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As flores do cafezal: a importante presença das mulheres na cafeicultura

Após um século de anonimato, milhões de mulheres responsáveis pelo desenvolvimento da cafeicultura brasileira e mundial mostram sua importância. Elas são centenas de Anas, Marias, Veras, Wilma e Josefas espalhadas em todos os segmentos da agroindústria do café

Florada é época de celebrar não apenas a beleza e o perfume que encanta tudo o que toca, mas também o prelúdio de uma safra farta. Afinal, a produtividade de cada planta é medida de acordo com o número de flores em cada galho. Quanto mais flores, mais café! Os corações mais carrancudos se alegram ao ver a beleza de cada pétala brotar em sua propriedade. E é assim que, em sua delicadeza, o movimento de mulheres do café começa a florescer nos quatro cantos do mundo.

Onde há mulher no comando, há produtividade e desenvolvimento socioeconômico. E isso quem diz é o relatório publicado em 2013 pela Organização de Alimento e Agricultura das Nações Unidas (Food and Agriculture Organization of the United Nations — FAO). “As mulheres […] desempenham um papel fundamental no apoio às suas famílias e comunidades para alcançar segurança alimentar e nutricional, gerando renda e melhorando os meios de subsistência rurais e o bem-estar geral”, diz o documento.

Equidade de gênero se tornou palavra de ordem em diversos setores e isso não poderia ser diferente na indústria cafeeira. Preocupados com a possibilidade de faltar café no mercado nos próximos cinquenta anos, diversas instituições, ONGs e empresas estão se mobilizando para elaborar soluções. Investir na qualificação das mulheres do café, promover posições de liderança e inseri-las como tomadoras de decisão são alguns dos caminhos defendidos.

Por isso, órgãos internacionais, como o Instituto de Qualidade do Café – Coffee Quality Institute (CQI), responsável pela certificação Q-Grader, posicionaram-se. “Ignorar a igualdade de gênero é uma oportunidade de negócio perdida. A indústria global do café não pode permitir que as habilidades profissionais das mulheres sejam desperdiçadas durante uma época em que tentamos resolver desafios monumentais, que ameaçam o fornecimento de café de qualidade e a prosperidade do mercado”, diz o texto do site do programa de equidade de gênero do CQI.

A ideia é nobre, mas ainda está longe da realidade. “As mulheres enfrentam problemas extras, cada uma em seu nicho. Em geral, elas não estão em treinamentos, cursos e não têm posições de liderança para votar em políticas públicas ou de financiamento”, explica Josiane Cotrim, idealizadora da IWCA Brasil. Muitos alegam falta de engajamento por parte das mulheres, “mas será que condições favoráveis estão sendo criadas para elas participarem mais?! O treinamento é feito num horário em que ela pode ir?”, questiona Josiane.

Foto: Vitor Barão

A falta de representatividade se reflete em todos os segmentos da cafeicultura e isso pode ser notado nas sutilezas. Faça um exercício e comece a prestar atenção nas grades de palestrantes de eventos, em fotos oficiais de instituições públicas e privadas e em atividades oficiais do mercado. Notem que são raras aquelas mulheres que negociam os cafés que produziram, baristas são minorias em campeonatos nacionais e internacionais e profissionais competentes quase não aparecem em outros setores, como ciência do café, torrefação, empreendedorismo. Isso significa que elas não existem? Não. Elas estão lá, fazendo o trabalho que ninguém quer fazer, longe dos holofotes.

Esse é um legado herdado do passado. Segundo a historiadora Ana Luiza Martins, a importância da mulher no desenvolvimento da cafeicultura brasileira nunca foi registrada em documentos, recibos nem contratos. Tudo estava no nome do marido ou do filho mais velho. Por isso, o trabalho dela não existe oficialmente. Quando, na verdade, ela não só “ajudava” na receita da família, mas também se dedicava às atividades extras, como a horta da casa. leia mais…

TEXTO Kelly Stein

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Poços de Caldas investe em marca coletiva de café vulcânico

Foto: Mauro Lima

A cidade de Poços de Caldas, localizada no Sul de Minas, sempre atraiu muitos turistas. Agora, deseja dar mais visibilidade para a região com a criação de uma marca coletiva de café denominada Cafés da Região Vulcânica.

Lançada oficialmente em novembro de 2020, durante a Semana Internacional do Café – 100% Digital, o projeto foi iniciado em 2018, com o auxílio do Sebrae e da Emater-MG, vinculada à Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). De acordo com a secretária, Ana Maria Cagnani, o objetivo de criar a marca é torná-la única, além de desenvolver ações que beneficiem os produtores, deem visibilidade ao potencial cafeeiro e propiciem reconhecimento local.

Ela conta que o café produzido na região vulcânica tem uma qualidade distinta devido à condição geográfica. “O clima mais frio e a altitude das lavouras que variam entre 700 e 1.300 metros, o solo rico em minerais e a tradição que a região possui no cultivo do café possibilitam uma produção diferenciada, um produto com boa acidez e intenso”, afirma.

O extensionista agropecuário da Emater-MG, Aparecido Venâncio Martins, explica que a denominação Café Vulcânico é por causa das características de área de solo vulcânico na região, entre o sul de Minas e o nordeste do estado de São Paulo, local onde são produzidos o café da marca coletiva.

A região abrange doze municípios localizados na caldeira de um vulcão extinto há 80 milhões de anos. As cidades que fazem parte dessa área no estado de Minas Gerais são Andradas, Bandeira do Sul, Botelhos, Cabo Verde, Caldas, Campestre, Ibitiúra de Minas e Poços de Caldas. Já Águas da Prata, Caconde, Divinolândia e São Sebastião da Grama estão no estado de São Paulo.

A secretaria acrescenta que pretende estender a certificação da marca também para o queijo, a uva, o azeite e o turismo rural. A marca Cafés da Região Vulcânica é regulamentada, controlada e protegida pela Associação dos Produtores do Café da Região Vulcânica, que está em atividade desde 2012, sendo formada por membros e parcerias.

Confira aqui o lançamento do projeto.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Cafés especiais em Santa Catarina: estado revela potencial para produção de arábica

Uma pesquisa realizada por profissionais da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), em parceria com o Instituto Federal Catarinense (IFC) campus Araquari e o Instituto Federal do Sul de Minas campus de Machado, aponta o crescimento de cafezais no Leste de Santa Catarina, sob a sombra da Mata Atlântica ou de outros cultivos agrícolas.

O estudo comprovou que o café arábica da variedade mundo novo, produzido sob a sombra de bananais orgânicos em Araquari, se enquadra como café especial e concluiu ainda que Santa Catarina possui áreas com condições climáticas potencialmente aptas para o cultivo de café arábica especial, considerando a colheita seletiva e adequado processamento pós-colheita para explorar a máxima qualidade sensorial e evitar defeitos físicos nos grãos.

A pesquisa reforça a necessidade de mais estudos, tanto sobre a adaptabilidade do grão ao litoral catarinense, como do manejo de cultivo e pós-colheita. Wilian Ricce e Fábio Zambonim, pesquisadores da Epagri/Ciram, delimitaram o mapa com a região potencialmente apta, de acordo com o clima, para o cultivo de arábica no estado.

Com base nestes resultados iniciais, a Epagri submeteu projeto de pesquisa à Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), para ampliar o estudo sobre cafés especiais no estado. Os resultados do edital de submissão ainda não foram divulgados pela Fapesc.

“Queremos mostrar o potencial que tem o café especial arábica para a região litorânea de Santa Catarina. Cultivado em sistemas agroflorestais, ele pode ser usado como estratégias de restauração e uso econômico de áreas de preservação permanente nas propriedades rurais familiares”, descreve Fábio, pesquisador da Epagri. Ele lembra que a expansão da cultura no Estado teria apelo ambiental e também econômico. “Tem muito agricultor familiar indo bem economicamente com essa cultura”, relata.

Histórico

A cafeicultura já foi uma atividade de expressão econômica em Santa Catarina. Prova disso é a bandeira do estado, criada em 1895, que traz a imagem de um ramo de café com frutos. “As primeiras plantações de café em Santa Catarina foram estabelecidas no final do século XVIII e, apesar de sua pequena escala, quando comparada às grandes lavouras da região Sudeste do Brasil, o produto catarinense sempre se destacou pela sua qualidade”, avalia Fernando Prates Bisso, professor do IFC-Campus Araquari e um dos autores do estudo. Ele conta que, frequentemente, os grãos colhidos no território catarinense eram utilizados para compor e melhorar lotes exportados para mercados mais exigentes, como Uruguai e Holanda.

O cenário mudou na década de 1960, como resultado de uma política pública nacional de erradicação de cafezais para regulação dos estoques mundiais do grão. A partir daí a leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

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Cafeicultura em Rondônia: documentário destaca a importância da atividade para o estado e o País

Você sabia que Rondônia é o segundo estado brasileiro que mais produz café canéfora, ficando atrás apenas do Espírito Santo? Cada vez mais, a cafeicultura rondoniense vem ganhando destaque no Brasil e no mundo e, para conhecer um pouco do trabalho, a Embrapa-RO gravou o documentário “Robustas Amazônicos – Aroma, sabor e histórias que vêm das Matas de Rondônia”.

O sonho de contar as histórias uniu três profissionais que amam o café: o pesquisador Enrique Alves, da Embrapa-RO, que foi o responsável pelo roteiro técnico e direção; a jornalista Renata Silva, que contribuiu com a produção, revisão de roteiro e locução; e o cinegrafista Marcos Oliveira, da Aldeia Criativa, que realizou as imagens e edições.

Durante a produção, foram centenas de quilômetros rodados em busca das cenas ideais para retratar as lavouras e as vidas na região. “Foi desafiador criar um roteiro que fosse fiel à realidade desses cafeicultores e representasse a arte de produzir robustas finos, principalmente pela necessidade de maiores cuidados em tempos de pandemia. Também foi desafiador coletar imagens das áreas durante a colheita”, conta Enrique. As entrevistas foram captadas em Novo Horizonte do Oeste, Alto Alegre D’Oeste, Alta Floresta D’Oeste e Cacoal, que, junto a outros 11 municípios, compõem as Matas de Rondônia.

O documentário demorou 9 meses para ficar pronto e foi lançado na última segunda-feira (22). Os 50 minutos de conteúdo relatam histórias de vida, valores culturais e agronômicos, perfil de produção, sustentabilidade, avanço da tecnologia, cultura indígena e as terras amazônicas. O enredo se desenvolve nas Matas de Rondônia, região que possui mais de 60% das áreas com lavouras de café, responsável por 83% dos mais de 2 milhões de sacas produzidas anualmente no estado.

“A cafeicultura na Amazônia é sem dúvidas uma das mais intrigantes e emblemáticas do País e talvez do mundo”, destaca o pesquisador. “A combinação virtuosa entre clima e solo amazônico, uma genética diferenciada e toda a tradição dos cafeicultores pioneiros, moldaram a cafeicultura da Região Matas de Rondônia”.

O local também é berço dos Robustas Amazônicos, terroir que está em processo final de reconhecimento de Indicação Geográfica (IG), título que serve para distinguir um produto ou serviço que apresenta características diferenciadas e que podem ser atribuídas à sua origem geográfica, configurando o reflexo do ambiente. Com a conquista, leia mais…

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Renata Silva

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Selo Mais Integridade: Mapa premia 19 empresas do agronegócio por boas práticas

Na última sexta-feira (5), o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) entregou o Selo Mais Integridade para as organizações agropecuárias ganhadoras da 3ª edição. Neste ano, 19 empresas foram premiadas, sendo que quatro delas recebem a premiação pela segunda vez, e oito, pela terceira vez. As contempladas podem usar a marca do Selo em seus produtos, sites comerciais, propagandas e publicações.

O Selo Mais Integridade reconhece as empresas e cooperativas do agronegócio que adotam práticas de integridade sob a ótica da responsabilidade social, sustentabilidade, ética e o comprometimento em inibir a fraude, suborno e corrupção.

A premiação foi entregue pela ministra Tereza Cristina e pelo ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário. O evento ocorreu de forma presencial e virtual no auditório da Apex-Brasil, com a participação de até dois representantes das premiadas presentes, respeitando o distanciamento social e protocolos de segurança.

A ministra destacou que os princípios que norteiam o Selo são prioridade no Mapa e anunciou que a próxima edição contemplará organizações do setor pesqueiro. “Acreditamos, cada vez mais, que iniciativas como esta, do nosso Selo de Integridade, podem ser um escudo na alavancagem de lucros, sendo um diferencial importante no novo modelo do agronegócio íntegro e sustentável, que estamos apresentando para o mundo”, disse.

“A pauta de ética, integridade e transparência está inserida como ponto fundamental do Plano Estratégico do Ministério da Agricultura. Nesse sentido, ressalto que estamos alinhados com a leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Guilherme Martimon/MAPA

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Caparaó conquista selo e se torna a terceira Denominação de Origem de café do Brasil

Mais uma região cafeeira conquistou o selo de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Denominação de Origem: o Caparaó. O registro foi divulgado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) nesta terça-feira (2). Com a novidade, o Brasil chega à marca de três Denominações de Origem, uma vez que as regiões da Mantiqueira de Minas e do Cerrado Mineiro já possuem o selo.

Denominação de Origem é um nome geográfico que designa produtos ou serviços cujas qualidades ou características se devam exclusivamente ou essencialmente a uma determinada região. Para solicitar a D.O., deve ser apresentada a descrição das qualidades e as características do produto ou serviço que se destacam, exclusiva ou essencialmente, por causa do meio geográfico, ou aos fatores naturais e humanos.

No caso do Caparaó, o selo de D.O. vale para os cafés da espécie arábica (grãos verdes, industrializados na condição torrado e/ou torrado e moído) cultivados nos 16 municípios que compõem a região: os capixabas Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Alegre, Muniz Freire, Ibitirama, Iúna, Irupi, Ibatiba e São José do Calçado, e os mineiros Espera Feliz, Caparaó, Alto Caparaó, Manhumirim, Alto Jequitibá e Martins Soares.

A organização gestora da IG é a Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec), sediada em Dores do Rio Preto (ES). A região Caparaó está localizada na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, na área do bioma Mata Atlântica, onde se localiza a Serra do Caparaó. A área abrange os terrenos nas imediações do Parque Nacional do Caparaó.

O processo

“A origem Caparaó começou num procedimento de investigação dos aspectos sensoriais de cafés em 110 propriedades rurais em 13 municípios dos 16 que viraram a Denominação de Origem”, explica o Profº João Pavesi, do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes). “No ano de 2013, o Ifes aprovou um projeto com o CNPq, com apoio da empresa de mineração Samarco, onde investigamos aspectos de cafés acima de 700 m até 1.400 m. Em 2014 o projeto já estava mostrando resultados e foi continuado até 2015, dois anos investigando para estabelecer se a IG seria uma Indicação de Procedência ou se buscaria uma Denominação de Origem defendendo um terroir”, completa.

De acordo com Pavesi, o projeto apresentou base para entrar direto no INPI como D.O. “É a primeira Denominação de Origem de café direta, pois o Cerrado Mineiro começou como Indicação de Procedência e depois mudou para Denominação de Origem. Mantiqueira de Minas também. As outras origens brasileiras de café são Indicações de Procedência”, comenta.

Após a solicitação, o Ifes, juntamente com os parceiros Sebrae, Incaper, Emater-MG, passou a organizar eventos cafeeiros municipais e regionais, além de realizar a inscrição de cafés do Caparaó em concursos nacionais. “O Caparaó começou a mostrar consistência e os produtores começaram a pegar o gosto da coisa”, destaca Pavesi.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia

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Produtora mineira faz releitura de obra de Candido Portinari

Cafeicultora e artista plástica há mais de quarenta anos, a mineira de Viçosa, Valéria Vidigal, busca retratar em suas obras a história e os personagens do café. Em 2018, expôs duas de suas criações no Museu Casa de Portinari, em São Paulo (SP), local que homenageia um dos maiores pintores brasileiros, Candido Portinari, conhecido por retratar em algumas de suas telas temas ligados à cafeicultura.

Em 2020, o Museu completou cinquenta anos! Para comemorar a data, a organização convidou 55 artistas brasileiros para compor a exposição virtual “45ª Semana de Portinari”, que aconteceu de 15 a 23 de agosto. Valéria foi uma das convidadas e, para a ocasião, escolheu fazer uma releitura da tela Café, de 1935, feita a óleo.

Releitura “Cafezal”, feita por Valéria Vidigal

“Eu escolhi essa obra porque, diante de todas as que Portinari pintou, essa está na mesma temática das minhas, que é o café”, conta a artista. Chamada de Cafezal, a releitura de Valéria possui as mesmas dimensões da pintura original, 1,30 m de altura por 1,95 m de largura, porém foi pintada com a técnica acrílica.

“Essa obra de Portinari eu considero completa, já que tem a sacaria, os trabalhadores, o administrador, o gerente. Tem vários pontos da tela que são muito importantes e a cafeicultura, por mais que hoje você tenha máquina colhendo o café nas lavouras, ainda é uma cultura muito artesanal, e eu vivo isso no dia a dia”, explica Valéria, que, depois da exposição, recebeu convites internacionais para 2021.

Mais informações: www.instagram.com/valeriavidigal

TEXTO Redação • FOTO Valéria Vidigal/Rafaela Vidigal

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Etiópia e Quênia: Diário das origens

A mestre de torra Daniela Capuano embarcou numa jornada inusitada para conhecer a produção de cafés nestes países

Era 3 de janeiro de 2020 quando eu e o fotógrafo Jean – trabalhamos juntos na mesma torrefação – embarcarmos para a Etiópia e aterrissamos no dia 24 Tahsas 2012, quatro dias antes do Natal, no calendário etíope. Eu estava desesperada porque, um dia antes da viagem, resolvera pintar o cabelo com a minha irmã, afinal, viajaria com um fotógrafo. O detalhe principal foi que erramos a cor, e meu cabelo ficou laranja! Sem chance de fazer nada nele, coloquei todos os bonés na mala e fui.

A viagem foi rápida, seis horas de avião de Paris a Addis Ababa. Fomos recebidos pelos parceiros da importadora. Eles já estavam nos esperando no estacionamento. Na Etiópia você só pode entrar no aeroporto se tiver passaporte e um bilhete para viajar. Entramos no jipe e fomos tomar café da manhã em uma coffee shop completamente europeia, no escritório/armazém de um exportador. Dali pegamos a estrada em direção à cidade de Awassa. Nosso programa para a semana incluía também Yirgacheffe, Kochere, Gedeb, Hambela e Guji, sendo duas fazendas e quatro estações de tratamento. Um dos meus objetivos era não criar expectativas e manter um olhar curioso e observador.

Saímos de Addis e pegamos a estrada. Awassa é longe? – perguntei. Uns 280 quilômetros (perto até) mas, quantas horas até chegar? “Umas cinco ou seis, depende”. A estrada era reta, uma linha infinita no meio de um deserto, uma imensa planície que se estendia ao infinito à direita e à esquerda.

Uma vez ou outra apareciam pequenos vilarejos ao longo da estrada. Mas todo o tempo havia pessoas andando na estrada, junto com os carros, caminhões, muitas carroças sendo puxadas por burrinhos, pastores com suas cabras e vacas e, de repente, um pastor com seus vinte dromedários; crianças correndo, atravessando de um lado para o outro, as cabras também, um pai ensinando o filho a andar de bicicleta, tantas cenas acontecendo e, ao mesmo tempo, a paisagem era monótona, continuávamos no mesmo deserto.

Eu estava angustiada de ver aquilo, mas nosso motorista e o guia estavam bem tranquilos, como os paulistanos com as motos na cidade. Seis ou sete horas mais tarde chegamos a Awassa, já era quase noite. No dia seguinte sairíamos em direção a Dilla. leia mais…

TEXTO Daniela Capuano • FOTO Nis&For/Cafés Rec

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Produção de cafés brasileiros em 2020 foi de 63,07 milhões de sacas

A análise dos dados e números do 4° Levantamento da Safra de Café de 2020, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), e do Valor Bruto da Produção (VBP) – Dezembro 2020, elaborado e divulgado mensalmente pela Secretaria de Política Agrícola (SPA), do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa), aponta que a produção total dos Cafés do Brasil em 2020, somando as espécies arábica e canéfora, foi de 63,07 milhões de sacas de 60 kg, superando em 2,3% a produção brasileira de 2018 e se tornando a safra com maior volume da história.

Foram 14,31 milhões de sacas, 23% do total, de canéfora (conilon), volume que representou uma queda de 4,7% se comparado com 2019. Esta baixa foi justificada pelas poucas chuvas nas regiões produtoras do Espírito Santo, o maior estado produtor da espécie no Brasil. Já o arábica foi responsável por 77% da safra brasileira ao produzir 48,77 milhões de sacas, com um aumento de 42,2% em relação ao ano passado, influenciado pela bienalidade positiva.

A análise da produção brasileira de café em 2020, por regiões, apresenta um grande protagonismo da região Sudeste, com uma produtividade média de 33,32 sacas por hectare e um total de 55,15 milhões de sacas produzidas, sendo responsável por 87,5% de toda produção nacional no ano.

Minas Gerais, o maior estado produtor brasileiro, foi responsável por 34,64 milhões de sacas, número que representou 55% da safra no ano. O Espírito Santo, segundo maior leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Lucas Albin/Agência Ophelia

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Você conhece as diferenças entre café velho e café envelhecido?

Foto: Gabriela Kaneto

O Instituto Agronômico de Campinas (IAC), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, conduz pesquisas com o objetivo de desenvolver cultivares de café com nuances de sabores e aromas, como floral, frutado, achocolatado, cítrico e especiarias, dentre outros, e elevada qualidade de bebida para atender ao exigente mercado de cafés especiais.

“A nossa proposta é disponibilizar uma carta de cafés especiais diferenciados, ou seja, opções variadas de cultivares de alta qualidade de bebida. Há também a possibilidade de reorientar as pesquisas científicas que possam resultar em recomendação de varietais específicos para atender às demandas apresentadas nas diferentes regiões geográficas onde se pretende cultivá-los”, diz o pesquisador do IAC, Gerson Silva Giomo.

Gerson aponta que esse direcionamento é necessário porque a qualidade do café é muito sensível às variações de ambiente, o que requer um estudo detalhado dos efeitos da interação genótipo x ambiente. As características dos grãos e da bebida se devem principalmente ao fator genético/varietal, mas podem variar em função de outros fatores secundários, como o local de produção, o processamento pós-colheita e a forma de secagem.

O IAC é responsável por 90% das cultivares de arábica plantadas no Brasil e já desenvolveu 65 cultivares da espécie. Atualmente conduz um Programa de Pesquisa em Cafés Especiais visando oferecer um atendimento diferenciado a esse importante segmento da cafeicultura brasileira.

O preço do café varia de acordo com a qualidade dos grãos, da bebida e da oferta de produto no mercado, com algumas oscilações entre as regiões produtoras. Em média, a saca do café comum, tipo 6, bebida dura, gira em torno de R$ 600. Já um café especial, bebida mole, pode passar de R$ 1.000 a saca, dependendo da nota da avaliação sensorial e da oferta e procura do produto no mercado. De modo geral, pode-se dizer que quanto maior for a qualidade sensorial do café, maior será o seu valor no mercado. Atualmente, o mercado de cafés especiais no Brasil corresponde a cerca de 15% da produção nacional.

Café velho e café envelhecido: qual a diferença?

Recentemente foi apresentado aos consumidores brasileiros um produto diferenciado elaborado com grãos envelhecidos de café. O pesquisador do IAC esclarece as principais diferenças entre o café velho e o envelhecido.

“De modo geral, considera-se que o café velho é aquele proveniente de qualquer grão que não seja de safra atual, ou seja, elaborado a partir de grãos que envelheceram naturalmente durante um leia mais…

TEXTO Redação