Cafezal

Mulheres na cafeicultura: IWCA Brasil destaca o trabalho feminino no setor

Ganhando cada vez mais destaque na produção do café, as mulheres buscam se unir, como é o caso da Aliança Internacional das Mulheres do Café, conhecida pela sigla IWCA, uma organização sem fins lucrativos que foi criada em 2003 a partir do encontro de mulheres da indústria do café dos Estados Unidos com produtoras de café na Nicarágua. A metodologia da IWCA é o “success through localization”, através da criação de capítulos nos países produtores e consumidores. Atualmente existem capítulos em 22 países de todo o mundo e diversos outros já manifestaram a intenção de criar os seus.

No Brasil ela ganhou força em 2012, durante o encontro de mulheres de diferentes regiões produtoras no 7º Espaço Café Brasil, realizado em São Paulo (SP). A IWCA Brasil constitui um fórum de conexão e troca de experiências e conhecimentos, além de inspirar e fortalecer as mulheres através do acesso a treinamentos, aprendizados e informações, defendendo a redução de barreiras para as mulheres proporcionando acesso a mercados, representando as mulheres em instâncias nacionais e internacionais e tornando visível o papel das delas no negócio café.

Em 14 de janeiro deste ano aconteceu a Assembleia Geral Ordinária da IWCA Brasil referente ao ano de 2020, na qual foi feita a prestação de contas da IWCA Brasil e também a votação da nova diretoria que assume a frente da leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafezal

BSCA e Apex-Brasil renovam projeto de promoção internacional dos cafés brasileiros

O projeto setorial Brazil. The Coffee Nation acaba de ser renovado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), e terá vigência de abril deste ano até março de 2023.

A iniciativa foi estruturada sobre os pilares de inteligência mercadológica, promoção interna e externa e consolidação da imagem sustentável dos cafés nacionais de qualidade. “Com o objetivo de reforçar, em nível mundial, a sustentabilidade da cafeicultura brasileira, que respeita o meio ambiente, a responsabilidade social e busca a rentabilidade aos produtores de forma sistemática, seguiremos realizando concursos internacionais de qualidade, participando das principais feiras globais, ainda que virtualmente nesse momento de pandemia, e fortalecendo a presença em mídias internacionais para conquistar mais espaço em novos mercados e expandir a participação, com cafés de altíssima qualidade, nos mercados mais maduros”, revela Vanusia Nogueira, diretora da BSCA.

Em 2020, através do projeto, o Brasil obteve receita de US$ 1,804 bilhão com a exportação realizada por empresas apoiadas pelo projeto, superando a projeção estipulada de US$ 1,015 bi e apresentando crescimento de 6% sobre o desempenho registrado em 2019 (US$ 1,701 bi). No ano passado, 68 empresários realizaram embarques – ultrapassando a meta de 55 – e 268 empresas foram atendidas pela iniciativa, 23 a mais que o objetivo de 245 companhias.

Vanusia reforça que a consolidação internacional da imagem passada pelo projeto setorial foi fundamental para o desempenho positivo obtido em 2020, um ano atípico marcado pelos entraves ocasionados pela pandemia do novo coronavírus, com fechamento de estabelecimentos e isolamento social em todo o globo.

“O conceito do projeto sintetiza a escolha feita pelo setor dos cafés especiais para posicionar o Brasil como a nação que, além de ser dotada dos recursos naturais essenciais para o cultivo dos melhores leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Café Editora

CafezalMercado

Governador e Secretário de Agricultura de SP falam sobre agronegócio no Fórum SuperAgro

Está sendo realizado nesta quinta-feira (8), de maneira virtual com transmissão via YouTube, o Fórum SuperAgro. Organizado pela Exame, o evento contou com a participação do Governador do Estado de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Gustavo Junqueira, no painel “Como o Estado de São Paulo incentivará o agronegócio em 2021 e 2022”.

Sobre o tema, Gustavo Junqueira destacou alguns projetos criados pelo Governo do Estado para conectar a cidade ao campo. “No caso do agro, nós temos o programa Cidadania no Campo, que busca levar o mesmo nível de cidadania que nós temos nas cidades para o campo. Isso passa fundamentalmente por um trabalho de tecnologia. Desde o início, o Governador tem liderado processos onde o Estado fica mais eficiente pela implementação de tecnologia. Nós fizemos uma parceria com o Google, em 2019, para que fosse feito todo o endereçamento de propriedades rurais no Estado de São Paulo, que são 350 mil propriedades. Isso é importante para a segurança, ganho de eficiência na logística, mas, fundamentalmente, para que a gente possa integrar os mercados e fazer tudo que a gente faz de grande nas cidades, no campo”, explicou.

O Secretário de Agricultura e Abastecimento também destacou o mapeamento digital de todas as estradas paulistas e o cadastramento de pequenos produtores rurais e supermercados a uma plataforma digital. “Há todo um programa de conectividade no campo, porque nada disso funcionará se não tiver uma ligação. Então começa um projeto dentro da Secretaria de Agricultura com o setor privado, que é o Conectar Agro, liderado pelo Governo para que a gente tenha conectividade no campo”, disse.

Relações entre o Brasil e o exterior

Em relação à crise de reputação brasileira quanto ao meio ambiente, que acaba tendo relação com o agronegócio, João Doria disse: “Apesar de nós termos a Ministra Tereza Cristina fazendo um esforço louvável, eu reconheço isso, é muito difícil um esforço isolado dentro de um Governo desconectado”.

Ele também comentou que o Brasil vive hoje a sua pior leia mais…

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Felipe Gombossy

CafezalMercado

Irmãs buscam divulgar cafés cultivados na Uganda e trabalho feminino na produção do grão

Duas irmãs nascidas na Uganda e criadas nos Estados Unidos lançaram a Mutima Coffee, uma empresa de varejo on-line que oferece cafés de alta qualidade cultivados no país da África Oriental.

A região do Monte Elgon, no leste da Uganda, perto da fronteira com o Quênia, é a área específica de foco do café para Sheila e Sharon Kasasa, que buscam destacar os esforços dos pequenos agricultores na produção de cafés especiais arábica.

Como empresárias de terceira geração, agora baseadas na área de Washington D.C., as irmãs Kasasa estão particularmente motivadas a divulgar, cada vez mais, o trabalho das mulheres no nível agrícola.

“Muitas vezes encontramos disparidades de renda entre fazendeiros. Como mulheres, nossas experiências são fortemente influenciadas por outras mulheres, como nossa mãe e nossa avó. Gostamos de celebrar a feminilidade como um todo e, portanto, reservamos um tempo para destacar as mulheres agricultoras nas comunidades com as quais trabalhamos, além de destacar toda a comunidade”, explicou Sheila Kasasa. leia mais…

TEXTO As informações são do Daily Coffee News / Tradução Juliana Santin • FOTO Café Editora

Cafezal

Seca provocou prejuízos à produção de café no Brasil em 2020

De acordo com a Pesquisa da Safra Cafeeira 2020, elaborada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em parceria com o CaféPoint, a seca trouxe severos prejuízos à cafeicultura. O estudo ouviu 321 produtores de nove estados entre 1º de outubro e 19 de dezembro de 2020.

Segundo o levantamento, a ocorrência de déficit hídrico foi mencionada por 89% dos respondentes, sendo que 77% indicaram que a severidade deste problema comprometeu a produção da próxima safra que será colhida em 2021.

“O setor sofreu em 2020 uma das maiores secas dos últimos 20 anos, cenário que afetará a safra 2021, esperando-se, inclusive, um déficit mundial de café devido ao impacto do clima”, afirmou Raquel Miranda, assessora técnica da Comissão Nacional do Café da CNA.

A pesquisa também sinalizou que houve impacto da pandemia do novo coronavírus na disponibilidade de mão de obra para a colheita de café. Entre os produtores que participaram da pesquisa, 31% afirmaram que sofreram de alguma maneira.

“Através do acompanhamento do setor realizado pela CNA, há indicativo de que em algumas regiões com maior dependência de mão de obra migrante, houve elevação dos custos com a contratação de colaboradores safristas e o preço pago pela medida de café colhido”, ressaltou Raquel.

Segundo o estudo, houve crescimento de 7% na realização de venda futura em comparação com os resultados levantados no ano anterior. Outro dado destacado foi o aumento na adoção da colheita mecanizada.

O levantamento também aponta a contribuição das pequenas e médias propriedades para a cafeicultura. As pequenas propriedades, com área inferior a 50 hectares, representam o perfil fundiário de 65% dos produtores respondentes, enquanto que 47% possuem propriedades com menos de vinte hectares.

Raquel pontua que a contribuição da agricultura familiar para a cafeicultura brasileira é ainda maior do que aponta o resultado da pesquisa da CNA e do CaféPoint. “De acordo com os dados oficiais do IBGE, 85% dos estabelecimentos com café possuem área inferior a 50 hectares e 69% têm área entre 1 e 20 hectares”.

Acesse aqui o resultado da pesquisa na íntegra.

TEXTO Redação • FOTO Gabriela Kaneto

Cafezal

Seminário discute iniciativas de conservação das águas do Cerrado e Noroeste Mineiro

No dia 22 de março, Dia Mundial da Água, será realizado o 1º Seminário Águas do Cerrado: Produção e Preservação. O evento, que acontece em dois dias, irá ressaltar as iniciativas de gestão e conservação dos recursos hídricos, e discutir alternativas para a preservação ambiental e revitalização de mananciais das regiões Noroeste e Alto Paranaíba, em Minas Gerais. Organizado pelo Sebrae Minas, em parceira com o Consórcio Cerrado das Águas (CCA) e a Associação dos Produtores Rurais e Irrigantes do Noroeste de Minas Gerais (Irriganor), o seminário será transmitido via plataforma Zoom. Inscrições pelo portal Sympla, clique aqui.

“Vamos mostrar as ações, as inovações e as boas práticas do uso e do manejo da água na agricultura na região, que se destaca por ser a maior área irrigada da América Latina. A ideia é envolver produtores rurais, empresários de diversos segmentos do agronegócio e potenciais empreendedores na busca por soluções e alternativas para o uso eficiente da água”, explica a analista do Sebrae Minas, Naiara Marra.

A programação tem início no dia 22 de março, às 19h, com abertura do diretor de Operações do Sebrae Minas, Marden Magalhães, e palestra da secretária de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, Ana Valentini. Acontecerão, ainda, as palestras “Irrigação sob a óptica dos grãos”, com Camilo de Lelis Teixeira de Andrade, leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Cafezal

Da lavoura à xícara: turismo rural conecta as pontas do setor e valoriza a produção do grão

Com a chegada de alimentos orgânicos, de produção familiar ou de pequenos negócios, muitos consumidores passaram a se interessar mais pela rastreabilidade daquilo que consomem. Desta forma, a origem se conecta à outra ponta da cadeia, e dá abertura para a realização de uma atividade bacana, que agrega conhecimento e que aproxima ainda mais as pessoas: o turismo rural.

No caso do café, essa é uma pauta que vem ganhando cada vez mais destaque. Para o apaixonado pela bebida, a atividade é positiva porque, apesar de morar no Brasil – o maior produtor mundial do grão –, muitas vezes os processos pelo qual o frutinho vermelho passa são desconhecidos. Já para o produtor, é uma forma de atrair visitantes, aumentar a valorização de todo o trabalho por trás da xícara e ainda divulgar sua marca/fazenda e a região.

Em Monte Alegre do Sul (SP), município que compõe o Circuito das Águas Paulista, a Cafezal em Flor começou seu projeto focado em turismo rural em 1998, como forma de ajudar a manter o funcionamento da fazenda. “Desde o início, com o plano de negócios, detectamos que produzir cafés especiais em pequena escala não seria viável. Precisávamos do turismo para agregar valor e equilibrar as contas”, explica Mateus Bichara, arquiteto e filho da proprietária, Marcia Bichara. “Aos poucos fomos equipando o sítio com benfeitorias e maquinários para processamento dos cafés. Hoje em dia temos toda cadeia verticalizada e a mostramos de cabo a rabo aos visitantes”.

Cafezal em Flor, localizada em Monte Alegre do Sul (SP), Circuito das Águas Paulista – Foto: Agência Ophelia

No roteiro, os turistas têm a oportunidade de conhecer os pés de café, as diferentes variedades produzidas na propriedade, os processos de pós-colheita, a torra e o preparo. “Costumamos explicar a respeito das ondas do café. Nossa proposta vem de encontro com a terceira onda, com o movimento slow food, onde o consumidor quer saber o quê exatamente está consumindo, quem fez seu alimento e como foi produzido”, conta Mateus, que destaca que um ponto importante hoje em dia é a divulgação. “Estamos caprichando o máximo na comunicação com as pessoas. Através das redes sociais, estamos conseguindo o engajamento do público certo, aqueles que amam café!”.

Aliado ao turismo rural, muitas regiões produtoras também podem aproveitar o turismo histórico, como é o caso da Fazenda Florença, localizada em Conservatória (RJ), distrito de Valença. A propriedade leia mais…

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Agência Ophelia

Cafezal

Live aborda turismo rural e produção de cafés especiais na região do Circuito das Águas Paulista

A Coordenadoria de Desenvolvimento Rural Sustentável (CDRS) Regional Bragança Paulista, órgão de extensão rural da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, realizará um evento on-line no dia 11 de março, às 9h, com o tema Café e Turismo Rural – Um Blend de Possibilidades.

O intuito é conversar sobre o potencial turístico que envolve cidades como Serra Negra, Amparo, Monte Alegre do Sul, Socorro, entre outras, que, além da paisagem montanhosa que agrada aos turistas que visitam a região, também são reconhecidas pelo clima, água e cafés de qualidade ali produzidos.

Os organizadores do evento são o engenheiro agrônomo Ricardo Moncorvo Tonet, que vem acompanhando esse aumento do potencial turístico da região a partir da Casa da Agricultura de Amparo, e o diretor da CDRS Regional Bragança Paulista, Marcelo Baptista.

Confira quem são os participantes:

Ricardo Moncorvo Tonet – engenheiro agrônomo da Casa da Agricultura de Amparo – CDRS Regional Bragança Paulista
Tema: Turismo Rural – uma visão extensionista

Silvia Kurebayashi Fonte – Sítio São Roque – Serra Negra (SP)
Tema: Caso de sucesso

Márcia Bichara – Cafezal em Flor – Monte Alegre do Sul (SP)
Tema: Caso de sucesso

Giuliana Marchi – Café Santa Serra – Serra Negra (SP)
Tema: Caso de sucesso

“A região do Circuito das Águas Paulista sempre foi tradicional na produção de cafés, tendo se desenvolvido, historicamente, no rastro da produção cafeeira. De uns tempos para cá, principalmente depois de vários cursos e concursos de qualidade do café, a região tem procurado se tornar conhecida pelos cafés especiais. A Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista (Acecap) tem sede em Serra Negra e congrega os municípios da região. Apesar do pouco tempo de existência, já tem se despontado no cenário estadual e nacional, inclusive, com vários prêmios conquistados”, explica Ricardo Moncorvo.

O fluxo turístico nessa região sempre foi grande. Em ano sem pandemia, o local recebe cerca de 7 milhões de visitantes. São turistas tanto de São Paulo, capital, como da grande São Paulo, além da região metropolitana de Campinas e de outros lugares paulistas. Segundo Ricardo, há turismo para todos os gostos, tanto o de aventura praticado em Socorro, quanto o de compras em Serra Negra, o histórico em Amparo, assim como as belezas naturais de Monte Alegre do Sul.

Dessa forma, os produtores viram uma oportunidade de mostrar os seus produtos e otimizar o seu agronegócio. “Nesse evento vamos falar do turismo rural como uma oportunidade para divulgar os cafés especiais. O atrativo é o café e as experiências dessas mulheres, também especiais, que vêm tocando seus negócios com muito otimismo e sabedoria”, destaca.

Ricardo conta que ter a participação de Sívia K. Fonte, Márcia Bichara e Giuliana Marchi vai ser um privilégio e uma boa oportunidade de um bom papo sobre o café, carro-chefe da produção dessas mulheres. “E fica ainda mais especial por acontecer logo após do Dia Internacional das Mulheres”, afirma Ricardo.

Ele fará a palestra inicial “Turismo Rural – Uma visão extensionista”, cujo mediador será Marcelo Baptista. O evento será aberto a todos os interessados e terá duração de três horas. Para assistir, clique aqui.

Serviço
“Café e Turismo Rural – Um Blend de Possibilidades”
Quando: 11 de março
Horário: 9h às 12h
Onde: www.youtube.com/CDRSagricultura

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Cafezal

Plataforma Global do Café realiza revisão sobre código de sustentabilidade do café

A Plataforma Global de Café (GCP, na sigla em inglês) realiza um processo de consulta pública internacional, até o dia 30 de abril, para revisar e aprimorar as medidas de sustentabilidade no setor cafeeiro. “Podemos empreender coletivamente uma forte ação para apoiar um futuro mais sustentável e resiliente para os agricultores e o setor em geral”, explicou Gelkha Buitrago, Diretor de Programas e Parcerias Corporativas da GCP, que está liderando a revisão do Código de Linha de Café da GCP.

Segundo ele, para isso ser feito é necessária uma compreensão compartilhada da sustentabilidade básica e outras possíveis inovações nas fazendas que podem ser construídas. Revisado pela última vez em 2015, o Código de Linha de Base do GCP é uma referência setorial sobre os fundamentos da sustentabilidade nas dimensões econômica, social e ambiental da produção de café verde e do processamento primário em todo o mundo.

Gelkha afirma que este código contribui para um entendimento comum de sustentabilidade para as partes interessadas do café, públicas e privadas, e ONGs, bem como para uma medição e monitoramento alinhados em direção ao aumento da produção e consumo sustentável de café.

Os desafios contínuos, incluindo a lucratividade dos agricultores e a crise climática – agravada pela pandemia global – estão prejudicando o progresso e os resultados de sustentabilidade alcançados nos leia mais…

TEXTO As informações são do Global Coffee Report / Tradução Juliana Santin • FOTO Agência Ophelia

Cafezal

Projeto de estudo da Daterra resulta em mel da florada do café

A busca por experiências, oportunidades e análises são constantes na Daterra, produtores de café que passaram a avaliar o trabalho das abelhas na fazenda, testando a produção de um mel da florada do café.

O projeto

Juliana Sorati, assessora de marketing da Daterra, explica que tudo começou não por causa do mel, mas por causa das abelhas. O Luis Norberto, fundador e CEO da Daterra, e a equipe de pesquisa da fazenda começaram os efeitos da polinização por abelhas.

Estudos realizados em outras culturas, como a de maçãs, por exemplo, sugerem que áreas polinizadas por abelhas produzam frutos de melhor qualidade ou com mais produtividade. Como não existem estudos no café, a Daterra decidiu realizá-lo. Para isso, fizeram uma parceria com a AgroBee, startup que conecta apicultores e fazendeiros que queiram trabalhar com abelhas para melhora de produtividade. Através deles, conheceram o Daniel Almeida, do Apiário Judá, que produz mel pertinho da Daterra.

A fazenda foi mapeada e três pontos selecionados para receber as abelhas que voam 1.5 km. Então, para garantir que elas tivessem acesso somente às flores de café, foram posicionadas em áreas sem vegetação frutífera no raio de 1.5 km. Em consequência, foram produzidos 300 kg de mel.

“Quanto à pesquisa do café, vamos entender melhor o impacto das abelhas somente na próxima safra, então não temos o que compartilhar a respeito de melhorias na produtividade ou qualidade por hora”, explica Juliana.

Para a produção do mel na florada, as abelhas ficaram na fazenda por um mês, entre o meio de setembro e o meio de outubro. Depois disso, elas foram recolhidas e o mel passou por etapas de filtragem no apiário do Daniel. Como a florada do café acontece somente uma vez ao ano e as flores duram, em média, apenas três dias, esse mel é um produto muito específico. Quanto ao sabor, Juliana conta que é bem diferente do mel convencional: “ele é menos doce, tem cor amarelo-claro e um sabor bem delicado”.

Ela ressalta que o mel foi uma consequência de um projeto de pesquisa, não foi um objetivo em si, então por isso é difícil falar em produção. Quanto aos cuidados, existem dois bem importantes. O primeiro é avaliar os produtos utilizados nas plantas antes da florada para que não causem nenhum prejuízo às abelhas, mas que também não comprometa a produção da safra – este é, inclusive, um dos tópicos da pesquisa. O segundo cuidado é o físico: o desafio logístico de organizar as regiões que receberam abelhas para evitar picadas nos colaboradores.

“Apesar do desafio, acreditamos muito no valor dessa pesquisa, achamos que ela tem potencial para agregar muito à agricultura brasileira. Mas seguimos nos testes para entender o universo da apicultura. Não temos o objetivo de ter uma produção de mel, mas sim em entender se as abelhas têm algum impacto sobre o café. O mel é um bônus”, completa Juliana.

TEXTO Redação • FOTO Café Editora