Mercado

Consumo de café cresce 2,44% de janeiro a abril 

Vendas no varejo somaram 4,91 milhões de sacas no quadrimestre, segundo a ABIC; indústria vê recuperação gradual após período de pressão sobre oferta e preços

Por Cristiana Couto

Entre janeiro e abril, as vendas de café brasileiro no varejo cresceram 2,44%, informou nesta quinta-feira (21) a Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC). O avanço corresponde a 4,91 milhões de sacas, ante 4,79 milhões no mesmo período de 2025 — ano em que o consumo havia registrado retração de 5,13% em relação a 2024. O resultado representa um sinal relevante de recuperação para o setor.

“Os dados mostram mudança constante, especialmente a partir de março, quando o consumo melhorou de maneira mais forte”, afirmou o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, em coletiva de imprensa, ao comentar o aumento de 10,25% registrado naquele mês. Em abril, a alta foi de 3,66%.

Embora o crescimento ainda não compense totalmente as perdas do ano passado, o movimento traz alívio para a indústria e o varejo. “Não podemos falar ainda em recuperação total do mercado, pelos desafios relevantes enfrentados nos últimos meses. Mas, com a melhora gradual do abastecimento de matéria-prima, a expectativa de maior volume de produção, a ausência de notícias climáticas desfavoráveis e maior estabilidade do mercado, há sinais de retomada da confiança”, avaliou.

O faturamento da indústria de café torrado — formada por cerca de 1.050 empresas no país — alcançou R$ 46,24 bilhões em 2025, alta de 25,6% frente a 2024, impulsionada pelo aumento dos preços nas gôndolas.

Segundo a ABIC, o abastecimento de matéria-prima para a indústria retomou um ritmo considerado normal. A situação havia se tornado “crítica” a partir do fim de 2024 e ao longo de 2025, devido às dificuldades de acesso ao produto.

Entre as categorias, os preços continuam elevados em alguns segmentos. O café descafeinado acumulou alta de 21% entre abril de 2025 e abril de 2026, alcançando R$ 114,93 por quilo, enquanto os cafés especiais avançaram 16,89%, para R$ 161,26/kg.

Outras categorias registraram queda. O tradicional/extraforte passou para R$ 55,34/kg (-15,51%), o superior caiu para R$ 70,37/kg (-12,65%) e as cápsulas, segmento com maior valor agregado, recuaram 9,49%, para R$ 364,16/kg.

Barista

Campeonato Torrefação do Ano 2026 recebe inscrições até 7/5

O campeão assegura vaga na final da edição nacional, que acontece em novembro na SIC, em Belo Horizonte (MG)

Vencedores do campeonato na Semana Internacional do Café (SIC) em 2025

Estão abertas as inscrições para a competição Torrefação do Ano 2026, organizada pela Attila Torradores. A primeira etapa acontece de 26 a 29 de maio no Fispal Food Service, em São Paulo (SP). 

O vencedor garante vaga na final do campeonato, que acontece durante a Semana Internacional do Café (SIC), em Belo Horizonte, entre 11 e 13 de novembro. As inscrições custam R$ 350 e podem ser feitas no site da empresa.

O concurso está na 6ª edição e busca aprimorar a qualidade das torrefações com provas que envolvem criatividade e consistência, além de participação do público. Os cafés do campeonato são das Fazendas Diamante – que ficam nos municípios mineiros de Martins Soares, Manhumirim e Caparaó e cada torrefação escolhe 2 kg de um deles para trabalhar. 

Depois de um dia de treino, os competidores entregam uma amostra de 150 g, que será avaliada por juízes sensoriais. As três melhores serão, então, provadas pelo público, que elegerá a ordem dessas torrefações no pódio.  

O quê: Torrefação do Ano 2026 – edição Fispal
Quando: 26 a 29 de maio
Onde: Durante a Fispal 2026, no Distrito Anhembi (av. Olavo Fontoura, 1.209, São Paulo – SP)
Inscrições: R$ 350, até 7 de maio, no site da Attila Torradores

Mercado

Muito além do chocolate

Iniciativas que miram o aproveitamento total do cacau apostam em inovação, sustentabilidade e mais sabor à mesa

Por Beatriz Marques

Durante a Fruit Attraction, uma das maiores feiras de fruticultura do mundo, realizada na capital espanhola em outubro deste ano, frequentadores ficaram curiosos ao passar pelo estande da empresa Sebastião da Manga, do Vale do Rio São Francisco. 

Expostos improvisadamente em caixas de papelão para armazenar mangas, vários cacaus avermelhados e vistosos, semiembrulhados em papel de seda, causavam surpresa quando cortados ao meio para expor suas amêndoas, unidas pela polpa suculenta e esbranquiçada. “Foi difícil conseguir levar o cacau para lá: primeiro, ele ficou retido em Portugal, depois, na Espanha e até na porta da feira, pois ninguém o conhecia”, revela Luis Fernando Campeche, engenheiro agrônomo e sócio da Novo Sol Agrícola, outra importante empresa produtora de frutas irrigadas no Vale do São Francisco, responsável por conseguir que o cacau in natura pudesse ser apreciado no evento. 

Por mais que o chocolate seja popular em todo o mundo e seu consumo continue a aumentar a passos largos, o mesmo não pode ser dito do seu ingrediente de origem, um verdadeiro desconhecido não só por estrangeiros como por muitos brasileiros que, além de nunca tê-lo provado diretamente da fonte, também não imaginam o potencial que ele tem a revelar.

Afinal, a parte da qual nasce o chocolate representa muito pouco da fruta inteira. “As amêndoas são somente 8% do cacau”, explica José Raul dos Santos Guimarães, superintendente regional dos estados do Pará e Amazonas da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), órgão ligado ao Ministério da Agricultura e Pecuária para promover o desenvolvimento sustentável e a pesquisa no setor cacaueiro no Brasil.

Estimulando a bioeconomia

Aprimorar as formas de uso do produto, de modo a complementar a renda dos produtores, está entre os principais objetivos da equipe à frente da Ceplac na região, que também atua no combate a doenças, como a vassoura-de-bruxa, e na promoção do cultivo em sistemas agroflorestais.

“A bioeconomia do cacau é algo bem amplo, que perpassa a produção de amêndoa seca. Estamos falando de um aproveitamento integrado e sustentável dos recursos gerados na unidade de produção de cacau”, diz Santos, sobre a diversificação da atividade produtiva para agregar valor e ampliar a renda dos agricultores, promovendo maior sustentabilidade no campo.

Mel de cacau, da Dengo

Os produtos mais acessíveis à realidade das famílias locais são a polpa e o mel do cacau. O primeiro, extraído por uma despolpadeira, e o segundo, com uma prensa, transformam-se na base de licores, geleias, caldas, coquetéis, sucos e até molhos de pratos salgados. “De cada mil quilos de amêndoa fermentada e seca que o produtor vende, ele conseguiria aproveitar entre 450 e 500 litros de mel de cacau”, diz José Janilson do Socorro, agente de atividades agropecuárias da Ceplac. 

Para extrair o mel do cacau, a prensagem é feita logo após a colheita e mantém a integridade das amêndoas, que podem ser beneficiadas como de costume. “Só é preciso pegar uma parte do cacau sem tirar nem mel e nem polpa e misturar às amêndoas restantes, para não prejudicar o processo de fermentação”, explica Socorro, que auxilia em projetos para montar minifábricas a interessados na região. “Não é tão caro quanto os equipamentos para a elaboração do chocolate, mas ainda tem pouca gente fazendo”, conta o agente. “Com 35 mil reais, é possível adquirir esses outros equipamentos, como prensa e freezer”, completa.

Além da capacitação continuada de técnicos, a Ceplac treina famílias de agricultores – que representam 95% dos cerca de 33 mil produtores do Pará – para essas novas expertises. E o interesse pelo aprendizado, em sua maioria, parte das mulheres. “Somos muito demandados para essas capacitações e o público predominante é do gênero feminino, que tem forte presença nas propriedades”, revela Santos, que almeja empoderar cada vez mais os agricultores de toda a riqueza gerada pela economia do cacau. “Na cadeia de valor do chocolate, o produtor se apropria de apenas 6%. Olha que triste!”, lamenta o superintendente regional da Ceplac.

Do mel ao vinagre

Quem já tem explorado a versatilidade do fruto é a Mais do Cacau, fundada em 2018 e que, hoje em dia, já acumula 20 produtos alimentícios – com cacau de Ilhéus, no sul da Bahia – distribuídos em todo o país. “Nossa missão é criar produtos inovadores que vão muito além do chocolate tradicional, sempre com sustentabilidade, foco no aumento da rentabilidade, ecologicamente e socialmente corretos”, diz José Eduardo Amorim, um dos sócios. 

Mais do cacau?

Vinagre, mel, melato (mel de cacau reduzido), amêndoas e nibs caramelizados e a “cauchaça”, aguardente de cacau com 42% de teor alcoólico, são os destaques da marca, que tem como clientes restaurantes, bares e hotéis, além de consumidores finais, com vendas pelo site da marca. “O [preço do] cacau subiu 190% em dois anos, criando desafios, mas, também, oportunidades para produtos de valor agregado”, opina Amorim.

O mel de cacau, aliás, também foi novidade na Dengo Chocolates quando lançado em 2018, e hoje é vendido nas lojas da marca no Brasil e na França. Feito na Bahia pelos produtores Du Kakau e Agrícola Condurú, o mel é pasteurizado e tem adição de conservante, para que ganhe mais tempo de prateleira. Além de envasado, o líquido – de sabor frutado, doce e levemente ácido – faz parte de drinques preparados na loja Fábrica de Dengo na Faria Lima, capital paulista. 

Além destes produtos do cacau, a Dengo também elabora os gins Cacau, feito com extratos vegetais de zimbro, nibs de cacau e semente de coentro, e o Piranga, com zimbro, nibs de cacau, pitanga e limão. “O gim com cacau foi uma ideia da Dengo para ter outras formas de usar o cacau em bebidas”, conta Luciana Lobo, chocolatière da marca. “Então, buscamos um parceiro, a Draco Gin House, que usa nossos nibs de cacau no processo”, completa. O desejo de aumentar o portfólio neste segmento continua firme. “Nós estamos cada vez mais trabalhando para que isso se concretize”, afirma Andresa Silva, gerente-executiva de redes da Dengo.

Gim de cacau, feito a partir dos nibs do fruto

Inovação 

Ainda há muito a ser explorado entre as possibilidades do cacau, e a inovação tem sido uma constante no setor. Um exemplo é a norte-americana Blue Stripes, que faz o aproveitamento total do fruto, originário do Equador, em mel (chamado de “água”), gomas, mix de nuts, granola, amêndoas de cacau cobertas de chocolate e de creme de avelã, posicionando o fruto como “superalimento”. 

A empresa, inaugurada há três anos, vende seus produtos em todas as lojas da Whole Foods e registra mais de 10 milhões de dólares em vendas anuais no varejo.

No Brasil, o cacau tem cada vez mais se inspirado no café para trilhar novos caminhos. O Centro de Inovação do Cacau (CIC), em Ilhéus, na Bahia, está de olho no fruto do cacaueiro como um alimento funcional e pesquisa suas qualidades para desenvolver um produto pré-treino. “A gente tem desenvolvido produtos e inovações olhando muito para o que o café já vivenciou”, revela Cristiano Villela, diretor científico do CIC. A atenção maior está no flavonóide epicatequina, presente no fruto. “É um dos mais potentes antioxidantes que existem na natureza, e ele é abundante no cacau.”

A Maré Chocolates também vê o cacau como um superalimento. A marca de chocolate orgânico usa 100% do cacau, extraindo as cascas das amêndoas (depois de torradas) para elaborar com elas uma infusão rica em teobromina, um alcalóide de efeito levemente estimulante. “Geralmente, nas grandes indústrias, essas cascas são trituradas com as amêndoas, o que deixa um amargor no chocolate. Nós usamos um maquinário que permite essa separação e que mantém as cascas mais íntegras para a infusão”, explica Maruska Gemelli, sócia da Maré, que hoje adquire cacau de produtores de Cachoeiras de Macacu, na serra fluminense.

Pacote de chá das cascas do fruto, da Maré Chocolates

O mesmo potencial é explorado pela paulistana Chocolat Du Jour ao começar a produzir chocolates bean-to-bar. “Incorporamos o processo de descascar a amêndoa do cacau e percebemos que tinha perda de um ingrediente que poderia ter alguma utilização. Quando sentimos o aroma do cacau, que é maravilhoso, durante o processo de fabricação do chocolate, não nos conformamos com o desperdício”, relembra a sócia Patrícia Landmann. Ao lado de Carla Saueressig, uma das maiores especialistas em chás no Brasil, desenvolveram o Choco Chá, uma infusão das amêndoas dos nibs com a casca, que também é oferecido em versão com especiarias. “Ele é rico em antioxidantes e tem todas as propriedades do cacau que fazem bem para a saúde”, completa Patrícia.

Cascas do fruto

Não só de amêndoas, polpa e mel é feito o cacau. A grossa casca vistosa também pode ter melhor destino que o descarte. “Ela pode ser triturada para compostagem ou utilizada para produção de biogás, biofertilizante, ração animal. Mas esse aproveitamento da casca ainda é pouco explorado aqui”, revela Santos.

Para evitar que a casca seja um problema para o produtor, o CIC busca usá-la como meio de cultura para fungos benéficos, como o Trichoderma, para combater outros fungos que causam doenças, como a vassoura-de-bruxa. “Queremos transformar um problema numa solução amigável”, diz Villela.

Em grandes fazendas, onde o volume de cacau produzido é bem maior, as cascas já entram em um processo mecanizado. Segundo o diretor da CIC essas fazendas desenvolveram máquinas que, conforme passam pela área de colheita recolhendo o cacau para a quebra automática do fruto, já trituram as cascas e as espalham como adubo. “Só que isso é um uso pouco nobre da casca, pelo potencial que ela tem”, opina. 

In natura

O que poderia parecer óbvio, mas ainda é pouco explorado, é a venda da fruta in natura. A demonstração do cacau no Fruit Attraction foi um bom termômetro para verificar a curiosidade do público estrangeiro em relação à origem do chocolate e as possibilidades de um consumo mais amplo do cacau. “A gente tem variedades na Bahia, como a salobrinho 03, que tem sabor espetacular”, opina Villela. “A Fazenda Cantagalo [em Itabuna, sul da Bahia] tem algumas seleções para fruticultura. É um mundo ainda inexplorado e com potencial gigante”, atesta. 

Campeche, da Novo Sol Agrícola, já está de olho nesse futuro promissor e iniciou o plantio de cacaueiros para, daqui a dois anos, colher os frutos desta aposta. Assim como as uvas no Vale do Rio São Francisco, o cacau tem irrigação controlada e é cultivado com outras espécies – no caso da Novo Sol, o mamoeiro apoia o sombreamento do cacau e ainda gera renda com a venda dos frutos. “Já temos a cadeia da fruticultura bem definida e estamos bem avançados na comercialização de frutos de qualidade. Do jeito que estamos propondo o cultivo do cacau, com padrão, rastreabilidade, cultivo ambientalmente correto e selos de qualidade, conseguiremos avançar na sua exportação”, explica Villela. 

Choco Chá, infusão das amêndoas dos nibs com a casca do cacau, da Chocolat du Jour

Para tal, é preciso entender as particularidades da venda in natura. Em um cultivo commodity, ou seja, focado na comercialização das amêndoas, não há cuidado com a apresentação da casca, por exemplo. “Terei de colher de forma diferenciada, não posso jogar no chão para não amassar a casca, que perde valor comercial, e fazer uma seleção de tamanho, que conta na padronização. Por isso, a remuneração do produtor também terá de ser diferente”, detalha Campeche. Outro desafio é o shelf life do cacau que, diferentemente de frutas que podem ser colhidas verdes para depois amadurecerem, não evolui depois de retirada do pé. “Ainda estamos estudando qual seria seu tempo de vida pós-colheita e como conservá-lo”, informa o engenheiro agrônomo, sobre a conservação do fruto por baixa temperatura ou com revestimento de cera (aplicação de fina camada de cera comestível sobre a casca).

Tais diretrizes, sem dúvida, podem transformar o cacau em um produto de luxo. “É um caminho desconhecido, mas achamos que vai dar certo”, acredita Campeche.

Texto originalmente publicado na edição #90 (dezembro, janeiro e fevereiro de 2026) da Revista Espresso. Para saber como assinar, clique aqui.

TEXTO Beatriz Marques

Mercado

Luckin investe R$ 2,2 bi em torrefação e expande capacidade industrial na China

Novo centro em Qingdao eleva a capacidade da rede a 155 mil toneladas por ano e reforça a estratégia de integração e eficiência logística da rede no leste do país

Foto: Divulgação

A rede Luckin Coffee anunciou o início das operações de um centro inteligente de torrefação de café em Qingdao, na província chinesa de Shandong.

Com investimento de cerca de 3 bilhões de yuans (quase R$ 2,19 bilhões) e capacidade anual acima de 55 mil toneladas, a empresa afirma, em comunicado, que a instalação “representa mais um passo em frente na cadeia de suprimentos global da Luckin, com capacidade e eficiência aprimoradas, impulsionando o progresso na transformação inteligente e sustentável da indústria cafeeira da China”.

Com a inauguração, a companhia passa a operar uma rede de torrefação em quatro cidades no leste do país — Qingdao, Pingnan, Kunshan e Xiamen (em construção) — que, juntas, devem superar 155 mil toneladas de capacidade anual, um novo recorde para a indústria de torrefação de café na China, segundo a empresa.

Além disso, a proximidade do Porto de Qingdao, um dos principais do país, permite a importação direta de café verde de origens como Brasil, Colômbia e Etiópia. De acordo com o comunicado, o apoio de uma rede logística que integra transporte marítimo, terrestre, aéreo e ferroviário deve aumentar a eficiência entre a compra do grão e o consumo final.

 

Arte: Cristiana Couto, com uso de IA

Para Jinyi Guo, cofundador e CEO da Luckin Coffee, a abertura do centro marca um avanço na consolidação da cadeia de produção da empresa, ao combinar tecnologia e sustentabilidade e contribuir para a modernização do setor cafeeiro chinês.

Segundo a Luckin, os processos no centro de torrefação de Qingdao são 100% automatizados, com equipamentos de embalagem de alta capacidade e armazenamento com controle constante de temperatura e umidade. A estrutura inclui ainda um sistema de redução de emissões de carbono.

De acordo com dados da World Coffee Portal, a Luckin Coffee protagonizou uma das expansões mais rápidas do varejo global de café, ao saltar de poucos milhares de lojas no início da década para mais de 30 mil unidades em 2025.

O crescimento consolidou a rede como líder na China em número de pontos de venda e reduziu a distância em relação à Starbucks, indicando uma mudança relevante no equilíbrio do mercado global, analisa a WCP.

Fonte: World Coffee Portal

TEXTO Redação

Mercado

3corações compra Yoki e Kitano por R$ 800 milhões

Negócio amplia atuação da empresa no ramo de alimentos 

 

O Grupo 3corações comunicou à imprensa nesta terça-feira (17) a aquisição das operações da General Mills no Brasil, em um negócio avaliado em R$ 800 milhões. A transação inclui marcas como Yoki e Kitano.

O negócio sinaliza a mudança de posicionamento do grupo para um espectro mais amplo do que o café. No mercado brasileiro, a General Mills, uma das maiores empresas globais de alimentos, foca em alimentos básicos, snacks e temperos. “Este é um passo fundamental em nosso propósito de estar cada vez mais próximos da família brasileira, fazendo-nos presentes em diferentes ocasiões de consumo”, afirma Pedro Lima, presidente do Grupo 3corações, em nota.

O acordo prevê a manutenção das marcas, para um crescimento acelerado do negócio. A conclusão da operação depende da aprovação das autoridades regulatórias competentes e outras condições usuais de fechamento.

TEXTO Redação

Cafezalsustentabilidade

OIC lança campanha para destacar papel do café no combate a desafios globais

Estratégia de comunicação para 2026 busca posicionar o café como vetor de desenvolvimento e parte das respostas a questões sociais e ambientais

A Organização Internacional do Café (OIC) lançou, nesta quinta-feira (26), em Londres, a campanha “O café faz parte da solução”, sua estratégia de comunicação global para 2026. A proposta é destacar a importância do café não apenas como produto comercial, mas como vetor de desenvolvimento socioeconômico nas origens produtoras e ator relevante no enfrentamento de desafios globais, como crise climática, sustentabilidade e desigualdade social.

A campanha também quer incentivar a ação coletiva no setor. Por isso, ao longo do ano, vídeos, dados, estudos de caso e interações entre parceiros e membros da organização vão enriquecer a divulgação, nas plataformas digitais da organização, de projetos, iniciativas e resultados que mostram como a colaboração entre agentes dos setores públicos e privados pode transformar estratégias em resultados. A ação vai chamar atenção, ainda, para o papel do setor na preservação do patrimônio cultural, no incentivo à inovação e no fortalecimento de laços entre países produtores e consumidores.

“Por meio desta campanha, queremos mostrar que, quando o setor trabalha em conjunto, o café pode fortalecer a resiliência, melhorar os meios de subsistência e contribuir de forma significativa para as soluções”, disse Vanúsia Nogueira, diretora-executiva da OIC, em anúncio da iniciativa.

Para estimular a comunidade global do café a divulgar exemplos de projetos com impacto social, a campanha destaca o uso da hashtag #CoffeeIsPartOfTheSolution. O vídeo principal da iniciativa, em quatro idiomas, está no canal da OIC no YouTube.

Para estimular a comunidade global do café a divulgar exemplos projetos com impacto social, a campanha destaca o uso da hashtag #CoffeeIsPartOfTheSolution. O vídeo principal da iniciativa, em quatro idiomas, está disponível no canal da OIC do YouTube.

TEXTO Redação

“Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”

Por Celso Vegro

A pandemia produziu um novo contexto para a experiência humana na atual quadra histórica. O ambiente de incertezas firmou-se como alicerce das expectativas que foram recentemente radicalizadas pela gestão previsivelmente imprevisível do mandatário estadunidense. Francamente empenhado no desmantelamento do sistema de governança global, construído pelos EUA no pós-guerra, o ambiente para a tomada de decisões econômicas tornou-se extremamente complexo. 

Ao final de 2025, foi publicado pela Casa Branca o documento “National Security Strategy of USA” que, em suas premissas, regurgita a doutrina Monroe¹, que diz que a América Latina constitui um território “exclusivo” dos interesses estadunidenses. O esforço explícito de Trump é o de deslocar a presença chinesa dos países latino-americanos e priorizar seus interesses, mas, talvez, nem tanto dos países abaixo do Rio Grande ou Rio Bravo, a depender do ponto de vista.

A estratégia norte-americana já rendeu frutos, como no caso do Panamá – retomada da gestão pública sobre o canal, cancelando a concessão que pertencia a uma empresa de Hong Kong –, o bloqueio das remessas de petróleo venezuelano para a China e para Cuba e, por fim, o pacote financeiro para a Argentina em troca da exclusividade para a exploração das reservas de lítio do país pelos EUA. Outras intervenções virão, sobretudo nas eleições da Colômbia² e do Brasil – por acaso, os dois maiores países produtores de café arábica do mundo.

Pois não foi o café um dos produtos³ que levou o mandatário estadunidense a rever o tarifaço impetrado ao Brasil no final de julho de 2025? A elevação de preços do café no mercado dos EUA, trouxe forte indignação ao seu eleitorado, forçando-o a excluir o produto da lista daqueles taxados em 50% para ingresso no mercado norte-americano4

Não poderia haver momento mais inoportuno para o mandatário estadunidense impor tarifas ao café brasileiro. Após seguidos anos de produção mundial abaixo das expectativas, associados ao acelerado consumo de estoques, iniciou-se, no último trimestre de 2024, uma escalada nas cotações do café no mercado internacional, que se manteve até fevereiro deste ano, quando, após quatro safras consecutivas no Brasil, previu-se um volume de colheita próximo ao recorde registrado na safra de 2020/21. 

A retirada das tarifas impostas pelo presidente norte-americano não promoverá um retorno ao status quo anterior de funcionamento do mercado. Ainda que tenha havido perdas econômicas devido à restrição aos embarques para aquele mercado, houve diversificação dos clientes para os produtos brasileiros, ou seja, um rearranjo dos destinos da oferta que, agora, passará a competir pelo suprimento nacional com mercados tradicionais. 

A commodity café tem natureza essencialmente volátil. A espúria intervenção no mercado, afetando sua principal fonte de suprimento global, intensificou movimentos especulativos, trazendo mais imprevisibilidade à formação dos preços do produto. As cotações na Bolsa de Nova York superaram US$ 400 por libra-peso, elevando os preços no mercado interno a patamares acima de R$ 2.500 a saca. A transferência para os preços no varejo foi imediata, com drásticas repercussões sobre a demanda.

Assim, dados recentes da Conab5 indicaram que a colheita para o ano comercial 2026/27 poderá alcançar 66,19 milhões de sacas – representando um incremento de 17,1% frente à safra anterior –, distribuídas em 44,10 milhões de sacas de arábica e 22,09 milhões de sacas de conilon e robusta. Tais resultados estão alinhados às mais destacadas previsões das principais companhias exportadoras, como Stonex (70,70 milhões de sacas) e Itau BBA (69,30 milhões de sacas), para mencionar apenas duas das empresas especializadas em monitorar o andamento da safra brasileira.

Apesar do impacto que essa quantidade de café colhido venha tendo na formação internacional dos preços, o resultado mais relevante dessa campanha de previsão de safra da Conab é a expansão de área de cultivo mensurada em 4,1%. Aquilo que pode parecer pouco consiste em uma área adicional de 76 mil hectares! Considerando o patamar tecnológico em que as novas lavouras são implantadas, podemos imaginar médias de produtividade, relativamente conservadoras, em torno de 35 sacas por hectare, o que significa um adicional de 2,6 milhões de sacas ao total da safra.

Ademais, por imposição da legislação europeia, a cafeicultura brasileira já se apropriou plenamente dos mecanismos de rastreabilidade e certificação, que, aliados ao empreendedorismo característico que permeia a realidade atual da atividade agropecuária do país e, ainda, à sua incessante busca por tecnologias que mesclam produtividade com qualidade, conferem um patamar de fortalecimento à atividade, promovendo tanto a confiança internacional como a capacidade brasileira de suprir, em suas especificidades, à demanda internacional e nacional. 

Com essa expansão do plantio forma-se, no Brasil, uma espécie de buffer (colchão) contra as variações cíclicas características do mercado das commodities, sendo o café uma das que exibem esse comportamento mais intensamente. Diante das mudanças climáticas, fenômeno já constatado, é importante que se ampliem as áreas de produção no país para que as periódicas perdas registradas nos últimos anos, tanto aqui como entre concorrentes, possam ser mitigadas pela expectativa de colheita em novas áreas produtivas. 

A persistente elevação do consumo mundial de café, associada à tênue recuperação de estoques que se antecipou a partir do aumento da oferta brasileira, não trará alívio ao mercado, ainda que, momentaneamente, os preços tenham exibido fortes baixas ao longo de fevereiro de 2026. Distúrbios climáticos, decisões político-econômicas erráticas e ilegais, escalada de conflitos geopolíticos e comerciais, enfraquecimento da moeda-referência para o comércio internacional e entesouramento privado deixam o mercado em estado de permanente estresse, significando, na prática, um incremento da volatilidade para as cotações.

A revogação das tarifas decretada pela Suprema Corte estadunidense, com imediata imposição de tarifa global de 15%, poderá beneficiar as exportações brasileiras para os EUA. Sob clima de imprevisibilidade, instabilidade e desconfiança, o mercado demandará mais café, pois, diante de tantos estresses, o produto surge como o elixir capaz de descomprimir esse momento de tantas incertezas. 

E a música, que inspira o título a desta coluna, continua com a estrofe: “Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu a um segundo”.

(Artigo preparado sob inspiração de recentes análises da estudiosa Mônica de Bolle em seu canal para assinantes no Substack).

Celso Luis Rodrigues Vegro é engenheiro agrônomo, mestre e pesquisador científico do IEA (Instituto de Economia Agrícola), vinculado à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.


*Trecho da canção “Como Uma Onda (Nada do Que Foi Será)”, de Lulu Santos, do álbum O Último Romântico (1984).

¹ A Doutrina Monroe tinha como um dos seus preceitos base o slogan “América para os americanos”.

² Pouco após o sequestro do mandatário da Venezuela, o ordenador da ação militar na qual tombaram 100 militares daquele país insinuou que a Colômbia poderia ser o próximo país a experimentar algo similar, sob o argumento de suposto combate ao narcoterrorismo.

³ A carne, especialmente aquela empregada na produção de hambúrgueres, acompanhou o café na elevação dos preços no mercado estadunidense. 

4 Em 20 de fevereiro de 2026, os juízes da Suprema Corte dos Estados Unidos finalizaram seus votos, e a maioria decidiu pela revogação da imposição de tarifas, concluindo que o presidente Trump excedeu sua autoridade ao invocar a lei de emergência econômica. Todavia, o café solúvel brasileiro ainda está no rol de produtos que permanecem sob alíquota de 50%, havendo movimentação diplomática brasileira para sua exclusão do tarifaço

5 Disponível em https://www.gov.br/conab/pt-br/atuacao/informacoes-agropecuarias/safras/safra-de-cafe/1o-levantamento-de-cafe-safra-2026/1o-levantamento-de-cafe-safra-2026. Acesso em 20/02/2026.

Cafezal

Safra brasileira de café deve bater recorde em 2026/27, com 66,2 milhões de sacas

Estimativa da Conab aponta alta de 17,1% sobre 2025/26, impulsionada pela bienalidade positiva, aumento de área, maior tecnificação e clima mais favorável

A safra brasileira de café 2026/27 está estimada em 66,2 milhões de sacas, segundo o primeiro levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) divulgado nesta quinta-feira (5). Se confirmada, a produção será superior à safra recorde de 2020 (63,08 milhões de sacas), e representará um crescimento de 17,1% em relação à colheita 2025/26, bem como um avanço de 22,1% na comparação com 2024/25, quando foram colhidas 54,2 milhões de sacas.

Além do ciclo de bienalidade positiva, o desempenho projetado reflete a expansão da área cultivada, o maior uso de tecnologia e insumos no campo e a combinação de condições climáticas mais favoráveis em boa parte das regiões produtoras.

A área total plantada com café no país — somando arábica e canéfora — chega a 2,3 milhões de hectares, alta de 3,4% sobre a safra anterior. Desse total, 1,9 milhão de hectares estão em produção (+4,1%), enquanto 397,3 mil hectares permanecem em formação (+0,2%).

A Conab também projeta ganho de produtividade, estimada em 34,2 sacas por hectare – avanço de 12,4%. No café arábica, a produtividade média deve alcançar 28,5 scs/ha (+18,4%), enquanto, no canéfora, a previsão é de 57,1 scs/ha (+2,3%).

Confira levantamento completo aqui

Produção por estado

Minas Gerais

  • 32,4 milhões de sacas (+25,9%)
  • Alta explicada pela bienalidade positiva e pela melhor distribuição das chuvas antes da floração.

Espírito Santo

  • 19 milhões de sacas (+9%)
  • Produção estimada em 14,9 milhões de sacas de conilon (+5%) e 4,2 milhões de sacas de arábica (+26,5%), beneficiada pelo bom regime de chuvas no norte do estado.

São Paulo

  • 5,5 milhões de sacas (+16%)
  • Resultado associado à bienalidade positiva e à recuperação de áreas afetadas no ciclo 2024/25.

Bahia

  • 4,6 milhões de sacas (+4%)
  • Do total, 1,2 milhão de sacas são de arábica e 3,4 milhões de conilon. Crescimento sustentado por clima mais regular, maior investimento em insumos e entrada de novas áreas em produção.

Rondônia

  • 2,7 milhões de sacas de canéfora (+18,3%)
  • Avanço impulsionado pela renovação de lavouras com clones mais produtivos e por condições climáticas favoráveis.

Goiás

  • 253,2 mil sacas (+17,5%)
  • Produtividade estimada em 42 scs/ha (+8,7%), com expansão da área em produção (+8,1%), bienalidade positiva e chuvas regulares.

Rio de Janeiro

  • 394 mil sacas de arábica (−6,7%)
  • Queda atribuída à elevada carga produtiva registrada na safra anterior.

Paraná

  • 750,6 mil sacas, com predomínio de arábica (+0,3%)
  • Condições climáticas favoráveis sustentam leve crescimento.

Mato Grosso

  • 298,7 mil sacas (+7,2%)
  • Expansão da área produtiva, maior uso de fertilizantes e avanço dos cafezais clonais.

Amazonas

  • 38,7 mil sacas de canéfora
  • Área em produção estimada em 1.043,7 hectares e área total cultivada de cerca de 1,5 mil hectares, com cultivo em expansão apoiado por políticas públicas e distribuição de mudas adaptadas à região.

TEXTO Redação

Mercado

Consumo de café no Brasil cai 2,31% em 2025

Volatilidade dos preços freou o consumo per capita em 2025, mas o faturamento cresceu; a expectativa de uma safra maior em 2025/26 pode estabilizar mercado 

Por Cristiana Couto

O consumo de café torrado e moído no Brasil caiu em 2025, segundo dados divulgados nesta quinta (29) pela Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC). Entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o volume passou de 20,85 milhões para 20,24 milhões de sacas, uma retração de 2,92% na comparação com o período anterior.

A queda reflete, sobretudo, a forte volatilidade dos preços da matéria-prima, que atingiu o varejo com atraso, mas de forma significativa. O consumo per capita de café torrado e moído recuou de 5,01 kg para 4,82 kg por habitante/ano (-3,88%)..

Faturamento cresce apesar da retração

Apesar do menor volume, o faturamento da indústria cresceu 25,6% em 2025, alcançando R$ 46,24 bilhões, impulsionado pela alta dos preços nas gôndolas. Nos últimos cinco anos, enquanto o preço do café verde subiu mais de 200%, o repasse ao consumidor ficou em torno de 116%, indicando compressão das margens da indústria.

A ABIC destacou que a escalada e a queda abrupta das cotações do café verde — especialmente entre novembro de 2024 e agosto de 2025 — dificultaram o planejamento industrial e contribuíram para o impacto no consumo. Em alguns momentos do ano, a oferta de matéria-prima chegou a níveis considerados críticos.

Solúvel avança, torrado recua

Na contramão do torrado e moído, o consumo de café solúvel cresceu 9,5% em 2025, beneficiado pela maior participação dos canéforas na matéria-prima e por preços relativamente mais competitivos. Já o consumo total de café (torrado, moído e solúvel) caiu 2,31%, para 21,4 milhões de sacas.

Expectativas da safra 2025/26 

Com boa florada e condições climáticas mais favoráveis, a expectativa da ABIC é de uma safra 2025/26 maior, o que tende a reduzir a volatilidade dos preços. No entanto, os estoques globais seguem historicamente baixos, o que limita quedas expressivas no preço ao consumidor no curto prazo. A entidade projeta recuperação gradual do consumo, apoiada em promoções pontuais e maior estabilidade do mercado.

 

TEXTO Cristiana Couto

Mercado

Solúvel tem queda em volume exportado, mas bate recorde de receita em 2025

Tarifa de 50% dos EUA derruba embarques; valorização da matéria-prima sustenta divisas e mercado interno cresce

O café solúvel brasileiro fechou 2025 com queda de 10,6% no volume exportado, mas alcançou recorde de receita, com US$ 1,099 bilhão, alta de 14,4% ante 2024, segundo relatório da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

No total, o Brasil embarcou 3,688 milhões de sacas para 102 países, mantendo o produto como o 13º item da pauta exportadora brasileira. A retração em volume reflete principalmente o impacto da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos. Entre agosto e dezembro, período de vigência da medida, as exportações para o país caíram 40% em relação ao mesmo intervalo de 2024. Ainda assim, os EUA seguiram como principal destino, com 558.740 sacas em 2025, apesar da queda anual de 28,2%.

Na sequência aparecem Argentina (291.919 sacas, +40,2%) e Rússia (278.050 sacas, +9,8%). Entre os destaques do ano estão mercados que também são grandes produtores de solúvel, como Colômbia (130.029 sacas, +178,2%), além de Indonésia, México e Vietnã.

Segundo a Abics, “a tarifa encarece o produto brasileiro de forma proibitiva”, levando importadores norte-americanos a buscar fornecedores alternativos e reforçando a necessidade de diversificação de mercados.

Nesse contexto, a União Europeia desponta como alternativa relevante. Em 2025, o bloco importou 642 mil sacas, que geraram US$ 184 milhões — 17,5% do volume total embarcado. Atualmente, o café solúvel brasileiro entra na UE com tarifa de 9%. A expectativa em torno do acordo Mercosul–UE é positiva, mas a entrada em vigor deve levar de dois a três anos e prevê desgravação gradual de 25% ao ano, ao longo de quatro anos, sem efeito imediato sobre o escoamento.

Na contramão das exportações, o mercado interno teve desempenho excepcional, com crescimento de 9,5% e consumo de 1.170.356 sacas. Dados do IBGE mostram que, entre 2024 e 2025, o café solúvel acumulou alta de 34,32%, abaixo do café moído (75,25%), o que ajudou a sustentar a demanda.

Para a ABICS, o resultado evidencia a resiliência de um setor que investiu R$ 2,5 bilhões nos últimos seis anos, mas que entra em 2026 diante de um cenário desafiador, marcado por barreiras comerciais, agenda tributária e a urgência de ampliar acordos internacionais.

TEXTO Redação