Mercado •

O incrível mundo novo do café

O mundo do café mudou muito nestes últimos 35 anos, desde a semente até a xícara, desde o processamento até o mercado. Tive o privilégio de ser testemunha da maioria destas mudanças e de ter participado de muitas delas. Hoje múltiplos tipos de café podem ser obtidos usando diferentes sistemas de processamento, industrialização e preparo mesmo que sejam provenientes de uma mesma origem ou da mesma fazenda.

Após séculos em que existiam apenas cafés naturais e lavados, os anos 90 presenciaram a inclusão do sistema cereja descascado, desenvolvido no Brasil, cujo produto final é chamado de CD (Cereja Descascado) e também de “honey”. Mais tarde, novamente no Brasil e aos poucos em outros países, o cereja descascado feito a partir de cerejas sobremaduras e verdes passou a melhorar as características na xícara de matérias-primas cuja qualidade não é ideal.

Um outro fenômeno foi a quebra do paradigma ou mito de que países produzem somente café lavado ou natural. Depois do despolpamento crescente de arábicas no Brasil e na Etiópia e de canéforas (robustas) na Índia, os arábicas naturais começaram a ser produzidos mais recentemente em muitas origens conhecidas por seus cafés lavados, e os robustas passaram a ser despolpados em países como Uganda e Brasil.

O desenvolvimento mais recente em processamento a nível de fazenda tem sido a fermentação, não aquela do processamento tradicional utilizado no sistema lavado, mas a fermentação do café recém-colhido ou em outras etapas do processo usando diferentes técnicas, por exemplo a adição de leveduras ou a maceração carbônica. Estes novos tipos de fermentação podem mudar o perfil na xícara e atrair consumidores específicos.

Essa grande variedade de cafés verdes agora disponíveis pode chegar à xícara do consumidor usando tanto sistemas de preparo tradicionais quanto novos. Ao mesmo tempo, tanto os canéforas como os cafés solúveis estão passando por um processo de reposicionamento no mercado.

O mercado de renda mais alta está sendo invadido por novos sistemas de preparação enquanto as monodoses, por exemplo as cápsulas, estão atraindo um público mais amplo. As bebidas e cafés gelados podem ter um impacto interessante no consumo, que geralmente diminui nos meses quentes do verão na maioria dos países consumidores.

Os canéforas estão sendo reposicionados no mercado através do esforço conduzido principalmente pelo Instituto de Qualidade do Café (CQI), cujo evento de prova no “World of Coffee” em Milão, no ano passado, atraiu um número surpreendente de pessoas. Os Cursos de Processamento de Robustas do CQI já estão disponíveis e o de nível dois, com uma semana de duração, já foi realizado nas Filipinas e na Índia este ano.

A Associação Brasileira da Indústria do Café Solúvel (ABICS) está inovando no posicionamento do solúvel no mercado. Seu “White Paper” propõe avaliar a qualidade do café solúvel usando três categorias – Clássico, Premium e de Excelência – ao invés de pontuação. A ABICS, que está atualmente treinando provadores para implementar o sistema no mercado brasileiro, está disposta a compartilhar as descobertas da sua metodologia com outros países produtores e consumidores para melhorar a percepção do consumidor sobre o café solúvel e promover seu consumo.

Se, por um lado, os esforços para aumentar o interesse do consumidor pelo café tem muitas vezes focado nos café especiais e no mercado de renda média à alta, por outro lado, o reposicionamento tanto do Robusta como do café solúvel atrai um segmento muito maior de consumidores, que correspondem à maioria do consumo de café em qualquer mercado. Esse mundo novo do café é realmente fascinante pois está levando a inovação, do café verde ao produto final, além do universo do café especial e tornando a bebida mais acessível aos consumidores de todos os segmentos de renda.

TEXTO Carlos Henrique Jorge Brando

Mercado •

Metodologia inédita para avaliação da qualidade do café solúvel será lançada pela Abics na SIC 2022

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) desenvolveu uma metodologia inédita para a avaliação da qualidade do produto, que utiliza avaliações sensoriais e categorias de classificação de qualidade. Esta metodologia será apresentada em nível mundial na Semana Internacional do Café (SIC), evento que acontece de 16 a 18 de novembro, em Belo Horizonte (MG).

O desenvolvimento dessa metodologia, que teve início em 2019, contou com a participação do Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL) e com uma equipe de mais de 15 profissionais das empresas de café solúvel, além de consultores do Brasil e do exterior, sob a coordenação da cafeóloga, especialista em avaliação sensorial e consultora da Abics, Eliana Relvas.

Para Aguinaldo Lima, diretor de Relações Institucionais da entidade, esta metodologia inovadora e pioneira avalia a qualidade por seus atributos e intensidade, e não por pontuações e notas. Desta forma, permite que o consumidor selecione os cafés solúveis de acordo com sua preferência, incluindo diferentes métodos de consumo. “Isso possibilita identificar quais cafés são mais indicados para determinado momento e uso, como com adição de leite, em cappuccinos, drinks, na culinária ou puro”, explica.

Comitiva internacional

Para prestigiar a divulgação e o lançamento da metodologia, a Abics, em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (apex-Brasil), está realizando um trabalho de divulgação internacional, denominado “Projeto Imagem”, trazendo formadores de opinião e jornalistas de importantes veículos de comunicação do exterior para participar do evento.

Este projeto engloba também a visita de líderes setoriais de organismos mundiais de café, como a National Coffee Association (NCA) e a Specialty Coffee Association (SCA), ambas dos EUA, da All Japan Coffee Association (AJCA), da Europe Coffee Federation (ECF) e ainda do Coffee Quality Institute (CQI), entidade sem fins lucrativos que trabalha internacionalmente em projetos que visam melhorar a qualidade do café e a vida das pessoas que o produzem.

Café solúvel no mundo e no Brasil

O solúvel representa 25% do café consumido no mundo e vem crescendo numa média de 2% ao ano. Este avanço se deve à diversificação da qualidade, com a oferta de novos blends, novas embalagens e ações ajustadas aos diversos modos de usos.

O Brasil segue na mesma linha, com uma gama enorme de produtos oferecidos nas gôndolas dos supermercados. Com participação de 5% do total do café consumido no país, o solúvel apresenta um crescimento médio de 3,5% ao ano, desde 2016. O volume total consumido hoje equivale a um milhão de sacas de café verde por ano. A campanha nas redes sociais “Descubra Café Solúvel” vem promovendo o produto aos consumidores brasileiros.

A produção e a exportação brasileira de café solúvel são as maiores do mundo há várias décadas. O Brasil também possui a maior capacidade de produção do mundo, de até 132 mil toneladas por ano. Mais de 120 países compram o café solúvel nacional, com volumes recordes nos últimos anos.

O setor incorporou novas tecnologias e ampliou sua capacidade industrial para enfrentar a acrescente concorrência global. Seus processos de fabricação são auditados por mais de 25 tipos diferentes de certificações internacionais, incluindo boas práticas e processos ambientais e sociais sustentáveis, bioterrorismo, conceito Kosher e Halal.

Outras etapas desse reposicionamento incluem práticas sustentáveis e produção de baixo carbono em parceria com cafeicultores. Sempre em busca de sustentabilidade e rastreabilidade, a ABICS é membro da Plataforma Global do Café (GCP, por suas iniciais em inglês) e 4C, e mantém acordos de cooperação com entidades de produtores para desenvolver plataformas digitais de rastreabilidade e sustentabilidade e oferecer ferramentas aos cafeicultores.

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Mercado •

Projeto busca ampliar mercado mundial do café solúvel brasileiro

Nesta quarta-feira (30), os presidentes da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Pedro Guimarães, e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Sergio Segovia, assinaram o projeto setorial Instant Coffee Brazil – Explore & Enjoy, que tem como objetivo ampliar os mercados mundiais ao café solúvel nacional.

O evento on-line contou com a participação do diretor de Relações Institucionais da Abics, Aguinaldo Lima, e de profissionais das indústrias associadas à entidade, que respondem por 99,5% da produção nacional de café solúvel.

“As ações do projeto pretendem turbinar as estratégias para alcançar a meta de crescimento de 50% no volume exportado no período de 2016 a 2025, que foi estabelecido no plano estratégico de desenvolvimento do café solúvel do Brasil, que elaboramos em 2015”, explica Aguinaldo Lima.

O presidente da Abics completa que as atividades também serão desenvolvidas para consolidar a marca institucional do café solúvel do Brasil internacionalmente. “A intenção é desenvolver estratégias de inteligência de mercado e marketing, que ampliarão ainda mais a visibilidade dos produtos brasileiros, reforçando o conceito de que o Brasil, a ‘nação do café’, também é a ‘nação do café solúvel’”, comenta Pedro Guimarães.

O novo projeto pretende, ainda, atrelar as estratégias de marketing às de sensibilização de negociações tarifárias. “Queremos estimular acordos comerciais juntos aos governos dos diversos países leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Mercado •

Sindicafé-SP e Abics firmam acordo para capacitar profissionais e promover consumo do solúvel

No dia 27 de outubro, o Sindicato da Indústria de Café do Estado de São Paulo (Sindicafe-SP) e a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) firmarão um acordo de cooperação técnica, com o objetivo de unir esforços para viabilizar e implementar ações de interesses comuns entre as entidades.

Baseado em quatro pilares básicos, a cooperação desenvolverá ações que visam:

– Incorporar o módulo de capacitação e treinamento de café solúvel, com a metodologia da Abics, nos cursos de baristas empreendidos pelo Centro de Preparação de Café (CPC) do Sindicafé-SP;

– Desenvolver receitas de gastronomia e bebidas com café solúvel para aplicação em cafeterias e similares;

– Promover eventos de caráter educativo e cultural de promoção e divulgação do café solúvel;

– Ampliar o portfólio de produtos para as indústrias de solúvel e torrefação e moagem, agregando mais valor e estimulando o consumo.

Para Dagmar Cupaiolo, presidente do Sindicafé-SP, essa iniciativa representa uma evolução no relacionamento das entidades que vai beneficiar, principalmente, os consumidores de cafés e os apreciadores da bebida.

Pedro Guimarães Fernandes, presidente da Abics, acredita que a parceria com o Sindicafé-SP tem grande relevância e significado para a ampliação do conhecimento sobre a bebida e do próprio consumo.

“É a união de trabalhos do café solúvel com a indústria de torrefação para um maior desenvolvimento e ao aprimoramento do consumo de café no Brasil. A possibilidade de ampliar as leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Barista •

Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel lança manual para baristas

A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) lançou um manual de café solúvel para baristas. “Com a inclusão desse exclusivo material nas grades das principais escolas de formação em barismo, pretendemos contribuir com a capacitação desses profissionais, de maneira que tenham total conhecimento do segmento de solúvel”, explica Eliana Relvas, cafeóloga, especialista em avaliação sensorial e consultora da entidade.

O conteúdo, que foi desenvolvido pela Abics em parceria com todas as indústrias de café, tem o objetivo de levar o máximo de informação sobre o café solúvel aos baristas, profissionais que têm contato direto com os consumidores em geral.

“O manual apresenta toda a cadeia produtiva do produto, incluindo as etapas que envolvem a entrada da matéria-prima, processos de secagens existentes no mercado brasileiro, metodologia de avaliação sensorial criada especificamente para a categoria, métodos de preparo e outras formas de consumo, além das certificações  existentes e receitas com o solúvel”, explica Eliana.

A oficialização e o lançamento do manual ocorreram com a assinatura de convênios entre a Abics e o Museu do Café de Santos, referência no Brasil, e o Centro de Preparação de leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy