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Café da Califórnia estreia em leilão internacional e amplia mapa da produção nos Estados Unidos

Leilão em Dubai também incluiu dois microlotes da brasileira Daterra Coffee

Quando se fala em produção de café nos Estados Unidos, a região de Kona, no Havaí, é a principal referência. Mas, ainda que em pequena escala, o país começa a desenhar uma nova fronteira cafeeira no território continental. Prova disso foi a primeira participação de um café cultivado na Califórnia em um leilão internacional, realizado no âmbito do World of Coffee Dubai 2026, cuja quinta edição ocorreu entre 18 e 20 de janeiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

O leilão reuniu lotes de 13 origens produtoras e movimentou cerca de US$ 67,9 mil, com mais de 1,3 mil lances de compradores de cafés especiais de todo o mundo. Entre nomes consagrados, como a panamenha Hacienda La Esmeralda, estreou um lote de 20 kg de gesha lavado da Frinj Coffee, em Ventura, na costa da Califórnia. Cultivado no rancho Condor Ridge, nas colinas de Santa Bárbara, o café foi arrematado por US$ 256 o quilo.

O café californiano dividiu espaço com um lote da variedade SL34 lavado anaeróbico da Kona Farm Direct, localizada nas encostas do vulcão Monte Hualalai, no Havaí, indicando o potencial de qualidade do café especial norte-americano, cujo cultivo já não se restringe ao arquipélago havaiano. O lote, de 12 kg, foi vendido a US$ 150 por quilo.

Além da novidade americana, o leilão incluiu dois cafés brasileiros da Daterra Coffee, de Patrocínio (MG). Um dos lotes, de 12 kg, foi um natural anaeróbico (62 horas) da variedade guarani — exclusiva da Daterra e resultado de seleção de plantas da variedade aramosa em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) — vendido a US$ 100 por quilo. O outro lote, também de 12 kg, foi um laurina natural anaeróbico, arrematado por US$ 107 por quilo.

TEXTO Redação

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Exportações brasileiras batem recorde, com US$ 15,6 bilhões em 2025

Mesmo com queda de 20,8% no volume embarcado, preços elevados garantiram receita histórica ao café brasileiro; tarifaço dos EUA e menor oferta marcam o cenário de 2025

O Brasil encerrou 2025 com receita cambial recorde de US$ 15,586 bilhões nas exportações de café, um avanço de 24,1% em relação a 2024, apesar da forte queda de 20,8% no volume embarcado, que somou 40,049 milhões de sacas. Os dados constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado na segunda-feira (19).

Segundo o Cecafé, o resultado reflete um ano marcado por menor disponibilidade de café após os embarques recordes de 2024, impactos climáticos sobre a safra e efeitos diretos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A entidade avalia que a recuperação das perdas financeiras causadas tanto pelas tarifas quanto pelo cancelamento ou redução de compras por outros países importadores pode ocorrer apenas na próxima safra.

Principais destinos: Alemanha assume liderança

A Alemanha tornou-se o principal destino do café brasileiro em 2025, ultrapassando os Estados Unidos, tradicional líder do ranking. O país europeu importou 5,409 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total embarcado, embora com queda de 28,8% em relação a 2024.

Principais destinos do café brasileiro em 2025

Entre os dez maiores compradores, apenas três países ampliaram suas compras em 2025: Japão, Turquia (6ª posição), com 1,555 milhão de sacas (+3,3%) e China (10ª posição), com 1,123 milhão de sacas (+19,5%). Segundo o Cecafé, o maior volume adquirido pelo Japão refere-se à recomposição de seus estoques. Já a Turquia fez compras tanto para abastecer o mercado interno quanto para fornecer a países vizinhos.

Cafés diferenciados: menos volume, mais valor

Os cafés diferenciados brasileiros — com certificações de práticas sustentáveis, qualidade superior ou perfil especial — somaram 8,145 milhões de sacas exportadas em 2025, respondendo por 20,3% do total embarcado. O volume foi 10,9% menor do que em 2024, acompanhando a retração geral das exportações brasileiras.

Em valor, porém, o desempenho foi positivo: os embarques desses cafés geraram US$ 3,525 bilhões, o equivalente a 22,6% da receita total – com alta de 39,1% na comparação anual, impulsionada pelos preços médios mais elevados.

Principais destinos dos cafés diferenciados em 2025

Europa segue como mercado-chave

A Europa manteve-se como principal destino do café brasileiro, absorvendo 20,18 milhões de sacas em 2025, o equivalente a 50,4% do volume total exportado. Em receita, os embarques ao continente somaram US$ 8,133 bilhões.

“É um mercado fundamental, e num contexto geopolítico muito forte”, afirmou Marcos Matos, diretor-técnico do Cecafé, em coletiva à imprensa na segunda-feira (19), ao destacar a relevância estratégica do bloco europeu para o café brasileiro.

No médio prazo, o Cecafé avalia que o acordo Mercosul–União Europeia tende a reforçar essa importância, especialmente para os cafés industrializados. Pelo tratado, o café solúvel brasileiro terá desagravação tarifária gradual até zerar em quatro anos, o que colocará o Brasil em igualdade de competitividade com o Vietnã no mercado europeu.

Café solúvel: tarifa mantida nos EUA aprofunda perdas

Apesar do avanço do acordo com a UE, o café solúvel brasileiro segue enfrentando entraves nos Estados Unidos. O relatório do Cecafé destaca que a vigência do tarifaço fez com que os embarques do produto aos EUA caíssem 55% até novembro. 

FOTO Agência Ophelia

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Saiba por que o café industrializado ganha com o acordo Mercosul–União Europeia

Tratado prevê tarifa zero para cafés torrado e moído e solúvel em até cinco anos e reconhece indicações geográficas brasileiras, abrindo espaço para maior valor agregado no mercado europeu

Após 26 anos de negociações, a assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia pode abrir uma nova frente para os cafés torrado e moído e solúvel do Brasil no mercado europeu — segmentos associados a maior valor agregado.

Segundo comunicado da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) divulgado após a assinatura, no sábado (17), o acordo prevê a eliminação gradual das tarifas de importação hoje aplicadas pela UE, que são, em média, de 7,5% para o café torrado e 9% para o café solúvel. Ao final do processo de desgravação, os produtos brasileiros deverão entrar no bloco com tarifa zero, após cinco anos da entrada em vigor do tratado.

A redução será escalonada: 20% na entrada em vigor do acordo, 40% no ano seguinte, 60% no segundo ano, 80% no terceiro e 100% no quarto ano, criando uma trajetória previsível para a ampliação das exportações brasileiras de café industrializado à Europa.

Valor agregado e indicações geográficas

Além do efeito tarifário, o acordo prevê o reconhecimento de indicações geográficas (IGs) brasileiras, entre elas Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Para a ABIC, a medida amplia a proteção das denominações de origem no mercado europeu e reforça estratégias de diferenciação e agregação de valor.

O ponto é considerado estratégico para reposicionar o Brasil em uma cadeia global na qual, apesar de responder por cerca de 40% da produção mundial de café, o país fica com apenas 2,7% da receita global do setor — reflexo da predominância das exportações de café verde, como commodity.

“Esse acordo se alinha diretamente ao projeto da ABIC de ampliar as exportações de cafés industrializados, com maior valor agregado, e aumentar a participação do país na renda gerada pelo café no mundo”, afirma Pavel Cardoso, presidente da entidade.

Café fora das salvaguardas europeias

Outro ponto destacado pela ABIC é que o café não foi classificado pela União Europeia como produto sensível. Na política comercial do bloco, produtos sensíveis são aqueles que podem afetar produtores locais se importados em grande volume e, por isso, costumam estar sujeitos a cotas, tarifas mais elevadas ou restrições — caso de itens como carne, açúcar, etanol e lácteos.

Com isso, o café brasileiro fica fora das salvaguardas comerciais que permitem à UE suspender temporariamente preferências tarifárias em situações de pressão sobre o mercado interno. Na prática, a condição confere maior previsibilidade às exportações para a Europa e reduz riscos regulatórios, favorecendo investimentos de médio e longo prazo na industrialização.

Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos Estados-membros da União Europeia, além de passar pela ratificação dos parlamentos nacionais dos países do Mercosul.

TEXTO Redação

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Acordo comercial entre Mercosul e União Europeia é assinado neste sábado

O tratado é um passo histórico para o Mercosul ao ampliar o acesso do bloco a mercados internacionais e criar as bases da maior zona de livre comércio do mundo

Após mais de 25 anos de negociações, foi assinado hoje (17), em Assunção, no Paraguai, o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia. O acordo marca um momento histórico para o Mercosul ao ampliar o acesso a mercados internacionais e dar origem à maior zona de livre comércio do mundo, que conecta cerca de 722 milhões de pessoas, com economias que juntas somam US$ 22 trilhões, segundo o jornal Folha de S.Paulo.

A parceria estratégica tende a fortalecer os laços econômicos e comerciais entre os blocos, com o aumento das exportações da América do Sul para a UE. Para o Brasil, o acordo traz alívio particularmente em relação ao café solúvel, uma vez que ele segue com as tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos, seu principal mercado consumidor.

Em entrevista à Espresso, Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), afirmou que o acordo tem como objetivo zerar a taxação sobre os solúveis e industrializados brasileiros em até quatro anos. “Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil”, disse.

A assinatura foi o primeiro passo. Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu (cujo desacordo de algumas nações pode apertar a votação) e ratificado nos congressos de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 

TEXTO Redação

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Coca-Cola abandona planos de vender a rede Costa Coffee

Segundo o The Guardian, empresa encerrou leilão após propostas de fundos de private equity ficarem abaixo da expectativa de venda de £ 2 bilhões

A Coca-Cola abandonou os planos de vender sua rede de cafeterias Costa Coffee, após as propostas apresentadas por fundos de private equity não atingirem o valor esperado pela companhia. A informação foi publicada nesta terça-feira (14) pelo jornal britânico The Guardian.

De acordo com o Financial Times, que acompanhou o processo, a empresa americana de bebidas interrompeu as negociações com os licitantes remanescentes em dezembro, encerrando um leilão que se estendeu por vários meses. Entre os participantes da etapa final estava a TDR Capital, gestora britânica de private equity que controla a rede de supermercados Asda, informou o FT.

As primeiras notícias sobre a intenção da Coca-Cola de se desfazer da Costa vieram a público em agosto, quando a multinacional passou a avaliar uma venda por cerca de metade dos £ 3,9 bilhões pagos em 2018 à Whitbread, então controladora da maior rede de cafeterias do Reino Unido, com cerca de 4 mil lojas.

Desde a aquisição, a Costa tem enfrentado pressões de custos — incluindo a alta nos preços do café — e concorrência crescente nas ruas comerciais britânicas. Apesar de ter encerrado o processo atual, a Coca-Cola afirmou não descartar, de forma definitiva, uma eventual venda da Costa no futuro.

TEXTO Redação

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Acordo Mercosul–UE deve estimular investimentos na indústria de café no Brasil

Segundo o Cecafé, tratado também qualifica o país para acordos bilaterais; setor acompanha negociações com Canadá e países asiáticos

A confirmação do acordo entre Mercosul e União Europeia tende a beneficiar principalmente os cafés industrializados do Brasil, já que o café verde não é tarifado para entrar no bloco europeu. “Com a confirmação do tratado, os cafés solúveis e industriais brasileiros terão desgravação anual da taxação que recebem até chegar a zero, em quatro anos”, afirma Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), à Espresso.

Segundo ele, a medida permitirá ampliar a competitividade do país na União Europeia, “provavelmente aumentando seus embarques desses produtos para o bloco”. Matos destaca ainda o efeito sobre investimentos e desenvolvimento regional. “Outro fator que será relevante é o potencial aumento dos investimentos nas indústrias de cafés industrializados no Brasil”, diz.

Para o diretor do Cecafé, o acordo também credencia o país para novas negociações comerciais. “De certa maneira, essa aceitação da atuação governamental brasileira pode ser entendida como uma qualificação para futuros acordos, como se tivéssemos subido de patamar”, afirma. Ele acrescenta que o setor acompanha conversas em curso com o Canadá e países asiáticos para ampliar a presença dos cafés do Brasil no mercado global.

TEXTO Redação

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O que você vai encontrar na edição #90 da revista Espresso

Será que os cafés gelados vão quebrar a hegemonia das bebidas quentes? Essa é a pergunta que tentamos responder na reportagem de capa desta edição, que conversou com torrefações e grandes empresas de cinco países para entender como os hábitos de consumo estão mudando — e como essas novas bebidas podem, de fato, redesenhar o mercado global de café.

A transformação do consumo também avança na Índia, país mais populoso do mundo e onde uma classe média jovem, urbana e viajada passou a enxergar no café um marcador de estilo de vida. O texto mostra como redes de cafeterias internacionais e torrefações e marcas locais vêm explorando essa nova oportunidade.

Na cobertura da 13ª Semana Internacional do Café, um dos mais importantes eventos do mundo do setor e que aconteceu em novembro em Belo Horizonte, destacamos como sustentabilidade, inovação e novos marcos regulatórios moldam a produção brasileira em um mercado global cada vez mais complexo.

Investigamos também como preços altos e maior diversidade de origens estão redefinindo os blends brasileiros, tanto nas grandes empresas quanto nas torrefações independentes. Também apresentamos nesta edição uma conversa exclusiva com Adriana Mejía Cuartas, primeira mulher a presidir o conselho da Plataforma Global do Café. Para ela, sustentabilidade só se concretiza quando fizer parte da vida dos mais de 12,5 milhões de cafeicultores no planeta.

Na coluna “Café com história”, Bruno Bortoloto revisita o conceito das três ondas, propondo uma leitura ancorada na realidade cultural, econômica e social do Brasil, maior produtor de café do mundo desde a década de 1860.

Além disso, degustamos seis cafés do Espírito Santo — estado que combina diferentes territórios, inovação e excelência na produção de arábicas e canéforas —, e mostramos como o cacau brasileiro vem sendo utilizado como matéria-prima para produtos e insumos que vão além do chocolate.

Um abraço e um 2026 repleto de cafés bons e justos.

A Espresso #90 está disponível nas bancas, revistarias e no site da Café Store.

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5 novidades para quem não vive sem café

Lançamentos não faltam para quem aprecia café. O mercado segue aquecido com ofertas que prometem praticidade, novos sabores e experiências personalizadas. Entre cápsulas inéditas e cafés recém-chegados às prateleiras, as marcas apostam em diferentes origens, torrefações e combinações para surpreender tanto consumidores regulares quanto os curiosos e exigentes. 

Kit Brasis do Lucca Cafés Especiais

A cafeteria e torrefação de Curitiba (PR) lançou na sexta (19) um kit de cafés de origem. A caixa é composta por 14 cafés de denominação de origem, 14 cartões exclusivos, um exemplar do livro “A Revolução do Café Brasileiro”, três copos de cerâmica feitos à mão, um Manifesto Brasis e um guia de degustação com receitas. O kit está disponível no site do Lucca Cafés Especiais por R$ 600.

Cápsula illy Cerrado Mineiro

A empresa italiana ampliou seu portfólio de cápsulas com o já conhecido Arabica Selection Brasile Cerrado Mineiro, produzido 100% a partir de agricultura regenerativa e certificado pela Regenagri e até então oferecido em grãos. A cápsula, desenvolvida em colaboração com a Federação dos Cafeicultores do Cerrado Mineiro, promete entregar na xícara notas de caramelo e frutas secas. A novidade é compatível com máquinas Nespresso.

Dropit na Café Store

Uma das lojas de café mais completas do país, a Café Store aumentou sua oferta com três opções da Dropit: Gesha, All Day e Palmer. O primeiro café, produzido por Gabriel Lamounier na Fazenda Guariroba (Santo Antônio do Amparo, MG) é um gesha processado por fermentação anaeróbica de 48h. O segundo é um mundo novo natural, cultivado no Sítio Peixoto, em Campanha (MG). Quanto à terceira oferta e como o nome (em inglês) sugere, é um catuaí vermelho fermentado com notas de manga, também produzido na Fazenda Guariroba. Os pacotes, de 250 g, custam entre R$ 60 e R$ 91 e são vendidos no site e na loja física (rua Barão de Tatuí, 387 – Vila Buarque – São Paulo).

Robusta amazônico da 3corações

A 3corações anunciou sua nova cápsula, feita 100% com café robusta amazônico da denominação de origem Matas de Rondônia. De intensidade 9, a bebida é descrita como encorpada, com acidez equilibrada e notas de mel, avelã e leve salgado. Exclusiva para máquinas Tres, custa R$ 22,69 (caixa com 10 cápsulas) no e-commerce da 3corações

Cafellow para o Natal

Para celebrar as festas de fim de ano, a Cafellow acaba de lançar uma edição limitada inspirada no gingerbread, tradicional doce natalino. Feito com arábica de torra média, o Fellow Encantado, em sachês, é aromatizado com notas de cravo, gengibre, cardamomo e canela. O café está à venda no site da marca por R$ 49,90 (caixa com 10 sachês).

 

TEXTO Redação

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Produção global de café deve bater recorde e alcançar 178,8 milhões de sacas, projeta USDA

Recorde reflete aumento de produção no Vietnã, na Indonésia e na Etiópia, apesar de quedas no Brasil e na Colômbia

A produção mundial de café deve atingir 178,8 milhões de sacas na safra 2025/26, um recorde histórico e alta de 3,5 milhões de sacas em relação ao ciclo anterior. A estimativa consta do relatório semestral sobre o mercado global de café do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), divulgado na quinta-feira (18).

As exportações globais de café em grão também devem crescer, alcançando 123,8 milhões de sacas, aumento de 2,3 milhões. O avanço é impulsionado pela maior oferta do Vietnã, com produção estimada em 30,8 milhões de sacas, e por volumes recordes na Indonésia (11 milhões) e na Etiópia (11,6 milhões), o que, segundo o relatório, compensa as quedas registradas no Brasil, com safra estimada em 63 milhões de sacas, e na Colômbia, com 13,8 milhões.

Com o consumo global em alta, estimado em 173,9 milhões de sacas, os estoques finais devem cair pelo quinto ano consecutivo, para 20,1 milhões de sacas. Diante do aperto entre oferta e demanda, os preços do café, medidos pelo índice composto mensal da Organização Internacional do Café (OIC), quase triplicaram no período.

Confirma o relatório completo aqui.

Para saber mais

Robusta: Indonésia e Vietnã 

A produção de café na Indonésia foi estimada em 11 milhões de sacas, aumento de 1,7 milhão, resultado de maior rendimento das plantas, condições climáticas favoráveis e uso ampliado de mão de obra na colheita. O volume mantém, há 25 anos, o país como terceiro maior produtor global de robusta. A produção de arábica ficou em 1,5 milhão de sacas, enquanto as exportações de café verde devem atingir 7,8 milhões de sacas, alta de 1,7 milhão, destinadas principalmente à União Europeia, aos Estados Unidos (arábica) e ao Egito.

No Vietnã, a produção deve alcançar 30,8 milhões de sacas, sendo 95% de robusta, impulsionada por maior produtividade, atribuída a clima favorável e ao uso intensificado de fertilizantes e insumos. As exportações devem somar 24,6 milhões de sacas, aumento de 2,3 milhões em relação ao ciclo anterior.

Arábica: Etiópia, Brasil e Colômbia

A Etiópia tem produção prevista de 11,6 milhões de sacas, 500 mil a mais do que no ciclo anterior, em novo recorde. O crescimento, observado há três anos, decorre da substituição de mais da metade da área cultivada por variedades mais produtivas e da adoção de podas pós-colheita. As exportações também avançaram, com alta de 400 mil sacas, e devem fechar em 7,8 milhões.

No Brasil, a safra foi estimada em 63 milhões de sacas pela FAS em 11 de dezembro, após revisão negativa de 2 milhões. O volume inclui 38 milhões de sacas de arábica (queda de 6 milhões) e 25 milhões de canéfora (alta de 4 milhões). A redução do arábica é atribuída à seca e às altas temperaturas em Minas Gerais e São Paulo, que afetaram a florada, o pegamento e o desenvolvimento dos frutos. Já o recorde do canéfora resulta de boas chuvas no Espírito Santo e na Bahia. Com a menor oferta, a previsão das exportações brasileiras caiu 4 milhões de sacas, para 37 milhões.

Na Colômbia, a produção também deve recuar, em 1 milhão de sacas, para 13,8 milhões, em razão de condições climáticas desfavoráveis durante a florada. As exportações de café verde, destinadas principalmente aos Estados Unidos e à União Europeia, estão estimadas em 11,5 milhões de sacas, queda de 700 mil frente a 2024/25.

TEXTO Redação

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Por que o cacau agroflorestal é um aliado para manter a Amazônia em pé?

Por Beatriz Marques

Quem diria que no início dos anos 1970 a ordem do governo era para desmatar a Amazônia? Com a justificativa de povoar a região para impedir a “invasão estrangeira”, a rodovia BR-230, popularmente conhecida como Transamazônica, foi criada pelo regime militar e, a partir da inauguração do primeiro trecho, em 1972, veio também o “convite” aos cidadãos de diferentes pontos do país para habitarem as redondezas e tirarem a floresta da frente. “Quem vinha para cá e desmatava 100 hectares ganhava outros 100”, relembra a engenheira agrônoma Hélia Félix, responsável técnica pela Cacauway, a primeira fábrica de chocolates do Pará. Naquela época, seu marido, Leandro Sotelo, migrou do Paraná para o que é atualmente o município de Medicilândia e viu monocultivos de milho, arroz, feijão e cana-de-açúcar conquistarem seu espaço na Amazônia.

Hoje sabemos que a realidade é outra: agora, a ordem é manter a floresta em pé e recuperar áreas degradadas. Quando a aplicação do Código Florestal passou a ser exigida de forma mais efetiva, em 2008, estabeleceu-se a manutenção de 80% da cobertura de vegetação nativa em áreas de propriedades rurais na Amazônia Legal (que inclui Pará, Acre, Roraima, Rondônia, Amazonas, Mato Grosso, Amapá, Tocantins e uma porção do Maranhão). Na chamada Reserva Legal, é permitida a exploração econômica de manejo sustentável, sem descaracterizar e prejudicar a conservação da vegetação do bioma, assegurando a manutenção da diversidade e, caso seja feito o manejo de espécies exóticas, que seja para favorecer a regeneração das nativas.

Quem acabou desempenhando um papel importante nessa mudança, como alicerce para preservar a biodiversidade amazônica, foi o cacau. “Como é nativo do bioma, os agricultores viram no cacaueiro uma solução para manter a rentabilidade nesses 80% de reserva”, explica Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil, iniciativa público-privada para o desenvolvimento da cadeia sustentável do cacau no país.

Com produção anteriormente tímida – pois, desde os anos 1960, a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac) já introduzia sementes híbridas do cacau para o cultivo na região –, hoje a área da Transamazônica transformou-se no grande polo produtor do Pará, colocando o estado em destaque na cena cacaueira nacional. “Na Transamazônica se produz mais de 80% do cacau do Pará, e a terra fértil é um dos diferenciais”, comenta Ivaldo Santana, coordenador do Programa de Desenvolvimento da Cadeia Produtiva da Cacauicultura (Procacau), que faz parte da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) em parceria com a Ceplac.

O que faz o cacau tornar-se um aliado na preservação da Amazônia é seu cultivo em sistema agroflorestal (SAF), no qual há um consórcio de culturas agrícolas e florestais que interagem bem e mantêm a diversidade biológica. No caso do cacaueiro, que naturalmente precisa de sombra, o SAF tem desenhos com diferentes espécies florestais nativas, como mogno e andiroba, além de outras árvores frutíferas, como cupuaçu e açaí, e de sombras provisórias, como a banana e a mandioca. “Há uma diversidade imensa de SAFs. Só no município de Tomé-Açu [outra importante região produtora no nordeste paraense], onde cacau e açaí são considerados ‘as joias da coroa’, foram encontrados 409 arranjos distintos”, conta Walkymario Lemos, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental.

Cacau em SAF e, à direita, em secagem

Esse sistema é um “mundo ideal” para a região amazônica, pois traz inúmeras vantagens ao meio ambiente e aos agricultores. “Temos aqui em torno de 160 mil hectares recuperados em SAFs desde 2006, em um total de 230 mil hectares plantados de cacau”, diz Santana sobre o território paraense. Muitas áreas degradadas, usadas para pastagens, por exemplo, têm sido convertidas para os SAFs. “Temos uma legislação no Pará para dar prioridade às áreas que foram desmatadas no passado”, explica Santana, referindo-se às ações de incentivo da Procacau. Vale também citar que as propriedades agrícolas com cacau desflorestam menos do que as que não plantam o fruto, pois, como é uma cultura perene, usa-se menos o fogo no preparo da área.

Além disso, o manejo dos SAFs é mais vantajoso para os agricultores, pois não necessita de tantos defensivos agrícolas. “Por meio da diversidade que compõe o arranjo, cria-se um microambiente favorável, em que há menos incidência de pragas e doenças”, conta Salata.

Outro ponto importante é o socioeconômico, já que, majoritariamente, os SAFs estão nas mãos de pequenos produtores, da agricultura familiar. “Dos 32,7 mil produtores do Pará, 95% são agricultores familiares, que têm em média cinco hectares. Em Medicilândia, que é o maior produtor do Brasil, a média sobe para sete hectares”, explica Santana.

Além disso, o aumento crescente do preço do cacau tem ajudado não só a permanência das pessoas na terra como atraído novos agricultores. Segundo a Sedap, o preço médio do cacau comercializado no estado em 2024 foi de R$ 40 o quilo, gerando uma renda líquida média mensal de R$ 11,2 mil para propriedades de cinco hectares. E o Pará, líder na produção de cacau no país, com registro de 143.675 toneladas em 2024, é o estado brasileiro que mais cresce em área plantada. “O aumento anual de áreas plantadas com cacaueiro é de 8 mil hectares, com cerca de mil novos produtores. E nós temos a maior produtividade do mundo atualmente, com 847 kg por hectare”, revela Santana.

No ano passado, dos R$ 5,7 bilhões de valor bruto adquirido a partir da comercialização do fruto, R$ 358 milhões foram pagos em impostos ao Pará (via ICMS) – deste montante, R$ 8 milhões foram repassados pelo governo estadual ao Fundo de Desenvolvimento da Cacauicultura (Funcacau), voltado para apoiar várias ações e projetos para o desenvolvimento da produção de cacau. “Os recursos usados vão desde suporte técnico até o custeamento dos nossos produtores em eventos internacionais”, explica o coordenador da Procacau. “Somos o único estado a ter um fundo voltado para o cacau”, completa.

Para quem aposta nos SAFs, além dos benefícios econômicos e ambientais, há outras oportunidades a caminho. “No futuro, será possível capitalizar os produtores com créditos de carbono e, muito em breve, devemos ter também crédito para a biodiversidade, um aspecto muito marcante dos sistemas agroflorestais”, avisa Lemos.

Walkymario Lemos, chefe-geral da Embrapa Amazônia Oriental

Mesmo sendo predominante, os SAFs não são as únicas formas de cultivo do cacau no estado. O chamado cacau de várzea, bastante encontrado no Baixo Tocantins, não faz uso de adubação e aditivos químicos, e suas plantas no meio da floresta são adaptadas às oscilações das águas dos rios amazônicos. Considerado uma iguaria por muitos chocolateiros e premiado internacionalmente, o cacau de várzea tem origem em plantas nativas – diferentemente dos SAFs, que usam sementes híbridas, selecionadas e fornecidas gratuitamente pela Ceplac. “Suas amêndoas possuem bastante manteiga e são muito apreciadas, mas têm produtividade bem baixa, de 250 quilos por hectare”, comenta Santana.

Na outra ponta, surge – ainda de forma tímida – um modelo que começa a se expandir no Pará: o cultivo a pleno sol, já comum em outras regiões do país. Entre suas principais diferenças em relação às versões SAF e de várzea estão o monocultivo de clones em área sem sombreamento, mas com muita adubação e irrigação, e uma produtividade média inicial (nos primeiros anos de cultivo) até quatro vezes maior se comparada a dos sistemas agroflorestais. Mas existem os “poréns”. “O modelo, a nosso ver, carece de informações científicas concretas na Amazônia”, diz Lemos, da Embrapa. “Por mais que se tenha uma alta produtividade, não se conhece com precisão por quanto tempo o cacaueiro a pleno sol mantém-se assim. Se, por um lado, ele pode ser vantajoso, pois, como são clones, eles produzem com mais uniformidade, por outro, a vulnerabilidade da planta é igual para todos. A ciência ainda precisa avançar para gerar informações seguras sobre o modelo”, analisa.

Do lado da Procacau, o cultivo a pleno sol encontra restrições, já que o Funcacau dá prioridade a projetos baseados em sistemas agroflorestais (SAFs). “Se um município pede recursos para cultivo solteiro, o pedido dificilmente será aprovado”, avisa Santana. “A orientação técnica, seja da Ceplac ou da Emater, é que o cacau seja plantado com sombreamento, mas o produtor é livre para escolher”, completa. Para Lemos, “é pouco inteligente buscar apenas o olhar da produtividade e ter essa produção [a pleno sol] constantemente questionada em relação à sustentabilidade.”

A chegada da 30a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), marcada para novembro em Belém, será uma oportunidade para que o mundo conheça os aspectos socioeconômicos e biodiversos das SAFs do cacau. A Embrapa Amazônia Oriental, a cerca de 2 quilômetros dos principais eventos da COP30, será sede da AgriZone, iniciativa para debates sobre agricultura e mudanças climáticas, onde 3 mil hectares, montados como vitrines vivas e virtuais, apresentarão soluções sustentáveis para cadeias produtivas, como as SAFs – e inclui, claro, o cacau. “Queremos tirar a imagem do desmatamento e mostrar para o mundo que somos um estado que recupera as áreas desmatadas e dá boa renda ao produtor com o cacau da Amazônia”, deseja Santana.

Texto originalmente publicado na edição #89 (setembro, outubro e novembro de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Beatriz Marques • FOTO Divulgação