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Espresso&CO faz degustação de cafés colombianos

Lucci Salomão no preparo dos cafés filtrados no método v60

Na terça-feira (24), a Espresso&CO promoveu uma degustação exclusiva de cafés colombianos em São Paulo. O barista Thiago Nego, da DaVinci Gourmet Brasil, apresentou um panorama dos cafés especiais em Medellín, que visitou há pouco mais de um mês,  e das tendências observadas no setor.

“A cena de cafeterias de especialidade em Medellín é bem consolidada. Todos os cafés, mesmo os mais simples, têm um sabor diferente”, destacou. 

Durante a apresentação, o barista comentou as práticas observadas nas cafeterias de Medellín. “Entre as tendências que vi e que fizeram muito sentido é a de que cada café tem seu ritual para ser extraído. Usando o mesmo equipamento, a técnica aplicada era diferente em cada cafeteria”, afirmou. “Outro ponto é a temperatura. Na extração, a maioria das cafeterias não aplica temperaturas hiper altas”.

Thiago Nego apresentando sobre o cenário de cafeterias em Medellín

Nego destacou o alto consumo de bebidas geladas. “Há um aumento no consumo de cafés gelados na América Latina, seja em receitas usando café ou com o café como protagonista, como no cold brew”, explicou.

Após o bate-papo, mais de dez cafés foram preparados pelo barista Lucci Salomão. O público – de profissionais do setor e coffee lovers que já são clientes da Café Store – pode provar diferentes grãos, desde marcas amplamente distribuídas, como Juan Valdez e Matiz, até torrefações menores, como El Laboratorio de Café, Pergamino e Típica.

TEXTO Redação

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Podcast resgata a história global do café em nova temporada

Produzido por James Harper e pelo historiador Jonathan Morris, “A History of Coffee” traz episódios sobre a história do café na Etiópia, na Guatemala e em Hamburgo

A terceira temporada do podcast “A History of Coffee” já está no ar. Produzido por James Harper, produtor de documentários no setor, e Jonathan Morris, professor da University of Hertfordshire, na Inglaterra, e autor de “Coffee: A Global History”, o podcast traz episódios sobre a trajetória econômica, social e cultural do grão.

Os episódios desta nova temporada exigiram mais de cem horas de produção e mais de um ano de pesquisa e viagens, segundo o portal Comunicaffe International.

No episódio lançado em 9 de fevereiro, a narrativa parte das florestas úmidas da Etiópia, onde o café cresce de forma selvagem, para explicar por que essas áreas funcionam como uma “biblioteca genética”, essencial para o desenvolvimento de variedades de arábicas mais resilientes às mudanças climáticas.

Já o episódio anterior, que foi ao ar em 5 de janeiro, examina a relação histórica entre o café e o porto de Hamburgo, na Alemanha. Entre os séculos XIX e XX, a cidade consolidou-se como um dos principais entrepostos globais do grão, o que ajudou a escrever a economia cafeeira moderna.

Estão previstos ainda episódios dedicados ao início do cultivo de café na Guatemala, no começo do século XVIII, quando o território era colônia sob domínio da Espanha e, após a independência em 1821, tornou-se base da economia exportadora do país. Outro eixo aborda a escassez global em períodos como a Segunda Guerra Mundial, quando o racionamento levou ao  consumo de substitutos à base de cevada, centeio e chicória.

A terceira temporada tem patrocínio da Mahlkönig e está disponível no Apple Podcasts e no Spotify. 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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A aposta no cacau brasileiro

Cadeia prepara-se para dobrar a produção até o fim da década e lança marca para promover o produto no mercado internacional, com foco em sustentabilidade

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

O Brasil está na contracorrente do mundo. Enquanto os maiores países produtores de cacau vêem a produção despencar por problemas como falta de renovação das lavouras, aparecimento de doenças, mudanças climáticas e garimpo ilegal, em território nacional, a cadeia cacaueira planeja dobrar a produção e atingir 400 mil toneladas por ano, tornando-se autossuficiente até 2030.

Esta é a meta do Plano Inova Cacau, desenvolvido pela Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira, órgão ligado ao Ministério da Agricultura) e pelo CocoaAction Brasil, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento do setor cacaueiro brasileiro. “Para isso acontecer, um dos caminhos é dobrar a produtividade média das lavouras”, diz Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil. Atualmente, o país produz cerca de 350 quilos por hectare ao ano.

Pode parecer um salto grande, mas, na verdade, o projeto é retomar a produtividade que o Brasil já teve antes da chegada da vassoura-de-bruxa, doença fúngica que dizimou os cacauais nos anos 1980. Isso fez o país, que era o segundo maior produtor de cacau do mundo, cair para a atual sexta posição.

Mas como fazer isso? “Expandindo a assistência técnica e gerencial aos produtores de cacau e ampliando o acesso a crédito”, diz Salata, referindo-se às medidas que têm sido foco dos esforços do CocoaAction, iniciativa da Fundação Mundial do Cacau que chegou ao Brasil em 2018. Não por acaso, uma das metas do Plano Inova Cacau é aumentar em 30% o número de produtores que recebem assistência técnica e extensão rural (Ater). Hoje, a cadeia estima que cerca de 14 mil produtores, em um universo de 93 mil estabelecimentos rurais com cacau no Brasil, tenham Ater.

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

 

Segundo os agrônomos do CocoaAction e as entidades parceiras, é possível duplicar a produção com práticas agrícolas simples, que boa parte dos produtores ainda não realizam. São elas a análise de solo, para indicar a quantidade de fertilizante que a lavoura precisa, e o manejo de incidência de luz.

Embora o cacau cabruca, sombreado pelas árvores da Mata Atlântica, e o cacau agroflorestal necessitem de um pouco de sombra, as podas são fundamentais para que o fruto se desenvolva bem.

A força da assistência técnica

A prova de que a assistência técnica faz toda diferença é o Programa Cacau+, do Ciapra, um consórcio de 14 municípios do Sul da Bahia que representa 1/3 da produção cacaueira do estado e congrega 25,6 mil agricultores familiares, com uma área de 99,6 mil hectares destinadas ao cacau. A iniciativa já beneficiou 2,4 mil famílias com o aumento de produtividade das lavouras e, consequentemente, incremento da renda e da qualidade de vida.

Voltado à difusão de conhecimento através de assistência técnica, o programa aumentou a produtividade dos agricultores assistidos de 336 quilos por hectare em 2021, ano em que foi lançado, para 624 kg/ha em 2024. Isso graças às análises de solos, correção com calcário e gesso e distribuição do kit mudas para os participantes do Cacau+.

José Alberto Vilas Boas e Zulmira, produtores de cacau agroflorestal em 4,5 hectares no município de Igrapiúna (BA), são um exemplo. “O programa nos trouxe conhecimento e nossa renda aumentou 60%”, diz Vilas Boas. Antes do Cacau+, eles adubavam a roça uma vez ao ano, mas jogavam muito fertilizante e as plantas não o absorviam. Com a orientação do técnico agrícola, começaram a escalonar a adubação, e o resultado foi um aumento de produtividade na área de 2,7 mil quilos em 2021 para mais de 5 mil no ano passado.

Casal Vilas Boas – Foto: Ciapra

O programa também foi um divisor de águas na vida de Josenildo de Jesus Souza, produtor de cacau consorciado com seringueira em Ituberá (BA), na comunidade de Caboge. Em 2018, ele colhia 405 kg em 1,3 hectare, mas, com o acompanhamento do técnico agrícola do Cacau+, a colheita saltou para 2,4 mil quilos no ano passado. “A partir do programa, com o aumento da renda, consegui realizar meu sonho de criança e estou fazendo faculdade de agronomia”, comemora Souza.

De acordo com o Banco Central, o total de crédito rural acessado pela agropecuária em 2024 foi de R$ 374 bilhões, sendo R$ 253 bilhões destinados à agricultura. Deste montante, R$ 234 milhões foram para a cultura do cacau, sendo R$ 158 milhões direcionado ao Pronaf (via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). “O total de crédito rural público para o cacau representa 0,06%. É inexpressivo, tem muito espaço para crescer”, diz Salata.

O produtor de cacau Josenildo de Jesus Souza – Foto: Ciapra

Um salto no crédito

Porém, a situação já melhorou. Em 2017, o volume de crédito do Pronaf concedido aos produtores de cacau foi de R$ 19,7 milhões – número que saltou para R$ 158 milhões no final de 2024. “Temos trabalhado com a cadeia para ampliar o acesso a crédito e impulsionar os agricultores a melhorar o manejo da lavoura, para aumento de produtividade e, consequentemente, expandir renda e qualidade de vida”, diz o coordenador do CocoaAction Brasil.

Segundo Salata, o grande gargalo para o acesso a crédito dos produtores de cacau é a falta de regularização fundiária, principalmente no Pará, e da regulamentação ambiental, na Bahia, além da falta de assistência técnica. Com estes entraves, diz ele, os agricultores não conseguem participar de políticas públicas.

De cada 100 produtores de cacau no Brasil, 85 estão à margem do sistema financeiro e 75 nunca receberam assistência técnica, de acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária). Ao mesmo tempo, cerca de 80% da produção de cacau no Brasil depende dos agricultores de pequenas propriedades. O resultado dessa combinação é baixa renda e baixa produtividade.

Não por acaso, os mecanismos de crédito alternativo têm crescido. Um deles é o Fundo de Impacto Kawá, no modelo de blended finance (financiamento misto, em inglês), que mescla recursos públicos, de fomento ou filantrópicos, ao capital privado.

Foto: Ciapra

Criado pelos Instituto Arapyaú, Violet, ONG Tabôa Fortalecimento Comunitário e MOV Investimentos, a iniciativa tem a meta de destinar R$ 1 bilhão para custeio de pequenos produtores em sistemas sustentáveis até 2030. “Identificamos que a baixa renda para as famílias continuarem a viver do cultivo é resultado da falta de recursos para fazer investimentos e da falta de uma assistência técnica”, analisa Vinicius Ahmar, gerente de Bioeconomia do Instituto Arapyaú. A Ater, inclusive, é fundamental para ajudar os produtores a resolver os problemas fundiários de regularização ambiental.

Por isso, o fundo acredita que o crédito tem que vir ao lado da assistência técnica. “Assim, o técnico agrícola ouve o produtor e pensa com ele o que pode ser feito na área para ter melhores resultados, como aumentar a renda, pagar o crédito e conseguir tomar outros, iniciando um círculo virtuoso”, diz Ahmar.

O Kawá seguirá o modelo dos dois Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) Sustentáveis para o Cacau emitidos pela Tabôa, que já beneficiaram mais de 2,8 mil pessoas. Na primeira fase, o fundo deve contemplar, com cerca de R$ 30 milhões, 1,2 mil produtores da Bahia e do Pará. Além disso, a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (Aipc) sinalizou que irá mobilizar seus associados para comprar as amêndoas dos produtores contemplados pelo Kawá.

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

Os ventos estão favoráveis ao setor. A procura por cacau, aliada aos problemas de fornecimento, fez o preço dele decolar. A tonelada da amêndoa chegou a ultrapassar US$ 12 mil em 2024 e, no fechamento desta reportagem, estava em torno de US$ 10 mil. “A hora de investir é agora, principalmente no aumento de produtividade, porque cacau é commodity. Não dá para saber até quando o preço vai ficar neste patamar”, diz Salata. “Mas, se o produtor tiver produtividade alta, quando o preço cair, ele continuará ganhando dinheiro”, acrescenta.

Holofotes para o cacau brasileiro sustentável

No final de março, foi lançada a marca Cacau Brasileiro – Gente, Floresta e Cultura. A iniciativa – feita pela Associação das Indústrias Processadoras de Cacau ao lado da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Cacau e Sistemas Agroflorestais, do Centro de Inovação do Cacau (CIC), do CocoaAction Brasil, da Federação da Agricultura do Estado da Bahia e do Instituto Arapyaú – quer promover a imagem do produto em mercados estratégicos, como Estados Unidos e países da Europa, e colocar o Brasil entre os maiores exportadores de cacau sustentável até 2030. “A marca é resultado de um movimento setorial, que visa fortalecer o cacau brasileiro, considerando aspectos que o diferenciam do restante do mundo”, diz Ricardo Gomes, gerente de Desenvolvimento Territorial do Instituto Arapyaú.

Para as entidades, o cacau brasileiro tem atributos únicos no cenário internacional. Um deles são as centenas de produtores e comunidades locais vinculadas à história do cacau, com tradição na produção do fruto. Outro atributo é a floresta, já que 80% da produção nacional vem de agroflorestas ou do sistema cabruca – modelos produtivos que preservam a biodiversidade, ajudam na resiliência climática e geram prosperidade aos agricultores. Por fim, há o elemento ligado à cultura: os cacauais fazem parte da identidade das regiões produtoras, que têm receitas e festivais atrelados ao fruto, que também é uma alavanca para o turismo.

A expansão recente do cacau também entra na conta. Nos últimos anos, as plantações de cacau têm alcançado Cerrado Baiano, Tocantins e São Paulo, regiões não tradicionais de cultivo e com projetos de larga escala, tecnologia e inovação. “Com a marca, queremos atrair, no curto prazo, investimentos para o Brasil de quem aposta no cacau com atributos de sustentabilidade e rastreabilidade para atender à demanda de abastecimento global”, explica Gomes, referindo-se à falta de amêndoas nos países africanos.

Foto: Ana Lee / AIPC e CocoAction Brasil

Hoje, o Brasil não é autossuficiente – produz cerca de 200 mil toneladas de amêndoas ao ano – e precisa importar para suprir a demanda interna. “A aposta da iniciativa é somar esforços com políticas públicas que contribuam para que o país retome o protagonismo da cadeia de valor e suprimento global do cacau”, diz Guilherme Salata, coordenador do CocoaAction Brasil.

A mobilização do setor com o Plano Inova Cacau e o lançamento da marca, entre outras ações, prepara o terreno para quando o Brasil tiver excedente de produção. Nos tempos áureos do cacau no país, o “cacau bahia superior” chegou a ter um preço diferenciado em bolsa por causa da qualidade. Mas, com o declínio a partir dos anos 1990, o Brasil perdeu o posto de produtor de cacau fino.

Desde 2019, porém, o CIC passou a organizar o Concurso Nacional de Qualidade de Cacau, com objetivo de promover a produção de cacau especial. Em 2023, o Brasil voltou a ser reconhecido pelo Conselho Internacional de Cacau (Icco) como país exportador de cacau com 100% de qualidade. “No ano passado, na 6ª edição do Cacao of Excellence (CoEx), o ‘Oscar do Cacau’, o Brasil ficou em 2o lugar, com dois produtores com medalha de ouro e um com medalha de prata”, lembra Cristiano Villela, diretor científico do CIC.

As estimativas, portanto, são animadoras. Até 2030, o Brasil tem potencial de participar com 13% do mercado global de cacau. Essa é a projeção de um relatório do Instituto AYA, que colaborou com o Plano de Transformação Ecológica do Governo Federal. Com isso, o país estaria entre os três maiores produtores do mundo, gerando US$ 2,3 bilhões em receita e ofertando até 300 mil empregos.

Texto originalmente publicado na edição #88 (junho, julho, agosto de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Lívia Andrade

Mercado

Redes de cafeterias avançam no Leste Asiático e superam 180 mil lojas em 2025

Dados do Project Café East Asia 2026, do World Coffee Portal, mostram crescimento regional de 18,4%, puxado pela China, que abriu mais de 20 mil lojas em um ano; mercado asiático deve ultrapassar 200 mil pontos de venda até 2026

Foto: 5thWave

O Projeto Café Leste Asiático 2026, análise pioneira da inglesa World Coffee Portal sobre o mercado de redes de cafeterias no Leste Asiático, revela que o mercado regional total cresceu 18,4% em número de lojas em 2025, alcançando 180.268 pontos de venda, com China, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Filipinas registrando crescimento de dois dígitos.

Mercado chinês em disparada

O mercado chinês de redes de cafeterias cresceu 31,5% em 2025, alcançando 87.505 lojas — quase o dobro do mercado dos EUA e quase metade do total de lojas do Leste Asiático. É a primeira vez que um mercado de redes de cafeterias inaugura mais de 20 mil lojas em um ano-calendário.

O crescimento foi liderado por Luckin Coffee e Cotti Coffee, os dois maiores operadores do país, que, juntos, abriram mais de 12 mil lojas e respondem, atualmente, por 50% do mercado chinês de cafeterias.

O mercado chinês é cada vez mais influenciado por preço, promoções e descontos, com destaque para a guerra de preços de RMB 9,9 (US$ 1,40) entre Luckin e Cotti.

A ênfase em acessibilidade também impulsionou o surgimento de redes de crescimento acelerado focadas em valor, como a Lucky Cup, da Mixue, e a KCoffee, da Yum China.

Esse ambiente altamente competitivo surpreendeu muitos operadores internacionais em um mercado hoje dominado por cadeias locais. Vale destacar, por exemplo, que a antiga líder Starbucks concordou com a venda de uma participação majoritária de US$ 4 bilhões de seu negócio na China — com 8 mil lojas — para a Boyu Capital, de Hong Kong.

Inovação em bebidas

Oitenta por cento dos 4 mil frequentadores de cafeterias na China entrevistados pelo World Coffee Portal consomem café quente pelo menos uma vez por semana, sendo que 25% o fazem diariamente. Ainda assim, os operadores vêm experimentando cada vez mais cafés gelados, aromatizados e com infusão de frutas, tornando a China um laboratório único de inovação em sabores.

Matcha, açúcar de palma e coco foram os ingredientes adicionados às bebidas de café mais citados, o que reforça a tendência. O coconut latte, por exemplo, é o item mais vendido da Luckin Coffee desde seu lançamento, em 2017. Da mesma forma, a KCoffee lançou linhas ousadas, como um café americano gaseificado com vinagre preto.

Foto: 5thWave

Preferência por redes locais

Os mercados de redes de cafeterias do Leste Asiático desenvolveram identidades próprias, baseadas em tradições nacionais de café e na oferta de bebidas à base de espresso mais acessíveis.

Na China, 57% dos entrevistados preferem redes domésticas a operadores internacionais. Esse sentimento se repete em toda a região, onde cadeias locais continuam ganhando participação de mercado de marcas ocidentais. Entre os exemplos estão Jinji Jawa, na Indonésia, ZUS Coffee, na Malásia, e Pickup Coffee, nas Filipinas, que inauguraram centenas de lojas no último ano, crescendo mais rápido que concorrentes como Starbucks, Dunkin’ e Costa Coffee.

Na Tailândia, por exemplo, Café Amazon e PunThai Coffee responderam por 80% de todas as novas lojas abertas nos últimos 12 meses.

Otimismo entre líderes da região

A maioria dos líderes do setor entrevistados (71%) registrou crescimento anual de vendas, e mais de dois terços estão otimistas quanto às condições atuais de mercado. Além disso, 68% esperam melhora nas condições comerciais nos próximos 12 meses.

O World Coffee Portal projeta que o mercado de cafeterias do Leste Asiático será o primeiro do mundo a ultrapassar 200 mil lojas até o fim de 2026. Até novembro de 2030, o total deve superar 263 mil lojas, com crescimento médio anual (CAGR) de 7,9% em cinco anos.

A China deve crescer 20% em número de lojas em 2026 e 10,3% ao ano nos próximos cinco anos, alcançando mais de 142,5 mil lojas até o fim de 2030. Camboja, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã também devem registrar crescimento de dois dígitos em 2027.

Comentando os resultados do estudo, Jeffrey Young, fundador e CEO do Allegra Group, responsável pelo Project Café East Asia 2026, afirma que esse crescimento demonstra como o Leste Asiático se tornou parte “fundamental” da indústria global de café.

“A China, uma verdadeira potência, adicionou mais de 20 mil lojas em um ano, alcançando um crescimento sem precedentes e impressionante”, comenta. Segundo Young, ainda há “muito espaço” para expansão. “Esperamos que toda a região se torne o principal motor de crescimento global nas próximas décadas. Uma coisa é certa: este é um sinal de mudança, e o mercado global de café está sendo cada vez mais liderado por conceitos do Leste Asiático.”

TEXTO Fonte: World Coffee Portal (tradução da Revista Espresso) • FOTO 5thWave

Mercado

Consumo de café no Brasil cai 2,31% em 2025

Volatilidade dos preços freou o consumo per capita em 2025, mas o faturamento cresceu; a expectativa de uma safra maior em 2025/26 pode estabilizar mercado 

Por Cristiana Couto

O consumo de café torrado e moído no Brasil caiu em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o volume passou de 20,85 milhões para 20,24 milhões de sacas, uma retração de 2,92% na comparação com o período anterior.

A queda reflete, sobretudo, a forte volatilidade dos preços da matéria-prima, que atingiu o varejo com atraso, mas de forma significativa. O consumo per capita de café torrado e moído recuou de 5,01 kg para 4,82 kg por habitante/ano (-3,88%)..

Faturamento cresce apesar da retração

Apesar do menor volume, o faturamento da indústria cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões, impulsionado pela alta dos preços nas gôndolas. Nos últimos cinco anos, enquanto o preço do café verde subiu mais de 200%, o repasse ao consumidor ficou em torno de 116%, indicando compressão das margens da indústria.

A ABIC destacou que a escalada e a queda abrupta das cotações do café verde — especialmente entre novembro de 2024 e agosto de 2025 — dificultaram o planejamento industrial e contribuíram para o impacto no consumo. Em alguns momentos do ano, a oferta de matéria-prima chegou a níveis considerados críticos.

Solúvel avança, torrado recua

Na contramão do torrado e moído, o consumo de café solúvel cresceu 9,5% em 2025, beneficiado pela maior participação dos canéforas na matéria-prima e por preços relativamente mais competitivos. Já o consumo total de café (torrado, moído e solúvel) caiu 2,31%, para 21,4 milhões de sacas.

Expectativas da safra 2025/26 

Com boa florada e condições climáticas mais favoráveis, a expectativa da ABIC é de uma safra 2025/26 maior, o que tende a reduzir a volatilidade dos preços. No entanto, os estoques globais seguem historicamente baixos, o que limita quedas expressivas no preço ao consumidor no curto prazo. A entidade projeta recuperação gradual do consumo, apoiada em promoções pontuais e maior estabilidade do mercado.

 

TEXTO Cristiana Couto

Mercado

Solúvel tem queda em volume exportado, mas bate recorde de receita em 2025

Tarifa de 50% dos EUA derruba embarques; valorização da matéria-prima sustenta divisas e mercado interno cresce

O café solúvel brasileiro fechou 2025 com queda de 10,6% no volume exportado, mas alcançou recorde de receita, com US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% ante 2024, segundo relatório da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

No total, o Brasil embarcou 3,688 milhões de sacas para 102 países, mantendo o produto como o 13º item da pauta exportadora brasileira. A retração em volume reflete principalmente o impacto da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Entre agosto e dezembro, período de vigência da medida, as exportações para o país caíram 40% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Ainda assim, os EUA seguiram como principal destino, com 558.740 sacas em 2025, apesar da queda anual de 28,2%.

Na sequência aparecem Argentina (291.919 sacas, +40,2%) e Rússia (278.050 sacas, +9,8%). Entre os destaques do ano estão mercados que também são grandes produtores de solúvel, como Colômbia (130.029 sacas, +178,2%), além de Indonésia, México e Vietnã.

Segundo a Abics, “a tarifa encarece o produto brasileiro de forma proibitiva”, levando importadores norte-americanos a buscar fornecedores alternativos e reforçando a necessidade de diversificação de mercados.

Nesse contexto, a União Europeia desponta como alternativa relevante. Em 2025, o bloco importou 642 mil sacas, que geraram US$ 184 milhões — 17,5% do volume total embarcado. Atualmente, o café solúvel brasileiro entra na UE com tarifa de 9%. A expectativa em torno do acordo Mercosul–UE é positiva, mas a entrada em vigor deve levar de dois a três anos e prevê desgravação gradual de 25% ao ano, ao longo de quatro anos, sem efeito imediato sobre o escoamento.

Na contramão das exportações, o mercado interno teve desempenho excepcional, com crescimento de 9,5% e consumo de 1.170.356 sacas. Dados do IBGE mostram que, entre 2024 e 2025, o café solúvel acumulou alta de 34,32%, abaixo do café moído (75,25%), o que ajudou a sustentar a demanda.

Para a ABICS, o resultado evidencia a resiliência de um setor que investiu R$ 2,5 bilhões nos últimos seis anos, mas que entra em 2026 diante de um cenário desafiador, marcado por barreiras comerciais, agenda tributária e a urgência de ampliar acordos internacionais.

TEXTO Redação

Café & PreparosMercado

Hario lança dripper com 72 ranhuras ultrafinas

A japonesa Hario, referência mundial no desenvolvimento do método v60, acaba de lançar o v60 Dripper NEO, uma releitura tecnológica do seu clássico coador voltada para maior controle da extração.

Resultado de dois anos de pesquisas, o novo modelo — disponível em versões para duas e quatro xícaras — traz uma nova estrutura espiral, com 72 ranhuras ultrafinas, que conduz a água de forma mais uniforme pelas paredes do dripper. Na base, nove nervuras convergentes aceleram o fluxo, favorecendo uma extração mais rápida e reduzindo o risco de superextração. Na xícara, a promessa é de um café mais limpo e doce, com menor amargor.

Fabricado em resina Tritan, material leve, resistente e de alta transparência, o equipamento também busca melhorar a retenção de calor e a estabilidade térmica durante o preparo. Compatível com todas as bases v60 Switch, o lançamento está à venda no site global da marca por US$ 23,50 (duas xícaras) e US$ 26,45 (quatro xícaras).

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado

Café da Califórnia estreia em leilão internacional e amplia mapa da produção nos Estados Unidos

Leilão em Dubai também incluiu dois microlotes da brasileira Daterra Coffee

Quando se fala em produção de café nos Estados Unidos, a região de Kona, no Havaí, é a principal referência. Mas, ainda que em pequena escala, o país começa a desenhar uma nova fronteira cafeeira no território continental. Prova disso foi a primeira participação de um café cultivado na Califórnia em um leilão internacional, realizado no âmbito do World of Coffee Dubai 2026, cuja quinta edição ocorreu entre 18 e 20 de janeiro, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

O leilão reuniu lotes de 13 origens produtoras e movimentou cerca de US$ 67,9 mil, com mais de 1,3 mil lances de compradores de cafés especiais de todo o mundo. Entre nomes consagrados, como a panamenha Hacienda La Esmeralda, estreou um lote de 20 kg de gesha lavado da Frinj Coffee, em Ventura, na costa da Califórnia. Cultivado no rancho Condor Ridge, nas colinas de Santa Bárbara, o café foi arrematado por US$ 256 o quilo.

O café californiano dividiu espaço com um lote da variedade SL34 lavado anaeróbico da Kona Farm Direct, localizada nas encostas do vulcão Monte Hualalai, no Havaí, indicando o potencial de qualidade do café especial norte-americano, cujo cultivo já não se restringe ao arquipélago havaiano. O lote, de 12 kg, foi vendido a US$ 150 por quilo.

Além da novidade americana, o leilão incluiu dois cafés brasileiros da Daterra Coffee, de Patrocínio (MG). Um dos lotes, de 12 kg, foi um natural anaeróbico (62 horas) da variedade guarani — exclusiva da Daterra e resultado de seleção de plantas da variedade aramosa em parceria com o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) — vendido a US$ 100 por quilo. O outro lote, também de 12 kg, foi um laurina natural anaeróbico, arrematado por US$ 107 por quilo.

TEXTO Redação

Mercado

Exportações brasileiras batem recorde, com US$ 15,6 bilhões em 2025

Mesmo com queda de 20,8% no volume embarcado, preços elevados garantiram receita histórica ao café brasileiro; tarifaço dos EUA e menor oferta marcam o cenário de 2025

O Brasil encerrou 2025 com receita cambial recorde de US$ 15,586 bilhões nas exportações de café, um avanço de 24,1% em relação a 2024, apesar da forte queda de 20,8% no volume embarcado, que somou 40,049 milhões de sacas. Os dados constam do relatório estatístico mensal do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), divulgado na segunda-feira (19).

Segundo o Cecafé, o resultado reflete um ano marcado por menor disponibilidade de café após os embarques recordes de 2024, impactos climáticos sobre a safra e efeitos diretos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A entidade avalia que a recuperação das perdas financeiras causadas tanto pelas tarifas quanto pelo cancelamento ou redução de compras por outros países importadores pode ocorrer apenas na próxima safra.

Principais destinos: Alemanha assume liderança

A Alemanha tornou-se o principal destino do café brasileiro em 2025, ultrapassando os Estados Unidos, tradicional líder do ranking. O país europeu importou 5,409 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total embarcado, embora com queda de 28,8% em relação a 2024.

Principais destinos do café brasileiro em 2025

Entre os dez maiores compradores, apenas três países ampliaram suas compras em 2025: Japão, Turquia (6ª posição), com 1,555 milhão de sacas (+3,3%) e China (10ª posição), com 1,123 milhão de sacas (+19,5%). Segundo o Cecafé, o maior volume adquirido pelo Japão refere-se à recomposição de seus estoques. Já a Turquia fez compras tanto para abastecer o mercado interno quanto para fornecer a países vizinhos.

Cafés diferenciados: menos volume, mais valor

Os cafés diferenciados brasileiros — com certificações de práticas sustentáveis, qualidade superior ou perfil especial — somaram 8,145 milhões de sacas exportadas em 2025, respondendo por 20,3% do total embarcado. O volume foi 10,9% menor do que em 2024, acompanhando a retração geral das exportações brasileiras.

Em valor, porém, o desempenho foi positivo: os embarques desses cafés geraram US$ 3,525 bilhões, o equivalente a 22,6% da receita total – com alta de 39,1% na comparação anual, impulsionada pelos preços médios mais elevados.

Principais destinos dos cafés diferenciados em 2025

Europa segue como mercado-chave

A Europa manteve-se como principal destino do café brasileiro, absorvendo 20,18 milhões de sacas em 2025, o equivalente a 50,4% do volume total exportado. Em receita, os embarques ao continente somaram US$ 8,133 bilhões.

“É um mercado fundamental, e num contexto geopolítico muito forte”, afirmou Marcos Matos, diretor-técnico do Cecafé, em coletiva à imprensa na segunda-feira (19), ao destacar a relevância estratégica do bloco europeu para o café brasileiro.

No médio prazo, o Cecafé avalia que o acordo Mercosul–União Europeia tende a reforçar essa importância, especialmente para os cafés industrializados. Pelo tratado, o café solúvel brasileiro terá desagravação tarifária gradual até zerar em quatro anos, o que colocará o Brasil em igualdade de competitividade com o Vietnã no mercado europeu.

Café solúvel: tarifa mantida nos EUA aprofunda perdas

Apesar do avanço do acordo com a UE, o café solúvel brasileiro segue enfrentando entraves nos Estados Unidos. O relatório do Cecafé destaca que a vigência do tarifaço fez com que os embarques do produto aos EUA caíssem 55% até novembro. 

FOTO Agência Ophelia

Mercado

Saiba por que o café industrializado ganha com o acordo Mercosul–União Europeia

Tratado prevê tarifa zero para cafés torrado e moído e solúvel em até cinco anos e reconhece indicações geográficas brasileiras, abrindo espaço para maior valor agregado no mercado europeu

Após 26 anos de negociações, a assinatura do acordo de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia pode abrir uma nova frente para os cafés torrado e moído e solúvel do Brasil no mercado europeu — segmentos associados a maior valor agregado.

Segundo comunicado da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) divulgado após a assinatura, no sábado (17), o acordo prevê a eliminação gradual das tarifas de importação hoje aplicadas pela UE, que são, em média, de 7,5% para o café torrado e 9% para o café solúvel. Ao final do processo de desgravação, os produtos brasileiros deverão entrar no bloco com tarifa zero, após cinco anos da entrada em vigor do tratado.

A redução será escalonada: 20% na entrada em vigor do acordo, 40% no ano seguinte, 60% no segundo ano, 80% no terceiro e 100% no quarto ano, criando uma trajetória previsível para a ampliação das exportações brasileiras de café industrializado à Europa.

Valor agregado e indicações geográficas

Além do efeito tarifário, o acordo prevê o reconhecimento de indicações geográficas (IGs) brasileiras, entre elas Cerrado Mineiro, Caparaó e Matas de Rondônia. Para a ABIC, a medida amplia a proteção das denominações de origem no mercado europeu e reforça estratégias de diferenciação e agregação de valor.

O ponto é considerado estratégico para reposicionar o Brasil em uma cadeia global na qual, apesar de responder por cerca de 40% da produção mundial de café, o país fica com apenas 2,7% da receita global do setor — reflexo da predominância das exportações de café verde, como commodity.

“Esse acordo se alinha diretamente ao projeto da ABIC de ampliar as exportações de cafés industrializados, com maior valor agregado, e aumentar a participação do país na renda gerada pelo café no mundo”, afirma Pavel Cardoso, presidente da entidade.

Café fora das salvaguardas europeias

Outro ponto destacado pela ABIC é que o café não foi classificado pela União Europeia como produto sensível. Na política comercial do bloco, produtos sensíveis são aqueles que podem afetar produtores locais se importados em grande volume e, por isso, costumam estar sujeitos a cotas, tarifas mais elevadas ou restrições — caso de itens como carne, açúcar, etanol e lácteos.

Com isso, o café brasileiro fica fora das salvaguardas comerciais que permitem à UE suspender temporariamente preferências tarifárias em situações de pressão sobre o mercado interno. Na prática, a condição confere maior previsibilidade às exportações para a Europa e reduz riscos regulatórios, favorecendo investimentos de médio e longo prazo na industrialização.

Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e ratificado pelos Estados-membros da União Europeia, além de passar pela ratificação dos parlamentos nacionais dos países do Mercosul.

TEXTO Redação