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Espresso&CO recebe cupping de cafés de Cabo Verde

Na última sexta (27), o espaço da Espresso&CO recebeu o cupping de cafés da região de Cabo Verde, origem que faz parte das Indicações Geográficas do Sudoeste de Minas e da Região Vulcânica. 

Realizado pela Associação dos Produtores de Cafés Especiais de Cabo Verde (Assprocafé), o evento, fechado para convidados, reuniu 12 lotes, entre eles um caturra natural do Sítio Córrego Fundo, um arara natural da Fazenda São Bartolomeu e um arara natural da Fazenda Sonho Meu. Todos os lotes estavam disponíveis para compra.

“É uma região ainda desconhecida, mas que tem muito potencial de qualidade”, comenta Marcos Kim, especialista em cafés especiais, Q-Grader e organizador do evento. “Ela se localiza entre a Região Vulcânica e o Sudoeste de Minas. É um trabalho fantástico, que além da qualidade, destaca o manejo sustentável e regenerativo, e resulta em cafés muito doces, com acidez equilibrada e, muitas vezes, com notas florais”, explica.

No sábado (28), a experiência foi ampliada para o público. Durante todo o dia, três cafés de Cabo Verde ficaram disponíveis em térmicas para os clientes da Café Store, loja conceito que faz parte do grupo Espresso&CO. Além da degustação, o encontro proporcionou troca de experiências com os produtores e venda dos pacotes de café em grãos ou moído na hora.

Os cafés de Cabo Verde estão disponíveis para compra na loja física da Café Store (rua Barão de Tatuí, 387 – Vila Buarque – São Paulo) até acabarem os estoques.

TEXTO Redação • FOTO Equipe Espresso

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Safra de café pode alcançar 64,1 milhões de sacas, estima IBGE

A produção brasileira de café em 2026 foi estimada em 64,1 milhões de sacas, segundo levantamento do IBGE divulgado na sexta-feira (13). O volume representa alta de 3,9% em relação à estimativa de janeiro e de 11,5% frente ao ciclo passado, podendo estabelecer recorde da série histórica da pesquisa, realizada desde 2002.

O crescimento é puxado pelo arábica, com produção estimada em 43,9 milhões de sacas. De acordo com o instituto, a safra de 2026 deve refletir a bienalidade positiva da cultura, além das condições climáticas favoráveis nas lavouras do Centro-Sul.

Em Minas Gerais, a revisão das estimativas de fevereiro apontou produção de 31,9 milhões de sacas, alta de 24,7% em relação a 2025. O estado deve responder por 72,6% da produção nacional da espécie.

Já o café canéfora tem produção estimada em 20,2 milhões de sacas, 3,7% abaixo do volume colhido em 2025. Em Rondônia, prevê-se colheita de 3 milhões de sacas de robusta, e no Espírito Santo, de 14 milhões de sacas de conilon.

Apesar do cenário positivo, persistem incertezas quanto ao volume e à regularidade das chuvas até abril, o que pode influenciar o desenvolvimento final da safra.

TEXTO Redação

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Brasil é finalista do prêmio de sustentabilidade da SCA 2026

A Specialty Coffee Association (SCA) anunciou os finalistas do 2026 Sustainability Awards, um dos reconhecimentos mais prestigiados da indústria global de cafés especiais. O Brasil conta com dois nomes na lista da categoria For-Profit (com fins lucrativos): a Fazenda Califórnia, no Norte Pioneiro do Paraná, e a SMC Specialty Coffees, empresa com sede em Guaxupé (MG) e que opera como a divisão de cafés especiais da Cooxupé. Ambas são integrantes da Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

“A SMC tem a sustentabilidade como base de sua atuação”, destaca Yana Guimarães, coffee trader da SMC. Além de projetos voltados para promoção da equidade de gênero no setor, o destaque vai para o Protocolo Gerações, um programa interno da Cooxupé/SMC que garante a aplicação de princípios ESG nas propriedades cooperadas. “Ele foi o primeiro programa de uma cooperativa aprovado pelo mecanismo de equivalência da Global Coffee Platform (GCP), que verifica padrões de governança, confiabilidade de dados e declarações de sustentabilidade dentro dos sistemas de produção de café”, explica.

A Fazenda Califórnia, por sua vez, chama a atenção na transição de um sistema degradado para um modelo de agricultura regenerativa, que inclui o reflorestamento da Mata Atlântica e a proteção de recursos hídricos. Segundo o documento entregue para a premiação, a propriedade também investe em inovação científica em parceria com universidades, com o objetivo de aprimorar pesquisas sobre fermentação e microbiologia, além de ativar promoções de impacto social por meio de programas de educação ambiental para crianças e capacitação técnica de funcionários.

O prêmio celebra empresas e projetos que inovam, colaboram e impactam positivamente a cadeia de valor do café, enfrentando desafios climáticos e sociais de forma replicável. Este ano, 45 inscrições foram recebidas, sendo 31 na categoria For-Profit (com fins lucrativos) e 14 na categoria Non-Profit (sem fins lucrativos). A escolha dos finalistas pela equipe técnica da SCA filtrou projetos capazes de compartilhar lições para o benefício do setor. 

Os finalistas serão, agora, avaliados por um painel composto pelos vencedores de edições anteriores do prêmio. Os vencedores de 2026 serão anunciados nas próximas semanas e homenageados oficialmente durante a World of Coffee, entre 18 e 20 de abril, em San Diego (EUA).

TEXTO Redação

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Serra de Baturité (CE) conquista IG para o café

Reconhecimento, na modalidade indicação de procedência (IP), reforça tradição cafeeira centenária do maciço cearense e destaca modelo de produção sombreada em sistema agroflorestal

O café da Serra de Baturité, no Ceará, acaba de conquistar o registro de Indicação Geográfica (IG), na modalidade Indicação de Procedência (IP).

O anúncio foi feito em 3 de março, dias depois da conquista do mesmo registro pela região cafeeira da Chapada de Minas. Com isso, o Brasil passa a somar 23 Indicações Geográficas reconhecidas para cafés.

A cerca de 100 km de Fortaleza, e encravada em uma área preservada de 32 mil hectares com remanescentes de Mata Atlântica, a Serra de Baturité — também conhecida como Maciço de Baturité — situa-se no centro-norte do Ceará e abriga 13 municípios (veja abaixo) que agora fazem parte da delimitação oficial da IG.

A região, montanhosa e de clima ameno e úmido, cultiva arábica desde o século XIX. Desde sua introdução no estado, o café impulsionou o desenvolvimento de cidades como Baturité, Guaramiranga e Pacoti.

Segundo o historiador Leonardo Norberto de Morais, em artigo sobre a região para o periódico Centúrias, políticas intervencionistas implementadas pelo extinto Instituto Brasileiro do Café (IBC) nas décadas de 1960 e 1970 tiveram impactos negativos sobre o cultivo tradicional do grão na Serra de Baturité.

Após esse período de retração, a produção foi gradualmente reestruturada com foco na sustentabilidade. Hoje, a região é conhecida pelo cultivo de café sombreado, em um modelo que integra lavoura e floresta.

Para receber o selo Café da Serra de Baturité, o café arábica deve ser cultivado em sistema agroflorestal e colhido de forma manual e seletiva.

Conheça os municípios da IP Serra de Baturité

Acarape, Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia e Redenção.

Saiba a história do café na Serra de Baturité

O café arábica chegou à Serra de Baturité em 1822. A boa adaptação do cultivo à região montanhosa, de clima ameno e úmido, favoreceu a fixação dos primeiros cafeicultores.

Nas primeiras décadas, o cultivo se expandiu e era comum que propriedades cafeeiras mantivessem engenhos de farinha de mandioca e açúcar.

No auge da produção serrana, entre as décadas de 1840 e 1910, os ganhos com a exportação do grão muitas vezes superaram os obtidos com o algodão, outro produto relevante do sertão cearense.

A partir dos anos 1870, a Estrada de Ferro de Baturité passou a escoar o café das serras para Fortaleza, de onde seguia para exportação à Europa.

O esgotamento dos solos, o cultivo a pleno sol e o desmatamento levaram à retração da cafeicultura local, posteriormente retomada com o cultivo sob sombra de árvores.

Essa prática — com plantio consorciado de frutíferas e outras culturas de subsistência — manteve a tradição cafeeira na Serra de Baturité até as intervenções do IBC, nas décadas de 1960 e 1970.

As políticas de modernização da época previam a erradicação de cafezais considerados “improdutivos” e incentivavam a diversificação agrícola e a renovação das lavouras, com foco no aumento da produtividade.

Fonte: Leonardo Norberto de Morais, “A partir do café, para além dele”,  Centúrias, n. 1. v. 3, 2023.

TEXTO Redação

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Plantio de café renasce na Argentina

A Argentina vem ampliando discretamente sua presença no mapa mundial do café ao apostar no cultivo de arábica em pelo menos cinco de suas províncias. Duas delas somam cerca de 58 hectares — Salta lidera, com 35 hectares, seguida de Tucumán, com 23 —, mas há plantios experimentais em Misiones, Corrientes e Jujuy, além de testes em andamento em Catamarca, La Rioja, Córdoba e Entre Ríos.

Em Tucumán, o governo municipal lançou, em setembro, um programa voltado à diversificação agrícola, direcionado a viveiros e a cerca de 30 produtores, para instalar lavouras das variedades bourbon e gesha. Em paralelo, Misiones conduz ensaios-piloto de café plantado em sistemas agroflorestais com cultivares de arábica.

Mas o café já tem história no país. Registros apontam cultivo em Tucumán ainda na década de 1880. Nos anos 1970, um programa estatal incentivou seu plantio em sistemas agroflorestais em Salta, Jujuy e Misiones, mas, nos anos 1990, as lavouras argentinas foram abandonadas.

Agora, as mudanças climáticas estão alterando o mapa agrícola e permitindo testar o café em pequenas áreas subtropicais. Segundo reportagem de setembro do Clarín, o ressurgimento da cafeicultura é visto pelo governo como oportunidade de geração de empregos rurais e, no longo prazo, como forma de reduzir a dependência de importações — em 2023, o país gastou US$ 109 milhões para importar café do Brasil, segundo a OEC (Observatório da Complexidade Econômica). Ainda de acordo com o diário, o único café plantado e comercializado atualmente no país é o Baritú, produzido nas yungas (florestas densas e úmidas) de Orán, ao norte de Salta, e vendido em duas cafeterias locais.

Apesar do estágio inicial — com volume reduzido e regularidade de safra ainda incerta —, o movimento ganha relevância. A Argentina projeta ter, em poucos anos, 8 mil hectares de café em Tucumán e arredores. Entre os desafios estão a seleção genética adaptada ao novo terroir, o manejo pós-colheita e a construção de uma cadeia de valor para cafés especiais.

TEXTO Redação

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OIC lança campanha para destacar papel do café no combate a desafios globais

Estratégia de comunicação para 2026 busca posicionar o café como vetor de desenvolvimento e parte das respostas a questões sociais e ambientais

A Organização Internacional do Café (OIC) lançou, nesta quinta-feira (26), em Londres, a campanha “O café faz parte da solução”, sua estratégia de comunicação global para 2026. A proposta é destacar a importância do café não apenas como produto comercial, mas como vetor de desenvolvimento socioeconômico nas origens produtoras e ator relevante no enfrentamento de desafios globais, como crise climática, sustentabilidade e desigualdade social.

A campanha também quer incentivar a ação coletiva no setor. Por isso, ao longo do ano, vídeos, dados, estudos de caso e interações entre parceiros e membros da organização vão enriquecer a divulgação, nas plataformas digitais da organização, de projetos, iniciativas e resultados que mostram como a colaboração entre agentes dos setores públicos e privados pode transformar estratégias em resultados. A ação vai chamar atenção, ainda, para o papel do setor na preservação do patrimônio cultural, no incentivo à inovação e no fortalecimento de laços entre países produtores e consumidores.

“Por meio desta campanha, queremos mostrar que, quando o setor trabalha em conjunto, o café pode fortalecer a resiliência, melhorar os meios de subsistência e contribuir de forma significativa para as soluções”, disse Vanúsia Nogueira, diretora-executiva da OIC, em anúncio da iniciativa.

Para estimular a comunidade global do café a divulgar exemplos de projetos com impacto social, a campanha destaca o uso da hashtag #CoffeeIsPartOfTheSolution. O vídeo principal da iniciativa, em quatro idiomas, está no canal da OIC no YouTube.

Para estimular a comunidade global do café a divulgar exemplos projetos com impacto social, a campanha destaca o uso da hashtag #CoffeeIsPartOfTheSolution. O vídeo principal da iniciativa, em quatro idiomas, está disponível no canal da OIC do YouTube.

TEXTO Redação

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Chapada de Minas conquista Indicação Geográfica para cafés

A região da Chapada de Minas, no Vale do Jequitinhonha, conquistou nesta terça (24) o registro de Indicação Geográfica (IG) na modalidade Indicação de Procedência (IP). O reconhecimento, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), é resultado do trabalho do Instituto do Café da Chapada de Minas (ICCM) com o Sebrae Minas.

Com a nova certificação, a Chapada torna-se a oitava região cafeeira reconhecida de Minas Gerais. Com 22 municípios e cerca de 5,8 mil produtores, a Chapada de Minas cultiva aproximadamente 30 mil hectares de café, com produção anual estimada em 400 mil sacas. A atividade envolve em torno de 20 mil empregos diretos e indiretos, consolidando a cafeicultura como eixo estratégico da economia regional.

O perfil sensorial dos cafés é caracterizado por doçura, corpo intenso e final prolongado, com acidez málica equilibrada e notas de chocolate, caramelo e frutas vermelhas. 

Pedidos de IGs no Brasil passam por um longo processo até serem aprovados. Embora o  pedido de registro tenha sido protocolado em setembro de 2024, desde 2018 o Sebrae Minas e o ICCM fazem capacitação técnica e gerencial dos produtores, além de inseri-los em programas de consultoria, para fortalecer a governança e a competitividade da região. O processo também incluiu a criação da marca-território “Chapada de Minas”.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Plantando além do cinturão do café

Nas colinas subtropicais da Austrália e nas fazendas ensolaradas da Califórnia, o café agora está sendo cultivado em áreas antes consideradas inadequadas para a produção comercial

Por Deniz Karaman (5thWave)

Nesta reportagem, Deniz Karaman, da 5thWave, investiga se essas novas origens estão se tornando indústrias escaláveis ou se continuarão como nichos de mercado que atendem a pequenas produções de culturas especiais de alta qualidade.

Fazenda de café na Austrália

Em dezembro de 2023, a plataforma World Coffee Portal revelou que a China tinha ultrapassado os Estados Unidos como o maior mercado de rede de cafeterias do planeta, depois de crescer impressionantes 58% naquele ano e alcançar 49,7 mil pontos de venda.

A maior parte do café que consumimos é cultivada no chamado cinturão do café, uma região equatorial entre 25o ao norte do Equador e 30o ao sul, onde climas tropicais fornecem as condições ideais para o cultivo. No entanto, mudanças climáticas, inovação agrícola e a crescente demanda global levaram agricultores a explorarem novas fronteiras para a produção de café.

Na Europa, houve esforços em pequena escala para cultivar café na Sicília, enquanto a Delta Cafés de Portugal tem experimentado o cultivo de café nos Açores. Porém, nas regiões subtropicais do leste da Austrália e nas terras férteis da Califórnia, nos Estados Unidos, surgiram pequenas indústrias comerciais de cultivo de café.

Austrália: paraíso subtropical

O café é um grande negócio na Austrália, país conhecido por torrar e preparar alguns dos grãos de mais alta qualidade do mundo. Em meados de 1800, diversas foram as tentativas de cultivo da planta em escala comercial por lá. Embora esses esforços não tenham sido bem-sucedidos, a Austrália tem sido o lar de uma indústria de cultivo de café em pequena escala desde a década de 1980.

De acordo com Rebecca Zentfeld, presidente da Australian Grown Coffee Association, o clima único do país e a ausência de pragas e doenças significam que uma indústria doméstica de cultivo de café está cada vez mais viável. “Não temos a broca e nem a ferrugem. Isso significa que podemos cultivar nossos grãos naturalmente sem pesticidas, o que é notável para terras de cultivo de café. Isso tem sido uma inspiração real para novos produtores entrarem nesse barco”, diz Rebecca, que em 1993 fundou a Zentfeld’s, uma das primeiras fazendas e torrefações de café verticalmente integradas da Austrália.

Rebecca Zentfeld em sua torrefação

Além do ambiente livre de pragas, o clima do país também influencia a maturação do café e um perfil de sabor único, diferenciando-a de outras regiões produtoras. As fazendas de café da Austrália estão localizadas em áreas subtropicais, como Nova Gales do Sul, Sudeste e Norte de Queensland, que têm um clima mais frio e altitudes mais baixas do que a maioria das fazendas nos trópicos. As fazendas australianas não dependem de grandes altitudes para o desenvolvimento dos sabores do café. Em vez disso, o clima naturalmente mais frio estende o período de maturação do grão, levando a um perfil de xícara mais complexo e doce.

“O clima mais frio nos permite cultivar café de altíssima qualidade. Nosso terroir traz uma doçura natural à bebida, algo que realmente buscamos em termos de qualidade”, conta Rebecca. Embora essas vantagens climáticas contribuam para a qualidade do café e perfis de sabor aprimorados, elas também moldam o cenário de negócios para os produtores australianos em termos de produção e posicionamento de mercado.

Atualmente, a Austrália tem cerca de 50 produtores de café, com tamanhos de fazenda variando de 15 a 300 hectares. Devido aos altos custos de terra e mão de obra, a produção em larga escala continua sendo um desafio. Como resultado, o café australiano atende principalmente ao mercado doméstico de especialidade, com um forte foco em vendas diretas ao consumidor por meio de plataformas online e agroturismo.

Ao contrário das regiões tradicionais de cultivo ao longo do cinturão do café, onde os custos mais baixos de terra e de mão de obra tornam a produção em larga escala viável, os altos custos da Austrália exigem que os agricultores adotem modelos de receita inovadores, como o agroturismo. “Os negócios de café australianos são comercialmente viáveis? A resposta é sim. Os impulsionadores do sucesso para os produtores menores no norte de Nova Gales do Sul e, particularmente, na região subtropical do sudeste de Queensland é que eles estão baseados em uma área de agroturismo atrás de Byron Bay, Noosa e Brisbane”, explica ela. “O agroturismo está nos ajudando a ser comercialmente mais viáveis ​​e a vender café diretamente aos consumidores”, completa. No entanto, os altos custos da terra significam que a maioria das fazendas de café australianas continua pequena, geralmente cobrindo de 15 a 30 hectares.

Fazenda de café na Austrália

Altos custos de mão de obra são outro desafio. Rebecca afirma que os produtores mais bem-sucedidos estão, agora, usando colheitadeiras mecânicas. Também seria extremamente benéfico para a incipiente indústria de cultivo de café da Austrália o maior acesso a novas variedades de café, que podem se mostrar mais resilientes às mudanças climáticas e produzir maiores rendimentos.

O país atualmente cultiva apenas duas variedades principais de arábica – o estoque original k7 queniano da década de 1980 e um catuaí. “Finalmente concluímos a pesquisa para garantir novas variedades para o país”, alegra-se Rebecca. “Por exemplo, a masalisa, uma variedade de propriedade francesa, a IPR 104 e a pareto, que são brasileiras, e há a parainema hondurenha chegando também. Estamos ansiosos para poder cultivar essas novas variedades em todas as novas áreas e produtores existentes na Austrália”, diz ela.

Enquanto alguns produtores maiores estão exportando seu café internacionalmente, a maioria dos cafeicultores australianos pretende atingir o mercado doméstico de café, calculado em US$ 12 bilhões. “A maioria dos produtores está buscando substituir as importações no mercado doméstico australiano. Dito isso, também há muito espaço para crescimento nos principais mercados especializados do norte da Europa e da Ásia. No futuro, é aí que planejamos aumentar as vendas de café australiano”, explica a especialista.

Califórnia: potência em especiais nos EUA?

Assim como o café australiano, a indústria do grão na Califórnia ainda está em sua infância e enfrenta desafios semelhantes em escalabilidade e adaptação climática.

A Frinj Coffee, uma das pioneiras no estado, é movida pelo desejo de fornecer aos agricultores safras de alta qualidade e desempenhou um papel crucial ao provar que o café especial pode ser cultivado lá com sucesso. “A Frinj está produzindo café por dois motivos: porque queremos fornecer aos agricultores californianos um cultivo alternativo de alto valor e porque achamos que o ambiente de cultivo único, aqui, produz alguns dos melhores cafés do mundo”, diz Jay Rusky, CEO e cofundador da Frinj.

Atualmente, há mais de 60 fazendas apoiadas pela Frinj cultivando café na Califórnia, cobrindo mais de 40 hectares. “Nossas principais cultivares são gesha, laurina, caturra, catuaí vermelho e pacamara. Também estamos trabalhando em algumas outras cultivares e híbridos, e, às vezes, lançamos variedades raras limitadas”, diz Rusky. Indicativo da posição de mercado premium da Frinj, os preços começam em torno de US$ 70 para um pacote de cinco onças (141 g).

Os produtores de café da Califórnia também estão encontrando novas maneiras de se adaptar ao clima local, com o café frequentemente cultivado ao lado de pés de abacate, que fornecem sombra e proteção contra ventos fortes.

Processamento na Frinj

“Hoje, demos um passo adiante ao nos inspirarmos em produtores locais de frutas vermelhas, que usam sistemas agrícolas protegidos para cultivar em terras marginais”, explica Rusky. “Agora, estamos usando com sucesso telhados de plástico transparente para ter mais controle ambiental e proteção contra o clima turbulento, como as ventanias que, recentemente, foram manchetes em todo o mundo”, completa ele.

Embora essas inovações ajudem os cafeicultores a gerenciar as condições locais, os padrões climáticos da Califórnia representam uma ameaça ao cultivo de longo prazo. O clima do estado é conhecido por ser propenso a flutuações extremas, variando de chuvas pesadas e inundações repentinas a ondas de calor e incêndios florestais, resultando em condições agrícolas difíceis. Rusky reconhece essa ameaça e a descreve como um desafio futuro fundamental. “Uma atmosfera mais quente leva a condições mais extremas. Na Califórnia é mais quente, mais frio e mais ventoso com mais frequência. Navegar por essas flutuações climáticas extremas será o desafio para a próxima geração de agricultores.”

Apesar dos desafios relacionados ao clima, Rusky acredita que o futuro do café californiano é comercialmente viável. Ele traça um paralelo entre a emergente indústria de café do estado e sua agora próspera indústria de vinhos, sugerindo que o café especial pode seguir trajetória semelhante. Ao reconhecer a natureza de longo prazo do cultivo de café, ele enfatiza que paciência e melhoras graduais são a chave para o sucesso. “Gostamos de pensar em nós mesmos como seguindo o caminho da indústria de vinhos da Califórnia nas décadas de 1970 e 1980”, diz ele. “Primeiro, as pequenas fazendas se tornam boas nisso, e então nós escalamos. O café é uma fruta de crescimento lento e leva de quatro a cinco anos para obter uma colheita. A Frinj plantou mais de 100 mil pés na Califórnia, então é apenas uma questão de tempo até que você veja mais dos nossos cafés em cafeterias de alto padrão”, acredita.

Rusky acrescenta que a vastidão das terras e uma base grande de consumidores norte-americanos também tornam o cultivo de café no estado um empreendimento que vale a pena, com um futuro comercialmente viável. “O Havaí tem sido muito bem-sucedido na produção de café e na criação de uma indústria próspera em torno dele. Acho que o sul da Califórnia está em uma situação semelhante. A diferença é que na Califórnia temos uma base de consumidores locais maior e muito mais terras, o que nos torna comercialmente mais viáveis”, diz ele, que acredita que há, também, potencial para cultivar café em regiões semelhantes, com climas mediterrâneos e boas fontes de água.

No entanto, um dos maiores desafios para a indústria do grão na Califórnia é o tempo: os pés de café levam anos para amadurecer, o que os torna um investimento de longo prazo. A adesão dos agricultores também tem sido lenta, mas, à medida que os métodos de produção melhoram e a indústria ganha força, mais produtores estão demonstrando interesse. “O tempo é nossa principal barreira”, diz ele. “A produção de novas safras em qualquer área leva bastante tempo e paciência. Os agricultores também precisam de algum convencimento, mas isso está se tornando mais fácil à medida que continuamos a desenvolver sistemas para produção de cafés de alta qualidade”, completa.

Fazenda Good Land Organics na Califórnia

Rusky observa que a Frinj tem planos de crescimento futuro e pretende expandir e continuar a nutrir novos empreendimentos comerciais e parcerias com fazendeiros e instituições de pesquisa. “Meu trabalho com café começou como um teste com o serviço de extensão agrícola da Universidade da Califórnia há mais de 20 anos. Hoje, a UC Davis estabeleceu um centro de pesquisa de café promovendo a ciência e a pesquisa do grão. Este é um dos relacionamentos mais importantes que queremos continuar a promover para a Frinj e para a indústria como um todo”, detalha ele.

Apesar do crescimento promissor, a Frinj enfrentou obstáculos significativos no ambiente de negócios de alto custo da Califórnia e, até mesmo, entrou com pedido de falência em 2024. No entanto, desde então, a empresa garantiu novo financiamento e agora está olhando firmemente para o futuro. “Tenho o prazer de anunciar que a empresa fechou uma rodada de financiamento da Série A. Este novo capital permitirá que a Frinj expanda suas operações na Califórnia”, garante o CEO.

O foco do crescimento da Frinj é dar suporte à rede de produtores, fornecendo equipamentos de última geração necessários para processar o grão e impulsionando o marketing para abrir canais de vendas para o café dos produtores californianos. “Hoje, você pode comprar café em nosso site e ficar de olho no nosso café colhido em 2024, sendo apresentado por alguns torrefadores americanos bem conhecidos”, diz Rusky.

Gesha da Frinj vendido na Blue Bottle

Os novos mundos aguardam

À medida que as mudanças climáticas ameaçam as regiões tradicionais de cultivo do grão com temperaturas crescentes, padrões climáticos erráticos e maior vulnerabilidade a doenças, a urgência em encontrar paisagens alternativas para o plantio de café tem sido cada vez maior.

Austrália e Califórnia surgiram como novas origens promissoras de café, aproveitando climas únicos para produzir especiais de alta qualidade. Embora essas novas fronteiras nunca substituam as potências cafeeiras tradicionais, principalmente quando se trata de produção comercial em massa, elas estão provando que o café especial de qualidade pode prosperar além do cinturão equatorial. Com pesquisa contínua, inovação e adaptação ao mercado, Austrália e Califórnia podem redefinir o cenário global do café, oferecendo resiliência e diversificação a uma indústria em fluxo.

Texto originalmente publicado na edição #88 (junho, julho, agosto de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Deniz Karaman (5thWave)

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Plataforma digital orienta replantio de café diante da crise climática

A plataforma gratuita CafeClima, lançada em 11 de fevereiro, foi desenvolvida para apoiar produtores, investidores e governos na renovação de lavouras envelhecidas diante do avanço das mudanças climáticas.

Criada pela World Coffee Research em parceria com a Bioversity International e o International Center for Tropical Agriculture (CIAT), a ferramenta cruza projeções climáticas com dados técnicos globais sobre o desempenho de 26 variedades estratégicas de café. As informações resultam de mais de uma década de pesquisas conduzidas pela WCR em colaboração com 18 países produtores. O objetivo é orientar a escolha de cultivares com maior probabilidade de adaptação a cenários climáticos futuros.

Disponível em inglês e espanhol, a iniciativa mira milhões de cafeeiros que já ultrapassaram a idade produtiva e precisam ser substituídos para garantir a sustentabilidade da produção.

Nos últimos 20 anos, cerca de US$ 1,2 bilhão foram investidos globalmente em programas de replantio, alcançando apenas 5% dos 11,5 milhões de pequenos produtores de café no mundo, segundo a WCR. De acordo com estimativas da TechnoServe — que apoiou o desenvolvimento do CafeClima com financiamento do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), além de outros aportes privados de empresas associadas à WCR — seriam necessários cerca de US$ 4 bilhões em sete anos para viabilizar uma transição ampla para sistemas produtivos resilientes ao clima.

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

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Uganda lidera exportações de café da África

Com aumento de volume embarcado e receita em 2025, país quer produzir 20 milhões de sacas anuais até 2030

Por Gabriela Kaneto

Em 2025, a Uganda se consolidou como maior exportador de café da África, superando a Etiópia em volume. De acordo com a Uganda Coffee Development Authority (UCDA), o país registrou crescimentos expressivos em relação a 2024: foram 8,7 milhões de sacas (60 kg) embarcadas (+48%) e US$ 2,5 bilhões em receita (+71%). 

Crescimento na cafeicultura

Apesar de cultivar as duas espécies, a nação tem como carro-chefe o canéfora (robusta), que representa 85% da produção total do país – e cujo preço aumentou cerca de 33% no último ciclo – os 15% restantes são arábicas produzidos em regiões de altas altitudes. Ainda que de produção pequena, as exportações deste grão mais que dobraram em 2025, com o embarque de 1,15 milhão de sacas. O principal motivo foram problemas climáticos enfrentados por outras origens produtoras.

O governo de Uganda pretende elevar a produção para 20 milhões de sacas anuais até 2030. A meta integra o Uganda Coffee Roadmap 2030, lançado em 2017 e coordenado pela UCDA, que prevê a distribuição de mudas de alta produtividade e a agregação de valor no país, com estímulo ao café torrado e solúvel.

De olho em novas fronteiras

Hoje, Uganda exporta café para diversos mercados, com destaque para Europa, Oriente Médio e Ásia — região com a qual busca ampliar relações comerciais. No fim do ano passado, o país firmou parceria com a Cotti Coffee, rede chinesa em rápida expansão. O acordo foi apresentado pelas autoridades como o início de “uma fase transformadora para o setor cafeeiro”.

Segundo a publicação Food Business Middle East & Africa, Uganda registrou forte avanço nas exportações para a China, com crescimento de 190% em 2025, impulsionado pela maior adoção do café ugandense por redes de cafeterias, torrefações e consumidores chineses. Para a Cotti Coffee, o país é parceiro “estratégico” de longo prazo, citando a consistência dos grãos, a diversidade e iniciativas de sustentabilidade na cadeia produtiva.

Ainda na Ásia, Uganda busca ampliar as exportações para o Japão, mercado com consumo crescente de café. Em setembro, o país participou da SCAJ, principal feira do setor na região, onde apresentou seus grãos a mais de 75 mil visitantes. “O Japão valoriza qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e autenticidade. Uganda oferece os quatro — e com volumes capazes de sustentar parcerias de longo prazo”, afirmou Tophace Kaahwa, embaixadora de Uganda no Japão, na abertura do evento, conforme vinculou o portal SoftPower News.

Uganda x Etiópia

No exercício fiscal 2024/25 (de 8 de julho a 7 de julho do ano seguinte), a Etiópia exportou 7,8 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Ethiopian Coffee and Tea Authority (ECTA). O volume gerou US$ 2,6 bilhões em receita, acima do registrado por Uganda. A diferença se explica, em parte, pelo perfil da pauta: a Etiópia exporta majoritariamente café arábica, cujo valor por saca costuma superar o do robusta.

Apesar do avanço nas exportações, Uganda ainda produz menos que a Etiópia. No ciclo 2024/25, a produção ugandense é estimada em 6,9 milhões de sacas, segundo o relatório anual do United States Department of Agriculture (USDA). Para o mesmo período, projeções de mercado apontam a safra etíope em cerca de 8,5 milhões de sacas de 60 kg.

Considerada o berço do café, a Etiópia mantém forte cultura de consumo interno: cerca de 50% da produção é absorvida pelo mercado doméstico, de acordo com o USDA, que projeta consumo de 4,1 milhões de sacas. Em Uganda, o mercado interno representa menos de 5% da produção, o que faz com que quase toda a colheita seja destinada à exportação.

TEXTO Gabriela Kaneto