Mercado

Transformação marca 1º dia de palestras da Semana Internacional do Café 2025

Painéis sobre clima, capital verde e melhoramento do café mostram que a transformação da cafeicultura brasileira passa por inovação, dados e sustentabilidade

Arena SIC, no centro da área de expositores, recebe paineis do Simpósio DNA Café e Fórum da Cafeicultura Sustentável

 “É tradição do café brasileiro fazer transformação com tecnologia”. A frase, poderosa e capaz de sintetizar a história moderna da cafeicultura brasileira, acaba de ser materializada no rebranding da marca Cafés do Brasil, cujo lançamento aconteceu na abertura da Semana Internacional do Café nesta quarta (5), no Expominas, em Belo Horizonte, com o tema “Café em Transformação–Inovação, Sustentabilidade e Oferta no Mercado Global”.

Representada pela letra T, adicionada à sigla ESG, o novo slogan ESGT  reposiciona a marca coletiva para reforçar globalmente a imagem do país como produtor sustentável e inovador, e que incorpora a tecnologia como motor da cafeicultura. “Precisamos saber contar nossas histórias, e de maneira competente”, resume Aguinaldo Lima, diretor da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café). Lima foi um dos palestrantes do painel Apresentação da marca Cafés do Brasil”. O objetivo do reposicionamento  da marca – que levou 11 meses para ser construída pelas principais entidades do setor de forma harmônica, ou seja, com a participação de toda a cadeia – foi atualizar a identidade da marca e consolidar  o café brasileiro como referência global em sustentabilidade, qualidade e inovação. Pois, no Brasil, a sustentabilidade é feita com tecnologia, a força motriz da cafeicultura nacional.

O trabalho também resultou em um novo logotipo – conduzido pela agência Design Bridge and Partners, que fez todo o rebranding – que, de acordo com Renoir Sell, diretor de estratégia da agência no Brasil, oferece uma identidade visual “contemporânea e competitiva”, que transmite a “percepção de movimento mas com elementos de reconhecimento”. 

A transformação também é uma das responsabilidades dos líderes. Três deles participaram do painel “Brasil e COP30: mudanças climáticas, sustentabilidade e protagonismo global”, que abriu as conferências do tradicional Simpósio DNA Café, que reúne especialistas para debater tendências de consumo, tecnologia, negócios e o futuro do setor cafeeiro. Apresentados pelo mediador Pedro Ronca, diretor da Plataforma Global do Café no Brasil, Marcos Matos, CEO do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café no Brasil), Fabricio Andrade, presidente da Comissão Nacional do Café da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e Natália Carr, gerente de ESG da Cooxupé, reforçaram a necessidade de o Brasil comunicar melhor suas conquistas ambientais e sociais, consolidando a imagem do café como parte da solução climática. “Ser líder é também ser alvo, e como líderes, não podemos descansar, temos uma agenda ambiental forte para apresentar”, resumiu Ronca, lembrando a proximidade da COP30 e o avanço da cafeicultura do Brasil em relação aos outros países produtores. “A produção, a qualidade e a sustentabilidade do café brasileiro tem evoluído muito rápido diante dos outros países”, concordou Fabricio Andrade. Para ele, embora nossa cadeia seja eficiente – cerca de 85% do FOB Santos vai para o cafeicultor –, é preciso vencer desafios, como implementar práticas de cultivo mais resilientes, gerar atrativos para manter jovens no campo e resolver problemas de logística e armazenamento do café. 

Na avaliação de Marcos Matos, a COP30 no Brasil coloca o café em uma “vitrine estratégica” e obriga o país a comunicar sua liderança em sustentabilidade com dados e “voz unificada”. “É preciso provar com métricas do ambiente tropical que a cafeicultura faz parte da solução climática, e não do problema: Temos uma agricultura de baixo carbono, com balanço de carbono negativo na lavoura”, observa. “Temos que fazer valer nossas informações e nossas regras; o agro brasileiro se organizou, exige respeito”, completa, referindo-se ao Fórum Brasileiro da Agricultura Tropical, iniciativa lançada em 2025 para posicionar a agricultura tropical brasileira como parte central das soluções globais para clima, segurança alimentar e energia.

Já Natália Carr reforçou que cooperativismo também faz parte da solução. “É uma forma de união, de distribuição de valores e, principalmente, de escala”, disse.

Inovações para enfrentar os atuais desafios foi a marca do painel “Mercado global em transformação: dinâmicas e caminhos”, que reuniu Marcos Matos (Cecafé), Aguinaldo Lima (Abics) e Pavel Cardoso (Abic) e abordou os efeitos do cenário geopolítico global sobre as exportações e a indústria de café. Para Matos, o momento geopolítico complexo faz com que seja preciso que o Brasil “trabalhe em conjunto, de forma organizada” para enfrentar legislações como o tarifaço dos EUA e as novas regras ambientais europeias. Segundo ele, o diferencial competitivo do café brasileiro é ter “origem confiável”.

Aguinaldo Lima ressaltou a necessidade do setor de café solúvel – cujo consumo global é de 28% – de se posicionar de forma mais estratégica. “Temos que ser mais agressivos em acordos comerciais”, ressaltou. Ao mesmo tempo, LIma relembrou o avanço na qualidade dos blends – com a emergência dos canéforas de qualidade – e destacou a inovação do setor com o desenvolvimento do protocolo de análise sensorial de café solúvel pela Abics, que auxilia a exportação, o consumo e o  posicionamento de mercado dos solúveis, além de ter potencial para ser mundialmente reconhecido.

Pavel Cardoso apontou a dificuldade da indústria de café em equilibrar a volatilidade dos preços sem transferi-la ao consumidor. Embora acredite que o momento difícil tenha sido “extremamente rico” para o amadurecimento da indústria de café, que conseguiu manter qualidade, Cardoso alertou para o crescimento da exportação de cafés robusta pelo Vietnã e destacou a necessidade da busca de mercados alternativos para o café brasileiro. “Corremos o risco de perder nossa posição para o Vietnã”.

Seguindo a lógica da capacidade de transformação da cafeicultura brasileira, o painel “Capital verde & ESG: uma oportunidade para o mercado de café” discutiu como mobilizar e democratizar o “capital verde” para financiar a transição regenerativa na cafeicultura, com foco em crédito, risco e acesso. Os palestrantes Felipe Vignoli, da Impacta  Finanças Sustentáveis, e Luisa Lembi, do BDMG (Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais) apresentaram à audiência – a Arena SIC, onde aconteceram os paineis, permaneceu lotada ao longo do dia – como funciona esse tipo de financiamento, ainda uma novidade no Brasil. “Para poder mudar as coisas, é preciso capacitação técnica”, ensinou Luisa, sobre um dos eixos (a capacitação técnica gratuita) que norteia o programa AgroMinas, do BMDG, que promove a agricultura regenerativa na cafeicultura – o outro são as duas linhas de crédito que financiam práticas regenerativas via cooperativas de crédito. 

Vignoli, que fundou a Impacta com o objetivo de facilitar o fluxo de capital para empresas comprometidas com o desenvolvimento sustentável, aposta no blended finance (junção de diferentes tipos de financiadores): “Produzir um café em floresta, por exemplo, é diferente e, por isso, precisa de um mecanismo diferente”. Segundo ele, captar recursos para inovações como esta é “um caminho tortuoso”, mas que encontra vários atores disponíveis para isso. Porém, conectar as duas pontas (financiadores e produtores), em escala, é o grande desafio, embora não falte volume de dinheiro, mas acesso. Para os palestrantes, o futuro do crédito verde envolve, portanto, aproximação de diferentes atores, capacitação e suporte técnico, combinação de recursos e aumento de fontes de capital. “Quero, no futuro, ver que esse tipo de financiamento é algo comum”, almeja Vignoli. 

Inovador também é o tema do painel “Agricultura 5.0: integração inteligente de tecnologias, dados e sustentabilidade”. A começar pelo conceito “5.0”, uma evolução da agricultura 4.0 – uso de drones e agricultura de precisão, por exemplo – ao integrar ferramentas de inteligência artificial, robótica (automação de sistemas), biologia sintética (como plantas transgênicas, por exemplo) e impressão 3D e 4D no processo de desenvolvimento da tecnologia. 

A introdução ao conceito, sua aplicação na cafeicultura brasileira e exemplos de seu uso na Europa permearam o painel, comandado pelo pesquisador da Embrapa Maurílio de Oliveira e pelo CEO da Scicrop José Damico. “Um robô, com um processo de automação diferenciado e tecnologias embutidas, é capaz de tomar decisões em tempo real”, exemplifica Oliveira. 

Num cenário futuro, mas quase presente, o diferencial será o banco de dados de cada produtor. “O conjunto dos meus dados e desta tecnologia, que estará disponível para todos, pode trazer benefícios diferentes”, resume Damico. Segundo Oliveira, esse novo pacote – conhecido como “digitalização do agro” – embutido na agricultura 5.0 está sendo comparado à revolução trazida pela mecanização agrícola. Com uma conectividade  5G, fundamental para o processo, a agricultura 5.0 ganha independência. “Esse é o grande diferencial, pois não há mais segmentação do trabalho envolvendo o homem. Tudo é automatizado e acontece em tempo real, e isso já é uma realidade”, conta Oliveira. 

Drones que decidem onde aplicar nutrientes e robôs que colhem com precisão apenas frutos maduros são exemplos do que está chegando. Segundo os painelistas, a agricultura 5.0, ao facilitar a organização da produção de café e seu rastreamento, vai ajudar na tomada de decisões tanto em termos de propriedade como de região.

Na última apresentação do dia, “O DNA do café do futuro: como a genética molda a cafeicultura”, mais inovações, atreladas às mudanças climáticas, foram apresentadas pelos cientistas convidados para compor a apresentação. Um dos grandes destaques do painel foi o estudo da aplicação de edição gênica ao café. De acordo com Eveline Caixeta, pesquisadora da Embrapa Café, o “silenciamento” de genes indesejáveis é a próxima fronteira a ser vencida no café. Enquanto isso, avanços no melhoramento tanto de cafés arábica quanto de canéforas estão a todo vapor. Fabiano Tristão, coordenador de cafeicultura do Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural), depois de apresentar os avanços, nas últimas três décadas, no melhoramento dos conilons no Espírito Santo, vê o futuro da variedade a partir, por exemplo da seleção de clones com maior tolerância à doenças como a ferrugem, maior valor nutracêutico ou mais adaptados à mecanização. Daqui há 3 anos, o Incaper vai lançar, ainda, uma cultivar de altitude.

Já Gladyston Carvalho, pesquisador da Epamig (Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais), apresentou a tecnologia presente nas novas cultivares de arábica – que resultaram, por exemplo, na inversão da cafeicultura no Cerrado, onde antes predominava a produtiva cultivar catuaí, desenvolvida nos anos 1970 pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas). “Os cafés brasileiros têm várias tecnologias simultâneas embarcadas”, frisa Carvalho. Sua aposta para o futuro dos arábicas é no desenvolvimento de clones de arábica que tenham produtividade maior e que levem menos tempo para originar novas cultivares.  

Provocados pelo mediador Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia quanto à variedade que irá se tornar o futuro da cafeicultura, os pesquisadores concordaram: o futuro é do café híbrido (conilon e robusta).

A Semana Internacional do Café (SIC) é uma realização Espresso&CO, Sistema Faemg Senar, Sebrae e Codemge, com apoio institucional do Sistema Ocemg. Conta com patrocínio diamante de 3corações Rituais, patrocínio ouro Anysort, Sicoob e Senac em Minas e patrocínio bronze de Nescafé, União e Yara. Apoio de ABIC, Abrasel, IWCA Brasil, BSCA, Cafés do Brasil, Cecafé, Ministério da Agricultura e Pecuária do Governo Federal, Sindicafé-MG. A Revista Espresso e o CaféPoint são as mídias oficiais.

Cafezal

Regiões produtoras ampliam presença e diversidade na 13ª Semana Internacional do Café

De Rondônia ao Caparaó Mineiro, as regiões produtoras ampliam sua presença na SIC 2025, reforçando a diversidade e a força territorial do café brasileiro

Pico da Bandeira, atração que integra as Rotas Turísticas do Caparaó Mineiro, estande que une café e turismo do Caparaó

Por Cristiana Couto

A 13ª edição da Semana Internacional do Café (SIC), que começa nesta quarta (5) em Belo Horizonte (MG), tem recebido cada vez mais diversidade de origens, sejam elas representadas por cooperativas, prefeituras ou com estandes próprios. 

Sob o tema “Café em transformação – inovação, sustentabilidade e oferta no mercado global”, a feira reflete a expansão e a consolidação da identidade territorial do café brasileiro, com novidades como o Paraná e o município mineiro de Conselheiro Pena, que estreiam este ano entre os expositores. “Na SIC, as origens do café ganham voz e protagonismo. São elas que revelam o sabor, a cultura e as pessoas por trás de cada xícara”, destaca Caio Alonso Fontes, da organização da SIC. 

Em um evento que deve reunir mais de 25 mil visitantes, mais de 200 expositores e movimentar cerca de R$ 150 milhões em negócios, a presença das regiões produtoras vem se firmando como um dos pilares da feira, seja ela emergente, consolidada ou em busca de reconhecimento. Estarão lá municípios e cafeicultores mineiros (Cerrado Mineiro, Mantiqueira de Minas, Sul de Minas), além de representantes do Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Rondônia e Acre.

Entre as novidades desta edição está Conselheiro Pena, localizada no Vale do Rio Doce (MG), que se apresenta pela primeira vez como região produtora de cafés especiais. “Recentemente, descobrimos que o nosso município possui um terroir muito específico, resultado da combinação entre clima, solo, topografia e biodiversidade local, fatores que influenciam diretamente a qualidade dos nossos cafés”, conta Eric Oliveira Dique, Secretário Municipal de Agricultura, Pecuária e Meio Ambiente.

O município, conhecido por sua biodiversidade e apelidado de “terra de gigantes” pelo tamanho generoso que as plantas nativas alcançam, aposta na cafeicultura familiar (são cerca de 400 cafeicultores) e em cafés de altitude (1.070 m) para construir sua reputação. “Toda essa riqueza natural se reflete no perfil sensorial dos nossos cafés, produzidos pelas mãos da agricultura familiar”, diz o secretário.

Cafeicultor de Conselheiro Pena (Minas Gerais), município que participa pela primeira vez da SIC

Seis representantes locais participam do evento, com o apoio da prefeitura, incluindo a tradicional indústria Frei Caneca, ao lado de cinco famílias que apresentam sua marca – todas elas inscreveram-se no Coffee of the Year este ano. Com 24m2, o estande traz arábicas locais para venda e degustação, grãos verdes e atrativos culturais que contam um pouco da história de Conselheiro Pena. “Participar da SIC, que é a vitrine do café na América Latina, representa o reconhecimento de um novo território produtor que começa a revelar seu potencial ao Brasil”, resume Dique, sobre o avanço da abertura de novas áreas dedicadas ao café no município. 

Outra novidade é o Paraná, que volta à feira em 2025 com estande próprio. No estande de 64 m2, o estado apresenta 24 expositores, entre produtores e associações de municípios como Apucarana, Jacarezinho, Santo Antônio da Platina, Maringá e Londrina, e cafeterias. Haverá degustação desses cafés em sistema de rodízio, além de seis cuppings temáticos, como o de cultivares desenvolvidas no estado, de grãos participantes do concurso de qualidade do Paraná e de amostras das IGs paranaenses já consagradas ou em processo de solicitação no INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial). “O café faz parte da história de sucesso do Paraná e hoje traz a qualidade de uma bebida, produzida com muito esmero para ser mostrada ao mundo na SIC”, comemora Lorian Voigt Gair, engenheira agrônoma da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento do Paraná. 

O Acre também chega com uma das delegações mais diversas da feira, reunindo cerca de 30 produtores e incluindo, pela primeira vez, representantes indígenas. Os robustas amazônicos apresentados vêm de municípios como Mâncio Lima, Xapuri, Assis Brasil, Brasileia e Rio Branco — um recorte que vai do extremo oeste da Amazônia à tríplice fronteira com Peru e Bolívia. “A ideia é mostrar o avanço da cafeicultura acreana, que já movimenta praticamente todo o estado: dos 22 municípios, 19 produzem café, e cerca de 14 estão envolvidos na produção de cafés especiais”, comenta Michelma Lima, coordenadora do núcleo da cafeicultura da Secretaria de Estado da Agricultura do estado.

Produtora de robusta amazônico no Acre, estado que vem aumentando sua produção

A maior parte das amostras foi selecionada entre os 15 melhores do concurso QualiCafé, promovido pelo governo estadual. “Queremos mostrar que é possível produzir café de qualidade preservando a floresta”, destaca ela. “Participar da SIC, é uma forma de abrir portas para novos mercados, fortalecer parcerias e posicionar o Acre no mapa dos cafés especiais”, completa. 

Os robustas amazônicos de Rondônia, por sua vez, voltam a Belo Horizonte com força total, comemorando uma década de participação na SIC. Em um estande com 120 m2 que vai abrigar uma comitiva com mais de 100 pessoas, o público poderá provar mais de 140 quilos de grãos de robustas finos, com diferentes perfis sensoriais. Rondônia também vai promover o evento “COP na SIC” na quinta-feira (6), no Grande Auditório, com degustações técnicas, palestra e lançamento do livro Café Canéfora: Ciência, Sabor e Identidade e do minidocumentário Robusta Amazônico: Café, Orgulho, Identidade. “É um momento de imersão e confraternização dedicado à construção de uma cafeicultura sustentável, saborosa, resiliente e amazônica”, diz o engenheiro agrônomo Enrique Alves, pesquisador da Embrapa Rondônia e um dos organizadores da ação. 

Parte do estande de Rondônia na SIC 2023; o estado comemora em 2025 a 10ª participação no evento

Este ano, o Caparaó participa da Semana Internacional do Café (SIC) 2025 com o estande Rotas Turísticas do Caparaó Mineiro. A rota integra turismo e cafeicultura, e reúne Alto Caparaó, Alto Jequitibá, Caparaó e Espera Feliz, que ficam no entorno do Parque Nacional do Caparaó e englobam 49 municípios. O público poderá conhecer cafés premiados e participar de três atrações com café, como o preparo na xícara. “A Rota do Caparaó não é apenas café: é experiência, turismo, cultura e memória afetiva”, diz Ramiro Aguiar, presidente da Agência de Desenvolvimento do Caparaó Mineiro. 

Pioneira em denominação de origem de café no país, o Cerrado Mineiro celebra duas décadas do registro de indicação geográfica com um estande de 240 m². Durante a feira, o público poderá acompanhar sessões diárias de cupping com cooperativas e conhecer os campeões do 13º Prêmio Região do Cerrado Mineiro, avaliado este ano pelo novo protocolo Coffee Value Assessment (CVA), desenvolvido pela SCA (Specialty Coffee Association) – a nova categoria Doce Cerrado Mineiro será apresentada pela primeira vez no estande. “Celebrar duas décadas da indicação geográfica na SIC é reafirmar nosso compromisso com a origem e com o valor agregado da cadeia produtiva”, destaca Juliano Tarabal, diretor-executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.

De norte a sul, as regiões produtoras presentes na SIC comprovam que o futuro do café brasileiro passa pelo reconhecimento de origem – de muitas origens.

TEXTO Cristiana Couto

Mercado

Minas consagra os três campeões do Cup of Excellence 2025

A final da 26a edição do concurso, que aconteceu neste sábado (1o) em São Paulo, premiou Mantiqueira de Minas, Cerrado Mineiro e Sul de Minas

Por Cristiana Couto

Mantiqueira de Minas, Cerrado Mineiro e Sul de Minas foram as regiões vencedoras da 26a edição do Cup of Excellence, reveladas neste sábado (1o) no Diamond House, na capital paulista. A competição, que nasceu em 1999 no Brasil e hoje acontece em 11 países, premiou os melhores cafés de qualidade brasileiros da espécie arábica em três categorias: via seca, via úmida e experimental – as duas últimas, introduzidas em 2023.

Na categoria via seca (cafés de processamento natural), o vencedor é a Fazenda Aracaçu, de Três Pontas, no Sul de Minas, com a variedade arara, que alcançou 90,79 pontos. Na categoria via úmida (cafés despolpados, descascados ou desmucilados), sagrou-se campeão, também, um arara, este da Fazenda Água Limpa, em Campos Altos (Cerrado Mineiro), que obteve 91,37 pontos. E na categoria experimental (que agrega cafés fermentados de várias maneiras), ganhou um arábica da variedade gesha da Fazenda Rio Verde, em Conceição do Rio Doce (Mantiqueira de Minas), com 91,68 pontos (veja a lista dos finalistas aqui).

A novidade em 2025 é a consagração de um produtor que apresenta consistência, ao longo dos anos, na alta qualidade dos lotes que envia ao concurso e que, também, deixa um legado para outros cafeicultores. O produtor Luiz Paulo Dias Pereira Filho, da Fazenda Santuário Sul, em Carmo de Minas, recebe o novo título “Lendas da Excelência” (“Legends of Excellence”, na versão original). Participante desde o início, ele já ficou 23 vezes entre os melhores da competição. A nova distinção será atribuída a mais cinco produtores no mundo. “Este prêmio não é meu, é do Brasil”, disse Pereira, ao receber o troféu.

Nos últimos anos, a principal tendência do concurso tem sido o aumento no número de regiões destacadas. “Isso fortalece a marca brasileira, que é de diversidade e capacidade de inovação”, diz Vinícius Estrela, diretor-executivo da BSCA, uma das organizadoras do CoE no Brasil. 

E eem 2025, o concurso foi marcado pela presença de muitas variedades brasileiras. “Isso mostra que os juízes internacionais estão conseguindo valorizar as variedades brasileiras da mesma forma que outras”, explica Estrela.

Os 30 melhores cafés (pontuados igual ou acima de 87), provados por júri nacional e internacional, seguem para o leilão Cup of Excellence (virtual e internacional). Este ano, foram 615 amostras enviadas, e o leilão dos cafés brasileiros acontece em 9 de dezembro. Além da BSCA, o concurso no Brasil é organizado pela Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e pela ACE (Alliance for Coffee Excellence).

A China como fiadora do mercado do café

Por Gustavo Paiva

Nas últimas semanas, vivenciamos a escalada das tensões tarifárias impostas pelo presidente Donald Trump a aliados e adversários dos Estados Unidos ao redor do mundo. Entre os quinze maiores produtores de café robusta e arábica, mais da metade sofreu algum tipo de aumento tarifário. Entre os quinze maiores consumidores, em sua maioria países europeus e aliados dos EUA, absolutamente todos sofreram aumento.

Em um momento de níveis historicamente baixos de estoque e de consumo relativamente resiliente ao aumento de preços, pode-se perguntar quem seriam os grandes vencedores e perdedores de tais tarifas. O produtor brasileiro, no momento, tem a preocupação legítima em relação ao final da sua própria safra, e como comercializar o produto que acabou de ser colhido.

Primeiro, os grandes perdedores deste novo sistema tarifário tendem a ser as empresas e consumidores de países não produtores de café. Importante lembrar que as empresas nestes países consumidores estão trabalhando com estoques baixos devido ao aumento na taxa de juros nos países importadores, e ao aumento do preço devido à baixa produção das últimas safras.

Este cenário implicou em um corte na margem de lucro ou no repasse do aumento do preço ao consumidor final. Sem muita margem de manobra, empresas terão de arcar com um novo corte de lucro ou, então, um novo repasse ao consumidor. Importante lembrar que uma parte relevante das exportações de café é feita entre as próprias multinacionais, em que a empresa exportadora faz parte do mesmo conglomerado que a empresa importadora.

Do lado ganhador, até o momento, encontra-se antes de mais ninguém a China. Devido a esta conjunção de fatores, o país tem uma chance histórica: a possibilidade de deixar de ser um promissor mercado emergente, para ser um ator central no presente e detentor de consideráveis níveis de estoques de cafés.

É válido ressaltar que, mesmo que não se consuma uma quantidade importante de café, qualquer país pode ser um agente relevante do mercado, comprando e vendendo contratos e pressionando o preço para cima ou para baixo conforme seus próprios interesses. 

Só neste ano, o governo de Pequim reservou pouco mais de US$ 24 bilhões apenas para estocar cereais, óleos alimentícios e outros itens. A ideia por trás desta medida é implementar uma reserva de produtos alimentares que não são produzidos na China e reduzir a dependência chinesa de outros países como Estados Unidos, Brasil e membros da União Europeia. Ainda não está claro se tal estratégia seria praticada no café, visto que o consumo per capita anda baixo.

Recentemente, a China habilitou diversos exportadores brasileiros a comercializarem com o país. Mesmo que a iniciativa não signifique a certeza de comércio, ela acaba facilitando o fluxo de transação do grão brasileiro e simplifica a burocracia para exportar. As importações de café pela China bateram recordes até 2023, recuando um pouco no ano seguinte.

Ainda no cenário do sudeste asiático, temos grandes países produtores com uma considerável população consumidora, que ainda consome um volume relativamente baixo por questões culturais e financeiras. Com a queda do preço no mercado interno, consumidores locais podem ter um incentivo à mudança cultural e substituir o café pelo chá. 

Ou, ainda, um incentivo ao comércio regional dentro dos países membros da Associação das Nações do Sudeste Asiático, que conta com dois grandes produtores de café – Indonésia e Vietnã –, um grande consumidor – Filipinas –, e uma população total de 670 milhões de pessoas, três vezes maior do que a população brasileira.

Portanto, se a estratégia do governo de Donald Trump buscava distanciar o Brasil da China e causar prejuízos às empresas daqui, a medida pode estar chegando em um péssimo momento e acabar gerando um efeito reverso. Os estoques de café e outros produtos alimentares estão historicamente baixos nos Estados Unidos, o que pode implicar um aumento de preços e inflação no curto prazo. Além disso, pode acabar aumentando a importância da China em mercados onde os Estados Unidos possuíam hegemonia, fazendo, ainda, o país perder o poder de barganha e de acesso aos estoques de matérias-primas.

Gustavo Magalhães Paiva é formado em relações internacionais pela Universidade de Genebra, é mestre em economia agroalimentar e foi consultor das Nações Unidas para o café.

Barista

Australiano vence o Campeonato Mundial de Barista em Milão

Em um palco que celebra a precisão e a paixão pelo café, o australiano Jack Simpson, da Axil Coffee Roasters, conquistou o título de Campeão Mundial de Barista 2025, durante a HostMilano, em Milão. A competição, realizada entre 17 e 21 de outubro, reuniu profissionais de mais de 50 países e colocou à prova inovação, técnica e criatividade, elementos que definem o futuro do café de especialidade.

O pódio foi seguido por Simon SunLei, da Marus Coffee (China), em segundo lugar, e Ben Put, da Monogram Coffee (Canadá), em terceiro. Representando o Brasil, Emerson Nascimento, do Coffee Five (RJ), encerrou sua participação em 19º lugar, após uma apresentação elogiada por sua consistência e performance.

Apresentação do brasileiro Emerson Nascimento no Campeonato Mundial de Barista 2025

Classificação final – Campeonato Mundial de Barista 2025

1º lugar Jack Simpson (Austrália)
2º lugar Simon SunLei (China)
3º lugar Ben Put (Canadá)
4º lugar Jason Loo (Malásia)
5º lugar Hiroki Ito (Japão)
6º lugar Christopher Sahyoun Hoff (Dinamarca)

A vitória de Simpson não surpreende quem acompanha a cena australiana. Melbourne, sua cidade natal, é reconhecida como uma das capitais mundiais do café e abriga a Axil Coffee Roasters, cafeteria e torrefação que detém o título nacional de barista há três anos consecutivos. Parte desse sucesso se deve justamente à Simpson, que acumula dois desses títulos e já havia sido vice-campeão mundial em 2024.

TEXTO Redação • FOTO Divulgação

Café & Preparos

Encontros e workshops movimentam a programação da SIC 2025

Painéis, seminários e atividades práticas refletem a diversidade da cadeia cafeeira em debates sobre inovação, sustentabilidade e novos mercados


Palestras, reuniões técnicas e atividades práticas movimentam os espaços da Semana Internacional do Café (SIC) 2025 dentro da atração Encontros & Workshops – um dos eixos que mais refletem a diversidade da cadeia cafeeira no evento, que acontece de 5 a 7 de novembro em Belo Horizonte. A programação conecta produtores, torrefadores, baristas, cooperativas e especialistas em painéis voltados à inovação, sustentabilidade e negócios.

O ano dos canéforas
Este ano, os cafés canéfora se destacam entre as atividades em espaços como a sala Inteligência de Mercado, que promove encontros e debates sobre tendências globais, estratégias de mercado e sustentabilidade, e a Cafeteria Modelo, voltada ao conhecimento prático do cotidiano de uma coffee shop.  

No dia 6, às 17h, haverá o lançamento de clones de conilon de altitude. Apresentado pelo pesquisador Fábio Partelli, da Universidade Federal do Espírito Santo, os novos clones revelam a adaptabilidade, o vigor e a produtividade desta variedade de canéforas em altitudes elevadas. No dia anterior, Leandro Paiva, do Instituto Federal do Sul de Minas, faz uma abordagem profunda sobre a torra dos canéforas (dia 5, às 13h). “Falaremos sobre as diferenças de torra entre arábica e canéfora, mas o mais importante é frisar a diferença entre os clones de robusta e conilon”, explica Paiva. “As diferentes densidades e formatos dos grãos dos clones é que trazem uma diferença significativa para os processos de torra.” 

A diversidade de sabores desta espécie serão, ainda, descortinados na palestra “Apresentando a roda de sabores do canéfora”, fruto de um estudo, divulgado este ano por cientistas brasileiros, que identifica 103 descritores sensoriais para a espécie com o intuito de promover seu valor no mercado de cafés especiais. 

No dia 6, às 17h30, os robustas amazônicos são tema do “COP na SIC: Robusta, a força sustentável do café na Amazônia”, um encontro de mais duas horas que revela o protagonismo desses cafés na região norte do país. A programação reúne especialistas, pesquisadores e produtores que vêm transformando (e espalhando) o cultivo de canéforas na região em termos de qualidade, inovação e sustentabilidade.

Entre os destaques do encontro estão os painéis “Mercado e oportunidades para os cafés amazônicos” – conduzido por especialistas como o especialista em cafés especiais Silvio Leite, Aguinaldo Lima (Abics), Pedro Lima (Grupo 3corações) e Juan Travain, presidente da Associação de Produtores Associados da Região das Matas de Rondônia (Caferon) – e “Ciência e evolução dos robustas brasileiros”, que trata dos avanços em pesquisa, manejo e genética que têm redefinido o cultivo de canéforas no país. Deste último participam os cientistas Lucas Louzada (Mió Coffee Limited), Lívia Lacerda (UnB), Carlos Ronquim (Embrapa Territorial) e Enrique Alves (Embrapa Rondônia). O encontro ainda conta com o lançamento de um minidocumentário sobre os robustas amazônicos e encerra com degustação técnica e coquetel com produtos da Amazônia. 

Por uma cafeicultura mais sustentável
Durante os três dias da SIC (das 8h às 11h), o consórcio Ecoffee – iniciativa internacional de pesquisa pré-competitiva que reúne grandes empresas do setor, como illycaffè, Melitta e JDE Peet’s – promove três workshops para discutir sustentabilidade da cafeicultura, numa aproximação entre ciência e indústria. Os encontros serão restritos a convidados. “O objetivo deste workshop é atrair pessoas da área de sustentabilidade e promover a cooperação entre esses atores em torno da redução da presença de resíduos na cafeicultura”, diz Robert Weingart Barreto, fitopatologista da Universidade Federal de Viçosa, que lidera no Brasil as pesquisas do consórcio, criado em 2020 por iniciativa do Cirad, instituição pública francesa dedicada à pesquisa e à cooperação internacional em agricultura tropical. “Precisamos agir rápido para reduzir a dependência de insumos e tornar a produção de café realmente sustentável, em linha com as exigências cada vez mais rigorosas do mercado”, analisa Barreto. O pesquisador apresentará um diagnóstico sobre o uso de pesticidas na cafeicultura do Brasil, Vietnã, Nicarágua e México, além dos principais entraves e caminhos para reduzir sua aplicação.

Espírito colaborativo
Durante os três dias de SIC também marcam presença encontros que refletem o espírito colaborativo que move o setor, reunindo lideranças, produtores, jovens e mulheres em debates estratégicos sobre o futuro da cafeicultura. Na quinta-feira às 8h, o tradicional Encontro Internacional das Mulheres do Café — promovido pela IWCA Brasil — vai reunir profissionais de toda a cadeia para discutir desafios e conquistas que fortalecem o protagonismo feminino, enquanto às 15h, o Encontro dos Jovens do Café, em sua quarta edição, promoverá o diálogo entre novas gerações e o campo, estimulando a sucessão e a inovação na atividade. 

Já na sexta (7), às 8h, o Encontro Técnico ATeG abre a programação com foco em capacitação e troca de experiências entre técnicos e produtores atendidos pelo Sistema Faemg Senar (o evento é restrito a convidados). Das 13h às 14h30, a reunião do Departamento do Café da Sociedade Rural Brasileira trará, a convite da SIC e pelo segundo ano consecutivo, representantes dos principais elos da cadeia para discutir o rebranding dos cafés do Brasil sob diferentes perspectivas — da produção ao consumo. O encontro será mediado por Carlos Henrique Jorge Brando (P&A Marketing), e contará com Silas Brasileiro (CNC), Raquel Miranda (CNA), Vinicius Estrela (BSCA), Marcos Matos (Cecafé), Celírio Inácio da Silva (Abic) e Aguinaldo José de Lima (Abics). 

Workshops: de drinques com café a mercado emergente
Na Cafeteria Modelo & Barista Jam, patrocinada pelo Grupo 3corações, o público acompanha workshops práticos com baristas — como “Café em competição: sabores para um drinque campeão” (5/11, 10h30), “Matcha & café: sinergia no menu para aumentar vendas” (5/11, 15h30) e “Belo Horizonte na xícara: um papo sobre a cena local de cafés especiais” (7/11, 12h). 

No último dia da SIC, às 12h, três especialistas brasileiros, representantes internacionais da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), comandam o encontro “Oportunidades em novos mercados: China, Dubai e Singapura”, voltado a orientar produtores sobre caminhos para a exportação. A proposta é apresentar tendências, perspectivas e estratégias para ampliar a presença do café brasileiro em mercados emergentes. Antes disso, na quarta-feira (5), das 14h às 16h, cada um dos profissionais ministrará workshops específicos sobre exportação para os respectivos destinos. “A Semana Internacional do Café faz esse investimento com o objetivo de gerar mais oportunidades e ampliar o acesso a novos mercados, potencializando o comércio. São países com alto potencial de crescimento no consumo de cafés”, afirma Caio Alonso Fontes, diretor da Espresso&CO, uma das organizadoras do evento.

Outros grandes encontros
No dia 6, das 8h30 às 12h, o Sicoob e o Sebrae realizam o seminário “Sustentabilidade na Cafeicultura”, constituído por três painéis. O primeiro, às 9h30, aborda o “Impacto do reconhecimento de Indicações Geográficas (IGs) para os territórios”, com casos do Cerrado Mineiro, Matas de Rondônia e Canastra. Às 10h20, o segundo painel discute a “Contribuição da cafeicultura para o desenvolvimento econômico dos municípios”, com a participação de consultores e lideranças regionais, como prefeitos e representantes de conselhos municipais. Encerrando a programação, às 11h20, o terceiro painel destaca as “Contribuições do Sicoob e do Sebrae para a cafeicultura”, com especialistas das duas instituições apresentando iniciativas de apoio ao setor.

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) realiza no dia 7, às 11h, o painel “Diálogo global para promover os direitos fundamentais da cadeia produtiva do café”. O encontro apresenta experiências e aprendizados do evento de Cooperação Sul-Sul (SSC), programado para acontecer na semana anterior com representantes do Brasil, Colômbia e Uganda, e busca promover o diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores sobre o fortalecimento dos Princípios e Direitos Fundamentais no Trabalho (PDFT) no setor cafeeiro. Além da exibição de um curta-documentário, o painel traz um debate quanto a desafios, boas práticas e papel da cooperação internacional na promoção de trabalho decente nas cadeias globais de café.

Semana Internacional do Café 2025
Quando: De 5 a 7 de novembro de 2025
Onde: Expominas – Belo Horizonte (MG)
Quanto: R$ 75 (para o dia 7) e R$ 150 (com direito aos 3 dias)
Mais informações: www.semanainternacionaldocafe.com.br

TEXTO Redação

Cafezal

Três em um: estudo redefine o café libérica e revela novas espécies

Por Cristiana Couto

Pesquisa liderada pelo botânico Aaron Davis, do Royal Botanic Gardens, em Kew, no Reino Unido, revela que o café libérica, anteriormente considerado uma única espécie, deve agora ser separado em três espécies diferentes.

Publicado em julho na Nature Plants, o estudo analisou dados genômicos combinados à morfologia e à distribuição geográfica das plantas de libérica, e acrescentou ao gênero Coffea duas novas espécies além do C. liberica: Coffea dewevrei (anteriormente conhecida como excelsa) e Coffea klainei. O gênero, agora, contabiliza 133 espécies.

Para Davis, chefe de pesquisa em café no Kew Gardens e referência mundial em pesquisa sobre origem, diversidade e futuro das espécies de café, salvaguardar o futuro da cadeia global de fornecimento do grão é desafiador, especialmente porque a maioria dos cafeicultores são pequenos e dependem de seu cultivo como principal fonte de renda. 

Embora a produção mundial de libérica e excelsa ainda seja pequena — menos de 0,01% do mercado global —, essas espécies vêm ganhando espaço em países da África e Ásia, sobretudo por sua resistência a altas temperaturas e períodos prolongados de seca, em um cenário de mudanças climáticas que ameaça especialmente o arábica.

“Libérica e excelsa têm potencial importante para o desenvolvimento da cafeicultura em áreas inadequadas para arábicas ou canéforas, particularmente as de baixas altitudes em climas mais quentes e úmidos”, afirmam os pesquisadores.

De acordo com o artigo, o sudeste asiático consome cafés libérica desde o final do século XIX e agora está “testemunhando seu renascimento, particularmente na Malásia, na Indonésia e em Fiji”. Já os cafés excelsa têm sido cultivados em Uganda, no Sudão do Sul e na Guiné, por sua tolerância a temperaturas mais elevadas e a períodos sem chuva se comparada ao canéfora. Na Índia e na Indonésia, sua produção também vem crescendo.

As análises do grupo de Davis mostraram que cada uma das três espécies tem distribuição geográfica particular e características agronômicas únicas. A espécie libérica (C. liberica) ocorre na África Ocidental (Serra Leoa, Libéria, Costa do Marfim, Gana e Nigéria) e se adapta a estações secas mais longas, suportando variações de precipitação.

A excelsa (C. dewevrei) cresce em regiões de clima mais variado na África Central (República Democrática do Congo, Camarões, Uganda e Sudão do Sul). É mais produtiva, com frutos menores e sementes semelhantes às do arábica, o que facilita o processamento e a torna uma alternativa aos canéforas em áreas quentes. Já C. klainei, a menos estudada das três, restringe-se a florestas da África Centro-Ocidental (Camarões, Gabão, Congo e Cabinda/Angola) e é geneticamente mais próxima da da espécie libérica.

Segundo Davis, esse “redesenho taxonômico” permite separar com clareza as características agronômicas, genéticas e climáticas das três espécies, abrindo caminho para avanços em programas de melhoramento do café e novas estratégias de cultivo. “O uso de qualquer uma dessas espécies em programas de melhoramento interespecífico com outras espécies pode ser promissor”, complementam os autores.

Ao mesmo tempo, o estudo expõe a urgência da conservação do gênero Coffea, já que aponta para a vulnerabilidade do café libérica devido à perda de habitat em grande parte de sua área de ocorrência natural.

TEXTO Cristiana Couto

Mercado

Parlamentares dos EUA querem apresentar projeto para excluir café do tarifaço

Proposta bipartidária tenta barrar sobretaxa de 50% sobre café brasileiro, que encareceu o produto para consumidores nos Estados Unidos, informa o jornal Washington Post

Parlamentares dos Estados Unidos apresentaram nesta sexta-feira (19) um projeto de lei para excluir o café das tarifas de 50% impostas pelo governo Donald Trump a produtos brasileiros. A medida, de caráter bipartidário, é liderada pelo republicano Don Bacon (Nebraska) e pelo democrata Ro Khanna (Califórnia), informou o Washington Post.

O texto propõe retirar da lista de sobretaxas o café torrado, o descafeinado, as cascas e peles do grão, além de outros substitutos que contenham o grão. O objetivo, segundo os autores, é aliviar a pressão inflacionária sobre consumidores americanos, que já enfrentam alta nos preços de alimentos.

As tarifas sobre o Brasil foram anunciadas em julho e atingiram praticamente todas as exportações do país para os EUA, exceto uma lista reduzida de produtos. No caso do café, os preços internacionais dispararam desde então, com alta estimada em cerca de 50% nas cotações de arábica negociadas em Nova York.

Embora a proposta reflita insatisfação dentro do Congresso, sua aprovação não é considerada certa. A maioria republicana na Câmara tende a apoiar o endurecimento comercial de Trump, e o texto ainda precisará ser votado no Senado.

O governo brasileiro, por sua vez, já levou o caso à Organização Mundial do Comércio e contratou um escritório de advocacia nos EUA para contestar as tarifas, segundo a Reuters.

TEXTO Redação

Mercado

“Já está faltando a origem Brasil nas cafeterias dos Estados Unidos”, diz Marcos Matos, do Cecafé

Declaração foi feita após audiência em Washington; executivo cita disparada nas bolsas, queda de 47% nas vendas aos EUA e avanço da Alemanha como principal destino do café brasileiro

Após a audiência pública na investigação comercial 301 aberta pelo USTR em Washington na quinta-feira (4), o diretor geral do Cecafé, Marcos Matos, advertiu que a tarifa de 50% imposta pelos EUA ao café brasileiro ameaça agravar a escalada dos preços internacionais. Ele lembrou que o contrato C da bolsa de Nova York saltou de 284,20 para 380 centavos de dólar por libra-peso entre julho e agosto – uma alta de 35%. “O cenário internacional já mostrava preços recordes em Nova York e Londres, e a imposição dessa tarifa de 50% só tende a agravar a situação”, disse, em entrevista a veículos brasileiros.

O executivo defendeu que o café seja reconhecido como recurso indisponível nos EUA, condição que permitiria manter a tarifa zero. “O Brasil é responsável por mais de 30% do café consumido nos EUA, e qualquer restrição impacta diretamente o consumidor americano”, afirmou. Matos também comentou que o café foi “o produto que melhor se estruturou para defender o Brasil da lei 301”.

Matos destacou que as exportações para os EUA caíram 47% em agosto, enquanto, no mesmo período, os embarques para a Alemanha aumentaram 55%, colocando o país europeu na liderança das compras. “A Alemanha tem ampliado suas compras e assumido o posto de principal destino do café brasileiro. Isso mostra a importância da diversificação: não podemos depender de um único mercado, por maior que ele seja”, disse.

E fez um alerta sobre a presença do Brasil no varejo americano: “Já está faltando a origem Brasil nas cafeterias dos Estados Unidos.”

Café & Preparos

Nestlé demite CEO após investigação

Laurent Freixe (à esquerda) será substituído interinamente por Philipp Navratil (à direita)

A Nestlé anunciou, na última segunda (1º), a saída de Laurent Freixe do comando global da empresa após investigação interna concluir que ele manteve um relacionamento romântico não declarado com uma subordinada, em violação ao código de conduta da companhia, informou o The Guardian.

O executivo, no cargo desde 2024, será substituído interinamente por Philipp Navratil (na foto), presidente da Nespresso

TEXTO Redação