Coluna Café por Convidado Especial

Do campo à xícara, profissionais convidados refletem sobre o setor

Inovação e tecnologia e a sustentabilidade

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Quem nunca, ao visitar uma fazenda de café, procurou encontrar maquinário histórico ou ver sacas de juta com marcas antigas? Quem nunca, ao visitar uma vinícola, preferiu tirar fotos dos barris de carvalho em vez dos tonéis de aço inox?

Reconectar-se com o passado é confortante, reforça nossa cultura e nossa história e, de certa forma, nos dá a sensação de um tempo mais calmo. Voltamos à origem. Porém, o presente nos impõe um grande desafio: garantir a produção com volume e qualidade para atender aos mercados, gerar valor econômico e preservar o planeta.

Impossível garantir volume e qualidade com técnicas antigas, mas também é insustentável expandir áreas ou abusar de defensivos. A saída é melhorar a eficiência, produzir mais e melhor com a mesma área e aprimorar e evoluir com técnicas que contribuam para a preservação dos ecossistemas.

No Cerrado, grande parte das fazendas faz colheita mecanizada. Além disso, na Daterra, temos um sistema de irrigação por gotejamento e nossos sistemas de seleção de café por via úmida e seca usam equipamentos de última geração.

Essa escolha pela tecnologia e inovação contínua passa muitas vezes a imagem oposta: que todo esse processo torna o nosso café distante da origem.

É exatamente o contrário. Na Daterra investimos continuamente para replicar em uma escala perfeita a mesma precisão com que se processa uma amostra de café, minimizando ao máximo o impacto ambiental. Mas, para isso, ampliar a curiosidade, quebrar paradigmas e pesquisar são atitudes essenciais para inovar.

Não é preciso ser um grande produtor ou um pequeno orgânico. A saída é um blend equilibrado entre os objetivos e as necessidades econômicas do produtor, equacionado com as possibilidades agrícolas. Ter um tablet no campo consolidando as informações em tempo real sobre solo, água e, consequentemente, mostrando a real necessidade de um nutriente é tão inovador e relevante quanto aprender com a cultura orgânica a melhor compostagem para equilibrar o solo.

Dessa forma, ser sustentável atualmente vai muito além dos critérios de uma certificação. Deve ser acima de tudo uma adequação das possibilidades de cada produtor com o objetivo comum de produzir sem gerar impacto negativo no meio ambiente.

*Isabela Pascoal é diretora executiva da Fundação Educar DPaschoal e responsável pelo desenvolvimento sustentável da Daterra Coffee. Fale com a colunista pelo e-mail colunacafe@cafeeditora.com.br

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

ILUSTRAÇÃO Eduardo Nunes

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