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Como a Geração Z está reinventando a vida social
Pesquisas da Harris Poll e da Ogilvy mostram que custo de vida, busca por bem-estar e novas prioridades estão mudando a forma como a Geração Z socializa e consome fora de casa
Por Nick Lichtenberg, Fortune/via Reuters Connect
Duas pesquisas divulgadas recentemente pela revista de negócios norte-americana Fortune apontam que o alto custo de socializar está mudando os hábitos da Geração Z nos Estados Unidos. Um levantamento do instituto The Harris Poll, “Gen Z Weekend Report”, realizado entre o fim de maio e o início de junho com 4,1 mil adultos norte-americanos, mostrou que metade dos jovens deixa de sair nos fins de semana por falta de dinheiro e que quase três quartos passam esse período em casa.
As conclusões são reforçadas pelo relatório “Gen Z Pulse”, da Ogilvy Consulting, com 2,1 mil entrevistados nos Estados Unidos, Reino Unido e Austrália, segundo o qual “a Geração Z não é contraditória. A vida moderna é”. Os dois estudos indicam que o principal obstáculo ao convívio presencial não é uma mudança de comportamento, mas o aumento do custo do lazer e do consumo fora de casa.
Para Libby Rodney, diretora de estratégia do Harris Poll, o isolamento da Geração Z começou na infância, quando os ambientes digitais passaram a substituir parte da convivência presencial. Agravado pela pandemia de Covid-19 durante os anos de formação dessa geração, esse processo contribuiu para que permanecer em casa se tornasse o padrão.
Os dados da Ogilvy também mostram que o ambiente digital não substitui o convívio presencial. Mais de 60% dos jovens afirmam que estão tentando reduzir o tempo diante das telas, enquanto 52% gostariam de se encontrar mais com outras pessoas. Ainda assim, apenas 6% consideram satisfatório o nível atual de interação social. “As telas não são o objetivo”, resume o relatório.
De um recorte de 603 adultos, o instituto Harris Poll constatou que 51% sentem solidão nos fins de semana. Já a Ogilvy revelou que apenas 17% dos jovens americanos dizem se sentir conectados a uma comunidade e que 68% acham que sair “não compensa o prejuízo para o bolso”. Muitos jovens adultos ainda vivem com os pais para conseguir economizar, e, em uma pergunta hipotética, 71% afirmaram que destinariam um ganho inesperado de US$ 100 à poupança ou ao pagamento de contas.
Segundo o relatório “Gen Z Pulse”, da Ogilvy, também, com base em dados da Deloitte, metade da Geração Z hoje se considera financeiramente insegura, comparada a menos de um terço um ano antes. “Tudo está atingindo essa geração ao mesmo tempo”, afirma Libby. Eles sentem que precisam ser fiscalmente responsáveis. E, assim, estão trocando suas conexões e seu bem-estar social pela saúde financeira.”
Para ela, a Geração Z vive o que se cunhou de “policrise” — sucessão de crises interligadas, como pandemia, inflação e instabilidade no mercado de trabalho. Os relatos reunidos pela Ogilvy apontam na mesma direção: os entrevistados rejeitam estereótipos como preguiça ou falta de preparo e associam seus desafios às mudanças econômicas e sociais que dificultaram o acesso à vida adulta.
Nem mesmo as filas em restaurantes que viralizam nas redes contradizem esse cenário. Segundo a Fortune, pesquisas indicam que 84% da Geração Z experimentam tendências gastronômicas descobertas online. Para muitos desses jovens, porém, comer fora deixou de ser um hábito e passou a ser um programa esporádico e planejado, o que ajuda a explicar por que essas experiências ganham tanta visibilidade nas redes sociais.
As restrições financeiras também têm levado a Geração Z a reinventar o lazer. Segundo a Ogilvy, 85% dos jovens criaram alternativas mais baratas para socializar no último ano, como se reunir em casa, enquanto 73% afirmam preferir ambientes em que o álcool não seja o protagonista.
De fato, a busca por novos espaços de convivência aparece nas pesquisas. A Harris Poll, por exemplo, mostra que 65% dos jovens se sentem mais conectados em ambientes ligados ao bem-estar do que na vida noturna tradicional.
Apesar do orçamento limitado, a Geração Z continua exercendo forte influência sobre o consumo. Para Libby Rodney, serão os bares e as casas noturnas — e não os jovens — que precisarão se adaptar aos novos hábitos de socialização. Segundo a Ogilvy, essa geração deverá liderar o crescimento dos gastos globais até 2034, movimentando cerca de US$ 9 trilhões.
As mudanças de comportamento da Geração Z já começam a influenciar diferentes setores da economia. No mercado de café, por exemplo, cafeterias e marcas vêm adaptando cardápios, estratégias de marketing e experiências de consumo para atrair esse público — tema de uma reportagem especial que a Espresso publicará nos próximos dias.









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