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Jacques Carneiro conquista o tricampeonato brasileiro de Cup Tasters

Degustador da Unique Cafés venceu pela segunda vez seguida e vai representar o Brasil no Mundial de 2027

Jacques Carneiro e sua esposa

Jacques Pereira Carneiro conquistou pela terceira vez o Campeonato Brasileiro de Cup Tasters. Cofundador e diretor de inovação da Unique Cafés, de Carmo de Minas (MG), ele venceu a final realizada no sábado (3), em Reduto, na Zona da Mata mineira. Bruno Megda, degustador de Cabo Verde (MG), ficou em segundo lugar, e José Augusto Naves, da Naves Comércio de Café, de Varginha (MG), em terceiro.

Com o título, Carneiro será o representante brasileiro no World Cup Tasters Championship de 2027, ainda sem data e local definidos pela Specialty Coffee Association (SCA).

Duas vitórias no mesmo ano

Organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), o Campeonato Brasileiro de Cup Tasters aconteceu entre 1º e 3 de outubro, durante a primeira edição do Arábica Coffee Festival. Na final, Carneiro identificou corretamente seis dos oito conjuntos de cafés apresentados, em 7 minutos e 28 segundos.

A competição testa a capacidade sensorial dos provadores por meio de triangulações. Em cada uma, o competidor recebe três xícaras, sendo duas delas com o mesmo café. O desafio é identificar a xícara diferente. O número de acertos é o principal critério de classificação e, em caso de empate, vence quem conclui a prova em menos tempo.

Em março deste ano, Carneiro havia vencido a edição anterior do campeonato, durante o Festival Mantiqueira de Minas, em Carmo de Minas (MG). O resultado garantiu a ele a vaga no Mundial realizado dois meses depois, em Bangcoc, na Tailândia.

“Desta vez, estava mais solto e conhecedor das regras para poder definir estratégias diferentes para cada rodada”, disse Carneiro sobre a experiência de disputar duas edições do campeonato nacional no mesmo ano.

O mineiro soma agora três títulos nacionais. O primeiro, conquistado em 2006, o levou ao Mundial de 2007, quando terminou em terceiro lugar – a segunda melhor posição de um brasileiro na história da competição. A melhor veio em 2024, quando Dionatan de Almeida, de Três Pontas (MG), tornou-se o primeiro brasileiro campeão mundial de Cup Tasters, em Chicago, nos Estados Unidos.

Para o Mundial de 2027, Carneiro terá mais tempo para se preparar. “Quero alcançar uma boa colocação”, afirma o campeão, que pretende dedicar cerca de cinco horas semanais ao treinamento sensorial até a competição.

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Baristas sonham com espressos pré-extraídos?

Popular em cafeterias de alto fluxo, o pre-batched desafia conceitos tradicionais ao propor mais eficiência sem abrir mão da qualidade na xícara

Por Letícia Souza

O espresso já não precisa ser extraído no momento do pedido para chegar à xícara com qualidade. A prática de preparar, armazenar e servir doses previamente extraídas – conhecida como pre-batched espresso (espresso pré-extraído, em português) – vem ganhando espaço em cafeterias de alto fluxo em cidades como Londres, Melbourne e Nova York. Defendida por alguns profissionais como um recurso para aumentar a eficiência sem comprometer o resultado sensorial, a técnica tem provocado debates entre baristas e chamado atenção nas redes sociais.

A expansão do pre-batched espresso também reflete mudanças estruturais no mercado de cafés especiais. Para o consultor norte-americano Scott Rao, autor de The Coffee Roaster’s Companion e considerado uma das principais referências em torra de cafés especiais, a técnica ganhou espaço não apenas por ser inovadora, mas como resposta a desafios operacionais enfrentados pelas cafeterias. “Assim como o preparo em lotes de café filtrado, essa técnica economiza tempo e mão de obra. O espresso pré-extraído está se tornando popular na Austrália, sem dúvida porque o país tem o maior número de cafeterias especializadas per capita do mundo, os salários são altos e as cafeterias têm dificuldade para acompanhar a inflação e aumentar aos preços”, afirma ele, em entrevista à Espresso.

A discussão passa também pelo entendimento do pre-batched espresso como ferramenta. Henrique Ortiz, cofundador da cafeteria e torrefação Catarina Café & Amor, na Vila Mariana, em São Paulo, acredita que a técnica deve ser vista como um recurso adicional, e não como substituta do trabalho de um profissional. “É mais uma ferramenta à disposição dos baristas para melhorar a experiência dos clientes, seja diminuindo o tempo de espera, seja aumentando a consistência e a qualidade da bebida”, diz.

Ortiz, porém, faz uma ressalva: “Assim como qualquer outra técnica, quando é empregada de maneira errada pode acabar com o produto final. Não basta somente misturar vários espressos em uma jarra”.

A ferramenta por trás da tendência

Na prática, o barista extrai múltiplas doses de espresso seguindo a mesma receita. Em seguida, elas são resfriadas rapidamente e armazenadas em um único recipiente, geralmente por períodos curtos, que variam de duas a seis horas. O lote passa então a servir de base para bebidas como iced lattes, americanos gelados ou drinques autorais.

A técnica reduz significativamente o tempo de preparo das bebidas e pode se tornar uma aliada em horários de maior movimento nas cafeterias. Na Casa 44, em Santos (SP), o procedimento é utilizado principalmente em preparos nos quais o espresso será combinado a outros ingredientes. “O pre-batched espresso foi implementado pelo head barista anterior da casa, e o motivo foi a praticidade na hora de preparar bebidas que incluem o espresso”, comenta Marcus Martins, barista da casa, citando o iced latte (espresso, leite e gelo) e o cappuccino brasileiro (espresso, leite, chocolate e canela).

Os ganhos operacionais podem ser ainda mais relevantes em negócios com estruturas menores. Ortiz conta que, em sua cafeteria, equipada com uma máquina de espresso de apenas um grupo, a adoção da técnica trouxe resultados expressivos. “Nos meses de frio, a demanda por bebidas quentes aumenta e cria um congestionamento de pedidos na máquina”, explica. “A gente percebeu um ganho de até 70% na velocidade de preparo durante os horários de pico”, calcula.

Outra vantagem da técnica é a de que, ao trabalhar com um único lote, ela também reduz variações entre extrações individuais – um desafio comum mesmo em equipes bem treinadas.

Ortiz observa esse avanço na consistência das bebidas. “Nosso preparo de espresso tem várias etapas, como pulverização de água, WDT [técnica de distribuição do café moído no porta-filtro] e inclusão de minerais”, explica ele. “Com o pre-batched, consigo até fazer uma gestão de qualidade dos lotes usando um medidor de TDS [total de sólidos dissolvidos], aproveitando o tempo ocioso da cafeteria e garantindo que as bebidas saiam perfeitas no pico”, conclui.

Para Rao, no entanto, a eficiência operacional ajuda a explicar a popularização da técnica, mas não sua consolidação. Segundo ele, a permanência do pre-batched espresso depende, sobretudo, do resultado sensorial na xícara. Se a bebida comprometesse a experiência do consumidor, ensina o especialista, dificilmente ganharia espaço nas cafeterias.

Ao simplificar o fluxo de trabalho, a técnica também libera tempo para atividades que vão além da extração do café, como a finalização das bebidas, o atendimento e a interação com os clientes. “Imagine que antes eu teria que limpar o porta-filtro, fazer o flush da máquina, despejar o café no moinho, nivelar e compactar com o tamper, para só depois conseguir fazer uma extração de aproximadamente 30 segundos. O pre-batched me possibilita pular todas essas etapas e apenas pesar o café que eu tiro de uma bisnaga”, complementa Martins.

A química do pre-batched

Apesar de recente nas redes sociais, a ideia de trabalhar com café previamente extraído não é nova. Henrique Ortiz lembra que versões rudimentares da prática já apareciam em cafeterias há anos. “Dez ou quinze anos atrás, algumas casas guardavam doses de espresso que sobravam para usar em bebidas geladas. Mas aquilo oxidava e tinha um gosto bem ruim; o apelido era ‘lama’”, conta.

Segundo Ortiz, a diferença, hoje em dia, é justamente o refinamento técnico – fazer o processo exige pontos de atenção, como a oxidação e a desgaseificação da bebida. “Temos que entender que a ferramenta do pre-batching pode ser muito útil, mas, ao mesmo tempo, com limitações”, alerta Martins.

Após a extração, o espresso começa a reagir com o oxigênio, alterando aromas voláteis, a percepção de acidez e a complexidade sensorial. Além disso, o gás carbônico acumulado no café durante o processo de torra também contribui para a percepção de corpo e para a formação da crema do espresso. Com o passar do tempo, porém, esses gases se dissipam, reduzindo a textura e deixando a bebida mais “flat” – termo usado para descrever cafés com menor intensidade e complexidade sensorial.

No pre-batched, o barista trabalha justamente com uma bebida que já perdeu parte significativa desse CO2. O resultado, embora menos vibrante, pode ser suficientemente estável para aplicações em que a crema tem pouca relevância, como iced lattes, americanos gelados ou bebidas cuja textura é fornecida por outros ingredientes, como leite e matcha.

Apesar dessas transformações químicas, Rao argumenta que a diferença sensorial pode ser menor do que muitos imaginam. Segundo ele, cafeterias que trabalham com a técnica costumam filtrar o espresso antes do armazenamento refrigerado. “A filtragem remove a crema e alguns sólidos em suspensão, o que torna o café mais limpo”, explica o especialista. Por isso, ele acredita que o espresso pré-extraído costuma ter um sabor melhor do que o espresso fresco. “Se você experimentar coar um espresso fresco em um filtro de papel, perceberá como a remoção de alguns sólidos pode deixar o sabor mais limpo”, argumenta.

Isso ajuda a explicar porque a técnica aparece com mais frequência em determinadas categorias de bebidas. “Em nossas pesquisas, vimos que quem implementa a técnica acaba direcionando-a para bebidas com leite, para substituir o espresso tirado na hora. Mas também já a testamos com bebidas frias e drinques”, relata Ortiz. Ele pondera, porém, que a ausência da crema impõe limites: “Não daria para substituir os espressos puros tradicionais do cardápio”.

Segundo Rao, não é coincidência que a técnica esteja mais presente em bebidas lácteas, nas quais as diferenças tendem a ser menos perceptíveis. “No leite, a diferença em relação ao espresso fresco é sutil, mas o espresso pre-batched geralmente tem um sabor um pouco mais fraco e limpo do que o espresso fresco”, explica.

Martins concorda que a técnica faz mais sentido em bebidas nas quais o café não é o protagonista, como preparos com leite e gelo. “Nelas, o consumidor médio dificilmente vai conseguir sentir diferença entre um espresso fresco e um pré-extraído”, enfatiza.

Para minimizar essas transformações, o armazenamento hermético – que reduz o contato com o oxigênio – é essencial, assim como o uso relativamente rápido da bebida, geralmente entre duas e seis horas após a extração.

O processo começa antes mesmo do armazenamento. Moagem, receita e parâmetros de extração são pensados levando em conta o comportamento do espresso após a desgaseificação. Em vez de tentar preservar indefinidamente um espresso “perfeito”, a técnica busca controlar mudanças recorrentes para entregar um resultado previsível na xícara.

A temperatura também é uma variável-chave. O resfriamento rápido – às vezes feito em banho de gelo ou em recipientes térmicos – desacelera as reações químicas que continuam ocorrendo após a extração, ajudando a preservar o perfil sensorial da bebida. Algumas cafeterias ainda recorrem a pequenas diluições com água para estabilizar o sabor do espresso ao longo do tempo, uma prática inspirada na coquetelaria.

Além das cafeterias

No exterior, a técnica ainda divide opiniões, especialmente entre profissionais que acreditam que ela reduz o caráter artesanal do espresso. Para o consultor e mestre de torra norte-americano Scott Rao, porém, a discussão faz parte da evolução natural do café especial. “O espresso pré-preparado não vai eliminar o espresso fresco nem desaparecer. Ele vai conquistar uma fatia do mercado”, afirma.

Martins concorda que há espaço para o crescimento da prática, mas ressalta que sua adoção exige cuidados. “Devemos sempre prezar por um espresso bem regulado, independentemente de ser servido na hora ou armazenado para uso posterior”, afirma. “Na minha opinião, o lote deve ser pequeno e refeito sempre que necessário para que possamos trabalhar com o café mais fresco possível.”

Para Ortiz, o potencial da técnica pode ir além das cafeterias especializadas. “Padarias, hotéis, restaurantes e outros negócios onde o café não é o foco podem se beneficiar muito. O pre-batched pode ser preparado por um barista e servido por outros profissionais, mantendo a qualidade sensorial.”

Se ainda está longe de um consenso entre os puristas, uma coisa parece clara: o pre-batched espresso já deixou de ser uma curiosidade de laboratório e se consolida como uma das mais recentes tentativas de equilibrar qualidade e eficiência na cafeteria contemporânea.

Texto originalmente publicado na edição #92 (junho, julho e agosto de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Letícia Souza

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Gaggia Brasil realiza 1º Campeonato Home Barista em Campinas (SP)

Competição voltada para coffee lovers contou com 16 participantes e um júri com profissionais de diferentes áreas do setor de cafés especiais 

Pódio do Campeonato Home Barista Gaggia. Da esquerda para a direita, Kellson Marcus, David Yang e Deborah Veneziano

Por Gabriela Kaneto, de Campinas (SP)

A Gaggia Brasil realizou, entre 19 e 20 de setembro, em Campinas (SP), o 1º Campeonato Home Barista Gaggia, destinado a consumidores e entusiastas do café que utilizam máquinas da marca em casa. Ao todo, 16 participantes disputaram o prêmio. A Espresso esteve presente como apoio de mídia.

O título ficou com David Yang, coffee lover e diretor de agroturismo da Região Vulcânica. O pódio também contou com Deborah Veneziano na segunda colocação e Kellson Marcus em terceiro lugar. Os três primeiros colocados receberam troféus e máquinas da Gaggia como premiação.

“Ganhar este campeonato significa muito pra mim, pois sou um ‘gaggialover’ desde que entrei no universo do espresso, quando adquiri a Gaggia Classic”, conta Yang à Espresso. “Ser o primeiro campeão home barista e fazer parte da história de uma marca que admiro é incrível. Iniciativas como essa abraçam a comunidade, valorizando a paixão e a dedicação que temos pelo café, além de atrair e incentivar mais pessoas a conhecer e valorizar o que está por trás de uma boa xícara”, comenta.

A competição

Em formato de chaves, os competidores tiveram que preparar e apresentar aos juízes sensoriais duas unidades de espresso e de uma bebida com leite. Durante a apresentação, eles também foram avaliados por juízes técnicos, que observaram aspectos relacionados ao preparo e à operação dos equipamentos. A máquina oficial da competição foi a Gaggia Classic UP.

“O Campeonato Home Barista da Gaggia foi criado para dar aos amantes do café a oportunidade de vivenciar uma competição de verdade, concorrendo em condições de igualdade com outros home baristas e mostrando seus conhecimentos técnicos e sensoriais para uma banca de juízes profissionais”, explica Daniel Alves, barista e embaixador da Gaggia Brasil.

No júri, a competição reuniu profissionais de diferentes áreas do setor de cafés especiais, como Roberto Polillo, sócio da Sabino Coffee Co., juiz internacional e técnico de campeões nacionais de Brewers; Fernanda Marqueria, Q-Grader e Sensory Professional pela SCA, responsável pelo Centro de Preparação do Café do Museu do Café, em Santos; Antônia Silva, coordenadora de torrefação, mestre de torra e professora no Coffee Lab; Sergio Parreiras Pereira, pesquisador científico do Instituto Agronômico de Campinas (IAC); Gabriela Kaneto, jornalista da Espresso&CO, empresa que organiza o São Paulo Coffee Festival e a Semana Internacional do Café; e Leonardo Kento, da Kento Cafés Especiais, produtor de cafés orgânicos, barista, mestre de torra, Q-Grader e juiz de campeonatos de Brewers.

Para a Gaggia Brasil, a iniciativa busca aproximar o universo dos cafés especiais do consumidor doméstico e valorizar o preparo de café fora do ambiente profissional. “Mais do que uma competição, o evento teve como objetivo aproximar consumidores, entusiastas e profissionais do universo do café, mostrando que equipamentos de alta performance podem transformar a experiência de preparar um espresso em casa e abrir novas possibilidades para quem deseja aprimorar suas técnicas”, destaca Umberto Milo, CEO da Imeltron, representante oficial e importadora exclusiva da Gaggia no Brasil.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Divulgação Gaggia

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Healing fiction: Por que um bom café está nesses livros asiáticos 

Cena da série Gostaria de uma Xícara de Café?

Por Leonardo Neiva

Boas leituras, conversas profundas com desconhecidos e um refúgio das demandas constantes do mundo real — tudo isso embalado por dezenas de xícaras fumegantes de café. Essa é a receita para o sucesso global do livro Bem-Vindos à Livraria Hyunam-Dong (editora Intrínseca, 2023), da autora sul-coreana Hwang Bo-Reum.

A obra é uma das principais representantes da healing fiction, ou ficção de cura, gênero 100% nascido em países do Extremo Oriente, como a Coreia do Sul e o Japão. Além de ser hoje um sucesso global, em especial na literatura, o gênero também está profundamente ligado à cultura do grão. 

Fenômeno com mais de cinco milhões de cópias vendidas, a série literária japonesa Antes Que o Café Esfrie, de Toshikazu Kawaguchi, apresenta viagens ao passado enquanto a bebida permanece quente. Em O Café Literário de Soyangri, da sul-coreana Kim Jee Hye, a pequena loja do título vira refúgio para almas cansadas. Já no misterioso estabelecimento de Os Gatos do Café da Lua Cheia, felinos ajudam os clientes a encontrar a felicidade.

Mas por que essa conexão tão forte entre um gênero de ficção e a bebida? A resposta para isso pode estar em uma outra pergunta: existe cenário melhor para uma narrativa centrada em momentos de bem-estar e relaxamento do que uma tranquila mesa servida com café?

Afinal, o objetivo da ficção de cura é “contar histórias para confortar e oferecer um senso de acolhimento, recusando suspenses e grandes conflitos e colocando em pauta reflexões sobre a vida cotidiana em meio às estruturas sociais da atualidade”, descreve a professora e pesquisadora da Universidade Federal Fluminense (UFF) Daniela Mazur, diretora cultural do Instituto Cultural Brasil-Coreia.

Cena da série Gostaria de uma Xícara de Café?

Uma crítica ao capitalismo

O gênero nasceu na primeira metade do século XXI com o intuito de questionar os impactos do capitalismo na vida das pessoas, explica a pesquisadora. Em meio a uma lógica de trabalho e saúde mental cada vez mais precarizadas, ele não só discute essas questões como propõe momentos de pausa para descanso e contemplação. E vem florescendo em um Japão e uma Coreia do Sul em que o café protagonizou pequenas revoluções na virada do milênio, com dezenas de milhares de cafeterias se tornando parte integral do cenário urbano em ambos os países.

“O yiashi, essa ideia de conforto, acolhimento e restauração emocional, não é algo novo na cultura japonesa, mas está ganhando novas formas e aparecendo com mais força”, reforça Anderson Kagawa, brasileiro fundador e head de operações da Eldorado Japan. Segundo ele, as cafeterias e o café surgem com tanta frequência nessas histórias justamente por serem lugares que proporcionam esse tipo de experiência, funcionando como “elementos de conforto” em um país onde a solidão já se tornou até problema social.

“[A cafeteria] é um espaço onde você pode desacelerar, ficar sozinho, apreciar, conversar, criar conexões ou simplesmente ter alguns minutos de tranquilidade no meio da rotina pesada”, conta Kagawa.

Para ele, isso também reflete um momento em que, no Japão, o foco já não está só em quão especial é o café que você está bebendo, mas também naquilo que vem junto com a xícara: “O ambiente, a experiência e a própria cafeteria acabam se tornando tão importantes quanto a bebida.”

Público e íntimo

O café também é capaz de fazer uma ponte até inusitada entre rotina e pausa, na visão de Gustavo Balducci, jornalista que escreve sobre k-pop e dramas asiáticos para a revista Capricho. Ele funciona como companhia perfeita para diferentes situações: pode servir tanto para embalar uma conversa de trabalho quanto como ritual de desaceleração. 

“Nas narrativas de healing fiction, esse tipo de ritual tem bastante importância. Uma xícara de café pode parecer um detalhe pequeno, mas justamente por isso ela ajuda a construir a ideia de que o conforto e o cuidado não precisam estar associados a acontecimentos grandiosos”, afirma Balducci. 

O gênero, aliás, já escapa das fronteiras da literatura e surge no audiovisual, também associado à cultura da bebida, em séries como as coreanas “Gostaria de uma Xícara de Café?”, disponível no streaming Rakuten Viki, e “Irei Quando o Tempo Estiver Bom”, na Netflix.

Para além de todos os aspectos que aproximam a ficção de cura e o universo do café, uma cafeteria guarda também um caráter ao mesmo tempo público e íntimo, acrescenta o jornalista. “Você pode estar cercado de pessoas e permanecer sozinho. Pode encontrar alguém por acaso, começar uma conversa ou só observar o movimento.” Uma  ambiguidade que combina perfeitamente com a trajetória de tantos personagens em busca de se reconectar com o mundo.

Conheça alguns livros

  • Hwan Bo Reum, Bem-Vindos à Livraria Hyunam-Dong, Intrínseca, 2023. R$ 24,90 no site Estante Virtual
  • Kim Jee Hye, O Café Literário de Soyangri, editora Quinta Essência, 2025. R$ 50 no site da Livraria da Vila
  • Mai Mochizuki, Os Gatos do Café da Lua Cheia, editora Intrínseca, 2024. R$ 35,91 no site da Amazon
  • Michiko Aoyama, Chocolate Quente às Quintas-Feiras, editora Arqueiro, 2024. R$ 39,90 no site da Livraria da Travessa
  • Toshikazu Tawaguchi, Antes Que o Café Esfrie, Valentina, 2022. R$ 39,80 no site Mercado Livre

TEXTO Leonardo Neiva

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São Paulo recebe o primeiro Café Lacoste da América Latina

A capital paulista foi a escolhida para receber a primeira cafeteria da marca Lacoste na América Latina. Localizado no Shopping Cidade Jardim, o espaço segue o mesmo conceito de outras unidades francesas, como a de Paris e a de Mônaco, reunindo hospitalidade, gastronomia e design. A escolha de São Paulo, segundo a marca, reforça a relevância estratégica do mercado para a Lacoste e reconhece a cidade como um dos principais polos de moda, cultura e consumo de luxo da região. 

No Brasil, a operação de cafés está a cargo da rede de cafés especiais IL Barista, comandada por Gelma Franco. Entre as opções da carta de bebidas estão espresso, duplo espresso, macchiato, americano, latte, coado e o Eau de Croco – drinque preparado com água de coco, matcha e gengibre. 

O conceito gastronômico da casa foi pensado pelo empresário e restaurateur italiano Riccardo Giraudi, conhecido por reunir tendências de design, estilo de vida e alta culinária. Com referências à boulangerie e à cozinha francesa de bistrô, o menu reúne sanduíches, croissants, pain au chocolat e gougère — especialidade da Borgonha feita com massa choux e queijo. Entre os pratos estão o croque-monsieur, o croque-césar, releitura inspirada na salada Caesar, e o green avo smash, abacate cremoso servido sobre pão. 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Copa Matcha reúne competidores em dez cidades e aproxima universos do café e do chá

3ª edição reuniu simultaneamente baristas em dez cidades em disputas que combinam técnica, criatividade e comunidade

Foto: Gabriela Kaneto

A terceira edição da Copa Matcha movimentou, simultaneamente, dez cidades brasileiras na noite da última quinta (20), com disputas que reuniram profissionais e entusiastas de café e chá. Em São Paulo, a competição aconteceu na cafeteria Hyu Haus e foi acompanhada de perto pela Espresso, parceira de mídia do evento.

Realizada pela Namu Matcha e pela Mana Coffee, a competição busca aproximar os universos das duas bebidas em uma disputa que combina técnica, criatividade e comunidade. Em cada etapa, os participantes foram desafiados a preparar matcha lattes, colocando à prova não apenas a habilidade no preparo da bebida, mas também a consistência e a execução sob a pressão da competição.

16 competidores entraram na disputa, organizada em chaves eliminatórias. A cada rodada, um desenho era sorteado e o barista do latte mais votado avançava para a próxima etapa, até a definição dos vencedores locais.

“Este é o terceiro ano que estamos fazendo a Copa Matcha e ela vem crescendo cada vez mais. Em 2024, a disputa aconteceu em três cidades. Já em 2025, saltamos para oito. Agora são dez. Vamos ver quantas vão ser nos próximos anos”, comemora Álvaro Dominguez, diretor da Namu Matcha. “A ideia é cada vez mais juntar a comunidade dos baristas e todo o universo que está ao redor do atendimento e da hospitalidade das cafeterias, para fazer disso algo divertido”.

Foto: Gabriela Kaneto

Além da competição em si, a Copa Matcha vem se consolidando como um ponto de encontro para profissionais de diferentes áreas e para uma comunidade cada vez mais interessada nas possibilidades do matcha. A proposta também reflete a crescente presença da bebida em cafeterias e outros espaços ligados à cultura do café, abrindo caminho para novas técnicas, combinações e formatos de consumo.

Em um pódio totalmente feminino, Roberta Fukunaga conquistou o primeiro lugar da competição em São Paulo, seguida por Maria Santos, na segunda colocação, e Maria Eduarda Farias, em terceiro. Além da capital paulista, a Copa Matcha aconteceu no Rio de Janeiro, Florianópolis, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Maringá, Recife e Goiânia.

A terceira edição da Copa Matcha foi realizada pela Namu Matcha e pela Mana Coffee, com parceria de Nude, Pasquali, Tsmart e Lindoya Verão. A Espresso participou como parceira de mídia, enquanto Escola de Chá e ABChá atuaram como parceiros institucionais.

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Copa Matcha abre inscrições para competição de latte art em dez cidades brasileiras

Evento promovido pela Namu Matcha leva a competição para dez cafeterias brasileiras e reforça o crescimento da bebida no mercado nacional

Foto: Vic Mrtns Foto & Vídeo

Baristas interessados em disputar a edição 2026 da Copa Matcha já podem se inscrever para a competição de matcha latte art, que será realizada em 20 de agosto, simultaneamente em dez cidades brasileiras. As inscrições custam R$ 30 e devem ser feitas pelos perfis das cafeterias participantes em cada cidade.

Promovida pela Namu Matcha, a competição acontece nas cafeterias Hyus Haus (São Paulo/SP), Move Coffee (Rio de Janeiro/RJ), Nakombi Coffee Co. (Florianópolis/SC), Ernesto Cafés Especiais (Brasília/DF), OOP Café (Belo Horizonte/MG), Asteristico Café (Curitiba/PR), XOX Coffee Club (Porto Alegre/RS), Colha Padaria (Maringá/PR), Versado Café (Recife/PE) e Let’s Bora Café (Goiânia/GO). Durante as disputas eliminatórias, os competidores produzem desenhos em bebidas à base de matcha diante do público, em um formato voltado à interação e ao compartilhamento nas redes sociais.

Segundo a organização, a edição de 2025 reuniu mais de 120 inscritos, alcançou mais de 50 mil pessoas e somou mais de 100 mil visualizações. Os vencedores deste ano receberão prêmios oferecidos pelas marcas Namu Matcha, Nude, Pasquali, Escola de Chá Embahú e Lindoya.

Idealizada para valorizar o trabalho dos baristas e ampliar a presença da cultura do chá nas cafeterias brasileiras, a Copa Matcha reúne profissionais, empresários do setor, criadores de conteúdo e consumidores em torno da bebida.

A Espresso é apoio de mídia da edição 2026.

TEXTO Redação • FOTO Vic Mrtns Foto & Vídeo

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Intertorra 2026 discutirá tendências em Poços de Caldas (MG)

Encontro chega à Região Vulcânica em agosto para reunir profissionais da cadeia cafeeira em torno de inovação, tecnologia e tendências 

Sessões de torra, degustações de cafés de diferentes origens, demonstrações de equipamentos e debates sobre tecnologia e qualidade compõem a programação do Intertorra 2026, que será realizado de 28 a 30 de agosto no campus do Instituto Federal do Sul de Minas (IF Sul de Minas), em Poços de Caldas (MG). Voltado aos profissionais da cadeia cafeeira, o encontro reunirá produtores, traders, mestres de torra, proprietários de cafeterias, baristas e especialistas.

Situado na região produtora dos cafés da Região Vulcânica, o evento terá palestras técnicas sobre temas como análise microscópica, torra para cápsulas de cafés especiais, controle de qualidade e inovação, além de showcases de produtos e equipamentos. Os ingressos custam R$ 1,8 mil por pessoa e incluem alimentação durante os três dias e certificado de participação.

O encontro ocorre em um momento de crescimento do mercado de cafés especiais, em que torrefações buscam aumentar a eficiência dos processos e agregar valor ao produto. Segundo Matheus Tinoco, mestre de torra e idealizador do Intertorra, a programação abordará temas como regularização de torrefações, novos protocolos de degustação e padrões de degustação de cafés. “Teremos também bate-papos com especialistas estrangeiros para entender como está o mercado lá fora”, detalha Tinoco. 

Realizado desde 2018, o Intertorra já passou pelas cidades de Machado (MG), Pedregulho (SP), Piumhi (MG), Batatais (SP) e Belo Horizonte (MG). A edição de 2026 tem co-realização da Espresso&CO e apoio da Associação dos Produtores de Café da Região Vulcânica e da Prefeitura de Poços de Caldas.

Serviço
Intertorra 2026
Quando: 28 a 30 de agosto, das 8h às 21h
Onde: Campus do IF Sul de Minas, Poços de Caldas (rua Dirce Pereira Rosa, 300 – Jardim Esperança – Poços de Caldas/MG)
Mais informações: https://evento.intertorra.com.br/2026 

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Emerson Nascimento vence a 10ª Copa Barista e representará o Brasil em Portugal

Barista do Coffee Five, do Rio de Janeiro, conquistou o título durante o São Paulo Coffee Festival e garantiu vaga no Fiamma World Barista Open 2026, em Aveiro

Pódio da 10ª Copa Barista – FOTO: FAR Creative Company/SPCF

Por Gabriela Kaneto

A 10ª edição da Copa Barista definiu seus vencedores durante o São Paulo Coffee Festival, realizado de 26 a 28 de junho, na Bienal do Ibirapuera, em São Paulo. Emerson Nascimento, do Coffee Five (Rio de Janeiro/RJ), conquistou o título. Alexandre Bueno, da Royalty (Curitiba/PR), ficou em segundo lugar, seguido por Ewerton França, da Rudimentar Coffee (Taquaritinga do Norte/PE).

Com a vitória, Nascimento garantiu uma viagem com despesas pagas pela Fiamma para representar o Brasil no Fiamma World Barista Open 2026, que será realizado de 10 a 12 de setembro, em Aveiro, Portugal. 

Em entrevista à Espresso, o barista comemorou a conquista da décima edição da competição. “Dessa vez consegui ganhar o título de uma edição muito especial. Estou super feliz”, afirmou. Nascimento participou da disputa pela quarta vez e já conquistou títulos nacionais nas modalidades Barista, Latte Art e Coffee in Good Spirits.

Emerson Nascimento, vencedor da 10ª Copa Barista – FOTO: FAR Creative Company/SPCF

A competição reuniu 20 baristas de diferentes regiões do país em disputas eliminatórias. Em cada duelo, os competidores tiveram 12 minutos para preparar dois cafés filtrados, dois espressos e dois cappuccinos com bebida vegetal Naveia. As bebidas foram avaliadas por juízes técnicos e sensoriais, com base em critérios como aroma, sabor, acidez, corpo, aftertaste, técnica de extração, limpeza da estação, uso dos equipamentos e equilíbrio entre as bebidas.

Além de premiação em dinheiro para os três primeiros colocados e vales-compra da Café Store, o campeão ganhou uma viagem com despesas pagas pela Fiamma para representar o Brasil no Fiamma World Barista Open 2026, que será realizado de 10 a 12 de setembro, em Aveiro, Portugal.

Além da viagem internacional para o campeão, os três primeiros colocados receberam premiação em dinheiro e vales-compra da Café Store. A 10ª Copa Barista teve patrocínio de Fiamma, Juan Valdez, Naveia, Café Store e Oster.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO FAR Creative Company/SPCF

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Gaggia Brasil abre inscrições para campeonato de baristas amadores

Disputa será realizada em setembro, em Campinas (SP), e premiará os três primeiros colocados com máquinas de espresso

A Gaggia Brasil abriu as inscrições para a primeira edição do Campeonato Home Barista Gaggia, voltado exclusivamente a consumidores que preparam espresso em casa. A competição será realizada nos dias 19 e 20 de setembro, na Galeria de Arte Arqtus, em Campinas (SP), e reunirá 16 participantes.

Diferentemente dos campeonatos destinados a profissionais, a disputa é aberta apenas a maiores de 18 anos residentes no Brasil que não tenham exercido atividade remunerada relacionada ao preparo de café nos últimos 12 meses. 

A competição será disputada em formato eliminatório, com duelos entre dois competidores por rodada até a definição do campeão. Em cada apresentação, os participantes terão 12 minutos para preparar dois espressos, com volume entre 25 e 35 ml, e duas bebidas com leite, elaboradas exclusivamente com café e leite.

A avaliação levará em conta atributos sensoriais — como equilíbrio, corpo, crema, sabor, temperatura e apresentação — e critérios técnicos, entre eles qualidade da extração, organização da estação de trabalho, limpeza e controle de desperdício. Todos os competidores utilizarão a mesma estrutura de equipamentos, composta pela máquina Gaggia Classic UP, moinho oficial e café fornecido pela organização.

Os três primeiros colocados receberão equipamentos da marca. O campeão ganhará uma Gaggia UP, lançamento de 2026, o segundo colocado, uma Gaggia Classic E24 110V e o terceiro levará uma Gaggia New Espresso 110V.

As inscrições estão abertas até 5 de julho, por meio de formulário disponível no site da Gaggia Brasil. As vagas serão preenchidas por ordem de inscrição, com confirmação mediante o pagamento da taxa de R$ 150.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação