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Barista paulista vence o 1º Campeonato Brasileiro de Aeropress

Edgar Martins (Urbe Café Bar) é o barista campeão.

Edgar Martins (Urbe Café Bar) é o barista campeão.

A expectativa foi grande para o primeiro campeonato do método Aeropress no Brasil. Edgar Martins, do Urbe Café Bar, de São Paulo (SP) é o grande vencedor da primeira edição. O barista nascido em Piracaia (SP) irá representar o Brasil no mundial, em Seattle, Estados Unidos, no início do mês de abril, com mais 32 países. A vitória foi muito comemorada pela equipe do Urbe Café, cafeteria que nasceu em 2011 com a proposta de servir café de qualidade na região do Baixo Augusta. Uma ideia que no início poderia parecer loucura e que deu muito certo. Fabio Pereira, proprietário da casa, conta que está muito feliz com o movimento da cafeteria, que serve em média, 6 mil xícaras ao mês de dois blends torrados pelo Coffee Lab (São Paulo). O Coffee Lab abocanhou o segundo lugar, com o barista João Perez, que disputou seu primeiro campeonato e é um dos braços-direitos da proprietária da casa, Isabela Raposeiras. O terceiro lugar ficou com Simone de Assis, profissional da Fazenda Ambiental Fortaleza (FAF), em Mococa, SP. Simone tem uma história à parte, que valia outra matéria. Quem nos contou foi o patriarca da fazenda, Marcos Croce, que orgulhoso diz que Simone nasceu na região, estudou na escolinha da fazenda, no projeto social criado por sua esposa Silvia, e hoje é a responsável por toda a exportação do café que sai de Mococa. Uma responsabilidade e tanto. espresso-2 Como funciona As regras do campeonato são bem simples e o clima de descontração contribui muito para o sucesso da competição entre os baristas e profissionais do mercado de café. O campeonato é formado por chaves de três competidores. Eles devem preparar os cafés na aeropress em 8 minutos. O interessante desta competição é que o café é o mesmo para todos os baristas. O que vale é a forma como o profissional o prepara. Aí entram as variáveis de moagem, temperatura da água, tempo de infusão e a pressão na extração. Três juízes avaliam os três cafés, que são servidos em xícaras de prova às cegas, ou seja, o café chega para eles sem saberem quem preparou. Após provarem, cada um vota no seu preferido da mesa e a xícara é levantada. Embaixo dela há uma identificação do barista, que é selecionado para a próxima fase. A emoção de saber de quem é o café e o suspense na hora de revelar são as grandes sacadas deste campeonato. A plateia torce para o seu barista preferido e até o final a expectativa é grande entre todos. aeropress_campeonato_ Campeonato Brasileiro de Aeropress O primeiro ano do Brasil foi de casa cheia, com 18 competidores. A ideia foi encabeçada pelo norueguês Eystein Veflingstad (que hoje vive em Salvador e trabalha na torrefação da Feito a Grão e tem a sua consultoria em café Terceira Onda). Durante a Semana Internacional do Café, em setembro de 2014, ele e Felipe Croce, proprietário da Fazenda Ambiental Fortaleza, amadureceram a ideia de realizar a competição no Brasil. Meses de preparação e muitos contatos depois, o campeonato aconteceu em São Paulo, no Studio FAF, para uma plateia de mais de 80 pessoas da área do café de diversas partes do País. Os juízes foram Eystein, Felipe e Isabela Raposeiras, que provaram 27 cafés para chegar ao campeão. Nas semifinais e finais a missão tornava-se um pouco mais difícil, pois a diferença entre eles era sutil: “mas apesar de ser o mesmo café dá para perceber sabores distintos”, afirma Isabela. Nem sempre a decisão dos juízes foi unânime, mas não houve empate nas rodadas. O suspense e a descontração para revelar quem ganhava cada rodada ficaram por parte do mestre de cerimônias Otavio Linhares (4 Beans, Curitiba-PR). O que é Aeropress? O preparo já é bem conhecido das cafeterias de qualidade pelo País, mas bem pouco popular para o consumidor. Para explicar de forma bem simples, a Aeropress consiste em uma grande seringa, onde o café moído é colocado junto com a água quente, misturado e infusionado; e a extração ocorre após a pressão do barista no êmbolo superior. O método foi criado nos Estados Unidos há somente dez anos, em 2005, por Alan Adler, da Aerobie.
João Perez, Simone de Assis e Edgar Martins.

João Perez, Simone de Assis e Edgar Martins.

Quem foram os participantes Participaram 18 competidores de 10 cidades do Brasil: Jéssica Maciel de Oliveira (Café du Coin, Cascavel-PR), Liana David Macedo (Café Clandestino, Brasília-DF), Bruno Albernaz Gomes Milek (Rause Café + Vinho, Curitiba-PR), Gabriel Gomes Robin (Café Clandestino, Brasília-DF), Amanda Longo Maines (4 Beans Coffee Co.,Curitiba-PR), Zélio Augusto Santana Filho (Uma Origem Ltda, Florianópolis-SC), Eraldo Pereira dos Santos (Espresso Arte, São Paulo-SP), João Francisco de Paula Perez (Coffee Lab, São Paulo-SP), Luciano Salomão (Wolff Café, São Paulo-SP), Juliano Andrei Lamur (Casa Café, Curitiba-PR), Simone de Assis Marcili (Fazenda Ambiental Fortaleza, Mococa-SP), Pedro Paulo Santos Santiago (Autônomo, Niterói-RJ), João Hamilton dos Santos (Sitio Canaã, Caconde-SP), Alex Pereira Santos (Biobarista, São Paulo-SP), Edgar Martins (Urbe Café Bar, São Paulo-SP), Pablo Alejandro André (Laika Café, Brasília-DF), Felipe Pinto de Souza (Have a Coffee, Vitória-ES) e Talita Pereira Machado (Malerba Café, Lorena-SP). Para as semifinais classificaram seis baristas: Eraldo Santos (Espresso Arte), Simone Assis (FAF), João Perez (Coffee Lab), Gabriel Robin (Café Clandestino), Edgar Martins (Urbe Café) e João Hamilton (Sítio Canaã). A final foi disputada por Edgar Martins (Urbe Café Bar), João Perez (Coffee Lab) e Simone de Assis (FAF). Patrocinaram o campeonato: BSCA (Brazil Specialty Coffee Association), FAF Coffees, Isso É Café, Coffee Lab, Terceira Onda Consultoria em Café, Industrial Atilla, DeLonghi, Mahlkönig. Quem criou? O primeiro campeonato de Aeropress foi realizado em 2008, em Oslo, na Noruega. Criado pelo mestre de torra Tim Varney, e apoiado também pelo barista campeão mundial Tim Wendelboe, ganhou muita força e hoje é realizado em 32 países. O Campeonato Mundial de Aeropress 2015 será realizado em Seattle, Estados Unidos, no dia 9 de abril, às 19h, em um espaço de eventos, o Within Sodo. Receita do campeão 15,5 g de café moído pelo um Hario Ceramic Slim. 155 g de água mineral VOSS 80C. Colocar 15,5 gramas de café na Aerobie AeroPress invertido e adicionar 55 ml de água 80 graus, agitar em movimentos circulares 10 segundos, completar com 100 ml de água, girar e passar lentamente 30 segundos. O material jornalístico produzido pela Revista Espresso é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize as redes sociais abaixo, creditando a fonte.

TEXTO Mariana Proença • FOTO Rogério Canella/Café Editora

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Sofá Café anuncia expansão com franquia no Rio de Janeiro

divulgação-sofacafe Eleito um dos melhores cafés de São Paulo, o Sofá Café segue agora para praias cariocas. Uma nova loja no Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, será inaugurada nos próximos dias. Com três filiais na cidade de São Paulo e uma em Boston, nos Estados Unidos, o proprietário Diego Gonzales quer manter, no Rio de Janeiro, o estilo acolhedor, convidativo e confortável, já característico das demais unidades. A loja carioca quer conquistar um público variado, desde profissionais e executivos a moradores e visitantes. Recentemente, a marca fechou uma de suas filiais em São Paulo, a unidade da Alameda Franca, nos Jardins. Agora, a proposta é focar em um projeto que deve apontar uma nova forma de servir o café e aprimorar as operações do estabelecimento às restrições previstas para os próximos anos em São Paulo, tais como energia e água. A inauguração da filial no Rio de Janeiro ainda não tem data marcada, mas promete ser só o começo da expansão da marca. O objetivo é abrir 10 unidades até o fim de 2015.

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Sofá Café

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Café cor de rosa: só para elas!

Dia Internacional da Mulher (Latte Arte) Neste domingo (8/3), o Octavio Café preparou uma homenagem para celebrar o Dia Internacional da Mulher. Com mais de 15 métodos de preparo do café, a cafeteria resolveu fugir da cor tradicional do café para impressionar o público feminino com um cappuccino de coloração rosa. Para que fique colorido, é adicionado um corante alimentício ao café. A bebida foi desenvolvida especialmente para a data, uma vez que a casa não serve este tipo de cappuccino normalmente. A substância é adicionada em pequena quantidade à bebida, não havendo alteração no sabor e nem restrições, segundo informações da cafeteria. O café será servido somente no domingo para presentear as clientes que forem ao local. Além disso, elas têm direito a uma taça de vinho que será servida entre os dias 6 e 12 de março, com necessidade de reserva. E você, o que achou da ideia?

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Sofá Café

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Leilão de cafés naturais chega a mais de R$ 9.000 por saca

foto_bsca_naturals A Revista Espresso acompanhou o leilão dos 23 lotes vencedores do 4º Concurso de Qualidade Cafés do Brasil ‘Cup of Excellence Late Harvest 2014’, realizado nesta quarta-feira (4/3), através da internet. O leilão terminou a pouco e chegou ao preço de US$ 3.148 a saca do campeão Sítio Baixadão, em Cristina, região da Mantiqueira de Minas Gerais, dos irmãos Antônio Márcio e Sebastião Afonso da Silva. Ano passado o maior lance pela saca vencedora foi de US$ 15,60 por libra-peso. Este ano o valor aumentou 52% e chegou a US$ 23,80 por libra-peso. Convertendo em reais na cotação de hoje, o valor chega a R$ 9.384 a saca de 60 kg. Durante o concurso, em janeiro, o lote bateu o recorde de pontuação de naturais ao obter 95,18 pontos. Além disso, os quatro primeiros colocados tiveram notas superiores a 90 pontos, sendo considerados presidenciais pelos jurados internacionais. Outro lote que chamou atenção no leilão foi o segundo lugar, que recebeu o valor de 23,60 por libra-peso, também uma média de mais de R$ 8.500 por saca. O produtor do Sítio Sertãozinho, Elson Benedito Daniel, também é de Cristina (MG). Todos os cafés foram negociados e geraram uma receita total na ordem de US$ 375.481,00. Vamos aguardar agora o anúncio de quem são os compradores. Veja abaixo como foram os outros lotes do leilão. Os melhores cafés naturais brasileiros da safra 2014 foram adquiridos por empresas oriundas de França, Suíça, Noruega, Bélgica, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul e Austrália, envolvendo os continentes da Europa, Ásia e Oceania. A Starbucks arrematou o café campeão do Cup, do produtor Sebastião Afonso da Silva. O Cup of Excellence é realizado pela Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Alliance for Coffee Excellence (ACE) e Sebrae. Clique na imagem para ampliar: resultado_naturals_cupofexcellence * Dólar a R$ 2,981, conforme fechamento de 4 de março  

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação

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Evento de café foca em curso para apaixonados pela bebida

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Um novo evento de café acontecerá no mês que vem: o Jamboree Brasil Café. Focado para o consumidor, o fórum será formado por mesas-redondas e workshops com informações teóricas e práticas. O projeto foi criado pelo especialista em café Ensei Neto, em parceria com o Clube do Café, comunidade de apaixonados pela bebida.

Com duração de um dia, em 21 de março (sábado), o Jamboree oferecerá 120 vagas e terá uma programação extensa, das 8h às 18h30. Pela manhã os painéis teóricos trarão especialistas sobre os temas Territórios, Ciência da Torra e Avaliação Sensorial. Os convidados serão confirmados em breve.

Aos participantes não será necessário conhecimento prévio de café. No período da tarde a ideia é testar equipamentos diversos, como moinhos e máquinas de espresso e colocar a mão na massa também na parte sensorial, com degustações.

Ensei nos explicou que a ideia do evento surgiu há algum tempo, mas que agora encontraram um bom espaço para realizar. O local é o showroom da marca alemã Zwilling Henckels, especializada, entre outros produtos, em facas profissionais de cozinha. Durante os workshops, os equipamentos poderão ser mexidos e testados pelos participantes, que serão divididos em grupos menores e poderão circular pelas estações montadas com diferentes métodos de preparo e acessórios.

Para Ensei o foco no público de coffee lovers e coffee geeks tem o intuito de ensinar e trocar mais com este público de forma prática e direta: “Cada vez que o consumidor tiver mais informação, ele exigirá mais da cadeia do produto”. O objetivo ao compartilhar conhecimento também será o de trazer “novas perspectivas ao mercado de café e inovação, a palavra que está nos guiando nesse projeto”.

Atrações internacionais estão sendo cogitadas, assim como profissionais de outras áreas, para que possam trazer visões de outros mercados aos participantes. Porém pelo perfil do organizador, uma das principais ênfases será mesmo nas experiências sensoriais do café e em como as regiões e processamentos, e também a torra, influenciam nas características aromáticas e de sabor do produto. Vamos aguardar!

Serviço
Data: 21 de março de 2015
Horário: 8h às 18h30
Investimento: R$ 380
Onde: Rua Oscar Freire, 578, Jardins, São Paulo (SP)
Inscrição: enseineto@gmail.com
Site e inscrições: www.jamboreebrasil.coffee

TEXTO Mariana Proença • FOTO Divulgação

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Barista do Irã tem visto negado para o mundial nos EUA

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Após realizar o primeiro Campeonato Iraniano de Barista, entre os dias 30/1 e 1/2, com a participação de 34 baristas, número maior do que no Brasil, o campeão Mehran Mohammad Nezhad, da Yasi Café, não poderá representar o país no Campeonato Mundial de Barista, em abril, em Seattle, Estados Unidos.

O governo dos Estados Unidos negou o pedido de visto ao barista. De acordo com a campeã norte-americana, Laila Ghambari, que foi uma das organizadoras do evento no Irã, “estamos todos incrivelmente tristes mas ao mesmo tempo o que realizamos foi extraordinário: o primeiro barista campeão do Irã”.

A comunidade do café em todo o mundo está se solidarizando com o barista e sua equipe, que já tinha vários patrocínios para se apresentar nos Estados Unidos. Porém é remota a chance de reverter a decisão. Atualmente não existem relações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã. Não há embaixadores nos países e há embargo do comércio entre eles.

Leia mais sobre o crescimento do café na Ásia.

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Pernambuco aumenta a venda de café

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Em 2014, o estado de Pernambuco registrou um aumento de 75% na venda de café. De olho neste crescimento, a Casa dos Frios, tradicional empório de Recife que produz os famosos bolos de rolo, fechou parceria com a Baggio Café, empresa centenária no cultivo de grãos.

Fundada em 1957, a Casa dos Frios é a mais antiga importadora e delicatessen da cidade. Mesmo Recife sendo uma cidade de altas temperaturas, o consumo de café é elevado. Contudo, a participação do gourmet ainda é pequena. “Há um grande potencial para esse mercado. Muitos pernambucanos ainda não tiveram a oportunidade de experimentar cafés especiais. Queremos proporcionar isso a eles”, afirma Liana Baggio Ometto, diretora comercial.

A capital pernambucana também conta com opções de cafeterias em shoppings como o Rio Mar e Recife. É o caso do Feito a Grão, cafeteria com origem em Salvador (BA), mas que já conquistou a clientela em Recife com variados métodos de preparo de café. Outra sugestão é a Bogart Café, no bairro de Santo Amaro, que oferece drinques como o Cup Coffee, café com cupuaçu. Ainda no mesmo bairro, o Café Miró atrai os apaixonados por espresso com raspas de limão e o Café Espumone (espresso, creme de leite, leite condensado e vaporizado).

Serviço
Recife (PE)

Casa dos Frios (Avenida Rui Barbosa, 412, Graças)
www.casadosfrios.com.br

Feito a Grão
Shopping Rio Mar (Avenida República do Líbano, 251, Pina)
Shopping Recife (Rua Padre Carapuceiro, 777, Boa Viagem)
www.feitoagrao.com.br

Bogart Café (Rua Afonso Pena, 96, Santo Amaro)
facebook.com/bogartcafe2011

Café Miró (Rua Afonso Pena, 165, Santo Amaro)
www.cafemiro.com.br

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Sorelle

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Lavazza pode confirmar a aquisição das cápsulas L’Or

lavazza-girl_1600x1200_94085Após a fusão monstro da Mondelez com a D.E Master Blenders 1753 (divisão de cafés) para criar a nova empresa Jacobs Douwe Egberts (JDE), com sede na Holanda, as leis de competição da Europa forçaram a nova companhia a vender suas marcas de café L’Or e Grand’Mère. Após meses de interesse de empresas de private equity, bem como da companhia de café de Israel, Strauss Group, a mais nova informação é de que a torrefadora italiana Lavazza parece ser a companhia com mais chances de adquirir ambas as marcas. Essa compra rapidamente tornará a L’Or uma parte vital do crescimento contínuo da Lavazza em mercados de café fora da Itália – e dá à companhia uma verdadeira participação na categoria de cápsulas de café compatíveis ao sistema Nespresso. Já posicionada como uma marca de espresso de qualidade, a Lavazza deve ser capaz de expandir as vendas da L’Or atrás de um modelo de preços e produtos que focam em cápsulas para o sistema Nespresso, bem como cápsulas para suas próprias máquinas de espresso, Lavazza Blue. Estratégia e antimonopólio Nesse cenário, a venda das marcas L’Or e Grand’Mère parece ser um efeito direto das leis antitruste/antimonopólio da Europa – uma perda necessária para avançar com a aprovação da nova companhia JDE. Entretanto, a JDE pode simplesmente estar de olho no prêmio maior. A Nestlé e a Keurig estão firmemente envolvidas no mercado de cápsulas. A Keurig obteve sucesso através de uma estratégia de licenciamento com parceiros nos Estados Unidos, enquanto a Nestlé confiou totalmente em suas patentes o modelo exclusivo de vendas para atrair consumidores com poder aquisitivo. Ao invés de competir diretamente com essas companhias, sair do modelo de cápsulas pode demonstrar o compromisso da JDE com seus sachês de café, bem como o foco em mercados emergentes onde os sistemas Nespresso e Keurig podem ser caros para muitos consumidores. Nesse meio tempo, a Lavazza se torna um competidor mais forte para a Nespresso. Embora a JDE traga a concorrência para Ásia Pacífico e América Latina, essa venda à Lavazza cria outro oponente para a Nestlé na região de alto poder aquisitivo da Europa Ocidental. leia mais…

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação/Lavazza

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Harmonização de café com queijo

queijo-1392139254874_956x500Ainda há algumas vagas para a harmonização de café com queijo que acontece amanhã, 14/2, no Mestre Queijeiro, em Pinheiros, São Paulo. Serão dois tipos de café harmonizados com três tipos de queijo. Os cafés especiais serão preparados no método filtrado Hario V60 pelo barista Ton Rodrigues, da True Coffee Brasil. Os queijos nacionais serão apresentados pelo especialista Bruno Cabral. Quem tiver interesse, serão três turmas (10h, 16h e 18h), com duração de 2h cada turma. A harmonização será acompanhada de explicações teóricas sobre os dois produtos. Serviço Mestre Queijeiro Rua Simão Álvares, 112, Pinheiros, São Paulo (SP) Investimento: R$ 40 Contato: truecoffeebrasil@gmail.com

TEXTO Da redação • FOTO Divulgação

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Tomie Ohtake (1913-2015)

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Em 2006, a Revista Espresso entrevistou Tomie Ohtake, em São Paulo. A artista morreu hoje, aos 101 anos, e aqui está nossa homenagem a esta brasileira, nascida no Japão. Conheça um pouco da história dela, que se dedicou à arte até o fim.

Sutileza e expressão na arte de criar
Ela aportou no Brasil em 1936. O que era só uma visita ao irmão, que “foi para longe da família para ter liberdade daquele rigor japonês”, se transformou em morada definitiva. Tomie Ohtake não imaginava, aos 23 anos, que aqui ficaria por toda a vida e construiria carreira tão brilhante no mundo das artes. Aos 92 anos, soma dezenas de obras representativas da arte contemporânea brasileira. Sua produção vai de quadros abstratos, gravuras, serigrafias (técnica de impressão em tecido), esculturas a instalações em espaços públicos. Sem deixar de lado a arte oriental: “essa influência se verifica na procura da síntese: poucos elementos devem dizer muita coisa”, afirma a artista.

A paixão pela arte surgiu ainda adolescente, porém só aos 39 anos “após o crescimento dos filhos” é que começou a pintar. Outro japonês, o artista plástico Keisuke Sugano a incentivou a percorrer o caminho das tintas. Nessa época, nos anos 50, Tomie pintava paisagens do bairro da Móoca, onde morava. Pouco depois, passou da arte figurativa para a abstrata, movimento que segue até hoje. Percorreu várias fases: ora pinceladas com duas ou três cores, quadros que exploravam a transparência; ora pinturas de cores mais vibrantes, tons contrastantes. Porém, prefere não classificar sua arte dentro de algum movimento artístico.

A primeira exposição individual ocorreu em 1957 no Museu de Arte Moderna de São Paulo. A partir daí, Tomie recebeu diversos prêmios, como o do Salão Nacional de Arte Moderna, nos anos 60; melhor pintora na década seguinte; além de participar de quase 20 bienais internacionais – a primeira em 1961, em São Paulo. Para ela “a arte mudou muito. Aquilo que era uma exposição de telas nas paredes, agora é acrescida de objetos, instalações, obras que vêm do teto” e alerta: acha as mudanças nas bienais “muito boas, se forem bem mostradas, se não, é perda de energia”.

O sol aflora o talento
De Kyoto, Japão, para São Paulo, Brasil, a então Tomie Nakakubo encontrou muitas diferenças culturais. Logo ao desembarcar no Porto de Santos, a jovem garota impressionou-se com o movimento de imigrantes e mercadorias indo e vindo pelo cais. O sol amarelo do país tropical imediatamente a arrebatou. De trem, a maioria dos recém-chegados seguia para a capital paulista ou para as fazendas do interior. Tomie, em visita ao irmão Masutaro, ficou em São Paulo. Entretanto, diferentemente de seus conterrâneos japoneses, que moravam no bairro da Liberdade, a família se instalou no reduto italiano da Móoca, zona leste da cidade.

Lá, sem poder voltar para a terra natal, pois “a Guerra do Pacífico impediu que houvesse muitos navios em trânsito e somente os passageiros absolutamente necessários viajaram ao Japão”, Tomie ficou no Brasil. Casou-se com o engenheiro agrônomo japonês Ushio Ohtake e teve dois filhos. Como dona de casa observava os movimentos do dia-a-dia da São Paulo dos anos 40 e 50. Quando a vontade de pintar veio forte, Tomie passou a integrar o Grupo Seibi, união de artistas plásticos japoneses que produziu importantes obras representativas do modernismo brasileiro e depois do abstracionismo – destaque para o pintor Manabu Mabe (1924-1997).

Como o talento aflorava, Tomie decidiu investir na carreira. Decisão nada fácil para uma mulher nos anos 70. Segundo ela, algumas importantes artistas plásticas como Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Maria Martins, Yolanda Mohalyi, Fayga Ostrower, Anna Letycia, Edith Behring e Renina Katz, abriram caminho para o gênero feminino atuar no campo das artes. Mas ainda assim, Tomie sentiu que em relação ao movimento abstrato: “o conservadorismo foi maior”.

Investimento no futuro
O amor pelo Brasil levou a japonesa Tomie a naturalizar-se brasileira em 1968. Além do carinho pelo país que a acolheu, a artista também gosta muito do movimento, das construções, da vida na cidade de São Paulo. Em 2001, para celebrar toda essa admiração, seus filhos Ruy e Ricardo criaram o Instituto Cultural Tomie Ohtake – espaço que reúne salas de exposição, ateliês, teatros e prédios de escritórios, além de centro de convenções onde funcionam restaurante, livraria, lojas e cafeteria – uma homenagem à artista que tanto pensa e contribui para que a arte no Brasil seja mais valorizada. “Quero que a arte seja bem escolhida e bem mostrada, e digo isto sempre aos meninos do Instituto. Nos últimos 15 anos, mudou a qualidade das exposições, para melhor.”

Assim, com o pensamento sempre no futuro, Tomie Ohtake passa seus dias. E, apesar de ter ultrapassado a barreira dos 90 anos, a artista não pára. Pinta diariamente por oito horas e faz planos para os próximos dois anos: “tenho em torno de seis obras públicas, esculturas, para pensar e organizar a execução. Sempre quero realizar o próximo trabalho”. E que assim foi por muitos anos.

TEXTO Mariana Proença