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Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte II

Consumo interno e instantâneo em alta

O Vietnã é um dos mercados consumidores que mais cresce no Sudeste Asiático. A previsão de especialistas é que o consumo interno de café cresça a uma taxa média anual de 6,6% até 2030.

Segundo relatório de dezembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2025 foram consumidas 4,9 milhões de sacas de café (3 kg per capita por ano), contra 4,2 milhões em 2023. O aumento reflete, segundo o relatório, o crescimento do número de cafeterias instaladas no país, da renda e de jovens em áreas urbanas interessados em novas experiências.

Estilos de vida agitado e jornadas de trabalho mais longas têm impulsionado a demanda por café instantâneo, reforça a USDA. O órgão norte-americano refere-se a um estudo, feito pela Knowledge Sourcing Intelligence, que projeta que o mercado de café instantâneo vietnamita deve crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 12%, totalizando US$ 731 milhões até 2028.

A Tridge, plataforma internacional de inteligência de mercado agrícola, reforça que a rápida expansão global deste mercado reflete-se nos preços médios de exportação: em 2023, eles variaram de US$ 5,80 a US$ 11,85 por quilo; em 2024, saltaram para a faixa de US$ 6,70 a US$ 16,15 por quilo, impulsionados, entre outros fatores, pela expansão das indústrias locais.

Em análise de 4 de dezembro do Vietnam Investment Review (VIR), principal jornal de negócios em língua inglesa do Vietnã, o café processado é, atualmente, o “motor fundamental de crescimento” do país. Até meados de novembro, ele gerou US$ 1,46 bilhão – um aumento de 58% em comparação ao mesmo período de 2024. Para o VIR, a indústria cafeeira do Vietnã está passando por uma “mudança clara em direção à produção com maior valor agregado”.

Grandes empresas do setor têm expandido suas operações, com a instalação de novas unidades de torrefação e fábricas de café solúvel. Em janeiro de 2024, por exemplo, a Nestlé Vietnã investiu US$ 100 milhões na ampliação de sua fábrica em Tri An, na província de Dong Nai, no sul do país.

Importação de cafés

Embora seja um dos maiores exportadores de café do mundo, o Vietnã depende das importações dos grãos para suprir demandas internas, já que grãos do Brasil, por exemplo, são mais baratos. Assim, as indústrias vietnamitas aumentaram as importações de café, especialmente de arábicas e cafés de qualidade. Uma parte do café importado é processada e reexportada misturada ao café nacional para produzir café torrado e solúvel.

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os embarques do Brasil, um dos principais exportadores de café para o país,  para o Vietnã em 2023 registraram crescimento de 487,7% em comparação a 2022. Em 2024/25, o Vietnã importou 1,2 milhão de sacas, principalmente da Indonésia, do Laos e do Brasil. A previsão para este ano cafeeiro é importar 1,35 milhão de sacas.

Sustentabilidade

A promoção da sustentabilidade na cafeicultura está entre as principais metas do país. Desde o fim de 2023, governo, associações, empresas e parceiros internacionais vêm trabalhando em conjunto para padronizar procedimentos e adquirir dados que atendam à EUDR, de modo à adaptar o setor cafeeiro do país a um novo “padrão verde” de café.

Entre as prioridades estão o fortalecimento da rastreabilidade e da produção com baixa emissão de carbono na cafeicultura, a partir do menor uso de fertilizantes e pesticidas nas plantações e da promoção de técnicas de irrigação econômicas.

Em maio de 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e do Reino Unido e em parceria com a Administração Florestal do Vietnã (Vnforest), lançaram o projeto AIM4Commodities no país, um dos quatro pilotos globais da iniciativa que apoia países em monitoramento florestal, rastreabilidade e transparência das cadeias agrícolas. A iniciativa aposta na implementação de ferramentas digitais de código aberto, que permitem que pequenos agricultores coletem, gerenciem e mapeiem dados geoespaciais de suas propriedades.

O país já criou um banco de dados de rastreabilidade que abrange, segundo o vice-ministro de agricultura e meio ambiente, Hoang Trung, em recente coletiva de imprensa, 137 mil hectares de café. A promessa é expandir a base de dados para 462 mil ha nas Terras Altas Centrais, responsáveis por 92,8% da área de cultivo do grão.

Outras ações incluem projetos para cafés especiais e programas de substituição de plantios antigos por novas variedades. Atualmente, são 74,5 mil hectares replantados, embora o Programa de Replantio de Café do governo tenha previsto 200 mil até o fim de 2025, informa a USDA.

Seja como for, são ações como estas que fizeram com que o país fosse classificado como de baixo risco pela EUDR. Leia mais na parte I desta matéria.

Ao mesmo tempo, elas fortalecem o estabelecimento de uma marca única para o café vietnamita, outro projeto encampado pelo governo do país.

Marca única

A construção de uma marca forte e reconhecida no mercado internacional para o reposicionamento do robusta vietnamita no cenário global foi tema de um fórum, no final de 2025, organizado pela Vicofa em Dak Lak, considerada “capital do café” no Vietnã.

No fórum, informa a cobertura do Viêt Nam News, a associação buscou apoio da SCA e da plataforma Parceria Transpacífica (TPP), coorganizadoras do evento, para ajudar no desenvolvimento de padrões no café para a venda e na obtenção de certificações internacionais, além do auxílio na construção de uma estratégia para a promoção do grão como marca nacional e na criação de centros de formação de especialistas.

A longo prazo, a estratégia visa estimular a elaboração de cafés processados – que representam, hoje, apenas 15% do volume total produzido – e expandir o comércio internacional.

Desafios

Apesar das iniciativas públicas e de parceiros em incentivar sustentabilidade e melhora de qualidade no setor cafeeiro do Vietnã, a adaptação às demandas do mercado global tem se mostrado difícil. Segundo especialistas, mapas de uso da terra para o café são incompletos, e as fronteiras entre terras agrícolas e florestais frequentemente se sobrepõem, o que prejudica um controle mais rigoroso sobre a produção do café.

Muitos agricultores também desconhecem ferramentas tecnológicas e não têm acesso às políticas públicas implementadas. Processos administrativos complexos e recursos orçamentários limitados, associados às rápidas transformações e novos desafios complicam o cenário, analisa um extenso estudo sobre o setor cafeeiro no país feito em 2024 pela Vicofa e pela Forest Trends com apoio dos governos da Noruega e do Reino Unido.

TEXTO Redação

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Jamaica investe US$ 120 milhões na recuperação de cafezais após furacão Melissa

Fenômeno de categoria 5 atingiu as lavouras do país em novembro e causou perdas de aproximadamente US$ 6,3 milhões ao setor cafeeiro

No último dia 9, a cafeicultura jamaicana celebrou o Jamaica Blue Mountain Coffee Day, marcado este ano pelo lançamento de uma iniciativa do governo do país que destinará US$ 120 milhões para recuperar cafezais afetados pelo furacão Melissa em novembro do ano passado. Do total, US$ 35 milhões já foram desembolsados.

Segundo o presidente da Associação dos Exportadores de Café da Jamaica (JCEA), Norman Grant, 40% da lavoura pronta para a colheita perdeu-se com o fenômeno climático, classificado na categoria 5 (a mais alta), que causou danos às propriedades rurais e às rotas de acesso ao café, gerando perdas de cerca de J$ 1 bilhão (US$ 6,3 milhões) ao setor.

Apesar das dificuldades, Grant ressaltou, em discurso no evento, que a indústria cafeeira jamaicana continua a contribuir de forma significativa para economia nacional, mantendo sua posição no mercado global e exportando anualmente milhões de dólares em cafés premium. “Essa resiliência diz muito, mas apenas a resiliência não é suficiente. O que se faz necessário agora é um apoio coordenado e contínuo, além de esforços conjuntos para reconstruir uma indústria cafeeira resiliente às mudanças climáticas”, declarou ao jornal Jamaica Observer.

Sobre o Blue Mountain Coffee

O Blue Mountain Coffee é um café cultivado exclusivamente nas Montanhas Azuis (Blue Mountains), no leste da Jamaica, em áreas de alta altitude (entre 900 e 1.700 m), clima fresco, neblina, chuvas regulares e solo vulcânico – condições que proporcionam um café de alta qualidade. 

Por seu terroir único, o Blue Mountain Coffee é protegido por Denominação de Origem concedida pela Autoridade Reguladora de Produtos Agrícolas da Jamaica (Jacra). Atualmente, mais de 80% deste café é exportado.

TEXTO Redação / Fonte: Global Coffee Report e Jamaica Observer 

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Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte I

Para o Vietnã, 2025 foi um ano marcante. É o que dizem os especialistas em café ouvidos pelos meios de comunicação do país e o que revelam os números recordes, tanto em volume produzido quanto em valor adquirido nas exportações pelo país. Neste cenário, o maior produtor de robustas do mundo têm renovado cafezais e investido em sustentabilidade, o que está melhorando a qualidade dos grãos. Ao mesmo tempo, o país assiste ao crescimento do consumo interno da bebida, e ao aumento das exportações de café instantâneo. Mesmo neste cenário promissor, há muitos desafios a superar. É o que mostramos na matéria a seguir.

Alta produção

A expectativa da produção vietnamita para 2025/26 (de outubro de 2025 a setembro de 2026) foi revista, no início de dezembro, pelo Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 30,8 milhões de sacas, sendo 29,6 milhões de robusta e 1,2 milhão de arábica. Já em meados de setembro, a Verso Investimentos havia projetado a colheita em 29,4 milhões de sacas – um volume 6% superior ao ciclo anterior, e o maior produzido desde 2021.

Mesmo com tufões e chuvas intensas no período de colheita, que prejudicaram parte das lavouras – especialmente nas Terras Altas Centrais, principal região cafeeira, no interior do país –, as condições climáticas recentes foram favoráveis à produção, e os agricultores, também estimulados pelos altos preços do café no mercado global, estão investindo na renovação de suas propriedades.

Para especialistas, programas governamentais de replantio de café e projetos de cafés especiais têm contribuído para melhorar a qualidade dos robustas vietnamitas. Dados do Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente do país mostram que o café ocupa uma área de quase 732 mil hectares, e em 20 mil hectares houve substituição de cafeeiros antigos por plantas mais resistentes. A USDA também inclui o uso crescente de fertilizantes nos cafezais.

De acordo com a VnCommex, plataforma B2B de serviços para o comércio de commodities, o elevado volume de produção de robustas sustenta o PIB agrícola do país: cerca de 600 mil famílias vivem da cultura — 95% delas pequenos produtores —, que gera aproximadamente 2,6 milhões de empregos. Para 2025-2026, a previsão de especialistas é que a produção cresça até 10%. A projeção segue, aliás, tendências históricas, que mostram um aumento constante na produtividade, impulsionado por melhores práticas agrícolas, variedades mais produtivas e resiliência climática. 

Exportações recordes

De fato, os altos preços associados a fortes colheitas fizeram com que, nos últimos anos, o preço de venda dos cafés vietnamitas tenha atingido recordes históricos, com média de US$ 5.653 por tonelada, segundo a plataforma de análises de negócios Vietnam Briefing. 

O volume de café exportado também atingiu patamar recorde. As estimativas para a safra 2024/25 (que acabou em setembro) apontam exportações de 25,2 milhões de sacas, enquanto, para 2025/26, o USDA projeta um volume de 27,3 milhões de sacas — somando café verde, torrado e instantâneo. O avanço de 7,7% em relação ao ciclo anterior ocorre após um ano que, segundo a Associação Vietnamita de Café e Cacau (Vicofa), já havia registrado o maior volume exportado da história do país.

Dados do Departamento Geral das Alfândegas divulgados em 19 de dezembro pelo site Vietnamnet, um dos principais portais de notícias do Vietnã, indicam que o café teve o maior crescimento entre as principais exportações agrícolas do país até novembro: foram 1,4 milhão de toneladas embarcadas, gerando US$ 7,94 bilhões – um aumento de 15,1% em volume e de 38,9% em valor (em comparação com o mesmo período de 2024). 

Ampliação de mercados

A Alemanha é o maior mercado consumidor de cafés do Vietnã – foram 3,2 milhões de sacas compradas este ano, abocanhando 60% das exportações à União Europeia – seguido por Itália e Espanha. 

A condição do país como “de baixo risco” na União Europeia e o adiamento de um ano para a entrada em vigor da EUDR favorecem as exportações do país.

A designação de “baixo risco” permite que o café exportado para aUE passe por um processo de due diligence simplificado, com uma taxa de inspeção de conformidade de 1% – condição bem mais favorável do que a concedida para o Brasil e a Indonésia. 

Mesmo com uma queda de envio de café aos EUA de 3%, as exportações para o país podem voltar a crescer após a redução de tarifas (que estavam em 20%) anunciada em novembro pelo governo americano. 

De acordo com declarações da Vicofa ao jornal Dan Tri, em novembro, os importadores americanos querem ampliar as compras de cafés especiais vietnamitas, especialmente de robustas, que vêm despertando interesse crescente entre os torrefadores dos EUA.

Mercados asiáticos também ganham importância como destinos dos grãos vietnamitas: países como Cambodja, China, Coreia do Sul, Filipinas e Indonésia aparecem entre os mercados em crescimento, de acordo com dados de autoridades e organizações de comércio. 

Em julho, por exemplo, as exportações de café para o Camboja dispararam, atingindo 713 toneladas no valor de US$ 2,7 milhões, um aumento de 406% em volume e 460% em valor em comparação com julho de 2024, informou o Departamento Geral de Alfândegas do Vietnã ao jornal Viêt Nam News em setembro. Entre janeiro e julho, os embarques alcançaram 2.231 toneladas, no valor de US$ 10 milhões, um aumento de 78% em volume e 114% em valor em comparação com o mesmo período do ano passado.

TEXTO Redação

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Brasil lidera oferta de cafés sustentáveis a grandes torrefadoras globais

Relatório da Plataforma Global do Café mostra que empresas líderes compraram mais de 75% de grãos sustentáveis em 2024; Brasil respondeu por mais 664 mil toneladas, o maior volume entre as origens

O Relatório de Compras de Café Sustentável de 2024, publicado este mês pela Plataforma Global do Café (GCP) revelou que mais empresas integrantes da plataforma compram cafés sustentáveis em um volume maior. Os cafés sustentáveis, ​​declarados por 11 torrefadoras e varejistas líderes no mercado, representaram 75,36% do total de compras relatadas –  o equivalente a 21% das exportações globais de café verde em 2023/24 (dados da ICO).

Entre essas 11 empresas integrantes da plataforma – são 176 membros, em sua maioria empresas e entidades do setor – estão JDE Peet’s, Keurig Dr Pepper, Grupo Melitta e Nestlé. Em 2024, nove empresas forneceram informações à plataforma. Constam dos relatórios coletivos do GCP dados que revelam não só o volume total de cafés adquiridos em 2024 (sustentáveis ou não) por cada uma dessas empresas como, em alguns casos, de onde vieram esses cafés. 

“Estamos satisfeitos em ver o número crescente de empresas que adotam a transparência”, comemorou Anette Pensel, diretora-executiva da GCP, em comunicado. “Os consumidores de café, os acionistas corporativos e os investidores esperam ter acesso cada vez maior a informações transparentes sobre as estratégias de sustentabilidade, o progresso e o impacto do nosso setor.”

Com métricas comuns, que permitem comparações, o relatório, que está em sua 6a edição, fornece um panorama sobre a demanda por cafés sustentáveis dessas empresas ao longo dos últimos anos, originários de 34 países. Desde 2018, por exemplo, o volume total de café sustentável adquirido aumentou mais de 170%, passando de quase 64o mil toneladas para cerca de 1,74 milhão de toneladas em 2024. 

Das origens, o Brasil é, de longe, o que mais vendeu cafés sustentáveis (pouco mais de 664 mil toneladas), seguido do Vietnã, com cerca de 446 mil toneladas.

Além do progresso na aquisição de cafés sustentáveis, o relatório mostra transparência nas aquisições, o que, segundo Anette, é um incentivo para a melhora contínua de produtores e de toda a cadeia. Há empresas que avançam de forma consistente na agenda da sustentabilidade, como a torrefadora familiar Julius Meinl, de Viena, na Áustria, que ampliou a participação de cafés adquiridos sob critérios sustentáveis de 21,75% em 2022 para 71% em 2024.

O critério para definir se esses grãos comprados são sustentáveis ou não passa por aval da plataforma, cujas diretrizes fundamentais de sustentabilidade estão expressas em um Código de Referência de Sustentabilidade do Café (Coffee SR Code). 

Ao todo, 26 programas de sustentabilidade são reconhecidos pela GCP. Somados, eles abrangem mais de 2,6 milhões de cafeicultores e 5,8 milhões de hectares plantados. Entre eles estão o Nespresso Programa de Qualidade Sustentável AAA, da Nestlé, o protocolo Gerações, da cooperativa Cooxupé, e o programa Impact, da trader suíça Sucafina.

Confira o relatório completo aqui.

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Conab eleva estimativa e prevê safra de 56,5 milhões de sacas de café em 2025

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou para cima a projeção da safra brasileira de café em 2025 e estima agora 56,5 milhões de sacas beneficiadas, alta de 4,3% frente a 2024. O avanço ocorre apesar da bienalidade negativa do arábica e de episódios de seca e calor que afetaram a florada e a granação em parte do cinturão produtor.

O aumento é sustentado pela forte recuperação do café conilon (canéfora), cuja produção deve alcançar 20,8 milhões de sacas, crescimento de 42,1% e produtividade média de 55,9 sc/ha. O desempenho é puxado por condições climáticas mais favoráveis e uso de irrigação.

No caso do arábica, a estimativa é de 35,8 milhões de sacas, retração de 9,7%, reflexo da bienalidade negativa e de um ciclo 2024/25 marcado por estiagens longas, floradas irregulares e grãos menores em importantes regiões mineiras e paulistas.

A área total plantada com café no país chega a 2,26 milhões de hectares, ligeira expansão de 0,9%, sendo 1,86 milhão ha em produção e 396,4 mil ha em formação. A produtividade média nacional sobe para 30,4 sc/ha, alta de 5,5% em relação ao ano anterior.

Entre os estados, a Conab destaca comportamentos contrastantes:

  • Minas Gerais, maior produtor do país, deve colher 25,8 milhões de sacas (-8,3%), impactado pela bienalidade e por déficit hídrico;
  • Espírito Santo sobe para 17,5 milhões de sacas (+25,8%), impulsionado pela explosão do conilon;
  • Bahia avança 44,6%, chegando a 4,4 milhões de sacas, com alta produtividade das novas lavouras em produção nas regiões do Atlântico do Cerrado Baiano;
  • São Paulo recua para 4,7 milhões de sacas (-12,9%), devido à bienalidade baixa e ao clima;
  • Rondônia cresce 10,8%, alcançando 2,32 milhões de sacas de robustas amazônicos.

No comércio exterior, a Conab registra que, de janeiro a outubro, o Brasil somou US$ 12,9 bilhões em exportações de café, superando o valor total exportado em 2024. O volume embarcado, porém, caiu para 34,2 milhões de sacas, reflexo da oferta interna mais restrita após o recorde de 2024. Mesmo com oscilações provocadas pelo tarifaço imposto e depois revogado pelos EUA, o país segue como principal destino do café brasileiro.

O boletim destaca ainda que estoques mundiais, no entanto, permanecem nos menores níveis em 25 anos — fator que mantém o mercado sensível a choques climáticos e pode sustentar preços firmes no curto prazo.

TEXTO Redação

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Passando o bastão: histórias sobre sucessão familiar na cafeicultura

Reportagem traz histórias que ilustram a necessidade de pensar o processo sucessório da propriedade rural

*Na data de postagem (1/12), essa matéria estava entre as finalistas do 4º Prêmio de Jornalismo Cafés do Brasil do Conselho Nacional do Café (CNC)

Por Lívia Andrade

A sucessão familiar no agronegócio é um tema sensível – e na cafeicultura não é diferente. Nem sempre os filhos crescem acompanhando os pais na lida no campo, especialmente quando se mudam para estudar na cidade. Não por acaso, programas dedicados à sucessão no campo vêm ganhando força em diferentes estados brasileiros. Um exemplo é Herdeiros do Campo, que nasceu no Senar Paraná e hoje também é aplicado no Espírito Santo. Em São Paulo, o Senar desenvolve o Sucessão Familiar Rural e, em Minas Gerais, a Emater lançou este ano o Futuro no Campo, para capacitar jovens e fortalecer a permanência no meio rural.

Para retratar os caminhos – planejados ou não – dessa transição entre gerações, a Espresso ouviu cinco famílias que passaram (ou estão passando) pelo processo de sucessão na cafeicultura.

Há aquelas cujos pais optam, em vida, por repartir a propriedade entre os filhos. Há quem escolha estruturar os bens em holding e organizar as regras de governança a serem seguidas. E há quem só se veja diante da sucessão após a morte dos pais. As histórias a seguir ilustram diferentes formas de lidar com a transição, que é inevitável.

Família Lacerda

O vascaíno Onofre de Lacerda, 78 anos, começou a vida como meeiro, plantando milho, cebola, batata, feijão e criando algumas vacas. Depois de 12 anos, comprou o primeiro pedaço de terra no Caparaó, serra que liga o Espírito Santo a Minas Gerais e abriga o Pico da Bandeira. Assim, ele e a esposa, Maria, criaram oito filhos (cinco mulheres e três homens), que desde cedo ajudavam os pais na lavoura.

Onofre Lacerda (com a camisa do Vasco) e a família, que atualmente está envolvida com o universo cafeeiro

Em 1979, o patriarca deu início ao cultivo de café. “Naquela época, tinha pouco cafezal por aqui, a produtividade era baixa, 12 sacas por hectare”, conta Júlio Barros, extensionista rural da Emater-MG. Mas a instituição mineira iniciou um trabalho voltado ao aumento de produtividade na região. Superada essa etapa, o foco passou a ser a qualidade dos grãos e a organização de concursos.

A virada veio em 2010, quando os Lacerda venceram o 1º concurso da região. De lá para cá, não pararam mais. “Temos mais de 200 prêmios, entre municipais, regionais, estaduais, da Abic e também o Coffee of the Year”, diz Amanda Lacerda, tecnóloga em  cafeicultura e neta de Onofre.

Hoje em dia, sete filhos e três netos trabalham com café especial. Mas nem sempre foi assim. “Em 2000, a família estava quase 100% voltada ao café e veio a baixa dos preços. Nos anos seguintes, fizemos visitas com o Sebrae às Montanhas do Espírito Santo para ver como o pessoal estava driblando a crise”, lembra José Alexandre Lacerda, um dos filhos. “O pai sempre foi uma pessoa antenada e acreditou que daria certo produzir o café especial. Hoje colhemos os resultados”. Além disso, Onofre Lacerda seguiu à risca as orientações da Emater-MG – uma parceria que, segundo a família, o fez sentir-se valorizado como produtor rural.

No início, os filhos não acreditaram. “No primeiro concurso regional da Emater, o pai mandou três amostras e nos convidou para a festa de premiação, mas era período de colheita e não fomos. Achávamos difícil ganhar, eram 400 amostras de mais de 20 municípios”, lembra Zé Alexandre.

À tarde, Onofre e Maria chegaram com a notícia de que tinham ganhado os dois primeiros lugares na categoria descascado e o primeiro na categoria natural. “Então, nosso café é bom!”, comemorou o filho, quando foi advertido. “Pode ter sido acidente, temos que trabalhar para repetir o resultado”, disse Onofre.

Família Lacerda

A guinada da família aconteceu em 2012, com a conquista do 1º lugar no Concurso de Qualidade de Café de Minas Gerais. “Estávamos ganhando concursos desde 2010, mas não tínhamos vendido café com valor agregado. Naquele ano, o café custava R$ 380 a saca e vendemos nove sacas a R$ 1 mil e uma saca a R$ 2,5 mil”, conta Zé Alexandre. O mesmo lote foi vencedor do 9o Concurso da Abic, vendido a R$ 3 mil a saca.

Mesmo em meio às conquistas da família, Onofre mantinha os herdeiros com os pés no chão. “Quem está no topo tende a cair. Temos que trabalhar para não ficar para trás”, repetia o patriarca, que comandou os cafezais até 2020. Naquele ano, decidiu formalizar a sucessão: repartiu os 49 hectares entre os filhos, com tudo registrado em cartório, como manda a lei.

Hoje, cada herdeiro cuida de seu próprio pedaço, mas todos se ajudam na colheita – e os netos de Onofre refinam o trabalho na ponta final. João Vitor, filho de Zé Alexandre, tornou-se Q-Grader e avalia os microlotes da família. Ele e as primas criaram uma marca de café e participam de eventos como o São Paulo Coffee Festival, vendendo diretamente ao consumidor. A família também mantém duas cafeterias no Caparaó e, com apoio do Sebrae, passou a oferecer turismo de experiência, recebendo visitantes para vivenciar a colheita. Onofre continua por perto, espalhando sabedoria – e o amor pelo café e pelo Vasco da Gama. Segundo a esposa, ele só tira a camisa do time para dormir.

Família Ramos

Do plantão ao plantio. Este é o lema da enfermeira e, agora, produtora rural Érika Fernanda Ramos, 46 anos. Em 2022, a primogênita de José Francisco, o Ica, e Neiva Noemi viu sua vida virar de ponta-cabeça. Com especialização em UTI, nefrologia, auditoria e gestão, Érika vivia uma nova fase profissional como gerente de nutrição clínica da empresa do irmão, no Pará.

Como de costume, foi passar as férias na casa dos pais, no Sítio Três Barras, em Campos Gerais (MG). Lá, percebeu que a pressão de Ica – hipertenso até então controlado – estava alta. Adiou a volta para casa e levou o pai ao cardiologista, que o encaminhou imediatamente para exames. Mas, sem um diagnóstico definido, Ica começou a perder peso, sentir dores e entrou em depressão. Érika insistia com os médicos, que respondiam: “Já fizemos todos os exames de rastreamento. Não há tratamento. Vamos encaminhá-lo para cuidados paliativos, para controle da dor”. Em 90 dias, Ica faleceu, ao lado da esposa e da filha primogênita. Seus outros filhos, Everaldo e Marcela, que moravam no Pará, não chegaram a tempo de se despedir.

Érika e sua mãe, Neiva, que hoje trocam conhecimento sobre gestão do sítio

Após o sepultamento do pai, Érika voltou para a roça e, ao lado da mãe, parou diante do terreiro. O café, com a chuva, tinha mofado. “Não sabia o que fazer, se lavava, se colocava no secador, se espalhava assim mesmo”, lembra ela, que aos seis anos partiu para a cidade estudar e morar com a avó. “Terminamos a safra de 2022 aos trancos e barrancos”.

A enfermeira permaneceu em Campos Gerais, apagando um incêndio atrás do outro. O funcionário do pai pediu demissão. A mãe, ainda em choque, tentava reunir forças para assumir as finanças da família – tarefa difícil, já que o marido era um homem à moda antiga: não usava planilhas, guardava na cabeça todos os custos, gastos e lucros. Por dentro, Érika estava desesperada, mas se manteve firme para transmitir segurança à matriarca. Foi então que estacionou o carro do pai na Cooxupé, cooperativa da qual ele era associado. “Cheguei dirigindo o carro dele e o pessoal veio me abraçar e dizer: ‘Érika, a cooperativa é uma família. Sinta-se em casa, estamos aqui para ajudá-la’”.

O acolhimento ajudou-a a se reerguer. Dois meses depois da morte do pai, contratou um agrônomo. “Abri o jogo com ele: vamos começar do zero, nosso único histórico são os dados da cooperativa e o conhecimento da minha mãe”, relembra. “Percorremos os cafezais para contar os pés, ver a situação da lavoura”.

Com os bens ainda bloqueados, a família entregou o café à cooperativa e fez compras em nome da mãe, também cooperada. Inventário acertado, a família abriu a Agroramos, uma empresa com as cotas de Érika e de Everaldo. “Minha irmã arrendou a parte dela e me tornei a gestora”, diz Érika.

Não foi fácil. A enfermeira enfrentou julgamentos, mas se agarrou ao apoio de quem lhe estendeu a mão. Aos poucos, foi se inteirando da situação da propriedade e organizando tudo em planilhas, para facilitar a gestão. O empenho logo chamou a atenção na Cooxupé: “Lá vem a filha do Ica. Ela é igual a ele – pergunta tudo, faz contas, é o Ica estudado”, diziam os funcionários, em tom de carinho e admiração.

Seu comprometimento rendeu-lhe um convite para representar a unidade de Campos Gerais no Encontro de Mulheres Cooperativistas, realizado em Florianópolis em 2024. Lá, ouviu uma frase que a marcou: “Herdeiro recebe a herança e faz o que quiser com ela. Sucessor arregaça as mangas e dá continuidade ao legado.” Foi o empurrão que faltava. Desde então, Érika se dedica a honrar a tradição da família, já na quarta geração de produtores rurais.

Aos 134 mil pés de café do sítio de 39 hectares, somou mais 60 mil pés. A expectativa era colher 450 sacas este ano, mas a seca derrubou a produção para 200 sacas. “Ano que vem temos a possibilidade de chegar a 1,8 mil sacas”, anima-se. “Embora não fosse minha vocação, me entreguei de boa vontade para aprender e honrar os calos que meus pais criaram nas mãos para me educar”, finaliza.

Família Croce

Inspirar e empoderar é o propósito da Fazenda Ambiental Fortaleza (FAF). A empresa familiar, que cultiva café em sistema agroflorestal, orgânico e regenerativo, criou a FAF Coffees – seu braço de exportação – com uma rede de 450 produtores parceiros, colaboradores e clientes que acreditam ser possível transformar o mundo por meio do café. A história começou em 2001, quando Silvia Barreto herdou a propriedade em Mococa (SP). Na época, ela, o marido, Marcos Croce, e os filhos Daniel, Felipe e Rita viviam nos Estados Unidos.

Silvia Barreto e Marcos Croce

Adepta da alimentação orgânica desde os anos 1980, Silvia converteu a fazenda para o sistema, priorizando a saúde do solo e a produção de alimentos saudáveis, mesmo com a queda inicial na produtividade. Em 2004, Marcos Croce, que trabalhava com comércio exterior, viu potencial para cafés orgânicos no mercado norte-americano e começou a vender para torrefações de cafés especiais, com a ajuda de Felipe na conquista de clientes. O movimento chamou atenção dos vizinhos, que pediram a Marcos para exportar seus cafés.

Enquanto isso, os herdeiros estudavam nos EUA. Felipe cursava empreendedorismo com um professor que tinha uma torrefação de cafés especiais. Empolgado, contou que a família cultivava café, mas ouviu: “Brasil não me interessa, é café barato, usado para saborização”. O choque, no entanto, lhe rendeu um trabalho na torrefação, onde provava café toda semana.

Com a crise financeira de 2007/2008 e o aumento dos custos no Brasil, o negócio da família enfrentava dificuldades. “A fazenda entrou na minha vida de forma caótica. Tranquei a faculdade e fui morar lá em 2009 para ajudar”, conta Felipe. “Meus pais eram do meio ambiente, do orgânico, mas o café bebia inconsistente”.

Nos primeiros anos na fazenda, Felipe focou em qualidade, seguindo a tendência que via nos EUA: pessoas comprando alimentos no mercado e café em torrefações especiais. Enquanto isso, Marcos levava clientes da Suécia, Noruega e EUA para conhecer a FAF. “Meu pai tem a incrível capacidade de unir pessoas e vender um sonho”, diz Felipe.

Jovem, ele achava difícil viver no interior. Mudou-se para São Paulo e passou a dividir o ano entre Brasil e exterior. Formou-se em Portugal, trabalhou na Noruega, Suécia e Austrália, sempre buscando abrir mercado para o café. “O Brasil era esnobado pelos geeks, e os tradicionais impunham um limite de preço”, lembra. A solução foi buscar novos entrantes no setor, sem dogmas. “90% dos nossos clientes começaram em 2010. Crescemos juntos, vendendo sustentabilidade na vertical da qualidade e na horizontal do manejo.”

Para Felipe Croce, é um luxo trabalhar com os pais, pessoas em quem confia

A FAF, que começou exportando café de alguns vizinhos, hoje comercializa a produção de 450 famílias em diferentes estágios de sustentabilidade. Conta com agrônomos convencionais e regenerativos. “O caminho do meio sempre é melhor”, diz Felipe. Eles atuam nas comunidades, implantando unidades de referência como modelo para outros produtores.

Ao longo do percurso, porém, Felipe, único filho com vocação para produtor, pensou em desistir muitas vezes. Ficou até 2013, quando a mãe assumiu o comando. Só retornou em 2018, quando, para evitar desgastes, a fazenda foi dividida em setores. “Hoje, arrendo a parte da fazenda que produz café e tenho minha equipe e maquinários”, diz.

Silvia toca outras produções, como leite, mel, banana e outras frutas que, processados, são oferecidos na hospedaria da fazenda. “Minha mãe quer proporcionar para as pessoas um pouco de sua vivência de infância, saudável, cercada de natureza”, explica.

Nos últimos anos, os Croce iniciaram o processo de sucessão. Felipe passou a cuidar das finanças, das parcerias com produtores e dos contratos. “Estou refinando os processos para ter uma estrutura mais organizada”, diz. Sócio do pai na FAF Coffees, valoriza a presença ativa do patriarca. “Talvez mais do que ele gostaria, mas enfrentamos geadas, secas… e meu pai é ótimo em transmitir essência para as pessoas.”

Com o tempo, Felipe passou a admirar ainda mais os pais. “Filhos querem inovar, pais têm o pé no chão. O equilíbrio está no meio”, diz. “Trabalhar com a família é difícil, a comunicação pode ser complicada, mas é um luxo ter ao lado pessoas em quem se pode confiar.”

Família Germano

Neto de italianos, filho de mineiro e paulista, Antônio Germano da Silva, 58, nasceu no Paraná vendo a família formar cafezais. Em 1984, migraram para o Acre e tentaram plantar café, sem sucesso. Silva montou uma empresa e trabalhou anos na cidade, até ver o casamento e a família ruírem. Lembrou então do conselho do pai sobre a importância de se trabalhar em família.

Casou-se de novo e, em 2009, voltou à propriedade rural em Brasiléia (AC). Tirou o capim, reflorestou 30 hectares, plantou 2 mil castanheiras, árvores medicinais e café conilon, que não se adaptou bem. A retomada da família com o café veio em 2022, ao ver uma propaganda sobre o robusta amazônico e decidir apostar.

Para Antônio Germano, trabalhar junto com os familiares e em harmonia com a natureza é o segredo para uma vida próspera

Hoje, ele, a esposa, Elizângela, e os seis filhos cultivam 20 hectares de café em sistema agroflorestal, consorciado com plantas medicinais como mariri e chacrona – ambas a base do chá ayahuasca, que a família doa a comunidades terapêuticas por seu valor espiritual e medicinal. “Não podemos vender mistérios da natureza”, diz Silva, fundador da Sociedade União do Vegetal Núcleo Cristo Rei, de inspiração cristã e foco em autoconhecimento e educação ambiental.

Nos últimos três anos, passaram a plantar clones de robusta amazônico e hoje somam 60 mil pés. “Este ano, colhemos 25 mil plantas e estimamos 350 sacas beneficiadas”, diz. Os filhos atuam em todas as etapas da produção. “É uma família unida, comprometida e cheia de potencial”, afirma Michelma Neves de Lima, da Seagri (Secretaria de Estado da Agricultura).

Atualmente, todos os filhos moram e trabalham na propriedade, até os casados, com casa e pedaço de terra próprios. Cada um cuida de uma área, mas todos se ajudam no manejo e contratam reforço quando preciso – todo o processo é manual e a secagem, feita no terreiro.

Em 2024, a família entrou no universo dos cafés especiais, participando de cursos da Emater e capacitações da Seagri com a Embrapa. Desde então, conta Michelma, têm se destacado em concursos como o QualiCafé e o Florada Premiada da 3corações.

Para o patriarca, o segredo é ensinar o valor do esforço. “Se o filho recebe o bem sem aprender a dar valor, o ditado ‘pai nobre, filho rico e neto pobre’ vira realidade”, diz. No sistema da família Silva, todos dividem os ganhos e ainda fazem renda extra produzindo clones de café para outros produtores.

Silva também plantou 2 mil castanheiras, uma espécie de poupança para o futuro. “Quando começarem a produzir, meu filho mais novo ainda terá 20 anos. É uma segurança, porque o clima está mudando”, diz, lembrando que a lata é vendida a cerca de R$ 250 e algumas árvores chegam a render 15 latas. Assim, trabalhando com os filhos na agricultura familiar, ele vive o presente enquanto planta as sementes do amanhã.

Família Baracat Sanchez

Evandro Sanchez, filho de usineiro de Catanduva (SP), depois de suceder o pai nos negócios de açúcar e etanol, expandiu seus ganhos com o café na Fazenda Dois Irmãos, no Cerrado Mineiro, hoje com 300 hectares. Desde cedo, incutiu nos cinco filhos o gosto pela terra. Maria Gabriela Baracat Sanchez, a terceira filha, herdou esse apreço. “Nas férias, ele nos levava para andar pelas fazendas”, conta. Não à toa, cursou agronomia em Viçosa e, durante uma greve na universidade, levou as amigas para trabalhar no café.

Gabriela herdou do pai, Evandro, a paixão pelos cafezais e hoje é a gestora da Fazenda Dois Irmãos, no Cerrado Mineiro

Percebendo seu entusiasmo, o pai ensinou-lhe como funcionava a fazenda tão logo ela se formou. “A gente sai da faculdade com muita teoria e pouca prática”, destaca. Em 2001, apresentou-a aos fornecedores como gestora da Dois Irmãos. Desde então, fez pós-graduação em matemática aplicada, mestrado em produção vegetal e aperfeiçoou-se na gestão da propriedade. “Hoje, a fazenda é uma empresa”, orgulha-se Gabriela, que também se tornou Q-Grader, ensinou seus funcionários a provarem cafés e direcionou o negócio para a produção de especiais. “O comprador pode vir aqui todos os anos que vai comprar um café tão bom ou melhor do que o anterior, porque temos controle, processos”, explica.

Há cinco anos, Evandro começou o processo sucessório. Chamou advogado, solicitou levantamento patrimonial e reuniu os herdeiros. “Dessas reuniões só participavam os filhos. Meu pai nunca permitiu a interferência dos cônjuges”, detalha ela.

Após muitas conversas, os irmãos organizaram os bens em holdings, das quais são sócios-herdeiros. “A ideia é que, no evento sucessório, a produção continue com a holding, não mais em nome de pessoas físicas”, explica o advogado Fernando Castellani, especialista em sucessão. “O dono da fazenda original pode manter 100% das cotas em vida e transferi-las depois, ou ainda repassá-las antes de morrer.”

Segundo Castellani, a estrutura de holding patrimonial ou de empresas operacionais ajuda a disciplinar o processo sucessório, trazendo tranquilidade, previsibilidade e regulação de conflitos. Foi exatamente o que Evandro fez: organizou os bens da família em várias holdings. “Tem a holding da parte da terra, a holding da parte industrial, cada setor é uma holding”, explica Gabriela. “Meu pai escolheu esse caminho para preservar não só o patrimônio, mas, o mais importante, a união dos irmãos”, acrescenta.

Gabriela conta que organizar uma holding é um gasto gigantesco – mas menor do que seria uma divisão por herança. Inclusive, a família correu para finalizar o processo ainda este ano, temendo a reforma tributária, que deve aumentar o imposto de sucessão. “Outra vantagem dessa estruturação é direcionar as cotas para os filhos por intermédio de um instrumento societário, chamado acordo de sócios, que estabelece as regras de governança: qual filho manda, quais assuntos são decididos por maioria, quais dependem da opinião de um terceiro, como se age em caso de conflito, como funciona para tomar dívida, pagar, vender, decisões estratégicas”, explica o advogado.

Tudo isso resguarda o patrimônio da família. “Se algum irmão quiser vender, não pode ofertar a terceiros, tem que vender para os sócios e esperar, no mínimo, um ano para o pagamento”, diz Gabriela. Outra trava é que, em caso de morte de um dos sócios, os herdeiros terão direito aos dividendos, não à gestão.

“Me sinto aliviada por estarmos nesse caminho”, conta. “Meu pai sempre ensinou o prazer do trabalho, de cuidar e preservar o patrimônio. E, mais do que isso, o sonho dele é que a gente possa aumentá-lo”, conclui.

Texto originalmente publicado na edição #89 (setembro, outubro e novembro de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Lívia Andrade • FOTO Divulgação

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Parlamento Europeu adia em um ano aplicação da Lei Antidesmatamento

Emenda retira obrigatoriedade de due diligence para operadores que vendem o produto após a entrada no mercado europeu

O Parlamento Europeu aprovou nesta quarta (26) o adiamento da aplicação da lei antidesmatamento para 30 de dezembro de 2026. O adiamento é uma das diversas emendas que simplificam a EUDR. Para micro e pequenas empresas, a prorrogação segue até junho de 2027.

Segundo comunicado divulgado para a imprensa pelo Parlamento, o prazo adicional busca “garantir uma transição tranquila” e permitir a implementação de medidas para reforçar o sistema de TI (criado pela União Europeia para implementação da lei e utilizado por operadores, comerciantes e representantes para emissão das declarações eletrônicas de diligência).

Além do adiamento, uma das emendas votadas estabelece que a responsabilidade de apresentar a declaração de due diligence recai sobre empresas que colocam o produto no mercado europeu pela primeira vez, retirando essa obrigatoriedade dos operadores que comercializam os produtos posteriormente. Também alivia as exigências para micro e pequenos produtores, que passam a entregar apenas uma declaração simplificada.

O texto foi aprovado por 402 votos a favor, 250 votos contra e 8 abstenções. A negociação segue agora para os representantes dos Estados-Membros no Conselho Europeu, e a versão final deve ser aprovada pelo Parlamento e pelo Conselho e publicada antes do final deste ano para que entre em vigor.

TEXTO Redação

CafezalMercado

Saca de café do Cerrado Mineiro é vendida por R$ 200 mil

Campeã da categoria cereja descascado, saca produzida por Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Nenem, quebra recorde nacional

Durante o 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro, que aconteceu na quarta (19) em Uberlândia (MG), a saca campeã da categoria cereja descascado, produzida por Eduardo Pinheiro Campos, da Fazenda Dona Nenem, em Presidente Olegário, foi arrematada por R$ 200 mil.

Este foi o maior valor já pago por uma saca de café em um leilão nacional – o último recorde foi a venda de uma saca a R$ 115 mil em 2024, no mesmo concurso – e o lance  foi dado pelo consórcio formado por Expocacer, Veloso Green Coffee, Marex e Nucoffee. “É uma honra e um orgulho enorme para nossa equipe alcançar esse resultado. Eles são quem realmente colocam a mão na massa, nós apenas orientamos o caminho para chegar a esse nível de excelência”, comemorou Campos, cujo café alcançou 90,59 pontos. “A emoção é muito grande, porque são muitos anos de trabalho, conquistas e prêmios”.

O segundo maior lance, de R$ 100 mil, foi feito pela Louis Dreyfus Company para o café campeão da categoria natural, produzido pela Agropecuária São Gotardo Ltda. Reunindo nove lotes das categorias vencedoras, o leilão movimentou um total de R$ 562 mil, com média total por saca de R$ 62 mil. 

“Este recorde é uma soma de reputações. A do Eduardo Pinheiro Campos, como maior campeão da história do Prêmio Cerrado Mineiro, e a reputação de nossa região, que completa 20 anos como Indicação Geográfica e se consagra líder no segmento de origem controlada”, destacou Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

TEXTO Redação

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Café é presença ativa na COP30 com debates, degustações e tecnologia na AgriZone

André Corrêa do Lago, presidente da COP30, degusta robusta amazônico (crédito: Embrapa)

Colaborou Enrique Alves, de Belém (PA)

O café tem sido um dos “participantes” mais ativos da COP30, que reúne 194 países em Belém (PA) até o dia 21. Em meio às discussões sobre clima e floresta, a bebida ocupa espaço destacado na AgriZone — área temática instalada na Embrapa Amazônia Oriental, a 1,8 km dos pavilhões oficiais —, com painéis, palestras, demonstrações técnicas e degustações que reforçam o peso do setor na agenda de sustentabilidade.

A AgriZone, com cerca de 3 mil hectares, concentra debates sobre segurança alimentar, bioeconomia, carbono e adaptação climática. Funciona como vitrine do agronegócio de baixo carbono e ponto de referência para quem busca entender o papel da agricultura nas negociações ambientais.

Cafés na “CUP30”
No dia 9, véspera da abertura oficial da COP30, a caravana dos robustas amazônicos já estava instalada no espaço. Segundo o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa Rondônia, houve degustações de 30 cafés especiais — arábicas, conilons e robustas — de diferentes regiões, promovidas na Loja Bem Cafeinado, em uma ação batizada de CUP30.

Robustas amazônicos degustados antes da abertura oficial da COP30 (crédito: Embrapa)

No dia 10, a equipe de Rondônia levou à AgriZone uma “vitrine viva” com 50 clones de robustas amazônicos cultivados a pleno sol e em sistema agroflorestal com cacau, banana e açaí. Os materiais fazem parte do Projeto de Melhoramento Participativo da Embrapa, que envolve produtores no desenvolvimento de novas cultivares. “Este pode ser um grande legado agronômico na COP30”, acredita Alves. A programação conduzida pela instituição inclui debates, degustações assistidas e a apresentação de tecnologias sustentáveis.

Ainda no dia 10, na GreenZone (espaço oficial da COP30), o estande do Sebrae ofereceu aos visitantes cafés com Indicação Geográfica para degustação.

Arábicas e canéforas de diversas IGs são servidos no estande do Sebrae (crédito: Enrique Alves)

Nesta sexta (14), à tarde, entidades e lideranças da cafeicultura se reúnem no estande do Sistema CNA/Senar, também na AgriZone, para discutir temas prioritários. Representantes da BSCA, CNC, Cecafé, ABIC, Abics e CNA abrem a programação com breves exposições, seguidos por um painel que reúne produtores de arábicas e canéforas para discutir tecnologia, inovação, qualidade e práticas regenerativas.

Outro painel, formado por instituições parceiras, está previsto para tratar de dados e programas relacionados a clima, carbono, boas práticas, recuperação de nascentes, certificação e comunicação ao consumidor. Para o diretor-executivo da ABIC, Celírio Inácio, a presença do setor na COP30 “reforça que valorizar o produtor é, também, entregar um café que vá além das normas de qualidade”. Segundo ele, a evolução da indústria criou um ciclo virtuoso que elevou a exigência por melhores cafés e ampliou o consumo interno, consolidando o país como maior consumidor do que produz.

50 clones de robustas amazônicos na “vitrine viva” da AgriZone (crédito: Enrique Alves)

A agenda prossegue na sexta (15), quando a Coocacer Araguari apresenta, às 15h, o Programa Café Sustentável no espaço da Embrapa. A iniciativa, feita em parceria com a Serasa Experian, será detalhada a representantes de governos, instituições e empresas internacionais, com foco em conformidade socioambiental, inovação e monitoramento climático no cooperativismo cafeeiro.

Indígena prova café especial durante palestra na COP30 (crédito: Embrapa)

O que também já foi
Segundo a programação divulgada no site Luma, no primeiro dia da COP30 a AquaPraça — pavilhão italiano flutuante — sediaria o evento Soluções de Café Regenerativas, dedicado a debates sobre agricultura de baixo carbono e inovação climática. Entre os participantes previstos estavam a diretora-executiva da OIC, Vanúsia Nogueira, o diretor-geral de Cooperação para o Desenvolvimento da Itália, Stefano Gatti, e Andrea Illy, presidente da illycaffè.

TEXTO Redação

BaristaCafezalMercado

Premiações encerram a SIC 2025

Além do COY, outras premiações na sexta (7) celebraram o talento, a inovação e a diversidade do café brasileiro

O encerramento da Semana Internacional do Café 2025, nesta sexta (7), consagrou os melhores do ano no setor cafeeiro. No Grande Auditório do Expominas, em Belo Horizonte, foram revelados os vencedores das principais premiações que reconhecem a excelência, a criatividade e o impacto da cadeia do café no Brasil.

Coffee of the Year 2025

Um dos momentos mais aguardados da programação, a 14ª edição do Coffee of the Year (COY) coroou os melhores cafés do Brasil em 2025, consolidando o concurso como a principal vitrine da diversidade e da excelência da produção nacional. Na categoria arábica, o vencedor foi Guilherme Abreu Vieira, do Sítio Família Protazio, no Caparaó (MG), e na categoria canéfora, o primeiro lugar ficou para Carolinna Bridi Gomes, da Fazenda São Bento, nas Montanhas do Espírito Santo.

O concurso promove e valoriza os melhores cafés arábicas e canéforas do país. Foram 601 amostras de diferentes regiões do país – um recorde – analisadas por Q-Graders e R-Graders licenciados pelo Coffee Quality Institute (CQI). As 180 melhores amostras (150 de arábica e 30 de canéfora) foram oferecidas em rodadas de cupping para geração de negócios e degustação de visitantes da SIC. Os 10 melhores arábicas e os 5 melhores canéforas receberam o voto popular em degustações às cegas, que decidiram os dois campeões. Depois das premiações, aconteceu o Cupping dos Campeões nas salas de Cupping.

Carolinna Bridi e Guilherme Abreu Vieira, campeões do Coffee of the Year 2025

Espresso Design 2025

Em sua 7ª edição, o concurso promovido pela revista Espresso e que destaca as embalagens mais inspiradoras do ano abriu a tarde de premiações consagrando o Café Menina, com a coleção Por do Sol Sítio Menina. A campeã foi escolhida entre vinte embalagens finalistas, expostas nos dois primeiros dias da SIC para votação dos visitantes. O segundo lugar ficou com Soul Cafés, com a coleção Soul e Café, e o terceiro com Oli Cafés.

Com mais de 80 embalagens inscritas, o concurso avalia identidade visual, eficiência, conceito, originalidade e criatividade. Estes critérios foram avaliados pela equipe da Espresso e pela especialista convidada Andrea Menocci, consultora com mais de dez anos de experiência no mercado de cafés, com foco na adequação e desenvolvimento de rótulos.

Pódio do concurso Espresso Design, realizado pela Espresso

Torrefação do Ano Brasil 2025

Na 2ª edição da premiação Torrefação do Ano Brasil 2025, organizado pela Atilla Torradores, a torrefação campeã foi Do Coado ao Espresso, em Lauro de Freitas (BA). O segundo lugar ficou para Nélly Cafés Especiais, de Presidente Olegário (MG), e o terceiro para a torrefação William & Sons Coffee, de Porto Alegre (RS). O concurso, que valoriza o trabalho das torrefações de qualidade de todo o país, teve este ano 131 torrefações inscritas, de 18 estados. A final, que aconteceu durante a SIC, selecionou a melhor entre vinte finalistas.

Pódio do prêmio Torrefação do Ano, organizado pela Atilla Torradores

Campeonato Brasileiro Blends de Café ABIC

Minas Gerais foi consagrada no 3o Campeonato Brasileiro Blends de Café ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café). O concurso premiou Larissa Rinco, da Horlando Agro Coffee, em Albertina, como a grande Masterblender Brasil 2025. O segundo lugar ficou com Matheus Vazi, da Liv Logística Armazéns Gerais, de Varginha (MG), e o terceiro, Elder Caetano, da Nuance Cafés Especiais, de Araguari (MG).

O campeonato promove o conhecimento na criação de blends de café, destacando o trabalho de classificadores, degustadores e mestres de torra. Foram três etapas seletivas estaduais, com a final acontecendo no último dia da SIC. Os blends foram avaliados por um júri técnico a partir do Protocolo Brasileiro de Avaliação Sensorial de Cafés Torrados, desenvolvido pela associação.

Florada Premiada

O Concurso Florada Premiada 2025, promovido pelo Grupo 3corações em parceria com a BSCA (Associação Brasileira de Cafés Especiais), reconhece as melhores produtoras de cafés especiais do Brasil. Na cerimônia de premiação que aconteceu pela manhã, o 1º lugar da categoria arábica (via úmida) ficou com Ângela Maria da Costa Oliveira, do Sítio Pedro Varinhas, em Manhuaçu (MG), e o 1º lugar da categoria arábica (via seca) com Amanda Evaristo Lacerda, da Forquilha do Rio, em Espera Feliz (MG). Na categoria canéfora, arrebanhou o prêmio Angela Maria Pessoa, do Café Sauá (Seringueiras, Rondônia). O concurso, que está em sua 8ª edição, valoriza o trabalho das mulheres na cafeicultura, promovendo a qualidade e a sustentabilidade na produção de cafés especiais.

Amanda Lacerda, do Sítio Forquilha do Rio, vencedora da categoria arábica (via seca)

Campeonatos Brasileiros de Barismo

A SIC também foi palco de três modalidades dos Campeonatos Brasileiros de Barismo: Barista, Latte Art e Coffee in Good Spirits. As apresentações aconteceram nos três dias de evento e, ao final do último, foram anunciados os campeões que representarão o Brasil nos Mundiais em 2026.

Na Brasileiro de Barista, o vencedor foi Daniel Vaz, da Five Roasters, do Rio de Janeiro (RJ). Ele, que levou o primeiro lugar em 2023 e o segundo em 2024, dividiu o pódio este ano com Gabriel Neiva, que ficou na segunda colocação, e Israela Gonçalves, que terminou em terceiro.

Pódio do Campeonato Brasileiro de Barista 2025

Na categoria Latte Art, o campeão também foi um nome conhecido: Eduardo Olímpio, da Naveia, de Curitiba (PR), que venceu a competição pela primeira vez em 2023. O segundo lugar foi para Tiago Rocha, da Naveia, de Curitiba (PR), e o terceiro para Gabriel Zanotelli, da Baden Torrefação, de Porto Alegre (RS).

No Coffee in Good Spirits, que avalia os melhores drinques alcoólicos com café, o bartender e barista Leo Oliva, de Curitiba (PR), sagrou-se bicampeão. Na sequência vieram Gustavo Leal, na segunda posição, e Gabriel Guimarães, da Unique Cafés, de São Lourenço (MG), em terceiro.

A Semana Internacional do Café (SIC) é uma realização Espresso&CO, Sistema Faemg Senar, Sebrae e Codemge, com apoio institucional do Sistema Ocemg. Conta com patrocínio diamante de 3corações Rituais, patrocínio ouro Anysort, Sicoob e Senac em Minas e patrocínio bronze de Nescafé, União e Yara. Apoio de ABIC, Abrasel, IWCA Brasil, BSCA, Cafés do Brasil, Cecafé, Ministério da Agricultura e Pecuária do Governo Federal, Sindicafé-MG. A Revista Espresso e o CaféPoint são as mídias oficiais.

FOTO NITRO/Semana Internacional do Café