Barista •

Campeões brasileiros de barista servem café vencedor em São Paulo

leomoço_estela cotes_baristas Os baristas Leo Moço e Estela Cotes, bicampeão brasileiro de Barista e campeã brasileira de Preparo de Café, respectivamente, estarão em São Paulo, neste sábado (7/11), para o evento #justcoffee no bar Mandíbula. Na ocasião, os profissionais irão servir o café cultivado no Paraná que deu título a Leo Moço no 15º Campeonato Brasileiro de Barista, realizado em setembro deste ano. O grão será preparado nas versões: espresso, cappuccino, drinque de assinatura e coado. O café do Paraná e os produtos da região, como o mel da abelha nativa Tujumirim, foram tema da apresentação do barista, que trabalhou no processamento do grão ao lado do produtor, Evilásio Mori, de Cambira. “Fizemos um trabalho em conjunto. Colhemos o café e o deixamos fermentar em terreiro suspenso. Queria uma bebida extremamente frutada, com acidez tartárica, lembrando um vinho tinto. Um perfil encontrado em cafés de altíssima qualidade como os africanos e da América Central”, explica o carioca. Esta será a primeira vez que Leo faz as mesmas bebidas do campeonato em uma degustação aberta. Além disso, Estela Cotes oferecerá o mesmo café na versão coado. “Como o blend que usei no Campeonato de Preparo de Café tinha grãos da Etiópia, em pouca quantidade, vou usar o mesmo método da competição como mais uma forma de apreciar este café do Paraná, que não perde em nada para grandes bebidas provadas pelo mundo”, detalha. Para acompanhar cada xícara, os meninos do Fermentados Pães estarão com pães artesanais feitos para o evento. Além do Kit de Pães Sortidos, com três tipos de dips (sourcream, geléia de tangerina e manteiga), eles levarão o Bacon Roll, um cinnamon roll com geleia artesanal de bacon no lugar da canela, grilled cheese, torta de pera e cookies de chocolate. Serviço #justcoffee Data: 7 de novembro, das 14h às 17h Local: Mandíbula – Praça Dom José Gaspar, 106 – Galeria Metrópole – 2º andar, loja 40 – Centro – São Paulo Valor: degustação dos cafés (espresso, cappuccino e drinque), R$25. Coado, R$5.

TEXTO Da redação • FOTO Bruno Lavorato/Café Editora

Café & Preparos •

Léo Moço – pesquisa e inovação

Léo Moço - barista

Torcedor do Flamengo, vaidoso e criativo, Léo Moço, de 34 anos, não é querido por todos. Suas opiniões polêmicas e a forma direta de se posicionar acabam por afastá-lo de colegas. Mas, apesar de parecer que sim, essa não é a principal característica desse carioca.

Quando se olha mais de perto, vê-se um barista pesquisador, cientista obcecado por oferecer um café de forma inovadora. E ele está conseguindo. Após trabalhar com eventos, cafeterias e fazendas, Léo Moço criou uma microtorrefação, o Café do Moço, focada em cafés de origem e hoje toca a Barista Coffee Bar, sua cafeteria em Curitiba (PR).

Como começou a trabalhar com café?
Em 2005, após desenvolver um plano de negócios para abrir um cybercafé. Fiz um curso de barista e avaliei que o mercado estava carente de profissionais.

Persistência é uma qualidade?
Sim, mas no meu caso foi pura teimosia. Me falavam que nunca ia ganhar o campeonato brasileiro, que meu café era fermentado demais, que sou muito polêmico. Falavam para desistir, mas isso era contra os meus princípios. Fui mais teimoso que persistente.

Como é a relação com os cafeicultores? E esses novos formatos de fermentação?
Tenho poucos fornecedores, a logística atrapalha muito no Brasil. Sobre a fermentação, ainda é algo misterioso e complexo. Tive grande apoio do Thiago Motta, da Fazenda Jatobá, no Cerrado Mineiro, indicação do Juliano Tarabal (marketing da Federação dos Cafeicultores do Cerrado). O Thiago é um produtor aberto a novas ideias e nos demos muito bem.

Qual a responsabilidade de ser um campeão e de representar o Brasil?
É uma sensação boa, mas estranha. O fato de o Brasil ser um país produtor com restrições comerciais para grãos do resto do mundo é uma desvantagem. Como ser campeão do mundo se provamos e consumimos apenas o nosso café? Por outro lado, ser barista do maior produtor mundial é grande vantagem, já que estamos próximos de todo o processo. Representar um país que produz 40 milhões de sacas, que tem quase 300 anos de tradição e todo um desenvolvimento histórico, social e comercial é missão para um superbarista. Como resumir tudo isso em 15 minutos? Acredito ser esse nosso grande desafio.

PAPO ESPRESSO
O profissional: estudioso
Início de carreira: a chance
Campeonato dos sonhos: aquele justo, que promova o ser humano que se dedicou, estudou, ralou, ganha pouco e é apaixonado
Especialidade: questionar
Método preferido: espresso
Teoria: fermentação é o futuro
Fazenda: Santa Terezinha, em Paraisópolis (MG), do mestre Paulinho Almeida
Marco importante na vida: a morte do meu primeiro filho em 2005, que me levou ao café
Estou bebendo: um conilon de Rondônia
Meu café: aquele que transmite emoção
Maior invenção: a La Marzocco Strada
Maior qualidade: confiança
Maior defeito: não ser falso
Gulodice: pão doce
Outra profissão que teria seguido: militar
Um barista: se eu tivesse que escolher um para ir à guerra, levaria o carioca Emerson Nascimento, um dos melhores baristas do Brasil em atividade
Primeira pessoa que ofereceu um café (gourmet): deve ter sido minha vó
Recado para outros baristas: descubram seus pontos fracos e criem motivação para melhorar cada vez mais
Onde encontrar: no www.cafedomoco.com.br, e no Barista Coffee Bar, em Curitiba.

TEXTO Giuliana Bastos • FOTO Guilherme Gomes