Cafeteria & Afins

Coar Cafeteria – Foz do Iguaçu (PR)

Não é só a beleza natural que atrai turistas do mundo inteiro à Foz do Iguaçu. A cidade, que abriga um dos 23 patrimônios naturais da humanidade no Brasil – o Parque Nacional do Iguaçu e suas belas Cataratas – também é casa para uma grande comunidade árabe e muçulmana, somando mais de 20 mil pessoas. O local conta com uma das maiores mesquitas da América Latina, a Omar Ibn Al-Khattab, que é marco da comunidade na tríplice fronteira.

Majida Rahall é muçulmana e proprietária da Coar Cafeteria, lugar em que escolhemos fazer uma visita durante breve passagem pela cidade. Localizada na região central, a cafeteria possui fachada simples, rústica e convidativa, com tijolinhos à vista e pintura branca com detalhes em verde.

Do lado de dentro, possui salão amplo com decoração mínima: piso e móveis de madeira, algumas fotografias na parede e uma grande oferta de mesas, que traz um tom acolhedor, principalmente para quem trabalha de maneira remota e prefere o conforto de uma cafeteria para se estabelecer durante o dia. O balcão de pedidos e pagamento, localizado à esquerda de quem entra, também é vitrine para os doces e salgados feitos artesanalmente na casa, que chamam muita atenção. Ali também são preparados os cafés e finalizados os pratos. 

Ao escolhermos uma mesa, um atendente simpático e solícito já nos entregou os cardápios para fazermos a escolha dos itens. As opções de bebidas vão de cafés e chás quentes a cafés gelados, sucos e refrigerantes. As comidas são um show à parte, com sanduíches e toasts com pão feito na casa, além das tortas, bolos e cookies. 

No cardápio, não há clareza na comunicação dos cafés, sem indicação da origem, torra, produtor e outras informações. Para quem aprecia o universo dos cafés especiais, certamente é algo que faz muita falta. Optamos, então, por um coado na V60, que já chega pronto à mesa e entrega um dulçor acentuado com notas de caramelo, acidez baixa e corpo médio, fácil de beber. Experimentamos também o cappuccino tradicional, que estava cremoso e muito bem vaporizado. 

A pedida para acompanhar os cafés foi uma toast de cogumelos com cream cheese e zaatar, uma fatia de torta de maçã e uma de torta de pistache, mascarpone e chocolate, ambas indicações da atendente. 

A toast, servida num pão de campanha feito na casa, estava muito bem equilibrada, com os cogumelos caramelizados e o toque herbal do zaatar unidos pela cremosidade do cream cheese. O pão era crocante e macio ao mesmo tempo. A torta de maçã surpreendeu pela quantidade abundante da fruta em sua preparação, mas a massa era um pouco pálida e macia demais – sentimos falta de uma crocância para contrastar com o recheio. Já a torta de pistache e mascarpone entregou não só visual, mas muito sabor. O chocolate não roubou a cena, e você conseguia apreciar cada um dos três sabores, mesmo sendo todos marcantes. Não era muito doce e foi uma grata surpresa, combinando perfeitamente com o café coado. 

Torta de maçã e torta de pistache

As porções servidas no local são para lá de generosas, sendo possível compartilhar com uma ou mais pessoas. Aliás, a cafeteria é o lugar perfeito para pedir três ou quatro opções e dividir com uma mesa cheia de amigos. A casa também oferece brunch árabe aos sábados e domingos – mas esse ficará para uma próxima visita.

A Coar Cafeteria é um destino bacana para quem busca bons cafés para além do rigor técnico. Aqui, a experiência é construída ao redor da mesa, com acolhimento e identidade. O espaço encontra sua força no conjunto – boa comida, café que agrada com facilidade e um ambiente genuinamente hospitaleiro. No centro de Foz do Iguaçu, o endereço encontra seu lugar naquilo que entrega de forma simples e honesta: o prazer de estar à mesa. 

Nossa conta: R$ 102 (com taxa de serviço)
Café coado – R$ 15
Cappuccino – R$ 14
Toast de cogumelos – R$ 26
Torta de maçã – R$ 18
Torta de pistache e mascarpone – R$ 20

A Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Barista

Juliana Morgado defende o Brasil no mundial de filtrado: “Vão ver como é o nosso café e a força das mulheres”

Única mulher entre os seis finalistas da competição nacional, a barista de Brasília se prepara para o mundial da categoria na Bélgica

“Acordo todo dia de manhã e vou olhar minha prateleira pra ver se é verdade”, conta Juliana Morgado à Espresso sobre sua vitória no Campeonato Brasileiro de Brewers no último dia 26.

Única mulher entre os seis finalistas, a barista de Brasília segue em ritmo de treinamento para representar o Brasil no mundial, que acontece de 25 a 27 de junho em Bruxelas, na Bélgica. 

Em entrevista exclusiva, Juliana relembra sua trajetória no café, reflete sobre os desafios da profissão e comenta os planos para o futuro e as expectativas para o mundial. “Quero mostrar que o café brasileiro é mais do que castanha, caramelo, chocolate e torra escura para espresso”. 

Espresso: Conte um pouco sobre sua trajetória no café – experiências, conquistas e desafios.

Juliana: Faz oito anos que estou no café, comecei como barista. Antes, trabalhei sete anos como assessora de imprensa. Saí de um trabalho que estava me fazendo mal, e, como tinha um curso de barista, comecei a trabalhar com isso e me apaixonei. Igual à Alice, caí no buraco do coelho, no mundo do café especial, e a curiosidade foi me levando. Como sempre fui estudiosa, acho natural querer ampliar conhecimento. Acho que foi isso o que fez minha carreira deslanchar e é o que eu digo a todos os baristas com quem convivo: se você estuda, se dedica com compromisso e consistência, consegue melhorar a vida de ser barista. Meu grande desafio é o de todo mundo – ser barista e ter perspectiva de crescimento, não apenas ficar na cafeteria fazendo café. 

Trabalhei em cafeterias em Brasília. O café que usei no campeonato foi selecionado e torrado pelo Rodrigo, da Studio Grão, onde trabalhei quatro anos. Íamos atrás de lotes incríveis de produtores muito pequenos, ou, às vezes, um pouco maiores, mas com alguma saca maravilhosa difícil de vender  – ninguém quer pagar frete de uma saca só. Mas a gente ia lá, para mostrar que o Brasil tem jóias a serem lapidadas.

E: O que significa ganhar o título de Campeã Brasileira de Brewers?

J: Foi incrível. Acordo toda manhã e vou olhar minha prateleira pra ver se é verdade. Bato no troféu e sigo o dia. Eu sabia que eu iria bem porque estava me esforçando muito e tinha um café realmente muito bom. Já fui com o pensamento de que iria ganhar, porque é competição e você tem que dar o seu melhor. Quando anunciaram meu nome, caí de joelhos, porque é a chancela de todo o meu esforço, de oito anos de barismo, de anos ensinando. Sou instrutora, consultora, ajudo a abrir cafeterias. Trabalho como barista parceira da 3corações visitando lugares com cafés de todos os tipos. Amo não só cafés especiais, por isso fiquei em êxtase. Acredito que consegui representá-lo e, principalmente, as mulheres do café, uma área muito dominada por homens e onde precisamos ganhar espaço. E o mundial é o nosso espaço, o do Brasil, para dizermos que temos cafés incríveis também.

E: De que maneira ganhar este campeonato impacta sua vida profissional?  

J: Agora ela virou de cabeça pra baixo. Com essa visibilidade, consigo colocar meus projetos pra frente. Sempre quis fazer cursos filantrópicos para mulheres e trans em situação de risco. Tem muita gente querendo me ajudar. Mas, antes, quero levar o café brasileiro pra fora e mostrar que somos mais do que castanha, caramelo, chocolate e torra escura para espresso. Porque nas cafeterias lá fora, o Brasil está sempre nessa média. Temos cafés incríveis, florais, frutados, delicados, feitos com esforço e por mãos que querem oferecer uma xícara incrível, uma experiência. É isso quero mostrar. 

E: Como você pretende se preparar para o Mundial e quais são as expectativas em relação a essa disputa?

J: Estou em fase de treinamento, fechando meu discurso em inglês, decidindo se o café vai ser o mesmo ou não. Estamos buscando patrocínio, porque só tenho a minha ida garantida, mas preciso dos meus coachs, de equipamentos e utensílios para treinar e me apresentar. Só o filtro de papel que uso custa R$ 10. Nos denominamos uma seleção brasileira de barismo, pois não vou representar uma marca, mas o Brasil. Então, aceitamos ajuda de que quem tiver interesse em ajudar a marca Brasil. Minha expectativa é de que vamos ganhar, e vocês vão ver como é o café do Brasil e a força das mulheres.

E: Quais os planos para o futuro? Pretende competir novamente?

J: Claro. Esse ano vou ao Campeonato Brasileiro de Barista e, ano que vem, ao de brewers de novo. E de barista de novo. E mundial de novo – se der. Gosto disso.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Barista

Campeonatos de café movimentam a semana no Brasil e na Tailândia

Disputas de torra, em Varginha (MG), e de degustação, em Bangcoc, reúnem profissionais; mineiro Jacques Carneiro representa o país no mundial de cupping

*Post atualizado em 7 de maio, às 17h30.

A cena do café especial entra em ebulição nesta semana com dois campeonatos de peso — um no Brasil, outro no circuito internacional. De um lado, o Campeonato Brasileiro de Torra, que começa nesta quarta-feira (6) e segue até sexta (8), em Varginha (MG). De outro, o World Cup Tasters Championship, que reúne degustadores de 44 países entre quinta (7) e sábado (9), em Bangcoc, na Tailândia.

O Brasil será representado pelo mineiro Jacques Carneiro na disputa internacional, realizada durante o World of Coffee Bangkok 2026. Cofundador e diretor de Inovação e Qualidade da Unique Cafés Especiais, atua há mais de 20 anos no setor. Participa do mundial pela segunda vez — em 2007, foi 3º colocado em competição internacional de degustação.

Sobre a preparação para o mundial, Carneiro conta à Espresso que treinou diariamente no laboratório da Unique, testando tipos de triangulações e variando granulometrias. “A estratégia é sempre acertar mais em menos tempo, mas vou observar na primeiro rodada como está o nível de acerto e tempo dos competidores antes de mim, e se os acertos forem muito altos, vou precisar acelerar mesmo correndo o risco do erro, mas como estratégia pra tentar passar pra próxima. Agora, se o nível de acerto for médio, vou na paciência e esqueço o tempo para tentar o máximo de acerto para passar para próxima”, comenta.

Jacques Carneiro no Campeonato Brasileiro de Cup Tasters 2026

O mundial de cup tasters premia o degustador que demonstra maior precisão, velocidade e consistência na identificação de diferenças sensoriais em cafés especiais. Na prova, os competidores enfrentam séries de triangulações — três xícaras servidas, sendo duas com cafés idênticos e uma diferente. Cada rodada reúne oito triangulações, e o objetivo é apontar corretamente a xícara distinta no menor tempo possível, usando olfato, paladar e memória sensorial.

A edição deste ano reflete uma mudança mais ampla no circuito internacional do café. Ao levar o campeonato para a Ásia, a Specialty Coffee Association reforça a descentralização do setor e acompanha o crescimento da região como polo consumidor e produtor. Além da disputa em si, o Cup Tasters tem sido, na opinião de especialistas, cada vez mais usado como referência de calibração sensorial na indústria, influenciando desde o treinamento de equipes até processos de compra e controle de qualidade de cafés.

No Brasil, o Campeonato Brasileiro de Torra abre a programação nesta quarta (6), no Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG), em Varginha. O vencedor será conhecido na sexta (8) e garantirá vaga no World Coffee Roasting Championship, que acontece entre 25 e 27 de junho, em Bruxelas, na Bélgica.

Ao todo, 14 competidores de 13 cidades participam da disputa nacional. O campeonato avalia o desempenho com base no perfil sensorial do café apresentado, premiando quem melhor reproduz, na xícara, o plano de torra previamente submetido ao júri. O café oficial é da cooperativa Minasul, e os torradores utilizados são da marca Kaleido.

Competidores do Campeonato Brasileiro de Torra

Breno Azevedo de Oliveira – Rio de Janeiro (RJ)
Fabio Milan Pereira – Machado (MG)
Flavio Camargos Lopes da Silva – Salvador (BA)
Franciele Cristina da Silva Moreira – Varginha (MG)
Gabriel Carvalhaes Heinerici – Rio de Janeiro (RJ)
Ivan Carlos de Santana – Cabo Verde (MG)
João Santarosa Esmanhoto – Florianópolis (SC)
Johann Schelck Emmerich – Belo Horizonte (MG)
Nicholas Eloy Delfino Lara – Curitiba (PR)
Pedro Henrique Figueiredo dos Anjos – Brasília (DF)
Reginaldo Gonçalves Gomes – Uberaba (MG)
Rhuan Simil Fernandes – Patrocínio (MG)
Robson Rodrigues Ribeiro – Carmo de Minas (MG)
Tiago de Mello – São Paulo (SP)

World Cup Tasters Championship
Onde: Bangkok International Trade & Exhibition Centre
Quando: 7/5 (11h–17h, primeira rodada); 8/5 (10h30–15h, quartas de final e semifinais); 9/5 (12h30–14h, final)

Campeonato Brasileiro de Torra
Onde: Centro do Comércio de Café do Estado de Minas Gerais (CCCMG) – Varginha (MG)
Quando: 6/5 (10h–15h10); 7/5 (8h–15h15); 8/5 (9h–16h30)

TEXTO Redação

Mercado

Nestlé confirma venda da Blue Bottle para acionária da Luckin Coffee

Estratégia faz parte de de reposicionamento da empresa em negócios escaláveis e café, com redução do portfólio e corte de empregos

A Nestlé confirmou a venda da Blue Bottle Coffee para a Centurium Capital Partners, empresa de private equity chinesa e maior acionista da Luckin Coffee. O valor da venda não foi divulgado, e o negócio está previsto para ser concluído neste primeiro semestre, conforme anúncio da multinacional divulgado em seu relatório de vendas trimestrais no fim de abril.

A Nestlé adquiriu participação majoritária na Blue Bottle Coffee em 2017 por cerca de US$ 425 milhões, mas a expectativa do mercado é de que o valor desta próxima venda seja bem menor do que os US$ 700 milhões que a Blue Bottle vale atualmente – especialistas arriscam US$ 400 milhões. 

Notícias recentes informam que a transação inclui os cafés da Blue Bottle e a maior parte de seu negócio em bens de consumo, enquanto a Nestlé manterá direitos sobre as cápsulas da marca.

A venda da Blue Bottle Coffee, com mais de 100 lojas nos EUA e na Ásia, é parte da estratégia de reestruturação da Nestlé, que inclui a redução do portfólio e o foco em marcas globais de maior alcance, particularmente no setor de café, onde Nescafé e Nespresso impulsionam seu crescimento. 

No ano passado, o conglomerado suíço revisou, por exemplo, suas marcas de vitaminas, como a Puritan’s Pride, e, em fevereiro, anunciou sua saída do mercado de sorvetes, e, parcialmente, do negócio de água engarrafada – são dela as marcas Perrier e San Pellegrino, cujo acordo de vendas gira em torno de US$ 5,75 bilhões, segundo informou a Reuters.

A maior empresa de alimentos do mundo também planeja reduzir custos. Em outubro de 2025, o CEO da Nestlé, Philipp Navratil, anunciou o corte de 16 mil empregos como parte de um plano para reestruturá-la. Dias atrás, o sindicato britânico GMB afirmou o corte de 450 empregos no Reino Unido.

O café, porém, continua sendo uma área importante para a Nestlé. Mesmo com queda de 5,7% nas vendas no primeiro trimestre do ano em relação a 2025, a categoria registrou vendas de US$ 7,6 bilhões no período, um valor considerado estável em comparação ao mesmo período do ano anterior, e cresceu 9,3%, superando os demais segmentos. 

O plano de reestruturação concentra-se em quatro pilares principais — café, cuidados com animais de estimação, nutrição e alimentos e snacks. 

Expansão nos EUA

Criada em 2017, a Luckin acaba de abrir, em fevereiro, sua loja número 30 mil, em Shenzen, na China, onde está presente em mais de 300 cidades, além de ter unidades em Singapura, Malásia, Hong Kong e Estados Unidos.  

A transação, portanto, reforça a presença da Centurium na América do Norte, onde existem mais de 70 unidades da Blue Bottle. A aceleração de crescimento da Luckin é atribuída à entrada da Centurium no negócio, em 2022. Uma das novidades recentes é a abertura de um centro de torrefação da rede na cidade chinesa de Qingdao, considerado o maior do país.

TEXTO Fontes: CNN, Reuters, Perfect Daily Grind, Daily Coffee News, Los Angeles Times, FoodNavigator.

Mercado

Café especial ganha força na França e muda reputação histórica do país

Em um país de tradições culinárias e culturais mundialmente famosas, a qualidade do café costuma ser notícia na França — mas, muitas vezes, pelas razões erradas. Porém, os tempos estão mudando. A 5thWave conversou com a nova geração de artesãos que está aproveitando a profunda herança francesa de gastronomia, terroir e savoir-faire para inaugurar uma nova era de excelência no café especial.

Por Tobias Pearce

Poucas coisas são tão importantes para os franceses quanto a excelência culinária – tanto que, em 2010, a gastronomia francesa e suas tradições foram reconhecidas como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. Mas, em um país onde a alta gastronomia é tratada como arte, o café costuma ser uma decepção amarga.

A cultura dos cafés na França pode até ser lendária, mas, como explica Christophe Servell, fundador da inovadora cafeteria e torrefação parisiense Terres de Café, “os franceses não estão acostumados com café bom, mas com café queimado”. Mesmo assim, os tempos estão mudando, e a França está desenvolvendo rapidamente uma abordagem única para o café especial, guiada por sua profunda conexão cultural com a terra, a agronomia e os métodos artesanais de produção.

Inaugurada em 2009, a Terres de Café pertence a uma das primeiras comunidades de negócios voltadas ao café especial – juntamente com Coutume, L’Arbre à Café e Lomi – que desafiaram o status quo do espresso de baixa qualidade servido como mero complemento da refeição.

Fundamentada nos princípios da gastronomia, do terroir, do respeito ao produto e da expertise, a Terres de Café torra cerca de 350 toneladas de café especial por ano e opera 11 lojas em Paris, além de unidades em Lille, Versalhes e até Seul, na Coreia do Sul. O negócio evoluiu bastante desde 2009, quando “não havia mercado para café especial na França”, recorda Servell.

A ascensão do café especial no país acontece em um momento em que muitos dos tradicionais estabelecimentos de hospitalidade franceses estão em declínio. “Assim como os pubs britânicos ou os diners americanos, há uma verdadeira crise dos cafés em Paris, onde dez novas cafeterias abrem enquanto dez cafés tradicionais fecham”, observa ele.

Estima-se que nos últimos 25 anos Paris tenha perdido cerca de 500 cafés e bistrôs tradicionais, restando hoje algo como 1.400 desses estabelecimentos. Esse encolhimento se deve, em parte, à mudança nas expectativas dos consumidores franceses, cada vez mais críticos quanto à preferência nacional por cafés commodities de torra escura. “O espresso sempre fez parte da refeição francesa, mas era mais por seu suposto efeito revigorante do que por prazer. Isso fez com que o café fosse subvalorizado como parte da experiência gastronômica”, afirma o australiano Tom Clark, fundador do grupo de cafeterias parisiense Coutume.

Ofício e precisão: latte art na Terres de Café

Clark apaixonou-se por Paris e por sua mundialmente famosa cultura de cafés quando era estudante de intercâmbio em direito. Mas logo percebeu que o café da cidade não tinha a joie de vivre (alegria de viver) à qual ele estava acostumado em casa. “Até pouco tempo, não havia propriamente uma cena de cafés na França. Não existia a noção de complexidade sensorial ou de diversidade”, diz ele.

A Coutume, que significa “costume” ou “hábito”, foi a primeira em Paris a instalar uma torrefação de cafés especiais no interior de uma loja de varejo ao abrir suas portas em 2011. Para mostrar como o mercado evoluiu, hoje cerca de 45% da receita da Coutume vem de 350 contas de food service, incluindo fornecimento de máquinas e manutenção, e o restante é gerado por suas dez cafeterias. “Saímos de um conceito de nicho, talvez um pouco estranho e anglófono, para algo plenamente adotado – ao menos em Paris”, afirma Clark.

Responsável por cerca de três quartos de todo o café especial vendido na França, a Belco – empresa que comercializa cafés sustentáveis e biodinâmicos – é outro nome que tem reconfigurado a relação dos franceses com o café. Fundada em 2007 por Nicolas e Alexandre Bellangé, a Belco produziu 6 mil toneladas de cafés com alta pontuação em 2024, sendo que cerca de 70% se destinam ao mercado francês e os 30% restantes são exportados para a Europa e o Oriente Médio.

Os negócios vão bem, mas conquistar o público francês não foi tarefa simples. “Os franceses têm muito orgulho de sua comida e da agricultura, mas nem sempre estão abertos à mudança. Leva tempo para mudar mentalidades, mas o café especial na França hoje é mais do que um nicho”, diz Laure Jubert, diretora de relações estratégicas e experiências de produto da Belco.

Esse sentimento é compartilhado por Line Cosmidis, diretora de vendas de cafés especiais da britânica Falcon Coffees. Francesa radicada no Reino Unido, ela observa que, ironicamente, a forte tradição de consumo da bebida na França pode ter dificultado a valorização do produto. “A França é um país com cultura de café, enquanto o Reino Unido sempre foi mais voltado ao chá. Como o café já era um pilar cultural do país, mudar hábitos levou mais tempo – um pouco como acontece no mercado italiano”, afirma.

Ainda assim, com a mudança de mentalidade, especialmente entre consumidores mais jovens, Cosmidis diz que a França é hoje um dos mercados que mais crescem para a Falcon, com sede no Reino Unido. “Agora há mais ênfase no produto em si, e não apenas no contexto social em torno do café”, conclui.

Antigas tradições, novas tendências

Embora historicamente alguns elementos da tradicional culinária francesa possam ter limitado a adoção do café especial, muitos chefs e donos de restaurantes do país estão adotando novas maneiras de servir a bebida.

Quando Servell abriu sua primeira cafeteria em Le Marais, a demanda inicial foi baixa entre os consumidores, para quem o café especial era um conceito desconhecido. A Terres de Café começou como fornecedora do grão para restaurantes parisienses, mas hoje o maior canal de distribuição do negócio é o fornecimento de café para escritórios, seguido por hotéis, com os restaurantes representando uma parcela importante porém bem menor do negócio. De fato, 60% do volume de vendas da Terres de Café são para clientes B2B. “Entre os primeiros a entender a mensagem estavam os chefs e donos de restaurantes em Paris – é graças a eles que o café ainda está vivo”, acredita.

A trajetória do café especial na França também é profundamente influenciada por outra obsessão nacional: o vinho. Para Hippolyte Courty, fundador da L’Arbre à Café, com sede em Paris, as sinergias entre café especial e vinho despertaram uma nova paixão pela torrefação artesanal e pelo terroir. “O café especial é como o vinho – o sabor vem da agricultura”, afirma Courty, explicando porque o terroir e a agricultura são fundamentais para a missão da L’Arbre de criar uma “nova arte francesa do café” baseada no equilíbrio, na complexidade e em um retrogosto longo e fresco – assim como o vinho.

À esquerda, Hippolyte Courty com as sommelières Paz Levinson e Pascaline Lepeltier na Finca Mariposa, do L’Arbre à Café, no Peru. À direita, preparo de café coado na L’Arbre à Café, em Paris

Atualmente, a L’Arbre opera cinco cafeterias em Paris, administra sua própria fazenda de 35 hectares, a Finca Mariposa, no Peru, e importa diretamente 90% de todo o café que vende, proporcionando uma verdadeira experiência da fazenda à xícara. “Descobri o café especial e decidi fundar a L’Arbre para criar uma torrefação de café orgânico e biodinâmico de alta qualidade. Percebi que havia coisas fabulosas acontecendo com o café nos EUA, Reino Unido, Escandinávia e Austrália – em todos os lugares, exceto na França”, acrescenta Courty.

Assim como a França tornou famosas suas 11 principais regiões vinícolas com o sistema de Denominação de Origem Controlada (AOC, abreviação de Appellation d’Origine Contrôlée, no original), Cosmidis, da Falcon, acredita que há uma tremenda oportunidade para os torrefadores franceses liderarem um novo movimento de café especial focado no terroir.

“Definitivamente, há uma oportunidade para o mercado de café francês se tornar mais internacional”, afirma. “Vinho, culinária, chefs, todas essas coisas pelas quais os franceses são conhecidos estão se infiltrando no mercado de café. Há uma enorme oportunidade que não foi totalmente aproveitada”, afirma.

Ao comparar a uva e o grão, Jubert, da Belco, observa que, embora muitas das principais vinícolas francesas tenham reduzido a produção em meio à queda da demanda doméstica e internacional, aquelas focadas em boas práticas agrícolas e processos naturais são agora as mais bem-sucedidas. Ela acredita que a indústria cafeeira francesa poderia seguir uma trajetória semelhante.

“O café especial tem muitas ligações com o mercado gastronômico. Sommeliers poderiam ser treinados para selecionar um bom café. Acredito que esse seja o futuro, e ele está mais próximo do que imaginamos”, afirma.

Muitos artesãos tornam o trabalho leve

Ao ouvir feedbacks e conversas de clientes em suas cafeterias, Clark observou mudanças nas atitudes dos franceses em relação à bebida. Se a Coutume costumava aplicar uma torra mais escura aos grãos para atrair os hesitantes apreciadores de café especial, atualmente, afirma Clark, sua demanda por café no estilo italiano está diminuindo.

Interior da Coutume, na Galeries Lafayette

“Houve uma mudança radical, e as pessoas agora querem consumir de forma autêntica, em vez de serem afastadas por diferentes condicionamentos e canais de distribuição. Há também um segmento mais amplo em busca de uma experiência de alto nível, disposto a pagar um pouco mais por um nanolote ou uma cofermentação exclusiva”, observa ele.

Courty, da L’Arbre, também vê a diversificação do mercado francês de cafés especiais e a busca dos consumidores por novas experiências. “Há dez, quinze anos, ninguém em Paris queria comer ou beber andando na rua, eles queriam sentar-se à mesa ou no balcão. Agora, vemos pessoas caminhando com copos de café para viagem.”

Essa mudança de mentalidade pode representar uma oportunidade significativa para o considerável mercado de padarias e cafés da França. “A boulangerie e a pâtisserie são uma nova fronteira para o café como um mercado para viagem. Os lanches representam cerca de 30 a 50% dos negócios de padaria atualmente, e as bebidas quentes fazem parte disso”, diz Courty. Um dos maiores clientes atacadistas da L’Arbre é o aclamado pâtissier Pierre Hermé, que agora serve cafés especiais em suas 60 lojas pela Europa e Japão.

Dito isso, quando o assunto é café, Paris ainda tem um longo caminho a percorrer antes de atingir o nível de capitais europeias como Londres e Berlim. Após organizar um tour recente por cafeterias para avaliar a situação do mercado, Courty relata que cerca de cinco dos 30 estabelecimentos visitados por sua equipe serviam o que ele considerou um café especial “muito bom”. “Os outros se concentraram mais no estilo de vida, o que me mostrou que as pessoas não vêm apenas pela qualidade da bebida, mas pela qualidade da experiência completa”, diz ele.

Além da cidade-luz

É evidente que o mercado de café parisiense passa por um período de rápida premiunização, mas será que o café especial conseguirá se infiltrar no restante do país? Para Courty, há sinais encorajadores. “Paris é o epicentro do café especial na França, mas também há crescimento em Bordeaux, Lille e Lyon. Em Limoges, uma cidadezinha no centro do país, um amigo meu abriu uma cafeteria e torrefação de cafés especiais chamada La Fabrique du Café”, conta ele.

Exposição de produtos na loja Terres de Café Daguerre, em Paris

Os locais de trabalho também se tornaram embaixadores improváveis do café ​especial na França, principalmente porque muitos empregadores buscam atrair trabalhadores remotos de volta ao escritório. “O mercado corporativo está passando por uma grande mudança, uma guinada completa, deixando de apostar em cápsulas para apostar em grãos”, diz Clark, cujo empreendimento mais recente é um bem sucedido negócio de café corporativo.

Jubert, da Belco’s, destaca que torrefações de grãos especiais estão ganhando cada vez mais espaço nas prateleiras dos grandes supermercados franceses. Ela também observa uma demanda crescente pelo produto em locais não especializados em todo o país. “Isso já está acontecendo, até mesmo em estações ferroviárias e hotéis. Nos últimos dois anos, também vimos marcas de luxo fazendo colaborações com cafés especiais porque entenderam que ele também é um grande construtor de comunidades”, avalia.

Fabricado na França

Muitos países adotaram o café especial, mas a França está aproveitando suas profundas tradições culturais em torno do terroir e da gastronomia para desenvolver sua própria cultura em torno dos grãos de qualidade. “Os franceses realmente valorizam a experiência gastronômica, faz parte de sua arte de viver. Eles são muito agrários, muito conectados à terra e isso agora se reflete na cultura cafeeira. É um mercado empolgante e há uma enorme oportunidade para nós”, diz Clark, que acredita num crescimento do mercado de especiais de 5% para 25% nos próximos cinco anos.

O café pode ter tido um espaço secundário na experiência gastronômica francesa, mas agora está ocupando seu devido lugar nos mais altos escalões das tradições gastronômicas do país. Incluído no prestigiado concurso Meilleur Ouvrier de France (MOF) desde 2018, o status do café como a mais nova instituição culinária da França parece firmemente garantido.

Texto originalmente publicado na edição #89 (setembro, outubro e novembro de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Tobias Pearce (5THWAVE)

Quantos Marcelos e Antônios são necessários para produzir o café da sua xícara?

Foto: Bruno Conrado

Por Bruno Conrado

Que o café faz parte da vida dos brasileiros, não é novidade. Ainda criança, lembro de tomar as primeiras canecas de café com leite e não gostar nem um pouco — o achocolatado era bem mais saboroso. Na adolescência, passei a tomá-lo puro, sem leite, porque, para mim, era elegante ser visto com um copo americano fumegando nas mãos.

Mas foi durante uma edição do São Paulo Coffee Week, organizado por Flavia Pogliani, do The Little Coffee Shop, que, já adulto, conheci os cafés especiais – e as cervejas artesanais também. Ambos criaram uma explosão de sabores e sensações para meu paladar ainda inexperiente.

Foi na mesma época que resolvi mudar de profissão – e a fotografia, que era um hobby, ocupou o lugar da música e virou sustento. Por conta, talvez, desse meu hiperfoco, comprei Perfume de Sonho, o livro do fotógrafo Sebastião Salgado sobre café. 

Foi questão de tempo para eu decidir fazer o mesmo tipo de trabalho. Assim como ele, quis fotografar colheitas e, de quebra, aprender o que pudesse sobre a pequena fruta.

Foto: Bruno Conrado

Com a ajuda de Samuel, produtor do Café Tequila, visitei desde plantações a perder de vista até pequenos produtores no Sul de Minas Gerais. De moto e mochila nas costas, cruzei as montanhas frias da Mantiqueira, de estradas sinuosas cercadas por araucárias. As seriemas, quando não corriam desengonçadas, pareciam gargalhar da boa vida que levavam ali. 

Em Baependi, cidade de Nhá Chica, a primeira mulher negra brasileira declarada beata pela igreja católica, conheci Antônio e Marcelo, pequenos produtores que compartilham o trabalho com seus familiares. Ali, tudo é feito de maneira simples, totalmente manual – um cenário diferente daquele de fazendas com colheitadeiras ou ônibus para transportar funcionários. Naquele ano, Antônio e Marcelo venderam microlotes para cafeterias de São Paulo. 

Seu Antônio fotografado por Bruno Conrado

Quando voltei para casa, longe daquela beleza bucólica, preparei um coado e estudei as fotos da viagem. Uma delas, inclusive, estampou a embalagem do café do Antônio, vendidos na cafeteria Pato Rei. Mas um detalhe curioso não me saiu da cabeça: aqueles produtores nunca provaram o próprio café. Com o dinheiro que recebiam, compravam o café tradicional extraforte no mercado. O que me intrigava é que eles não sabiam o gosto do que produziam.

No ano seguinte, fui revê-los e descobri que Antônio tinha desistido de plantar café. “O milho vai me dar mais dinheiro”, disse. Então, encontrei Marcelo, que não só seguia trabalhando com café, como tinha aumentado sua produção. “Plantei até no campo de futebol, ninguém mais jogava ali mesmo”, contou ele. 

Assim como fizera com Antônio, pedi para tirar seu retrato. Marcelo sentou-se à mesa e, quando fui bater a primeira foto, ele levantou subitamente, gritando: “Peraí!”. Em seguida, colocou um pacote sobre a mesa. “Mandei torrar e moer meu café. Agora estou vendendo pra turma aqui poder tomar uma coisinha um pouco melhor”, comentou. No retrato, ele aparece orgulhoso com seu café empacotado, segurando um copo do que produziu com a família. 

O produtor Marcelo fotografado por Bruno Conrado

Por conta do trabalho, não voltei a Baependi com a frequência de antes, mas as fotos seguem guardadas com as histórias que conheci por lá. 

Certo dia, perguntei a Samuel como estavam as coisas na região. “Seu Antônio agora planta abacaxi, mas Marcelo segue firme”, atualizou-me. “Ano passado, inclusive, ficou em segundo lugar na premiação da cooperativa para os melhores cafés.”

Por passar por muitos processos, vários produtores acabam vendendo sua produção no beneficiamento e, não chegam a ver o produto final. O café dá muito trabalho. 

Marcelo continua tomando o café que produz e, por conta da alta no preço, agora vende só para a cooperativa. Já Antônio segue tomando o tradicional extraforte – mas, agora, em sua mesa, não falta abacaxi. 

Bruno Conrado (@br.conrado) é fotógrafo profissional. Criou o podcast Sessão de Fotografia, e consolidou-se como retratista. Reconhecido por seu trabalho em retrato e fotografia documental, atuou no mercado comercial com grandes empresas, produções artísticas e podcasts, e já fotografou personalidades do cenário nacional.

TEXTO Bruno Conrado

Cafezal

Exposição itinerante quer mostrar “compromisso e amor” de cafeicultores brasileiros por trás das fotografias

“BRASIS Cafés de Origem” percorre sete cidades produtoras do Sudeste com fotografias das Igs de café do país; degustação e bate-papo com produtores abrem a ação

“BRASIS Cafés de Origem” chega nesta quinta-feira (23) a Carmo do Paranaíba, no Cerrado Mineiro, uma das sete cidades do Sudeste do país a receber a exposição itinerante de fotografias de indicações geográficas de café brasileiras. 

Com o propósito de celebrar o trabalho dos cafeicultores e o valor dos grãos nestas áreas de origem, a mostra, criada em parceria com a Pink Produções, combina imagens do fotógrafo Marcelo Coelho e textos técnicos de Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação de Cafeicultores do Cerrado Mineiro. “A ideia dos textos que acompanham as fotos é explicar os valores e diferenciais de cada região, para promover as nossas Igs de café”, diz Tarabal. 

A exposição reúne cerca de 30 imagens produzidas para o livro A Revolução do Café Brasileiro – Regiões com Indicação Geográfica, e já passou pelas cidades de Franca (SP) e Guaxupé (MG). O próximo destino é Viçosa, nas Matas de Minas, onde permanecerá de 6 a 18 de maio, seguida pelos municípios capixabas Guaçuí, Venda Nova do Imigrante e Linhares.

Em cada cidade, a abertura da mostra inclui degustação de cafés e painel com produtores locais. “Os produtores dão depoimentos de como estão se envolvendo nesse trabalho coletivo de promoção das regiões de origem”, explica Tarabal.

Bem mais do que palavras

Em 2024, ao registrar imagens das então 14 indicações geográficas para o livro A Revolução do Café Brasileiro, lançado na SIC (Semana Internacional do Café) daquele ano, Marcelo Coelho percebeu que o café brasileiro é “uma soma de territórios profundamente distintos” e um vetor “real” de desenvolvimento.

“A cafeicultura leva prosperidade para regiões distantes dos grandes centros, e se conecta com temas contemporâneos importantes, como sustentabilidade ambiental e diversidade humana, refletindo um Brasil plural”, analisa.

A expectativa do fotógrafo é que os visitantes vislumbrem, por trás das paisagens que produziu, histórias de cafeicultores que carregam “gerações de conhecimento e de dedicação”. “Existe ali um nível de compromisso e amor pelo que fazem que é difícil traduzir em palavras”, resume. “Se o visitante sair da exposição enxergando o café como uma expressão cultural, humana e territorial — e entendendo o nível de excelência que o Brasil já alcançou, inclusive com reconhecimento internacional —, então acredito que o trabalho cumpriu seu papel”, acredita ele.

BRASIS Cafés de Origem
Quando: de 23 de abril a 2 de maio (de segunda a sexta-feira, das 7h às 17h)
Onde: Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Lazer e Esporte
Quanto: entrada grátis

TEXTO Redação • FOTO Marcelo Coelho

Barista

Brasileiro de Brewers começa nesta sexta (24) em São Paulo

Campeão garante vaga no World Brewers Cup 2026, na Bélgica, entre 25 e 27 de junho

O Campeonato Brasileiro de Brewers começa nesta sexta-feira (24) e segue até domingo (26) no Mercado Municipal de São Paulo. Organizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a competição reúne 20 baristas para a disputa, e o vencedor representará o Brasil no mundial  em Bruxelas, na Bélica, entre 25 e 27 de junho, durante a edição do World of Coffee no país europeu.

Ao longo dos três dias, os competidores se enfrentam em rodadas eliminatórias que envolvem o preparo de café, em dez minutos, em um método filtrado escolhido pelo competidor. O café, servido em três xícaras, será avaliado por três juízes sensoriais em atributos como aroma, sabor, acidez, corpo e equilíbrio. Um juíz técnico observa execução, organização e precisão no preparo da bebida.

Confira a agenda

 24/04 (sexta-feira)

  • Abertura da arena: 8h30
  • Início das apresentações: 9h30
  • Encerramento do dia: 15h

25/04 (sábado)

  • Abertura da arena: 8h15
  • Início das apresentações: 9h18
  • Término das eliminatórias: 10h30
  • Anúncio dos finalistas: 11h50
  • Início das finais: 13h
  • Encerramento do dia: 17h

26/04 (domingo)

  • Abertura da arena: 8h30
  • Início das apresentações: 9h
  • Premiação: 15h
  • Encerramento: 15h30

Confira os competidores

Anderson Dize Mena (dizeanderson_barista)
Barista, São Paulo/SP

André Phillipe (@theniggaofcoffee)
Ristto Coffee, Rio de Janeiro/RJ

Carol Vieira (@coffeecarol_)
Barista, Curitiba/PR

Daniel Vaz (@Daniel_vaz)
Five Roasters, Rio de Janeiro/RJ

Emerson Nascimento (@emersonbarista1)
Barista, Rio de Janeiro/RJ

Gabriel Agrelli (@gabrielagrelli)
Daterra Coffees e Abigail Coffee Company, Campinas/SP

Guilherme Nunes (@Guiobarista)
Empreendedor, São Paulo/SP

Hugo Silva (@hugosilva.barista)
Sabino Torrefação, São Paulo/SP

Ju Morgado (@ju._morgado)
Barista, Brasília/DF

Juliana Mina (@chuchudalmina)
Royalty, Curitiba/PR

Juliana Sorati (@julianasorati)
Cafeteria Urbana, Campinas/SP

Léo Moço (@eusouleomoco)
Empresário, Curitiba/PR

Lucas Santos (@lucasfellipesantos)
Not Black Coffee, Goiânia/GO

Maurício Maciel (@baristamaciel)
Barista, Patrocínio/MG

Renan Dantas (@barista.nomade)
Oficina do Barista, São Paulo/SP

Rhus Batista (@volante.cafe)
Volante Café, Rio de Janeiro/RJ

Silas Silva (@fala.silas)
DCAE, Salvador/BA

Teo Paes (@pour.teo)
Unique Cafés, Carmo de Minas/MG

Tiago de Mello (@tiagodemelloshow)
Barista, São Paulo/SP

Antonio Neto / Tony (@tony.netobarista)
Buffet 3A, São Paulo/SP

TEXTO Redação

Mercado

No Dia Mundial do Livro, a Espresso indica 5 leituras sobre café

Guia essencial, agora ampliado

A nova edição de The World Atlas of Coffee, feita no fim de 2025, atualiza e enriquece um dos guias mais influentes do café contemporâneo. O barista inglês e campeão mundial James Hoffmann revisa origens, variedades e processamento do grão em mais de 30 países, além de incluir temas recentes como descafeinação e novas regiões produtoras. Estas são, aliás, o diferencial do livro – cada país é abordado a partir de sua história, principais regiões produtoras e variedades, enriquecido com mapa e dados. Com abordagem didática que mantém o rigor técnico, a nova edição acrescenta aos capítulos sobre variedades, processamento, torra e métodos de preparo novidades como descafeinação do café e novas origens (Austrália, Japão e Porto Rico). 

James Hoffmann, The World Atlas of Coffee, editora Mitchell Beazley, 2025 (3ª ed.). A partir de R$ 264, no site da amazon.

 

Como o café virou hábito social no Brasil

Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação, recém-lançado pela editora Alameda, preenche duas lacunas – a falta quase crônica de publicações brasileiras sobre café, especialmente às vésperas do tricentenário comemorativo do cultivo do grão no país, e os ainda poucos estudos sobre história do consumo da bebida. Organizado pelos historiadores Joana Monteleone e Bruno Bortoloto do Carmo, o livro reúne 15 ensaios que percorrem o tema – dos cafés da cidade-luz no século XIX aos botequins e confeitarias do Rio de Janeiro na época do Império, passando pela presença da bebida em livros de receitas e nos hábitos paulistanos oitocentistas e alcançando, até, laboratórios e faculdades de medicina, que investigaram os efeitos da ingestão da bebida. Para quem se interessa por história e quer consumir boa pesquisa acadêmica, o livro é um prato cheio.

Joana Monteleone e Bruno Bortoloto do Carmo (orgs.), Histórias do Café – Consumo, cultura e alimentação, editora Alameda, 2026. R$ 92, no site da Alameda. 

Um retrato visual do café brasileiro

Em Café no Brasil, o fotógrafo Marcos Piffer faz um amplo ensaio fotográfico da presença cotidiana do café no país. São fotos que retratam a lida diária no campo, o cuidado no beneficiamento do grão, o conforto cotidiano simbolizado no bule esquentando no fogão à lenha. Isso sem falar das belezas arquitetônicas erguidas no auge da produção e comércio do café em Santos. O resultado é um livro de forte apelo visual, que documenta a história, a cultura e o território no maior país produtor do mundo. E uma ótima opção para presente. 

Marcos Piffer, Café no Brasil, editora Solaris, 2015.  R$ 39, no site Sebo Virtual.

Um olhar sobre a qualidade

Outra referência global em café, o barista norueguês Tim Wendelboe reúne no livro uma síntese de sua experiência com cafés especiais, sob um olhar rigoroso e pessoal. Dicas sobre equipamentos, serviço e compra de grãos integram o conteúdo, construído a partir de mais de duas décadas de visitas a países produtores e à frente de sua Coffee Roastery & Espresso Bar, em Oslo. Receitas de drinques e comidas também são compartilhadas no livro, publicado em português pela Café Editora. Leitura-chave para iniciantes.

Tim Wendelboe, Coffee with Tim Wendelboe, Café Editora, 2019 (ed. brasileira). R$ 30, no site Café Store.

Café em HQ

Saindo do formato tradicional, Kophee leva o universo do café para as histórias em quadrinhos. Escrito pelo quadrinista, ilustrador e barista Guilherme Match, em parceria com a designer Gabê Almeida, acompanha os personagens Ink e Maki na cafeteria Mono — um dos poucos espaços que ainda servem café de verdade em uma cidade dominada por vending machines. Publicado pela Editora JBC, o volume de 192 páginas inclui, ao final, receitas de preparo assinadas por profissionais do café.

Guilherme Match e Gabê Almeida, Kophee, Editora JBC, 2022. Na Amazon, por R$ 40,44.

TEXTO Redação

Cafezal

Empresas de café lançam programa para rastrear desmatamento

Sistema usa satélite e IA para mapear lavouras e evitar desmatamento, em resposta às exigências da União Europeia que podem restringir exportações de café

Empresas e comerciantes de café estão lançando um novo sistema para rastrear o desmatamento relacionado ao cultivo de café em todo o mundo. A informação é da JDE Peet’s, uma das companhias participantes, em um comunicado feito nesta quarta-feira (22), segundo a Reuters.

O programa Coffee Canopy Partnership usará imagens de satélite fornecidas pela Airbus, combinadas a modelos de inteligência artificial, para mapear fazendas de café e identificar áreas de perda florestal nas proximidades delas.

De acordo com comunicado publicado hoje no site da Tchibo, uma das empresas participantes do programa, a ação, que inclui também verificação in loco, vai gerar dois conjuntos de dados: um mapa de referência para 2020/2021, que distingue os sistemas agroflorestais de café da floresta natural, e um mapa atualizado para 2024/2025 para destacar as mudanças ocorridas desde 2020. Os dois conjuntos de dados serão integrados a uma plataforma aberta de geodados.

Segundo a JDE Peet’s, o objetivo é identificar corretamente a paisagem e trabalhar com governos e comunidades locais para restaurar as florestas e evitar futuros desmatamentos.

Além da Tchibo e da JDE Peet’s, participam do programa operadores de commodities Louis Dreyfus Company, Sucden, Neumann Kaffee Gruppe, Touton e Sucafina.

O sistema terá como alvo inicial a África Oriental – abrangendo a Etiópia, Tanzânia, Quênia, Uganda, Burundi e Ruanda, com o objetivo, segundo as empresas, de alcançar a cobertura mundial de todas as regiões produtoras de café em 2027.

De acordo com a Regulamentação sobre Desmatamento da UE – que deve entrar em vigor em 30 de dezembro para grandes corporações e em 30 de junho de 2027 para micro e pequenas empresas –, o café cultivado em terras classificadas como floresta após dezembro de 2020 não poderá entrar nos mercados da UE.

“Isso ameaça excluir milhões de pequenos agricultores dos principais mercados, apesar de suas práticas agrícolas sustentáveis, simplesmente porque os mapas existentes classificam incorretamente suas terras de produção de café agroflorestal ou cultivadas à sombra como floresta”, disse o comunicado da JDE Peet’s.

A empresa acrescentou que a iniciativa vai cobrir “a falta histórica de dados de mapeamento precisos, que frequentemente resultou em fazendas de café sendo identificadas erroneamente como floresta natural”.

Segundo as empresas, o sistema estará aberto à consulta de agricultores, governos e do setor cafeeiro.

TEXTO Fonte: Reuters