outra visão, mas tinha medo de não ser bem recebida, porque comecei a dar entrevistas para jornalistas. Eles me disseram: ‘Celesty, você é a primeira indígena barista que conhecemos’, e me chamaram de a primeira indígena barista. Naquele ano, meus irmãos queriam parar de trabalhar com café. Eu falei, agora que comecei a entrar no ramo do café, não vou deixar a gente parar. E comecei a sonhar muito.”

Pensando grande

“Sonhei em ter uma cafeteria na aldeia. Meus irmãos me apoiaram e começamos a construir a cafeteria no fim de 2023. Como a gente está fazendo com o nosso próprio dinheiro, a construção está um pouquinho devagar, mas acho que vai ficar pronta no começo de 2026. Vai ter uma salinha pra fazer cafés, outra sala pra vender os cafés e um espaço com fotos contando a história do café, da família e do povo. 

No começo de 2024, eu também lancei uma marca de café da família, o Café Sarikab, a fruta nativa que comentei. Colocamos esse nome porque uso o café como ferramenta para contar a minha história. A gente começou a trabalhar o nome da marca pensando quais palavras iam ficar certas, quais grafismos a gente ia colocar. Eu e meus irmãos, reunidos com meu pai e minha mãe, para que eles orientassem a gente, porque o ancião tem que orientar os mais jovens para tudo sair mais certo. Eu ganhei uns amigos de Minas, e eles fizeram o desenho do logo, das embalagens, e não precisei pagar.”

O café Sarikab

“A gente faz todo o processo na aldeia e vende por encomenda. Trabalhamos com o tradicional e o especial. Se for um café especial natural, a gente colhe só os frutos maduros, lava esses frutos e depois coloca no terreiro suspenso ou nas lonas para secar. Os fermentados, a gente também colhe os maduros, depois separa – tira o grão verde e o amarelo – e só deixa os cerejas. Depois lavamos e colocamos nas bombonas, onde ele vai passar de 10 até, no máximo, 15 dias por um processo [fermentativo] anaeróbico. Chamamos de café especial fermentado. Os que mais saem são os cafés especiais, o tradicional a gente vende na comunidade. 

Temos vários eventos em Rondônia, onde os produtores divulgam suas marcas. A gente também participa, prepara os cafés e apresenta como eles são produzidos dentro do território, divulgando nossa marca.” 

Na SIC, o Brasil me conheceu

“Em 2022, minha primeira professora, Helga Andrade, que trabalhava para o Sebrae, teve a ideia de eu entrar na equipe que ia para a SIC para preparar os cafés de Rondônia. Eu era a única indígena e falei que não estava preparada ainda. Ela falou: ‘ou é agora ou é nunca. Você sempre tem a primeira vez’. Aí eu fui, e foi a primeira vez que preparei cafés para as pessoas – era muita gente, muitos jornalistas. Fiquei muito nervosa, mas foi bem emocionante. Daí, o Brasil inteiro me conheceu.

Depois, a empresa 3corações entrou em contato comigo e fez uma proposta: ‘você quer preparar os cafés da sua região, do seu território?’ Respondi que iria pensar, porque representar um povo é uma responsabilidade muito grande. Se você errar uma palavra, pode ser julgada. Se falar uma coisa certa, pode se sentir abraçada. É uma coisa bem arriscada. Depois de alguns meses, aceitei a proposta e hoje sou a responsável pelo projeto Tribos.”

Servindo o presidente

“Quando eu estava em processo de fazer a minha marca, o pessoal da Embrapa convidou os produtores para apresentar os cafés robustas no evento [exposição feita em Brasília, em abril de 2024, para comemorar o aniversário da Embrapa]. Então, eu fui como barista, e, como tinha que representar meu povo, levei o café do Projeto Tribos, e apresentei o projeto também. Não sabia que ia apresentar o café para o presidente, mas os meus colegas sabiam. Acho que foi uma surpresa para mim. Quando chegou o dia, o pessoal me falou: ‘ah, você vai preparar o café para o presidente’. Aí fiquei nervosa, mas preparei. Como representante do meu povo, estava com medo de falar ou fazer alguma coisa que não agradasse os produtores. Mas foi uma representação muito simbólica, porque estava representando todos os participantes do projeto. E preparar um café para o nosso presidente, uma pessoa que é importante para o Brasil, foi muito emocionante, um dia muito importante.”

Desafios para indígenas cafeicultores

“Um dos maiores é a valorização do trabalho de um cafeicultor indígena. Isso é muito raro de se ver. E outro é valorizar o trabalho dos pequenos produtores. Muitas empresas querem trabalhar com os grandes produtores, mas não valorizam muito os pequenos. Acessar o mercado é bem difícil, as empresas querem grandes lotes e quantidade, e isso a gente não tem condições de dar, ainda mais no território indígena. Somos pequenos cafeicultores e produzimos pequenos lotes.”

Conselho para os jovens como eu

“Coragem de enfrentar o medo. O medo sempre vai existir, em todas as ocasiões e momentos. A gente precisa enfrentar o medo e saber lidar com o mundo, porque o mundo é grande, e a gente não conhece o bastante. Tem que estar preparado para qualquer coisa que está por vir. Eu já enfrentei bastante desafios, e enfrento ainda, como liderança, como uma fundadora de uma empresa. Tem dias que a gente vai se sentir só. Mas vão ter pessoas para nos apoiar. Na maioria das vezes, acho que isso é coragem, que não pode faltar. Para os jovens indígenas, eu diria para estar preparado mentalmente e fisicamente, porque não sabemos o que pode acontecer. Estar sempre pronto e disposto.”

Sonhos 

“Sonho é uma coisa muito importante para mim. Com a cafeteria que estou construindo, quero trazer mais visibilidade dentro dos territórios indígenas, não só da minha comunidade, trazer mais visibilidade para os jovens. Eu uso o café como forma de me comunicar com o mundo, e pretendo trazer mais pessoas comigo, mulheres e homens, para que a gente possa representar a nossa comunidade inteira. Meus pais, meus avós, já fizeram a parte deles, e quem precisa fazer alguma coisa agora somos nós, jovens, que são as futuras gerações.”

Para os leitores…

“Quando a gente sonha com uma coisa, o impossível se torna possível. Quando a gente acredita em nossas forças e nas forças das pessoas que a gente tem conosco. Isso é o poder do sonho. Quando você sonha muito alto, ele pode se tornar real. Eu sou a prova viva disso. E quero dizer que devemos fazer não só para a gente mesmo, mas para todos. A gente vive para todos.”

Texto originalmente publicado na edição #89 (setembro, outubro e novembro de 2025) da revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Cristiana Couto • FOTO Agência Ophelia

Únicos cafezais europeus podem ser inspiradores

Pés de café cultivados nas Ilhas Canárias

Por Gustavo Paiva

Por mais surpreendente que possa parecer, a Europa já cultiva café em seu próprio território. Embora os cultivos se concentrem em duas regiões isoladas do continente — nos Açores e nas Ilhas Canárias —, pode-se dizer que ali estão os cafés mais próximos da Europa continental e os mais ao norte de que se tem notícia.

Com isso, Portugal e Espanha buscam aliar a produção de café ao turismo e, ao mesmo tempo, lançar uma proposta de desenvolvimento econômico para territórios insulares do Atlântico — os Açores e as Canárias, respectivamente.

Obviamente, o conceito “europeu” pode variar muito, já que vários territórios ao redor do globo ainda estão submetidos, com mais ou menos autonomia, às leis formuladas na Europa. Neste caso, porém, os arquipélagos em questão se encontram ao norte do Oceano Atlântico, sob domínio dos seus respectivos países desde o século XIV, antes mesmo da unificação das fronteiras espanholas e da expulsão dos árabes do continente europeu.

Em ambos os lugares, estima-se que o café tenha chegado no fim do século XVIII, por volta de 1780, mais ou menos no mesmo período em que as primeiras mudas desembarcaram no Brasil. No caso das Canárias, considera-se que o cultivo esteve mais associado à curiosidade — por meio de testes e experimentos científicos — do que a qualquer ambição de exploração econômica.

Em Açores, os registros indicam que as plantas cultivadas eram da mesma linhagem da típica, provenientes dos entrepostos portugueses na África, bem como da bourbon, oriundas de Pernambuco, mas que chegaram ao Brasil via Guiana Francesa. Os portugueses cultivaram café na ilha continuamente até o início do século XX, quando crises econômicas sucessivas inviabilizaram o plantio como alternativa de baixa intensidade ou até mesmo como experimento científico. 

O café só voltaria a ganhar certo protagonismo no fim dos anos 1970, quando colonos portugueses expulsos de Angola e de Moçambique carregaram consigo algumas mudas e tentaram relançar a atividade nos Açores. À época, foram introduzidas as variedades caturra e bourbon amarelo, sobretudo nas ilhas de São Jorge e Terceira, mas estima-se que todo o arquipélago tenha potencial para desenvolver a cultura cafeeira.

Recentemente, alguns técnicos ligados ao governo português fizeram um levantamento no arquipélago e contabilizaram 213 cultivos diferentes tocados por 70 produtores. Estima-se que existam nos Açores 12 mil plantas de seis variedades diferentes, porém, todas da espécie arábica. Alguns cafeeiros têm mais de cem anos, mas a maioria – cerca de 7 mil plantas – têm idade inferior a três anos, o que demonstra o investimento em renovação e um certo potencial de produção nos próximos anos. 

Enquanto isso, mais ao sul e sob a tutela do governo espanhol, as Ilhas Canárias buscam lançar seu próprio café como uma alternativa exótica no mercado internacional. Assim como os Açores, a ilha tem solos vulcânicos e férteis, propícios ao cultivo do grão. Os plantios são feitos em pequena escala, com colheita manual e seletiva, o que implica diversos ciclos de coleta ao longo do ano. O cultivo nas Canárias também é feito de forma sombreada e em baixíssimas altitudes, entre 100 e 400 metros.

Apesar de múltiplas, as semelhanças param por aí, já que o arquipélago espanhol tem um clima mais hostil ao cafeeiro do que o dos Açores. As Ilhas Canárias têm temperaturas mais altas e menos umidade, e o café está restrito à região de Agaete. 

Além disso, o café espanhol chegou a ser exportado no final do século XIX, mas desapareceu completamente durante a década de 1950, sendo substituído por outros cultivos, como tomate e banana-da-terra. O café canário renasceu apenas no final do século XX e como uma opção de oferta de café exótico para os consumidores espanhóis. 

Em pequenas ilhas do Atlântico, o grão pode ser considerado uma solução econômica de baixa intensidade, viável em países ou territórios que necessitam diversificar sua produção agrícola. Geralmente, as ilhas atlânticas oferecem clima propício, solo vulcânico extremamente fértil e ampla gama de opções turísticas que podem ser combinadas com visitas e experiências ligadas ao cultivo de café. 

Gustavo Magalhães Paiva é formado em relações internacionais pela Universidade de Genebra, é mestre em economia agroalimentar e foi consultor das Nações Unidas para o café.

TEXTO Gustavo Paiva

Cafeteria & Afins

Breathe CO. – Piracicaba (SP)


Alguns lugares conseguem expressar, em detalhes, o carinho pelo café especial. O Breathe CO. é um desses raros espaços onde a bebida vai além da xícara — ela se torna experiência. Localizada no centro de Piracicaba, interior paulista, a casa une cafeteria, loja e torrefação em um ambiente que abraça modernidade e transparência – literalmente.

Com arquitetura marcada por amplas paredes de vidro, a Breathe CO. se destaca na paisagem urbana regional. Do lado de fora, é possível observar a torra e o manuseio dos grãos em tempo real, o que desperta curiosidade e encantamento antes mesmo da experiência sensorial. 

A loja divide espaço com uma pequena fábrica de chocolates artesanais e tem um ambiente aconchegante — com poucas mesas —, com decoração acolhedora, que aproxima o visitante do grande tema que é o café, da fazenda à xícara. Muitos elementos compõem a beleza do espaço, como sacas de café, móveis rústicos de madeira maciça e prateleiras com diversos produtos, desde café em grãos e bebidas prontas para beber até bolsas feitas de juta reciclada. A música ambiente diverte, com sons conhecidos do indie rock na altura certa, construindo uma ótima atmosfera para quem quer apreciar um café sem pressa. 

O atendimento acontece no balcão, e o cardápio segue uma filosofia quase minimalista: direto, bem pensado, sem excessos. Há opções quentes e geladas, além de três sugestões para comer. Em nossa visita, fomos guiados por um atendente que explicou os grãos disponíveis no dia. Optamos por um catucaí 785/15, de processo natural, produzido por Marcus Valério no Sítio Serra da Campanha (MG). Preparado na v60 e servido em taças de vinho, o café entregou notas florais com finalização doce e delicada.

Provamos também o swell drop, criação autoral que combina espresso e chá verde fermentado (kombucha). Embora o cardápio mencione uma versão clássica feita com limão e gengibre, fomos surpreendidos por um fermentado de uva — que acabou se sobressaindo ao café, embora tenha conseguido entregar uma bebida leve e refrescante, ideal para dias quentes.

Entre as comidas, apenas uma das três opções oferecidas estava disponível. Decidimos então provar o cheese roll, rolinho de massa de pizza recheado com catupiry e coberto com parmesão, produzido por uma pizzaria local. Apesar da apetitosa aparência, o preparo falhou: o interior ainda estava frio ao ser servido, o que comprometeu a experiência.

Apesar deste tropeço, a visita revelou uma cafeteria que merece ser descoberta por quem busca mais do que apenas uma bebida. A Breathe Co reforça que Piracicaba tem muito a oferecer aos apaixonados por café especial.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço R. Voluntários de Piracicaba, 806 , 415
Bairro Centro
Cidade Piracicaba
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://https://breatheco.com.br/

Cafeteria & Afins

Folk Cafés – São Paulo (SP)

Nossa equipe foi até o bairro da Pompeia para conhecer o Folk Cafés, uma cafeteria com pouco mais de um ano de vida. A fachada de vidro convida a entrar no espaço pequeno e aconchegante, dividido em dois ambientes. No andar de baixo está o balcão, onde são feitos os pedidos e preparados os cafés. Em cima, com vista para a entrada da cafeteria, estão cadeiras, sofás e poltronas para o proveito da xícara.

A casa trabalha com dois grãos, um fixo e outro rotativo. O microlote da vez era um arábica acaiá, fermentado e cultivado por Jean Vilhena Faleiros em Ibiraci (MG). Pedimos este microlote na v60, mas há outras opções de preparo, como o timemore b75 e o espresso. O café chegou à mesa em um becker tampado, para preservar temperatura, e acompanhado de uma xícara delicada, que remete à casa de vó. De corpo médio, a bebida aromática apresentou notas cítricas e refrescantes, com um leve azedinho no final – um ótimo café para qualquer hora do dia.

O cardápio oferece alternativas quentes e geladas com leite, como macchiato, flat white, cappuccino, latte e mocha, além de matcha, mate da casa e cold brew. Para comer, porém, as opções são poucas: pão de queijo, croissant, pain au chocolat, cookie, brownie e sandos (de pesto caprese e de bacon com missô). 

Na manhã da visita, porém, não havia sandos, e a escolha foi croissant e brownie da casa. Leve e de sabor amanteigado, o croissant ficaria melhor se acompanhado de geleia. O brownie, doce na medida certa, combinou bem com as castanhas-do-pará da cobertura. O Folk Cafés é uma boa pedida para quem estiver na região e quiser uma rápida xícara de café especial em um ambiente tranquilo. 

Informações sobre a Cafeteria

Endereço R. Desembargador do Vale, 1.014
Bairro Pompeia
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
Website http://www.instagram.com/folk.cafes
Horário de Atendimento Terça a sábado, das 9h às 17h
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Mercado

5 novidades para quem não vive sem café

Lançamentos não faltam para quem aprecia café. O mercado segue aquecido com ofertas que prometem praticidade, novos sabores e experiências personalizadas. Entre cápsulas inéditas e cafés recém-chegados às prateleiras, as marcas apostam em diferentes origens, torrefações e combinações para surpreender tanto consumidores regulares quanto os curiosos e exigentes. 

Kit Brasis do Lucca Cafés Especiais

A cafeteria e torrefação de Curitiba (PR) lançou na sexta (19) um kit de cafés de origem. A caixa é composta por 14 cafés de denominação de origem, 14 cartões exclusivos, um exemplar do livro “A Revolução do Café Brasileiro”, três copos de cerâmica feitos à mão, um Manifesto Brasis e um guia de degustação com receitas. O kit está disponível no site do Lucca Cafés Especiais por R$ 600.

Cápsula illy Cerrado Mineiro

A empresa italiana ampliou seu portfólio de cápsulas com o já conhecido Arabica Selection Brasile Cerrado Mineiro, produzido 100% a partir de agricultura regenerativa e certificado pela Regenagri e até então oferecido em grãos. A cápsula, desenvolvida em colaboração com a Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, promete entregar na xícara notas de caramelo e frutas secas. A novidade é compatível com máquinas Nespresso.

Dropit na Café Store

Uma das lojas de café mais completas do país, a Café Store aumentou sua oferta com três opções da Dropit: Gesha, All Day e Palmer. O primeiro café, produzido por Gabriel Lamounier na Fazenda Guariroba (Santo Antônio do Amparo, MG) é um gesha processado por fermentação anaeróbica de 48h. O segundo é um mundo novo natural, cultivado no Sítio Peixoto, em Campanha (MG). Quanto à terceira oferta e como o nome (em inglês) sugere, é um catuaí vermelho fermentado com notas de manga, também produzido na Fazenda Guariroba. Os pacotes, de 250 g, custam entre R$ 60 e R$ 91 e são vendidos no site e na loja física (rua Barão de Tatuí, 387 – Vila Buarque – São Paulo).

Robusta amazônico da 3corações

A 3corações anunciou sua nova cápsula, feita 100% com café robusta amazônico da denominação de origem Matas de Rondônia. De intensidade 9, a bebida é descrita como encorpada, com acidez equilibrada e notas de mel, avelã e leve salgado. Exclusiva para máquinas Tres, custa R$ 22,69 (caixa com 10 cápsulas) no e-commerce da 3corações

Cafellow para o Natal

Para celebrar as festas de fim de ano, a Cafellow acaba de lançar uma edição limitada inspirada no gingerbread, tradicional doce natalino. Feito com arábica de torra média, o Fellow Encantado, em sachês, é aromatizado com notas de cravo, gengibre, cardamomo e canela. O café está à venda no site da marca por R$ 49,90 (caixa com 10 sachês).

 

TEXTO Redação
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