Cafeteria & Afins

Khaleeji Qahwa Specialty Coffee – Poços de Caldas (MG)

O nome já revela parte da história da cafeteria. “Qahwa” significa café em árabe. “Khaleeji”, por sua vez, é o termo usado para designar os povos que habitam a região do Golfo Árabe, que reúne países como Omã, Kuwait, Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos. Este último é o país de origem do proprietário Amir Almadani Serah, que trouxe de lá referências culturais que imprimem identidade à casa. 

A cafeteria abriu as portas em junho, em Poços de Caldas, no Sul de Minas. A fachada já chama a atenção pelas três bandeiras hasteadas: Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Arábia Saudita. Logo na entrada, outro destaque é a máquina usada no preparo tradicional do café árabe. Nela, uma bandeja com areia aquecida recebe o recipiente de preparo. O contraste vem logo ao lado, com um filtro de barro tipicamente brasileiro. No balcão, equipado com máquina de espresso e outros acessórios, dividem espaço métodos de preparo e xícaras tradicionais árabes, sem alças.

No interior, o ambiente é estreito e comprido, quase um corredor. A decoração reúne referências árabes em cada detalhe. Em frente ao balcão, fotografias retratam a comunidade e autoridades dos Emirados Árabes Unidos. Ao fundo, grandes telas coloridas, pintadas pela esposa do fundador, ocupam a parede principal.

Pacotinhos de café à venda na casa e café feito na dallah

Além das banquetas para quem prefere acompanhar o trabalho do barista, a cafeteria conta com duas mesas coletivas, algumas poltronas e uma estante com livros. Também ficam expostos os pacotes de café vendidos pela casa, selecionados pelo fundador e torrados pela Gamers Coffee, de Poços de Caldas.

Por hora, o proprietário é quem atende os clientes, enquanto se prepara para formar uma equipe. Como ainda fala pouco português, a comunicação acontece principalmente em inglês. Quando isso não é possível, entram em cena a paciência, os gestos e, às vezes, a ajuda de amigos que fez no entorno da cafeteria.

O ponto alto da experiência é conhecer preparos tradicionais da bebida no Oriente Médio, como o cezve e a dallah. O primeiro utiliza um pequeno recipiente de cabo longo e rende apenas uma xícara de café. A recomendação é não beber até o fim, já que a moagem extremamente fina deixa um sedimento no fundo da xícara. Já a dallah, uma jarra de maior capacidade, serve várias porções. Aqui, o café é fervido por alguns minutos com especiarias – receita “secreta” da avó de Amir Serah. Nos dois preparos, o café utilizado era da variedade dawairi, lavado, cultivado no Iêmen. 

Cezve (à esquerda) e dallah

O cezve resultou em uma bebida encorpada, doce, com notas de chocolate meio amargo e leve menta, e acidez baixa. Na dallah a bebida lembrava um chá: era delicada, perfumada por especiarias (como cardamomo), mas preservava a doçura e a identidade sensorial do café. O uso de preparos tradicionais com cafés especiais cria um encontro interessante entre tradição e contemporaneidade. 

Embora o cardápio ofereça poucas opções de comida, todas as receitas têm origem familiar. Para acompanhar os cafés, a escolha foi o manakish. Conhecido como uma espécie de pizza árabe, é preparado sobre uma massa semelhante ao pão sírio, coberta com queijo muçarela e uma mistura de especiarias. A porção é generosa e pode ser compartilhada. Como manda a tradição, deve ser consumido com as mãos, dispensando os talheres. As especiarias dão complexidade ao prato, e a cobertura permanece úmida na medida certa, sem excessos.

A cafeteria também oferece cafés brasileiros filtrados na v60 e no origami, além de espressos, cold brew e drinques à base de leite. Pedimos um coado na v60, feito com grãos produzidos em Santa Rita de Minas, de processamento lavado. Na xícara, a bebida apresentou notas de chocolate e caramelo, corpo cremoso e acidez equilibrada. Para harmonizar, a escolha foi o bolo do dia, preparado por Serah, e cuja receita ele não releva. Seu sabor adocicado e suave – uma composição equilibrada entre especiarias e castanhas – fez uma combinação agradável com a acidez média do filtrado, um café adequado para tomar mais vezes ao dia. 

Manekish (à esquerda) e bolo do dia

Nossa conta: R$ 102
Café no cezve – R$ 13
Café na dallah – R$ 27
Manakish – R$ 27
Bolo do dia – R$ 17
Coado na v60 – R$ 18

A Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Pernambuco, 710
Bairro Centro
Cidade Poços de Caldas
Estado Minas Gerais
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

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