Cafezal

Cerrado Mineiro leva a melhor no Cup of Excellence – Brazil 2021 com café de 90.50 pontos

Através de transmissão ao vivo pelo YouTube, a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) divulgou os resultados do Cup of Excellence – Brazil 2021 na tarde desta quinta-feira (18). A apresentação ficou por conta de Vanusia Nogueira, diretora executiva da BSCA.

Dos 40 cafés finalistas deste ano, duas amostras foram desclassificadas por apresentarem xícara riada. Dentre os que permaneceram no concurso, nove entraram na lista dos National Winners, que consiste em cafés com média acima de 86 pontos, mas abaixo de 87. Já os demais, com notas acima de 87 pontos, se enquadram como COE Winners.

As dez primeiras colocações foram compostas por seis origens diferentes e cinco variedades de café, sendo seis naturais e quatro via úmida. O grande campeão da edição foi o produtor Vitor Marcelo de Queiroz Barbosa, da Fazenda Cachoeira, de Carmo do Paranaíba, no Cerrado Mineiro. Vitor chegou ao primeiro lugar com um catuaí amarelo de via seca, que marcou 90.50 pontos.

Vanusia Nogueira e a família de Vitor Marcelo de Queiroz Barbosa, vencedor do Cup of Excellence 2021

“Nós temos uma pluralidade muito grande e esse é um ponto que a gente sempre coloca pelo mundo. O que o comprador quiser, nós temos aqui no Brasil para oferecer. E podemos oferecer tudo isso com consistência, qualidade e terroir diferentes, características de sabor extremamente diferentes durante todo o tempo”, disse Vanusia durante o anúncio.

Confira abaixo a colocação dos 38 finalistas do Cup of Excellence 2021:

1º Vitor Marcelo de Queiroz Barbosa – DBarbosa Coffee/Fazenda Cachoeira – Cerrado Mineiro – 90.50
2º Luiz Paulo Dias Pereira – Fazenda do I.P. – Mantiqueira de Minas – 90.14
3º Pedro Brás – Sítio São Pedro – Sul de Minas – 89.43
4º Wedson Marques de Souza – Fazenda Ressaca – Chapada Diamantina – 89.18
5º Antonio José Junqueira Vilella – Fazenda São Benedito – Mantiqueira de Minas – 89.11
6º José Renato Rodrigues Alves – Chácara Vista Alegre – Chapada Diamantina – 89.07
7º Matheus Lopes Sanglard – Fazenda Serra do Boné – Matas de Minas – 88.93
8º Ricardo Vagne Ignotti – Fazenda Santo Antônio – Cerrado Mineiro – 88.89
9º Simone Sampaio Silva – Sítio Jardim das Oliveiras – Matas de Minas – 88.68
10º José Danilo Braga – Sítio Batista – Mantiqueira de Minas – 88.68
11º Tuca Dias – Fazenda Santa Alina – Vale da Grama – 88.17
12º Marie Nakao Sasaki – Fazenda Catanduva II – Cerrado Mineiro – 88.17
13º Edson Junior de Miranda – Sítio Matinha – Matas de Minas – 88.13
14º Glycia Carneiro – Sítio Monte Alegre – Mantiqueira de Minas – 88.10
15º Homero Teixeira de Macedo Junior – Fazenda Recreio – Média Mogiana – 88.10
16º Waldemar Ferreira de Paula – Vista Brigadeiro – Matas de Minas – 87.87
17º Silvio Leite – Fazenda Cerca de Pedra São Benedito – Chapada Diamantina – 87.87
18º Amarildo Corsi da Silva – Fazenda Campo Alegre – Chapada Diamantina – 87.83
19º Osman Chirgo Martins – Sítio Rochedo – Matas de Minas – 87.83
20º Valgleber S. Santos Mafra – Fazenda Pedro Rodrigues – Chapada Diamantina – 87.83
21º Nathan Lopes Sanglard – Sítio Mutuca – Matas de Minas – 87.80
22º Claudia Maria Carneiro Bustamante – Fazenda Pedra Preta – Mantiqueira de Minas – 87.67
23º Fazenda Sertãozinho LTDA – Fazenda Rainha – Média Mogiana – 87.47
24º Paulo Henrique Miranda – Sítio da Serra – Matas de Minas – 87.40
25º João Batista dos Santos – Sítio São João – Matas de Minas – 87.33
26º Florentino Meneguetti – Sítio Rancho Dantas – Montanhas do Espírito Santo – 87.33
27º Maria Rogéria Costa Pereira – Fazenda Irmãs Pereira – Mantiqueira de Minas – 87.30
28º Lindolfo Martins de Assunção – Sítio Santa Barbara – Chapada Diamantina – 87.17
29º Marina Brito Oliveira – Fazenda Ponte Alta – Mantiqueira de Minas – 87.10
30º Luiz Flávio Pereira de Castro – Sítio Serra Azul – Mantiqueira de Minas – 86.97 National Winner
31º Odilia Aparecida Miranda Ribas – Sítio Esperança – Matas de Minas – 86.97 National Winner
32º Amador Dias Filho – Fazenda Criciuma – Matas de Minas – 86.83 National Winner
33º José Aparecido dos Santos – Sítio Rancho – Chapada Diamantina – 86.73 National Winner
34º Elton Rodrigues de Lima – Sítio Serra das Cabeças – Matas de Minas – 86.63 National Winner
35º Ronis Pasti – Vale Café Quality – Montanhas do Espírito Santo – 86.57 National Winner
36º Salvador da Paixão Mesquita – Chácara São Severino – Chapada Diamantina – 86.53 National Winner
37º William Dalvi Sartori – Sítio Alto Bateia – Montanhas do Espírito Santo – 86.47 National Winner
38º José Roberto Cintra – Sítio das Aroeiras – Alta Mogiana – 86.37 National Winner

Para assistir a cerimônia de premiação completa do Cup of Excellence – Brazil 2021, clique aqui.

TEXTO Gabriela Kaneto

Mercado

Sustentabilidade, protagonismo feminino e diversidade de regiões marcam a SIC 2021

Foto: Leandro Alves/Semana Internacional do Café

A Semana Internacional do Café, encerrada na sexta-feira (12), cumpriu a proposta de “retomar, reencontrar, reconectar”, slogan da edição deste ano. A retomada do formato presencial no Expominas, em Belo Horizonte (MG), ganhou o suporte de uma programação digital robusta transmitida direto do pavilhão, encurtando ainda mais a distância entre produtores, marcas, consumidores e as atualizações estratégicas de mercado, incluindo a diversidade de origem dos cafés brasileiros e das políticas sustentáveis no setor.

Em números

Cerca de 10 mil visitantes puderam conferir, seguindo todos os protocolos de segurança, as novidades de 105 marcas expositoras, que ocuparam o espaço físico de um pavilhão e meio. Já na plataforma digital foram mais de 6 mil acessos, garantindo um alcance global ainda maior (25 países), somando o total de 16 mil visitantes híbridos. Na parte de conteúdo, a programação contou com 70 apresentações e 113 palestrantes, incluindo especialistas, produtores, pesquisadores e empresas. Em relação aos negócios, as rodadas nacionais foram muito movimentadas e os números ainda estão sendo compilados.

Com realização da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais (FAEMG), Café Editora, Sebrae e Governo de Minas, por meio da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), a SIC, novamente, consolida sua importância para o desenvolvimento do agronegócio do café, alinhada com as necessidades e movimentos que devem pautar o futuro da indústria.

Conteúdo estratégico e experiências

Enquanto o Fórum da Cafeicultura Sustentável levantou assuntos como aplicação as políticas de ESG na prática do campo, a inclusão de medidas de redução de emissões na cadeia de suprimentos, cafeicultura orgânica e bioinsumos, o Auditório Central e a Streaming Room, as duas principais áreas de transmissão, receberam temas como turismo rural, a diversidade dos cafés da Amazônia, e o nível de preocupação e exigência cada vez mais apurado dos consumidores. Também relacionado às tendências do mundo do café, o MCO Summit 2021, uma iniciativa do Sebrae Minas teve como tema o movimento das origens controladas e a busca pela diferenciação sustentável. Além disso, uma manhã inteira foi dedicada ao protagonismo e avanços fomentados pelo Encontro da Aliança Internacional das Mulheres (IWCA Brasil), que completou 10 anos.

Nos workshops realizados na Cafeteria Modelo, a mistura de teoria, prática e visão de mercado capacitou os participantes sobre cafés fermentados, leites vegetais e latte art, tipos diferentes de café e a importância dos aspectos sensoriais para a experiência de degustação. Ainda no campo prático, muita técnica e criatividade com nomes de referência no Barista Jam.

Foto: Leandro Alves/Semana Internacional do Café

Na Torra Experience, outra atividade bastante demandada, o público pôde conferir a apresentação Como Adaptar os seus perfis de Torra ao seu estoque do café, comandada pela mestre de torra Daniela Capuano, mineira vencedora do concurso Un Des Meilleurs Ouvriers de France, em 2019. Além disso, práticas como a rotina da torrefação e primeiros passos e noções básicas de torra com especialistas.

Tendências, inovação e tecnologia

Na onda dos produtos preocupados com o impacto ambiental, o leite vegetal Naveia foi um dos lançamentos que aconteceram na SIC. No conceito,  a economia de água é de 95%  e menos 70% de CO2 emitidos na atmosfera, entre outras características sustentáveis.

Na mesma toada de cuidado com o planeta, a Ball apresentou o café em lata, que une dois dados relevantes: o fato do Brasil ser o segundo maior consumidor do grão do café no mundo, além do maior produtor, e a liderança mundial do país na reciclagem de alumínio, com uma taxa de 97%.

Já a Bitcoffee chegou com a proposta do café comestível, ou seja, em formato sólido. Apresentado em três sabores: expresso, cappuccino e café com leite, o produto chama a atenção por oferecer um novo jeito de consumir.

A tecnologia também teve bastante espaço na SIC. A empresa Satake, por exemplo, apresentou uma classificadora óptica, a FMSR 01-L, que usa inteligência artificial para separar os grãos por cor, sendo possível também utilizar outros parâmetros, com alta precisão.

Prêmios

Comandada pela jornalista Mariana Proença, Diretora de Conteúdo da Café Editora, a SIC 2021 foi encerrada com a revelação dos melhores cafés do Brasil.

Foto: Alessandro Carvalho/Semana Internacional do Café

No Prêmio Coffee of The Year 2021, o grande vencedor na categoria arábica foi Elmiro Alves do Nascimento, da Fazenda Santiago, em Olegário Mariano (Cerrado Mineiro), com uma pontuação de 90,83 pontos. No segmento arábica fermentado, o primeiro lugar ficou com Sandra Lelis da Silva, do Sítio Caminho da Serra, de Araponga (Matas de Minas), que marcou 89,1 pontos.

Na categoria canéfora, o primeiríssimo lugar ficou com o tricampeão Luiz Cláudio de Souza, do Sítio Grãos de Ouro, em Muqui (Sul do Espírito Santo), com 86,06 pontos. Em canéfora fermentado, o prêmio foi para Poliana Perrut de Lima, da Chácara Paraná, Novo Horizonte D´Oeste (Matas de Rondônia), com 84,63 pontos. Saiba mais sobre as colocações do COY 2021 aqui.

Cafezal

Conheça as principais regiões produtoras de café do Brasil no 26º episódio da websérie da BSCA

Na quarta-feira (17) acontece o lançamento do 26º episódio da websérie “A História do Café Especial – O olhar da BSCA em 30 anos”, realizada pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Café Editora.

O vídeo traz informações sobre as principais regiões produtoras de café do Brasil, contadas através de pessoas locais que explicam sobre a singularidade de cada ambiente e cultivo. Os convidados foram: Francisco Lentini, Q-Grader; Henrique Cambraia, da Cambraia Cafés; Luiz Saldanha Rodrigues, da Capricornio Coffees; Henrique Sloper, da Camocim Organic; Carmem Lucia Chaves de Brito (Ucha), das Fazendas Caxambu e Aracaçu; Gabriel Nunes, da Nunes Coffee; Wellington Carlos Pereira, da Cocarive; Enrique Alves, da Embrapa Rondônia; César Viana Klem, da Klem Company; José Renato Rodrigues Alves, da Chácara Vista Alegre

Movimento da xícara ao grão

Com novos episódios lançados às quartas-feiras no YouTube da BSCA e no Instagram da Revista Espresso, o projeto busca levar informações relevantes sobre a cadeia do café especial ao consumidor final e a todas as pessoas que não possuem conhecimento deste universo, rebobinando o trajeto da bebida da xícara ao produtor e sua lavoura.

Com o intuito de aproximar as pontas do setor, a websérie conta com linguagem acessível e tradução em inglês. Deste modo, mais pessoas ao redor do mundo também podem conhecer de perto a história do café especial no Brasil e ficar por dentro de toda a qualidade da produção nacional!

TEXTO Redação • FOTO Agência Ophelia

Mercado

Painel debate certificações e neutralização de carbono durante a Semana Internacional do Café 2021

Na mesma semana em que aconteceu a 26ª Confederação das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP 26), o líder de Programa AAA de qualidade sustentável da Nespresso no Brasil e no Havai, Guilherme Amando, anunciou o compromisso firmado de neutralização do carbono até o próximo ano, na palestra “Como o ESG Impacta Minha Agricultura?”, um dos temas do Fórum da Cafeicultura Sustentável do dia 11 de novembro, realizado dentro da Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte (MG).

“O nosso pilar em sustentabilidade, no depósito de cup, tem a preocupação climática e o grande compromisso que temos firmado é o de neutralização do carbono até 2022. Trabalhamos muito alinhados à ONU, com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sempre com a visão de redução no período 2020-2030 e quando recebi a notícia da área global da empresa me surpreendi”, disse o executivo.

É fato que as políticas de ESG (Environmental, Social and Governance) estão impactando todos os setores da economia. No agronegócio não é diferente. Vários representantes da cadeia estão buscando alternativas para adequar os métodos de produção para atender o senso de urgência ambiental e também o novo perfil de consumidores.

“O consumidor está muito mais atento e busca, no grande varejo, marcas e produtos que estão comprometidos com critérios ESG, produtos que tenham histórias para contar. E ele está olhando também para sistemas de selo e de certificações”, afirmou o diretor executivo do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Marcos Matos, mediador do painel.

No contexto das certificações, Gustavo Bacci, diretor da 4C,  trouxe ao debate a importância das adequações do setor e destacou pontos importantes na cadeia produtiva que vão do uso de fertilizantes ao transporte para a implementação de ações para reduzir a emissão de carbono, destacando a parceria com a MEO Carbon Solutions no leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Alessandro Carvalho/Semana Internacional do Café

Mercado

Brasil soma 311 mil sacas de café solúvel exportadas no mês de outubro de 2021

Segundo levantamento estatístico realizado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), as exportações brasileiras do produto somaram 310.730 sacas de 60 kg em outubro de 2021, volume que representa aumento de 1,6% na comparação com as 305.787 sacas registradas no mesmo mês do ano passado.

Com o desempenho, a entidade informa que os embarques de solúvel saltaram para 3,273 milhões de sacas no acumulado deste ano, montante 2,5% inferior ao apurado entre janeiro e outubro de 2020 (3,356 milhões de sacas), ano em que foi batido recorde histórico nas remessas.

“Diante de todos os gargalos logísticos no comércio marítimo mundial e da forte elevação dos custos de produção, os cafés solúveis do Brasil demonstram resiliência e mantêm a característica do país de fiel e maior produtor e fornecedor global”, analisa Aguinaldo Lima, diretor de Relações Institucionais da Abics.

Questões logísticas e vendas travadas para 2022 preocupam

Segundo ele, o setor possuía expectativa para a quebra de novos recordes em 2021, mas teve que rever suas projeções devido à elevação nos preços da matéria-prima e aos constantes problemas logísticos de escassez de contêineres e navios, o que gerou dificuldades e aumento nos custos para todo setor exportador brasileiro.

“Os problemas climáticos, como a seca e as altas temperaturas no fim de 2020 e, mais recentemente, as geadas no parque cafeeiro, geram incertezas quanto à safra 2022 e ocasionaram uma disparada dos preços nos mercados físico e internacional, gerando lentidão nas decisões de compras futuras dos clientes internacionais do café solúvel brasileiro”, justifica.

Lima completa que, atualmente, os compradores do produto nacional aguardam uma estabilização das cotações para realizarem suas aquisições. “Isso preocupa o setor, pois afeta as expectativas e o leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Felipe Gombossy

Barista

SIC 2021: Modelo híbrido de ensino nos cursos de barista veio para ficar

Belo Horizonte (MG) foi palco do maior encontro de café do Brasil nos últimos dias. A Semana Internacional do Café ocorreu entre 10 e 12 de novembro, no Expominas, e contou com uma grade completa de conteúdos com temas do campo à xícara e com a participação de grandes profissionais do setor.

No última dia de evento, a Cafeteria Modelo, espaço criado dentro da feira para a realização de workshops, recebeu o barista Gabriel Guimarães, da Unique Cafés, e a curadora de experiências Helga Andrade, do Achega, para um bate-papo sobre “Ensino à distância ou presencial: Quem é o público que quer aprender sobre café?”. O painel foi mediado por Carolina Brazil, editora-chefe e apresentadora do Rondônia Rural.

Os convidados contaram um pouco sobre suas experiências e vivências profissionais e como tiveram que adaptar os conteúdos que ensinam nos cursos presenciais para o modelo digital, por conta da pandemia de Covid-19 sentida nos últimos quase dois anos. 

“Temos sempre que nos reinventar e testar novos canais, buscar outras referências”, disse Helga. Segundo ela, o on-line é positivo para o instrutor pois o força a estudar e estar sempre aprendendo. Além disso, o formato, muitas vezes, traz mais praticidade que o presencial. “Eu aprendi que algumas coisas eu consigo resolver à distância com agilidade. Nós não vamos dar um passo para trás e abandonar o on-line”, comentou.

“A pandemia causou uma sede de conhecimento e a tecnologia é uma coisa que o barista atual precisa estar por dentro”, comentou Gabriel, que apresenta um dos principais canais sobre café no YouTube. Ele acredita que, apesar de termos que explorar toda a tecnologia a nosso favor, a retomada ao presencial será rápida. 

Ambos os convidados apostam que o modelo híbrido de ensino será frequentemente usado no meio, com conteúdos mais teóricos, como a história do café, sendo repassados de maneira digital, enquanto que o presencial deverá ser focado na interação e na experimentação. “Acho que os cursos vão evoluir daqui para frente. Os alunos chegarão mais prontos”, pontuou Helga.

A curadora de experiências destacou que cada vez mais o consumidor está mais exigente e que essa aproximação com o cliente causa transparência no mercado. “Para mim, a tendência é a democratização da informação”, disse. Já do balcão para dentro, Gabriel explica que, para causar essa aproximação, é importante que o barista não se acomode a apenas fazer café, mas também saiba vender o produto, explicando sobre os processos do grão e os métodos de preparo para os consumidores. 

Tudo acaba em xícara

Ao final do bate-papo, Helga e Gabriel prepararam um café Robusta Amazônico cultivado pela cafeicultora Ediana Capich, de Novo Horizonte D’Oeste, Matas de Rondônia, vencedora da categoria “fermentação induzida canéfora” do Coffee of The Year 2020. Clique aqui e confira o resultado do Coffee of The Year 2021.

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Gabriela Kaneto

Cafezal

Produtores de Minas Gerais, Espírito Santo e Rondônia vencem o Coffee of The Year 2021

Preparados para os melhores cafés do ano? Nesta sexta-feira (12), foram divulgados os vencedores de um dos principais concursos de café do País, o Coffee of The Year 2021. Este ano, o prêmio recebeu 400 amostras de diferentes regiões produtoras, divididas em quatro categorias: arábica, canéfora, fermentação induzida arábica e fermentação induzida canéfora.

O anúncio foi feito no último dia de Semana Internacional do Café, realizada em Belo Horizonte (MG) entre os dias 10 e 12 de novembro. Além da nota composta por provadores Q-Graders e R-Graders de HUBs localizados nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rondônia, Rio de Janeiro, Curitiba, Bahia e Paraná, o público presente na feira pôde degustar as amostras às cegas e votar em suas favoritas.

Grandes campeões!

Nesta edição, o vencedor da modalidade arábica é de Patos de Minas (MG): o produtor Elmiro Alves do Nascimento, da Fazenda Santiago. Em segundo lugar ficou o campeão de 2020, Thiago Dias Douro, do Sítio Denizar, de Marechal Floriano (ES).

Na categoria canéfora, o ganhador já é conhecido: Luiz Claudio de Souza, do Sítio Grãos de Ouro, de Muqui (ES). Com essa vitória, Luiz Claudio se consagra tricampeão do Coffee of The Year! Em seguida, o segundo lugar foi para Rondônia, com Deigson Mendes Bento, da Café Don Bento, de Cacoal.

Pelo segundo ano, as fermentações induzidas foram premiadas como menções honrosas. Na fermentação induzida arábica, o café campeão é o da produtora Sandra Lelis da Silva, do Sítio Serra, de Araponga (MG). Já na fermentação induzida canéfora, o troféu foi para Poliana Perrut de Lima, da Chácara Paraná, de Novo Horizonte D’Oeste (RO).

Confira abaixo as colocações das quatro categorias:

Arábica

Elmiro Alves do Nascimento – Fazenda Santiago – Patos de Minas (MG)
Thiago Dias Douro – Sítio Denizar – Marechal Floriano (ES)
Ronaldo Pansini – Sítio Mata Fria – Conceição do Castelo (ES)
Enos Cortez Emerick – Sítio Cortez – Alto Caparaó (MG)
José Alexandre – Fazenda Forquilha – Espera Feliz (MG)
Beatriz Aparecida de Souza Guimarães – Quintais de Guimarães – Patrocínio (MG)
Altilina Lacerda – Sítio Forquilha do Rio – Dores do Rio Preto (ES)
Leonardo Gonçalves – Sítio Ao Leu – Dores do Rio Preto (ES)
Eliane Franco – Fazenda Boa Esperança – Bragança Paulista (SP)
10º Paulo Finamore – Sítio Finamore – Poço Fundo (MG)

Canéfora

Luiz Claudio de Souza – Sítio Grãos de Ouro – Muqui (ES)
Deigson Mendes Bento – Café Don Bento – Cacoal (RO)
Dione Mendes Bento – Café Don Bento – Cacoal (RO)
Luciano Dutra Pimenta – Fazenda Bonfim – Afonso Cláudio (ES)
Lucian Cicero Medeiros – Sítio Medeiros – Santa Rita do Itueto (MG)

Fermentação Induzida Arábica

Sandra Lelis da Silva – Sítio Caminho da Serra – Araponga (MG)
Patrícia Borges – Fazenda Fortaleza dos Borges – São Gonçalo do Sapucaí (MG)
André Freitas – Fazenda São Francisco – Patrocínio (MG)

Fermentação Induzida Canéfora

Poliana Perrut de Lima – Chácara Paraná – Novo Horizonte D’Oeste (RO)
Alessandra Inácio Lopez Frez – Sítio Santo Antônio – Novo Horizonte D’Oeste (RO)
Geanderson Gambarte Vieira – Sítio Flor do Café – Novo Horizonte D’Oeste (RO)

TEXTO Gabriela Kaneto • FOTO Veronica Manevy

Café & Preparos

Latte art com leite vegetal, dá certo?

Enquanto os leites vegetais, feitos de soja ou castanha, crescem como alternativas saudáveis para receitas e também para as pessoas com intolerância à lactose, ou que não consomem produtos de origem animal, o latte art, técnicas de desenho que usam o café espresso como base, avança nas cafeterias e no gosto do público. Mas é possível unir as duas coisas considerando questões visuais, de textura, sabor e aroma?

Danilo de Assis Pinheiro, barista e mestre de torra, afirma que sim. A convite da 3corações, ele apresentou um workshop sobre leites vegetais, latte art e receitas na Cafeteria Modelo, espaço montado dentro da Semana Internacional do Café, evento que acontece de 10 a 12 de novembro, no Expominas, em Belo Horizonte (MG), e na plataforma digital.

De acordo com o profissional, é possível trabalhar o latte art com leites vegetais de forma muito semelhante ao que é feito com leites de origem animal. Nos dois casos, entretanto, a técnica marca o sucesso dos resultados. Para isso, ele passou dicas importantes para quem pretende ingressar na área.

O primeiro ponto é entender como utilizar os equipamentos de forma adequada. Existe uma jarra de leite com formato específico para latte art chamada Pitcher. O utensílio é uma ferramenta que impede que o líquido saia com os movimentos de rotação. Outra questão é que a temperatura do leite deve ser refrigerada e não congelada. Isso porque quanto mais fria a bebida, melhor pode ser trabalhada.

Cappuccino e Mocha

O workshop também trouxe informações interessantes sobre uma das bebidas mais conhecidas nas cafeterias: o cappuccino. O especialista explicou que a receita original italiana não leva chocolate, só café, leite e a crema (espuma). Outro esclarecimento foi sobre o tamanho da xícara. Não existe cappuccino pequeno, pois é preciso que os ingredientes tenham proporções iguais (um terço para cada), o que não é possível fazer em recipientes menores. Por fim, a bebida precisa sempre atingir a borda da xícara.

“Por um bom tempo as pessoas ficaram em casa e não puderam visitar suas cafeterias preferidas e isso levou a um maior interesse em aprender sobre café e preparar receitas diferentes. A latte art tem crescido bastante e hoje vejo que existe uma preocupação que vai além do lado artístico, mas com a qualidade das bebidas que são utilizadas, o que é muito positivo. A SIC é um excelente espaço para um contato direto com os interessados neste mercado”, explica o barista e mestre de torra.

TEXTO Redação • FOTO Tim Umphreys

Café & Preparos

Especialista explica a importância dos aspectos sensoriais para degustação de cafés

O corpo humano é uma máquina complexa, mas entender os recursos ligados aos sentidos faz muita diferença para apreciação correta de alimentos e bebidas, uma relação que vai além do consumo puro e simples. No universo do café não é diferente e o Gerente Regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais, Marcos Reis, explicou o conceito em workshop na Semana Internacional do Café.

A apresentação, que reuniu produtores, baristas, outros profissionais do café e interessados na bebida, começou com o especialista explicando que na fisiologia sensorial o paladar é responsável por 20% da percepção e o olfato por 80%. Para entendimento do impacto da informação, Marcos Reis propôs um teste com os presentes com balas mastigáveis de morango. Na dinâmica, os participantes cobriram as narinas com as mãos durante a prova do doce.

“Todos puderam perceber que enquanto não podiam usar o olfato só sentiam a textura e a acidez da bala. O sabor de morango só ficou perceptível quando voltaram a respirar normalmente. Com o café e outros alimentos não é diferente”, disse.

Reis também explicou os motivos e benefícios da aplicação de análise sensorial. “É importante para a criação de novos produtos e definição de aceitabilidade pelo consumidor, product mapping, que é a identificação da posição de um produto em relação aos seus concorrentes, estudos de tempo de vida útil, detecção de contaminantes e especificações e controle da qualidade”, disse.

O especialista indicou que existem métodos para realização da análise. Alguns dos principais são: discriminativo, que consiste na comparação de produtos; descritivo, perfil de textura e análise descritiva quantitativa; e afetivo, que entre outros parâmetros, considera a ordenação por preferência. Este último, inclusive, é mais próximo do público por conta de testes realizados pelas marcas, onde as pessoas provam produtos na sequência sem identificar os fabricantes.

Para deixar o conceito bem claro, a própria SIC foi utilizada como exemplo. O concurso Coffee of The Year, que escolhe os melhores cafés do ano, é realizado no evento e tem uma dinâmica que considera avaliações técnicas e a opinião do público. O júri faz a análise descritiva, pontuando uma série de critérios. Já os visitantes provam os cafés em sequência e registram eletronicamente o voto no seu preferido. leia mais…

TEXTO Redação • FOTO Esteban Benites

Cafezal

Produtividade na cafeicultura pode aumentar em 17% com polinização assistida

Foto: Damien Tupinier

A técnica de polinização assistida envolvendo abelhas tem trazido resultados positivos para o meio ambiente e também para os produtores de café. Dados apresentados pela pesquisadora e coordenadora técnica da Empresa Eleve P&D/Agrobee, Joyce Dias, mostram que a alternativa sustentável possibilita aumento de 17,1% na produção por hectare, entre outros benefícios. “Temos uma melhora na qualidade do grão e da bebida e redução do abortamento na fase crítica. A planta segura o grão polinizado”. 

O processo desenvolvido pela empresa consiste em levar colmeias de espécies comprovadamente adequadas para as lavouras na época da florada para realizarem a polinização. As abelhas são retiradas assim que as flores murcham. “Tudo isso pode ser feito por aplicativo que conecta quem precisa das abelhas, no caso o produtor, com quem tem as abelhas. Elas não são nossas. Pelo sistema, geramos uma segunda fonte de renda para os criadores, com o aluguel das colmeias”, explicou Joyce.

A coordenadora também revelou a parceria da Aplebee com Nescafé Origins do Brasil neste ano para produção de café a partir da polinização pelas abelhas envolvendo três regiões de Minas: a Chapada Diamantina, Cerrado Mineiro e Sul de Minas.

O assunto fez parte da palestra “Alternativas para a agricultura moderna”, um dos destaques do Fórum da Cafeicultura Sustentável, da Semana Internacional do Café (SIC), na quinta-feira (11), que reuniu diferentes especialistas para debater opções mais sustentáveis.

No contexto de verificar novos rumos para a cafeicultura, o geologista e pesquisador da Embrapa, Eder de Souza Martins, destacou a importância do solo para a agricultura moderna, destacando os processos químicos como a rochagem ou remineralização, que consiste na fertilização a partir dos nutrientes das rochas.

Segundo o especialista o fenômeno aumenta o potencial produtivo e a qualidade da produção e beneficia tanto o terreno, quanto as plantas, que conseguem absorver esses nutrientes do solo. “A remineralização também está relacionada ao rejuvenescimento, uma renovação do local”, acrescentou.

Cafeicultura orgânica

Um dos principais destaques da agricultura moderna, a cafeicultura orgânica, também foi assunto no painel. Com 30 anos de experiência no cultivo de cafés orgânicos, a produtora Miriam Aguiar, da Fazenda Cachoeira, localizada em Santo Antônio do Amparo e uma das pioneiras na área, debateu a importância de pensar o conceito de modernidade na agricultura. “O moderno envolve interdependência e deve conectar quem produz com quem consome, diferente daquela cafeicultura de commodities do passado, que era voltada para o comércio”, explicou. 

Foto: Agência Ophelia

Segundo a produtora não adianta apenas buscar novas soluções para minimizar os problemas existentes, mas mudar conceitos. “Para mim uma cafeicultura moderna tem que produzir mais diversidade, não é monocultura, não é substituir insumos. O modelo que a gente acredita e tem trabalhado é uma cafeicultura orgânica que unirá produção de frutas e outros alimentos, além de envolver o turismo. É pensar o conceito de um sistema vivo, entender como ele funciona”. 

Para o mediador Leonel Satiro de Lima – Coordenador Técnico Regional de Meio Ambiente da Emater MG, que abriu a palestra com algumas questões do conceito de modernidade e os processos de mudança, “as alternativas que são encontradas para a agricultura, para a cafeicultura moderna precisam estar de acordo com a natureza”. 

Semana Internacional do Café

A SIC está sendo realizada em formato híbrido e termina na sexta-feira (12). O credenciamento pode ser feito pelo site. A Semana Internacional do Café (SIC) é uma iniciativa do Sistema FAEMG (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Minas Gerais), da Café Editora, do Sebrae e do Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais (Seapa).

Realizada desde 2013 em Belo Horizonte, capital do maior estado produtor do país, a SIC tem como foco o desenvolvimento do mercado brasileiro e a divulgação da qualidade dos cafés nacionais para o consumidor interno e países compradores, além de potencializar o resultado econômico e social do setor. Em 2020, primeiro ano da pandemia, a SIC 100% Digital foi um grande sucesso. Teve 25 mil acessos, de 58 países e mais de 70 horas de conteúdo e 176 palestrantes com grande relevância no mercado nacional e internacional.

A edição deste ano tem patrocínio master Nestlé e Sistema Ocemg, patrocínio specialty Sicoob e 3Corações Rituais, patrocínio premium Melitta, patrocínio standard Yara, Mosaic Fertilizantes, QIMA/WQS e Banco do Brasil.