Mercado

Fundação Mundial do Cacau (WCF) debate desafios do setor em evento em São Paulo

Nos dias 19 e 20 de março, a Fundação Mundial do Cacau (WCF) realiza, em São Paulo (SP), o Partnership Meeting, evento global dedicado ao cacau e ao chocolate. Com o tema “Nosso futuro: resiliência por meio da sustentabilidade”, a edição deste ano (segunda realizada no Brasil) aborda os desafios enfrentados pelo setor. As inscrições para participar já estão abertas no site.

Assuntos como mudanças climáticas, queda de produtividade, doenças do cacaueiro, novas regulações, déficit de oferta e volatilidade de mercado serão debatidos por profissionais do setor e especialistas na área. O objetivo é destacar a necessidade de práticas sustentáveis para desenvolver resiliência – individual e coletiva – e garantir o futuro da produção de cacau e da indústria.

Entre os palestrantes estão confirmados Michel Arrion, diretor-executivo da Organização Internacional do Cacau; Eduardo Bastos, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG); Marcello Brito, secretário-executivo do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal; Vinicius Ahmar, gerente de Bioeconomia do Instituto Arapyaú; Sarah Dekkiche, diretora de Políticas e Parcerias da Iniciativa Internacional para o Cacau (ICI); Michael Ekow Amoah, diretor adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento do Conselho de Cacau de Gana; e Santiago Gowland, CEO da Rainforest Alliance. Confira a lista completa no site.

“Dado os desafios e o ritmo das mudanças que transformam o setor global de cacau, este é um momento crucial para reunir líderes e buscar soluções em comum”, afirmou Chris Vincent, presidente da WCF, em comunicado sobre o evento. “Estamos entusiasmados por sediar o evento deste ano no Brasil, um país singularmente posicionado para inspirar novas ideias, promover trocas Sul-Sul e apresentar inovações em agricultura sustentável”, completou.

Serviço
Partnership Meeting 2025
Quando: 19 e 20 de março
Onde: Tivoli Mofarrej São Paulo Hotel – Alameda Santos, 1.437 – Cerqueira César – São Paulo (SP)
Ingressos e programação: https://worldcocoafoundation.org/partnership-meeting/join-us#about 

TEXTO Redação

Café & Preparos

Indústria global do café renova compromisso de US$ 10 milhões para pesquisa e inovação

Investimento coletivo busca fortalecer melhoramento genético, sistemas de sementes e garantir resiliência climática para o futuro do setor 

A indústria global do café, liderada por mais de 190 empresas associadas à World Coffee Research (WCR) em 29 países, renovou seu compromisso de US$ 10 milhões para financiar programas de melhoramento genético e sistemas de sementes até 2027, informa a WCR. A iniciativa visa sustentar a diversidade de origens, aumentar a produtividade e garantir a resiliência climática do setor, enquanto busca a adesão de governos para co-investir em pesquisa agrícola e inovação.  

Com os preços das commodities em alta devido a desafios como clima extremo, pragas e doenças, a demanda por novas tecnologias é urgente. A WCR alerta para uma lacuna global de US$ 452 milhões anuais em financiamento de P&D agrícola, crucial para oferecer aos agricultores acesso a variedades de café mais produtivas e resistentes. Segundo a organização, esses investimentos são fundamentais para sustentar a prosperidade dos cafeicultores e garantir um fornecimento estável e diversificado para a indústria e os consumidores.  

Avanços e parcerias estratégicas  

Os recursos captados pela WCR ajudaram a lançar duas redes globais de melhoramento para as variedades arábica e canéfora, com a colaboração de 11 países produtores, responsáveis por 43% das exportações globais de café. Até 2030, essas iniciativas devem entregar 100 novas variedades de café, garantindo a estabilidade e diversidade do suprimento.  

A iniciativa também tem atraído compromissos públicos. Em 2024, a USAID destinou US$ 5,4 milhões para uma parceria com a Universidade Cornell e a WCR, enquanto a agência alemã GIZ investiu € 1,2 milhão no programa nacional de melhoramento de café na Etiópia.  

Liderança da indústria  

Empresas como Starbucks, Keurig Dr Pepper, JDE Peet’s e Taylors of Harrogate estão entre as dez que firmaram compromissos plurianuais com a WCR. As associadas estão unidas na promoção de uma agenda de pesquisa colaborativa para moldar o futuro do café, assegurando que pequenos agricultores tenham acesso às ferramentas necessárias para enfrentar os desafios globais e locais.  

Com governos e empresas trabalhando juntos, a WCR projeta um futuro onde inovação e sustentabilidade caminhem lado a lado para preservar a cultura e o mercado do café em escala mundial. 

TEXTO Redação

Café & Preparos

Ingressos para o SPCF começam a ser vendidos em 25/1

Seguindo a tradição, convites para a quarta edição do festival, de 27 a 29 de junho, ficam disponíveis a partir da data de aniversário de São Paulo

A quarta edição do São Paulo Coffee Festival, evento único que celebra a comunidade e a cultura do café na capital paulista, acontece no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera entre 27 e 29 de junho com a promessa de superar os números impressionantes do último ano. Os ingressos estão disponíveis a partir deste sábado, 25, com desconto, e o evento é uma oportunidade imperdível para quem aprecia a bebida. 

O SPCF é realizado na capital paulista pela Espresso&CO em parceria com a inglesa Allegra Event. Com um público vibrante em torno do grão, os coffee festivals acontecem anualmente em várias cidades do mundo, como Amsterdã, Londres, Milão, Cidade do Cabo e Nova York. 

Em 2025, a expectativa é receber 15 mil visitantes e 150 expositores para participar de uma programação interativa e inédita, vibrar com o campeonato Copa Barista e conhecer as novidades no setor que recheiam todos os espaços da Bienal.

Entre os destaques que ocupam todo o piso térreo e o primeiro andar da Bienal estão o Sensory Experience, um espaço em que o público pode explorar aspectos sensoriais e muito conhecimento sobre o café, o Laboratório, que traz palestras e debates com especialistas sobre as tendências e inovações do setor, e a Cozinha Show, que reúne chefs conhecidos e baristas para apresentarem receitas e harmonizações que tem o grão como protagonista. 

Sucesso nas edições anteriores, o Coffee & Art também incrementa as atividades nesses três dias de evento, ao estreitar a conexão entre o produto e manifestações artísticas para todos os gostos, assim como as performances dos baristas na Copa Barista, que elege o melhor profissional de café, e as demonstrações interativas no preparo preciso da bebida com leite no Latte Art ao Vivo. Tudo isso embalado por boa música, comida e drinques com café. 

Viva o incrível mundo do café. Participe da experiência e compre seu ingresso aqui.

São Paulo Coffee Festival
Quando: de 27 a 29 de junho
Onde: Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Vila Mariana, São Paulo – SP)
Quanto: ingresso (1 dia) – a partir de R$ 70 (primeiro lote) |passaporte (3 dias) – a partir de R$ 180 (primeiro lote) | VIP (1 dia) – a partir de R$ 180 (primeiro lote)

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia/SPCF

Mercado

Pronto para beber: como marcas nacionais exploram o mercado RTD

Are brazilians ready to drink? Empresas nacionais entram na onda das bebidas com café prontas para beber e surfam em um mercado que já movimenta bilhões. Saiba o que está por trás desse sucesso e as expectativas para o apreciador brasileiro

“Vamos tomar um café?” Para o brasileiro, o convite, tão arraigado à nossa cultura, é a certeza de uma pausa para um momento de comensalidade, acompanhado de uma bebida perfumada e fumegante na xícara. Mas, agora, o mesmo convite pode ter um resultado bem diferente: entra em cena um café gelado com leite (vegetal ou não), prontinho na garrafa descartável, oferecido antes do treino na academia.

Pode soar absurdo para muitos, mas as chamadas bebidas “ready-to-drink” (RTD) já são uma realidade no dia a dia de apreciadores, que chancelam novos formatos de consumo que vão além do nosso tradicional cafezinho.

Consolidado principalmente nos Estados Unidos e na Ásia, com receita que ultrapassou os 36 bilhões de dólares no mundo em 2024, segundo o Statista (plataforma global de dados e inteligência de negócios), o mercado de RTD com café ainda engatinha no Brasil. Enquanto somente o Japão é responsável por 12,12 bilhões de dólares, nosso país tem a receita combinada de 960 mil dólares em 2024, mas tudo caminha a passos largos. Enquanto a expectativa de crescimento mundial é de 3,33% ao ano no período de 2024 a 2029, para o Brasil esse número sobe para 5,53%.

“O Brasil destaca-se como um dos principais mercados globais para as bebidas de café prontas para beber da Nescafé. O país apresenta um crescimento robusto nas vendas dessa categoria, impulsionado pela alta demanda dos consumidores por conveniência e variedade de sabores”, conta Rodrigo Suzuki, gerente de marketing de bebidas da Nestlé.

A marca internacional, que lançou o primeiro RTD de café no Brasil em 2015, reforçou a categoria em 2023 com o relançamento da linha Nescafé Gelado, nos sabores Cappuccino Clássico, Chococino, Latte e Cappuccino sabor Canela, e com a ampliação do portfólio da linha Starbucks RTD com as receitas de Café Clássico, Mocha e Caramelo.

Outra grande empresa cafeeira no país, a 3corações também ampliou sua linha de RTD com dois lançamentos neste ano: Cappuccino sabor Caramelo Salgado e Cappuccino sabor Cookies‘n Cream. Agora, totalizam 11 receitas de bebidas prontas no mercado, incluindo versão zero e com whey protein. “Temos lançado produtos que atendem a novos desejos daqueles que são movidos a café. E uma das tendências que acompanhamos é a de que os consumidores estão cada vez mais atentos a temas relacionados à saúde, ao bem-estar, mas sem abrir mão da indulgência e do sabor”, explica Anderson Spada, head de marketing do Grupo 3corações.

Por trás de todo esse movimento em torno do segmento no país está, sem dúvida, a geração Z (nascidos entre 1997 e 2010). “Tem alguns estudos que mostram que a geração Z não só consome o café quente pela manhã, mas também ao longo do dia e, à tarde, dá preferência para uma bebida gelada. É uma geração que está aberta a novas propostas de consumo”, diz Alex Söderberg, co-fundadora e CMO da Naveia. A empresa, focada em bebidas vegetais à base de aveia, apresentou durante a Semana Internacional do Café, em novembro, sua nova linha de lattes nos sabores Mocha e Cold Brew, ambos com café, e Matcha, com chá-verde, com vendas a partir do início de 2025. “O RTD é um canal novo para nós, passamos do nicho das cafeterias de café especial para um público mais amplo, com uma proposta mais popular e democrática. É um produto perfeito para uma prateleira de ‘grab and go’”, acrescenta Alex.

Embora apenas 7% dos brasileiros tenham o hábito do café gelado segundo a pesquisa da Abic realizada em 2023, a geração Z é, sem dúvida, uma grande aposta para fomentar as RTDs. Conforme pesquisa da Nielsen encomendada pela Nestlé, divulgada em abril deste ano, o consumo de café gelado tem crescido a duplo dígito nos últimos anos, principalmente entre essa geração. Em 2023, esse aumento foi de 45% em relação ao ano anterior, resultado dez vezes maior que o de outras faixas etárias.

“O público da geração Z que consome as bebidas RTDs de café da Nestlé é bastante diverso, refletindo a multiplicidade de drivers de consumo na categoria. Há aqueles que buscam indulgência, com bebidas que oferecem experiências sensoriais diferenciadas e sabores marcantes, outros são atraídos pelos benefícios da cafeína, como energia e foco, enquanto muitos procuram soluções práticas que se alinhem ao estilo de vida dinâmico e conectado dessa geração”, complementa Suzuki, da Nestlé.

A importância do cold brew

Nessa formação de paladar para as bebidas geladas, é inegável a importância do cold brew como porta de entrada do café gelado para quem quer praticidade e a qualidade do café especial. E a extração a frio do grão torrado tem sido um caminho para cafeterias e produtores de cafés engarrafarem suas bebidas. A rede Café Cultura retornou com seu cold brew engarrafado em PET nas geladeiras de suas mais de 45 lojas pelo país. Na sua receita vai somente água e café do blend da casa, com as variedades bourbon amarelo, catuaí vermelho e icatu amarelo.

Já a Fazenda Aliança, em Monte Santo de Minas, no sudoeste do estado, apostou na variedade catuaí amarelo para o lançamento neste ano do cold brew de marca própria. Inicialmente foram fabricadas 8 mil latas, de olho no mercado em academias, empórios e cafeterias. “A decisão veio de uma viagem de nossa família ao Canadá, onde conhecemos o cold brew em lata gaseificado”, conta Juliana Paulino da Costa Mello, que é da 5ª geração da família de cafeicultores e montou o planejamento do novo negócio focado no público jovem.

Com o propósito de tirar o complexo de “bebida esquecida na garrafa” e entregar alta qualidade pronta para beber, Carol Pereira, da torrefação Bixo Café, em São Paulo, leva 25 horas para infusionar seu cold brew, que é colocado em garrafas de vidro de 200 ml e vendido via e-commerce para todo o país. “O brasileiro precisa entender essa complexidade da bebida gelada e dar uma chance”, diz Carol, que produz cerca de 400 garrafas por mês e garante um shelf life de 50 dias sem refrigeração. “E estou fazendo estudos para extrair mais doçura e cafeína na receita final”, completa.

E o gesha, uma das variedades mais desejadas entre os coffee geeks, foi o escolhido para a receita do cold brew do Frescoffee, bebida com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2025. “Fizemos teste com outras variedades e o gesha teve o melhor desempenho em boca, deixando a bebida mais leve” comenta Rodrigo Lucente, um dos sócios da marca. O café vem das fazendas da família de Luiz Paulo Pereira Filho, da CarmoCoffees, que também é sócio da Frescoffe. “Outro diferencial é que a bebida é gaseificada, o que ajuda na ‘drinkabilidade’. E o Frescoffee é para entrar no lugar de quem toma suco, refrigerante. É um novo momento de consumo, não compete com o café”, complementa Pereira.

O poder da cafeína nos RTDs

O universo de RTDs com café está estreitamente conectado ao mercado das chamadas bebidas funcionais (veja reportagem na edição 79 da Espresso) pelo poder da cafeína no organismo. Muitas marcas, como SuperCoffee, +Mu e Dux oferecem produtos prontos para beber que reúnem o benefício da cafeína e a carga proteica do whey protein (proteína do soro do leite). Marcas de laticínios também entram no mesmo jogo, como Piracanjuba, Italac e Danone, com sabores que vão do café espresso ao cappuccino, assim como as bebidas proteicas veganas, como NotCo e Nude, que exploram versões com café e caramelo, baunilha, entre outros.

Ainda há o caminho dos “energéticos naturais”, onde somente a cafeína do café é extraída e associada a outros ingredientes. A recém-lançada Origem, por exemplo, faz um “suco” com a polpa do fruto do café e adiciona frutas como maracujá, uva e limão. “Meu público é cada vez mais de pessoas jovens que estão diminuindo o consumo de álcool e procurando produtos naturais”, comenta Pereira, da CarmoCoffees e sócio da Origem.

Texto originalmente publicado na edição #86 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Beatriz Marques (com colaboração de Sandra Racy)

Mercado

Como a Inteligência Artificial pode servi-lo nas cafeterias?

A tecnologia, que começa a ser usada pelas cafeterias no mundo, oferece bebidas consistentes e eficiência nos processos da operação do negócio

Todos os dias parece surgir uma nova manchete sobre Inteligência Artificial (IA) revolucionando – ou mesmo ameaçando – o mundo como o conhecemos. Mas, por trás do alvoroço, essa poderosa tecnologia tem o potencial de reinventar a economia global e já está sendo aproveitada por empresas de café e de hospitalidade, trazendo novas possibilidades em áreas como personalização do cliente, consistência de bebidas e eficiência operacional.

É necessária uma coordenação, em altíssima velocidade, entre bilhões de neurônios no cérebro humano para que um barista receba um pedido de café, prepare a bebida e deseje um bom dia ao cliente. Cada vez mais, porém, há outra mente sofisticada trabalhando atrás do balcão. A Inteligência Artificial não é mais ficção científica, e já está sendo utilizada por empresas de hospitalidade ao redor do mundo para otimizar operações e fornecer atendimento personalizado ao cliente com uma precisão nunca vista antes.

Embora a tecnologia ainda esteja em sua infância, a IA promete revolucionar a economia global e, até, a humanidade. Um relatório recente da consultoria digital Accenture estimou que a IA poderia, até 2035 nos países desenvolvidos, dobrar o crescimento econômico nacional anual e aumentar a produtividade do trabalho em até 40%. Ao mesmo tempo, um grande estudo da PwC (antiga PricewaterhouseCoopers) estima que a IA poderia acrescentar 15,7 trilhões de dólares à economia global até 2030 – com 6,6 trilhões de dólares gerados apenas pelo aumento da produtividade.

Para o mercado da hospitalidade, a IA pode trazer um salto quântico na eficácia operacional ao melhorar a produtividade, a eficiência, a satisfação do cliente – e, em última análise, a lucratividade. Em meio a concorrência crescente e aumento de custos, o potencial de oferecer experiências perfeitas e qualidade consistente em escala é simplesmente grande demais para ser ignorado.

O que é IA?

O conceito de “inteligência artificial” existe desde a década de 1950, quando o “jogo da imitação” de Alan Turing (transformado em filme em 2014) testou a capacidade dos computadores de imitar respostas humanas. Nos anos 1960, o pioneiro da computação, John McCarthy, utilizou a linguagem de programação LISP para desenvolver os primeiros programas de computador autossuficientes. Com a chegada dos microchips nos anos 1970, os atuais supercomputadores em exaescala podem processar bilhões de cálculos por segundo para fornecer um poder de “pensamento” sem precedentes para programas de IA.

Em resumo, a IA pode ser definida como a simulação da inteligência humana por computadores e dispositivos digitais conectados que podem aprender, criar e analisar com um alto grau de autonomia. Algoritmos de aprendizado de máquina (em inglês, machine learning) de IA podem gerar entendimento a partir de amplos conjuntos de dados, como programas de fidelidade e transações em tempo real, que seriam muito demorados para uma análise manual. Existem também ferramentas de aprendizado profundo (em inglês, deep learning) que utilizam redes neurais para reconhecimento de imagens e análise de séries temporais, podendo otimizar fluxos de trabalho e monitorar o fluxo de clientes para prever níveis de pessoal.

Outra aplicação são os algoritmos de processamento de linguagem natural (em inglês, natural language processing), que podem responder a prompts de texto e de voz para exibir sugestões personalizadas de produtos ou guiar os clientes durante o processo do pedido.

A maior rede de cafeterias do mundo, Starbucks, já desenvolveu sua própria plataforma de IA, a Deep Brew, que utiliza a ferramenta e seu aprendizado para coletar insights de equipamentos habilitados para a Internet das Coisas (IoT ou Internet of Things) e transações de aplicativos para oferecer experiências personalizadas aos clientes, otimizar fluxos de trabalho nas lojas e gerenciar inventários. A plataforma também pode agregar dados de receita e desempenho de fluxo de clientes para determinar os melhores
locais para a abertura de novos estabelecimentos.

Enquanto isso, a Coca-Cola, proprietária da Costa Coffee, anunciou recentemente uma parceria estratégica de cinco anos com a Microsoft, no valor de US$ 1,1 bilhão, para acelerar iniciativas de nuvem e IA generativa em seus negócios globais. Ao utilizar o Azure OpenAI Service, modelo de codificação e linguagem de IA da Microsoft, o gigante das bebidas espera “ajudar os funcionários a melhorar as experiências dos clientes, simplificar operações, fomentar a inovação, ganhar uma vantagem competitiva, aumentar a eficiência e descobrir novas oportunidades de crescimento.”

Uma mão amiga para a hospitalidade?

A IA ainda não atingiu o nível de sofisticação necessário para tomar decisões significativas em termos de hospitalidade sem a intervenção humana. No entanto, a automação aprimorada por IA pode fornecer aos operadores um conjunto adicional de mãos para reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas, melhorar a precisão e aumentar a produtividade.

“O café está pronto para ser digitalizado. Se você comparar com outras indústrias de alimentos, o café está ficando para trás”, diz Andreas Idl, CEO e cofundador da Cropster. Criada em 2007, a Cropster desenvolve soluções de software IoT para comerciantes de café verde, torrefadores e operadores visando melhorar a eficiência, a conectividade e a consistência deles.

Para Idl, a IA é o próximo passo na automação para empresas de café que desejam extrair insights profundos de pedidos de clientes e telemetria de equipamentos. “A tecnologia básica existe desde os anos 1970, mas, agora, temos conjuntos de dados grandes o suficiente e computadores potentes o suficiente para executar IA e treiná-la. Você pode treinar a IA todos os dias com novos dados, então, mesmo que seu equipamento mude, ela vai aprender, se adaptar e melhorar com o tempo”, explica.

A torrefação de café é a área em que a Cropster aplica IA para gerar a compreensão detalhada de dados – e até prever o futuro. O Roasting Intelligence faz uso da IA para prever quando vai acontecer o crucial primeiro crack do processo de torra, o que “nos permite saber como a temperatura provavelmente se desenvolverá nos próximos 120 segundos, mostrando isso ao usuário em tempo real”, diz Idl.

Olhar dois minutos no futuro parece, a princípio, uma janela de oportunidades pequena, mas a ferramenta de IA pode gerar benefícios significativos para torrefações de café em larga escala, que precisam atender a especificações rigorosas de produtos. Isso é especialmente importante para grandes clientes de varejo, como supermercados, para os quais até mesmo uma pequena inconsistência pode levar à rejeição de um lote inteiro.

“Os torrefadores vão saber se estão diante de um potencial defeito ou se estão no caminho certo para algo que desejam. A precisão é tão alta que não podemos melhorá-la sem construir um sistema melhor de sensores”, afirma Idl.

A Probat é outra empresa de equipamentos de café que está adotando a IA. “A IA permite decisões melhores e mais rápidas baseadas em dados”, diz Scott Stouffer, diretor de vendas da empresa com sede em Hamburgo.

Lançado na SCA Expo em Chicago, em abril de 2024, o Roastpic da Probat é um aplicativo para smartphone que usa IA para analisar a qualidade do café verde com base em imagens inseridas no sistema. “Os resultados são armazenados na nuvem e podem ser correlacionados a diferentes torrefações. Este produto tem um potencial tremendo para mudar a maneira como observamos e medimos o café ao longo da cadeia de valor, do campo à xícara”, diz Stouffer.

O toque humano

Apesar do inegável potencial de negócios da IA, há sérias preocupações sobre como a tecnologia pode impactar empregos, meios de subsistência e a privacidade das pessoas. Um relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) estimou que 14% dos empregos em 21 países correm alto risco de automação, incluindo robótica treinada por IA e ferramentas administrativas, com trabalhadores que preparam alimentos e operadores de máquinas dessa indústria sendo os mais afetados.

Outro estudo do McKinsey Global Institute projetou que, até 2030, 800 milhões de empregos poderiam ser substituídos pela automação e recomendou que os governos comecem a requalificar os trabalhadores em ocupações de risco.

Enquanto isso, grandes corporações como Walmart, Nestlé e Starbucks têm se destacado pelo uso de ferramentas de IA como a Aware, uma empresa de IA especializada em análise de comunicação interna de funcionários. A Aware relata ter coletado, até agora, 20 bilhões de interações individuais entre os mais de três milhões de funcionários.

Porém, para a maioria das empresas de café e hospitalidade, a IA é vista como um instrumento para reduzir tarefas repetitivas e demoradas, para que os funcionários possam concentrar-se na prestação de serviços ao cliente e na qualidade da bebida.

“Usamos ferramentas de IA em toda a empresa para aumentar nossa produtividade”, diz Liam Farrow, vice-presidente de digital da Bluestone Lane, grupo de cafés boutique dos EUA, que dá o crédito às ferramentas de IA, como o Chat GPT na produção de textos de marketing e o Gemini Advanced AI para acelerar a modelagem financeira, como adições valiosas à equipe.

“Recentemente, usamos o Chat GPT para validar a modelagem do nosso programa de fidelidade. Isso resultou em melhorias no valor que poderíamos criar no programa, alinhado com nossos objetivos. Essa tarefa poderia ter levado dias, talvez até semanas, mas foi concluída em horas ao lançar todas as variáveis diferentes no modelo”, diz Farrow.

“Vejo a vantagem imediata em ajudar a tornar os recursos de apoio eficazes. A hospitalidade geralmente não permite grandes equipes de apoio, então você precisa ser eficiente. Remover tarefas tediosas e mundanas ou a necessidade de recorrer a recursos externos para coisas como redigir textos significa que você pode se mover mais rápido e ter mais impacto”, acrescenta.

Idl, da Cropster, concorda que a IA funciona melhor na função de apoio para empresas de café e hospitalidade. Ele destaca que, enquanto a IA pode fornecer dados para um torrefador de cafés e até automatizar o controle de tempo e temperatura, o trabalho manual na torrefação, como carregar grãos no equipamento e definir parâmetros, ainda precisa ser feito por gente. Por isso, Idl vê a IA como uma ferramenta para aumentar a qualidade e a consistência enquanto reduz o desperdício, em vez de substituir pessoas da equipe. “A IA não vai carregar seu café. Ela não vai blendar o café – nem tomará a decisão sobre como fazê-lo –, e você ainda vai precisar retirar amostras de controle de qualidade”, considera.

Dito isso, a IA já está influenciando a apreciação sensorial do café. Em abril de 2024, a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) revelou uma nova ferramenta de IA para uso na prova da bebida. Os avaliadores inserem as notas de degustação de café em um aplicativo, que usa então um algoritmo para gerar “estilos” de bebidas. O objetivo é fazer com que grupos de cafés com características semelhantes ou atraentes sejam mais fáceis de identificar pelos consumidores, aumentando, assim, o apelo comercial do grão.

“Nosso foco é o consumidor, para que possamos comunicar o que ele precisa saber no momento da compra, de modo que ele escolha seu café favorito entre os diferentes estilos disponíveis”, diz Camila Arcanjo, mestre em análise sensorial e consultora de qualidade da ABIC.

“No futuro, conseguiremos analisar o café verde na origem e sugerir como ele pode ser torrado em amostras para alcançar o perfil de sabor que o mestre de torra deseja. Vamos avaliar digitalmente o produto final e sugerir correções de torra e de blend para obter exatamente o que o mestre de torra deseja. Finalmente, iremos pré-programar as máquinas para torrar quatro toneladas por hora de um ‘African Ice Coffee Blend’ para ser perfeito em qualquer pedido feito. Talvez até conectemos IA às máquinas de espresso para extrair shots perfeitos”, diz Scott Stouffer, da Probat.

Esse futuro já está mais próximo da realidade para a Kaffa Roastery, sediada na Finlândia, que em abril de 2024 lançou seu blend de café ‘AI-conic’. Segundo o fundador da Kaffa, Svante Hampf, um modelo de IA recebeu descrições dos cafés da marca e foi instruído a criar um blend “novo e empolgante”. O modelo, “de maneira um tanto estranha”, escolheu misturar quatro origens – Brasil, Colômbia, Etiópia e Guatemala – em vez das duas ou três habituais. No entanto, Hampf diz que o projeto marca “o primeiro passo para ver como a IA poderia nos ajudar no futuro.”

O uso da IA em cafeterias

A IA pode ser uma ferramenta poderosa para ajudar a aumentar a produtividade da equipe – mas será que máquinas autônomas poderiam substituí-la algum dia? Keith Tan, fundador e CEO da Crown Digital, com sede em Singapura, aposta que o futuro das cafeterias reside em um serviço totalmente autônomo e aprimorado por IA.

Tan começou a desenvolver seu conceito de café totalmente automatizado, o Ella, depois de enfrentar uma grave escassez de funcionários em sua primeira empreitada em café. A barista robótica movida a IA pode preparar 200 xícaras de café por hora, utilizando mais de 300 receitas diferentes, e atualmente opera em locais como metrôs e aeroportos em Singapura.

Ella, o conceito autônomo de café aprimorado por IA da Crown Digital

“As cafeterias são muito manuais e requerem mão-de-obra humana, mas pode levar seis semanas para treinar uma equipe, que pode se desfazer depois de oito semanas. Em algum momento, você vai precisar automatizar os processos, seja por meio de robótica ou de máquinas superautomáticas, e a IA vai gerenciar os dados e trazer insights de consumo inigualáveis em massa”, diz Tan.

A Crown Digital optou, desde o início, por máquinas superautomáticas Eversys e construiu grandes conjuntos de dados para tempos de extração, granulometria e temperaturas de entrada e saída em todos os locais. Agora, a IA usa esses dados para gerar insights em tempo real para ajudar na gestão de estoque orientada pela demanda, prompts de pedidos sensíveis ao tempo, sugestões personalizadas, manutenção preditiva e reabastecimento.

Tan usa a analogia de ser capaz de aproveitar o conhecimento do barista local, que sabe as preferências de pedidos de seus clientes, e escalar esse conhecimento por cidades, regiões e, até, à nível global.

“O café é uma bebida muito pessoal – tudo se resume à consistência e à familiaridade. É muito difícil alcançar isso em múltiplos espaços, mas com IA e automação, a personalização em massa é possível”, afirma.

Quão longe a IA pode ir?

Máquinas aprimoradas com IA poderiam, um dia, oferecer experiências de hospitalidade totalmente autônomas. A questão, no entanto, é se isso é desejável em uma indústria como a hospitalidade, onde as conexões humanas são fundamentais.

Para Liam Farrow, da Bluestone Lane, a IA tem limites claros. “Ainda é muito cedo para que a hospitalidade busque a IA e a automação, mas os operadores devem analisar seus negócios e ver onde há oportunidades para gerar eficiência. Vendas adicionais inteligentes com base na análise dinâmica das cestas para fornecer uma experiência mais personalizada é o máximo que podemos fazer agora. O elemento humano do nosso negócio é o coração da Bluestone Lane, e isso tem que permanecer verdadeiro”, diz ele.

Muitos líderes empresariais dizem que conhecimento é poder. Em um mundo onde a internet tornou o acesso à informação onipresente, usar IA para gerar ideias significativas a partir de conjuntos de dados é o próximo passo da computação, e pode ser um grande salto para o negócio do café.

Por trás do hype e das manchetes, a Inteligência Artificial já permite que empresas do ramo alcancem mais eficiência operacional, precisão e personalização em larga escala. “Não sei para onde a IA, a torrefação de café e a Probat estão indo. Mas sei que aprenderemos coisas novas todos os meses e que novas oportunidades vão surgir. O resultado será dados melhores para decisões mais rápidas”, acredita Scott Stouffer, da Probat.

Essa lógica, certamente, deve soar verdadeira para as milhares de empresas de hospitalidade ao redor do mundo que enfrentam aumentos de despesas gerais, custos maiores de produtos e escassez de pessoas.

Mas, por enquanto, a Inteligência Artificial Geral (AGI) – máquinas capazes de aprender independentemente da intervenção humana – permanece firmemente como ficção científica e, provavelmente, não irá se tornar realidade por várias décadas.

A Inteligência Artificial, porém, está avançando rapidamente. No momento em que este artigo foi escrito, o Chat GPT estava amplamente disponível há cerca de 18 meses e já parece uma parte irrevogável da vida cotidiana.

Consumidores mais jovens e nativos digitais já exigem experiências de hospitalidade e varejo perfeitas que não seriam possíveis há uma década – e a IA pode fornecer as soluções para atender aos clientes do futuro.

Com gigantes da tecnologia como Microsoft, Apple e Google investindo bilhões em pesquisas de IA – e Elon Musk prevendo que ela será “mais inteligente do que qualquer humano até o final de 2025” – é, decerto, apenas uma questão de tempo até que a tecnologia se torne tão onipresente quanto uma conexão de internet.

Pode estar no início, mas a IA já traz benefícios tangíveis para empresas de café e hospitalidade, gerando entendimentos operacionais que permitem decisões mais rápidas, precisas e de maior valor. O potencial da inteligência artificial na hospitalidade é enorme, desde que a indústria mantenha em mente seu objetivo mais importante – forjar conexões humanas profundas.

Texto originalmente publicado na edição #85 (setembro, outubro e novembro de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Tobias Pearce (5THWAVE)

Mercado

Certificação de origem dos cafés do Cerrado Mineiro cresce 160% em 2024

Volume salta de 115 mil para mais de 300 mil sacas certificadas com Denominação de Origem

A Região do Cerrado Mineiro registrou um crescimento de 160% no número de sacas certificadas com o selo de Denominação de Origem (DO). O volume saltou de 115 mil sacas em 2023 para cerca de 300.500 sacas este ano, consolidando a região como referência na produção de cafés de qualidade e origem controlada.

Segundo Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, esse salto é resultado de estratégias inovadoras, como o fortalecimento da rastreabilidade, a simplificação do processo de certificação e ações de valorização da marca Cerrado Mineiro. Entre as iniciativas, destacam-se a certificação de cafés em bica corrida nas cooperativas, a adoção de normas que garantem o selo para cafés com pontuação acima de 80 pontos e a rastreabilidade de lotes armazenados fora da área demarcada. “A transparência foi ampliada com o envio automático dos certificados e laudos de qualidade aos compradores, atendendo às exigências dos mercados internacionais e fortalecendo a confiança no nosso produto”, explica Tarabal.

Infraestrutura para rastreabilidade
Atualmente, a cadeia produtiva do Cerrado Mineiro conta com seis cooperativas,seis exportadores e sete armazéns credenciados, garantindo o controle e a rastreabilidade da produção regional. Entre os exportadores que atuam na região estão nomes como Cafebras, Dreyfus, Sucafina, e Volcafe, enquanto cooperativas como Carmocer e Coopadap integram a estrutura de certificação.

Para o presidente da Federação, Gláucio de Castro, o início da nova política de Denominação de Origem em 2024 foi fundamental para o avanço. “Agora, todas as cooperativas e armazéns credenciados podem lacrar e identificar cafés da região, aumentando a visibilidade da qualidade produzida no Cerrado Mineiro e o trabalho do produtor”, afirma.

Campanha e mercado internacional
A campanha “A verdade é rastreável” também ajudou, ao conscientizar produtores e consumidores sobre a importância do selo de origem e combater o uso indevido da marca “Cerrado Mineiro”.

Entre janeiro e dezembro de 2024, os cafés certificados pela RCM conquistaram mercados na Europa – com destaque para Polônia, Grécia, Alemanha e Itália –, além de forte presença nos Estados Unidos e na Coreia do Sul.

Outro destaque foi a parceria com a torrefação italiana illycaffè, que, desde outubro de 2023, comercializa uma linha especial de cafés torrados com o nome e a marca Cerrado Mineiro e o selo de agricultura regenerativa.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Cafeteria & Afins

Revo – Santos (SP)

Situada no coração da ponta da praia, em Santos (SP), a cafeteria Revo Manufactory é mais do que se imagina. O prédio, de fachada clássica, foi reformado e restaurado por dentro para abrigar um espaço que, embora mantenha detalhes tradicionais, abraça os estilos moderno e industrial. Ao caminhar pelo grande galpão, com janelas amplas e pé-direito altíssimo, sua decoração traz, ainda, um ar vintage, com peças que chamam a atenção, como cristaleiras, espelhos e aparadores. Os arranjos de folhas e flores complementam a experiência de forma encantadora.

O conceito de manufatura é visível assim que se entra no edifício. Logo na entrada há um balcão de pães e doces ao lado da estação de café e de bebidas. A cozinha de finalização, aberta ao público, oferece proximidade com essas muitas mãos operantes.

O atendimento é feito nas mesas e, para iniciar a experiência, escolhemos uma das duas opções de café coado disponíveis: um gesha (R$ 20), de processo natural fermentado produzido por Luiz Paulo na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG). Extraído na v60, o café entrega um aroma floral acentuado, com uma acidez agradável e fácil de beber.

O cardápio é extenso e variado, com muitas ofertas da padaria e da confeitaria servidas durante a tarde. O croissant (R$ 16) com geleia da casa (R$ 5) e a empanada humitá com creme de milho e pimenta jalapeño (R$ 21) foram as pedidas desta visita. O croissant tem uma caramelização impecável, com exterior crocante e estética refinada, digna da clássica viennoiserie (produtos cuja massa fermentada é mais rica e amanteigada do que a dos pães tradicionais). Seu miolo, levemente ressecado, poderia ser aprimorado com alguns segundos a mais de calor antes de chegar à mesa. A geleia, com boa acidez e dulçor, complementa bem o folhado. Já a empanada, muito bem assada, de massa fina e recheio cremoso de queijo e milho tostado, poderia ter um tempero menos tímido.

Café gesha ao lado do croissant e bolo de festa com calda, sorvete e brigadeiro

O bolo de festa (R$ 33) foi a sobremesa da vez: mega chocolatudo (estilo devil’s cake da Matilda), servido com calda quente de chocolate, quenelle de sorvete à escolha e um pequeno brigadeiro enrolado. Um doce úmido e indulgente, certamente a pedida perfeita para compartilhar, mas quase impossível de se comer sozinho, dada a doçura intensa. O sorvete de frutas vermelhas trouxe uma refrescância que conectou todos os itens do prato. Para acompanhá-lo, um espresso (R$ 9) equilibrado, com baixa acidez e amargor na medida.

A conta é paga diretamente no caixa, onde revisam seu pedido e incluem corretamente o serviço, já que a Revo é um exemplo de ótima hospitalidade. Ao lado do caixa há uma pequena mercearia, onde se pode escolher um pedaço dessas manufaturas para levar para casa, como cafés, vinhos, biscoitos e queijos.

A reunião de um ambiente aconchegante, pet friendly e frequentado por pessoas de todas as idades torna a experiência um passeio acolhedor e revigorante.

Nossa conta: R$ 104 + taxa de serviço
Café coado – R$ 20
Croissant – R$ 16
Adicional de geleia – R$ 5
Empanada – R$ 21
Café espresso – R$ 9
Bolo de festa – R$ 33

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Avenida Doutor Epitácio Pessoa, 737
Bairro Ponta da Praia
Cidade Santos
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://https://www.instagram.com/revomanufactory/
Horário de Atendimento De segunda a sábado, das 9h às 23h; domingo, das 9h às 22h
TEXTO Redação • FOTO Equipe Espresso

Cafezal

Coffee of the Year: o prêmio que conecta café, história e mercado

Com recorde de 570 amostras inscritas, o Coffee of the Year 2024 consagrou o Espírito Santo como destaque nas categorias arábica e canéfora, reforçando o papel do prêmio na valorização de produtores, regiões e tendências da cafeicultura brasileira

O Coffee of the Year (COY) não é apenas um prêmio. Em sua 13ª edição, o concurso é o reconhecimento máximo do talento, da dedicação e da inovação dos cafeicultores na produção de arábicas e canéforas brasileiros de excelência – já foram premiados mais de 180 produtores.

Em 2024, o Espírito Santo subiu ao pódio. Foram premiados Paulo Roberto Alves, do Sítio Campo Azul, em Divino de São Lourenço, região de Caparaó, na categoria arábica, e Antônio Cezar Demartini Landi, do Sítio do Pedrão, de Jerônimo Monteiro, no Sul do Espírito Santo, na categoria canéfora.

O COY também gera oportunidades de negócios: a escolha dos melhores arábicas e canéforas não apenas valoriza o trabalho dos produtores campeões, mas impulsiona o desenvolvimento das regiões onde esses cafés são cultivados, abrindo portas para novos mercados e fortalecendo os já existentes (confira a degustação com os cafés vencedores ao final da reportagem).

Este ano, o evento quebrou seu recorde de inscrições, com 570 amostras de 33 regiões de café, refletindo o crescente interesse dos cafeicultores pela premiação e a diversidade dos grãos brasileiros.

Como o COY acontece

A escolha de um café para uma competição pelo produtor se dá muito antes da prova. Ela envolve uma série de etapas, que incluem planejamento no campo, manejo da colheita, definição do processamento do grão e curadoria final rigorosa, com seleção de lotes e provas sensoriais. Este trabalho meticuloso é o que transforma um simples lote de café em um potencial campeão, capaz de destacar não só a qualidade do grão, mas também a dedicação e o talento por trás de sua produção.

Depois do recebimento dessas amostras, elas são provadas tecnicamente por profissionais Q-Graders e R-Graders no Instituto Federal do Sul de Minas, em Machado (MG), que selecionam 180 amostras finalistas – 150 cafés arábicas e 30 cafés canéfora. Estes cafés são provados em duas salas de cupping e em diferentes rodadas durante os três dias da Semana Internacional do Café, por centenas de compradores, que têm a oportunidade de negociá-los diretamente com os produtores.

Ao mesmo tempo, os dez cafés arábica e cinco canéforas mais bem pontuados dessa seleção participam da votação dos visitantes da SIC, que decidem, nos dois primeiros dias e em prova às cegas, os campeões do ano nas duas categorias. Os produtores vencedores recebem menção honrosa e os dois campeões são anunciados e premiados na tarde do terceiro e último dia da SIC.

Era uma vez…

Em tempos de valorização do produtor e de sua história, vale lembrar como nasceu o Coffee of the Year. Em 2011, durante a consolidação do mercado de cafés especiais no Brasil e a ascensão de movimentos que destacavam os produtores, a Espresso idealizou uma forma de criar conexões mais próximas entre esses profissionais e os visitantes da feira de negócios Espaço Café Brasil — evento que viria a se transformar na Semana Internacional do Café. Essa proximidade era vista como essencial para valorizar o produto e promover os cafés especiais no mercado nacional.

Foi nesse contexto que a primeira sala de cupping foi montada, reunindo cafeicultores de São Paulo e Minas Gerais. A iniciativa fomentou o compartilhamento de conhecimento entre produtores e especialistas do setor, pavimentando o caminho para algo maior. Em 2012, nascia oficialmente o prêmio Coffee of the Year Brasil, uma competição nacional que seleciona os melhores cafés por meio de especialistas e permite que os visitantes também os provem e avaliem. O caráter inovador da iniciativa estava justamente em aproximar os brasileiros dos cafés de alta qualidade, que, até então, eram conhecidos quase exclusivamente por provadores e exportadores.

Em 2013, já consolidado como SIC e sediado em Belo Horizonte, o evento se expandiu, e o prêmio ganhou maior visibilidade e diversidade. Ano após ano, o COY foi ganhando relevância e tornando-se uma vitrine de tendências, como a inclusão da categoria canéfora (2016), a concessão de prêmios a café com fermentação induzida (2020 e 2021) e a projeção de pequenos produtores e seus microlotes. O prêmio, também, é essencial ao projetar regiões – como a quase desconhecida região do Caparaó, em 2012.

Hoje em dia, o COY é uma referência no setor, reconhecendo a excelência independentemente da espécie de café, região ou escala de produção.

A Espresso conversou com os campeões do Coffee of the Year 2024. Estreante no concurso e produtor de especiais há seis anos, Paulo Roberto Alves venceu com um catuaí vermelho de 90,25 pontos. “Meus filhos são provadores, e incentivam a fazer café especial”, diz ele. Já Landi, que participa regularmente do COY, esteve na lista dos 15 finalistas de canéfora em 2023 antes de subir ao pódio este ano com um conilon de 86,42 pontos. “O principal destaque do café de concurso é ser feito com cuidado”, ensina Landi. A seguir, o bate-papo:

Espresso: Quais foram os maiores desafios que vocês enfrentaram nesta safra e como eles foram superados?

Antônio Cezar Landi: O maior desafio nessa safra foi a seca. Ficamos seis meses sem chuva, sorte que temos um sistema de irrigação com tensiômetro, automatizado em algumas áreas já, então isso ajuda muito a superar este desafio. E o mercado de café, que é um negócio meio doido. Uma hora dá prejuízo, outra hora dá dinheiro demais. Então esses foram os desafios, que ninguém sabe o que vai dar. Mas o principal posso destacar que foi a falta de chuvas, mas graças a Deus deu para superar.

Paulo Roberto Alves: Foram muitos desafios. Pra gente ‘panhar’ café, tem que saber, pra não estragar. Depois, na secagem, tem que ter muito cuidado para não estragar no terreiro. Começa a chover, tem que ter cuidado. Esse ano não teve muita chuva aqui na região, foi até bom para o café. Mas nos outros anos, no ano passado, por exemplo, choveu muito. Este ano foi até bom, deu muito sol. Aqui eu tenho cinco mil pés de café e planto catuaí vermelho e amarelo. No COY eu inscrevi o vermelho.

Por que vocês acham que seus cafés se destacaram no concurso este ano?

Landi: Primeiramente é o cuidado com o fruto depois de colhido. Eu faço a colheita e quem faz esse cuidado todo, inclusive a secagem, é minha esposa. Então, o principal [fator] é o cuidado. E o segundo eu acredito que seja a nutrição. Uma planta bem nutrida te dá um fruto já pronto, basta você ter cuidado depois, no pós-colheita.

Alves: A concorrência foi grande. Os meus filhos são provadores e trabalham no laboratório da Caparaó Jr. Eles incentivam a gente a fazer o café especial, ensinam como tem que fazer, dão toda a instrução. Eles provaram o café e viram a pontuação que deu, viram que era uma pontuação boa.

Os campeões do COY 2024: Paulo Roberto Alves (à esquerda) e Antônio Cezar Landi (à direita)

Que conselhos vocês dariam a outros produtores que aspiram alcançar o sucesso nos concursos de cafés especiais?

Landi: Fazer o seu melhor e participar dos concursos. Tentar uma vez, ou dez, quantas vezes for preciso. Você tem que insistir e nunca parar de tentar.

Alves: Quem quiser fazer, pode fazer. A nossa região tem potencial. Quanto mais gente produzir café especial, pra gente é bom, né? Aqui no município tem pouca gente que produz café especial. Deve ter umas cinco ou seis pessoas só. O pessoal acha difícil fazer, acha que dá muito trabalho. Mas pode fazer sem erro que o resultado não é ruim não. Deve ter uns seis anos, mais ou menos, que produzo café especial. Criamos nossa marca, a Sítio Campo Azul. Vale muito a pena produzir café especial, ainda mais depois de ter ganhado o COY, vale mais ainda.

Como essa premiação impacta a região de vocês?

Landi: O impacto é positivo. A região ficou conhecida. Jerônimo Monteiro praticamente não era conhecida por cafés especiais. Só a nossa comunidade, com sete famílias, que faz café especial.

Alves: Mudou muito, principalmente o tratamento do pessoal. Até as autoridades e o prefeito, que não visitavam muito, vieram aqui. Para chegar aqui na minha cafeteria tem 400 metros de chão, aí eles vieram e prometeram fazer o passamento até a cafeteria. Tudo isso depois que ganhei.

Vocês pretendem inscrever novas amostras na próxima edição do concurso?

Landi: Com certeza. Se Deus permitir, nós queremos participar sempre que possível. Ano que vem e nos próximos. Mesmo que não ganhe, mas sempre disputando.

Alves: Vou me inscrever de novo, se Deus quiser. Vou fazer [qualidade] para me inscrever de novo e torcer para ganhar.

Depois da agitação da SIC, a equipe da Espresso provou os cafés finalistas premiados no Coffee of the Year (COY). Assim como nas garrafas térmicas disponíveis no evento, as dez amostras de arábica e as cinco de canéfora foram torradas pela equipe do IF Sul de Minas, do campus Machado (MG) e preparadas no método filtrado (hario v60).

Para a avaliação, o time usou como base o novo Protocolo Brasileiro de Cafés Torrados, desenvolvido pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Os critérios levados em consideração foram complexidade de odor e de sabor, características sensoriais, doçura, corpo, acidez e intensidade, esta última definida pelo protocolo como “percepção de persistência de sabor na boca”. Confira as nossas anotações a seguir.

Texto originalmente publicado na edição #86 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Cristiana Couto e Gabriela Kaneto • FOTO NITRO/Semana Internacional do Café

Cultura

O café como tema central em livros

Cafés e a sociedade britânica moderna

Uma pena que não existam traduções para o português de estudos acadêmicos sobre a emergência das cafeterias na Europa. Um deles foi feito pelo historiador Brian Cowan em The Social Life of Coffee: The Emergence of the British Coffeehouse (R$ 185, na Amazon). A obra, bem escrita, ilustrada e editada para um público que também não é especializado, examina o papel das cafeterias, que surgiram na sociedade britânica no século XVII, e oferece uma visão valiosa de como os espaços cotidianos podem moldar e refletir mudanças culturais e sociais significativas.

Mas não se trata apenas de argumentar que as cafeterias funcionavam como locais culturais complexos, que contribuíram para o desenvolvimento de uma esfera pública. Cowan desafia interpretações anteriores, que viam as cafeterias simplesmente como locais diretos de resistência contra a autoridade do Estado (o Antigo Regime), mostrando, também, como estavam inseridas no tecido social, econômico e político mais amplo da época.

Para chegar a esta narrativa, uma das abordagens, merecedoras de elogio em tempos digitais, é a pesquisa do autor em arquivos físicos – atividade fundamental a todo bom historiador, mesmo que ele tenha, à disposição, uma miríade de documentos digitalizados.

Outro ponto positivo é provocar, novamente, o debate histórico sobre as primeiras cafeterias, especialmente em estudos delimitados, já que cada país ou região tem sua cultura e processos particulares (embora nunca descontextualizados de um cenário mais largo). Tal perspectiva ilumina as maneiras matizadas pelas quais os interesses públicos e privados se cruzavam nesses espaços do início da modernidade.

Embora à época ele tenha sido criticado por não ter dado a atenção devida à relação entre o café e outras bebidas quentes, como chá e chocolate – o que daria, na minha opinião, um outro estudo, com outras fontes e múltiplas áreas de conhecimento –, seu trabalho foi elogiado por contribuir significativamente para a compreensão da evolução social e cultural dessas instituições.

Vale um último comentário: embora escrito há duas décadas, um estudo deste calibre perdura na historiografia, pois será contestado ou seguido em trabalhos posteriores. É assim que o debate histórico se move.

Produtividade e estética na arquitetura cafeeira

Arquitetura do Café (R$ 49, no Estante Virtual), do arquiteto e urbanista André Argollo, explora a arquitetura das fazendas de café na região de Campinas (SP), transformadas em centros experimentais por instituições governamentais de pesquisa. A obra mergulha no desenvolvimento da arquitetura agrícola, projetada para a produção rural, e fornece perspectivas arquitetônicas e históricas únicas sobre as fazendas cafeeiras da região.

As fazendas ao redor de Campinas são particularmente interessantes. Do ponto de vista da arquitetura, essas plantações refletem uma combinação de necessidade funcional e questões estéticas, uma
característica analisada profundamente pelo autor e que indica a importância dessas construções na história da cultura do café e no desenvolvimento econômico do país. Argollo destaca que a capacidade
industrial instalada nessas fazendas originou grandes empreendimentos rurais, relacionando, portanto, o desenvolvimento arquitetônico dessas propriedades às transformações técnicas e tecnológicas
da época. Este aspecto, inserido no amplo contexto da produção brasileira de café, teve, segundo estudiosos como Boris Fausto, transformações significativas, também, nas práticas de trabalho.

Argollo dá ênfase à documentação visual das fazendas por meio de fotografias detalhadas, que ajudam a compreender a escala e as complexidades desses espaços, e captura a essência desses locais.

É um olhar abrangente sobre a história arquitetônica e agrícola das fazendas de café em uma região chave do Brasil, enriquecido pela exploração visual impactante e pela análise rica do autor. O livro recebeu o prêmio Jabuti 2005 na categoria Arquitetura e Urbanismo e indicado para quem estuda arquitetura, agricultura e produção de café no Brasil – além de ser um trabalho que também deslumbra leitores de qualquer área. Vale ter na mesa de centro.

Texto originalmente publicado na edição #85 (setembro, outubro e novembro de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Cristiana Couto

Café & Preparos

Prepare sua agenda!

Confira eventos de café que acontecem no primeiro semestre do ano

O universo do café já está aquecido para 2025. No primeiro semestre, os principais festivais globais prometem reunir profissionais, entusiastas e amantes do café para celebrar a cultura e explorar as inovações e desafios do setor. Prepare a sua agenda para alguns dos principais eventos do seis primeiros meses do ano – como o São Paulo Coffee Festival, na capital paulista, e a Specialty Coffee Expo, em Houston, no Texas (EUA) – que movimentam o mercado de cafés especiais e conectam pessoas apaixonadas pelos grãos.

Feira do Cerrado
Quando: 5 e 6 de fevereiro
Onde: Núcleo da Cooxupé, Monte Carmelo (MG)
O que é: com o tema “Agricultura e mudanças climáticas: resiliência e oportunidades”, a feira, promovida pela Cooxupé (Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé) e em sua 10a edição, é voltada especialmente para os pequenos e médios produtores do Cerrado Mineiro. O evento conta com expositores de máquinas e insumos agrícolas, e traz as últimas inovações no setor. Em 2024, recebeu mais de 4,5 mil visitantes e reuniu 60 marcas.

Fenicafé 2025
Quando: 7 a 10 de abril
Onde: Parque de Exposições Ministro Rondon Pacheco, Araguari (MG)
O que é: organizada desde 1995 pela Associação dos Cafeicultores de Araguari (ACA), a Feira Nacional de Irrigação em Cafeicultura é uma oportunidade de troca de experiências entre técnicos, especialistas, empresas e produtores de café. O evento do triângulo mineiro é uma combinação de feira – com exibição de máquinas, serviços e tecnologias voltadas à irrigação na cafeicultura – e palestras técnico-científicas. Em 2024, acomodou cerca de 80 expositores e organizou 20 palestras. 

Alta Café
Quando: 8 a 10 de abril
Onde: Clube de Campo de Franca, Franca (SP)
O que é: feira da região da Alta Mogiana que reúne produtores locais, fornecedores e especialistas para discutir inovações e tendências na cafeicultura. Com foco na cadeia produtiva do café, o evento busca trazer soluções e tecnologias que permitam aos produtores ter maior produtividade e qualidade nos grãos. 

30º Encontro Nacional do Café (Encafé)
Quando: 23 a 25 de abril
Onde: Royal Palm Hall, Campinas (SP)
O que é: evento anual organizado pela Abic, reúne profissionais e empresas do setor cafeeiro para discutir tendências, inovações e desafios da indústria. A novidade deste ano é a compra do ingresso por dia escolhido e a divisão das atividades ao longo do dia – palestras pela manhã e feira de negócios durante a tarde e início da noite. Em 2025, o evento vai sediar a 3ª edição do Campeonato Brasileiro de Blends de Café e a 2ª edição da Olimpíada do Café, que buscam destacar, respectivamente, a excelência e a inovação na criação de blends e habilidades profissionais no setor. 

Re:Co Symposium 2025
Quando: 23 e 24 de abril
Onde: Houston, Texas (EUA)
O que é: tradicionalmente, a feira da SCA é precedida pelo Re:Co, simpósio de dois dias que traz discussões e seminários voltados para o futuro do café especial, conduzidos por alguns dos maiores especialistas da indústria. O simpósio deste ano tem nova abordagem – o spotlight – que busca estimular discussões mais colaborativas. A ideia é reunir um grupo pequeno de pessoas (produtores, especialistas e outros profissionais da área) para resolver questões “difíceis” sobre o café, definir “melhor” termos e conceitos utilizados pela indústria e planejar o futuro do grão, criando soluções práticas e inovadoras.

Specialty Coffee Expo
Quando: 25 a 27 de abril
Onde: George R. Brown Convention Center, Houston, Texas (EUA)
O que é: conhecida na área como “feira da SCA”, é o maior evento de cafés especiais dos Estados Unidos. Organizado anualmente pela Specialty Coffee Association (SCA), reúne produtores, torrefadores, baristas, pesquisadores, fornecedores de equipamentos e entusiastas do café. Inclui feira de negócios, palestras, degustações, workshops e seminários, além de sediar competições mundiais – em 2025, o World Coffee Roasting Championship (campeonato mundial de torra). Também premia produtos inovadores e branding em embalagens. Com 20 workshops e 60 palestras organizadas, focará em temas como regulamentos de sustentabilidade emergentes (por exemplo, a EUDR) e tendências e dinâmicas de consumo.

São Paulo Coffee Festival
Quando: 27 a 29 de junho
Onde: Pavilhão da Bienal, Parque Ibirapuera, São Paulo (SP)
O que é: um dos eventos mais importantes do calendário paulistano, o SPCF chega à sua quarta edição na expectativa de quebrar os números recordes de 2024: 15 mil visitantes e 130 marcas presentes. O evento, realizado pela inglesa Allegra Events e pela Espresso&CO, reúne coffee lovers, consumidores e profissionais do setor em três dias de feira, palestras, workshops e experiências sensoriais com café, embalados por boa música, gastronomia e cultura em torno do grão. O SPCF também organiza a Copa Barista, campeonato que consagra os melhores profissionais no preparo de espressos, filtrados e bebidas com leite e que, em 2025, alcança a 9a edição.

London Coffee Festival
Quando: 15 a 18 de maio
Onde: The Truman Brewery, Londres (Reino Unido)
O que é: o London Coffee Festival, um dos eventos europeus mais importantes da indústria do café, faz parte do movimento global de festivais de café organizados pela Allegra Events (foi o primeiro a ser lançado), que também realiza eventos em outras cidades como Amsterdã, Nova York e São Paulo. Reúne degustações, workshops, competições, arte e música, conectando produtores, torrefadores, baristas e consumidores. 

28ª Expocafé
Quando: 27 a 29 de maio
Onde: Aeroporto de Três Pontas, Três Pontas (MG)
O que é: realizada pela Cocatrel (Cooperativa dos Cafeicultores da Zona de Três Pontas), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (Ufla) e com a prefeitura de Três Pontas, e organizada pela Espresso&CO, a Expocafé é reconhecida como a feira mais tradicional da cafeicultura brasileira. A programação da 28ª edição inclui palestras e exposição de máquinas, produtos e insumos. Em 2024, reuniu 140 marcas expositoras. 

World of Coffee Geneva
Quando: 26 a 28 de junho
Onde: Palexpo Exhibition and Convention Center, Genebra (Suíça)
O que é: a World of Coffee (WOC) é uma das feiras internacionais mais importantes para o setor de cafés especiais, organizada pela Specialty Coffee Association (SCA). Realizada anualmente em diferentes cidades da Europa, este ano acontece em Genebra, na Suíça. Reúne profissionais e entusiastas do café para explorar as últimas inovações, tendências e práticas no mercado. Inclui expositores de diferentes países, workshops, seminários e palestras, além de ser palco de competições globais. Em 2025, sedia os campeonatos mundiais de Latte Art, Coffee in Good Spirits, Cezve/Ibrik e Cup Tasters.

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