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Redes de cafeterias avançam no Leste Asiático e superam 180 mil lojas em 2025

Dados do Project Café East Asia 2026, do World Coffee Portal, mostram crescimento regional de 18,4%, puxado pela China, que abriu mais de 20 mil lojas em um ano; mercado asiático deve ultrapassar 200 mil pontos de venda até 2026

Foto: 5thWave

O Projeto Café Leste Asiático 2026, análise pioneira da inglesa World Coffee Portal sobre o mercado de redes de cafeterias no Leste Asiático, revela que o mercado regional total cresceu 18,4% em número de lojas em 2025, alcançando 180.268 pontos de venda, com China, Tailândia, Indonésia, Vietnã e Filipinas registrando crescimento de dois dígitos.

Mercado chinês em disparada

O mercado chinês de redes de cafeterias cresceu 31,5% em 2025, alcançando 87.505 lojas — quase o dobro do mercado dos EUA e quase metade do total de lojas do Leste Asiático. É a primeira vez que um mercado de redes de cafeterias inaugura mais de 20 mil lojas em um ano-calendário.

O crescimento foi liderado por Luckin Coffee e Cotti Coffee, os dois maiores operadores do país, que, juntos, abriram mais de 12 mil lojas e respondem, atualmente, por 50% do mercado chinês de cafeterias.

O mercado chinês é cada vez mais influenciado por preço, promoções e descontos, com destaque para a guerra de preços de RMB 9,9 (US$ 1,40) entre Luckin e Cotti.

A ênfase em acessibilidade também impulsionou o surgimento de redes de crescimento acelerado focadas em valor, como a Lucky Cup, da Mixue, e a KCoffee, da Yum China.

Esse ambiente altamente competitivo surpreendeu muitos operadores internacionais em um mercado hoje dominado por cadeias locais. Vale destacar, por exemplo, que a antiga líder Starbucks concordou com a venda de uma participação majoritária de US$ 4 bilhões de seu negócio na China — com 8 mil lojas — para a Boyu Capital, de Hong Kong.

Inovação em bebidas

Oitenta por cento dos 4 mil frequentadores de cafeterias na China entrevistados pelo World Coffee Portal consomem café quente pelo menos uma vez por semana, sendo que 25% o fazem diariamente. Ainda assim, os operadores vêm experimentando cada vez mais cafés gelados, aromatizados e com infusão de frutas, tornando a China um laboratório único de inovação em sabores.

Matcha, açúcar de palma e coco foram os ingredientes adicionados às bebidas de café mais citados, o que reforça a tendência. O coconut latte, por exemplo, é o item mais vendido da Luckin Coffee desde seu lançamento, em 2017. Da mesma forma, a KCoffee lançou linhas ousadas, como um café americano gaseificado com vinagre preto.

Foto: 5thWave

Preferência por redes locais

Os mercados de redes de cafeterias do Leste Asiático desenvolveram identidades próprias, baseadas em tradições nacionais de café e na oferta de bebidas à base de espresso mais acessíveis.

Na China, 57% dos entrevistados preferem redes domésticas a operadores internacionais. Esse sentimento se repete em toda a região, onde cadeias locais continuam ganhando participação de mercado de marcas ocidentais. Entre os exemplos estão Jinji Jawa, na Indonésia, ZUS Coffee, na Malásia, e Pickup Coffee, nas Filipinas, que inauguraram centenas de lojas no último ano, crescendo mais rápido que concorrentes como Starbucks, Dunkin’ e Costa Coffee.

Na Tailândia, por exemplo, Café Amazon e PunThai Coffee responderam por 80% de todas as novas lojas abertas nos últimos 12 meses.

Otimismo entre líderes da região

A maioria dos líderes do setor entrevistados (71%) registrou crescimento anual de vendas, e mais de dois terços estão otimistas quanto às condições atuais de mercado. Além disso, 68% esperam melhora nas condições comerciais nos próximos 12 meses.

O World Coffee Portal projeta que o mercado de cafeterias do Leste Asiático será o primeiro do mundo a ultrapassar 200 mil lojas até o fim de 2026. Até novembro de 2030, o total deve superar 263 mil lojas, com crescimento médio anual (CAGR) de 7,9% em cinco anos.

A China deve crescer 20% em número de lojas em 2026 e 10,3% ao ano nos próximos cinco anos, alcançando mais de 142,5 mil lojas até o fim de 2030. Camboja, Indonésia, Malásia, Filipinas e Vietnã também devem registrar crescimento de dois dígitos em 2027.

Comentando os resultados do estudo, Jeffrey Young, fundador e CEO do Allegra Group, responsável pelo Project Café East Asia 2026, afirma que esse crescimento demonstra como o Leste Asiático se tornou parte “fundamental” da indústria global de café.

“A China, uma verdadeira potência, adicionou mais de 20 mil lojas em um ano, alcançando um crescimento sem precedentes e impressionante”, comenta. Segundo Young, ainda há “muito espaço” para expansão. “Esperamos que toda a região se torne o principal motor de crescimento global nas próximas décadas. Uma coisa é certa: este é um sinal de mudança, e o mercado global de café está sendo cada vez mais liderado por conceitos do Leste Asiático.”

TEXTO Fonte: World Coffee Portal (tradução da Revista Espresso) • FOTO 5thWave

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