Mercado

Café da Califórnia estreia em leilão internacional e amplia mapa da produção nos Estados Unidos

Leilão em Dubai também incluiu dois microlotes da brasileira Daterra Coffee

Quando se fala em produção de café nos Estados Unidos, a região de Kona, no Havaí, é a principal referência. Mas, ainda que em pequena escala, o país começa a desenhar uma nova fronteira cafeeira no território continental. Prova disso foi a primeira participação de um café cultivado na Califórnia em um leilão internacional, realizado no âmbito do World of Coffee Dubai 2026, cuja quinta edição ocorreu entre 18 e 20 de janeiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

O leilão reuniu lotes de 13 origens produtoras e movimentou cerca de US$ 67,9 mil, com mais de 1,3 mil lances de compradores de cafés especiais de todo o mundo. Entre nomes consagrados, como a panamenha Hacienda La Esmeralda, estreou um lote de 20 kg de gesha lavado da Frinj Coffee, em Ventura, na costa da Califórnia. Cultivado no rancho Condor Ridge, nas colinas de Santa Bárbara, o café foi arrematado por US$ 256 o quilo.

O café californiano dividiu espaço com um lote da variedade SL34 lavado anaeróbico da Kona Farm Direct, localizada nas encostas do vulcão Monte Hualalai, no Havaí, indicando o potencial de qualidade do café especial norte-americano, cujo cultivo já não se restringe ao arquipélago havaiano. O lote, de 12 kg, foi vendido a US$ 150 por quilo.

Além da novidade americana, o leilão incluiu dois cafés brasileiros da Daterra Coffee, de Patrocínio (MG). Um dos lotes, de 12 kg, foi um natural anaeróbico (62 horas) da variedade guarani — exclusiva da Daterra e resultado de seleção de plantas da variedade aramosa em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) — vendido a US$ 100 por quilo. O outro lote, também de 12 kg, foi um laurina natural anaeróbico, arrematado por US$ 107 por quilo.

TEXTO Redação

Mercado

Exportações brasileiras batem recorde, com US$ 15,6 bilhões em 2025

Mesmo com queda de 20,8% no volume embarcado, preços elevados garantiram receita histórica ao café brasileiro; tarifaço dos EUA e menor oferta marcam o cenário de 2025

O Brasil encerrou 2025 com receita cambial recorde de US$ 15,586 bilhões nas exportações de café, um avanço de 24,1% em relação a 2024, apesar da forte queda de 20,8% no volume embarcado, que somou 40,049 milhões de sacas. Os dados constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado na segunda-feira (19).

Segundo o Cecafé, o resultado reflete um ano marcado por menor disponibilidade de café após os embarques recordes de 2024, impactos climáticos sobre a safra e efeitos diretos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A entidade avalia que a recuperação das perdas financeiras causadas tanto pelas tarifas quanto pelo cancelamento ou redução de compras por outros países importadores pode ocorrer apenas na próxima safra.

Principais destinos: Alemanha assume liderança

A Alemanha tornou-se o principal destino do café brasileiro em 2025, ultrapassando os Estados Unidos, tradicional líder do ranking. O país europeu importou 5,409 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total embarcado, embora com queda de 28,8% em relação a 2024.

Principais destinos do café brasileiro em 2025

Entre os dez maiores compradores, apenas três países ampliaram suas compras em 2025: Japão, Turquia (6ª posição), com 1,555 milhão de sacas (+3,3%) e China (10ª posição), com 1,123 milhão de sacas (+19,5%). Segundo o Cecafé, o maior volume adquirido pelo Japão refere-se à recomposição de seus estoques. Já a Turquia fez compras tanto para abastecer o mercado interno quanto para fornecer a países vizinhos.

Cafés diferenciados: menos volume, mais valor

Os cafés diferenciados brasileiros — com certificações de práticas sustentáveis, qualidade superior ou perfil especial — somaram 8,145 milhões de sacas exportadas em 2025, respondendo por 20,3% do total embarcado. O volume foi 10,9% menor do que em 2024, acompanhando a retração geral das exportações brasileiras.

Em valor, porém, o desempenho foi positivo: os embarques desses cafés geraram US$ 3,525 bilhões, o equivalente a 22,6% da receita total – com alta de 39,1% na comparação anual, impulsionada pelos preços médios mais elevados.

Principais destinos dos cafés diferenciados em 2025

Europa segue como mercado-chave

A Europa manteve-se como principal destino do café brasileiro, absorvendo 20,18 milhões de sacas em 2025, o equivalente a 50,4% do volume total exportado. Em receita, os embarques ao continente somaram US$ 8,133 bilhões.

“É um mercado fundamental, e num contexto geopolítico muito forte”, afirmou Marcos Matos, diretor-técnico do Cecafé, em coletiva à imprensa na segunda-feira (19), ao destacar a relevância estratégica do bloco europeu para o café brasileiro.

No médio prazo, o Cecafé avalia que o acordo Mercosul–União Europeia tende a reforçar essa importância, especialmente para os cafés industrializados. Pelo tratado, o café solúvel brasileiro terá desagravação tarifária gradual até zerar em quatro anos, o que colocará o Brasil em igualdade de competitividade com o Vietnã no mercado europeu.

Café solúvel: tarifa mantida nos EUA aprofunda perdas

Apesar do avanço do acordo com a UE, o café solúvel brasileiro segue enfrentando entraves nos Estados Unidos. O relatório do Cecafé destaca que a vigência do tarifaço fez com que os embarques do produto aos EUA caíssem 55% até novembro. 

FOTO Agência Ophelia

Cafezal

Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte II

Consumo interno e instantâneo em alta

O Vietnã é um dos mercados consumidores que mais cresce no Sudeste Asiático. A previsão de especialistas é que o consumo interno de café cresça a uma taxa média anual de 6,6% até 2030.

Segundo relatório de dezembro do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2025 foram consumidas 4,9 milhões de sacas de café (3 kg per capita por ano), contra 4,2 milhões em 2023. O aumento reflete, segundo o relatório, o crescimento do número de cafeterias instaladas no país, da renda e de jovens em áreas urbanas interessados em novas experiências.

Estilos de vida agitado e jornadas de trabalho mais longas têm impulsionado a demanda por café instantâneo, reforça a USDA. O órgão norte-americano refere-se a um estudo, feito pela Knowledge Sourcing Intelligence, que projeta que o mercado de café instantâneo vietnamita deve crescer a uma taxa composta de crescimento anual (CAGR) de 12%, totalizando US$ 731 milhões até 2028.

A Tridge, plataforma internacional de inteligência de mercado agrícola, reforça que a rápida expansão global deste mercado reflete-se nos preços médios de exportação: em 2023, eles variaram de US$ 5,80 a US$ 11,85 por quilo; em 2024, saltaram para a faixa de US$ 6,70 a US$ 16,15 por quilo, impulsionados, entre outros fatores, pela expansão das indústrias locais.

Em análise de 4 de dezembro do Vietnam Investment Review (VIR), principal jornal de negócios em língua inglesa do Vietnã, o café processado é, atualmente, o “motor fundamental de crescimento” do país. Até meados de novembro, ele gerou US$ 1,46 bilhão – um aumento de 58% em comparação ao mesmo período de 2024. Para o VIR, a indústria cafeeira do Vietnã está passando por uma “mudança clara em direção à produção com maior valor agregado”.

Grandes empresas do setor têm expandido suas operações, com a instalação de novas unidades de torrefação e fábricas de café solúvel. Em janeiro de 2024, por exemplo, a Nestlé Vietnã investiu US$ 100 milhões na ampliação de sua fábrica em Tri An, na província de Dong Nai, no sul do país.

Importação de cafés

Embora seja um dos maiores exportadores de café do mundo, o Vietnã depende das importações dos grãos para suprir demandas internas, já que grãos do Brasil, por exemplo, são mais baratos. Assim, as indústrias vietnamitas aumentaram as importações de café, especialmente de arábicas e cafés de qualidade. Uma parte do café importado é processada e reexportada misturada ao café nacional para produzir café torrado e solúvel.

Segundo o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), os embarques do Brasil, um dos principais exportadores de café para o país,  para o Vietnã em 2023 registraram crescimento de 487,7% em comparação a 2022. Em 2024/25, o Vietnã importou 1,2 milhão de sacas, principalmente da Indonésia, do Laos e do Brasil. A previsão para este ano cafeeiro é importar 1,35 milhão de sacas.

Sustentabilidade

A promoção da sustentabilidade na cafeicultura está entre as principais metas do país. Desde o fim de 2023, governo, associações, empresas e parceiros internacionais vêm trabalhando em conjunto para padronizar procedimentos e adquirir dados que atendam à EUDR, de modo à adaptar o setor cafeeiro do país a um novo “padrão verde” de café.

Entre as prioridades estão o fortalecimento da rastreabilidade e da produção com baixa emissão de carbono na cafeicultura, a partir do menor uso de fertilizantes e pesticidas nas plantações e da promoção de técnicas de irrigação econômicas.

Em maio de 2025, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com financiamento da Agência Alemã de Cooperação Internacional (GIZ) e do Reino Unido e em parceria com a Administração Florestal do Vietnã (Vnforest), lançaram o projeto AIM4Commodities no país, um dos quatro pilotos globais da iniciativa que apoia países em monitoramento florestal, rastreabilidade e transparência das cadeias agrícolas. A iniciativa aposta na implementação de ferramentas digitais de código aberto, que permitem que pequenos agricultores coletem, gerenciem e mapeiem dados geoespaciais de suas propriedades.

O país já criou um banco de dados de rastreabilidade que abrange, segundo o vice-ministro de agricultura e meio ambiente, Hoang Trung, em recente coletiva de imprensa, 137 mil hectares de café. A promessa é expandir a base de dados para 462 mil ha nas Terras Altas Centrais, responsáveis por 92,8% da área de cultivo do grão.

Outras ações incluem projetos para cafés especiais e programas de substituição de plantios antigos por novas variedades. Atualmente, são 74,5 mil hectares replantados, embora o Programa de Replantio de Café do governo tenha previsto 200 mil até o fim de 2025, informa a USDA.

Seja como for, são ações como estas que fizeram com que o país fosse classificado como de baixo risco pela EUDR. Leia mais na parte I desta matéria.

Ao mesmo tempo, elas fortalecem o estabelecimento de uma marca única para o café vietnamita, outro projeto encampado pelo governo do país.

Marca única

A construção de uma marca forte e reconhecida no mercado internacional para o reposicionamento do robusta vietnamita no cenário global foi tema de um fórum, no final de 2025, organizado pela Vicofa em Dak Lak, considerada “capital do café” no Vietnã.

No fórum, informa a cobertura do Viêt Nam News, a associação buscou apoio da SCA e da plataforma Parceria Transpacífica (TPP), coorganizadoras do evento, para ajudar no desenvolvimento de padrões no café para a venda e na obtenção de certificações internacionais, além do auxílio na construção de uma estratégia para a promoção do grão como marca nacional e na criação de centros de formação de especialistas.

A longo prazo, a estratégia visa estimular a elaboração de cafés processados – que representam, hoje, apenas 15% do volume total produzido – e expandir o comércio internacional.

Desafios

Apesar das iniciativas públicas e de parceiros em incentivar sustentabilidade e melhora de qualidade no setor cafeeiro do Vietnã, a adaptação às demandas do mercado global tem se mostrado difícil. Segundo especialistas, mapas de uso da terra para o café são incompletos, e as fronteiras entre terras agrícolas e florestais frequentemente se sobrepõem, o que prejudica um controle mais rigoroso sobre a produção do café.

Muitos agricultores também desconhecem ferramentas tecnológicas e não têm acesso às políticas públicas implementadas. Processos administrativos complexos e recursos orçamentários limitados, associados às rápidas transformações e novos desafios complicam o cenário, analisa um extenso estudo sobre o setor cafeeiro no país feito em 2024 pela Vicofa e pela Forest Trends com apoio dos governos da Noruega e do Reino Unido.

TEXTO Redação

Mercado

Saiba por que o café industrializado ganha com o acordo Mercosul–União Europeia

Tratado prevê tarifa zero para cafés torrado e moído e solúvel em até cinco anos e reconhece indicações geográficas brasileiras, abrindo espaço para maior valor agregado no mercado europeu

Após 26 anos de negociações, a assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia pode abrir uma nova frente para os cafés torrado e moído e solúvel do Brasil no mercado europeu — segmentos associados a maior valor agregado.

Segundo comunicado da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) divulgado após a assinatura, no sábado (17), o acordo prevê a eliminação gradual das tarifas de importação hoje aplicadas pela UE, que são, em média, de 7,5% para o café torrado e 9% para o café solúvel. Ao final do processo de desgravação, os produtos brasileiros deverão entrar no bloco com tarifa zero, após cinco anos da entrada em vigor do tratado.

A redução será escalonada: 20% na entrada em vigor do acordo, 40% no ano seguinte, 60% no segundo ano, 80% no terceiro e 100% no quarto ano, criando uma trajetória previsível para a ampliação das exportações brasileiras de café industrializado à Europa.

Valor agregado e indicações geográficas

Além do efeito tarifário, o acordo prevê o reconhecimento de indicações geográficas (IGs) brasileiras, entre elas Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Para a ABIC, a medida amplia a proteção das denominações de origem no mercado europeu e reforça estratégias de diferenciação e agregação de valor.

O ponto é considerado estratégico para reposicionar o Brasil em uma cadeia global na qual, apesar de responder por cerca de 40% da produção mundial de café, o país fica com apenas 2,7% da receita global do setor — reflexo da predominância das exportações de café verde, como commodity.

“Esse acordo se alinha diretamente ao projeto da ABIC de ampliar as exportações de cafés industrializados, com maior valor agregado, e aumentar a participação do país na renda gerada pelo café no mundo”, afirma Pavel Cardoso, presidente da entidade.

Café fora das salvaguardas europeias

Outro ponto destacado pela ABIC é que o café não foi classificado pela União Europeia como produto sensível. Na política comercial do bloco, produtos sensíveis são aqueles que podem afetar produtores locais se importados em grande volume e, por isso, costumam estar sujeitos a cotas, tarifas mais elevadas ou restrições — caso de itens como carne, açúcar, etanol e lácteos.

Com isso, o café brasileiro fica fora das salvaguardas comerciais que permitem à UE suspender temporariamente preferências tarifárias em situações de pressão sobre o mercado interno. Na prática, a condição confere maior previsibilidade às exportações para a Europa e reduz riscos regulatórios, favorecendo investimentos de médio e longo prazo na industrialização.

Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos Estados-membros da União Europeia, além de passar pela ratificação dos parlamentos nacionais dos países do Mercosul.

TEXTO Redação

Mercado

Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é assinado neste sábado

O tratado é um passo histórico para o Mercosul ao ampliar o acesso do bloco a mercados internacionais e criar as bases da maior zona de livre comércio do mundo

Após mais de 25 anos de negociações, foi assinado hoje (17), em Assunção, no Paraguai, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O acordo marca um momento histórico para o Mercosul ao ampliar o acesso a mercados internacionais e dar origem à maior zona de livre comércio do mundo, que conecta cerca de 722 milhões de pessoas, com economias que juntas somam US$ 22 trilhões, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

A parceria estratégica tende a fortalecer os laços econômicos e comerciais entre os blocos, com o aumento das exportações da América do Sul para a UE. Para o Brasil, o acordo traz alívio particularmente em relação ao café solúvel, uma vez que ele segue com as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, seu principal mercado consumidor.

Em entrevista à Espresso, Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), afirmou que o acordo tem como objetivo zerar a taxação sobre os solúveis e industrializados brasileiros em até quatro anos. “Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil”, disse.

A assinatura foi o primeiro passo. Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu (cujo desacordo de algumas nações pode apertar a votação) e ratificado nos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 

TEXTO Redação

Cafezal

Jamaica investe US$ 120 milhões na recuperação de cafezais após furacão Melissa

Fenômeno de categoria 5 atingiu as lavouras do país em novembro e causou perdas de aproximadamente US$ 6,3 milhões ao setor cafeeiro

No último dia 9, a cafeicultura jamaicana celebrou o Jamaica Blue Mountain Coffee Day, marcado este ano pelo lançamento de uma iniciativa do governo do país que destinará US$ 120 milhões para recuperar cafezais afetados pelo furacão Melissa em novembro do ano passado. Do total, US$ 35 milhões já foram desembolsados.

Segundo o presidente da Associação dos Exportadores de Café da Jamaica (JCEA), Norman Grant, 40% da lavoura pronta para a colheita perdeu-se com o fenômeno climático, classificado na categoria 5 (a mais alta), que causou danos às propriedades rurais e às rotas de acesso ao café, gerando perdas de cerca de J$ 1 bilhão (US$ 6,3 milhões) ao setor.

Apesar das dificuldades, Grant ressaltou, em discurso no evento, que a indústria cafeeira jamaicana continua a contribuir de forma significativa para economia nacional, mantendo sua posição no mercado global e exportando anualmente milhões de dólares em cafés premium. “Essa resiliência diz muito, mas apenas a resiliência não é suficiente. O que se faz necessário agora é um apoio coordenado e contínuo, além de esforços conjuntos para reconstruir uma indústria cafeeira resiliente às mudanças climáticas”, declarou ao jornal Jamaica Observer.

Sobre o Blue Mountain Coffee

O Blue Mountain Coffee é um café cultivado exclusivamente nas Montanhas Azuis (Blue Mountains), no leste da Jamaica, em áreas de alta altitude (entre 900 e 1.700 m), clima fresco, neblina, chuvas regulares e solo vulcânico – condições que proporcionam um café de alta qualidade. 

Por seu terroir único, o Blue Mountain Coffee é protegido por Denominação de Origem concedida pela Autoridade Reguladora de Produtos Agrícolas da Jamaica (Jacra). Atualmente, mais de 80% deste café é exportado.

TEXTO Redação / Fonte: Global Coffee Report e Jamaica Observer 

Mercado

Coca-Cola abandona planos de vender a rede Costa Coffee

Segundo o The Guardian, empresa encerrou leilão após propostas de fundos de private equity ficarem abaixo da expectativa de venda de £ 2 bilhões

A Coca-Cola abandonou os planos de vender sua rede de cafeterias Costa Coffee, após as propostas apresentadas por fundos de private equity não atingirem o valor esperado pela companhia. A informação foi publicada nesta terça-feira (14) pelo jornal britânico The Guardian.

De acordo com o Financial Times, que acompanhou o processo, a empresa americana de bebidas interrompeu as negociações com os licitantes remanescentes em dezembro, encerrando um leilão que se estendeu por vários meses. Entre os participantes da etapa final estava a TDR Capital, gestora britânica de private equity que controla a rede de supermercados Asda, informou o FT.

As primeiras notícias sobre a intenção da Coca-Cola de se desfazer da Costa vieram a público em agosto, quando a multinacional passou a avaliar uma venda por cerca de metade dos £ 3,9 bilhões pagos em 2018 à Whitbread, então controladora da maior rede de cafeterias do Reino Unido, com cerca de 4 mil lojas.

Desde a aquisição, a Costa tem enfrentado pressões de custos — incluindo a alta nos preços do café — e concorrência crescente nas ruas comerciais britânicas. Apesar de ter encerrado o processo atual, a Coca-Cola afirmou não descartar, de forma definitiva, uma eventual venda da Costa no futuro.

TEXTO Redação

Mercado

Acordo Mercosul–UE deve estimular investimentos na indústria de café no Brasil

Segundo o Cecafé, tratado também qualifica o país para acordos bilaterais; setor acompanha negociações com Canadá e países asiáticos

A confirmação do acordo entre Mercosul e União Europeia tende a beneficiar principalmente os cafés industrializados do Brasil, já que o café verde não é tarifado para entrar no bloco europeu. “Com a confirmação do tratado, os cafés solúveis e industriais brasileiros terão desgravação anual da taxação que recebem até chegar a zero, em quatro anos”, afirma Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), à Espresso.

Segundo ele, a medida permitirá ampliar a competitividade do país na União Europeia, “provavelmente aumentando seus embarques desses produtos para o bloco”. Matos destaca ainda o efeito sobre investimentos e desenvolvimento regional. “Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil”, diz.

Para o diretor do Cecafé, o acordo também credencia o país para novas negociações comerciais. “De certa maneira, essa aceitação da atuação governamental brasileira pode ser entendida como uma qualificação para futuros acordos, como se tivéssemos subido de patamar”, afirma. Ele acrescenta que o setor acompanha conversas em curso com o Canadá e países asiáticos para ampliar a presença dos cafés do Brasil no mercado global.

TEXTO Redação

Cafezal

Vietnã e o excepcional 2025 para o café – parte I

Para o Vietnã, 2025 foi um ano marcante. É o que dizem os especialistas em café ouvidos pelos meios de comunicação do país e o que revelam os números recordes, tanto em volume produzido quanto em valor adquirido nas exportações pelo país. Neste cenário, o maior produtor de robustas do mundo têm renovado cafezais e investido em sustentabilidade, o que está melhorando a qualidade dos grãos. Ao mesmo tempo, o país assiste ao crescimento do consumo interno da bebida, e ao aumento das exportações de café instantâneo. Mesmo neste cenário promissor, há muitos desafios a superar. É o que mostramos na matéria a seguir.

Alta produção

A expectativa da produção vietnamita para 2025/26 (de outubro de 2025 a setembro de 2026) foi revista, no início de dezembro, pelo Serviço Agrícola Estrangeiro (FAS, na sigla em inglês) do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para 30,8 milhões de sacas, sendo 29,6 milhões de robusta e 1,2 milhão de arábica. Já em meados de setembro, a Verso Investimentos havia projetado a colheita em 29,4 milhões de sacas – um volume 6% superior ao ciclo anterior, e o maior produzido desde 2021.

Mesmo com tufões e chuvas intensas no período de colheita, que prejudicaram parte das lavouras – especialmente nas Terras Altas Centrais, principal região cafeeira, no interior do país –, as condições climáticas recentes foram favoráveis à produção, e os agricultores, também estimulados pelos altos preços do café no mercado global, estão investindo na renovação de suas propriedades.

Para especialistas, programas governamentais de replantio de café e projetos de cafés especiais têm contribuído para melhorar a qualidade dos robustas vietnamitas. Dados do Ministério da Agricultura e do Meio Ambiente do país mostram que o café ocupa uma área de quase 732 mil hectares, e em 20 mil hectares houve substituição de cafeeiros antigos por plantas mais resistentes. A USDA também inclui o uso crescente de fertilizantes nos cafezais.

De acordo com a VnCommex, plataforma B2B de serviços para o comércio de commodities, o elevado volume de produção de robustas sustenta o PIB agrícola do país: cerca de 600 mil famílias vivem da cultura — 95% delas pequenos produtores —, que gera aproximadamente 2,6 milhões de empregos. Para 2025-2026, a previsão de especialistas é que a produção cresça até 10%. A projeção segue, aliás, tendências históricas, que mostram um aumento constante na produtividade, impulsionado por melhores práticas agrícolas, variedades mais produtivas e resiliência climática. 

Exportações recordes

De fato, os altos preços associados a fortes colheitas fizeram com que, nos últimos anos, o preço de venda dos cafés vietnamitas tenha atingido recordes históricos, com média de US$ 5.653 por tonelada, segundo a plataforma de análises de negócios Vietnam Briefing. 

O volume de café exportado também atingiu patamar recorde. As estimativas para a safra 2024/25 (que acabou em setembro) apontam exportações de 25,2 milhões de sacas, enquanto, para 2025/26, o USDA projeta um volume de 27,3 milhões de sacas — somando café verde, torrado e instantâneo. O avanço de 7,7% em relação ao ciclo anterior ocorre após um ano que, segundo a Associação Vietnamita de Café e Cacau (Vicofa), já havia registrado o maior volume exportado da história do país.

Dados do Departamento Geral das Alfândegas divulgados em 19 de dezembro pelo site Vietnamnet, um dos principais portais de notícias do Vietnã, indicam que o café teve o maior crescimento entre as principais exportações agrícolas do país até novembro: foram 1,4 milhão de toneladas embarcadas, gerando US$ 7,94 bilhões – um aumento de 15,1% em volume e de 38,9% em valor (em comparação com o mesmo período de 2024). 

Ampliação de mercados

A Alemanha é o maior mercado consumidor de cafés do Vietnã – foram 3,2 milhões de sacas compradas este ano, abocanhando 60% das exportações à União Europeia – seguido por Itália e Espanha. 

A condição do país como “de baixo risco” na União Europeia e o adiamento de um ano para a entrada em vigor da EUDR favorecem as exportações do país.

A designação de “baixo risco” permite que o café exportado para aUE passe por um processo de due diligence simplificado, com uma taxa de inspeção de conformidade de 1% – condição bem mais favorável do que a concedida para o Brasil e a Indonésia. 

Mesmo com uma queda de envio de café aos EUA de 3%, as exportações para o país podem voltar a crescer após a redução de tarifas (que estavam em 20%) anunciada em novembro pelo governo americano. 

De acordo com declarações da Vicofa ao jornal Dan Tri, em novembro, os importadores americanos querem ampliar as compras de cafés especiais vietnamitas, especialmente de robustas, que vêm despertando interesse crescente entre os torrefadores dos EUA.

Mercados asiáticos também ganham importância como destinos dos grãos vietnamitas: países como Cambodja, China, Coreia do Sul, Filipinas e Indonésia aparecem entre os mercados em crescimento, de acordo com dados de autoridades e organizações de comércio. 

Em julho, por exemplo, as exportações de café para o Camboja dispararam, atingindo 713 toneladas no valor de US$ 2,7 milhões, um aumento de 406% em volume e 460% em valor em comparação com julho de 2024, informou o Departamento Geral de Alfândegas do Vietnã ao jornal Viêt Nam News em setembro. Entre janeiro e julho, os embarques alcançaram 2.231 toneladas, no valor de US$ 10 milhões, um aumento de 78% em volume e 114% em valor em comparação com o mesmo período do ano passado.

TEXTO Redação

Mercado

O que você vai encontrar na edição #90 da revista Espresso

Será que os cafés gelados vão quebrar a hegemonia das bebidas quentes? Essa é a pergunta que tentamos responder na reportagem de capa desta edição, que conversou com torrefações e grandes empresas de cinco países para entender como os hábitos de consumo estão mudando — e como essas novas bebidas podem, de fato, redesenhar o mercado global de café.

A transformação do consumo também avança na Índia, país mais populoso do mundo e onde uma classe média jovem, urbana e viajada passou a enxergar no café um marcador de estilo de vida. O texto mostra como redes de cafeterias internacionais e torrefações e marcas locais vêm explorando essa nova oportunidade.

Na cobertura da 13ª Semana Internacional do Café, um dos mais importantes eventos do mundo do setor e que aconteceu em novembro em Belo Horizonte, destacamos como sustentabilidade, inovação e novos marcos regulatórios moldam a produção brasileira em um mercado global cada vez mais complexo.

Investigamos também como preços altos e maior diversidade de origens estão redefinindo os blends brasileiros, tanto nas grandes empresas quanto nas torrefações independentes. Também apresentamos nesta edição uma conversa exclusiva com Adriana Mejía Cuartas, primeira mulher a presidir o conselho da Plataforma Global do Café. Para ela, sustentabilidade só se concretiza quando fizer parte da vida dos mais de 12,5 milhões de cafeicultores no planeta.

Na coluna “Café com história”, Bruno Bortoloto revisita o conceito das três ondas, propondo uma leitura ancorada na realidade cultural, econômica e social do Brasil, maior produtor de café do mundo desde a década de 1860.

Além disso, degustamos seis cafés do Espírito Santo — estado que combina diferentes territórios, inovação e excelência na produção de arábicas e canéforas —, e mostramos como o cacau brasileiro vem sendo utilizado como matéria-prima para produtos e insumos que vão além do chocolate.

Um abraço e um 2026 repleto de cafés bons e justos.

A Espresso #90 está disponível nas bancas, revistarias e no site da Café Store.

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