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Uganda lidera exportações de café da África
Com aumento de volume embarcado e receita em 2025, país quer produzir 20 milhões de sacas anuais até 2030
Por Gabriela Kaneto
Em 2025, a Uganda se consolidou como maior exportador de café da África, superando a Etiópia em volume. De acordo com a Uganda Coffee Development Authority (UCDA), o país registrou crescimentos expressivos em relação a 2024: foram 8,7 milhões de sacas (60 kg) embarcadas (+48%) e US$ 2,5 bilhões em receita (+71%).
Crescimento na cafeicultura
Apesar de cultivar as duas espécies, a nação tem como carro-chefe o canéfora (robusta), que representa 85% da produção total do país – e cujo preço aumentou cerca de 33% no último ciclo – os 15% restantes são arábicas produzidos em regiões de altas altitudes. Ainda que de produção pequena, as exportações deste grão mais que dobraram em 2025, com o embarque de 1,15 milhão de sacas. O principal motivo foram problemas climáticos enfrentados por outras origens produtoras.
O governo de Uganda pretende elevar a produção para 20 milhões de sacas anuais até 2030. A meta integra o Uganda Coffee Roadmap 2030, lançado em 2017 e coordenado pela UCDA, que prevê a distribuição de mudas de alta produtividade e a agregação de valor no país, com estímulo ao café torrado e solúvel.
De olho em novas fronteiras
Hoje, Uganda exporta café para diversos mercados, com destaque para Europa, Oriente Médio e Ásia — região com a qual busca ampliar relações comerciais. No fim do ano passado, o país firmou parceria com a Cotti Coffee, rede chinesa em rápida expansão. O acordo foi apresentado pelas autoridades como o início de “uma fase transformadora para o setor cafeeiro”.
Segundo a publicação Food Business Middle East & Africa, Uganda registrou forte avanço nas exportações para a China, com crescimento de 190% em 2025, impulsionado pela maior adoção do café ugandense por redes de cafeterias, torrefações e consumidores chineses. Para a Cotti Coffee, o país é parceiro “estratégico” de longo prazo, citando a consistência dos grãos, a diversidade e iniciativas de sustentabilidade na cadeia produtiva.
Ainda na Ásia, Uganda busca ampliar as exportações para o Japão, mercado com consumo crescente de café. Em setembro, o país participou da SCAJ, principal feira do setor na região, onde apresentou seus grãos a mais de 75 mil visitantes. “O Japão valoriza qualidade, rastreabilidade, sustentabilidade e autenticidade. Uganda oferece os quatro — e com volumes capazes de sustentar parcerias de longo prazo”, afirmou Tophace Kaahwa, embaixadora de Uganda no Japão, na abertura do evento, conforme vinculou o portal SoftPower News.
Uganda x Etiópia
No exercício fiscal 2024/25 (de 8 de julho a 7 de julho do ano seguinte), a Etiópia exportou 7,8 milhões de sacas de 60 kg, segundo a Ethiopian Coffee and Tea Authority (ECTA). O volume gerou US$ 2,6 bilhões em receita, acima do registrado por Uganda. A diferença se explica, em parte, pelo perfil da pauta: a Etiópia exporta majoritariamente café arábica, cujo valor por saca costuma superar o do robusta.
Apesar do avanço nas exportações, Uganda ainda produz menos que a Etiópia. No ciclo 2024/25, a produção ugandense é estimada em 6,9 milhões de sacas, segundo o relatório anual do United States Department of Agriculture (USDA). Para o mesmo período, projeções de mercado apontam a safra etíope em cerca de 8,5 milhões de sacas de 60 kg.
Considerada o berço do café, a Etiópia mantém forte cultura de consumo interno: cerca de 50% da produção é absorvida pelo mercado doméstico, de acordo com o USDA, que projeta consumo de 4,1 milhões de sacas. Em Uganda, o mercado interno representa menos de 5% da produção, o que faz com que quase toda a colheita seja destinada à exportação.




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