Café & Preparos •

Seja o seu próprio artista: passo a passo para desenhar com o leite no café

Com as cafeterias em expansão e a chegada da era digital, o latte art é uma opção que muitas vezes se destaca nos cardápios mundo afora. Apesar dos inúmeros desenhos possíveis, a bebida consiste basicamente em café com leite. Mas, se levarmos em consideração o lado mais artístico, a superfície da bebida é uma tela em branco em que o barista pode fazer o que quiser!

São duas as técnicas para preparar um latte art: free pour e sketching. Na primeira, os desenhos são feitos apenas despejando o leite sobre o espresso e formando os desenhos através dos movimentos do barista. Na segunda, além do leite, utilizam-se utensílios e cores para incrementar a arte.

Nessa bebida, o leite é tão importante quanto o espresso e, por causa do processo de vaporização, requer muito mais atenção durante o preparo. Para garantir um bom resultado, além da prática com as mãos, é necessário ter um leite bem vaporizado, liso e cremoso. Por isso, confira o processo e atente para as dicas!

Vaporização do leite

Na teoria, essa etapa consiste basicamente na injeção do vapor sobre o leite através do bico vaporizador presente nas máquinas de espresso. Na prática, é aconselhável tomar algumas providências em relação às características do leite.

Segundo o barista Eder Ferreira, bicampeão brasileiro de latte art, é importante que o leite tenha alto teor de gordura e proteína. “São elas que se expandem durante a vaporização, dando homogeneidade e ajudando na hora de preparar o desenho”. Eder explica que é possível utilizar vários tipos de leite, mas, quanto maior o nível dessas substâncias, mais cremoso será o resultado final, por isso é indicado o uso da bebida integral.

Além disso, um fator importante é a temperatura. Como o processo de vaporização é rápido, dura menos de um minuto, o leite precisa atingir o ponto correto de cremosidade. Para isso, é preciso leia mais…

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Daniel Ozana/Studio Oz

Cafezal •

Terra fértil para o café

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O empreendedorismo de Arthur Moscofian Jr. transformou o solo degradado da Fazenda Santa Mônica, em Machado, no Sul de Minas, em terreno produtivo para os grãos de qualidade

Arthur Moscofian Jr. poderia não ter se tornado cafeicultor se tivesse se deixado abalar pelo que viu há exatos quarenta anos: a geada que dizimou os cafeeiros de seu pai, no Paraná, e diminuiu as extensões dessa lavoura no estado que encontrou ao longo do tempo outras vocações agrícolas. Na época, Arthur filho, como é chamado pela família, tinha apenas 15 anos de idade e acompanhar o pai de São Paulo ao Paraná era a grande viagem de sua vida. Não poderia supor que um dia rodaria o mundo.

Por teima, devoção a São Jorge (o santo protetor de toda a sua família, de origem armênia) ou espírito empreendedor, o produtor de cafés especiais alcançou altos índices de produtividade (80 sacas por hectare) e abre a porteira da Fazenda Santa Mônica, em Machado, no Sul de Minas, com o propósito de contar em detalhes como chegou a colher 5 mil sacas por safra de uma bebida que atinge em média 82 pontos – a Brazil Specialty Coffee Association (BSCA) classifica o café com pontuação acima de 80 na categoria especial. “Trabalho agora para alcançar os 90 pontos”, revela.

Os resultados que Arthur colhe agora são fruto de uma observação sagaz do passado, do emprego de tecnologia e de nenhum receio de ousadia. Há vinte anos, o produtor, que era dono de vários restaurantes em São Paulo, escutava sempre a mesma resposta quando perguntava aos clientes se haviam gostado do cardápio. “A comida é ótima, mas o café…”, diziam.

De tanto ouvir a mesma frase, Arthur decidiu ele próprio cuidar do café, do plantio à bebida que iria oferecer em seus restaurantes. “Embora estivesse em outro ramo, a família nunca abriu mão de se dedicar à agricultura, com plantações que iam do café à folha de uva para charutos”, comenta.

Para conseguir o café desejado, o produtor começou sua tarefa do zero. Adquiriu a propriedade em Machado – rebatizada de Fazenda Santa Mônica – sob olhares desconfiados. Afinal, o que queria ele com aquela terra de solo pobre e degradado, voltado para a pecuária leiteira e com poucos pés de cafés, velhos e malcuidados? “Eu queria o ‘terroir’ da região, que proporciona à bebida aroma intenso, açúcares e óleos essenciais”, explica.

Quanto ao intenso trabalho para pôr tudo no jeito, como desejava, a propriedade foi uma boa escolha, segundo ele. “Comecei do zero, mas com o projeto que imaginei”, conta o produtor que não teme grandes obras. No seu currículo de engenheiro civil (profissão que tocava paralelamente aos restaurantes) constam 620 construções entre pontes, escolas, hospitais e postos de saúde.

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Dividir para entender
Como havia planejado, o cafeicultor fez da Santa Mônica sua fazenda modelo ao começar a corrigir o solo em busca de fertilidade. Depois dividiu a propriedade em sete setores (a fim de ter um diagnóstico mais preciso do desempenho das áreas de lavoura) e escolheu as variedades mundo novo, catuaí amarelo e vermelho. Os pés são plantados no sistema semiadensado, com uma distância de 70 centímetros entre eles e espaçamento de 3,8 metros entre as ruas. Análises de solo e foliar são feitas duas vezes por ano para que o cafezal não seja surpreendido por um desequilíbrio nutricional.

Para que os cafeeiros se desenvolvessem e de certa maneira se blindassem contra a seca que castigou as regiões produtoras dessa cultura nos dois últimos anos, o produtor já havia implantado a fertirrigação – irrigação por gotejamento acompanhada de uma mistura de adubo e agroquímica.

O produtor adotou também o sistema safra zero, difundido nos dias de hoje, mas que na época não era bem-visto entre os cafeicultores tradicionais. Trata-se de uma técnica de poda da ponteira e das laterais dos cafezais após a colheita do ano da safra alta. Como se sabe, o café é marcado por sua bianualidade – um ano farto e outro mais fraco. Com o safra zero, implantado de forma alternada, os pés ficam um ano sem produzir, mas rendem o dobro no período seguinte, segundo ele. A intenção do produtor é aumentar a produtividade sem expandir a área. “Meta mesmo é continuar plantando cem frutíferas por ano para repovoar a área com pássaros, bugios e gatos-do-mato”, conta.

Para o ano que vem, ele planeja suspender a lavagem e separação de grãos da fazenda feita pelo lavador e usar apenas o seletor óptico, equipamento que separa os grãos cereja, verde e boia por meio do reconhecimento da cor deles. Conforme o produtor, a vantagem está na economia de água, na diminuição do tempo de secagem e na seleção perfeita dos grãos, o que influenciará na qualidade da bebida.

No entanto, todo esse modelo para alcançar cafezais produtivos e chegar à bebida desejada desembocou em outra vocação de Arthur Moscofian Jr. – o empreendedorismo. “Se eu precisava de um café especial para atender aos meus restaurantes, outros haviam de passar pelo mesmo”, comenta. Ao focar esse nicho de mercado, o produtor-empresário investiu em uma torrefação e hoje fornece para mais de 2 mil pontos de vendas entre restaurantes, cafés e padarias.

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Arthur quer tornar mais visível a produção de queijos da região

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Doce combina com café e é impossível resistir a parada na Reserva de Minas

Perto do cafezal
Arthur faz questão de aproximar seus clientes do campo. Com muita frequência, ele promove visitas à propriedade, quando não abre mão de mostrar os plantios, falar das técnicas de um jeito simples para a fácil compreensão de todos e reforçar que a fazenda só trabalha com o café ao natural, cujo grão seca com a casca, o que permite que os açúcares da polpa migrem para a semente. “Depois de seco e beneficiado, o café descansa até seguir para a torrefação ou exportação”, diz.

Cerca de 70% do café produzido pela fazenda tem o comércio internacional como destino (ele pretende dar início à venda de uma pequena parcela de café torrado em 2016) e os outros 30% ficam no mercado interno que, desde julho, passou a receber cápsulas do café Santa Mônica.

Os grãos da fazenda ficam guardados em big bags na Cooperativa Agrária de Machado (Coopama), na qual o produtor integra a lista de 1.800 cooperados, e aonde suas visitas também são levadas para um tour. “É importante que o cliente se dê conta de que existe uma rede até o café chegar ao estabelecimento dele. Ninguém faz nada nesta vida sozinho”, diz.

Arthur podia estar com o “burro amarrado na sombra” – ditado antigo para quem já alcançou uma vida confortável –, mas não consegue ter sossego. Ele procura disseminar suas ideias empreendedoras por potenciais negócios na cidade e que não necessariamente estão relacionados ao ramo da cafeicultura.

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Colheita mecanizada na propriedade, que tem área plantada de 96 hectares

Café com queijo
A amiga Albany Salles Dias não se arrepende do dia em que ela e o marido convidaram o cafeicultor e o pai dele (o Arthur pai) para almoçarem em sua casa. Na hora da sobremesa, ela serviu um doce de nata que costumava fazer com a sobra do leite da fazenda. Na mesma hora, pai e filho perguntaram por que ela não começava a vender aquela iguaria. “Fazia apenas para os de casa e não sabia reconhecer o potencial de receitas tradicionais”, conta.

Mas Albany prestou bem atenção no conselho dos amigos e aos poucos passou a comercializar os seus doces caseiros. Foi dessa forma que nasceu há dezoito anos a Reserva de Minas, que hoje conta com 4 mil pontos de venda em todo o País. O campeão continua sendo o doce de nata, mas tem também o de leite, o de frutas, a cocada, etc.

Hoje, quase toda a família está envolvida no negócio e a “pequena portinha” que montaram no Km 445 da BR 267 se tornou um empreendimento que conta agora com 108 funcionários, fábrica em processo de ampliação e posto de parada para os viajantes. “Passamos nossos dias aqui, neste pedaço doce”, diz Albany.

Agora, Arthur quer motivar os amigos da Cooperativa Regional de Produtores de Leite de Serrania (Corples), município vizinho a Machado, a tornar mais visível a produção de queijos, incluindo tipo parmesão, frescal, requeijão, manteiga e o próprio leite, para além das cercanias da cidade. “Os produtos são de excelente qualidade e não têm por que ficar conhecidos apenas por aqui”, comenta.

Segundo o diretor da cooperativa, João Batista de Figueiredo, os 350 produtores associados entregam, em média, 100 mil litros de leite por dia – 60% são direcionados para grandes laticínios e o restante é industrializado pela Corples. “Acho boa a ideia de nos mostrar mais ao mercado, pois estamos no ramo há 38 anos”, diz Figueiredo.

Para Arthur, basta que a cooperativa comece a participar de algumas exposições e até mesmo do próprio setor da cafeicultura. “É só juntar o café com o queijo, a mais deliciosa das combinações mineiras”, aconselha o cafeicultor, que às 5 da manhã já se encontra pronto para a lida.

Ficha técnica

FAZENDA Santa Mônica
LOCALIZAÇÃO Machado (MG)
REGIÃO Sul de Minas
ALTITUDE MÉDIA 1.000 metros
PRODUÇÃO ANUAL 5 mil sacas
ÁREA TOTAL 150 hectares
ÁREA PLANTADA 96 hectares
NÚMERO DE CAFEEIROS 432 mil
COLHEITA mecanizada
PROCESSAMENTO natural
SECAGEM terreiro (pátios de secagem) e secador mecânico
VARIEDADES mundo novo, catuaí vermelho e amarelo
CERTIFICAÇÕES UTZ Certified, Certifica Minas Café e Ascafea

(Texto originalmente publicado na edição impressa da Revista Espresso – única publicação brasileira especializada em café. Receba em casa. Para saber como assinar, clique aqui).

TEXTO Janice Kiss • FOTO Alexia Santi, Agência Ophelia

Barista •

TNT em São Paulo abre inscrições para baristas

latte_cafe_barista Baristas de São Paulo ou os que tiverem de passagem pela cidade terão a oportunidade de competir pelo melhor latte art este mês. O Thursday Night Throwdown (TNT), geralmente realizado às quintas-feiras como o próprio nome já indica, acontecerá no próximo dia 27 de novembro, em uma sexta-feira, no clima de happy hour para o fim de semana. O TNT, desafio que elege os melhores desenhos feitos com leite no café, será realizado na Espresso Art, na Chácara Santo Antônio e a entrada é franca. As inscrições para a competição custam R$ 10 e a premiação é de R$ 800, além de brindes para os vencedores. Serviço Data: 27 de novembro Local: Espresso Art – Rua José Vicente Cavalheiro, 314 – Chacará Santo Antônio – São Paulo (SP) Inscrições: R$ 10 Mais informações: barista@espressoart.com.br ou (11) 94256-0123 (Whatsapp – José Cordeiro) e 94967-4895 (Whatsapp – Ale Borges)

TEXTO Da redação • FOTO Vitor Barão/Café Editora

Barista •

Campeã mundial de latte art dá curso em São Paulo

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Nesta segunda-feira (3/8), a barista russa Victoria Kashirtseva, que venceu o Campeonato Mundial de Latte Art 2012, vai ensinar técnicas de desenhos com leite em bebidas à base de café espresso em um workshop em São Paulo (SP).

A aula, voltada para baristas e profissionais da área, acontece no Octavio Café e as vagas são limitadas. A barista está no Brasil para o International Internship Program da O’Coffee – um programa de intercâmbio do grupo de fazendas produtoras do Octavio, em Pedregulho (SP) e, atualmente, trabalha na cafeteria Double B coffee & tea, em Moscou.

As inscrições para o workshop devem ser feitas antecipadamente.

Serviço
Workshop de Latte Art com Victoria Kashirtseva
Data: 3 de Agosto
Horário: das 19h às 22h
Local: Octavio Café – Av. Brigadeiro Faria Lima, 2996
Valor: R$ 100 por pessoa
Vagas: máximo de 20 pessoas
Inscrição e mais informações: cursos@octaviocafe.com ou (11) 3074-0110

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação

Barista •

Competição TNT acontece em São Paulo

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No próximo dia 29 de julho, a Espresso Art, em São Paulo (SP), recebe mais um evento TNT (Thursday Night Throwdown), disputa entre baristas para obter o melhor latte art – desenho feito com leite no café espresso. A competição é aberta a qualquer barista que queira participar e a inscrição é gratuita e obrigatória. Para acirrar ainda mais a disputa, a Espresso Art vai oferecer R$ 1.500 aos baristas que alcançarem os três primeiros lugares. O valor será dividido em acordo ao final do evento entre os primeiros colocados.

Serviço
TNT na Espresso Art
Data: 29 de julho (quarta-feira)
Horário: a partir das 19h
Local: Rua José Vicente Cavalheiro, 314 – Chácara Santo Antônio – São Paulo (SP)
Inscrição: gratuita, por Whatsapp: (11) 94256-0123

TEXTO Redação • FOTO Victor Brandão/Café Editora