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Mercado de café caminha para cenário de superávit, aponta Rabobank

Melhora do clima e recuperação das exportações brasileiras ampliam perspectivas de oferta, mas estoques no Japão e na Europa continuam reduzidos, segundo a Reuters

Por Cristiana Couto

O mercado global de café começa a substituir as preocupações com riscos climáticos e restrições de oferta pela perspectiva de superávit e recomposição dos estoques. A avaliação é do Rabobank, em relatório de setembro de 2026 divulgado na segunda-feira (19).

A melhora das condições climáticas no Brasil, Vietnã e Indonésia, associada à expectativa de aumento das exportações brasileiras, reduz os riscos para a safra 2027/28, embora persistam incertezas sobre o equilíbrio entre oferta e demanda.

A Safras & Mercado aponta na mesma direção. Em avaliação publicada em 2 de outubro, o analista Gil Barabach destaca a chegada da safra brasileira ao mercado e a melhora das perspectivas de abastecimento. O salto nos embarques brasileiros em agosto, quando foram exportadas 4,15 milhões de sacas, reforçou essa percepção.

Em setembro, as exportações brasileiras somaram 3,89 milhões de sacas, queda de 6,3% em relação a agosto, mas alta de 3,1% sobre setembro de 2025, segundo balanço divulgado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) em 9 de outubro. No trimestre de julho a setembro, os embarques cresceram 15,5% na comparação anual.

As exportações mundiais também cresceram. Segundo relatório da Organização Internacional do Café (OIC), divulgado em 9 de outubro, os embarques de café verde aumentaram 15,6% em agosto, para 10,94 milhões de sacas.

A OIC estima superávit mundial de 3 milhões de sacas no ano-cafeeiro 2025/26, depois de quatro anos de déficit. O volume equivale, porém, a menos de uma semana do consumo global.

A expectativa de maior oferta pressionou as cotações internacionais em setembro. Segundo o Rabobank, o arábica negociado em Nova York caiu 15,1%, enquanto o robusta em Londres permaneceu praticamente estável, com alta de 0,4% A recuperação dos preços no fim do mês não foi suficiente para reverter a queda do arábica.

“A recuperação no fim de setembro proporcionou um ponto de partida mais favorável para outubro, mas ainda não sinaliza uma reversão da tendência mensal de queda do arábica”, afirmou o analista Claudio Delposte no relatório.

No Brasil, as chuvas de setembro também favoreceram as perspectivas para a safra 2027/28. O Rabobank registrou precipitações superiores às médias históricas dos últimos 15 anos em todas as regiões produtoras analisadas, em um período importante para a floração e o desenvolvimento vegetativo das lavouras.

Estoques ainda reduzidos

Apesar das expectativas de maior oferta, os estoques de café verde no Japão e na Europa permanecem abaixo dos níveis de um ano antes.

Dados de associações do setor, compilados pela Coffee Trading Academy e divulgados pela Reuters nesta quarta-feira (21), mostram que o Japão armazenava 1,99 milhão de sacas de café verde em agosto, queda de 12,4% em relação ao mesmo mês de 2025 e o menor volume para agosto desde pelo menos 2022.

Na Europa, os estoques somaram 7,14 milhões de sacas, recuo anual de 16,8%. A redução, segundo a Reuters, foi ainda maior entre os arábicas naturais, cujos estoques caíram 25,6% (para 1,69 milhão de sacas), depois de três meses consecutivos de retração. Os estoques europeus de robusta somaram 3,03 milhões de sacas, queda de 16% na comparação anual.

TEXTO Cristiana Couto

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