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Safra brasileira impulsiona exportações e pressiona preços globais do café
Relatório da OIC aponta recorde dos embarques brasileiros de arábica para agosto e queda de 8,7% nos preços internacionais em setembro
Por Cristiana Couto
A chegada da nova safra brasileira ao mercado ajudou a impulsionar as exportações mundiais de café em agosto e pressionou os preços internacionais em setembro. Os embarques brasileiros de arábica do grupo dos naturais atingiram 2,92 milhões de sacas, o maior volume já registrado para um mês de agosto, segundo o último relatório, de setembro, da Organização Internacional do Café (OIC).
O volume superou os 2,26 milhões de sacas exportados pelo país em agosto de 2025 e ficou 6,6% acima do recorde anterior para o mês, de 2,74 milhões de sacas, registrado em 2020. Considerando todas as formas de café (verde, torrado e solúvel), as exportações brasileiras cresceram 34,5%, para 4,28 milhões de sacas. Foi o quinto mês consecutivo de alta na comparação anual, após uma sequência de 16 meses de retração.
O avanço brasileiro foi decisivo para o crescimento de 14,6% das exportações globais em agosto, que somaram 12,55 milhões de sacas. A América do Sul liderou a alta, com embarques de 5,98 milhões de sacas, aumento de 20,2% em relação a agosto de 2025. O Brasil respondeu, em média, por 72% das exportações da região nos cinco anos cafeeiros anteriores.
A Ásia e a Oceania também ampliaram os embarques, em 23,1% (4,03 milhões de sacas), enquanto a África e a região que reúne Caribe, México e América Central registraram quedas de 1,8% (1,74 milhão de sacas) e 14,3% (790 mil sacas), respectivamente. Apesar do crescimento expressivo em agosto, as exportações mundiais acumuladas desde outubro de 2025 avançaram apenas 1%, para 130,74 milhões de sacas.
Preços e consumo mais baixos
A maior disponibilidade de café brasileiro e a expectativa de oferta abundante contribuíram para a queda dos preços em setembro. O indicador composto da OIC, que acompanha os preços internacionais do café verde, recuou 8,7% em relação a agosto, para uma média de 262,18 centavos de dólar por libra-peso. Entre os grupos acompanhados pela organização, o dos arábicas naturais brasileiros teve a maior baixa, de 9,9%. Os robustas recuaram 7,3%.
A OIC também aponta uma expectativa de retração do consumo mundial em 2025/26, além de um superávit de 3 milhões de sacas, após quatro anos de déficit, como fatores de pressão sobre os preços. A folga, porém, é limitada: equivale a menos de uma semana de consumo global, segundo a organização.
Os baixos estoques certificados de arábica e as incertezas climáticas, porém, limitaram a queda dos preços. Em setembro, as chuvas favoreceram a floração dos cafezais brasileiros para a próxima safra, mas o calor no fim do mês e a continuidade das precipitações em outubro permaneceram no radar. Na América Central, o risco de seca em Honduras e na Nicarágua trouxe preocupação com a oferta de arábicas lavados.
Segundo o relatório, a entrada de café brasileiro também pode ajudar a recompor os estoques certificados de arábica, que, em meados de setembro, chegaram ao menor nível desde 1999.
Robustas em alta
Quanto aos embarques de café verde, os robustas deram a maior contribuição para o crescimento mundial em agosto, seguidos pelos arábicas naturais brasileiros. As exportações globais de robusta aumentaram 22,4%, para 4,36 milhões de sacas, impulsionadas principalmente pelo Vietnã e pelo Brasil. Os dois países embarcaram, respectivamente, 1,78 milhão e 960 mil sacas, altas de 69,2% e 54,9% em relação a agosto de 2025.
Nos primeiros 11 meses do ano cafeeiro 2025/26, de outubro a agosto, as exportações mundiais de robusta somaram 45,59 milhões de sacas, um avanço de 11,8%. Desse total, 5,29 milhões de sacas foram embarcadas pelo Brasil.
As exportações mundiais de arábica também cresceram em agosto, em 11,6%, para 6,58 milhões de sacas. O avanço, contudo, foi menor que o dos robustas. No acumulado dos primeiros 11 meses do ano cafeeiro, a participação dos arábicas nos embarques de café verde caiu de 63,5% para 59,6%, informa o relatório da OIC.
O grupo dos arábicas naturais brasileiros exportou 3,57 milhões de sacas em agosto, alta de 21,3% em relação ao mesmo mês de 2025. Apesar da recuperação, foi apenas o segundo mês de crescimento nos últimos 11 meses, na comparação anual. No acumulado do período, os embarques do grupo ainda recuaram 11,6%, para 33,24 milhões de sacas.
As exportações mundiais de café solúvel cresceram 8,1% em agosto, para 1,56 milhão de sacas, em relação a 1,44 milhão no mesmo mês de 2025. O Vietnã liderou os embarques no mês, com 430 mil sacas. No acumulado de outubro a agosto, o produto representou 12,6% do volume total exportado.
Na produção mundial, os robustas também vêm ganhando espaço. A OIC estima que sua participação tenha alcançado 43,1% no ano cafeeiro 2025/26, diante de uma média de 41,7% nos dois anos anteriores. Segundo a organização, essa maior presença, os preços relativos de arábicas e robustas e mudanças nas preferências de parte dos consumidores podem ajudar a explicar a nova composição das exportações.





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