Cafeteria & Afins

Notthesamo Café – São Paulo (SP)

O Notthesamo foi a escolha de visita da equipe da Espresso nesta semana. Há três meses instalada na rua Doutor Vila Nova, no agitado bairro central da Vila Buarque, a cafeteria é braço de uma plataforma de mídia que tem como foco traduzir e fazer curadoria da cena urbana de moda, arte e lifestyle global para o público brasileiro. 

Com fachada de vidro, o ambiente atrai os olhares curiosos de quem passa na frente. Quem entra se depara com um espaço pequeno, de estética clean e com pé direito alto, animado por uma playlist de hiphop. O balcão à direita apresenta algumas das comidinhas rápidas, como croissant, pão de queijo, empanada, brigadeiro, banana bread e cookie. Os pacotes de café da casa também estão posicionados à venda.

É no mesmo balcão onde se faz e se pagam os pedidos. Entre as três opções de grãos disponíveis na casa, de sensoriais chocolate, limão siciliano e lavanda, escolhemos os dois últimos, filtrados no método gina. Cultivados pelo produtor Gabriel Lamounier, da Fazenda Guariroba, no Campo das Vertentes, e torrados pelo head barista da casa, Brenner Felipe, o de nota de limão siciliano era da variedade topázio, com dupla fermentação, enquanto que o de lavanda era um gesha natural, também fermentado. Na xícara, as bebidas eram leves e fáceis de tomar. O topázio era equilibrado e cítrico, com acidez média e corpo médio. Já o gesha era suave, aromático e nada enjoativo.

Para acompanhar, nossas escolhas foram o popular queijo quente, feito com um blend de queijos e finalizado com mel fermentado no alho, e o sanduíche na focaccia, composto por mortadela, ricota temperada e rúcula em uma focaccia feita na casa. O primeiro estava crocante e levemente salgado, mas foi balanceado pelo doce do mel. O segundo, equilibrado e refrescante, mostrou uma boa combinação entre a suavidade da ricota temperada e o sabor intenso da mortadela. A focaccia era leve e macia.

Entre os doces escolhemos o bolo de chocolate NTS e o brownie. Ideal para quem gosta de chocolate, o bolo veio cortado em uma fatia generosa, mas não enjoativa, que desmanchava na boca. O brownie estava macio e chocolatudo. Ambas as pedidas estavam doces na medida certa e foram harmonizadas com um espresso de corpo médio, acidez alta e finalização longa, com notas cítricas e de chocolate.

Em um bairro repleto de cafeterias, o Notthesamo Café se mostra um local agradável para quem busca uma pausa na rotina para tomar uma xícara de café em meio à correria de São Paulo.

Nossa conta: R$ 142
Coado limão siciliano – R$ 18
Coado lavanda – R$ 20
Queijo quente – R$ 32
Sanduíche na focaccia – R$ 30
Brownie – R$ 20
Bolo de chocolate NTS – R$ 22

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Doutor Vila Nova, 41
Bairro Vila Buarque
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://www.instagram.com/notthesamocafe/
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Cafeteria Longão une café e corrida na Vila Buarque (SP)

Por Gabriela Kaneto

Por mais de meio século, o número 278 da rua Dr. Cesário Mota Júnior, na Vila Buarque, abrigou a farmácia do seu João, figura conhecida no bairro. Após a morte do proprietário, o espaço de balcões antigos e atmosfera de máquina do tempo deu lugar a uma cafeteria moderna, símbolo da nova fase da região.

Por trás do novo empreendimento está o fotógrafo e filmmaker André Dip. Maratonista e apreciador de cafés especiais, ele decidiu transformar as duas paixões em negócio e, há um mês, abriu a Longão. “Nossa ideia é que as pessoas saiam um pouco do centro de São Paulo, deem uma relaxada, venham com calma”, explicou Dip à Espresso

Balcão de preparo da Longão e André Dip (à direita)

O balcão e as prateleiras de cimento destacam as banquetas coloridas e a parede tomada por vinis ao lado da vitrola que embala o ambiente. No fundo, um jardim de inverno suaviza a estética brutalista. Há ainda uma arara com roupas esportivas e a balança original da antiga farmácia, lembrança da história do espaço. Quase escondida, uma sauna atende esportistas que querem desacelerar. 

A cafeteria usa grãos próprios, cultivados em diferentes regiões do país e torrados pela CA.OS Café, do interior paulista. O cardápio traz ainda opções internacionais rotativas — no dia da visita, México e Costa Rica, torrados pela brasileira Square Deal e pela dinamarquesa La Cabra. No espresso, a casa aposta em um blend de catuaí amarelo lavado do Sul de Minas com robusta amazônico natural do Acre.

“Temos uma pegada meio de laboratório”, conta Dip, referindo-se aos métodos de preparo, que variam entre v60, hario suiren, origami, clever, melitta, o dripper flatbed da Loveramics e o espresso, que pode ser extraído de uma Rocket ou manualmente na Bruta. Matcha, matcha latte, chá mate com limão e chá de hibisco, maracujá e gengibre enriquecem o cardápio.

Cafés do México e da Costa Rica filtrados na hario suiren (à esquerda) e pão de queijo, roll de queijo e cheesecake de chocolate (à direita)

O menu de comidas, enxuto, varia conforme o dia. Em nossa visita, havia pão de queijo, roll de queijo, sanduíche, cinnamon, cookie e cheesecake de chocolate e de frutas vermelhas. Os quitutes são produzidos, de preferência, por parceiros do bairro, como a padaria artesanal Seu Filão e a Kosmos Bakeshop. Aos finais de semana entram novas opções. 

Além do serviço de cafeteria, a Longão aposta em eventos e parcerias. Já promoveu aulas de ioga para corredores, um almoço com o restaurante Niko Niko e o lançamento de peças da marca Dies Mercuri.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Dr. Cesário Mota Júnior, 278
Bairro Vila Buarque
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
Website http://www.instagram.com/_longao
Horário de Atendimento de quarta a domingo, das 9h às 18h
TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Gabriela Kaneto e Letícia Souza

Cafeteria & Afins

Sarta Coffee – São Paulo (SP)

A 350 metros do metrô Vila Madalena encontra-se a Sarta Coffee, nova cafeteria na cena de cafés especiais da capital paulista. A equipe da Espresso visitou a casa em uma manhã ensolarada de sexta-feira. O espaço pequeno e acolhedor, de decoração moderna e minimalista, dispõe de bancos do lado de fora e poucas mesas na parte de dentro.

Assim que chegamos, o atendente Vitor nos mostrou o cardápio e sinalizou que os pedidos eram tirados no caixa. Todos os grãos da Sarta são cultivados pela Daterra Coffee, fazenda referência em qualidade localizada em Patrocínio (MG), no Cerrado Mineiro, e são apresentados nas categorias da própria marca – Collection (R$ 15), Reserve (R$ 22) e Masterpiece (R$ 29). 

Coado, espresso, ristretto e bebidas com leite, quentes e geladas compõem o menu de café. De primeira, escolhemos um grão Collection e um Reserve, ambos no coado. O Collection do dia era um blend de bourbon vermelho e catiguá, de processamento natural, com descritivo de ameixa, frutas de caroço, blueberry, chocolate ao leite e caramelo. O Reserve escolhido era da variedade guarani, de processamento despolpado e natural, com sensorial de manga, frutas vermelhas, jasmim, amêndoas e mel. A torra dos grãos foi feita pela Abigail Coffee Co.

Servidos em uma jarrinha delicada de vidro, acompanhada de uma xícara branca da Loveramics (que chegou quentinha, ponto positivo), os cafés foram bem extraídos em uma Hario Switch, na proporção de 1 g para 15 ml. O Collection apresentou corpo cremoso, acidez alta e agradável, e sensorial de frutas roxas e maduras. Já o Reserve tinha corpo leve, acidez média, aroma de jasmim e sabor de frutas vermelhas e mel. Duas bebidas bem suaves para qualquer hora do dia.

O espresso escolhido por nós foi o stardust, de processamento natural, descrito sensorialmente como ameixa amarela, pêssego, damasco, frutas vermelhas e acidez láctica. Na xícara, a bebida, extraída em uma La Marzocco, estava bastante aromática, com corpo sedoso e finalização limpa. Deu para sentir o damasco e as frutas vermelhas, com destaque para a acidez láctica de iogurte.

Em relação às comidinhas, algumas opções não estavam disponíveis no dia – ponto de atenção quando se tem um cardápio enxuto. Nossas escolhas salgadas foram os ovos da casa (três ovos mexidos com queijo e tomate no pão petrópolis, um pão que lembra brioche) e o queijo quente (pão petrópolis com queijo padrão, finalizado com tomate cereja e cebolinha). Ambos estavam gostosos e bem executados. Nos doces, optamos pelo bolo de cenoura com chocolate 70%, que estava úmido e doce na medida certa, e o pain au chocolat, gostoso porém esfarelava em excesso.

Segundo Victor, a ideia da Sarta Coffee é que os cafés sejam o ponto principal da experiência – eles realmente se destacaram em comparação às comidas. Em geral, nossa experiência foi positiva, tanto em relação aos itens consumidos quanto ao atendimento e ao ambiente.

Nossa conta: R$ 138
Coado Collective – R$ 15
Coado Reserve – R$ 22
Espresso simples – R$ 11
Ovos da casa – R$ 28
Queijo quente – R$ 24
Bolo de cenoura com chocolate 70% – R$ 19
Pain au chocolat – R$ 19

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Luminárias, 105
Bairro Vila Madalena
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
Website http://www.instagram.com/sartacoffee
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Ronin Café – São Paulo (SP)

A Espresso visitou a Ronin Café, na Barra Funda, região central de São Paulo, que se autodeclara “uma cafeteria de cozinheiros”, já que foi criada pelos chefs Pedro Nóbrega e Vitor Ribas, que passaram por restaurantes como o premiado Notiê. A fachada simples anuncia um espaço moderno e minimalista, com detalhes inspirados na arte de rua – como o quadro decorativo com grafia de pixo e a própria fonte escolhida para compor a logo da cafeteria. Em sintonia com o espaço, o alto-falante do salão dá voz a raps nacionais.

Fomos bem recebidos pelo atendente Cauê assim que chegamos. Ele nos explicou todo o cardápio, contou quais itens eram os seus favoritos e se certificou para que a experiência fosse leve e informal – mas muito completa. Além das características sensoriais do coado do dia, o atendente nos explicou as dos outros três grãos disponíveis, torrados pela torrefação paulistana Corisco, que poderiam ser preparados na v60, único método da casa.

Cafés filtrados na v60

Escolhemos dois cafés do produtor Alessandro Hervaz, de São Gonçalo do Sapucaí, Mantiqueira de Minas. O primeiro, de variedade acaiá e processamento natural, foi produzido no Sítio AAA. Na xícara, entregou uma bebida encorpada, doce e com notas frutadas, boa opção para qualquer momento do dia. Já o segundo café, um catuaí vermelho também naturalmente processado e cultivado no Sítio Boa Vista, mostrou-se uma bebida doce, menos encorpada, mas com um agradável sensorial que remeteu à torta de maçã.

Nossa expectativa quanto ao também era alta. Pão na chapa, toast de vegetais, queijo quente, pão com tofu, mortadela sando e choripan são algumas das alternativas entre os pratos salgados. Nossa pedida foi o queijo quente, o pão com tofu mexido e o mortadela sando – um dos mais solicitados pelos clientes.

Feito com um mix de queijos e cebolinha, o queijo quente entregou o que se espera dele, mas com a surpresa de um toffee de alho como ingrediente. Já o pão com tofu, feito com uma fatia de pão de fermentação natural, tofu mexido com cebolinha, tem a adição de picles e chilli oil, o que deixa seu sabor agradável e a textura úmida na medida certa. 

Mortadela sando e queijo quente

Ambas as opções estavam gostosas, mas a grande estrela da refeição foi o mortadela sando. Fazendo jus ao posto de “queridinho” da casa, ele vai além de um lanche de mortadela comum, ao combinar mortadela na chapa, queijo, picles e maionese kewpie em um pão francês de fermentação natural numa composição harmônica. Indicamos! 

Perto do fim da manhã, encerramos a visita pedindo banana bread e tiramisú. Bem apresentado, o banana bread leva bolo de banana (com gostinho de caseiro) coberto por uma banana partida ao meio e chapiscada na chapa, canela polvilhada e calda caramelizada de coco, feita na cozinha da Ronin – e que pode ser substituída por doce de leite produzido pela confeitaria parceira, De Mãe Cozinha. A combinação harmonizou bem com o café frutado. 

Pão com tofu mexido, banana bread e café filtrado na v60

O tiramisú, montado em uma xícara de café, vem com um tuille de chocolate por cima, seguido de bolachas levemente molhadas em cold brew, mas ainda crocantes, e creme mascarpone batido com cacau (feito na hora). Diferente dos tradicionais, que são feitos com espresso, o tiramisú do Ronin destacou-se pela leveza e suavidade de sabor do café, além de vir na quantidade certa para te fazer pedir mais um. 

Nossa conta: R$ 151,80 (com a taxa de serviço)
Coado acaiá – R$ 18
Coado catuaí vermelho – R$ 18
Meia porção do mortadela sando – R$ 15
Meia porção do queijo quente – R$ 15
Tofu mexido – R$ 25
Banana bread – R$ 22
Tiramisú – R$ 25

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Doutor Albuquerque Lins, 253
Bairro Barra Funda
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
Website http://www.instagram.com/ronincafesp
Horário de Atendimento De quarta a domingo, das 10h às 18h
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Café Minamihara – Franca (SP)

A sutileza, tão prezada na cultura japonesa, perfaz a cafeteria, aberta em 2021. O serviço, ao som de música ambiente, é feito nas mesas de madeira dispostas ao ar livre – uma experiência no interior de uma fazenda cuja proposta é mostrar todo o trabalho que envolve a produção de um café. O menu conversa com esse propósito, criando uma experiência imersiva.

A área de torra, num espaço da cafeteria, permite acompanhar o processo ao longo do dia. Outros destaques são a máquina de espresso da Victoria Arduino (modelo Black Eagle), assinada pela campeã polonesa do mundial de 2018, Aga Rojewska, e o moinho, também usado por ela no campeonato, que servem para a extração dos espressos da casa.

A cafeteria conta com bebidas clássicas como cappuccino, latte e iced latte honey, com mel produzido pela fazenda. Recentemente, o espaço inclui um brunch, que serve até três pessoas.

Nosso pedido foi o nanolote da casa, um arábica da variedade catucaí-açu de processamento natural. Feito no v60 e servido em copos de cerâmica, o café tem caráter complexo (chá preto, pêssego fresco e jasmim), alta doçura, corpo sedoso e acidez cítrica brilhante. Conforme esfria, mantém o aroma floral e a nota de chá – um café de paladar delicado.

Para acompanhá-lo, a recomendação da barista foi o avocado toast, feito com pão de fermentação natural e abacates da fazenda, temperados com limão, sal e pimenta, além de tomates-cereja e um ovo cozido em sous-vide (a baixa temperatura). Embora o toast estivesse muito bem feito, a untuosidade e acidez do abacate acabam apagando a alta doçura do café.

Nanolote de catucaí-açu na v60 com um avocado toast e o bolo chiffon

Melhor combinação foi com o pão de queijo, recheado com brisket bovino, que elevou a percepção de doçura e de corpo da bebida. Vale moderar no molho barbecue feito com espresso que acompanha o pedido, pois sua potência atrapalha um pouco a delicadeza deste coado.

De sobremesa, um sedoso bolo chiffon, um clássico da confeitaria francesa revisitado com o acréscimo de matchá, ingrediente marcante da cultura japonesa. Coberto com amêndoas e coco açucarado, traz o matchá na medida certa.

Para finalizar a experiência, pedimos um espresso, feito com o grão obatã vermelho de processamento natural. Embora tenha chegado à mesa (em xícara de porcelana) com a crema um pouco opaca, ele exalava notas de capim-limão, manga, com uma nota floral de fundo. Doce, de acidez brilhante e corpo sedoso, fez um casamento interessante com o bolo, capaz de deixá-lo ainda mais doce.

Nossa conta: R$ 118 + taxa de serviço
Coado nanolote – R$ 25
2 espressos – R$ 18
Pão de queijo com brisket – R$ 25
Avocado toast – R$ 35
Bolo matchá – R$ 15

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Texto originalmente publicado na edição #87 (março, abril e maio de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rodovia Candido Portinari, Km 407
Bairro Jardim Paineiras
Cidade Franca
Estado São Paulo
Website http://instagram.com/cafe_minamihara
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Casa Hario – São Paulo (SP)

A primeira cafeteria da famosa marca japonesa de utensílios de café fica em uma movimentada esquina do Itaim Bibi, em São Paulo. O ambiente amplo e moderno destaca detalhes em madeira, que lembram estabelecimentos tradicionais japoneses. Além de um espaço externo, ideal para os dias quentes, o interior da cafeteria combina mesas com um grande balcão para quem busca um ar mais aconchegante. 

Nossa equipe escolheu visitar a casa em uma manhã de sexta-feira. A hospitalidade do estabelecimento ficou clara logo na entrada, quando um atendente, atencioso, nos encaminhou até uma mesa e nos mostrou o cardápio. 

Para beber, o menu tem opções de cafés filtrados em métodos hario (v60 e suas variações – como a permanente e a switch, além da mugen –, french press e globinho), bebidas com leite, bebidas geladas e chás. Não há espresso. Para comer, pães, salgados e sanduíches dividem espaço com waffles, panquecas, ovos e sobremesas. Como imaginado, a culinária asiática está presente em alguns itens, como no karepan assado, nos shokupans e na coalhada seca com pó de matcha, disponível na seção de pães.

A seleção de cafés filtrados é distribuída em três categorias de grãos: clássicos, complexos e sofisticados. No dia da visita, a casa tinha seis deles – cinco nacionais e um de fora. Escolhemos provar os cafés complexos, como o etíope cultivado na região de Yirgacheffe Banko Gotiti, feito na v60, e um gesha produzido em Campo das Vertentes (MG), extraído na v60 switch. Para acompanhar, fomos de shokupan de sunomono com coalhada e shokupan misto, que levava jamon serrano e gruyère.

Servidos em xícaras transparentes, os cafés surpreenderam sensorialmente. O etíope apresentou notas de frutas amarelas e mel, corpo leve e acidez equilibrada. Conforme a temperatura caiu, o frutado sobressaiu e o corpo tornou-se mais presente. Já o café mineiro era complexo mas leve, ótimo para começar o dia, com aroma que lembrava chá e sabores cítricos e levemente doces, puxados para laranja-bahia. 

Os shokupans foram servidos em quatro pedaços. O de sunomono com coalhada era crocante, agridoce na medida certa e refrescante, ótima opção de lanche para um dia quente. O misto estava gostoso mas, mesmo com o toque salgado do jamón, não surpreendeu. O queijo poderia estar mais derretido, e um molho de acompanhamento iria torná-lo mais atrativo. De sobremesa, o choux cream de baunilha foi uma boa escolha: estava crocante, com massa leve e creme agradavelmente doce.

Choux cream

A Casa Hario é uma opção interessante para os entusiastas do café. Além do menu e do atendimento, oferece também uma área de produtos expostos para venda, com canecas, métodos de preparo, moedores, balanças e chaleiras da marca.

Nossa conta: R$ 181,90 (com serviço)
Shokupan de sunomono – R$ 38
Shokupan misto – R$ 45
Choux cream – R$ 18
Filtrado Etiópia – R$ 30
Filtrado Campo das Vertentes – R$ 30

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Manuel Guedes, 426
Bairro Itaim Bibi
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
Website http://https://www.instagram.com/casahario/
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Café Cultura – São Paulo (SP)

A rede catarinense de cafeterias Café Cultura chegou à capital paulista no segundo semestre de 2024 e já conta com duas unidades – mas os planos de expansão para os próximos meses não param por aí. A loja mais recente, aberta no bairro Vila Nova Conceição em fevereiro, tem espaço aconchegante e traz a tradicional decoração acolhedora do Café Cultura, com detalhes em tons alaranjados e os lustres feitos com as sacas de café.

A Espresso visitou a casa em uma manhã de sexta-feira. Para aproveitar o dia ensolarado, nossa equipe escolheu sentar-se nas mesas externas. O atendente nos entregou os cardápios e indicou que os pedidos eram feitos no balcão. O menu é extenso e contempla refeições para todos os momentos, de croissants e omeletes a sanduíches, sopas e pratos para almoço.

As escolhas foram misto quente e ovos mexidos com bacon, acompanhados do café coado, que chega em uma térmica e serve duas pessoas. O misto quente é generoso, com duas camadas de recheio, na temperatura adequada. O prato estava bem executado, com os ovos no ponto certo, bacon crocante, salada fresca e queijo derretido. A manteiga President de acompanhamento é um cuidado a mais na entrega do prato. As duas escolhas harmonizaram bem com o café coado, de perfil básico e doce, feito com um blend da casa (bourbon amarelo, catuaí vermelho e icatú amarelo, todos com processamento cereja descascado).

Outra pedida foi uma torta de biscoito belga, feita com café solúvel e coberta com chocolate meio amargo. A sobremesa estava doce na medida certa, com sabor presente de canela, mas sem traços do café.

Para finalizar a refeição, um matcha iced latte, uma bebida agradável e equilibradamente gelada, e duas opções de café: o blend da casa extraído no espresso – de corpo médio, notas doces de caramelo, chocolate e castanha e toque de frutas amarelas –, e o peaberry (mokinha, de processamento cereja descascado) feito na v60, com leves notas de frutas vermelhas, que poderiam aparecer mais se a bebida fosse mais concentrada.

Quem quiser pode levar para casa os cafés servidos, bem como métodos de preparo e acessórios, expostos em prateleiras no salão. Mais um serviço que torna o Café Cultura uma opção agradável para o dia a dia.

Nossa conta: R$ 144
Café coado – R$ 24
Misto quente – R$ 20
Ovos mexidos com bacon – R$ 28
Torta de biscoito belga- R$ 26
Matcha iced latte – R$ 16
Coado na v60 – R$ 18 (+R$ 2 do grão peaberry)
Espresso – R$ 10

A equipe da Espresso visitou anonimamente a casa e pagou a conta.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Diogo Jácome, 352
Bairro Vila Nova Conceição
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
Website http://https://www.instagram.com/cafecultura/
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Takkø Café – São Paulo (SP)

Era uma sexta-feira, fim de tarde. Para fechar a semana de trabalhos, nossa equipe resolveu revisitar uma cafeteria conhecida na região central de São Paulo, o Takkø Café, instalado desde 2014 na Vila Buarque. A porta de vidro da cafeteria revela um espaço comprido e de decoração minimalista. O Takkø é dividido em dois ambientes, ambos com mesas. No primeiro deles está o balcão de onde saem os cafés, e no segundo, mais próximo da cozinha, foi possível acompanhar a dança dos funcionários na montagem dos pratos.

O volume da música de fundo, um estilo rock indie alternativo, era agradável e não atrapalhava o bate-papo dos clientes. Embora a cafeteria não estivesse cheia, como já havíamos conferido em outras ocasiões, grande parte das mesas estava ocupada. O atendente, solícito, nos explicou detalhadamente o cardápio, sugerindo o que costuma ter saída.

Pra começo de conversa, pedimos duas opções salgadas: o sandubinha e o tuna melt. Montado com pão de leite feito na casa, o sandubinha leva mussarela, parmesão, tomate e salsa, e acompanha mostarda e picles de cenoura e nabo. Dividido ao meio, veio quentinho, com boa apresentação e sabores harmonizados. O queijo deu cremosidade ao lanche, contrastando de forma feliz com o tostadinho do pão na chapa. Já o tuna melt é o tipo de lanche para ser saboreado num parque em um dia de calor. Gostamos da refrescância do atum combinado com a untuosidade do cheddar derretido e a textura do pão tostado.

À esquerda, espresso, coado e matchá; à direita, sandubinha (em primeiro plano), tuna melt e cheesecake da estação

Para acompanhar o sandubinha, escolhemos um matchá gelado, bebida que está em alta entre as cafeterias paulistanas, que estava saboroso e refrescado pelas pedras de gelo. Para o tuna melt, preferimos um filtrado na v60 (270 ml), que é servido em jarra de vidro. O grão que pedimos foi o catuaí 2SL, de processamento natural, do produtor Helisson Afonso, do Sítio Baixadão, em Cristina, na Mantiqueira de Minas (MG). Na xícara, a bebida apresentou as características que o cardápio destaca: um café redondo, limpo, com notas de melaço. É um bom café, mas não é surpreendente. Já tomamos outros mais impactantes e sensorialmente mais ricos no próprio Takkø.

Para finalizar a experiência, a escolha foi um cheesecake da estação (no dia da nossa visita, a opção era caqui) e um espresso. Além de bonita, a sobremesa combinava bem a massa de textura sedosa (nada enjoativa) e os pedaços da fruta que funcionavam como cobertura. A colherada de cream cheese, que compunha a decoração, adicionava acidez à doçura do conjunto, e a calda de caramelo, suave, não roubava o sabor dos outros ingredientes. É uma sobremesa que vale repetir. Diferentemente da experiência com o filtrado na v60, o espresso, bem extraído, apresentou notas de caramelo e chocolate, acidez alta e finalização limpa. O grão selecionado para o método é um catuaí vermelho 99, natural, cultivado por Augusto Borges na Fazenda Capadócia, em São Gonçalo do Sapucaí, também na Mantiqueira de Minas (MG).

Cheesecake da estação, feito com caqui

Nossos pratos e bebidas foram servidos em cerâmicas grandes e bonitas – o que é ótimo para quem, como nós, gosta de fotografar o que está comendo. Isso, reunido a um ambiente aconchegante e com atendimento positivo, faz do Takkø Café uma cafeteria que vale a pena conhecer.

Nossa conta: R$ 145 / R$ 159,50 (com serviço)
Sandubinha – R$ 34
Tuna Melt – R$ 42
Matchá gelado – R$ 13
Coado v60 – R$ 17
Cheesecake – R$ 32
Espresso – R$ 7

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Texto originalmente publicado na edição #84 (junho, julho e agosto de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Major Sertório, 553
Bairro Vila Buarque
Cidade São Paulo
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://instagram.com/takkocafesp
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso

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Revo – Santos (SP)

Situada no coração da ponta da praia, em Santos (SP), a cafeteria Revo Manufactory é mais do que se imagina. O prédio, de fachada clássica, foi reformado e restaurado por dentro para abrigar um espaço que, embora mantenha detalhes tradicionais, abraça os estilos moderno e industrial. Ao caminhar pelo grande galpão, com janelas amplas e pé-direito altíssimo, sua decoração traz, ainda, um ar vintage, com peças que chamam a atenção, como cristaleiras, espelhos e aparadores. Os arranjos de folhas e flores complementam a experiência de forma encantadora.

O conceito de manufatura é visível assim que se entra no edifício. Logo na entrada há um balcão de pães e doces ao lado da estação de café e de bebidas. A cozinha de finalização, aberta ao público, oferece proximidade com essas muitas mãos operantes.

O atendimento é feito nas mesas e, para iniciar a experiência, escolhemos uma das duas opções de café coado disponíveis: um gesha (R$ 20), de processo natural fermentado produzido por Luiz Paulo na Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas (MG). Extraído na v60, o café entrega um aroma floral acentuado, com uma acidez agradável e fácil de beber.

O cardápio é extenso e variado, com muitas ofertas da padaria e da confeitaria servidas durante a tarde. O croissant (R$ 16) com geleia da casa (R$ 5) e a empanada humitá com creme de milho e pimenta jalapeño (R$ 21) foram as pedidas desta visita. O croissant tem uma caramelização impecável, com exterior crocante e estética refinada, digna da clássica viennoiserie (produtos cuja massa fermentada é mais rica e amanteigada do que a dos pães tradicionais). Seu miolo, levemente ressecado, poderia ser aprimorado com alguns segundos a mais de calor antes de chegar à mesa. A geleia, com boa acidez e dulçor, complementa bem o folhado. Já a empanada, muito bem assada, de massa fina e recheio cremoso de queijo e milho tostado, poderia ter um tempero menos tímido.

Café gesha ao lado do croissant e bolo de festa com calda, sorvete e brigadeiro

O bolo de festa (R$ 33) foi a sobremesa da vez: mega chocolatudo (estilo devil’s cake da Matilda), servido com calda quente de chocolate, quenelle de sorvete à escolha e um pequeno brigadeiro enrolado. Um doce úmido e indulgente, certamente a pedida perfeita para compartilhar, mas quase impossível de se comer sozinho, dada a doçura intensa. O sorvete de frutas vermelhas trouxe uma refrescância que conectou todos os itens do prato. Para acompanhá-lo, um espresso (R$ 9) equilibrado, com baixa acidez e amargor na medida.

A conta é paga diretamente no caixa, onde revisam seu pedido e incluem corretamente o serviço, já que a Revo é um exemplo de ótima hospitalidade. Ao lado do caixa há uma pequena mercearia, onde se pode escolher um pedaço dessas manufaturas para levar para casa, como cafés, vinhos, biscoitos e queijos.

A reunião de um ambiente aconchegante, pet friendly e frequentado por pessoas de todas as idades torna a experiência um passeio acolhedor e revigorante.

Nossa conta: R$ 104 + taxa de serviço
Café coado – R$ 20
Croissant – R$ 16
Adicional de geleia – R$ 5
Empanada – R$ 21
Café espresso – R$ 9
Bolo de festa – R$ 33

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Texto originalmente publicado na edição #86 (dezembro, janeiro e março de 2025) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Avenida Doutor Epitácio Pessoa, 737
Bairro Ponta da Praia
Cidade Santos
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://https://www.instagram.com/revomanufactory/
Horário de Atendimento De segunda a sábado, das 9h às 23h; domingo, das 9h às 22h
TEXTO Redação • FOTO Equipe Espresso

Cafeteria & Afins

Grassy Caffè – Ribeirão Preto (SP)

Com vista para a rua e pé-direito alto, a Grassy Caffè, em Ribeirão Preto (SP), é um convite para tomar uma xícara nas mesas da área externa, no balcão ou nos sofás e poltronas confortáveis que preenchem o salão. Além de cafeteria, é, também, uma torrefação, que fica acomodada nos fundos do ambiente, de onde é possível ver sacas de café e o torrador Atilla, que torra os grãos destinados ao consumo no local e que abastecem a gôndola ao lado do caixa e o e-commerce da marca. Inaugurada em 2015 neste mesmo endereço, a Grassy foi a primeira cafeteira de terceira onda da cidade. O espaço divide-se harmoniosamente entre cafeteria e torrefação na parte de baixo, enquanto o andar de cima é destinado à locação de maquinários. O ambiente da cafeteria, onde ficamos, é agradável e decorado em tons pastéis, além de reportagens sobre a casa enquadradas nas paredes.

A área de trabalho dos baristas fica no centro do salão, com um balcão para quem quiser tomar café e trocar uma ideia com os profissionais. Sentamos em uma mesa e logo nos ofereceram uma carta de grãos com uma variedade interessante. Havia opções de regiões como Mantiqueira de Minas, Castelo do Espírito Santo, Alta Mogiana Mineira, Montanhas do Espírito Santo e um blend da casa chamado blend do Rapha, o mestre de torra da cafeteria. Para o preparo, as alternativas são v60, aeropress, clever, fluire, chemex, french press e hand blown.

Nossa pedida foi um catuaí amarelo premiado – 89 pontos, de processamento natural feito pelo produtor Pedro Paulo Cardoso, da região da Mantiqueira de Minas – extraído na v60. Um detalhe atencioso da casa é servir os coados em copos da marca Loveramics. O café, bem extraído e de corpo médio, era bem doce, de acidez cítrica e notas condizentes com as da carta (remetendo a caldo de cana e melaço), além de ter um leve toque frutado de manga. Uma bebida redonda e sem arestas. No menu digital, é possível encontrar opções clássicas de uma cafeteria, como cappuccino, mocha, latte e machiatto, além de frapês com sorvete e as bebidas geladas espresso tônica e suco de laranja com café.

Pão de queijo com ciabatta canastra e espresso

Para comer, a sugestão foi um panini canastra, que é um pão ciabatta na chapa com queijo canastra premiado, muçarela, tomate-cereja, molho agridoce e rúcula. O queijo faz um bom elo de sabores com o café coado, mas é levemente ofuscado pela predominância do molho agridoce e da rúcula. Além do sanduíche, chegou à mesa uma porção (5 unidades) de minipães de queijo, acompanhados de cream cheese e geleia de frutas vermelhas, de sabor agradável mas textura um pouco borrachuda. A cafeteria também conta com opções de salgados assados tradicionais, como esfihas e croissants produzidos por estabelecimentos parceiros.

No dia da visita, as opções para espresso eram o grão aranãs – de processamento natural e cultivado por Felipe Carvalho na Alta Mogiana Mineira, com notas de especiarias – e um catuaí amarelo lavado, do cafeicultor Leandro Santos (Montanhas do Espírito Santo), que, segundo a barista que nos ajudou, era mais doce, floral e combinaria com a fatia de bolo de fubá que pedimos. Este último foi servido com uma crema bonita e consistente. Quando mexido, as notas florais apareceram. Na boca, apresentou-se como uma bebida de doçura média, com aromas florais e de mel e acidez e corpo médios.

Provamos o espresso à tarde, e a experiência poderia ter sido ainda melhor se o moinho sofresse uma pequena regulagem. O espresso também chegou antes do bolo. De qualquer modo, a harmonização entre o floral do café e o aroma do fubá funcionou bem. O bolo era uma receita tradicional, com doçura na medida certa e boa textura – o ponto alto entre os pedidos. As louças brancas e clássicas da Schmidt
estão por todo o lado, tanto nas xícaras de cappuccino quanto nos pratos para os sanduíches e sobremesas. O destaque, porém, são os copos sensoriais coloridos da Loveramics.

Nossa conta: R$ 105 + taxa de serviço
Coado v60 – R$ 30
Espresso – R$ 10
Água – R$ 7
Panini canastra – R$ 32
Porção de minipães de queijo – R$ 15
Bolo de fubá – R$ 11

A equipe da Espresso visitou a casa anonimamente e pagou a conta.

Texto originalmente publicado na edição #85 (setembro, outubro e novembro de 2024) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

Informações sobre a Cafeteria

Endereço Rua Clemente Ferreira, 945
Bairro Jardim São Luiz
Cidade Ribeirão Preto
Estado São Paulo
País Brasil
Website http://https://www.instagram.com/grassycaffe/
TEXTO Equipe Espresso • FOTO Equipe Espresso