Cafezal

Araponga canta alto

Cidade encravada na mineira Serra do Brigadeiro acumula prêmios de melhor café e tem a primeira produtora mulher do Coffee of the Year

A primeira vez em que ouvi uma referência à cidade de Araponga foi no prêmio da torrefação italiana illycaffè, realizado há mais de 25 anos aqui no Brasil. Ano a ano (desde 2006, quando comecei a acompanhar), a cidade, encravada em meio à Serra do Brigadeiro, emplaca cafés nas finais do concurso. O nome da ave que batiza o município é de pronúncia forte assim como o canto do animal, conhecido por ser bem alto e um dos mais potentes entre as espécies.

O canto forte parece também inspirar os moradores da região. Em uma cidade de pouco mais de 8 mil habitantes, a principal atividade é o café. Com grande potencial para o turismo, por causa do Parque Estadual que permeia o entorno, é ainda pouco visitada. Araponga está a 262 quilômetros de Belo Horizonte (MG), próximo a Viçosa, onde se encontra uma das principais instituições educacionais do País na área de agricultura, a Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Em um passado não muito distante, a região era conhecida como área de cafés ruins, a Zona da Mata. A mudança de posicionamento veio a partir de 2011, quando lideranças regionais passaram a realizar o trabalho de identificação dos grãos de qualidade plantados ali. Pequenos produtores espalhados em 63 municípios somam 36 mil cafeicultores, e a maioria – 80% deles – tem menos de 20 hectares de café. A necessidade de criar uma identidade nova resultou, depois de um trabalho conjunto de Sebrae Minas, Faemg, Emater, sindicatos, associações e cooperativas locais, além de profissionais autônomos, no Conselho das Entidades do Café das Matas de Minas. A nova governança, capacitação e união dos produtores em busca da qualidade deram nova cara à região das Matas, como é carinhosamente chamada, e proporcionaram a mudança na avaliação dos cafés.

Esse é o caso da produtora Sandra Lelis da Silva, uma das responsáveis por nossa visita à cidade, pela conquista inédita. Campeã do Coffee of the Year 2017, a professora há mais de trinta anos e cafeicultora junto com a família no Sítio Caminho da Serra, foi a primeira mulher a receber o prêmio, criado em 2012. A realidade do produtor de café em uma região montanhosa é de muito trabalho. Preocupados com o preço do grão nos últimos anos, Paulo Miranda e o filho Paulo Henrique decidiram arrancar os pés de café e plantar eucalipto. Ficaram somente com três lavouras produtivas de café.

A professora e produtora Sandra mostra com orgulho os frutos quase maduros da nova safra.

Essa decisão não tão rara em propriedades brasileiras vem levando agricultores a trocar o café por culturas extrativistas. “A gente se arrependeu e voltou a plantar café. Na primeira colheita depois disso, no ano passado, ganhamos o prêmio”, lembra feliz Paulo Henrique. A descoberta do caminho da qualidade e a vitória da família de Sandra incentivaram outros produtores da região. Orgulhosa, ela mostra o talhão que deu a eles o primeiro lugar no concurso. Sombreado por cedros, os cafezais ficam em uma área mais afastada da fazenda, na microrregião de Serra das Cabeças.

É na própria cidade que eles processam o café cereja descascado (CD) – a maioria – e um pouco do natural (seco com a casca). Eles estão planejando construir no próprio sítio um local adequado para isso, o que demandaria menos deslocamento do café, que vai da lavoura até o centro de Araponga. O terreiro suspenso de dois andares é mexido de vinte em vinte minutos durante a colheita. “Para fazer café especial não pode ter preguiça. Não tem dia santo, nem sábado e domingo”, alerta Sandra enquanto manuseia o terreiro. O marido, Paulo, complementa: “Café especial é para quem gosta. E ele também gosta de mão, para mexer o tempo todo”. A dedicação deu resultado. O café campeão foi vendido para compradores internacionais e nacionais. “Logo depois da Semana Internacional do Café, um comprador francês veio direto aqui para o nosso sítio atrás do café. Ficamos mais conhecidos”, relembra Sandra, e depois, segunda ela, muitos outros se interessaram pelos lotes da propriedade.

Suspensos para todo o lado

O terreiro suspenso virou uma marca nas propriedades que investem em qualidade por ali. Por onde caminhamos a aposta é nessa forma de secar o café. “Os parâmetros estão mudando muito”, analisa o produtor Edinho Miranda, filho do cafeicultor cujo nome batiza a propriedade, Fazenda Edio Miranda, antigo Sítio da Matinha e Sítio Santo Antônio do Prado. A área de 40 hectares de café emociona a quem chega ao lugar. Aos 76 anos, seu Edio conta com orgulho a história de menino, quando andava 12 quilômetros a pé para chegar à escola. Levava duas horas. A esposa, Aparecida Milagres Miranda, pilota com maestria o carro da família e também ajuda na pós-colheita.

A “panha” na região é feita por derriça manual ou mecânica, pois não é possível utilizar colheitadeira por ali. Envolto por montanhas e sombreado por abacateiros, os pés de café nascem com um verde mais brilhante. Na época da colheita, em torno de quinze colaboradores auxiliam nos trabalhos. Um dos destaques dessa safra foi o “terreiro suspenso de roda”, criado por Edio depois que viu na televisão um semelhante para cacau. A filha, Andreia Milagres, explica que “se der certo, vão investir mais na próxima”. Os carrinhos entram e saem do galpão de acordo com o sol. “Além de investir para testar a bebida do café, ainda fica bonito, né?”, comemora seu Edio.

Edio Miranda e a família mostram cuidado na execução das tarefas do dia a dia, na busca incessante pela qualidade

A proximidade com a natureza e o conhecimento do clima local auxiliam muito os produtores na qualidade do café e na identidade artesanal. A fazenda foi premiada com o primeiro lugar em dois anos pela illycaffè, 2007 e 2013, e ficou entre os finalistas do Coffee of the Year, em 2014 e em 2015. “O café não pode secar rápido, senão não dá boa qualidade. Tempos atrás ficava doido para tirar logo o café do terreiro. Mas agora tem que ter esse cuidado.”

Seu Edio mostra com orgulho a casa dentro do lago, construída com muito esforço por anos, uma surpresa à época para a esposa, Cida. Ela conta que ele vinha todo dia à propriedade, mas ela não imaginava que estaria também fazendo uma casa para a família. Hoje a construção simples é um dos símbolos do lugar, e chama a atenção de quem chega. Além do capricho deles na decoração de todo o entorno, há a presença abundante de água, um recurso natural que não está em falta em toda a localidade.

Parede de prêmios

Quando se entra na casa térrea da fazenda de Raimundo Dimas Santana, a quantidade de certificados na parede chama atenção. São dezenas de prêmios entre as fotos de família e muitas lembranças de safras passadas. O terceiro de catorze irmãos, Raimundo está há quarenta anos na Fazenda Santo Antônio. Em lugar privilegiado da cidade – está hoje praticamente dentro do município -, a área fica entre formações rochosas e tem topografia que auxilia na produção do café, com até 1.300 metros de altitude. Assim como os demais produtores da região, o foco é o cereja descascado, que, até o ano passado, era seco somente em terreiro de cimento. “Começamos neste ano também com o terreiro suspenso” explica o filho, Raimundo Dimas Santana Filho, presente na fazenda e entusiasmado com os resultados que a nova forma de secar pode trazer. Os 200 mil pés de café da família mostram que, apesar de a colheita ter adiantado neste ano, há muito trabalho. Desde 2002 são fornecedores da illycaffè, o que já lhes rendeu os tantos prêmios expostos na parede. Entre eles os mais recentes da torrefação italiana, em 2018, como Campeão de Qualidade da região das Matas de Minas e finalista no 27º Concurso de Qualidade do Café, que levará os vencedores para a disputa mundial, em Nova York.

Os premiados Raimundo Dimas Santana e o filho, estrando neste ano a secagem em terreiro suspenso, estão entusiasmados com os resultados

“Não tem receita de bolo”

Muitos pontos chamam a atenção do visitante quando ele chega à Fazenda Serra do Boné. Com dezenas de visitas a propriedades pelo Brasil e no mundo na bagagem, tranquilamente posso afirmar que a propriedade da família Sanglard é exemplar raro no meio do café. Com mais de sessenta terreiros suspensos enfileirados um a um pelas áreas da fazenda, as variedades catuaí vermelho e amarelo, catucaí vermelho e amarelo, mundo novo e bourbon amarelo passam por diversos processos até chegar a alguma torrefação do nosso planeta. São mais de 3 mil metros quadrados de telas para sustentar 5.300 metros quadrados de terreiros em alvenaria, que são remexidos por até seis pessoas diariamente. Matheus Sanglard, jovem de 25 anos, é exemplo de sucessão familiar junto com seu irmão Nathan, 20 anos. Distante 13 quilômetros da cidade, a fazenda tem uma vista de tirar o fôlego, em meio a cachoeiras, montanhas e muito verde. Em 2003, a propriedade foi campeã do Cup of Excellence – concurso organizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA). O lote obteve pontuação de 95,35 na época da premiação.

Mais de sessenta terreiros suspensos são a marca da família Sanglard, cujo trabalho primoroso rendeu o segundo lugar no Coffee of the Year 2017

Carlos Sérgio Sanglard chegou ao local em 1988, ainda não tinha 30 anos e assumiu o cultivo de 8 mil pés de café. Hoje está com 480 mil pés espalhados em 125 hectares. Ele explica que o ano em que ganhou o Cup of Excellence foi o primeiro em que “descascou o café”, e um ano antes, em 2002, havia feito o primeiro terreiro suspenso de madeira. Autodidata e muito focado na realização de novos testes com os cafés, Carlos detalha que quer chegar a 600 mil pés em cinco anos. Nascido em Manhumirim, cidade também produtora de café, fala que veio fazer um trabalho em Araponga quando conheceu a esposa, Sônia. Rindo eles contam que Carlos não tinha projetos de morar ali, mas que voltou pela namorada e então futura mãe dos filhos. Orgulhoso, ele diz que ambos os meninos seguiram a carreira da agronomia. Em 2017, o café da família de Carlos ficou em segundo lugar no Coffee of the Year, com a variedade catucaí vermelho.

“Entre 2004 e 2011, fiz o cultivo orgânico aqui.” Hoje o grande destaque da propriedade é o café fermentado naturalmente. Matheus explica que, após colhido, o café fica por dois a três dias no saco na lavoura; depois ele é descascado em máquinas e volta para o saco, onde fica por dezoito horas. Então é levado para o terreiro suspenso. Lá fica por dois dias e, depois de seco, eles fecham o terreiro e os grãos ficam quinze dias em descanso. Aos poucos eles retiram alguns lotes para provar o café e acompanhar os resultados. Apesar de Matheus dizer que não tem receita de bolo para o café e que “café especial dá muito trabalho para separar os lotes”, a organização impecável da propriedade mostra que eles encontraram o caminho certo.

Do alto da Serra do Brigadeiro

Simone Dias Sampaio Silva, nossa cicerone em Araponga, junto com o marido, João da Silva Neto, é produtora de café no Sítio Jardim das Oliveiras. Eles moram na cidade desde 2011. Ela, onze irmãos, filha de cafeicultor, sempre viu sua família viver do rendimento do café.

O casal estudou na UFV, onde se conheceu. Ela se formou em Nutrição, e João, em Engenharia de Alimentos. Cansados da vida na cidade grande, depois de morarem em muitos lugares pelo Brasil e pelo mundo trabalhando em grandes empresas, decidiram investir no sítio.

A produtora Simone Sampaio é liderança na região e exemplo de produção sem o uso de agroquímicos, juntamente com o marido, João

“Era um sonho dele, eu tinha medo de voltar”, lembra Simone. Mas hoje ela é uma das mais atuantes e motivadas dentro da região. Sem o uso de agroquímicos, apenas adubo, Simone explica que tem “baixa produtividade, mas alta qualidade”.

Para isso separa todos os lotes e, desde 2017, começou a investir em terreiro suspenso. João também tem se aprofundado no estudo da torra do café, e eles instalaram um torrador na propriedade. Muito interessado em todos os subprodutos que o café pode gerar, informa estar estudando tirar etanol da casca do café após despolpá-lo, baseado em pesquisas do professor Juarez de Souza e Silva, da UFV.

No Jardim das Oliveiras, a especialidade é microlote: “São mais de cem”, garante Simone. Tanta dedicação rendeu dezenas de prêmios nos 43 hectares. Em 2011, ano em que se mudaram para Araponga, levaram o terceiro lugar no prêmio concorridíssimo da Emater-MG: “Ficamos apaixonados por concursos”, brinca Simone. Tamanha vontade de participar já lhes rendeu o quinto lugar por duas vezes no Coffee of the Year, em 2015 e em 2017.

Além do sítio, o casal inaugurou a Pousada Dias Felizes, em uma casa histórica de 140 anos, onde recebe visitantes do café e também turistas em geral. O Parque Estadual da Serra do Brigadeiro, por exemplo, que engloba onze municípios da região, atrai pessoas para fazer trilhas.

A tarde cai e já estamos indo embora. O café, suspenso no alto das montanhas ao cair do sol, cria um lindo cinturão verde emoldurando as rochas e fazendo-nos lembrar como é bonito e importante ser às vezes só um pequeno ponto no meio daquela imensidão.

O canto da Araponga – que faz referência ao som do martelo ao bater incessantemente – nos mostra que é preciso persistência para seguir no cultivo do café, mas que muitas vezes é possível ouvir bem alto e longe o fruto de tanto trabalho naquela região.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos setembro, outubro e novembro de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Mariana Proença • FOTO Vitor Barão

Cafezal

De pai para filho, de filho para pai

A família que produziu o café vencedor do Cup of Excellence 2017 une a experiência de Osmar Nunes Júnior, cafeicultor há trinta anos, ao conhecimento acadêmico do filho, Gabriel Nunes

“Eu tomei as duas melhores decisões da minha vida no mesmo dia, 24 de novembro de 1984: resolvi plantar café e pedi a Celinha em namoro”, lembra o técnico agrícola Osmar Nunes Júnior, de 52 anos. Mal esperava ele, entre tantas outras alegrias, que as decisões resultariam no primeiro lugar do Cup of Excellence 2017 para a sua propriedade, a Fazenda Bom Jardim.

A família Nunes é original de Patrocínio (MG), o maior município brasileiro produtor de café. No entanto, há quatro décadas, o cenário da região era bem diferente. Osmar Nunes, o patriarca, era a terceira geração da família a se dedicar à pecuária, ramo com o qual o filho, Osmar Júnior, trabalhou até a chegada dos imigrantes a Minas Gerais. Os novos habitantes, vindos do sul do País, instalaram-se no Cerrado Mineiro e começaram a plantar café.

Encantado com a cultura, Juninho, como é chamado pelos antigos da cidade, desafiou os planos do pai, Osmar, e começou a plantar os primeiros pés, em 1984. Ele tinha uma fazenda de apenas 10 hectares, com produção de arábica. O solo fértil do Cerrado e o clima ameno da região mineira – com as estações de chuva e de seca bem demarcadas e coincidentes com as necessidades do ciclo do café – contribuíram para o bom desenvolvimento das plantações na região.

Juninho deixou de ser apenas filho e se tornou pai em 1989, ano em que nasceu Gabriel. Celinha sonhava com um filho médico, enquanto o marido vislumbrava para o garoto simplesmente um futuro fora da fazenda. Gabriel teve uma infância muito especial na propriedade da família, entre trilhas a cavalo, banhos de cachoeira, pescaria, guerras de lama e outras tantas brincadeiras. Contava os dias para as férias, quando podia acampar com os amigos na fazenda.

Tal avô, tal pai, tal filho

A relação de Gabriel e Juninho é, desde o início, harmoniosa. “Nós dois sempre fomos muito amigos. Meu pai era muito presente, acho que em uma tentativa de repetir comigo a relação bacana que ele teve com o meu avô. Quando passei a trabalhar com café, nós nos aproximamos ainda mais”, conta Gabriel Nunes, engenheiro agrônomo de 28 anos.

O início, no entanto, não se deu sem dificuldade. Quando Gabriel decidiu cursar Agronomia, Juninho se opôs: queria que o filho fizesse outra coisa, saísse da fazenda. “Naquela época, a agropecuária estava tão ruim que eu não queria que ele cursasse Agronomia. Mas ele fez, e hoje eu tenho o maior orgulho”, emociona-se o pai. O rapaz passou no vestibular da Universidade Federal de Viçosa (UFV) e cruzou Minas Gerais em busca de formação.

Apaixonado tanto pelo café quanto pelos bichos, Gabriel passou metade do curso em dúvida sobre estudar pecuária ou agricultura. “Como meu pai mexia com café, eu fazia disciplinas relacionadas ao assunto sempre que podia. Fui me entrosando com isso desde o início, mesmo em dúvida”, lembra o jovem. A paixão pelo solo falou mais alto e ele não tardou a intensificar as buscas pela formação específica.

“Ele dava pitaco na plantação desde a faculdade. Em todas as férias que tirava, fazia um estágio em uma fazenda diferente. Ele via os nossos erros e trazia novidades”, lembra Juninho. Sempre muito adepto a novas técnicas e tecnologias, o pai deu ao filho a possibilidade de inovar na propriedade. “É o maior prazer ver um filho tocar o negócio da família, querer aprimorar a produção”, orgulha-se Juninho.

A Revolução de 2013

Gabriel levou algumas novidades para o cafezal dos Nunes durante a graduação, mas foi quando ele se formou, em 2013, que a Fazenda Bom Jardim passou por uma verdadeira revolução em sua produção. “Quando o Gabriel voltou formado, ele quis investir em cafés especiais. Dei todo o apoio e desde 2014 a gente vem ganhando prêmios. Ele trouxe novos métodos, aumentou a qualidade do produto. Renovamos a lavoura, trocamos plantas e materiais”, descreve Juninho.

Mesmo com o rápido progresso, o primeiro lugar no Cup of Excellence foi uma surpresa. O concurso, que conta com juízes de todos os cantos do mundo e é o mais concorrido entre os cafeicultores brasileiros, premiou um bourbon amarelo, de primeira safra, que pai e filho cultivaram a 930 metros de altitude. Os Nunes não só atingiram esse bom resultado, como bateram o recorde mundial no leilão do evento: venderam cada saca de 60 quilos a R$ 55 mil.

Para Gabriel, o que fez o café vencedor foi a prova dos cafés antes da colheita oficial — fase da qual ele mesmo se encarrega, na companhia de um Q-grader. “Eu testo cada talhão para ver o potencial de cada café. Vario modos de secagem e de fermentação e vou provando um a um, pouco antes de colher. Assim, cada café vai ser colhido e vai passar pelo processo que destaca melhor suas características. É desse jeito que eu consigo um grão de alta qualidade”, ensina o engenheiro agrônomo, cujo café campeão atingiu 92 pontos.

“Vencer o concurso foi muito gratificante. A gente não esperava ficar em primeiro, quanto mais ganhar um prêmio histórico. Foi o primeiro café do Cerrado a alcançar essa marca, e o concurso já acontece há dezoito anos. Muita gente achava que a região não tinha potencial para ganhar esse prêmio, dizia que aqui é só quantidade, não qualidade”, comenta Gabriel.

A má impressão que se tem do Cerrado Mineiro é equivocada. É a única região cafeeira do País que possui Denominação de Origem, ou seja, é um território de onde sai um produto com características específicas, que não são encontradas em qualquer outro lugar. Exemplos famosos de produtos assim no mundo são o queijo Roquefort e o Champanhe.

A história da conquista da Denominação de Origem tem ligação direta com o relacionamento harmonioso, de parceria, que os produtores do Cerrado mantêm. “Temos muito orgulho da região porque demos um passo à frente em relação às outras, consideradas as pioneiras do País. O Cerrado sempre teve essa visão empresarial, e eu não tenho segredo com meus colegas. Fazemos cursos juntos, trocamos cafés, estamos prontos para crescer ainda mais”, garante Gabriel.

Construção futura

Em oposição a muitas fazendas dedicadas ao plantio de café, a propriedade da Fazenda Bom Jardim não conta com uma estrutura muito intrincada. Além das máquinas e do complexo de secagem e de fermentação, as construções do local são, por enquanto, um depósito de máquinas e uma área de criação de porcos, de onde provém parte do adubo usado na produção.

Os Nunes preferiram investir na qualidade do café antes de trabalhar a estrutura física da fazenda. O resultado é evidenciado com o recorde mundial atingido em apenas cinco anos de melhorias. Com o dinheiro que conseguiu com a venda das seis sacas do café campeão, a dupla vai investir em uma estrutura física moderna, com espaço para receber clientes, fazer provas com Q-graders e até mesmo para uma cafeteria com barista.

Para Gabriel, o próximo passo é se formar Q-grader. Ele se arrisca a fazer provas, mas quer procurar formação específica. Pai e filho se dedicam muito aos estudos sobre lavoura, produção, café. Conseguiram elaborar um sistema de escalonamento de safra, reduzindo a mudança que a bienalidade do café acarreta. “Geralmente não temos muita alteração nos números, conseguimos fazer com que a produção da safra alta tenha, no máximo, uma diferença de 40% em relação à do ano anterior”, explica Juninho.

Os pés de café que deram os grãos campeões se aproximam dos 3 metros de altura e estão carregados de frutos e promessas. Os Nunes plantam não apenas o bourbon amarelo; eles também trabalham com cultivares como  arara e catuaí. A dupla tem se arriscado inclusive a plantar geisha, que deve ter sua segunda colheita em 2020. Eles ainda não sabem quais cafés levarão para o Cup of Excellence 2018, mas não deixam dúvida quanto à sua participação na próxima edição.

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso referente aos meses março, abril e maio de 2018 – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Clara Campoli • FOTO Murilo Gharrber

Cafezal

Mulheres da terra, cafeicultoras de coração

Na Fazenda Nova Esperança, no Sul de Minas, o cafezal balança com o sopro do ar e marca a história de vida de Leda Castellani e de sua filha Arabela Pereira Lima

Dali do alto dá pra ver tudo: o cafezal, os lagos da região, a cidade ao longe. O ponto mais alto da Fazenda Nova Esperança, em Monte Santo de Minas, uma região de serra ao sul do estado, está a pouco menos de 1.200 metros de altitude em um terreno inclinado, com incidência alta de sol e vento. Quando a chuva deu uma trégua de três horas naquela sexta-feira de maio, foi possível montar na caminhonete, guiada sempre pelo cachorro Xereta, ou Shrek – como todo bom vira-lata, ele tem vários nomes – e ver os pés de catucaí, mundo novo, catuaí vermelho (IAC 99) e amarelo (IAC 62) que salpicavam o cafezal de uma mistura de verde das folhas refrescadas pela água com o vermelho e o amarelo dos frutos maduros, quase prontos para a colheita.

A história da Nova Esperança começa em 1972. A fazenda já existia antes, com o nome de Jambeirinho, mas foi ali que sua trajetória se transformou, assim como a de dona Leda Castellani, proprietária e produtora até hoje no comando da propriedade. Seu marido, Léo Pereira Lima, comprou a fazenda, mas sofreu um acidente no ano seguinte, antes de ver a primeira colheita de café. Foi então que Leda, com a ajuda de seu pai, passou a tocar adiante o projeto que Léo começou. Afinal, era dali que ela, professora de inglês, passaria a tirar o sustento de si mesma e das duas filhas, ainda pequenas. Daí o novo nome da fazenda: a nova esperança para toda uma família.

No início, a fazenda tinha granja e gado leiteiro, mas, aos poucos, o café tomou conta do pedaço. Ao todo, a propriedade tem 153 hectares, dos quais 75 são de cafezais e o restante se divide em reserva legal de mata nativa e plantação de eucalipto. Mas, até chegar aí, dona Leda precisou aprender muita coisa, pesquisar e desbravar o mundo do café na unha.

Buscou ajuda da Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé (Cooxupé), que tem mais de oitenta anos de história na região, e depois ganhou a companhia da filha mais nova, Arabela Pereira Lima, engenheira agrônoma formada pela Universidade Federal de Lavras (Ufla), em Minas Gerais, numa época em que apenas ela e outra amiga mulher compunham a classe e tinham de deparar com o preconceito dos colegas e professores.

Arabela Pereira Lima aos pés da paineira que seu pai escolheu como símbolo da fazenda. É ali que ela busca refúgio sempre que precisa.

Nada que a intimidasse. Hoje, Arabela é quem toca o dia a dia da fazenda. São oito funcionários fixos durante o ano todo, que mantêm a organização de tudo impecável, como dona Leda gosta e com a confiança de que precisa. Adriano Aparecido Alves , por exemplo, chegou à fazenda ainda criança, com a família dele, há 25 anos, e segue como braço-direito da família. “O empregado com menos tempo de casa tem quinze anos com a gente”, conta dona Leda.

Produção e premiação
Além do trabalho com o café verde commodity para diversos compradores, a Nova Esperança é uma das fornecedoras de grãos para a torrefação italiana illy, já pelo quinto ano consecutivo. Em 2016, o café venceu o 25o Prêmio Ernesto Illy de Qualidade do Café para Espresso na categoria Sul de Minas, ficou em terceiro na classificação geral e a história de vida com o café contada por Leda Castellani foi considerada a melhor daquele ano. Os méritos foram divididos com todos: os funcionários também receberam bonificações pelo trabalho que ajudou a família a chegar lá.

“Muita gente vê o café como uma fonte fácil de dinheiro. Mas a verdade é que tudo o que ganhamos reinvestimos aqui, em máquinas, melhorias, soluções para administrar as características naturais da nossa propriedade”, explica Leda. Ela se refere ao vento intenso que sopra constantemente na montanha. Uma das soluções encontradas e que está sendo testada é intercalar fileiras de outras árvores mais altas, como o cedrinho australiano, para barrar o vento direto nos pés. “Nós procuramos plantar em áreas em que o café não é possível, assim não perdemos pontos de produção”, complementa Arabela, que conta que também estão investindo na adubação orgânica do cafezal.

Dona Leda, na sala de sua casa, onde preserva imagens religiosas: “Aos poucos aprendi a ser uma ‘mulher da terra’, construindo uma pequena comunidade, onde somos movidos por tudo o que fazemos e, por isso, temos sucesso”.

Outra particularidade da Nova Esperança é a colheita tardia. Neste ano, a previsão era colocar as máquinas na lavoura – a colheita é mecanizada – após 15 de junho. “Algumas variedades e talhões, dependendo da altitude, terminam a colheita em setembro, quando já está começando a ter botão de flor nos pés. É outro desafio que temos, já que, se perdermos os botões, não tem safra no ano seguinte”, diz Arabela.

O ano de 2017 é um ano “sim” para a fazenda, isto é, o ano em que a safra será boa. No ano passado, um ano “não”, o total foi de 2 mil sacas e a expectativa é que os melhores números da Nova Esperança sejam alcançados neste ano, algo entre 3 mil e 3,5 mil sacas. A previsão ainda não é o potencial total da propriedade, já que ainda há muitas áreas com cafeeiros novos, que não atingiram sua plenitude produtiva, e outras árvores velhas, que serão substituídas em uma melhor distribuição e aproveitamento da área.

A região do Sul de Minas tem milhares de propriedades. Incrustada em meio às montanhas, a cidade de Monte Santo de Minas é propícia para o cultivo do café, com altitude na fazenda de até 1.200 metros.

Do terreiro adiante
Uma nova colheitadeira, com capacidade de apanhar melhor os galhos mais próximos ao solo e aumentar a produtividade, estava para chegar a Monte Santo para o início da safra. “Assim, devemos conseguir melhorar também lá na frente, quando não podemos machucar e perder os botões de flor”, explica Arabela.

Da lavoura, o café segue para o lavador e o despolpador, já que o método utilizado na fazenda é o cereja descascado. De lá, para os três terreiros, dois de 1.800 metros quadrados, um recém-construído, e um de 1.300 metros quadrados. Vão então para o secador, quando atingem 15% de umidade e para as tulhas e silos com 11%, de onde seguem seu destino até os torrefadores.

Adriano vive desde 1993 na fazenda. É ele quem comanda a colheitadeira e auxilia no processo de pós-colheita nos terreiros e no beneficiamento.

Quando fala de sua vida no café, dona Leda diz, como no texto vencedor do Prêmio Illy, que “foi aos poucos que aprendeu a ser uma ‘mulher da terra’, construindo uma pequena comunidade onde todos nós somos movidos por tudo o que fazemos e, por isso, temos sucesso”. Mas sabe que ainda há muito o que ser percorrido por sua filha Arabela. “Aqui acaba minha história com o café; vivi grandes desafios, que me fizeram crescer como ser humano e hoje posso dizer como São Paulo: ‘Combati o bom combate, completei minha carreira, guardei minha fé’.”

No meio da fazenda, vê-se uma frondosa paineira, que era o local favorito de Léo quando comprou a propriedade. Era ali que ele queria construir a sede. A área hoje é rodeada por pés de café. A sede dona Leda construiu onde ela queria. Afinal, quem fez do sonho realidade foi ela, transformando o café da Fazenda Nova Esperança em um grão de identidade feminina, forte, batalhadora e independente, assim como a das duas mulheres que estão no seu comando.

TEXTO Mariana Proença • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia

Cafezal

Café brasileiro é o mais bem pontuado em ranking mundial do Cup of Excellence

O leilão dos campeões do Cup of Excellence – Brazil 2018 foi realizado no dia 29 de novembro. Na ocasião, os grãos vencedores da categoria “Pulped Naturals” (via úmida), cultivados na Fazenda Primavera, em Angelândia, região da Chapada de Minas, foram vendidos por US$ 143,00 por libra peso, o equivalente a R$ 73 mil, uma vez que a cotação do dólar no dia estava a R$ 3,8575.

Além de ter alcançado um novo recorde no valor ofertado, o Brasil também conquistou o primeiro lugar no ranking mundial de cafés mais pontuados do concurso. Os grãos da Fazenda Primavera ganharam incríveis 93,89 pontos, superando países como Bolívia, Colômbia, Costa Rica e El Salvador.

Para Vanusia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), essa é uma demonstração de que o nosso País tem consistência para oferecer qualidade ao mundo. “O Brasil vai se apresentando cada vez mais como o maior fornecedor de cafés de altíssima qualidade, tanto em processamento de via úmida, quanto de via seca”.

Segundo o Alliance for Coffee Excellence, em 2005, os grãos por via úmida da Fazenda Santa Inês, localizada em Carmo de Minas (MG), de Francisco Isidoro Dias Pereira, alcançaram 95,85 pontos.

TEXTO Redação • FOTO Gui Gomes

Cafezal

Café vencedor do Cup of Excellence é leiloado por US$ 18 mil

Aconteceu ontem (29) o leilão dos cafés campeões do Cup of Excellence – Brazil 2018. O campeão da categoria “Pulped Naturals” (via úmida) é da Fazenda Primavera, em Angelândia, região da Chapada de Minas Gerais e foi leiloado por um valor equivalente a US$ 143,00 por libra peso, o que corresponde a US$ 18.916 por uma saca de 60 kg.

Esse foi o maior valor pago por um café brasileiro, levando em conta a cotação do dólar do dia do evento (R$ 3,8575), o lote campeão receberá aproximadamente R$ 73 mil por saca.

Ao final do leilão da categoria “Pulped Naturals”, todos os cafés produzidos por via úmida (cerejas descascados e/ou despolpados) foram negociados e registraram a movimentação total de R$ 1.046.997,21 (US$ 271.418,59). O lance médio foi de US$ 9,37/lb, o que equivale a R$ 4.781,23 (US$ 1.239,46) por saca. Valores seguiram a cotação do dólar no dia 29/11. O resultado completo está no site da Alliance for Coffee Excellence (ACE).

Os lotes ofertados no leilão foram comprados por empresas de oito países, de mercados tradicionais e emergentes no consumo de café, como Japão, Coreia do Sul, Alemanha, Austrália, Estados Unidos, Grécia, Taiwan e do próprio Brasil. “Os altos valores movimentados no leilão evidenciam o interesse das principais indústrias mundiais e dão o devido reconhecimento para os cafés especiais brasileiros, que são produzidos respeitando os princípios da sustentabilidade em seu tripé sócio-econômico-ambiental”, explica Vanusia Nogueira, diretora executiva da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Segundo Vanusia, o valor pago pelo café campeão evidencia que o trabalho de educação, aprimoramento e promoção que a Associação realiza em conjunto com parceiros vem gerando resultados. “Somos assíduos incentivadores pelo plantio voltado à qualidade. Nossos produtores têm intensificado seus cuidados com as lavouras e gerado cafés excepcionais, que melhoram a cada ano. Na ponta final, apresentamos esses produtos aos principais compradores do mundo. O desfecho é a satisfação de vermos uma saca de café brasileiro ser comercializada por R$ 73 mil”, comenta.

O Cup of Excellence – Brazil 2018 é realizado no Brasil pela BSCA em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Alliance for Coffee Excellence (ACE).

TEXTO Redação • FOTO Alexia Santi

Cafezal

Cafés de Piatã vencem concurso Florada Premiada

Promovido pela 3corações, em parceria com a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA), a primeira edição do concurso Florada Premiada anunciou suas vencedoras durante a Semana Internacional do Café, feira do setor que ocorreu em Belo Horizonte (MG) durante os dias 7, 8 e 9 de novembro.

Creusa Silva Santana, de Piatã (BA), ficou em primeiro lugar na categoria via úmida, com um café de 91,09 pontos. Já na categoria via seca, a ganhadora foi a cafeicultora Tainã Bittencourt Peixoto, da Chapada Diamantina (BA), com grãos que ganharam 91,27 pontos. Confira o pódio abaixo:

Via úmida
Creusa Silva Santana – Piatã (BA)
Patrícia Rigno de Oliveira Rosa – Piatã (BA)
Deuseni de Oliveira – Piatã (BA)

Via seca
Tainã Bittencourt Peixoto – Piatã (BA)
Inácia de Fátima Silva Juliano – Pedralva (MG)
Luciene Aparecida Santos Mota – Pedralva (MG)

Além de ter tido os lotes comprados pelo dobro da cotação, os primeiros lugares também receberam uma premiação em dinheiro: R$ 25 mil para as primeiras colocadas, R$ 15 mil para as segundas e R$ 10 mil para as terceiras.

Com objetivo de dar visibilidade à força feminina no campo e promover conversa e troca de experiências, a premiação contou com 650 produtoras inscritas de 15 regiões diferentes. Dos cafés recebidos, 113 foram comprados pelo grupo 3corações e outros 182 vendidos com as mesmas condições de compra (R$ 200 acima do valor de mercado).

Os 100 lotes mais pontuados e os melhores cafés das regiões participantes também foram comprados. Confira abaixo as vencedoras de cada local:

Região Chapada Diamantina – Tainã Bittencourt Peixoto
Região Mantiqueira – Inácia de Fátima Silva
Região Cerrado Mineiro – Maria Denise Piva
Região Montanhas – Silvania Veiga Teixeira
Região Matas de Minas – Sônia Maria Lopes
Região Sul de Minas – Elisa Paiva Lamounier
Região Planalto de Vitória da Conquista – Lais Rangel de Souza
Região Rio de Janeiro – Sandra Lúcia Gaspar
Região Alta Mogiana – Elaine Aparecida Cunha
Região Norte Pioneiro do Paraná – Maristela de Fátima da Silva
Região Média Mogiana – Iolanda Benta de Oliveira
Região Goiás – Cristiane Zancanaro Simões
Região Ourinhos e Avaré – Daniella Pelosini
Região Chapada de Minas – Isabel Silvestre
Região Marília e Garça – Ana Cristina Satiro

Desde seu início, o projeto já impactou mais de 1200 produtoras brasileiras. Além do concurso, a Plataforma Florada Educa oferece capacitação através de vídeo aulas com Sílvio Leite sobre dicas de manejo.

TEXTO Redação • FOTO Bruno Correa / NITRO

Cafezal

Quanta emoção! Confira os resultados do Coffee of The Year 2018!

A Semana Internacional do Café foi recheada de emoções e uma delas foi o Coffee of The Year 2018, que abalou o Grande Auditório neste último dia de feira com o anúncio dos campeões nas categorias Arábica e Canéfora!

Foram 400 amostras recebidas e 180 selecionadas, que passaram por um processo de avaliação física e sensorial por uma Comissão de Julgadores formada por juízes certificados pela Specialty Coffee Association (SCA), Q-Graders, Licenciados pelo Coffee Quality Institute (CQI) e pelo coordenador geral Leandro Paiva, professor do Instituto Federal do Sul de Minas.

Além disso, as amostras foram degustadas as cegas pelo público presente na feira durante os três dias de evento, que votaram em suas favoritas. Conheça abaixo os 25 primeiros de arábica e os 10 primeiros de canéfora!

Arábica
1º lugar Afonso Lacerda – Café Forquilha do Rio – Região Caparaó
 Deneval Miranda Vieira – Café Cordilheiras do Caparaó – Montanhas do Espírito Santo
 Alessandro Hervaz – Honey Coffee – Mantiqueira de Minas
 Luis Eduardo dos Santos – Fazenda Boa Esperança – Média Mogiana
 Lucas Ribeiro Vinhal – Fazenda Estrela – Cerrado Mineiro
 Wilians Valerio Junior – Sítio Recanto dos Tucanos – Região Caparaó
7º Samuel Mangia – Sítio Serra da Careta – Mantiqueira de Minas
 Inácio Carlos Urban – Rio Brilhante – Cerrado Mineiro
 Renato Barroso de Assumpção – Sítio Vargem Grande – Matas de Minas
10º  Rafael Ribeiro Vinhal – Fazenda Estrela – Cerrado Mineiro
11º Evandro Sanchez – Fazenda Dois Irmãos Cafés Especiais – Cerrado Mineiro
12º Filomena Estefania de Mattos Couto – Fazenda Central Mattos/Santa Rita – Cerrado Mineiro
13º Afonso Maria Vinhal – Fazenda Recanto – Cerrado Mineiro
14º Lucas Henrique Figueiredo – Fazenda Laranjal – Sul de Minas
15º Wilians Valerio – Sítio Recanto dos Tucanos – Matas de Minas
16º Cristina Peluso Mangia – Sítio Serra da Careta – Mantiqueira de Minas
17º Anderson Mitsuhiro Minamihara – Minamihara Ouro Verde – Alta Mogiana Paulista
18º Claudiana Medeiros Lacerda – Café Forquilha do Rio – Matas de Minas
19º Mariana Caetano Polcaro – Guima Café – Cerrado Mineiro
20º Juan Vargas – Fazendas Klem – Matas de Minas
21º Giovani Carlos Júnior – Café Tozzi – Montanhas do Espírito Santo
22º José Carlos Grossi Segundo – JC Grossi & Filhos – Cerrado Mineiro
23º Thiago Dias Douro – Sítio Denizar – Montanhas do Espírito Santo
24º Ana Cagnani – Sítio João Leite – Sul de Minas
25º Antônio Benedito de Carvalho Ramos – Sítio Sertãozinho – Sul de Minas

Afonso Lacerda – Café Forquilha do Rio – Região Caparaó

Deneval Miranda Vieira – Café Cordilheiras do Caparaó – Montanhas do Espírito Santo

Alessandro Hervaz – Honey Coffee – Mantiqueira de Minas

Canéfora
1º lugar Luis Cláudio Souza – Grão de Ouro – Sul do Espírito Santo
 Lucas Venturim – Fazenda Venturim – Noroeste Capixaba
 Francisco Venturim – Fazenda Venturim – Noroeste Capixaba
4º Diones Mendes Bento – Chácara Rio Limão – Rondônia
 Isaac Bento Caser Venturim – Fazenda Venturim – Noroeste Capixaba
 Aurio Barbosa Quadra – Aurio Barbosa Quadra – Região Caparaó
 José Braz Ortelan – Sítio Imperial – Montanhas do Espírito Santo
8º João Delpupo – Sítio Ribeirão da Costa – Montanhas do Espírito Santo
9º Silvaninho Oliveira de Souza – Sítio Feliz Lembrança – Região Caparaó
10º Maria Rosalina Bridi Gomes – Fazenda São Bento – Montanhas do Espírito Santo

Luis Cláudio Souza – Grão de Ouro – Sul do Espírito Santo

Lucas Venturim – Fazenda Venturim – Noroeste Capixaba

Francisco Venturim – Fazenda Venturim – Noroeste Capixaba

TEXTO Redação • FOTO Marcelo Santana

Cafezal

Melhores cafés do Coffee of The Year foram divulgados ontem

A Semana Internacional do Café começou ontem (07), em Belo Horizonte (MG). Produtores de todo o Brasil estavam ansiosos para saber quem havia sido classificado no Coffee of the Year 2018.

O COY recebeu 180 amostras de café selecionadas. A organização recebeu mais de 400 amostras nas categorias coffea arábica ou coffea canephora (conilon/robusta).

Estas amostras passaram por um processo de avaliação física e, em seguida, sensorial, por uma Comissão de Julgadores, formada por Juízes Certificados pela Specialty Coffee Association (SCA), por Q Graders Licenciados pelo Coffee Quality Institute (CQI) e pelo Coordenador Geral, o Professor do Instituto Federal do Sul de Minas, Leandro Paiva.

Foram selecionadas 150 amostras de arábica e 30 de canéfora, que participam da rodada de negócios na Sala Coffee of the Year Brasil 2018 e podem ser degustadas na SIC. Também no local, estão separados os 25 melhores de arábica e os 10 de canéfora, que foram anunciados ontem por Mariana Proença, diretora de conteúdo da Café Editora.

Dentre os melhores, estão separados, em garrafas térmicas, os 10 melhores de arábica e os 5 de canéfora. Os visitantes da feira podem degustá-los entre hoje e amanhã, votando no melhor. O anúncio dos vencedores das duas categorias será realizado amanhã, último dia de evento, às 17h.

Para acessar a lista completa dos finalistas divulgados ontem, clique aqui.

TEXTO Natália Camoleze • FOTO Nereu Jr/Bruno Correa/NITRO

Cafezal

Já temos as amostras selecionadas para o Coffee of the Year 2018

A lista dos cafés classificados no Prêmio Coffee of the Year Brasil 2018 foi divulgada! Foram mais de 400 amostras enviadas nas categorias coffea arábica ou coffea canephora (conilon/robusta).

As amostras, inscritas, passaram por um processo de avaliação física, e em seguida, sensorial, por uma Comissão de Julgadores, formada por Juízes Certificados pela SCA – Specialty Coffee Association, por Q Graders Licenciados pelo CQI – Coffee Quality Institute, e pelo Coordenador Geral, o Professor do Instituto Federal do Sul de Minas Leandro Paiva.

Foram selecionadas 150 amostras de arábica e 30 de canéfora que participarão da Sala Coffee of the Year Brasil 2018 durante a Semana Internacional do Café.
As 10 melhores amostras da categoria arábica e as 5 melhores de canéfora serão degustadas às cegas pelo público visitante da SIC pelo método filtrado (garrafas térmicas) e por especialistas e provadores por cupping também às cegas.

Os vencedores serão anunciados no dia 9 de novembro na SIC. A lista completa com os classificados está disponível no site do evento.

Serviço
Semana Internacional do Café 2018
Quando: 7 a 9 de novembro
Horário: das 11h às 20h
Onde: Expominas – Av. Amazonas, 6200 – Gameleira, Belo Horizonte (MG)
Maiores informações: www.semanainternacionaldocafe.com.br

TEXTO Natália Camoleze • FOTO Giulianna Iannaco

Cafezal

Fazendas Paraíso e Primavera levam a melhor no Cup of Excellence 2018

Ontem (21) foi anunciado o resultado do Cup of Excellence – Brazil 2018, concurso realizado em parceria pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) e Apex-Brasil. A premiação aconteceu na cidade mineira de Guaxupé.

O vencedor da categoria “Naturals” (via seca) foi cultivado por Maria do Carmo Andrade, na Fazenda Paraíso, em Carmo do Paranaíba. O café, que possui Denominação de Origem do Cerrado Mineiro, obteve 93,26 pontos.

Ismael José de Andrade foi quem representou a família e recebeu o prêmio. “É o coroamento de uma vida de trabalho e dedicação, minha, da minha família e de todos os envolvidos, muita gente que acredita no café e no potencial dele. Estou muito feliz”, disse.

Ismael José de Andrade é o vencedor da categoria Natural do Cup of Excellence

Já na categoria “Pulped Naturals” (via úmida) quem levou a melhor foi a empresa Primavera Agronegócios. Os grãos de café “gueixa” produzidos na Fazenda Primavera, no município de Angelândia, Chapada de Minas, ganharam 93,89 pontos. É a primeira vez que esta região ganha o concurso.

“Esse prêmio mostra que o trabalho vale a pena, que a dedicação é importante e que somos profissionais no que fazemos. Muito além do financeiro, o mais importante é poder mostrar para o mundo que o Norte de Minas também produz café de excelência. Esse prêmio é para todos da Fazenda Primavera”, agradeceu Leonardo Montesanto Tavares, diretor do Grupo Montesanto Tavares.

Da esquerda para direita, Leonardo Tavares (campeão Pulped Naturals) e Ismael Andrade (campeão Naturals)

Ao todo, o concurso realizou a análise de mil amostras de café. Dentre os 30 primeiros colocados, a região com maior número de vencedores na categoria “Naturals” foi a Indicação de Procedência da Mantiqueira de Minas, com 15 amostras (40,54% do total). Já na modalidade “Pulped Naturals” o destaque foi para a região da Chapada Diamantina, responsável por 15 das 30 melhores posições.

Entre os dias 29 de novembro e 7 de dezembro, os lotes finalistas das duas categorias irão participar de leilões internacionais, onde 100 potenciais compradores de 40 países aguardam para arrematar as sacas brasileiras. Ano passado, o vencedor da categoria “Pulped Naturals”, Gabriel Nunes, da região de Patrocínio (MG), bateu o recorde mundial no leilão: vendeu seu café por aproximadamente R$ 55,5 mil a saca de 60 kg.

Para Vanusia Nogueira, diretora da BSCA, o Cup of Excellence pode selecionar os cafés nacionais com um nível de excelência diferenciado, apresentando a variedade e qualidade dos grãos brasileiros. “Os juízes ficaram surpresos com a diversidade dos cafés recebidos, principalmente os da categoria Pulped Naturals, que destacaram o que nossas diversas variedades e origens produtoras são capazes de entregar, com excelência e em quantidade, o que há de melhor ao mundo”, comenta.

Confira abaixo os melhores cafés de cada categoria:

TEXTO Redação • FOTO Divulgação