Mercado

AeroPress lança moedor manual compacto ideal para viagens

Reconhecida mundialmente pelo método de preparo que leva seu nome, a AeroPress acaba de ampliar o portfólio com o lançamento de um moedor manual slim, feito de metal. Com 580 g, o Manual Grinder foi projetado para se encaixar no êmbolo da AeroPress, o que torna o transporte mais prático e permite moer café em qualquer lugar.

Equipado com lâminas cônicas de 38 mm revestidas de titânio, o moedor traz rolamentos ao redor do eixo, o que garante giro suave e alinhamento preciso. Segundo a fabricante, o equipamento oferece mais de 60 níveis de moagem e comporta até 25 g de café. No design, o modelo traz ranhuras externas que facilitam a pegada e ímãs laterais que mantêm a manivela presa ao corpo quando não está em uso.

É o primeiro produto da AeroPress com distribuição global simultânea. O Manual Grinder está disponível no site oficial desde 4 de novembro por US$ 199,95.

Todos os modelos da AeroPress acomodam o moedor dentro do êmbolo – com exceção da versão Premium, de vidro, menos indicada para viagens e equipada com um êmbolo metálico ligeiramente mais estreito.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

CafezalMercado

Parlamento Europeu adia em um ano aplicação da Lei Antidesmatamento

Emenda retira obrigatoriedade de due diligence para operadores que vendem o produto após a entrada no mercado europeu

O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta (26) o adiamento da aplicação da lei antidesmatamento para 30 de dezembro de 2026. O adiamento é uma das diversas emendas que simplificam a EUDR. Para micro e pequenas empresas, a prorrogação segue até junho de 2027.

Segundo comunicado divulgado para a imprensa pelo Parlamento, o prazo adicional busca “garantir uma transição tranquila” e permitir a implementação de medidas para reforçar o sistema de TI (criado pela União Europeia para implementação da lei e utilizado por operadores, comerciantes e representantes para emissão das declarações eletrônicas de diligência).

Além do adiamento, uma das emendas votadas estabelece que a responsabilidade de apresentar a declaração de due diligence recai sobre empresas que colocam o produto no mercado europeu pela primeira vez, retirando essa obrigatoriedade dos operadores que comercializam os produtos posteriormente. Também alivia as exigências para micro e pequenos produtores, que passam a entregar apenas uma declaração simplificada.

O texto foi aprovado por 402 votos a favor, 250 votos contra e 8 abstenções. A negociação segue agora para os representantes dos Estados-Membros no Conselho Europeu, e a versão final deve ser aprovada pelo Parlamento e pelo Conselho e publicada antes do final deste ano para que entre em vigor.

TEXTO Redação

CafezalMercado

Saca de café do Cerrado Mineiro é vendida por R$ 200 mil

Campeã da categoria cereja descascado, saca produzida por Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Nenem, quebra recorde nacional

Durante o 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro, que aconteceu na quarta (19) em Uberlândia (MG), a saca campeã da categoria cereja descascado, produzida por Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Nenem, em Presidente Olegário, foi arrematada por R$ 200 mil.

Este foi o maior valor já pago por uma saca de café em um leilão nacional – o último recorde foi a venda de uma saca a R$ 115 mil em 2024, no mesmo concurso – e o lance  foi dado pelo consórcio formado por Expocacer, Veloso Green Coffee, Marex e Nucoffee. “É uma honra e um orgulho enorme para nossa equipe alcançar esse resultado. Eles são quem realmente colocam a mão na massa, nós apenas orientamos o caminho para chegar a esse nível de excelência”, comemorou Campos, cujo café alcançou 90,59 pontos. “A emoção é muito grande, porque são muitos anos de trabalho, conquistas e prêmios”.

O segundo maior lance, de R$ 100 mil, foi feito pela Louis Dreyfus Company para o café campeão da categoria natural, produzido pela Agropecuária São Gotardo Ltda. Reunindo nove lotes das categorias vencedoras, o leilão movimentou um total de R$ 562 mil, com média total por saca de R$ 62 mil. 

“Este recorde é uma soma de reputações. A do Eduardo Pinheiro Campos, como maior campeão da história do Prêmio Cerrado Mineiro, e a reputação de nossa região, que completa 20 anos como Indicação Geográfica e se consagra líder no segmento de origem controlada”, destacou Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

TEXTO Redação

O fracasso da onipotência

Por Celso Vegro

O pensamento verdadeiramente liberal não pode ceder às tentações populistas que, por arbítrio, instauram desgoverno e instabilizam os mercados. Eis o posicionamento de Ronald Reagan, um liberal histórico, em discurso proferido em 1987:

“Quando alguém diz ‘vamos impor tarifas sobre importações estrangeiras’, parece que está fazendo algo patriótico, protegendo os produtos e os empregos americanos. E, às vezes, por um curto período, isso funciona — mas apenas por um tempo. O que eventualmente acontece é que as indústrias nacionais começam a depender da proteção do governo na forma de tarifas altas. Elas param de competir e deixam de fazer as mudanças inovadoras na gestão e na tecnologia de que precisam para ter sucesso nos mercados globais. Enquanto tudo isso está acontecendo, algo ainda pior ocorre: tarifas altas inevitavelmente levam à retaliação por parte de países estrangeiros e ao desencadeamento de intensas guerras comerciais. O resultado são mais e mais tarifas, barreiras comerciais cada vez mais altas e menos concorrência. Então, em pouco tempo, devido aos preços artificialmente elevados pelas tarifas — que subsidiam a ineficiência e a má gestão —, as pessoas param de comprar. E então acontece o pior: os mercados encolhem e colapsam, empresas e indústrias fecham e milhões de pessoas perdem seus empregos. A memória de tudo isso, nos anos 30, me fez determinado, quando cheguei a Washington, a poupar o povo americano da legislação protecionista que destrói a prosperidade. Agora, nem sempre tem sido fácil. Há aqueles no Congresso, assim como havia nos anos 1930, que querem buscar a vantagem política rápida, arriscando a prosperidade da América em prol de um apelo de curto prazo a algum grupo de interesse especial.”

Essa longa digressão corrobora toda a teoria econômica construída em torno do uso de tarifas para proteger a produção interna. O Brasil, no século passado, foi exímio praticante desse tipo de política, por meio do esforço de industrialização baseado na substituição de importações. Essa estratégia desenvolvimentista provocou a chamada década perdida (anos 1980 sem crescimento do PIB) e os conhecidos voos de galinha (anos 1990 e parte dos anos 2010). Ademais, tornou o país um dos mais fechados ao comércio internacional entre as nações de maior corrente de comércio.

Deve-se enaltecer a postura firme do governo brasileiro, que em nenhum momento ameaçou retaliar a escalada tarifária imposta contra o país. Nesse ponto, o mandatário brasileiro cumpriu exatamente o que Nietzsche profetizou: “O que luta com monstros deve ter cuidado para não se tornar um monstro.”

A parcimônia diplomática e o passar do tempo foram decisivos para a revogação das tarifas, parte importante da pauta exportadora brasileira aos EUA. As duas conversas entre os mandatários, seguidas pelos encontros do vice-presidente e do chanceler brasileiro com seus congêneres americanos, representam momentos cruciais na reversão do tarifaço.

Sem dúvida, o mandatário estadunidense compreendeu que comprou uma briga perdida. A pressão inflacionária no mercado doméstico corroeu sua popularidade e colocou em risco a dominância republicana sobre a política interna. 

Enquanto Marco Rubio subsidiou decisões equivocadas para Trump, Richard Grenell (enviado especial do Trump) trouxe outra análise dos fatos do Brasil para seu presidente. O comunicado oficial menciona explicitamente que a reversão do tarifaço constitui um “puxão de orelhas” do mandatário estadunidense sobre sua diplomacia (Rubio), mencionando explicitamente que a retirada do tarifaço foi conquistada pelo excelente diálogo entre as autoridades de ambos os países.

Tudo que os EUA não compraram do Brasil, outros mercados passaram a comprar – uma dança das cadeiras. Ser taxado pelos EUA permitiu ao Brasil diversificar ainda mais seus clientes internacionais e incrementar a presença brasileira no rol das nações cruciais para a estabilidade e paz mundial, algo cada vez mais decisivo na produção maior e mais sustentável de riqueza para a população.

A revogação do tarifaço para 120 itens agrega US$ 5 bilhões às exportações brasileiras. Porém, as negociações ainda durarão ao menos 90 dias para que toda a pauta comercial seja desbloqueada, e dependerá da desoneração de produtos americanos atualmente aqui taxados. 

Há uma expressão latina que diz muito sobre a forma do presidente americano governar: Ad nutum, ou seja, governar segundo a vontade, pelo arbítrio. Estado não é empresa, e a lógica da conciliação por meio da política bem praticada é o caminho para o avanço civilizatório.

TEXTO Celso Luis Rodrigues Vegro é engenheiro agrônomo, mestre e pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Café & Preparos

Tarifa sobre o café solúvel brasileiro continua em 50%

A manutenção da sobretaxa sobre o café solúvel — apesar da isenção para o café verde anunciada por Trump — acende alerta no setor

A decisão do governo Donald Trump de zerar, na quinta (20), as tarifas adicionais de 40% impostas ao café brasileiro (e outros produtos) não incluiu o café solúvel. Para o produto, segue em vigor a sobretaxa de 40% somada à tarifa-base de 10% — um custo total de 50% que, segundo o setor, ameaça a posição histórica do Brasil no mercado norte-americano.

Em comunicado divulgado nesta sexta (21), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) afirmou que “o mercado dos EUA é de vital importância estratégica para o Brasil” e chamou a atenção para um ponto considerado crítico: “A Abics alerta para o risco iminente de que o café solúvel brasileiro seja permanentemente substituído por produtos de outros destinos nas prateleiras dos supermercados americanos”.

A entidade reforça que, se isso ocorrer, “a recuperação futura será uma missão extremamente difícil, com perdas duradouras para toda a cadeia produtiva nacional, desde os cafeicultores até as indústrias e seus trabalhadores.”

Pela primeira vez na série histórica, os EUA deixaram de ser o principal destino do café solúvel brasileiro em outubro, cedendo lugar à Rússia. Desde agosto, início da vigência da tarifa extra, os embarques para o mercado americano caíram mais de 52% em volume.

A dimensão do mercado explica a preocupação. Em 2024, o Brasil respondeu por 38% das importações totais de solúvel dos EUA, um domínio construído ao longo de décadas. O país também representa cerca de 20% do volume total das exportações brasileiras de solúvel, gerando aproximadamente US$ 200 milhões por ano em receitas.

Com o café verde liberado das sobretaxas, mas o solúvel mantido em patamar elevado, o setor agora pressiona Brasília e Washington para uma negociação específica que evite o que classifica como um dano estrutural: perder, em poucos meses, um mercado conquistado ao longo de gerações.

TEXTO Redação

Cafeteria & Afins

Doceria Fantasias inaugura loja conceito na alameda Lorena

Os apaixonados por doces têm um novo destino para adoçar o dia. A Doceria Fantasias, em funcionamento na capital paulista desde 1989, acaba de inaugurar sua mais recente unidade na alameda Lorena, 1.430, no Jardins – em frente ao tradicional Empório Santa Luzia. A nova loja chega como uma unidade-conceito, com ambiente mais amplo, decoração elegante e atmosfera aconchegante, pensada para receber com conforto quem deseja um momento de pausa entre um compromisso e outro.

Além das sobremesas clássicas da marca, o espaço oferece novidades no cardápio, como opções de tortas acompanhadas de salada, ideais para um almoço leve e rápido. A casa abre diariamente, das 9h às 20h (fase de ajuste).

Entre os destaques do menu de bebidas estão os grãos da Orfeu Cafés Especiais, disponíveis em versão tradicional e na linha Varietais. Produzido em Minas Gerais, os cafés passam por todas as etapas, do cultivo à torra, na própria fazenda, garantindo rastreabilidade e controle total de qualidade. “Todos os anos visitamos a propriedade para acompanhar a colheita e a torra, além de ver como estão os parâmetros de qualidade, para garantir que o café que os nossos clientes estão tomando seja sempre o melhor”, explica Vinícius Oliveira, sócio e segunda geração à frente do negócio, que destaca que o cuidado segue com os demais produtos do menu, produzidos da própria cozinha.

Na nova unidade, o café pode ser apreciado no espresso e no coador de pano, feito na mesa. Há também uma seleção de chás especiais, além de bebidas como matcha e cappuccinos, todos disponíveis com diferentes tipos de leite, conforme a preferência dos clientes. Itens como pacotes de café e métodos de preparo são vendidos na loja para quem quiser ampliar a experiência para casa.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Alameda Lorena, 1.430
Bairro Jardins
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://www.instagram.com/doceriafantasias
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Mercado

“Há uma decepção”, diz Cecafé após isenção parcial de tarifas sobre o café

Com a retirada apenas da tarifa de 10%, mas não dos 40% adicionais aplicados ao Brasil pelos EUA, entidades do setor afirmam que a decisão mantém desvantagens competitivas 

Por Cristiana Couto e Caio Alonso Fontes

“O setor esperava já virar essa página.” A avaliação é de Marcos Matos, diretor-geral do Cecafé, ao comentar hoje pela manhã à Espresso a decisão dos Estados Unidos de retirar as tarifas de importação sobre o café de todos os países. “Nossa situação é pior [do que a de outros países] porque todos os nossos concorrentes já têm acordos bilaterais firmados ou só tinham a tarifa de 10% e que, agora, ficam zerados. A gente está com 40%”, analisa Matos, referindo-se, respectivamente, aos acordos firmados com Vietnã e Indonésia –que já operavam com tarifas menores –, à isenção total das tarifas para Colômbia, Etiópia e Costa Rica, e à ordem executiva 14.323, referente ao Brasil e que impôs uma tarifa adicional de 40%, vigente desde agosto.

A Casa Branca anunciou ontem (14) a isenção das “tarifas recíprocas” impostas pela ordem executiva 14.257, que fixava uma alíquota básica de 10% sobre café e outros produtos desde 5 de abril, com taxas específicas por país vigentes a partir de 9 de abril. Para Matos, a decisão deixou “uma decepção” no setor. Ele informou ter conversado ontem por telefone com o vice-presidente Geraldo Alckmin e disse ver agora necessidade de “foco total para a negociação acelerar”. Segundo ele, se a estratégia de isentar todos os produtos por 90 dias não avançar “porque há produtos que têm resistência”, o caminho deve ser negociar caso a caso e buscar a liberação imediata do café.

Em comunicado, a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais) lamentou que a nova ordenação não inclua a retirada total das tarifas de 50% aplicadas aos cafés do Brasil, “especialmente aos cafés especiais”. Para a entidade, a manutenção dos 40% “amplia distorções no comércio e tende a intensificar, no curto prazo, a queda nas exportações de cafés especiais aos Estados Unidos”

A ruína das altas cotações

Por Celso Vegro

Nas duas últimas safras de café no Brasil, observou-se cotações do café nas bolsas de mercadorias em contínua elevação, alcançando para arábica, recentemente, patamares acima de US$ 4,00 por libra-peso (em Nova York, oscilando desde então ao redor desse nível de preços. Provocada pela escassez global do produto, houve, também, ascensão dos preços do canéfora no mercado interno, que alcançaram o patamar de R$ 1.500 a saca.

Desde a safra de 2020/21, em que se contabilizou colheita ao redor das 65 milhões de sacas, a rentabilidade na atividade não se mostrava satisfatória, especialmente em decorrência dos distúrbios climáticos que intervieram no andamento da safra (granizo, altas temperaturas, veranico e geada).

Ademais, muitos cafeicultores que praticavam a gestão de risco, contratando hedge de preço –, porém, sem seguro (esse último elemento de garantia de participação do cafeicultor na alta) –, tiveram dificuldades em honrar seus contratos, seja por frustração de safra, como por interesse em se beneficiar dos altos preços que passaram a vigorar após a geada de 2021.

Nesse contexto inicia-se um agravamento da arquitetura financeira desenvolvida, visando pleno funcionamento desse mercado (compartilhamento do risco). Surge um trade-off para os exportadores comprometidos com entregas futuras aos seus clientes, que, devidamente travados tanto na cotação do café como no risco cambial, não apenas ficaram sem o produto, como também, foram ainda demandados pelas corretoras a aportar margem aos contratos não quitados.

As altas cotações também criaram outro comportamento oportunístico. Contratos de compras futuras realizadas por exportadores são quitados com produto de bebida inferior e/ou maior número de defeitos, comparativamente ao previamente estabelecido (adquiriu Fine Cups ou Good Cups e recebeu Rio Minas ou, ainda, contratou com 10% de cata e recebeu produto com o dobro disso). Tal comportamento implica a necessidade de aquisição no mercado spot (que está invertido), exigindo do exportador um desencaixe adicional de recursos para cumprir com seus embarques.

Sim, houve má gestão de poucas empresas exportadoras na condução de seus negócios (construção de pirâmides), mas a maior parte delas encontra-se sob fluxo tenso, ou seja, entre a necessidade de cumprir as entregas internacionais e a insegurança quanto ao recebimento do produto, nos preços e qualidades ajustados entre as partes. Situação agravada pelo encolhimento da oferta de crédito por parte do sistema financeiro, destinado às empresas exportadoras, devido aos riscos atualmente por elas carregados.

O desmonte da arquitetura financeira de gestão do risco da comercialização do café trará desafios econômicos para os cafeicultores. A perda de liquidez por aversão dos investidores a esse mercado torna mais instáveis as cotações (aumento da volatilidade) e os fenômenos incompreensíveis, como preço do físico acima das cotações futuras (inversão mencionada). Sem essa estrutura financeira operando, reduzem-se os horizontes econômicos para o planejamento da atividade.

Bons preços favorecem a expansão da cafeicultura do mundo todo. No Brasil, viveiristas contabilizam como principal destino das mudas os novos plantios frente a talhões em processo de renovação. Ademais, os bons resultados econômicos obtidos permitiram a expansão das tecnologias aportadas às lavouras, como irrigação, nutrição e sanidade de alta eficiência agronômica e podas de condução – que, em conjunto ou isoladamente, prepararão a cultura para incrementar a oferta de curto prazo do produto. Ou seja, o contexto atual prepara o seu oposto, representado pelo inevitável ciclo de baixa.

Tanto o governo capixaba como o rondoniense aceleram seus programas de expansão do plantio de canéfora (conilon e robusta). Em São Paulo, há imenso esforço público, que se soma ao privado, pela expansão da oferta local de robusta. Há estimativas consistentes de que, na próxima década, o Brasil passe a deter também o título de maior produtor de canéfora do mundo, ultrapassando as 30 milhões de sacas vietnamitas.

Ainda que a procura pela bebida seja incrementada por taxas superiores e possibilidades e capacidades de ampliação da oferta (considerando que os distúrbios climáticos já estejam afetando a potencialidade das lavouras), tal ritmo de expansão do cultivo empurrará as cotações para baixo – ainda mais, com a força adicional do segmento canéfora.

Uma marca consolidada dos mercados de commodities está em seu regime cíclico de preços. Sendo uma cultura perene, a lavoura cafeeira exige entre três e quatro anos para que se obtenham colheitas significativas e, considerando o prazo de produção tanto da obtenção das sementes como da formação das mudas, esse ciclo ainda pode contabilizar ondas de cinco a sete anos entre os picos de preços e seu acentuado declínio.

Tanto exportadores como cafeicultores terão que reposicionar suas estratégias e seu planejamento comercial. No primeiro caso, buscar por mecanismos de garantia de suprimento futuro por meio de contratos e por outros mecanismos de aproximação com os cafeicultores. Para o segundo grupo, somente melhorar a qualidade e a produtividade das lavouras para incrementar a competitividade do produto. Felizmente, a cafeicultura brasileira tem sido capaz de dar mostras de que, com tecnologias agronômicas e aplicação de protocolos de sustentabilidade, alcançará patamares produtivos ainda mais robustos.

Como limitação dessa análise, deve-se alertar que a construção de cenários plausíveis a partir das tendências pregressas ficou seriamente comprometida após o surgimento da pandemia de covid-19. Muitos indicadores perderam aderência ao funcionamento real das estruturas socioeconômicas, dificultando muito as possibilidades de projetar o futuro desse ou de qualquer outro mercado.

TEXTO Celso Luis Rodrigues Vegro é engenheiro agrônomo, mestre e pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

CafezalIGs

Café é presença ativa na COP30 com debates, degustações e tecnologia na AgriZone

André Corrêa do Lago, presidente da COP30, degusta robusta amazônico (crédito: Embrapa)

Colaborou Enrique Alves, de Belém (PA)

O café tem sido um dos “participantes” mais ativos da COP30, que reúne 194 países em Belém (PA) até o dia 21. Em meio às discussões sobre clima e floresta, a bebida ocupa espaço destacado na AgriZone — área temática instalada na Embrapa Amazônia Oriental, a 1,8 km dos pavilhões oficiais —, com painéis, palestras, demonstrações técnicas e degustações que reforçam o peso do setor na agenda de sustentabilidade.

A AgriZone, com cerca de 3 mil hectares, concentra debates sobre segurança alimentar, bioeconomia, carbono e adaptação climática. Funciona como vitrine do agronegócio de baixo carbono e ponto de referência para quem busca entender o papel da agricultura nas negociações ambientais.

Cafés na “CUP30”
No dia 9, véspera da abertura oficial da COP30, a caravana dos robustas amazônicos já estava instalada no espaço. Segundo o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, houve degustações de 30 cafés especiais — arábicas, conilons e robustas — de diferentes regiões, promovidas na Loja Bem Cafeinado, em uma ação batizada de CUP30.

Robustas amazônicos degustados antes da abertura oficial da COP30 (crédito: Embrapa)

No dia 10, a equipe de Rondônia levou à AgriZone uma “vitrine viva” com 50 clones de robustas amazônicos cultivados a pleno sol e em sistema agroflorestal com cacau, banana e açaí. Os materiais fazem parte do Projeto de Melhoramento Participativo da Embrapa, que envolve produtores no desenvolvimento de novas cultivares. “Este pode ser um grande legado agronômico na COP30”, acredita Alves. A programação conduzida pela instituição inclui debates, degustações assistidas e a apresentação de tecnologias sustentáveis.

Ainda no dia 10, na GreenZone (espaço oficial da COP30), o estande do Sebrae ofereceu aos visitantes cafés com Indicação Geográfica para degustação.

Arábicas e canéforas de diversas IGs são servidos no estande do Sebrae (crédito: Enrique Alves)

Nesta sexta (14), à tarde, entidades e lideranças da cafeicultura se reúnem no estande do Sistema CNA/Senar, também na AgriZone, para discutir temas prioritários. Representantes da BSCA, CNC, Cecafé, ABIC, Abics e CNA abrem a programação com breves exposições, seguidos por um painel que reúne produtores de arábicas e canéforas para discutir tecnologia, inovação, qualidade e práticas regenerativas.

Outro painel, formado por instituições parceiras, está previsto para tratar de dados e programas relacionados a clima, carbono, boas práticas, recuperação de nascentes, certificação e comunicação ao consumidor. Para o diretor-executivo da ABIC, Celírio Inácio, a presença do setor na COP30 “reforça que valorizar o produtor é, também, entregar um café que vá além das normas de qualidade”. Segundo ele, a evolução da indústria criou um ciclo virtuoso que elevou a exigência por melhores cafés e ampliou o consumo interno, consolidando o país como maior consumidor do que produz.

50 clones de robustas amazônicos na “vitrine viva” da AgriZone (crédito: Enrique Alves)

A agenda prossegue na sexta (15), quando a Coocacer Araguari apresenta, às 15h, o Programa Café Sustentável no espaço da Embrapa. A iniciativa, feita em parceria com a Serasa Experian, será detalhada a representantes de governos, instituições e empresas internacionais, com foco em conformidade socioambiental, inovação e monitoramento climático no cooperativismo cafeeiro.

Indígena prova café especial durante palestra na COP30 (crédito: Embrapa)

O que também já foi
Segundo a programação divulgada no site Luma, no primeiro dia da COP30 a AquaPraça — pavilhão italiano flutuante — sediaria o evento Soluções de Café Regenerativas, dedicado a debates sobre agricultura de baixo carbono e inovação climática. Entre os participantes previstos estavam a diretora-executiva da OIC, Vanúsia Nogueira, o diretor-geral de Cooperação para o Desenvolvimento da Itália, Stefano Gatti, e Andrea Illy, presidente da illycaffè.

TEXTO Redação

Café & Preparos

Exportações de café para os EUA caem 20% em outubro em relação a 2024

As exportações brasileiras de café somaram 4,141 milhões de sacas de 60 kg em outubro, queda de 20% em relação ao mesmo mês de 2024, segundo o relatório mensal do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil). Em valor, porém, houve alta de 12,6%, refletindo preços mais elevados no mercado internacional.

Nos quatro primeiros meses da safra 2025/26, o país embarcou 13,8 milhões de sacas – 20,3% menos que no mesmo período anterior. A receita cambial, por sua vez, cresceu 12,4%, para US$ 5,19 bilhões.

De janeiro a outubro, os embarques totalizam 33,279 milhões de sacas, retração de 20,3% frente aos 41,769 milhões de 2024. No mesmo intervalo, a receita subiu 27,6%, passando de US$ 9,968 bilhões para US$ 12,715 bilhões.

Segundo Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, a queda no volume exportado era esperada, diante de entraves logísticos, gargalos portuários e de uma safra menor. “A receita maior reflete, também, maiores cotações no mercado internacional”, afirma.

Entre agosto e outubro – período em que vigora a tarifa de 50% imposta pelos EUA ao café brasileiro –, o país exportou 983.970 sacas ao mercado norte-americano, queda de 51,5% em relação ao mesmo período de 2024 (2,03 milhões). Ferreira explica que “os embarques atuais são de contratos antigos” e alerta que já há blends sendo vendidos nos EUA sem café brasileiro.“Isso muda o paladar do consumidor. Se as tarifas demorarem mais a cair, pode ser difícil o Brasil recuperar sua fatia tradicional no mercado cafeeiro dos EUA, que é de aproximadamente um terço”, analisa.

O café brasileiro está hoje na seção 3 da ordem executiva assinada por Donald Trump, que abrange recursos naturais não produzidos nos EUA. A remoção da tarifa depende de acordo bilateral entre os países, que permitiria transferir o produto para a seção 2, isenta de taxas.

“Para isso, temos intermediado conversas entre os torrefadores americanos e a embaixada brasileira em Washington e, consistentemente, acionado o governo brasileiro”, conta o presidente do Cecafé. “Ontem (11) mesmo enviamos ofícios ao presidente Lula e ao vice Geraldo Alckmin informando das negociações conduzidas pelos importadores americanos com o governo Trump”, completa.

Segundo ele, a Casa Branca sinaliza interesse em retirar a tarifa, diante da necessidade do produto e da alta dos preços internos. Ferreira afirma que o governo Trump está disposto a negociar a isenção do café de forma isolada, sem incluir outros produtos, e diz que agora “a bola está com o governo brasileiro”.

Mesmo com a tarifa em vigor, os Estados Unidos seguem como principal destino do café brasileiro nos dez primeiros meses de 2025, com 4,711 milhões de sacas importadas — uma queda de 28,1% em relação ao mesmo período de 2024. O volume representa 14,2% do total exportado no ano.

Completam o ranking dos cinco maiores importadores: Alemanha, com 4,339 milhões de sacas (-35,4%); Itália, com 2,684 milhões (-19,7%); Japão, com 2,182 milhões (+18,5%); e Bélgica, com 1,912 milhão (-47,5%).

O arábica segue como principal produto exportado, com 26,602 milhões de sacas (79,9% do total), queda de 12,5% ante 2024. Os canéforas (conilon e robusta) somam 3,512 milhões (10,6%), seguidos pelo café solúvel (3,117 milhões, 9,4%) e pelo torrado e moído (48,9 mil sacas, 0,1%).

Os cafés com certificação de sustentabilidade ou qualidade superior responderam por 19,8% das exportações, com 6,58 milhões de sacas – recuo de 11,1%. A receita, porém, saltou 44,1%, para US$ 2,803 bilhões, com preço médio de US$ 426,04 por saca. Os EUA lideram as compras (1,062 milhão de sacas, 16,1%), seguidos por Alemanha, Bélgica, Holanda e Itália.

O relatório completo de exportações do Cecafé, com os números de outubro de 2025, está disponível em www.cecafe.com.br.

TEXTO Redação
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