Cafezal

Inscrições abertas para 18º Concurso Nacional ABIC de Qualidade do Café 2021

A Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) acaba de abrir as inscrições para o 180 Concurso Nacional ABIC de Qualidade do Café – Origens do Brasil – Safra 2021. O concurso tem como objetivo incentivar a produção de cafés de alta qualidade, estimular as melhores práticas agrícolas e a sustentabilidade, promover as regiões produtoras de café no Brasil, agregar valor ao produto e divulgar a diversidade de sabores e aromas da cafeicultura nacional junto aos consumidores, gerando valor para toda a cadeia, da produção ao consumo.

Para participar, basta ser produtor de café e ler todo o regulamento com atenção, preencher a ficha de inscrição, entregar a documentação necessária e as amostras selecionadas até o dia 3 de setembro de 2021.  Após serem recebidas, elas serão registradas, codificadas e apresentadas ao júri técnico para uma pré-seleção, onde serão classificadas quanto ao tipo, cor, aspecto, umidade, atividade de água, defeitos e à qualidade da bebida.

Serão selecionadas para o concurso aquelas que cumprirem as características mínimas exigidas por espécie. Cada propriedade poderá registrar apenas uma amostra do microlote representativo dos cafés da região, indicando a espécie, Coffea arábica e/ou Coffea canephora (conilon/robusta), e a forma de preparo (natural ou cereja descascado).

As amostras serão separadas de acordo com as espécies e avaliadas em prova cega para receberem uma nota de Qualidade Global com peso de 90% na nota final. Aquelas que obtiverem uma pontuação igual ou superior a 7.3 se classificam parra o leilão. Já as propriedades receberão uma nota referente ao nível de sustentabilidade através da apresentação de certificados emitidos por organizações reconhecidas nacional ou internacionalmente. Elas também poderão leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Café Editora

Café & Preparos

Café é tema de exposição no Museu de Arte Brasileira

O café é tema da próxima exposição do Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado (MAB FAAP). Chamada de Café Mundo, a mostra abre ao público no dia 21 de julho e busca apresentar aspectos da produção da bebida, os impactos históricos, hábitos, saberes e desdobramentos no campo das artes, da literatura, da música e do cinema ao longo dos séculos.

Com cenografia imersiva, a exposição abordará a bebida a partir de uma perspectiva global, seguindo dois eixos que se complementam: o café enquanto patrimônio ativo mundial e como tema das diferentes linguagens artísticas. A curadoria é de Marília Bonas e Pedro Nery.

“A Café Mundo espera atender ao desejo de milhares de pessoas envolvidas na cadeia do café, de produtores a consumidores apaixonados, ao compartilhar sua riqueza e importância, bem como sua potência em conectar culturas”, destaca Marília.

Fernanda Celidonio, diretora do MAB FAAP, adianta que a exposição contará com muitos recursos para envolver os visitantes na história e importância do café pelo mundo, trazendo curiosidades diversas e muita arte. “Haverá, ainda, uma programação virtual paralela, complementando o conteúdo disponível na mostra”, explica.

Café como patrimônio mundial

Mesas digitais e animadas apresentarão a trajetória da bebida, desde a cadeia de produção ao consumo, além de contar sua história e importância ao redor do globo. Neste espaço, o público terá a oportunidade de conhecer as características e curiosidades sobre o preparo e o consumo em diversos países.

Haverá também uma área dedicada aos objetos ligados à cultura do café, utilizados na produção, no preparo e no consumo, como máquinas e louças, entre outros materiais. “Será uma grande vitrine que reunirá exemplos da leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Justus Menke

Mercado

Fala Café #10: Entrevista com o presidente da illycaffè e os 30 anos do Prêmio Ernesto Illy no Brasil

Nesta sexta-feira (2), o Fala Café, projeto criado pela Revista Espresso em parceria com o portal CaféPoint, entrevistou Andrea Illy, presidente da illycaffè, marca italiana de café presente em mais de 140 países.

O 10º episódio abordou os 30 anos do Prêmio Ernesto Illy de Qualidade Sustentável do Café para Espresso, promovido pela illy no Brasil desde 1991. Durante este período, a premiação já incentivou o melhoramento de centenas de cafeicultores e desenvolveu a compra direta dos produtores e fornecedores.

Além da categoria nacional, o bate-papo também abordou o Prêmio Internacional Ernesto Illy, que homenageia as produções cafeeiras de todo o mundo; a origem da empresa italiana, fundada em 1933 com o objetivo de difundir a cultura do café; a Università Del Caffè, que oferece treinamento teórico e prático sobre o tema em Trieste, na Itália; e as mais de 100 xícaras da illy Art Collection, desenhadas por artistas renomados de diversas nações.

A entrevista exclusiva com Andrea Illy está disponível no YouTube da Revista Espresso, assim como os outros nove episódios anteriores, que abordam assuntos do campo à xícara e trazem personagens importantes do setor cafeeiro nacional.

TEXTO Redação • FOTO Evandro Monteiro/ Emontcar Fotografias

Receitas

Pudim de tofu

Ingredientes

Pudim
– 100 ml de água fervente
– 4 folhas de gelatina
– 175 g de tofu soft (temperatura ambiente)
– 5 colheres (sopa) de mel de jataí
– 350 ml de leite de soja sem açúcar, ou outro leite vegetal (temperatura ambiente)
– 1/2 colher (chá) de extrato de baunilha

Molho
– 1 bandeja pequena de morangos cortados em cubos
– 1 colher (sopa) de mel de mandaçaia
– Suco de meio limão (cravo, siciliano ou taiti)
– Folhas de hortelã para decorar

Preparo

Misture a água quente com as folhas de gelatina numa cumbuca até que as folhas estejam dissolvidas. Corte o tofu em cubos e coloque-os no liquidificador. Adicione o mel e o leite vegetal e bata até a mistura se tornar um creme liso. Adicione a gelatina dissolvida (já em temperatura ambiente) e o extrato de baunilha, e bata por mais 2 minutos. Passe a mistura por uma peneira com a ajuda de uma espátula, assim seu pudim vai ficar mais liso e sedoso. Coloque o creme em cumbuquinhas ou formas fundas de empadinha levemente pinceladas com óleo vegetal, cubra com um filme plástico e leve-as à geladeira por 1 hora. Enquanto o pudim firma, faça o molho de morango. Amasse os morangos com um garfo ou amassador de batatas. Adicione o mel e o suco de limão. Reserve. Quando o pudim ganhar consistência, desenforme-o num prato, despeje o molho de morango sobre ele e decore com as folhas de hortelã.

Rende 5 unidades

FOTO Daniel Ozana/Studio Oz • RECEITA Guilherme Kiyoshi, da Kanto Gastronomia Singular

Mercado

Etiópia busca aumentar exportação de café para a China

De acordo com autoridades, a Etiópia deseja ter o envolvimento da China no setor cafeeiro para aumentar a agregação de valor, já que o país da África Oriental busca aumentar suas receitas de exportação de café.

Adugna Debela, diretor-geral da Autoridade de Café e Chá da Etiópia, disse à Xinhua, em uma entrevista recente, que, como parte dos esforços em andamento, o país lançou uma iniciativa para atrair investidores chineses para se juntarem aos torrefadores de café locais para agregar valor e aumentar diretamente exportação de café para a China.

Segundo Debela, a Etiópia, que atualmente está trabalhando para penetrar no mercado de café asiático, promoveu a recém-desenvolvida Marca Nacional de Café da Etiópia para o mercado chinês durante uma exposição realizada na China.

A exportação do grão é frequentemente referida como a espinha dorsal da economia da Etiópia, na qual os principais destinos de exportação de café tradicionais do país eram Japão, Alemanha, Bélgica e Arábia Saudita.

“O mercado asiático é muito bom e oportuno para expandir e vender café, principalmente a China e a Coreia do Sul”, disse Debela. “Já convidamos investidores chineses para trabalhar em joint-venture com nossos torrefadores de café aqui na Etiópia. Um café de valor agregado pode ser exportado diretamente para a China”, acrescentou.

Apesar do impacto da pandemia de Covid-19 no andamento da promoção do café especial da Etiópia na China, o diretor-geral enfatizou a forte intenção do país de impulsionar tanto o envolvimento chinês leia mais…

TEXTO As informações são do Global Times / Tradução Juliana Santin • FOTO Café Editora

Café & Preparos

Saiba sobre a importância da torra do café em sexto episódio da websérie da BSCA

Nesta quarta-feira (30) acontece o lançamento do sexto episódio da websérie “A História do Café Especial – O olhar da BSCA em 30 anos”, realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Café Editora.

O vídeo da vez fala sobre os processos de torra do grão. Quem explica sobre a importância da etapa é Paulo Kleinke, Jordan Henrique Gomes e Eluana Santos, da Probat Leogap; Fernando Trajano, do Café Versado; e Donieverson dos Santos, da Bourbon Specialty Coffees.

Movimento da xícara ao grão

Com novos episódios lançados todas as quartas-feiras no YouTube da BSCA e no Instagram da Revista Espresso, o projeto busca levar informações relevantes sobre a cadeia do café especial ao consumidor final e a todas as pessoas que não possuem conhecimento deste universo, rebobinando o trajeto da bebida da xícara ao produtor e sua lavoura.

Com o intuito de aproximar as pontas do setor, a websérie conta com linguagem acessível e tradução em inglês. Deste modo, mais pessoas ao redor do mundo também podem conhecer de perto a história do café especial no Brasil e ficar por dentro de toda a qualidade da produção nacional!

TEXTO Redação • FOTO Café Editora

Mercado

Consumo mundial de café em 2021/2022 será superior à produção do grão

De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo mundial de café em 2021/2022 deve crescer e superar a produção do grão nesta temporada, causando uma redução nos estoques finais globais.

Segundo o relatório “Café: Mercado Mundial e Comércio” é previsto um aumento do consumo de café de 1,8 milhão de sacas de 60 kg, em relação à temporada anterior, chegando a 165 milhões de sacas, enquanto que a produção deve cair 11 milhões de sacas, para 164,8 milhões de sacas. O relatório também aponta que os estoques no final da temporada cairão para 32 milhões de sacas, o menor desde 2017.

O principal motivo do déficit de produção, como é conhecido no mercado, é a queda da produção brasileira, devido ao período de entressafra do ciclo do arábica (bienalidade negativa) e ao clima mais seco que o normal.

O USDA estima que a safra 2021/2022 do Brasil seja de 56,3 milhões de sacas, menor que as 69,9 milhões da safra anterior. Também é esperado que a demanda do mercado interno brasileiro cresça para um recorde de 23,7 milhões de sacas, o que reduzirá a exportação de 9 milhões de sacas, para 32 milhões de sacas. Os estoques finais no maior produtor de café do mundo devem encolher para apenas 1,5 milhão de sacas.

O USDA também prevê que a produção do segundo maior produtor, o Vietnã, suba para 30,8 milhões de sacas (mais 1,8 milhão) em 2021/2022, enquanto que o terceiro maior produtor do grão, a Colômbia, terá uma safra ligeiramente menor, de 14,1 milhões de sacas (queda de 200 mil sacas).

A produção da América Central e do México deve cair em 400 mil sacas, para 17,4 milhões de sacas, uma vez que os pequenos ganhos na Guatemala, Nicarágua e México são compensados por Honduras, que deve registrar redução de 700 mil sacas, colhendo 5,5 milhões.

TEXTO As informações são da Reuters / Tradução Juliana Santin • FOTO Joshua Glass

Barista

Bartenders e baristas: Inscrições abertas para competição de drinques com licor e café

Este ano, a Licor 43 apresenta a 5ª edição do Licor 43 Bartenders & Baristas Challenge, campeonato anual que desafia os profissionais participantes a criarem as melhores receitas que levem Licor 43 e café.

Essa é a segunda vez que o Brasil participa da competição. As inscrições gratuitas ficarão abertas entre os dias 21 de junho e 11 de julho, no site global da marca. Para participar é necessário que o candidato seja bartender ou barista profissional. O desafio é criar uma receita exclusiva contendo os dois ingredientes.

Saulo Yassuda, da Veja São Paulo; Mariana Proença, da Revista Espresso; Tomas Vieira, da Zamora Company América do Sul; e Zulu, mixologista responsável pelo grupo São Bento Gastronomia, irão avaliar os coquetéis dos seis finalistas. Nesta etapa serão levados em consideração: a ideia por trás do coquetel, o nome, a influência do Licor 43, a facilidade na hora da execução, a originalidade, a apresentação, a entrega, o sabor, o aroma e o conhecimento sobre café, novidade da edição.

O vencedor nacional será conhecido no dia 2 de agosto através de live no Facebook da Licor 43 Brasil e, em seguida, disputará a final global, realizada em outubro deste ano no YouTube oficial da marca.

No ano passado, em disputa acirrada entre os seis finalistas, o bartender do Rio de Janeiro, Genilson Ribeiro, levou o título de campeão e conquistou a vaga para disputar o mundial com o coquetel Impédio, que além da combinação sensorial, relacionou histórias do Brasil Colonial a cada um dos ingredientes da receita.

A combinação do coquetel Império, servido em taça coupé, leva 25 ml de Licor 43, 15 ml de café espresso, 10 ml de bitter, 20 ml de vinho Jerez e 20 ml de uísque The Famous Grouse. Para decorar, uma folha pequena e três grãos de café finalizam a bebida.

Entre os juízes globais estão: o guru dos coquetéis Merijn Gijsbers; o consultor e educador de café, Timon Kaufmann; e Penelope Bass, editora sênior da revista americana Imbibe. A tarefa deles será encontrar a melhor nova receita de coquetel Licor 43 com café. Em 2020, Annarose Krone, do O Nic’s on Beverly Bar, em Los Angeles, foi a grande vencedora global.

Mais informações: www.instagram.com/licor43brasil

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Rede Social do Café completa 15 anos

O ano era 2006 e a internet no Brasil ainda engatinhava. Vivia-se a lenta transição entre a internet discada e a banda larga. O movimento de redes sociais começava a despontar. O Myspace foi desenvolvido em 2003, o Facebook foi criado em 2004, o Twitter lançado em 2006 e o Instagram somente em 2010. Nenhuma dessas redes sociais tinha se destacado no Brasil e, na época, o que existia, ainda de forma embrionária, era o Orkut. O iOS – Sistema Operacional Móvel da Apple foi lançado, nos Estados Unidos, somente em 2007, e,  em 2008, surgiria o Android – sistema operacional que se tornou líder mundial. O WhatsApp, principal aplicativo multiplataforma de mensagens instantâneas e chamadas de voz para smartphones, foi lançado somente em 2009.  Nesse contexto de grandes transformações, surge a Rede Social do Café.

Na virada do milênio, foi fundada a Radium Systems, da fusão de mentes inquietas, homens de negócio, professores universitários, jovens programadores e criadores ávidos pelo novo horizonte digital que começava a se abrir. A empresa nasceu com o DNA da inovação, colaboração e conexão, possibilitados pelos meios digitais. Os esforços se direcionaram para a construção da Plataforma de Mídia Social Peabirus. Desde sua gênese, a rede foi criada para conectar profissionais, instituições e empresas, de forma a incentivar o compartilhamento de informações, construção do conhecimento e desenvolvimento de oportunidades.

O Peabirus chegou ao setor cafeeiro por intermédio do então secretário executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), Alberto Duque Portugal e do então gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Ferreira Bartholo, que gerenciava o Consórcio Pesquisa Café. O café foi uma das pautas que sustentou o Peabirus desde o lançamento, dia 28 de junho de 2006, há 15 anos.  Daí em diante, desenhou-se uma revolução no modelo de comunicação entre as instituições participantes do Consórcio e os demais segmentos da cadeia café, numa troca dinâmica de informações para incentivar a incorporação das tecnologias geradas pela pesquisa e colocar a cadeia produtiva dentro do moderno contexto da sociedade da informação.

Desde os primórdios a RSC contou com articulação e mediação de Sérgio Parreiras Pereira, pesquisador cientifico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), instituição vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Com o passar dos anos, das comunidades de prática ligadas ao café existentes no Peabirus, sobreviveu apenas uma, a Comunidade Manejo da Lavoura Cafeeira, que evoluiu, em 2011, para a Rede Social do Café (RSC).

Ao completar 15 anos, a rede demonstra uma força surpreendente, com a marca de 24 milhões de acessos em mais de 65 mil tópicos com foco no sistema agroindustrial dos cafés do Brasil. Trata-se de um leia mais…

TEXTO Sergio Parreiras Pereira • FOTO Agência Ophelia

Cafezal

A ovelha cafeicultora da família

Guiada pela intuição, Cristiane Zancanaro mudou os rumos do negócio familiar e pôs o Cerrado goiano no mapa do café especial

Há oito anos, a advogada Cristiane Zancanaro descobriu que estava grávida – do terceiro filho e do sonho de trabalhar com café especial. O pequeno Felipe foi concebido durante uma viagem ao Chile, quando ela e o marido, Daniel, conheceram as famosas vinícolas do país. Ao ver o cuidado no processamento das uvas viníferas, ela teve um estalo: aquilo também deveria ser feito com os grãos de café colhidos na propriedade da família, a Fazenda Nossa Senhora de Fátima, em Cristalina (GO).

À época, Cristiane comandava o departamento de recursos humanos do negócio dos Zancanaro. “Queria ser advogada e atuei por alguns anos, mas logo percebi que a advocacia é dos homens, que a justiça não é de Deus. Muitas vezes uma pessoa ganhava causas sem prova ou perdia porque o empregador era mais esperto. Isso me desestimulou demais. Por isso vim para a empresa familiar, para deixar as coisas certas. Fomos a primeira empresa rural do Brasil a ter ponto eletrônico”, lembra. Com o embrião do café na cabeça, no entanto, foi difícil pensar em voltar para o escritório.

Durante a licença-maternidade, Cristiane mergulhou de cabeça no café especial: entre visitas à fazenda com os três meninos e cursos no Coffee Lab, em São Paulo (SP), ela estava decidida a mudar de carreira. “A maternidade faz você ficar com os sentidos mais aguçados, mas eu acho que, mesmo se não tivesse ido ao Chile, teria encontrado o caminho do café. A gravidez me trouxe a sensibilidade de encarar um projeto como esse”, afirma.

Cristiane Zancanaro

O começo não foi fácil: da propriedade dos Zancanaro saem não só sacas de café, mas de milho, feijão e soja – e os frutos do cafezal eram tratados como grãos comuns, ou seja, eram armazenados com os outros produtos, sem grandes cuidados, misturando-se as variedades. Na primeira safra, ela lembra, eles tiveram que vender um lote inteiro mais barato porque o café havia sido armazenado, inadvertidamente, ao lado de um trator – ficou com gosto de borracha. “Fui aprendendo na marra. A gente tem essa vantagem por ser novata num negócio: nós gostamos de novas tecnologias, de novidades. Mas também erramos muito!”, comenta. Pouco a pouco, ela conseguiu convencer o conselho familiar a instalar o maquinário de beneficiamento dos grãos, além dos terreiros de secagem.

Cristiane ainda enfrentava outro problema nesse começo: a insegurança, remediada com uma boa dose de intuição. “Eu conversava com agrônomos, consultores, especialistas, mas sabia o que estava fazendo. É algo que ainda trabalho dentro de mim, essa autoconfiança. Às vezes a mulher não se valoriza nesse sentido. Quando vejo que sou a única mulher em uma reunião, penso: como vou falar algo contra todos esses homens? Mas eu sei do que estou falando. Muitas vezes, a explicação não está só na ciência, tem intuição. Eu me realizo muito no café especial porque vejo minha intuição aparecendo”, afirma. leia mais…

TEXTO Clara Campoli • FOTO Rafaela Felicciano