Cafezal

Araponga canta alto

Cidade encravada na mineira Serra do Brigadeiro acumula prêmios de melhor café e tem a primeira produtora mulher do Coffee of the Year

A primeira vez em que ouvi uma referência à cidade de Araponga foi no prêmio da torrefação italiana illycaffè, realizado há mais de 25 anos aqui no Brasil. Ano a ano (desde 2006, quando comecei a acompanhar), a cidade, encravada em meio à Serra do Brigadeiro, emplaca cafés nas finais do concurso. O nome da ave que batiza o município é de pronúncia forte assim como o canto do animal, conhecido por ser bem alto e um dos mais potentes entre as espécies.

O canto forte parece também inspirar os moradores da região. Em uma cidade de pouco mais de 8 mil habitantes, a principal atividade é o café. Com grande potencial para o turismo, por causa do Parque Estadual que permeia o entorno, é ainda pouco visitada. Araponga está a 262 quilômetros de Belo Horizonte (MG), próximo a Viçosa, onde se encontra uma das principais instituições educacionais do País na área de agricultura, a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Em um passado não muito distante, a região era conhecida como área de cafés ruins, a Zona da Mata. A mudança de posicionamento veio a partir de 2011, quando lideranças regionais passaram a realizar o trabalho de identificação dos grãos de qualidade plantados ali. Pequenos produtores espalhados em 63 municípios somam 36 mil cafeicultores, e a maioria – 80% deles – tem menos de 20 hectares de café. A necessidade de criar uma identidade nova resultou, depois de um trabalho conjunto de Sebrae Minas, Faemg, Emater, sindicatos, associações e cooperativas locais, além de profissionais autônomos, no Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas. A nova governança, capacitação e união dos produtores em busca da qualidade deram nova cara à região das Matas, como é carinhosamente chamada, e proporcionaram a mudança na avaliação dos cafés.

Esse é o caso da produtora Sandra Lelis da Silva, uma das responsáveis por nossa visita à cidade, pela conquista inédita. Campeã do Coffee of the Year 2017, a professora há mais de trinta anos e cafeicultora junto com a família no Sítio Caminho da Serra, foi a primeira mulher a receber o prêmio, criado em 2012. A realidade do produtor de café em uma região montanhosa é de muito trabalho. Preocupados com o preço do grão nos últimos anos, Paulo Miranda e o filho Paulo Henrique decidiram arrancar os pés de café e plantar eucalipto. Ficaram somente com três lavouras produtivas de café.

A professora e produtora Sandra mostra com orgulho os frutos quase maduros da nova safra.

Essa decisão não tão rara em propriedades brasileiras vem levando agricultores a trocar o café por culturas extrativistas. “A gente se arrependeu e voltou a plantar café. Na primeira colheita depois disso, no ano passado, ganhamos o prêmio”, lembra feliz Paulo Henrique. A descoberta do caminho da qualidade e a vitória da família de Sandra incentivaram outros produtores da região. Orgulhosa, ela mostra o talhão que deu a eles o primeiro lugar no concurso. Sombreado por cedros, os cafezais ficam em uma área mais afastada da fazenda, na microrregião de Serra das Cabeças.

É na própria cidade que eles processam o café cereja descascado (CD) – a maioria – e um pouco do natural (seco com a casca). Eles estão planejando construir no próprio sítio um local adequado para isso, o que demandaria menos deslocamento do café, que vai da lavoura até o centro de Araponga. O terreiro suspenso de dois andares é mexido de vinte em vinte minutos durante a colheita. “Para fazer café especial não pode ter preguiça. Não tem dia santo, nem sábado e domingo”, alerta Sandra enquanto manuseia o terreiro. O marido, Paulo, complementa: “Café especial é para quem gosta. E ele também gosta de mão, para mexer o tempo todo”. A dedicação deu resultado. O café campeão foi vendido para compradores internacionais e nacionais. “Logo depois da Semana Internacional do Café, um comprador francês veio direto aqui para o nosso sítio atrás do café. Ficamos mais conhecidos”, relembra Sandra, e depois, segunda ela, muitos outros se interessaram pelos lotes da propriedade.

Suspensos para todo o lado

O terreiro suspenso virou uma marca nas propriedades que investem em qualidade por ali. Por onde caminhamos a aposta é nessa forma de secar o café. “Os parâmetros estão mudando muito”, analisa o produtor Edinho Miranda, filho do cafeicultor cujo nome batiza a propriedade, Fazenda Edio Miranda, antigo Sítio da Matinha e Sítio Santo Antônio do Prado. A área de 40 hectares de café emociona a quem chega ao lugar. Aos 76 anos, seu Edio conta com orgulho a história de menino, quando andava 12 quilômetros a pé para chegar à escola. Levava duas horas. A esposa, Aparecida Milagres Miranda, pilota com maestria o carro da família e também ajuda na pós-colheita.

A “panha” na região é feita por derriça manual ou mecânica, pois não é possível utilizar colheitadeira por ali. Envolto por montanhas e sombreado por abacateiros, os pés de café nascem com um verde mais brilhante. Na época da colheita, em torno de quinze colaboradores auxiliam nos trabalhos. Um dos destaques dessa safra foi o “terreiro suspenso de roda”, criado por Edio depois que viu na televisão um semelhante para cacau. A filha, Andreia Milagres, explica que “se der certo, vão investir mais na próxima”. Os carrinhos entram e saem do galpão de acordo com o sol. “Além de investir para testar a bebida do café, ainda fica bonito, né?”, comemora seu Edio.

Edio Miranda e a família mostram cuidado na execução das tarefas do dia a dia, na busca incessante pela qualidade

A proximidade com a natureza e o conhecimento do clima local auxiliam muito os produtores na qualidade do café e na identidade artesanal. A fazenda foi premiada com o primeiro lugar em dois anos pela illycaffè, 2007 e 2013, e ficou entre os finalistas do Coffee of the Year, em 2014 e em 2015. “O café não pode secar rápido, senão não dá boa qualidade. Tempos atrás ficava doido para tirar logo o café do terreiro. Mas agora tem que ter esse cuidado.”

Seu Edio mostra com orgulho a casa dentro do lago, construída com muito esforço por anos, uma surpresa à época para a esposa, Cida. Ela conta que ele vinha todo dia à propriedade, mas ela não imaginava que estaria também fazendo uma casa para a família. Hoje a construção simples é um dos símbolos do lugar, e chama a atenção de quem chega. Além do capricho deles na decoração de todo o entorno, há a presença abundante de água, um recurso natural que não está em falta em toda a localidade.

Parede de prêmios

Quando se entra na casa térrea da fazenda de Raimundo Dimas Santana, a quantidade de certificados na parede chama atenção. São dezenas de prêmios entre as fotos de família e muitas lembranças de safras passadas. O terceiro de catorze irmãos, Raimundo está há quarenta anos na Fazenda Santo Antônio. Em lugar privilegiado da cidade – está hoje praticamente dentro do município -, a área fica entre formações rochosas e tem topografia que auxilia na produção do café, com até 1.300 metros de altitude. Assim como os demais produtores da região, o foco é o cereja descascado, que, até o ano passado, era seco somente em terreiro de cimento. “Começamos neste ano também com o terreiro suspenso” explica o filho, Raimundo Dimas Santana Filho, presente na fazenda e entusiasmado com os resultados que a nova forma de secar pode trazer. Os 200 mil pés de café da família mostram que, apesar de a colheita ter adiantado neste ano, há muito trabalho. Desde 2002 são fornecedores da illycaffè, o que já lhes rendeu os tantos prêmios expostos na parede. Entre eles os mais recentes da torrefação italiana, em 2018, como Campeão de Qualidade da região das Matas de Minas e finalista no 27º Concurso de Qualidade do Café, que levará os vencedores para a disputa mundial, em Nova York.

Os premiados Raimundo Dimas Santana e o filho, estrando neste ano a secagem em terreiro suspenso, estão entusiasmados com os resultados

“Não tem receita de bolo”

Muitos pontos chamam a atenção do visitante quando ele chega à Fazenda Serra do Boné. Com dezenas de visitas a propriedades pelo Brasil e no mundo na bagagem, tranquilamente posso afirmar que a propriedade da família Sanglard é exemplar raro no meio do café. Com mais de sessenta terreiros suspensos enfileirados um a um pelas áreas da fazenda, as variedades catuaí vermelho e amarelo, catucaí vermelho e amarelo, mundo novo e bourbon amarelo passam por diversos processos até chegar a alguma torrefação do nosso planeta. São mais de 3 mil metros quadrados de telas para sustentar 5.300 metros quadrados de terreiros em alvenaria, que são remexidos por até seis pessoas diariamente. Matheus Sanglard, jovem de 25 anos, é exemplo de sucessão familiar junto com seu irmão Nathan, 20 anos. Distante 13 quilômetros da cidade, a fazenda tem uma vista de tirar o fôlego, em meio a cachoeiras, montanhas e muito verde. Em 2003, a propriedade foi campeã do Cup of Excellence – concurso organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). O lote obteve pontuação de 95,35 na época da premiação.

Mais de sessenta terreiros suspensos são a marca da família Sanglard, cujo trabalho primoroso rendeu o segundo lugar no Coffee of the Year 2017

Carlos Sérgio Sanglard chegou ao local em 1988, ainda não tinha 30 anos e assumiu o cultivo de 8 mil pés de café. Hoje está com 480 mil pés espalhados em 125 hectares. Ele explica que o ano em que ganhou o Cup of Excellence foi o primeiro em que “descascou o café”, e um ano antes, em 2002, havia feito o primeiro terreiro suspenso de madeira. Autodidata e muito focado na realização de novos testes com os cafés, Carlos detalha que quer chegar a 600 mil pés em cinco anos. Nascido em Manhumirim, cidade também produtora de café, fala que veio fazer um trabalho em Araponga quando conheceu a esposa, Sônia. Rindo eles contam que Carlos não tinha projetos de morar ali, mas que voltou pela namorada e então futura mãe dos filhos. Orgulhoso, ele diz que ambos os meninos seguiram a carreira da agronomia. Em 2017, o café da família de Carlos ficou em segundo lugar no Coffee of the Year, com a variedade catucaí vermelho.

“Entre 2004 e 2011, fiz o cultivo orgânico aqui.” Hoje o grande destaque da propriedade é o café fermentado naturalmente. Matheus explica que, após colhido, o café fica por dois a três dias no saco na lavoura; depois ele é descascado em máquinas e volta para o saco, onde fica por dezoito horas. Então é levado para o terreiro suspenso. Lá fica por dois dias e, depois de seco, eles fecham o terreiro e os grãos ficam quinze dias em descanso. Aos poucos eles retiram alguns lotes para provar o café e acompanhar os resultados. Apesar de Matheus dizer que não tem receita de bolo para o café e que “café especial dá muito trabalho para separar os lotes”, a organização impecável da propriedade mostra que eles encontraram o caminho certo.

Do alto da Serra do Brigadeiro

Simone Dias Sampaio Silva, nossa cicerone em Araponga, junto com o marido, João da Silva Neto, é produtora de café no Sítio Jardim das Oliveiras. Eles moram na cidade desde 2011. Ela, onze irmãos, filha de cafeicultor, sempre viu sua família viver do rendimento do café.

O casal estudou na UFV, onde se conheceu. Ela se formou em Nutrição, e João, em Engenharia de Alimentos. Cansados da vida na cidade grande, depois de morarem em muitos lugares pelo Brasil e pelo mundo trabalhando em grandes empresas, decidiram investir no sítio.

A produtora Simone Sampaio é liderança na região e exemplo de produção sem o uso de agroquímicos, juntamente com o marido, João

“Era um sonho dele, eu tinha medo de voltar”, lembra Simone. Mas hoje ela é uma das mais atuantes e motivadas dentro da região. Sem o uso de agroquímicos, apenas adubo, Simone explica que tem “baixa produtividade, mas alta qualidade”.

Para isso separa todos os lotes e, desde 2017, começou a investir em terreiro suspenso. João também tem se aprofundado no estudo da torra do café, e eles instalaram um torrador na propriedade. Muito interessado em todos os subprodutos que o café pode gerar, informa estar estudando tirar etanol da casca do café após despolpá-lo, baseado em pesquisas do professor Juarez de Souza e Silva, da UFV.

No Jardim das Oliveiras, a especialidade é microlote: “São mais de cem”, garante Simone. Tanta dedicação rendeu dezenas de prêmios nos 43 hectares. Em 2011, ano em que se mudaram para Araponga, levaram o terceiro lugar no prêmio concorridíssimo da Emater-MG: “Ficamos apaixonados por concursos”, brinca Simone. Tamanha vontade de participar já lhes rendeu o quinto lugar por duas vezes no Coffee of the Year, em 2015 e em 2017.

Além do sítio, o casal inaugurou a Pousada Dias Felizes, em uma casa histórica de 140 anos, onde recebe visitantes do café e também turistas em geral. O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, por exemplo, que engloba onze municípios da região, atrai pessoas para fazer trilhas.

A tarde cai e já estamos indo embora. O café, suspenso no alto das montanhas ao cair do sol, cria um lindo cinturão verde emoldurando as rochas e fazendo-nos lembrar como é bonito e importante ser às vezes só um pequeno ponto no meio daquela imensidão.

O canto da Araponga – que faz referência ao som do martelo ao bater incessantemente – nos mostra que é preciso persistência para seguir no cultivo do café, mas que muitas vezes é possível ouvir bem alto e longe o fruto de tanto trabalho naquela região.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos setembro, outubro e novembro de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Vitor Barão

Café & Preparos

Preparo de coado é tema de curso em São Paulo

Quer melhorar suas técnicas na hora de preparar um café coado? No dia 16 de março, das 10h às 13h, a torradora Natália Braga irá conduzir a oficina “Coando café em casa”, no Futuro Refeitório, em São Paulo (SP).

Na ocasião serão apresentados os grãos da casa e dois métodos de preparo: o Melitta e a Hario v60. A aula começará com um cupping às cegas de quatro lotes da safra 2018/2019 (selecionados, torrados e servidos/vendidos na cafeteria). Após isso, cada participante irá escolher um dos cafés para preparar em um dos dois equipamentos.

A oficina abordará assuntos como diferenças técnicas entre os filtros, importância dos tipos de moagem e processo de extração. Também funcionará como um encontro para provar cafés distintos e tirar eventuais dúvidas.

Se interessou? O curso tem o valor de R$ 200 e as inscrições podem ser feitas no site da casa. Mas corra, são apenas 8 vagas!

Serviço
Coando café em casa
Quando: 16/3, das 10h às 13h
Onde: Rua Cônego Eugenio Leite, 808 – Pinheiros – São Paulo (SP)
Mais informações: www.futurorefeitorio.com.br

TEXTO Redação • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia

Receitas

Qanela qrumble

Ingredientes
– 1 cápsula Delta Q Qanela (preparado em modo longo)
– Biscoito de canela ou maisena triturados
– 1 maçã média
– Açúcar mascavo a gosto
– Chantilly

Preparo
Corte a maçã em cubos, coloque em um refratário, cubra com açúcar mascavo e leve ao forno a 180 graus, por 5 minutos para ficar dourada. Quebre o biscoito de canela ou maizena em pedaços e coloque no copo formando uma base. Acrescente a maçã caramelizada por cima e despeje o espresso longo Delta Q Qanela. Finalize com chantilly e pedaços de bolacha.

Rende 1 porção

TEXTO Delta Q • FOTO Delta Q

Cafezal

De pai para filho, de filho para pai

A família que produziu o café vencedor do Cup of Excellence 2017 une a experiência de Osmar Nunes Júnior, cafeicultor há trinta anos, ao conhecimento acadêmico do filho, Gabriel Nunes

“Eu tomei as duas melhores decisões da minha vida no mesmo dia, 24 de novembro de 1984: resolvi plantar café e pedi a Celinha em namoro”, lembra o técnico agrícola Osmar Nunes Júnior, de 52 anos. Mal esperava ele, entre tantas outras alegrias, que as decisões resultariam no primeiro lugar do Cup of Excellence 2017 para a sua propriedade, a Fazenda Bom Jardim.

A família Nunes é original de Patrocínio (MG), o maior município brasileiro produtor de café. No entanto, há quatro décadas, o cenário da região era bem diferente. Osmar Nunes, o patriarca, era a terceira geração da família a se dedicar à pecuária, ramo com o qual o filho, Osmar Júnior, trabalhou até a chegada dos imigrantes a Minas Gerais. Os novos habitantes, vindos do sul do País, instalaram-se no Cerrado Mineiro e começaram a plantar café.

Encantado com a cultura, Juninho, como é chamado pelos antigos da cidade, desafiou os planos do pai, Osmar, e começou a plantar os primeiros pés, em 1984. Ele tinha uma fazenda de apenas 10 hectares, com produção de arábica. O solo fértil do Cerrado e o clima ameno da região mineira – com as estações de chuva e de seca bem demarcadas e coincidentes com as necessidades do ciclo do café – contribuíram para o bom desenvolvimento das plantações na região.

Juninho deixou de ser apenas filho e se tornou pai em 1989, ano em que nasceu Gabriel. Celinha sonhava com um filho médico, enquanto o marido vislumbrava para o garoto simplesmente um futuro fora da fazenda. Gabriel teve uma infância muito especial na propriedade da família, entre trilhas a cavalo, banhos de cachoeira, pescaria, guerras de lama e outras tantas brincadeiras. Contava os dias para as férias, quando podia acampar com os amigos na fazenda.

Tal avô, tal pai, tal filho

A relação de Gabriel e Juninho é, desde o início, harmoniosa. “Nós dois sempre fomos muito amigos. Meu pai era muito presente, acho que em uma tentativa de repetir comigo a relação bacana que ele teve com o meu avô. Quando passei a trabalhar com café, nós nos aproximamos ainda mais”, conta Gabriel Nunes, engenheiro agrônomo de 28 anos.

O início, no entanto, não se deu sem dificuldade. Quando Gabriel decidiu cursar Agronomia, Juninho se opôs: queria que o filho fizesse outra coisa, saísse da fazenda. “Naquela época, a agropecuária estava tão ruim que eu não queria que ele cursasse Agronomia. Mas ele fez, e hoje eu tenho o maior orgulho”, emociona-se o pai. O rapaz passou no vestibular da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e cruzou Minas Gerais em busca de formação.

Apaixonado tanto pelo café quanto pelos bichos, Gabriel passou metade do curso em dúvida sobre estudar pecuária ou agricultura. “Como meu pai mexia com café, eu fazia disciplinas relacionadas ao assunto sempre que podia. Fui me entrosando com isso desde o início, mesmo em dúvida”, lembra o jovem. A paixão pelo solo falou mais alto e ele não tardou a intensificar as buscas pela formação específica.

“Ele dava pitaco na plantação desde a faculdade. Em todas as férias que tirava, fazia um estágio em uma fazenda diferente. Ele via os nossos erros e trazia novidades”, lembra Juninho. Sempre muito adepto a novas técnicas e tecnologias, o pai deu ao filho a possibilidade de inovar na propriedade. “É o maior prazer ver um filho tocar o negócio da família, querer aprimorar a produção”, orgulha-se Juninho.

A Revolução de 2013

Gabriel levou algumas novidades para o cafezal dos Nunes durante a graduação, mas foi quando ele se formou, em 2013, que a Fazenda Bom Jardim passou por uma verdadeira revolução em sua produção. “Quando o Gabriel voltou formado, ele quis investir em cafés especiais. Dei todo o apoio e desde 2014 a gente vem ganhando prêmios. Ele trouxe novos métodos, aumentou a qualidade do produto. Renovamos a lavoura, trocamos plantas e materiais”, descreve Juninho.

Mesmo com o rápido progresso, o primeiro lugar no Cup of Excellence foi uma surpresa. O concurso, que conta com juízes de todos os cantos do mundo e é o mais concorrido entre os cafeicultores brasileiros, premiou um bourbon amarelo, de primeira safra, que pai e filho cultivaram a 930 metros de altitude. Os Nunes não só atingiram esse bom resultado, como bateram o recorde mundial no leilão do evento: venderam cada saca de 60 quilos a R$ 55 mil.

Para Gabriel, o que fez o café vencedor foi a prova dos cafés antes da colheita oficial — fase da qual ele mesmo se encarrega, na companhia de um Q-grader. “Eu testo cada talhão para ver o potencial de cada café. Vario modos de secagem e de fermentação e vou provando um a um, pouco antes de colher. Assim, cada café vai ser colhido e vai passar pelo processo que destaca melhor suas características. É desse jeito que eu consigo um grão de alta qualidade”, ensina o engenheiro agrônomo, cujo café campeão atingiu 92 pontos.

“Vencer o concurso foi muito gratificante. A gente não esperava ficar em primeiro, quanto mais ganhar um prêmio histórico. Foi o primeiro café do Cerrado a alcançar essa marca, e o concurso já acontece há dezoito anos. Muita gente achava que a região não tinha potencial para ganhar esse prêmio, dizia que aqui é só quantidade, não qualidade”, comenta Gabriel.

A má impressão que se tem do Cerrado Mineiro é equivocada. É a única região cafeeira do País que possui Denominação de Origem, ou seja, é um território de onde sai um produto com características específicas, que não são encontradas em qualquer outro lugar. Exemplos famosos de produtos assim no mundo são o queijo Roquefort e o Champanhe.

A história da conquista da Denominação de Origem tem ligação direta com o relacionamento harmonioso, de parceria, que os produtores do Cerrado mantêm. “Temos muito orgulho da região porque demos um passo à frente em relação às outras, consideradas as pioneiras do País. O Cerrado sempre teve essa visão empresarial, e eu não tenho segredo com meus colegas. Fazemos cursos juntos, trocamos cafés, estamos prontos para crescer ainda mais”, garante Gabriel.

Construção futura

Em oposição a muitas fazendas dedicadas ao plantio de café, a propriedade da Fazenda Bom Jardim não conta com uma estrutura muito intrincada. Além das máquinas e do complexo de secagem e de fermentação, as construções do local são, por enquanto, um depósito de máquinas e uma área de criação de porcos, de onde provém parte do adubo usado na produção.

Os Nunes preferiram investir na qualidade do café antes de trabalhar a estrutura física da fazenda. O resultado é evidenciado com o recorde mundial atingido em apenas cinco anos de melhorias. Com o dinheiro que conseguiu com a venda das seis sacas do café campeão, a dupla vai investir em uma estrutura física moderna, com espaço para receber clientes, fazer provas com Q-graders e até mesmo para uma cafeteria com barista.

Para Gabriel, o próximo passo é se formar Q-grader. Ele se arrisca a fazer provas, mas quer procurar formação específica. Pai e filho se dedicam muito aos estudos sobre lavoura, produção, café. Conseguiram elaborar um sistema de escalonamento de safra, reduzindo a mudança que a bienalidade do café acarreta. “Geralmente não temos muita alteração nos números, conseguimos fazer com que a produção da safra alta tenha, no máximo, uma diferença de 40% em relação à do ano anterior”, explica Juninho.

Os pés de café que deram os grãos campeões se aproximam dos 3 metros de altura e estão carregados de frutos e promessas. Os Nunes plantam não apenas o bourbon amarelo; eles também trabalham com cultivares como  arara e catuaí. A dupla tem se arriscado inclusive a plantar geisha, que deve ter sua segunda colheita em 2020. Eles ainda não sabem quais cafés levarão para o Cup of Excellence 2018, mas não deixam dúvida quanto à sua participação na próxima edição.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos meses março, abril e maio de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Clara Campoli • FOTO Murilo Gharrber

Mercado

Café impulsiona o crescimento da Nestlé em 2018

A Nestlé registrou um crescimento orgânico de 3% em 2018, apoiado por uma dinâmica mais forte nos Estados Unidos e na China. O total de vendas reportadas aumentou 2,1% em relação a 2017, de CHF 89,6 bilhões (US$ 89 bilhões) para CHF 91,4 bilhões (US$ 90,8 bilhões). A empresa afirma que sua carteira de café continuou a contribuir significativamente com um crescimento sustentado.

A Nespresso manteve um crescimento orgânico de um dígito e meio, bem forte na América do Norte. Já a Nestlé teve um impulso apoiado pela forte demanda da recém-lançada linha Master Origin e pelos cafés de edição limitada mais recentes inspirados nos cafés parisienses.

O Vertuo, um sistema de café versátil com cinco tamanhos de cápsula, ganhou mais força globalmente e agora está disponível em catorze mercados em todo o mundo. A Nespresso continuou a expandir sua distribuição e presença global ao longo do ano, alcançando 792 boutiques.

“Estamos satisfeitos com nosso progresso em 2018. Todas as métricas de desempenho financeiro melhoraram significativamente e vimos um crescimento revigorado em nossos dois maiores mercados, os Estados Unidos e a China, bem como em nosso negócio de nutrição infantil. A Nestlé continua investindo no crescimento futuro e ao mesmo tempo aumentou a quantidade de dinheiro devolvido aos acionistas por meio de nosso programa de dividendos e recompra de ações”, disse Mark Schneider, CEO da Nestlé. “Fizemos um progresso significativo na transformação de nosso portfólio e aprimoramos o foco estratégico do nosso Grupo, fortalecendo as principais categorias de crescimento e geografias no processo”, completou.

Na América do Norte, a Nestlé disse que seu negócio licenciado da Starbucks foi integrado sem problemas e viu uma forte demanda por seus produtos de café. O Nescafé registrou um crescimento positivo na Europa, Oriente Médio e Norte da África, apesar dos menores preços das commodities de café e de um ambiente competitivo desafiador.

A Nestlé afirma que o crescimento robusto no sul da Ásia foi baseado no forte momento do Nescafé e outras marcas, com vários lançamentos de novos produtos. O Japão e a Oceania registraram crescimento positivo com lançamentos bem-sucedidos do Nescafé Gold e KitKat Gold na Austrália.

Foto: Carol Da Riva

“Em 2018, atualizamos nosso mecanismo de inovação, principalmente para garantir a continuidade da liderança em tecnologia e um tempo de comercialização mais curto. No espaço de comidas e bebidas que muda rapidamente, a Nestlé tem o que é preciso para realmente estimular os consumidores com inovações significativas e produtos imprescindíveis”, disse Schneider.

Segundo ele a Nestlé reafirma a liderança em sustentabilidade em um momento onde os consumidores e os reguladores em todo o mundo estão procurando cada vez mais soluções para os problemas ambientais e sociais. “Nossa ação decisiva e compromissos fortes para lidar com o problema global de resíduos de embalagens são um exemplo disso. Estamos a caminho de atingir nossas metas para 2020 e posicionar a Nestlé para um crescimento sustentado e sustentável nos próximos anos”, concluiu.

As informações são do http://gcrmag.com / Tradução Juliana Santin

Mercado

Caparaó recebe Simpósio para produtores

No começo do ano, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), lançou o “Programa Destaque BSCA Micro Region Showcase”.

A competição foi destinada aos nanolotes de café da espécie “Coffea arabica” produzidos no Brasil em 2018, colhidos a partir de outubro e que tenham sido cultivados nas origens produtoras das Matas de Minas, Espírito Santo ou Bahia, em qualquer altitude; nas demais áreas do cinturão cafeeiro nacional, desde que produzidos em altitudes a partir de 1.200 metros; e cujos produtores ou propriedades não tenham participado da Fase Internacional do “Cup of Excellence – Brazil 2018”.

As amostras foram analisadas por tipo, cor, aspecto, umidade, defeitos e qualidade da bebida.  Os nanolotes selecionados tiveram uma nota 88 ou mais na escala de zero a 100. Os selecionados foram:

Os lotes participarão de um leilão presencial no dia 21 de fevereiro na região do Caparaó.

Simpósio
No último sábado (16/02) a equipe do Isso é Café recebeu, no seu novo espaço no bairro da Santa Cecília (SP), alguns dos compradores internacionais para explicação do projeto e a agenda da semana que envolve visita em cafeterias; fazendas e palestras desde temas ligados ao manejo do solo até gastronomia, que ocorrerá durante o Simpósio para Produtores BSCA Micro Region Showcase Caparaó.

No vídeo abaixo, Felipe Croce, da Fazenda Ambiental Fortaleza (FAF), explica como surgiu o projeto.

A programação ocorre no Caparaó Parque Hotel (Av. Vereador Inimá Novaes de Campos, s/n, Alto Caparaó – MG). O evento é gratuito e as inscrições podem ser feitas no local do evento. Mais informações através do email eventos@bsca.com.br.

TEXTO Redação • FOTO Giulianna Iannaco

Receitas

Baccarat

Ingredientes
Pão de ló de avelã

– 3 ovos
– 62 g de açúcar
– 62 g de cacau em pó
– 75 g de avelã sem casca triturada
– 62 g de farinha de trigo
– 6 g de fermento em pó
– 25 ml de água

Ganache de chocolate amargo
– 375 g de chocolate meio amargo
– 250 ml de creme de leite fresco
– 62 g de manteiga sem sal (opcional)

Calda de café
– 125 ml de creme de leite
– 38 g açúcar
– 1/2 fava de baunilha
– 25 g de café solúvel
– 3 g de amido de milho

Preparo
Pão de ló de avelã
Bata os ovos com o açúcar até a mistura dobrar de volume. Em seguida, coloque a farinha, o cacau em pó, o fermento, a água e a avelã e misture bem. Coloque a massa em uma forma untada e leve ao forno por aproximadamente 30 minutos a 175 °C. Retire do forno e reserve.

Ganache de chocolate amargo
Derreta o chocolate e misture o creme de leite aos poucos, mexendo sempre.

Calda de café
Em uma panela, em fogo médio, coloque o creme de leite, o açúcar, a baunilha e o café. Mexa até obter um creme homogêneo. Acrescente o amido de milho aos poucos até engrossar. Espere a massa esfriar e reserve.

Montagem
Corte o pão de ló em 4 partes iguais de aproximadamente 1 cm de altura e, com ajuda da própria forma, comece a montagem intercalando os ganaches e o pão de ló. Ponha o ganache meio amargo, o pão de ló e o ganache branco, e assim sucessivamente terminando com o ganache meio amargo. Em seguida, leve o doce para a geladeira por 2 horas, desenforme e acrescente a calda de café.

Rende 6 porções

FOTO Daniel Ozana/Studio Oz • RECEITA Fabrício Gomes de Paiva

Café & Preparos

Prepare a agenda: cursos de café para este mês!

Está a fim de fazer algum curso voltado para o mercado de café? Aproveite que neste mês de fevereiro muitas cafeterias já estão com a agenda aberta! Prepare o caderno, o lápis e aguce os sentidos! Confira as dicas que nós separamos em algumas cidades!

Um Coffee Co. – São Paulo (SP)

16/02 – SCA Sensory Skills Foundation
16/02 – SCA Brewing Foundation
17/02 – SCA Roasting Foundation
17, 23 e 24/02 – SCA Barista Foundation

Onde: Rua Júlio Conceição, 553 – Bom Retiro – São Paulo (SP)
Mais informações: www.umcoffeeco.com.br

Coffee Lab – São Paulo (SP)

16, 20, 22, 23 e 27/02 – Curso de Café em Casa
16, 18, 21, 23, 25 e 28/02 – Curso de Barista Júnior
18 e 25/02 – Curso de Barista Sênior
18/02 – Curso de Métodos de Preparo Avançado
16/02 – Curso de Drinques com Café
25/02 – Curso de Torra Júnior
27/02 – Curso de Torra Sênior

Onde: Rua Fradique Coutinho, 1340 – Vila Madalena – São Paulo (SP)
Mais informações: www.coffeelab.com.br

True Coffee Inc. – São Paulo (SP)

16/02 – Análise Sensorial do Café
20/02 – Workshop Desvendando a Aeropress
23/02 – Curso de Métodos de Preparo de Café em Casa

Onde: Rua Quintana, 741 – Brooklin Paulista – São Paulo (SP)
Mais informações:
www.truecoffeeinc.com.br

Hosken Barista – Niterói (RJ)

25/02 – Treinamento Prático Básico para Baristas
25/02 – Confecção de Drinques Alcóolicos à Base de Café
27/02 – Como Melhorar o Café Caseiro

Onde: Rua Visconde do Rio Branco, 633/702 – Centro – Niterói (RJ)
Mais informações: www.luizfernandobarista.blogspot.com

Academia do Café – Belo Horizonte (MG)

16/02 – Métodos de Extração
20/02 – Análise Sensorial do Café
22/02 – Classificação e Degustação
26/02 – Barista Iniciante

Onde: Rua Grão Pará, 1024 – Funcionários – Belo Horizonte (MG)
Mais informações:
www.academiadocafe.com.br

Unique Cafés Especiais – São Lourenço (MG)

16/02 – Barista Imediato
17/02 – Curso de Latte Art

Onde: Rua Wenceslau Brás, 35 – Centro – São Lourenço (MG)
Mais informações: www.uniquecafes.com.br

4beans Coffee Co. – Curitiba (PR)

16/02 – Oficina Barista
23/02 – Oficina Cafés Filtrados

Onde: Alameda Augusto Stellfeld, 795 – loja 3 – Curitiba (PR)
Mais informações:
www.4beanscoffeeco.com.br

Lucca Cafés Especiais – Curitiba (PR)

16/02 – Brewing Fundamental
17/02 – Sensory Skills Fundamental
18/02 – Roasting Fundamental

Onde: Alameda Presidente Taunay, 40 – Curitiba (PR)
Mais informações:
www.luccacafesespeciais.com.br

Café do Mercado – Porto Alegre (RS)

22 e 26/02– Barista Prático

Onde: Avenida França, 992 – Navegantes – Porto Alegre (RS)
Mais informações: www.cafedomercado.com.br

TEXTO Redação • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia

Mercado

Gran Coffee expande e compra empresas nacionais

Líder em segmento de máquinas automáticas de café (vending machines) e na distribuição de máquinas Nespresso para food service, a Gran Coffee, com 21 anos de mercado, comprou mais duas empresas do setor: Diletto Café, de Brasília (DF), e Cafemaq, de Campinas (SP).

O valor das operações não foi revelado. O escritório de advocacia de Porto Alegre, Souza Berger, foi um dos participantes da operação na condução das negociações com as empresas juntamente com a Veirano Advogados. A Diletto, com 20 anos de mercado, e a Cafemaq, com 44 anos, respectivamente são empresas que atuam em soluções para comercialização e locação de equipamentos para café.

A Gran Coffee hoje atende mais de 6 mil clientes corporativos no Brasil e atua com máquinas de grupo para espresso, como as marcas Nuova Simonelli. De acordo com o site da empresa são 17 mil máquinas instaladas no País. Entre seus acionistas está um dos maiores fundos do País, o Pátria Investimentos. O fundo também é acionista da Brasil Espresso – marca que tem no portfólio os cafés Spress, Astro, Café do Centro e Danza.

TEXTO Mariana Proença

Mercado

Nestlé lança produtos com a marca Starbucks

Seis meses após formarem uma aliança mundial no segmento, a Nestlé anunciou nesta quarta-feira (13) o lançamento global de 24 produtos de café com a marca Starbucks. A empresa suíça já tinha os direitos para comercializar cafés e chás da marca norte-americana desde o ano passado, quando pagou US$ 7,15 bilhões.

“Esta aliança global trará a experiência da Starbucks para as casas de milhões de pessoas em todo o mundo com o alcance e reputação da Nestlé”, disse Kevin Johnson, presidente e diretor executivo da Starbucks.

A Nestlé acredita em um rápido avanço no mercado global de café premium. Para Mark Schneider, que está no comando mundial da companhia desde 2017, este segmento possui um crescimento rápido e margens de lucro mais elevadas do que as médias registradas pelo grupo. “Essa transação é um passo significativo para o nosso negócio de café”, disse.

Os novos produtos, que incluem café solúvel, em grãos e moídos e cápsulas Starbucks desenvolvidas com o sistema tecnológico da Nescafé e Dolce Gusto, serão lançados nos próximos dias na Ásia, Estados Unidos, Europa, América Latina e Oriente Médio, além das plataformas online.

“Estamos muito satisfeitos em ter a Starbucks como nossa parceira. As duas empresas têm verdadeira paixão pelo café e estão orgulhosas de serem reconhecidas como líderes globais por seus responsáveis. Este é um ótimo dia para os amantes do café em todo o mundo”, afirmou Schneider.

A aposta da gigante suíça são as misturas, os cafés de uma única procedência e os sabores que já fazem parte do portfólio da marca, como Caramel Macchiato e Cappuccino. Segundo o grupo, os produtos serão feitos com grãos 100% arábica cultivados por produtores de regiões de cafés especiais.

TEXTO Redação
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