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Arte cafeinada

Sempre se reinventando, o café por vezes deixa de ser uma bebida para se tornar a matéria-prima de obras de arte mundo afora. Aqui no Brasil, algumas pessoas, entre elas Kemmy Fukita, de Maringá (PR), e Tamiris Disselli, de Campinas (SP), já se arriscam na técnica.

Pinturas da artista Kemmy Fukita com café solúvel nos filtros de papel

Kemmy conta que sempre gostou de desenhar em diversos tipos de material, como hashi e pratos de papelão, mas explica que foi nos filtros de papel que conseguiu unir duas coisas que ama: café e arte. “Meu processo criativo começa no próprio preparo e consumo do café. Depois de pronto, eu tiro a borra do filtro e espero ele secar para iniciar a ilustração”, explica a artista, que busca mesclar temáticas relacionadas a café, música e universo feminino.

Pinturas da artista Tamiris Disselli com café solúvel

Já Tamiris, médica veterinária, usou essa influência para buscar inspiração para suas artes, que normalmente retratam os animais. “Comecei a desenhar com grafite e carvão. Depois, por apreciar muito o café, pensei: por que não pintar com café? Deu supercerto, eu amo os tons que o café proporciona”, relata.

Ambas as artistas utilizam o café solúvel nas pinturas, que podem ser comercializadas e encomendadas através das redes sociais.

Mais informações: instagram.com/no.filtro e instagram.com/tdisselli 

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Divulgação

Café & Preparos •

O calor que faz a diferença

Além do cuidado com os grãos, detalhes como jogar água quente nos utensílios usados antes de preparar o café podem potencializar o sabor final da bebida e deixá-la quentinha por mais tempo

A qualidade dos grãos, o frescor, a moagem específica para cada tipo de método e a água usada são características que, se corretas, qualificam o café que o brasileiro tanto ama. O que muitos não sabem é que detalhes como passar água quente nos utensílios são importantes e fazem a diferença no resultado final. Muito utilizada pelos baristas nas mais diversas cafeterias Brasil afora, essa prática ainda não é tão conhecida pelos apreciadores de café. Escaldar o filtro, o método, o recipiente e a xícara é um ato simples e rápido que pode ressaltar o verdadeiro sabor do café e preservar sua temperatura por mais tempo.

Conversamos com Camila Franco, atual campeã nacional de Brewers Cup e barista da Lucca Cafés Especiais (Curitiba-PR), e com Hugo Silva, da cafeteria IL Barista (São Paulo-SP), campeão da Copa Barista 2017, e selecionamos três utensílios escaldados pelos profissionais dentro do balcão. Você também pode fazer isso em casa para garantir um bom café, do começo ao fim.

Para preservar o verdadeiro sabor
Camila explica que molhar o filtro é uma prática necessária: “É fundamental que seja jogada uma água quente para lavá-lo, principalmente se ele for o de papel. Quando você escalda o filtro, seja ele de papel, seja de metal, qualquer sabor residual que possa ser passado para o café é eliminado, como o gosto do próprio material ou de alguma bebida preparada antes”. Acredite, por menor que seja a impureza, ela pode mudar totalmente o sabor do café que você está preparando.

Uma dica: após o procedimento, não utilize a mesma água para fazer a bebida, senão todo o processo terá sido em vão. Para que não haja desperdício, você pode usá-la em outras situações, como para regar as plantas.

Extração na medida certa
A extração é a principal etapa na preparação do café. É justamente nesse momento, em que o café está passando, que se observa um ponto importante que precisa de atenção.

Desde o contato com o pó até o café finalizado, a água costuma perder temperatura, o que pode prejudicar o resultado final. Para que isso não aconteça, escalde desde o filtro até o recipiente onde cairá a bebida já pronta, seja uma jarrinha, seja uma garrafa térmica.

“Quando falamos de métodos de preparo de café, é interessante que todos os utensílios sejam escaldados antes. Por exemplo, se formos usar uma kalita de porcelana e um filtro de papel, aconselha-se molhar os dois juntos, além do recipiente que vai receber a infusão”, explica Hugo.

Segundo o campeão, isso não serve apenas para coados: “Muitas pessoas escaldam a french press e a deixam um tempo com a água quente dentro. Assim, a extração já ocorre sob uma temperatura mais elevada. Da mesma forma se pode fazer na aeropress, o que também serve para limpar e tirar resíduos de bebidas anteriores”.

Gostoso do começo ao fim
Para manter o café com o mesmo quentinho da infusão pode-se esquentar a xícara também. Essa prática fará o líquido esfriar mais devagar.

Segundo Hugo, escaldar a xícara é uma questão de gosto: “Algumas pessoas não gostam, enquanto outras fazem questão, pois isso eleva a temperatura do copo e deixa a bebida quente por mais tempo”.

Mas, cuidado! Atente para a temperatura usada a fim de não aquecer demais e queimar os lábios. Para escaldar, Hugo aconselha que seja usada a mesma temperatura da água do preparo do café. Lembre-se: tomar café é um hábito prazeroso, e fazê-lo é quase um ritual.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso, referente aos meses dezembro, janeiro e fevereiro de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Daniel Ozana/Studio Oz

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Artista une poesia, café e sustentabilidade

Juntando sua paixão por café e poesia, o mineiro Carlos La Terza criou, há cinco anos, um projeto independente utilizando sua criatividade e filtros de café usados.  Com o material em mãos, a ideia foi produzir livros de poesias a partir da reutilização, dando outro fim aos coadores de papel.

Chamado de Projeto Leitura Sustentável, o trabalho é todo artesanal, desde o processo das páginas até a escrita e a capa. Segundo o poeta, os filtros são lavados para retirar o resto de pó e deixados para secar ao ar livre, sem tirar a cor amarronzada e mantendo a essência da bebida.

Para dar um charme, as poesias são datilografadas diretamente no coador através de uma máquina de escrever e a capa é desenhada a mão utilizando uma tinta à base de café, que é produzida pelo próprio artista.

Com toda a proporção que seu trabalho vem ganhando, Carlos recebe muitas doações de filtros de papel, permitindo assim que ele dê continuidade ao seu projeto. Depois de divulgar seu livro “Leite de Pedra” para todo o país, o poeta lançou recentemente sua segunda obra, “Gaiola Viola”, fruto de muita imaginação e sustentabilidade.

Mais informações: www.instagram.com/poetalaterza

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Divulgação