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Alemanha concentra um terço das importações de café da União Europeia
País se destaca como centro de processamento e redistribuição do grão, além de reunir o maior mercado consumidor de café da Europa
Por Cristiana Couto
Em 2025, a Alemanha recebeu 16,8 milhões de sacas de café (principalmente verde e torrado) vindos de fora da União Europeia, o equivalente a 34,4% do total dessas importações no bloco, segundo estudo da Federação Europeia do Café (ECF, na sigla em inglês). A Itália ocupou uma distante segunda posição, com 10,1 milhões de sacas, ou 20,7% do total.
Mais de 97% do café importado pela União Europeia chega na forma de grãos verdes, de acordo com o levantamento. Uma predominância que evidencia o papel da indústria europeia no processamento do produto antes de sua distribuição aos mercados consumidores.
A posição alemã reflete uma estrutura que vai além do abastecimento interno. O país reúne importantes portos de entrada, indústrias de processamento e uma rede de distribuição que atende a outros mercados europeus e internacionais.O estudo Economic Impact of Coffee in Europe, elaborado pela consultoria Europe Economics para a ECF e divulgado em junho de 2026, estima que a cadeia cafeeira alemã gere € 29,3 bilhões (R$ 165,4 bilhões) e sustente cerca de 517 mil empregos (dado este de 2023).
Da entrada ao processamento
Os portos de Hamburgo, Bremen e Bremerhaven desempenham papel central na entrada e na movimentação de café na Europa. Parte dos grãos recebidos segue para torrefações e outras unidades industriais alemãs; outra parcela é distribuída a países vizinhos.
A Alemanha também está entre os maiores polos europeus de torrefação. Em 2023, produziu cerca de 517 mil toneladas de café torrado, o equivalente a 8,6 milhões de sacas. A Itália apresentou volume ligeiramente superior, de 522 mil toneladas, ou 8,7 milhões de sacas.
Bremen abriga ainda duas grandes unidades de descafeinação, cada uma com capacidade superior a 1,7 milhão de sacas por ano. Além disso, o país figura entre os centros europeus de fabricação de café solúvel.
A importância alemã na redistribuição do produto aparece nas estatísticas da Organização Internacional do Café (OIC). Em 2025, o país liderou as reexportações mundiais de café, com 13,2 milhões de sacas, mais que o dobro das 5,94 milhões registradas pela Itália, segunda colocada. Países Baixos (5,14 milhões), Bélgica (4,97 milhões) e Espanha (3,29 milhões) vieram em seguida.
Entre os principais destinos das reexportações alemãs estão a Polônia, com 3,07 milhões de sacas, os Países Baixos (1,20 milhão), a França (983 mil) e os Estados Unidos (961 mil). Os volumes da OIC são expressos em equivalente de café verde e incluem diferentes formas do produto.
Um mercado consumidor consolidado
Além de seu peso comercial e industrial, a Alemanha é o maior mercado consumidor de café da Europa e o terceiro do mundo, atrás dos Estados Unidos e do Brasil. Em 2025, o consumo alemão alcançou 9,59 milhões de sacas, segundo a OIC, ante 5,85 milhões na Itália e 5,84 milhões na França.
O consumo por habitante – embora, por ser um mercado maduro, cresça lentamente – foi superior ao dos dois países: 6,79 kg na Alemanha, 5,95 kg na Itália e 5,12 kg na França. Entre 2005 e 2025, o consumo alemão avançou 7,6%, de 8,91 milhões para 9,59 milhões de sacas. No mesmo período, o aumento foi de 14,3% na França e de 6,8% na Itália.
A presença do café no cotidiano alemão também se reflete nos hábitos. Segundo levantamento divulgado pelo Centro de Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI, na sigla em inglês), 89% dos alemães consomem café, e os consumidores da bebida tomam, em média, 3,4 xícaras por dia. O café filtrado permanece o preparo mais popular: 47% dos consumidores afirmam consumi-lo regularmente.
Em 2025, as vendas de café torrado no mercado alemão somaram aproximadamente 456 mil toneladas, queda de 1,5% em relação ao ano anterior, segundo a Associação Alemã do Café. Apesar da retração no volume, o faturamento cresceu 23,5%, para € 8,98 bilhões (R$ 50,7 bilhões).
Grãos e novos solúveis
O mercado alemão também passa por mudanças na forma de consumo. Segundo a Associação Alemã do Café, as vendas de café em grãos inteiros cresceram 130% entre 2015 e 2025, alcançando 193,8 mil toneladas no último ano. No mesmo período, as vendas de café moído recuaram 38%.
O avanço dos grãos acompanha a difusão das máquinas automáticas que moem o café no momento do preparo. Atualmente, cerca de um em cada três domicílios alemães possui um equipamento desse tipo.
O café solúvel também apresenta novas possibilidades de consumo. Embora responda por aproximadamente uma em cada dez xícaras consumidas no país, a categoria passa a incorporar produtos de maior valor agregado, como versões especiais de café instantâneo e concentrados líquidos.
Essas transformações ocorrem em um mercado de consumo relativamente estável, mas integrado a uma das maiores estruturas de importação, processamento e distribuição de café do mundo.
Fontes: Federação Europeia do Café (ECF), Economic Impact of Coffee in Europe (2026); Organização Internacional do Café (OIC), Coffee Trade Globe (dados de 2005 e 2025); Associação Alemã do Café (2026); Centro de Promoção de Importações de Países em Desenvolvimento (CBI, 2025)





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