Barista •

Casa Hario oferece workshops sobre preparo de café

Localizada em São Paulo (SP), a Casa Hario, primeira e única cafeteria da marca japonesa Hario no mundo, oferece três workshops que abordam o preparo da bebida. Ministradas pela educadora e mestre de torra Regina Machado, as aulas acontecem na própria cafeteria, nos primeiros três sábados do mês, com duração de 3h. As vagas são limitadas (de 6 a 8 alunos por turma) e as inscrições podem ser feitas aqui.

Ideal para iniciantes, o workshop “Introdução aos cafés especiais” (R$ 390) mostra as principais diferenças entre cafés tradicionais e especiais, além de ensinar o preparo da bebida nos métodos v60 e switch. Para quem deseja expandir os conhecimentos, o “Mundo café Hario” (R$ 390) explora a teoria e a prática dos métodos, como v60, sifão, french press. Por último, o “Laboratório Hario” (R$ 490) é voltado para aqueles que têm experiência e querem se aprofundar em conteúdos técnicos com foco em ajuste de variáveis, como moagem, temperatura e tempo de preparo. 

Serviço
Workshops Casa Hario
Onde: Casa Hario – rua Manuel Guedes, 426 – Itaim Bibi – São Paulo (SP)
Horário de funcionamento da casa: seg. a sáb., das 9h às 23h; dom., das 11h às 18h
Inscrições: www.eventbrite.com
Mais informações: www.instagram.com/casahario 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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A fatura do caos

“A inflação é o caos em sua forma mais eficiente e arrasadora”
Monica de Bolle

A Torre de Babel, na narrativa bíblica, trata do mito sobre a construção de uma torre que deveria alcançar o céu. Diante dessa arrogância humana, Deus, indignado, criou os diversos idiomas, impedindo-os de continuar a obra proposta, pois se tornaram incapazes de mutuamente se entender. O mito narra o surgimento do caos no seio da civilização, ou melhor, uma imagem de sua barbárie.

Parte dos cidadãos estadunidenses celebram os primeiros dez dias de novo presidente, e a outra parte começa a se posicionar contrariamente aos seus atos iniciais. Entretanto, dois tópicos despertam a atenção de toda a humanidade: a elevação dos impostos para os produtos importados pelos EUA e a radicalização da política imigratória com repatriações em massa.

Ambas as políticas terão impactos significativos no bem-estar dos estadunidenses. Sem a força de trabalho representada pelos imigrantes (documentados ou não), muitos ramos econômicos serão estressados. A agropecuária, os serviços em hotéis, bares e restaurantes, as obras de infraestrutura, a construção civil, entre outros, estão afetados pelo temor dos imigrantes trabalhadores de serem caçados, algemados e repatriados, em algumas situações, com requintes de crueldade e sevícia.

Paralelamente, a imposição de taxas para as mercadorias importadas pode desencadear uma guerra comercial planetária, com enorme potencial de reduzir a expansão econômica das nações, uma vez que o crescimento econômico e o avanço do comércio internacional possuem covariância positiva, ou seja, quando um cresce, o outro também e vice-versa.

A liderança econômica/militar global dos EUA vem, progressivamente, sendo corroída, gerando um sentimento de declínio enquanto potência mundial. Tal sentimento concede ensejo para o surgimento de políticos populistas, oferecendo soluções fáceis, porém erradas, para problemas complexos.

Conjugadas, ambas as políticas tendem a resultar em elevação dos preços, ou seja, mais inflação. O desdobramento de processos inflacionários corroem as capacidades de governabilidade das nações, ou seja, preparando um contexto para a produção do caos.

Quando surgem processos inflacionários generalizados, abrangendo todos os continentes (desdobramento da mútua imposição de tarifas alfandegárias), a riqueza representada pelas moedas é dilapidada, redirecionando o interesse em buscar proteção patrimonial nas mercadorias, especialmente, aquelas negociadas em Bolsa de Valores, como, por exemplo, o café.

Atualmente, o mercado mundial de café atravessa severa restrição de oferta. Decorrentes de problemas originados pelas mudanças climáticas, os principais países produtores exibiram substancial redução de oferta, o que levou a um paulatino consumo dos estoques remanescentes. Porém, para fazer frente a um incessante aumento da demanda, sendo o caso recente mais emblemático a procura por café pelos chineses, os estoques se exauriram e todo o mercado passou a atuar, no jargão comercial, da “mão para a boca”. 

Tal situação foi antecipada pelo mercado de cacau, outro produto tropical que, em menos de vinte e quatro meses, registrou elevação de cinco vezes em sua cotação média histórica. No mercado de café, esse mesmo cenário se repetiu com o registro de cotações em máximas históricas (similares às alcançadas quando da geada negra de 1975). Assim, se soma ao contexto de suprimento limitado e a demanda aquecida o fator econômico da pressão inflacionária.

A Bolsa de Nova York, no ano civil, movimenta em papeis dez safras mundiais de café. A busca por proteção patrimonial por meio da aquisição de contratos representados pelas mercadorias transacionadas será pressionada em detrimento da corroída moeda. A consequência imediata consiste na manutenção das cotações com possíveis novas altas, pressionada pelo crescente número de contratos de compra em aberto.

O ambiente de negócios sempre navegou em cenários de incerteza e de risco. A cafeicultura enfrentou o lockdown imposto pela pandemia; em seguida, houve as três ondas de massa polar com geadas generalizadas pelos cinturões cafeeiros; as altas temperaturas prejudicando o pegamento (ramos banguelas) e diminuindo o tamanho dos grãos e, na atual safra, a longa estiagem de 2024 que, em muitos casos, trouxe perdas de 30% a 40% na produção antes esperada.

Às incertezas e riscos intrínsecos de uma indústria a céu aberto se soma, neste momento, a incerteza de natureza política (uma verdadeira marcha da insensatez) e o medo (repatriação dos imigrantes). Formou-se o caos. A resposta imediata do FED estadunidense será subir juros para conter a inflação. Frente ao caos há somente uma solução, a fatura dos malfadados juros altos. Nisso, as autoridades monetárias brasileiras são useiras e vezeiras. Pois que venham os estadunidenses tomar cá algumas lições.

TEXTO Celso Luis Rodrigues Vegro - Eng. Agr., MS, Pesquisador Científico do IEA - celvegro@sp.gov.br 

Mercado •

O consumo de café no Brasil cresceu 1,11%

Dados coletados pela Abic até outubro do ano passado revelam também que o consumo per capita diminuiu 2,2% no país; quanto à falta de café no mercado, o país está preparado para o enfrentamento

O consumo de café no Brasil cresceu 1,11% em 2024, conforme dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) apresentados em coletiva de imprensa nesta quarta (5). Isso significa que os brasileiros consumiram 21,92 milhões de sacas em 2024, contra 21,67 milhões em 2023.

Já o consumo per capita de café torrado e moído entre 2023 e 2024 caiu 2,2% (de 5,12 kg por habitante por ano para 5,01), por conta do crescimento da população (a Abic utilizou a base populacional feita pelo IBGE, que cresceu). Os dados acima foram coletados entre novembro/outubro de 2023 e novembro/outubro de 2024.

Questionado pela Espresso se faltará café no mercado interno por conta da pequena oferta atual, Pavel Cardoso, presidente da Abic, nega que tenhamos problemas. “Sempre há estoques reguladores nos países produtores e exportadores. Por conta da EUDR, as importações europeias foram aceleradas para estoque”, diz ele.

Embora a safra brasileira de 2025 seja “ligeiramente menor”, nas palavras de Cardoso, para Fábio Sato, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e que também participou da coletiva, a safra brasileira poderá trazer alívio para essa baixa oferta. Segundo Edvaldo Frasson, presidente do Sindicafé-SP, “a indústria está preparada”.

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Mercado •

Lançamentos da Carmomaq para torrefação e empacotamento de café

Várias marcas do mercado aproveitam a Semana Internacional do Café para fazer seus lançamentos. A Carmomaq, que atua no setor de equipamentos, apresentou três novidades. Uma delas foi a empacotadora Exatto, que visa facilitar o trabalho de envase de pacotes de café nas microtorrefações e cafeterias. Em vez de realizar um processo manual de dosagem dos grãos, o equipamento, que comporta de 15 a 20 kg de café, permite que o usuário programe a quantidade desejada por pacote e faça um empacotamento sequencial.

Além da Exatto, as outras duas novidades são os torradores Caloratto Pro Roaster e Stratto Lab. O Caloratto, disponível em versões para 5 kg, 10 kg, 15 kg e 30 kg, tem sistema de automação embarcado, que permite ao usuário pernalização e maior controle. Já o Stratto Lab, 100% elétrico, é portátil, com capacidade para 250 g, ideal para torras de amostras e pequenos lotes.

Mais informações: www.carmomaq.com.br

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

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Equador: a última fronteira do café sul-americano?

De todos os países sul-americanos que produzem café, o Equador talvez seja aquele cuja produção ainda é a mais subestimada no Brasil. O país, relativamente próximo de nós, está encurralado entre tradicionais produtores, como a Colômbia ao norte e o Peru ao sul, além da cordilheira dos Andes ao centro e da floresta amazônica ao leste.

A produção equatoriana é superior até mesmo a algumas origens consolidadas, como El Salvador e Ruanda. O país andino chega a produzir cerca de 50% a mais do que El Salvador e três vezes mais do que Ruanda, segundo dados da Organização Internacional do Café (OIC).

Além disso, é um dos poucos países com produção funcional tanto de arábica como de robusta. A produção anual gira em torno de 700 mil sacas, o que coloca os equatorianos em um honroso posto entre os vinte maiores produtores de café do mundo. Se considerarmos apenas os países que produzem tanto arábica quanto robusta, o Equador sai com um ainda mais honroso posto de oitavo maior produtor do mundo. 

Mas como é possível um país ter uma produção tão diversa? Ou ainda, como é possível que a maioria do público leigo, e até mesmo boa parte do público especializado do café, não conheça muito bem esta origem? Existe café de qualidade por lá? Estas três perguntas não são tão simples de responder, e envolvem fatores diversos como a geografia, a economia e, até mesmo, a criminalidade do país. 

Comecemos pela diversidade da produção. O Equador tem três zonas geográficas bem definidas: litoral, serra e costa. No litoral está Guayaquil, a cidade mais rica e populosa. Esta região costeira tem clima tropical parecido com o das regiões costeiras do Brasil e abriga o porto mais importante do Pacífico equatoriano. Além disso, o terreno na zona costeira é relativamente plano e de fácil manejo. Portanto, a produção do café robusta em larga escala pode prosperar, apesar da enorme tradição regional no cultivo de frutas. Existe ainda a produção do cacau, sendo país o quarto maior produtor mundial, com nada menos do que o dobro da produção brasileira. 

Ao leste, as regiões amazônicas equatorianas também contam com produção de robusta, restando ao arábica as zonas serranas que cortam o país ao centro no sentido norte-sul.

A maioria do público entusiasta de café não conhece o Equador justamente pelo país ser eclipsado pelos seus vizinhos e pela estrutura do mercado de café local. Com fronteiras extensas, pouco fiscalizadas e muitas vezes tomadas por serras e florestas, o tráfico de café do Equador para a Colômbia e o Peru acontece de maneira exacerbada. E, ainda, as torrefações locais não têm condições de competir com o preço pago pelas empresas colombianas e peruanas. Assim, o consumidor equatoriano acaba tomando seu próprio café torrado e empacotado na Colômbia ou, até mesmo, no Peru. 

Além disso, o conhecimento de cafés especiais tanto por parte dos consumidores como dos produtores ainda é limitado, o que dificulta o desenvolvimento da cadeia de especialidade. A única exceção acaba sendo, de certa maneira, o café solúvel, que tem no Equador uma indústria organizada e capaz de atender as demandas internas e, até mesmo, externas.

Por último, vale dizer que os fundamentos do terroir equatoriano não difere, em larga medida, do colombiano nem do peruano. Portanto, o país tem um enorme potencial de produção de cafés especiais. Além do mais, o país tem diferenciais de marketing para a comercialização de cafés de alta qualidade de dar inveja a qualquer outro produtor: o café produzido nas Ilhas Galápagos e a complexa cadeia de vulcões espalhada pelo país e que oferece solos ricos e experiências complementares ao consumo do café.

Mesmo que o país ainda tenha um longo caminho a percorrer para melhorar a qualidade dos seus grãos, já se pode notar algumas marcas tentando elevar o nível do produto ofertado e algumas cafeterias especializadas surgindo por Quito, a capital do país, que tem 1,8 milhões de habitantes – dez por cento da população equatoriana. 

Para o desenvolvimento da cafeicultura local a demografia equatoriana é uma vantagem, pois conta com uma população jovem, cada vez mais urbana e vivendo em uma economia dolarizada. 

Se, por um lado, o jovem urbano está mais interessado pelo consumo da bebida, ele acaba fazendo falta no trabalho do campo e na sucessão rural. A questão da economia dolarizada acaba influenciando, e muito, os hábitos de consumo do país – nem sempre de modo positivo. Mas este seria um tema para uma próxima coluna.

Gustavo Magalhães Paiva é formado em relações internacionais pela Universidade de Genebra e é mestre em economia agroalimentar. Atualmente, é consultor das Nações Unidas para o café.

TEXTO Gustavo Paiva

Barista •

Campeonato Brasileiro de Brewers 2025 acontece no IAC em março

A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) divulgou, nesta sexta (31), a data e o local de realização do Campeonato Brasileiro de Brewers 2025. A competição acontecerá de 20 a 22 de março, das 9h às 19h, no Instituto Agronômico de Campinas (IAC), no interior de São Paulo.

As inscrições online abrem em 6 de fevereiro, às 10h. O link será disponibilizado no Instagram da BSCA (@bsca_specialtycoffee). Neste campeonato, cada competidor tem dez minutos para entregar aos juízes três receitas iguais de café filtrado, além de explicar o método e o café escolhidos. O atual campeão da categoria é Rubens Vuolo, da Amado Grão, de Cuiabá (MT).

O vencedor de 2025 representará o Brasil no Campeonato Mundial de Brewers, marcado para acontecer durante a World of Coffee, de 15 a 17 de maio, em Jacarta, capital da Indonésia.

Serviço
Campeonato Brasileiro de Barista 2025
Quando: 20 a 22 de março
Onde: IAC – avenida Barão de Itapura – Campinas (SP)
Mais informações: www.bsca.com.br 

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Mercado •

Fundação Mundial do Cacau (WCF) debate desafios do setor em evento em São Paulo

Nos dias 19 e 20 de março, a Fundação Mundial do Cacau (WCF) realiza, em São Paulo (SP), o Partnership Meeting, evento global dedicado ao cacau e ao chocolate. Com o tema “Nosso futuro: resiliência por meio da sustentabilidade”, a edição deste ano (segunda realizada no Brasil) aborda os desafios enfrentados pelo setor. As inscrições para participar já estão abertas no site.

Assuntos como mudanças climáticas, queda de produtividade, doenças do cacaueiro, novas regulações, déficit de oferta e volatilidade de mercado serão debatidos por profissionais do setor e especialistas na área. O objetivo é destacar a necessidade de práticas sustentáveis para desenvolver resiliência – individual e coletiva – e garantir o futuro da produção de cacau e da indústria.

Entre os palestrantes estão confirmados Michel Arrion, diretor-executivo da Organização Internacional do Cacau; Eduardo Bastos, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG); Marcello Brito, secretário-executivo do Consórcio Interestadual da Amazônia Legal; Vinicius Ahmar, gerente de Bioeconomia do Instituto Arapyaú; Sarah Dekkiche, diretora de Políticas e Parcerias da Iniciativa Internacional para o Cacau (ICI); Michael Ekow Amoah, diretor adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento do Conselho de Cacau de Gana; e Santiago Gowland, CEO da Rainforest Alliance. Confira a lista completa no site.

“Dado os desafios e o ritmo das mudanças que transformam o setor global de cacau, este é um momento crucial para reunir líderes e buscar soluções em comum”, afirmou Chris Vincent, presidente da WCF, em comunicado sobre o evento. “Estamos entusiasmados por sediar o evento deste ano no Brasil, um país singularmente posicionado para inspirar novas ideias, promover trocas Sul-Sul e apresentar inovações em agricultura sustentável”, completou.

Serviço
Partnership Meeting 2025
Quando: 19 e 20 de março
Onde: Tivoli Mofarrej São Paulo Hotel – Alameda Santos, 1.437 – Cerqueira César – São Paulo (SP)
Ingressos e programação: https://worldcocoafoundation.org/partnership-meeting/join-us#about 

TEXTO Redação

Café & Preparos •

Indústria global do café renova compromisso de US$ 10 milhões para pesquisa e inovação

Investimento coletivo busca fortalecer melhoramento genético, sistemas de sementes e garantir resiliência climática para o futuro do setor 

A indústria global do café, liderada por mais de 190 empresas associadas à World Coffee Research (WCR) em 29 países, renovou seu compromisso de US$ 10 milhões para financiar programas de melhoramento genético e sistemas de sementes até 2027, informa a WCR. A iniciativa visa sustentar a diversidade de origens, aumentar a produtividade e garantir a resiliência climática do setor, enquanto busca a adesão de governos para co-investir em pesquisa agrícola e inovação.  

Com os preços das commodities em alta devido a desafios como clima extremo, pragas e doenças, a demanda por novas tecnologias é urgente. A WCR alerta para uma lacuna global de US$ 452 milhões anuais em financiamento de P&D agrícola, crucial para oferecer aos agricultores acesso a variedades de café mais produtivas e resistentes. Segundo a organização, esses investimentos são fundamentais para sustentar a prosperidade dos cafeicultores e garantir um fornecimento estável e diversificado para a indústria e os consumidores.  

Avanços e parcerias estratégicas  

Os recursos captados pela WCR ajudaram a lançar duas redes globais de melhoramento para as variedades arábica e canéfora, com a colaboração de 11 países produtores, responsáveis por 43% das exportações globais de café. Até 2030, essas iniciativas devem entregar 100 novas variedades de café, garantindo a estabilidade e diversidade do suprimento.  

A iniciativa também tem atraído compromissos públicos. Em 2024, a USAID destinou US$ 5,4 milhões para uma parceria com a Universidade Cornell e a WCR, enquanto a agência alemã GIZ investiu € 1,2 milhão no programa nacional de melhoramento de café na Etiópia.  

Liderança da indústria  

Empresas como Starbucks, Keurig Dr Pepper, JDE Peet’s e Taylors of Harrogate estão entre as dez que firmaram compromissos plurianuais com a WCR. As associadas estão unidas na promoção de uma agenda de pesquisa colaborativa para moldar o futuro do café, assegurando que pequenos agricultores tenham acesso às ferramentas necessárias para enfrentar os desafios globais e locais.  

Com governos e empresas trabalhando juntos, a WCR projeta um futuro onde inovação e sustentabilidade caminhem lado a lado para preservar a cultura e o mercado do café em escala mundial. 

TEXTO Redação

Café & Preparos •

Ingressos para o SPCF começam a ser vendidos em 25/1

Seguindo a tradição, convites para a quarta edição do festival, de 27 a 29 de junho, ficam disponíveis a partir da data de aniversário de São Paulo

A quarta edição do São Paulo Coffee Festival, evento único que celebra a comunidade e a cultura do café na capital paulista, acontece no Pavilhão da Bienal do Parque Ibirapuera entre 27 e 29 de junho com a promessa de superar os números impressionantes do último ano. Os ingressos estão disponíveis a partir deste sábado, 25, com desconto, e o evento é uma oportunidade imperdível para quem aprecia a bebida. 

O SPCF é realizado na capital paulista pela Espresso&CO em parceria com a inglesa Allegra Event. Com um público vibrante em torno do grão, os coffee festivals acontecem anualmente em várias cidades do mundo, como Amsterdã, Londres, Milão, Cidade do Cabo e Nova York. 

Em 2025, a expectativa é receber 15 mil visitantes e 150 expositores para participar de uma programação interativa e inédita, vibrar com o campeonato Copa Barista e conhecer as novidades no setor que recheiam todos os espaços da Bienal.

Entre os destaques que ocupam todo o piso térreo e o primeiro andar da Bienal estão o Sensory Experience, um espaço em que o público pode explorar aspectos sensoriais e muito conhecimento sobre o café, o Laboratório, que traz palestras e debates com especialistas sobre as tendências e inovações do setor, e a Cozinha Show, que reúne chefs conhecidos e baristas para apresentarem receitas e harmonizações que tem o grão como protagonista. 

Sucesso nas edições anteriores, o Coffee & Art também incrementa as atividades nesses três dias de evento, ao estreitar a conexão entre o produto e manifestações artísticas para todos os gostos, assim como as performances dos baristas na Copa Barista, que elege o melhor profissional de café, e as demonstrações interativas no preparo preciso da bebida com leite no Latte Art ao Vivo. Tudo isso embalado por boa música, comida e drinques com café. 

Viva o incrível mundo do café. Participe da experiência e compre seu ingresso aqui.

São Paulo Coffee Festival
Quando: de 27 a 29 de junho
Onde: Pavilhão da Bienal – Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/n – Vila Mariana, São Paulo – SP)
Quanto: ingresso (1 dia) – a partir de R$ 70 (primeiro lote) |passaporte (3 dias) – a partir de R$ 180 (primeiro lote) | VIP (1 dia) – a partir de R$ 180 (primeiro lote)

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia/SPCF

Mercado •

Pronto para beber: como marcas nacionais exploram o mercado RTD

Are brazilians ready to drink? Empresas nacionais entram na onda das bebidas com café prontas para beber e surfam em um mercado que já movimenta bilhões. Saiba o que está por trás desse sucesso e as expectativas para o apreciador brasileiro

“Vamos tomar um café?” Para o brasileiro, o convite, tão arraigado à nossa cultura, é a certeza de uma pausa para um momento de comensalidade, acompanhado de uma bebida perfumada e fumegante na xícara. Mas, agora, o mesmo convite pode ter um resultado bem diferente: entra em cena um café gelado com leite (vegetal ou não), prontinho na garrafa descartável, oferecido antes do treino na academia.

Pode soar absurdo para muitos, mas as chamadas bebidas “ready-to-drink” (RTD) já são uma realidade no dia a dia de apreciadores, que chancelam novos formatos de consumo que vão além do nosso tradicional cafezinho.

Consolidado principalmente nos Estados Unidos e na Ásia, com receita que ultrapassou os 36 bilhões de dólares no mundo em 2024, segundo o Statista (plataforma global de dados e inteligência de negócios), o mercado de RTD com café ainda engatinha no Brasil. Enquanto somente o Japão é responsável por 12,12 bilhões de dólares, nosso país tem a receita combinada de 960 mil dólares em 2024, mas tudo caminha a passos largos. Enquanto a expectativa de crescimento mundial é de 3,33% ao ano no período de 2024 a 2029, para o Brasil esse número sobe para 5,53%.

“O Brasil destaca-se como um dos principais mercados globais para as bebidas de café prontas para beber da Nescafé. O país apresenta um crescimento robusto nas vendas dessa categoria, impulsionado pela alta demanda dos consumidores por conveniência e variedade de sabores”, conta Rodrigo Suzuki, gerente de marketing de bebidas da Nestlé.

A marca internacional, que lançou o primeiro RTD de café no Brasil em 2015, reforçou a categoria em 2023 com o relançamento da linha Nescafé Gelado, nos sabores Cappuccino Clássico, Chococino, Latte e Cappuccino sabor Canela, e com a ampliação do portfólio da linha Starbucks RTD com as receitas de Café Clássico, Mocha e Caramelo.

Outra grande empresa cafeeira no país, a 3corações também ampliou sua linha de RTD com dois lançamentos neste ano: Cappuccino sabor Caramelo Salgado e Cappuccino sabor Cookies‘n Cream. Agora, totalizam 11 receitas de bebidas prontas no mercado, incluindo versão zero e com whey protein. “Temos lançado produtos que atendem a novos desejos daqueles que são movidos a café. E uma das tendências que acompanhamos é a de que os consumidores estão cada vez mais atentos a temas relacionados à saúde, ao bem-estar, mas sem abrir mão da indulgência e do sabor”, explica Anderson Spada, head de marketing do Grupo 3corações.

Por trás de todo esse movimento em torno do segmento no país está, sem dúvida, a geração Z (nascidos entre 1997 e 2010). “Tem alguns estudos que mostram que a geração Z não só consome o café quente pela manhã, mas também ao longo do dia e, à tarde, dá preferência para uma bebida gelada. É uma geração que está aberta a novas propostas de consumo”, diz Alex Söderberg, co-fundadora e CMO da Naveia. A empresa, focada em bebidas vegetais à base de aveia, apresentou durante a Semana Internacional do Café, em novembro, sua nova linha de lattes nos sabores Mocha e Cold Brew, ambos com café, e Matcha, com chá-verde, com vendas a partir do início de 2025. “O RTD é um canal novo para nós, passamos do nicho das cafeterias de café especial para um público mais amplo, com uma proposta mais popular e democrática. É um produto perfeito para uma prateleira de ‘grab and go’”, acrescenta Alex.

Embora apenas 7% dos brasileiros tenham o hábito do café gelado segundo a pesquisa da Abic realizada em 2023, a geração Z é, sem dúvida, uma grande aposta para fomentar as RTDs. Conforme pesquisa da Nielsen encomendada pela Nestlé, divulgada em abril deste ano, o consumo de café gelado tem crescido a duplo dígito nos últimos anos, principalmente entre essa geração. Em 2023, esse aumento foi de 45% em relação ao ano anterior, resultado dez vezes maior que o de outras faixas etárias.

“O público da geração Z que consome as bebidas RTDs de café da Nestlé é bastante diverso, refletindo a multiplicidade de drivers de consumo na categoria. Há aqueles que buscam indulgência, com bebidas que oferecem experiências sensoriais diferenciadas e sabores marcantes, outros são atraídos pelos benefícios da cafeína, como energia e foco, enquanto muitos procuram soluções práticas que se alinhem ao estilo de vida dinâmico e conectado dessa geração”, complementa Suzuki, da Nestlé.

A importância do cold brew

Nessa formação de paladar para as bebidas geladas, é inegável a importância do cold brew como porta de entrada do café gelado para quem quer praticidade e a qualidade do café especial. E a extração a frio do grão torrado tem sido um caminho para cafeterias e produtores de cafés engarrafarem suas bebidas. A rede Café Cultura retornou com seu cold brew engarrafado em PET nas geladeiras de suas mais de 45 lojas pelo país. Na sua receita vai somente água e café do blend da casa, com as variedades bourbon amarelo, catuaí vermelho e icatu amarelo.

Já a Fazenda Aliança, em Monte Santo de Minas, no sudoeste do estado, apostou na variedade catuaí amarelo para o lançamento neste ano do cold brew de marca própria. Inicialmente foram fabricadas 8 mil latas, de olho no mercado em academias, empórios e cafeterias. “A decisão veio de uma viagem de nossa família ao Canadá, onde conhecemos o cold brew em lata gaseificado”, conta Juliana Paulino da Costa Mello, que é da 5ª geração da família de cafeicultores e montou o planejamento do novo negócio focado no público jovem.

Com o propósito de tirar o complexo de “bebida esquecida na garrafa” e entregar alta qualidade pronta para beber, Carol Pereira, da torrefação Bixo Café, em São Paulo, leva 25 horas para infusionar seu cold brew, que é colocado em garrafas de vidro de 200 ml e vendido via e-commerce para todo o país. “O brasileiro precisa entender essa complexidade da bebida gelada e dar uma chance”, diz Carol, que produz cerca de 400 garrafas por mês e garante um shelf life de 50 dias sem refrigeração. “E estou fazendo estudos para extrair mais doçura e cafeína na receita final”, completa.

E o gesha, uma das variedades mais desejadas entre os coffee geeks, foi o escolhido para a receita do cold brew do Frescoffee, bebida com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2025. “Fizemos teste com outras variedades e o gesha teve o melhor desempenho em boca, deixando a bebida mais leve” comenta Rodrigo Lucente, um dos sócios da marca. O café vem das fazendas da família de Luiz Paulo Pereira Filho, da CarmoCoffees, que também é sócio da Frescoffe. “Outro diferencial é que a bebida é gaseificada, o que ajuda na ‘drinkabilidade’. E o Frescoffee é para entrar no lugar de quem toma suco, refrigerante. É um novo momento de consumo, não compete com o café”, complementa Pereira.

O poder da cafeína nos RTDs

O universo de RTDs com café está estreitamente conectado ao mercado das chamadas bebidas funcionais (veja reportagem na edição 79 da Espresso) pelo poder da cafeína no organismo. Muitas marcas, como SuperCoffee, +Mu e Dux oferecem produtos prontos para beber que reúnem o benefício da cafeína e a carga proteica do whey protein (proteína do soro do leite). Marcas de laticínios também entram no mesmo jogo, como Piracanjuba, Italac e Danone, com sabores que vão do café espresso ao cappuccino, assim como as bebidas proteicas veganas, como NotCo e Nude, que exploram versões com café e caramelo, baunilha, entre outros.

Ainda há o caminho dos “energéticos naturais”, onde somente a cafeína do café é extraída e associada a outros ingredientes. A recém-lançada Origem, por exemplo, faz um “suco” com a polpa do fruto do café e adiciona frutas como maracujá, uva e limão. “Meu público é cada vez mais de pessoas jovens que estão diminuindo o consumo de álcool e procurando produtos naturais”, comenta Pereira, da CarmoCoffees e sócio da Origem.

Texto originalmente publicado na edição #86 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Beatriz Marques (com colaboração de Sandra Racy)